Espirito Santo

Cerca de 387 frases e pensamentos: Espirito Santo

Encha se do Espírito Santo e você verá os céus abertos e ainda será capaz de suportar as pedradas da vida. At 7.54-60

Oséias Arêas

O brilho, o efeito e o acabamento desejados para sua alma está na maquilagem do Espírito Santo.

Helgir Girodo

"Para ser feliz não precisa de fórmula mágica, basta ter a vida controlada pelo Espirito Santo."

Gildo Alves

Das mãos do príncipe do mundo retira Deus as almas cativas, por meio da unção do Espírito Santo, para transferi-las às mãos do Príncipe da paz -- Jesus.

Helgir Girodo

Os cristãos são cartas de Cristo, seladas pelo Espírito Santo, destinadas a Deus, que mora nos Céus.

Helgir Girodo

Lucas 10,21-24

21 Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: “Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado.
22 Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.
23 E voltou-se para os seus discípulos, e disse: “Ditosos os olhos que vêem o que vós vedes,
24 pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram”.

//A FELICIDADE DE VER O MESSIAS
Os discípulos foram declarados felizes por terem visto e reconhecido o Messias Jesus. Esta felicidade foi ansiada, ao longo da história de Israel, por "muitos profetas e reis" que nutriam a esperança de vê-lo. O desejo deles, porém, não foi realizado.
Entretanto, a graça de ver o Messias tem dois pressupostos. O primeiro diz respeito à ação divina como propiciadora desta experiência. Só pode reconhecer o Messias, Filho de Deus, aquele a quem o Pai o quiser revelar. A simples iniciativa ou a curiosidade humana são insuficientes. O máximo que se poderá alcançar é a visão da realidade humana do Messias, seu aspecto exterior e suas características secundárias. Sua verdadeira identidade de Filho de Deus só pode ser conhecida por aqueles a quem o Pai revelar. Privado deste dado fundamental, esse conhecimento da pessoa do Messias Jesus esvazia-se e perde toda a sua relevância.
O segundo pressuposto refere-se à postura espiritual de quem recebe a graça de reconhecer o Messias. Somente os simples e pequeninos, os não contaminados pelo espírito de soberba próprio dos sábios e entendidos deste mundo, é que terão acesso a este conhecimento elevado. O que os sábios em vão buscam conseguir, aos pequeninos é revelado diretamente por Deus. Estes têm a felicidade de ver e ouvir o Messias e predispor-se a acolher o Reino proclamado por ele.//

Lucas Padre Jaldemir Vitório

O Espírito Santo não escolhe as religiões. Ele escolhe as pessoas.

Andréa Wollenhaupt Petry

É melhor se desconectar, antes que esta internet te desconecte do Espírito Santo.

Pr. Ivan Junio ( Pastor Insano )

Prefiro permanecer em silêncio, e deixar que o Espírito Santo fale por mim.

Higor Tressmann

Esperar o tempo certo é para pessoas que tem um relacionamento real com o ESPÍRITO SANTO.Muitos ainda não entendem isso,mas DEUS ti dar o livre arbítrio para conhecer o que é ter um relacionamento com o ESPÍRITO SANTO...ELE ti convida todos os dias,mas a decisão é sua.

Bárbara N. Lopes

Consagrei a alma de minha namorada ao Espírito Santo, como forma de amor perpétuo. E a minha a Jesus, meu mestre e Senhor. E a de nós dois, ao Pai Celeste, que tudo nos deste e dá.

Anderson Carmona Domingues de Oliveira

A verdade é um coração que instiga a paixão verdadeira em Jesus Cristo por meio do Espírito Santo.

Anderson Carmona Domingues de Oliveira

Nossa Senhora é a alegria da esperança eterna fecundada pelo Espírito Santo no sacrário da Santíssima Trindade, unidas pelo Pai com o Filho no Amor maior.

Anderson Carmona Domingues de Oliveira

A aura é a comunicação do corpo com a alma beatificada no Espírito Santo.

Anderson Carmona Domingues de Oliveira

Essa noite o Espirito Santo sussurrou no meu ouvido: "Vocês ficarão assustados com o que vou fazer nos últimos dias". Um manto diferente!

Lanne Garcez

Pela santificação de Deus revestiu-nos Jesus do manto
do Espírito Santo.

Helgir Girodo

O Derramar do Espírito Santo – Zacarias 12

Esta expressão “carga da Palavra do Senhor” aparece em outras passagens bíblicas como por exemplo Jer 33.38 e Mal 1.1.
A palavra carga vem do hebraico massau, que significa peso.
Em outras passagens do Antigo Testamento é usada com o sentido da carga que era carregada pelos animais; e deste modo, significa fardo.
Quando vinha como Palavra do Senhor, era geralmente na forma de profecia, daí ser traduzida em algumas versões como profecia, ou sentença, em vez de carga.
Em Jeremias 23.33, 34, 36, 38, nós vemos o Senhor repreendendo o povo por chamar de carga a Sua vontade revelada pela Palavra.
E isto estava associado ao fato de que sendo um Deus misericordioso, que demonstraria o Seu amor ao Seu povo, dando o Seu próprio Filho unigênito para morrer pelos pecadores, jamais poderia ser visto como quem coloca fardos sobre os outros, porque Ele mesmo é quem carrega os nossos fardos.
Por isso, no mesmo contexto da profecia de Jeremias 23 é feito menção a Jesus como sendo dado para justificar o povo do Senhor (v. 5,6), e seria por causa dEle, que haveria pastores fiéis para apascentarem o Seu rebanho (v.4), que agiriam de modo muito diferente daqueles que estavam destruindo e dispersando as ovelhas (v.1).
Jesus havia repreendido os fariseus por atarem fardos pesados às costas do povo (Mt 23.4), porque o ministério dos homens de Deus não é o de colocar fardos sobre as pessoas, mas de aliviar os seus fardos.
Devemos lembrar que Jesus carrega as ovelhas perdidas em Seu próprio ombro, porque na verdade, as tem carregado em Seu coração.
Como pois pode ser carga a Palavra de Deus?
Ela será uma carga somente para aqueles que resistem à vontade do Senhor, por serem rebeldes.
E é para estes que a Palavra desta profecia seria uma carga.
Para todos que se opõem ao sucesso de Jerusalém.
Deus tem colocado Jerusalém para ser objeto de louvor na terra.
Na profecia, esta cidade tem um simbolismo espiritual de representar a Igreja do Senhor, porque seria nela que a Igreja seria iniciada com aquele primeiro grupo de 120 discípulos, que estavam reunidos no dia em que o Espírito Santo foi derramado.
É por isso que se faz a promessa do derramar do Espírito, nesta profecia de Zacarias (v. 10).
Mas para aqueles que gracejam da Palavra do Senhor, e que brincam com as coisas sagradas, Jerusalém seria uma pedra pesada, uma carga.
Jerusalém será uma pedra pesada para as nações, porque os exércitos coligados do Anticristo que vierem sobre ela serão destruídos pelo Senhor, na Sua segunda vinda (v. 2,3).
Jesus é a pedra angular do edifício da Igreja, e muitos judeus o rejeitaram e o têm rejeitado, assim como muitas pessoas em todas as nações do mundo, mas Ele diz que sobre quem esta pedra cair será despedaçado e reduzido a pó (Mt 21.44).
Importava que o evangelho começasse a ser pregado primeiro em Jerusalém e em Judá, para dar cumprimento à profecia do verso 7 deste 12º capítulo de Zacarias.
Nos capítulos anteriores se vê que apesar de a Igreja (Jerusalém) ser um peso para os inimigos de Deus de todas as nações, estes se oporiam duramente a ela (final do verso 3).
Mas o Senhor pronunciou uma sentença sobre eles de feri-los de espanto e de loucura (v. 4).
Os inimigos de Deus tentarão apagar o fogo do Espírito, mas os líderes fiéis da Igreja, designados na profecia por governadores de Judá, serão como um braseiro ardente e um facho de fogo (v. 6).
Deus prometeu enfraquecer a coragem e a força dos inimigos da Igreja (v. 4).
Assim, a Igreja deve cumprir a Sua missão com coragem, sem temor, sem assombro e sem se deixar intimidar por qualquer tipo de inimigo, porque o Senhor tem feito a promessa de protegê-la e de fortalecer o mais fraco dos seus membros, a ponto de compará-lo com Davi, que foi um grande guerreiro de Deus, e a casa de Davi (uma referência à Igreja reunida) como sendo como o próprio Deus, como o anjo do Senhor diante dela (v. 8).
O Senhor mesmo destruirá todas as nações (ajuntamentos de pessoas ou povos) que tentarem vir contra Jerusalém (a Igreja), para destruí-la (v. 9).
Diante de tão grande promessa que tem sido cumprida fielmente pelo Senhor, nestes dois mil anos de pregação do evangelho, como enfraqueceremos na fé e deixaremos de prosseguir adiante com a realização da Sua obra através de nós?
Foi por se firmar nestas promessas que os apóstolos puderam enfrentar toda oposição que se levantou contra eles, e prevaleceram.
Veja a palavra que o Senhor dirigiu a Paulo quanto às perseguições que havia sofrido em Corinto:
“9 E de noite disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala e não te cales;
10 porque eu estou contigo e ninguém te acometerá para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade.” (At 18.9,10).
Assim, portanto, incentivemo-nos mutuamente dizendo: “Adiante! Adiante!”. Adiante com a adoração, com o louvor, com a pregação, com o ensino, com as orações, com a comunhão, com a santificação, com a evangelização, com o testemunho.
Adiante! Adiante!
Não olhemos para trás conforme o Inimigo quer que façamos.
Sejamos corajosos e não temamos o mal, porque fiel é O que fez a promessa de proteger a Sua igreja!
O Espírito Santo é derramado como Espírito de graça e de súplicas, e o Seu trabalho é principalmente o de convencer do pecado, da justiça e do juízo, por se olhar o Cristo crucificado pelos nossos pecados e que conduz todos os que são da casa de Davi, os habitantes de Jerusalém (duas formas de se referir à Igreja que está em todo o mundo) a chorarem amargamente pela morte do Senhor na cruz, porque entenderão não apenas o quanto Ele sofreu por amor de nós, mas porque aquela morte é a nossa própria morte, que Ele morreu em nosso lugar (v.10).
Por isso este choro não é apenas um pranto da Igreja reunida, como o povo de Israel chorou pela morte do piedoso rei Josias, no vale de Megido, mas um pranto em cada família, e nos membros individuais destas famílias (v. 12-14). E é exatamente isto o que tem ocorrido em todo o mundo, desde que Cristo morreu na cruz.
O choro do arrependimento tem operado conversões em muitos corações, porque Ele morreu para este propósito mesmo.
A promessa do derramar do Espírito é feita em conexão com a morte de Cristo na profecia do verso 10, porque foi por causa da morte do Senhor que a promessa do derramar do Espírito foi cumprida, e porque o Espírito é verdadeiramente derramado somente quando a cruz é pregada.
É pela pregação do evangelho da cruz, e por se viver crucificado com Cristo, que o Espírito de graça e de súplicas é derramado em nossos corações.
É dito que é Espírito de graça, porque a salvação é pela graça, somente por se olhar com os olhos espirituais da fé para Cristo, para o Cristo traspassado pelos nossos pecados.
E é Espírito de súplicas porque é Ele quem intercede pelos santos, porque não sabemos como orar e nem como convém orar (Rom 8.26).
Então em toda verdadeira oração é Ele que intercede através de nós.
Devemos aprender a descansar nestas promessas e a ter completa fé nesta Palavra que Deus tem proferido acerca da vitória da Sua igreja, para que nos empenhemos na obra de Deus, com paz e alegria nos nossos corações, a par de toda oposição do inferno que possamos sofrer.




“1 Carga da palavra do SENHOR sobre Israel: Fala o SENHOR, o que estende o céu, e que funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele.
2 Eis que eu farei de Jerusalém um copo de tremor para todos os povos em redor, e também para Judá, durante o cerco contra Jerusalém.
3 E acontecerá naquele dia que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão despedaçados; e ajuntar-se-ão contra ela todo o povo da terra.
4 Naquele dia, diz o SENHOR, ferirei de espanto a todos os cavalos, e de loucura os que montam neles; mas sobre a casa de Judá abrirei os meus olhos, e ferirei de cegueira a todos os cavalos dos povos.
5 Então os governadores de Judá dirão no seu coração: Os habitantes de Jerusalém são a minha força no SENHOR dos Exércitos, seu Deus.
6 Naquele dia porei os governadores de Judá como um braseiro ardente no meio da lenha, e como um facho de fogo entre gavelas; e à direita e à esquerda consumirão a todos os povos em redor, e Jerusalém será habitada outra vez no seu lugar, em Jerusalém;
7 E o SENHOR salvará primeiramente as tendas de Judá, para que a glória da casa de Davi e a glória dos habitantes de Jerusalém não seja exaltada sobre Judá.
8 Naquele dia o SENHOR protegerá os habitantes de Jerusalém; e o mais fraco dentre eles naquele dia será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o anjo do SENHOR diante deles.
9 E acontecerá naquele dia, que procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém;
10 Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito.
11 Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom no vale de Megido.
12 E a terra pranteará, cada família à parte: a família da casa de Davi à parte, e suas mulheres à parte; e a família da casa de Natã à parte, e suas mulheres à parte;
13 A família da casa de Levi à parte, e suas mulheres à parte; a família de Simei à parte, e suas mulheres à parte.
14 Todas as mais famílias remanescentes, cada família à parte, e suas mulheres à parte.”. (Zacarias 12.1-14)

Silvio Dutra

Homens Cheios de Sabedoria e do Espírito Santo – Atos 6

Muitos se perguntam como puderam os apóstolos darem conta da assistência a um rebanho que contava pelo menos, até a altura da narrativa deste sexto capítulo do Livro de Atos, com mais de cinco mil cristãos.
Não podemos esquecer que naqueles dias não havia planos governamentais de previdência para atender à sociedade; e assim aquelas viúvas que não tivessem filhos ou parentes próximos para sustentá-las, se encontravam em sérias dificuldades para sobreviverem.
Um grande número destas viúvas e outras pessoas necessitadas como elas vieram a abraçar a fé, e isto explica o motivo de terem os cristãos que tinham recursos, vendido suas propriedades e entregue o dinheiro aos apóstolos para que fossem assistidos especialmente estes necessitados.
Em princípio, os apóstolos devem ter tentado, eles próprios, se encarregarem deste serviço assistencial, entretanto, como eram muitos os cristãos espalhados por todas as partes de Jerusalém, e muitos deles que eram inclusive de outras nações, como por exemplo, os muitos daqueles que se converteram dentre aqueles três mil que se encontravam na festa de Pentecostes, não seria de se esperar que os próprios apóstolos pudessem dar conta adequadamente da distribuição dos recursos arrecadados, em razão da principal missão deles de pregarem o evangelho e de orarem pela Igreja.
Então, quando foi constatado que as viúvas cristãs, que não haviam nascido em Israel, não estavam recebendo a mesma atenção que as viúvas hebreias, e vendo os doze apóstolos que eles não podiam cuidar da supervisão direta daquela assistência, convocaram uma reunião de toda a Igreja, de maneira que os próprios discípulos escolhessem não por votação democrática, mas na direção do Espírito, sete homens que fossem de boa reputação, cheios de sabedoria e do Espírito Santo, para serem os responsáveis pela administração daquele serviço de assistência aos necessitados.
Os escolhidos deveriam portanto atender a estes três critérios estabelecidos pelos apóstolos:
1 –Primeiro, teriam que ser de boa reputação: isto significa que deveriam ser pessoas de honestidade publicamente reconhecida, e que fossem irrepreensíveis.
Homens de verdade, dedicados a servir o próximo e cujo testemunho de vida fosse compatível com a função em que seriam investidos.
Homens firmes, ousados, corajosos, mas também compadecidos e moderados.
2 – Em segundo lugar, deveriam ser cheios do Espírito Santo: os escolhidos deveriam ter santidade de vida, porque sem isto não se pode ser cheio do Espírito.
E não sendo cheio do Espírito seria impossível ter a instrução e direção do Espírito, para poderem discernir entre quem deveria ser socorrido ou não, e a maneira como isto deveria ser feito.
3 – E finalmente, em terceiro lugar, deveriam ser cheios de sabedoria: não a sabedoria deste mundo, mas a sabedoria relativa ao conhecimento da vontade de Deus, e o fruto do Espírito, que faz parte desta sabedoria, especialmente mansidão, longanimidade, misericórdia, bondade, domínio próprio.
As duas grandes ordenações do evangelho são a Palavra e a oração; porque é por estes dois que a comunhão entre Deus e os cristãos é mantida.
Pela Palavra Ele fala com eles, e através da oração eles falam com Deus.
Os pastores devem ser a boca de Deus para as pessoas no ministério da Palavra, e a boca das pessoas para Deus na oração.
Contudo devemos lembrar que a graça de Deus pode fazer tudo sem a nossa oração, mas nossas orações nada podem fazer sem a graça de Deus.
Os apóstolos foram dotados com dons extraordinários do Espírito Santo, línguas e milagres; e ainda assim tinham que orar incessantemente e pregar a Palavra para que a igreja pudesse ser edificada.
Os ministros do evangelho, que são seus sucessores, estão encarregados por Deus deste mesmo dever, e não pode haver edificação e progresso na obra, onde isto estiver faltando.
Veja que os apóstolos tiveram que tomar esta decisão de serem levantados diáconos porque o número de discípulos havia aumentado muito (At 6.1).
Além disto tudo, nós aprendemos que na melhor Igreja organizada do mundo sempre haverá algo extraviado, alguma ou outra má administração, algumas queixas; em pequeno ou grande grau.
Nós temos que ter paciência para conviver com isto e contar com a ajuda de Deus para não permitir que o rebanho seja perturbado por questões relativas aos problemas e necessidades particulares dos membros da Igreja.
Outra lição importante que nós aprendemos deste relato das Escrituras é que os apóstolos não escolheram arbitrariamente as pessoas, mas estabeleceram critérios para que os próprios discípulos escolhessem dentre eles aqueles que conheciam como sendo as pessoas que preenchiam aqueles critérios, que foram estabelecidos não propriamente pelos apóstolos, mas pelo Espírito Santo.
Na multidão de conselheiros há sabedoria, e assim o parecer dos apóstolos agradou a todos, e eles próprios elegeram homens do quilate de um Estevão, que logo adiante é descrito como sofreu o martírio, por causa do testemunho poderoso que dava de Cristo; e Filipe, que tão bem desempenhou o serviço do diaconato, e era tão consagrado ao Senhor e cheio do Espírito, que foi investido na função de evangelista; não como uma forma de promoção, mas de reconhecimento de que havia nele outros dons espirituais que o qualificavam para a fundação de igrejas juntamente com os apóstolos; da mesma maneira como Timóteo, Tito e outros foram levantados como evangelistas junto ao apóstolo Paulo.
Foi Filipe um dos pioneiros da fundação da Igreja em Samaria (Atos 8.5), e evangelizou muitas cidades até Azoto, chegando a Cesareia, onde passou a residir (At 8.40; 21.8).
Dos demais sete escolhidos não temos maiores referências no Novo Testamento, mas pelos seus nomes gregos, podemos deduzir que houve sabedoria na escolha deles, porque a reclamação era da parte dos cristãos helenistas (de fala grega, não naturais de Israel); e isto serviria para calar alguma língua ainda porventura maldizente, de que estava havendo um tratamento parcial dos apóstolos, para favorecer os cristãos de Jerusalém.
Deve haver paz e unidade na Igreja para que a obra possa prosseguir.
O Espírito não atuará na dimensão que deseja, caso falte tal unidade.
As demandas entre irmãos devem ser resolvidas, antes que nossas ofertas sejam aceitáveis a Deus.
As ovelhas devem acatar com apreço, e ter com amor e máxima consideração os seus pastores (I Tes 5.12, 13); não como quem se submete a chefes em empresas, mas com o mesmo amor sincero de filhos devotados a seus pais.
É assim que há paz na Igreja, e que Deus faz a obra do evangelho avançar.
Por isso, depois que os apóstolos oraram e impuseram suas mãos (v. 6) sobre os sete escolhidos, para que fossem revestidos do poder e autoridade do Espírito para o exercício da sua função, é dito logo em seguida, no verso 7, que a palavra de Deus era divulgada em toda parte, e que o número de discípulos aumentava muito em Jerusalém a ponto de até mesmo muitos sacerdotes terem se convertido.
Desta forma, mesmo entre aqueles que haviam resistido tenazmente a Cristo e aos apóstolos Deus tinha os Seus eleitos, que estavam se convertendo à fé, por causa do bom testemunho, e da maneira ordenada com que os discípulos andavam com singeleza de coração, e manifestações de amor práticas no cuidado de uns com os outros.
O nome Estevão (no original grego Estéfanos) é um indicativo de que ele fosse também um daqueles cristãos helenistas, que haviam se convertido ao evangelho.
Talvez tenha sido esta a razão de alguns da sinagoga chamada dos libertos, isto é, dos que eram da dispersão, tê-lo considerado um traidor e apóstata, que havia saído do próprio meio deles, para deixar de afirmar somente a santidade do templo e da cidade de Jerusalém; dizendo até mesmo que tanto o templo quanto a cidade santa seriam destruídos pelo próprio Deus.
O próprio Jesus havia profetizado isto, e eles não podiam suportar aquelas palavras, porque era para eles a mais alta traição aos interesses da nação de Israel.
Mas Estevão havia sido libertado daquele sentimento nacionalista, que misturava os interesses da religião com o do Estado de Israel.
Eles se levantaram então para confrontarem Estevão e tentariam lhe convencer de que ele estava agindo como um subversivo, que buscava destruir a religião de Israel.
Como eles não puderam resistir, isto é, contradizer os argumentos que Estevão lhes apresentou na sabedoria e poder do Espírito Santo, eles não se deram por vencidos e subornaram pessoas para que testemunhassem terem ouvido Estevão falando palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus.
Eles agitaram o povo, os anciãos e os escribas contra Estevão, de maneira que o arrastaram para o sinédrio como um réu para ser julgado.
E a acusação apresentada pelas falsas testemunhas contra ele foi a de que Estevão não cessava de proferir palavras contra o santo lugar e contra a Lei de Moisés; porque ele afirmava que Jesus haveria de destruir aquele lugar santo (Jerusalém e o templo) e que mudaria os costumes da Lei de Moisés.
Mas Estevão blasfemou contra Moisés?
De nenhum modo.
Ele estava longe disto.
Cristo, e os pastores do evangelho nunca disseram qualquer coisa que fosse uma blasfêmia contra Moisés; ao contrário eles sempre citaram os Seus escritos, porque lhes foram revelados pelo próprio Cristo.
Então a acusação era falsa e injusta.
Seus acusadores é que estavam endurecidos e não conseguiam enxergar o propósito e plano de Deus para o mundo, e não somente para Israel.
Nós veremos no capitulo seguinte a honra que Estevão deu aos patriarcas e a Moisés, mas deixou bem claro que Abraão sequer era israelita quando foi justificado por Deus, mas de Ur dos caldeus.
Que a promessa que lhe foi feita pelo Senhor de lhe dar a terra de Canaã como herança para a sua descendência foi cumprida somente 400 anos depois, e que neste período o povo não estava se multiplicando em nenhuma terra santa, mas no Egito.
A propósito, o que Estevão queria mostrar é que não há para o Senhor, nenhuma terra santa e nenhum templo santo feito por mãos humanas, que Ele deva considerar como efetivamente para sempre santo, porque Deus não tem como lugar da Sua habitação nenhum templo feito por mãos humanas, e não tem considerada nenhuma terra em particular como uma parte do céu, porque todos os homens são pecadores, esta terra ainda se encontra debaixo da maldição que foi proferida por Ele contra ela no Éden.
Os próprios israelitas não obedeceram à Lei de Moisés, e por terem idolatrado, haviam sido expulsos de Canaã, e não seria pelo fato de Deus tê-los feito retornar para lá, que não poderiam ser expulsos novamente como Jesus havia profetizado, e como de fato ocorreu em 70 d.C.
Então eles não deveriam basear a santidade deles simplesmente por fazerem parte do povo de Israel, por habitarem na Canaã que foi prometida à descendência de Abraão, e nem sequer por terem um templo em Jerusalém, porque Deus mandou primeiro construir um tabernáculo, e não fez nenhuma questão que se construísse um templo, quando Davi manifestou tal desejo em seu coração.
O Senhor está interessado na construção de um templo vivo de pedras vivas do qual Jesus é a pedra de esquina.
Mas, a tradição religiosa e endurecimento de seus corações, por causa do orgulho nacionalista, lhes impedia de enxergarem estas verdades.
É no nosso próprio coração que o Senhor pretende edificar um templo santo, onde Ele possa habitar.
Estevão havia profetizado a destruição do templo de Jerusalém, por causa da impiedade dos judeus, tal como o Senhor havia feito pelos profetas do Velho Testamento quanto ao templo de Salomão.
E esta profecia foi revelada pelo próprio Jesus aos apóstolos.
Hoje ainda, Deus está dizendo que removerá o castiçal de muitos templos da Igreja de Laodiceia, e estes cristãos em vez de se arrependerem, voltam-se com fúria contra os profetas que o Senhor tem levantado nestes últimos dias para alertá-los, esquecidos que o juízo de Deus começa pela Sua própria casa.
É dito que todos os que estavam assentados no Sinédrio viram o rosto de Estevão como o de um anjo, ou seja, havia nele algo daquele mesmo brilho que foi visto na face de Moisés quando desceu o monte Sinai, e como poderia estar então falando contra Moisés, se o mesmo Deus que fizera o rosto de Moisés como o de um anjo, estava fazendo o rosto de Estevão brilhar diante deles?
Tal era a serenidade imperturbada, tal era a coragem destemida, e tal a mistura de mansidão e majestade, que havia no semblante de Estevão, que lhes foram dadas pelo Espírito, que todos disseram que ele parecia um anjo.
Sabedoria e santidade fazem a face de um homem brilhar, e ainda isto não os livrará das maiores infâmias e injúrias, tal como haviam feito com o próprio Cristo, e não é portanto nenhuma maravilha, que o brilho da face de Estevão não lhe tenha protegido da fúria dos seus inimigos.
Se fosse fácil provar que ele era culpado de ter colocado qualquer desonra em Moisés, Deus não teria posto a própria honra que dera a Moisés em Estevão, fazendo a sua face brilhar como a de um anjo do céu.
Assim eles não se deixariam convencer por esta evidência, como a maioria dos israelitas não havia se deixado convencer no passado e que haviam se levantado contra Moisés, intentando até mesmo matá-lo; porque não estavam suportando a vontade de Deus, que era transmitida a eles através do Seu servo.
Quão comum é se experimentar isto, a saber, que aqueles que Deus levanta para o bem dos homens, se tornem o alvo do ódio deles.
E quanto sofrem, estes instrumentos do Senhor, nas mãos daqueles cujos corações são governados pelo mal!




“1 Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas daqueles estavam sendo esquecidas na distribuição diária.
2 E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas.
3 Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarreguemos deste serviço.
4 Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra.
5 O parecer agradou a todos, e elegeram a Estevão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas, e Nicolau, prosélito de Antioquia,
6 e os apresentaram perante os apóstolos; estes, tendo orado, lhes impuseram as mãos.
7 E divulgava-se a palavra de Deus, de sorte que se multiplicava muito o número dos discípulos em Jerusalém e muitos sacerdotes obedeciam à fé.
8 Ora, Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.
9 Levantaram-se, porém, alguns que eram da sinagoga chamada dos libertos, dos cireneus, dos alexandrinos, dos da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão;
10 e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava.
11 Então subornaram uns homens para que dissessem: Temo-lo ouvido proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus.
12 Assim excitaram o povo, os anciãos, e os escribas; e investindo contra ele, o arrebataram e o levaram ao sinédrio;
13 e apresentaram falsas testemunhas que diziam: Este homem não cessa de proferir palavras contra este santo lugar e contra a lei;
14 porque nós o temos ouvido dizer que esse Jesus, o nazareno, há de destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos transmitiu.
15 Então todos os que estavam assentados no sinédrio, fitando os olhos nele, viram o seu rosto como de um anjo.” (Atos 6.1-15)

Silvio Dutra

Testemunho no Poder do Espírito – Atos 3

Realmente é o Espírito Santo quem convence do pecado, da justiça e do juízo, e que é o único que pode de fato salvar, regenerando (novo nascimento) os homens, mudando seus corações de pedra em corações de carne.
Não foram os apóstolos que fizeram este trabalho, mas o Espírito Santo mediante a pregação do evangelho por eles.
Quando Jesus esteve pregando o evangelho com os apóstolos o número de convertidos que se encontravam reunidos no dia de Pentecostes, alcançados pelo ministério deles eram apenas cento e vinte pessoas.
E agora, depois do derramar do Espírito no Pentecostes, cerca de três mil haviam se convertido naquele dia, e, com a pregação de Pedro depois da cura do paralítico o número de convertidos foi a cinco mil pessoas, conforme se vê em At 4.4.
Em tão pouco tempo as conversões estavam ocorrendo aos milhares.
Portanto, este fato comprova que tudo o que se relata no livro de Atos, e na história da Igreja quanto à conversão de almas, é o resultado do testemunho e do trabalho do Espírito Santo em toda a terra, e não propriamente por causa do próprio poder pessoal daqueles que pregam o evangelho.
Eles devem dar testemunho mas quem faz o trabalho é o Espírito Santo, conforme se vê no testemunho da Bíblia, porque mesmo durante o ministério terreno de Jesus as conversões não aconteceram em tão grande número porque o Espírito não havia ainda sido derramado, e conforme Jesus disse a Nicodemos, seria o Espírito que faria este trabalho de atrair as pessoas a Ele, para serem convertidas, somente depois que Ele fosse levantado na cruz.
E a razão disto é que primeiro o preço exigido para o perdão dos nossos pecados teria que ser pago por nosso Senhor com a Sua morte, e somente depois disto poderíamos ser justificados pela fé nEle, para sermos regenerados e santificados pelo Espírito.
Não podemos então tentar fazer o trabalho do Senhor sem o poder do Espírito.
Devemos ser apenas instrumentos em Suas mãos, para que Ele faça a obra, enquanto damos testemunho da verdade, tal como Ele fizera na casa do centurião Cornélio, enquanto Pedro lhes pregava o evangelho.
Jesus havia curado a muitas pessoas de toda sorte de enfermidades e expulsado os demônios de muitos.
Havia feito milagres portentosos como o da multiplicação dos pães e peixes, e no entanto, poucos se dispuseram a segui-lO, submetendo-se à Sua Palavra, porque o Espírito não havia sido ainda derramado.
Nisto comprovou portanto definitivamente que não é por verem sinais e maravilhas e até mesmo por ouvirem a pregação do evangelho que as pessoas se converterão, mas por haver uma operação do Espírito Santo nos seus corações, e uma rendição delas à Sua ação poderosa.
Em vez de levantar somente perseguições dos sacerdotes e fariseus como aconteceu com o Senhor Jesus nos dias do Seu ministério terreno, a cura de um coxo foi a oportunidade para atrair a atenção de muitos e para que Pedro lhes pregasse o evangelho, de maneira que vieram a se converter cinco mil pessoas.
Houve resistência dos sacerdotes e fariseus aos apóstolos, mas eles não podiam fazer nada contra o trabalho do Espírito Santo nos corações daqueles que estavam se convertendo.
Se formos enviados a pregar pelo Senhor e se o Espírito Santo não somente nos capacitar a pregar o evangelho, como também operar nos corações daqueles que nos ouvem, fazendo com que se convertam a Deus, podemos estar seguros de que teremos sucesso no nosso trabalho.
Todavia, caso nos falte esta comissão do Senhor nos enviando a pregar onde seja do Seu desejo, e se não temos este trabalho do Espírito nos conduzindo em tudo o que fizermos, e sobretudo o trabalho que ele faz naqueles que nos ouvem, podemos estar certos de que fracassaremos na nossa pregação e em tudo o mais que pretendermos fazer para Deus.
Até mesmo o dia e as condições para a conversão destes cinco mil foram preparadas pelo Espírito.
Nós vimos no verso 43 do segundo capítulo de Atos que muitos sinais e prodígios foram feitos através dos apóstolos, e eles não foram escritos neste livro, e isto estava confirmando que de fato Deus havia derramado o Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus, e que era verdade tudo o que Ele havia falado acerca das coisas que Seus discípulos fariam depois da Sua morte e ressurreição, até mesmo obras maiores do que as que Ele havia feito, em razão deste derramar do Espírito em todas as nações.
As conversões eram reais e os sinais e maravilhas eram também reais.
E muitos estavam certamente refletindo acerca de todas estas coisas e se predispuseram a ouvir o sermão de Pedro depois que o paralítico fora curado pelo poder de Deus em nome do Senhor Jesus.
A cura do paralítico ocorreu à hora nona, quando as pessoas iam orar no templo, isto é, cerca de três horas da tarde.
Todos que iam ao templo sabiam que aquele homem era paralítico de nascença, e que sempre se achava no templo para pedir esmolas.
A cura de sua enfermidade produziu algo bom não somente ao próprio paralítico, como também trouxe vida eterna àquelas cinco mil almas.
Deus faz com que tudo coopere para o bem daqueles que O amam.
Até o próprio mal de uma enfermidade pode ser usado para amolecer corações, que teriam permanecido endurecidos para sempre caso o Senhor não permitisse que tais fraquezas e debilidades decorrentes das enfermidades nos revelem a nossa real condição de vasos de barro, e que assim produz em nós, melhores sentimentos decorrentes de um coração manso e quebrantado.
Quantas vezes se repete, na natureza, que a vida vegetal brote somente na terra que foi quebrada pelo arado.
Há nisto um ensinamento para o próprio coração humano que somente poderá produzir o fruto do amor divino se for quebrado pelas tribulações.
Bem-aventurado é portanto, todo aquele que passou pelo vale das aflições com um coração quebrantado, porque além dele achará o monte do amor de Jesus Cristo.
A cura de uma enfermidade física trouxe cura para milhares de almas.
E isto tem ocorrido sucessivas vezes na história da Igreja.
Muitos chegam a conhecer o amor de Deus somente pelo caminho da dor, mas bendito seja o Seu santo nome por isso, porque somente assim eles podem chegar ao conhecimento da verdadeira felicidade, e da real condição do Deus que servimos, que é puro amor e misericórdia.
O homem não pode ser verdadeiramente feliz, com aquela bem-aventurança que Deus planejou para ele, enquanto não conhecer e também viver e experimentar em si mesmo este amor divino.
A mansidão, a doçura, a poesia que há neste amor, que constitui a natureza mesma de Deus.
Enquanto não for quebrado será arrogante.
A sua força natural é a sua própria fraqueza porque o mantém afastado da concepção de que necessita vitalmente conhecer este amor divino.
Mas se for quebrado, poderá chegar a conhecer que a força verdadeira está na nossa fraqueza.
Quando somos tornados fracos então nos tornamos verdadeiramente fortes, porque descobrimos que Deus é amor e que dependemos de viver neste amor.
Pode parecer um paradoxo, mas é a mais pura realidade, porque o caminho e o pensamento de Deus são diferentes dos nossos.
A Sua natureza é diferente da nossa natureza corrompida pelo pecado.
Então é necessário perder esta vida embrutecida de um viver carnal para que se possa achar a vida pura do amor divino.
É somente assim que verdadeiros sentimentos de compaixão, ternura e cuidado pelo nosso próximo brotarão em nossos corações.
Eles virão a nós do céu, por inspiração divina, somente quando nossos corações são quebrados pelas dores e aflições, que ajudam a transformar a nossa natureza endurecida pelo pecado.
Saber, portanto, que há um Deus misericordioso, pronto a nos ajudar nas nossas fraquezas, assim como Ele fez com aquele coxo de nascença, e com tantos outros que Jesus e os apóstolos vinham curando de suas enfermidades, como instrumentos do amor de Deus, moveu os corações de muitos, e ainda hoje, move os nossos corações a se converterem a um Deus de amor como o nosso.
Na verdade não há outros deuses, e ninguém que possa despertar tais virtudes nos corações endurecidos dos homens.
Somente o Senhor pode quebrá-los para que sejam curados e transformados em corações de carne, habilitados a amarem com o Seu amor divino.
Quando se descobre e se vive isto, é somente então que se descobre o verdadeiro sentido da vida.
E esta vida está em Jesus Cristo que é Aquele que transforma os nossos corações ainda hoje, tal como transformou os corações daqueles cinco mil que se converteram com a pregação de Pedro.
Por isso Pedro não poderia falar em seu próprio nome, nem no de João, que se encontrava com ele, quando o coxo foi curado, e nem quando falaram a toda aquela multidão que se aproximou deles estupefata pelo grande milagre que havia sido realizado.
Depois de ter sido curado o que era coxo entrou no templo saltando e louvando a Deus, e se apegou a Pedro e a João (At 3.11), e eles consentiram nisto.
É absolutamente essencial que se destaque o fato de que Pedro disse que não foi pelo seu próprio poder e piedade de apóstolo, que aquele homem havia sido curado.
Ele usou palavra grega dinamis, para poder, e eusebia, para piedade.
Alguém perguntará o que há de essencial em se saber isto?
Nós dizemos junto com Pedro, que não é por causa de algum poder propriamente nosso, ou por causa de uma santidade perfeita que tenhamos de nós mesmos, que Deus nos usará como Seus instrumentos para a operação de sinais e maravilhas.
Muitos afirmam que é pelo poder que possuem, e também por causa de sua própria piedade, que estão habilitados a curarem enfermos e a realizarem toda sorte de bênçãos, ainda que aleguem que o fazem em nome de Jesus.
Mas Pedro não somente atribuiu toda a glória da cura do coxo a Cristo, como reconheceu e sabia que não era por nenhuma capacidade própria, ou algum poder especial que tivesse de si mesmo, e nem mesmo ainda, por ser inteiramente piedoso, que o Senhor o usara para ser o instrumento daquela cura.
Também por amor às almas daqueles cinco mil, que haviam ficado admirados, Pedro começou a lhes pregar que eles haviam errado de fato quando entregaram Jesus para ser morto, como também haviam negado Àquele a quem Deus havia glorificado, e preferiram poupar a vida de Barrabás, um homicida.
Assim, eles haviam matado o próprio Autor da vida, mas como não poderia ser retido pela morte, Deus o ressuscitou, do que foram testemunhas todos aqueles que O amavam e eram seus amigos.
A prova de que Ele havia ressuscitado e se encontrava glorificado à direita do Pai, podia ser vista no fato de que através deles (Pedro e João), que eram Seus apóstolos, fez com que por meio da fé no seu Nome, aquele coxo fosse fortalecido dando-lhe perfeita saúde.
Havia portanto também esperança de cura para eles, de suas almas, pelo perdão dos seus pecados, e da grave transgressão que haviam cometido matando a Jesus, porque o haviam feito por ignorância, tanto eles quanto as autoridades deles, porque pensavam que Jesus fosse um blasfemo e falso profeta, que segundo a Lei, deveria ser morto.
Estava determinado nos conselhos de Deus, conforme havia testificado pela boca de todos os profetas, que o Cristo deveria padecer, para que pudéssemos nos arrepender dos nossos pecados, e nos converter a Deus, para que os nossos pecados sejam apagados, de maneira que possamos nos tornar aceitáveis a Deus e passar a viver em refrigério e não em tormenta de espírito perante Ele, por meio do recebimento de Jesus, o Messias, o qual estará no céu até ao tempo da restauração de todas as coisas, que Ele mesmo inaugurará com a Sua segunda vinda, a partir do período do milênio que será o ponto de partida para a criação de um novo céu e de uma nova terra.
Pedro lhes ordenou com estas palavras que se arrependessem e se convertessem ao Senhor, porque Moisés mesmo havia afirmado na Lei que Deus levantaria um profeta semelhante a ele, que deveria ser ouvido em tudo que lhes dissesse, e que toda alma que não ouvisse o tal profeta seria exterminada dentre o povo (Dt 18.18).
Não somente Moisés, como todos os profetas, desde Samuel, haviam anunciado aqueles dias em que Deus enviaria o Messias e faria uma Nova Aliança com o Seu povo, pela qual seriam cancelados todos os pecados daqueles que se unissem ao Profeta prometido (Cristo), e que ouvissem Suas palavras para obedecê-las e as colocarem em prática.
Eles fariam bem em dar atenção a tudo o que estavam ouvindo, e a tudo que estava escrito nos profetas acerca do Messias, porque por serem o povo da aliança que Deus havia feito com os seus patriarcas, conforme a promessa feita a Abraão de abençoar todas as famílias da terra através da sua descendência, estava sendo dada a eles portanto, a honra e privilégio de pregarem o evangelho ao mundo, fato comprovado de que Jesus lhes foi enviado primeiramente, para que cada um deles fossem desviados dos seus pecados.
E certamente por tudo que viram na unidade de amor entre os discípulos do Senhor, aqueles novos convertidos foram convencidos de que não seriam salvos apenas para serem purificados dos seus pecados, mas que por meio disto, pudessem de fato ter um coração amoroso em amizade fraterna com todos os seus demais irmãos na fé.
Afinal foram salvos por amor para viverem no amor.
Um amor de fato e de verdade, que procede do fundo da alma, e por isso se diz ser um amor de entranhas, porque é assim que é o amor de Deus, e importa que tal como o Dele deve ser o nosso, porque o Senhor disse que devemos nos amar uns aos outros, por sermos partes integrantes do Seu corpo, membros uns dos outros.
Os apóstolos estavam plenamente convencidos de que Cristo havia vindo ao mundo para que se cumprisse a promessa de Deus feita a Abraão de abençoar através do seu descendente, que é Cristo, todas as nações da terra.
A descendência de Abraão foi levantada para este propósito, para que Cristo pudesse ser dado pelo Pai ao mundo, para ser o abençoador de todas as nações.
Assim, todos os que estão engajados no ministério de pregar o evangelho de Jesus, estão encarregados deste dever de abençoarem e não de amaldiçoarem.
E eles serão estes instrumentos da bênção de Deus, através do amor de Cristo que tiverem em seus corações, pela habitação do Espírito Santo.
Todas as duras ameaças que Deus havia feito contra o Seu povo através dos profetas, em razão dos pecados deles, eram devidas especialmente a esta impossibilidade que o pecado traz de se poder viver no amor de Deus tanto em comunhão com Ele quanto com o nosso próximo. Mas, com a vinda de Cristo, e a conversão de muitos que se deixariam transformar pelo Espírito Santo, o propósito original de Deus na criação do homem para que este pudesse viver em amor seria plenamente resgatado naqueles que viessem a se converter a Ele, desviando-se dos seus pecados.
Por isso o apóstolo Pedro se referiu a esta nova condição diante de Deus como um tempo de refrigério, porque é por este viver em amor que o fogo da ira de Deus não somente é abrandado, como inteiramente removido em relação àqueles que andam no Espírito, por causa da fé deles em Cristo.
Em vez de inimizade há agora amizade.
Em vez de rejeição há agora aceitação e adoção.
Em vez de condenação, absolvição.
Em vez de afastamento, reconciliação.
Tudo isto é possível somente por se estar em Cristo e permanecer nEle, andando em novidade de vida.





“1 Pedro e João subiam ao templo à hora da oração, a nona.
2 E, era carregado um homem, coxo de nascença, o qual todos os dias punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmolas aos que entravam.
3 Ora, vendo ele a Pedro e João, que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola.
4 E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós.
5 E ele os olhava atentamente, esperando receber deles alguma coisa.
6 Disse-lhe Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho, isso te dou; em nome de Jesus Cristo, o nazareno, anda.
7 Nisso, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus pés e artelhos se firmaram
8 e, dando ele um salto, pôs-se em pé. Começou a andar e entrou com eles no templo, andando, saltando e louvando a Deus.
9 Todo o povo, ao vê-lo andar e louvar a Deus,
10 reconhecia-o como o mesmo que estivera sentado a pedir esmola à Porta Formosa do templo; e todos ficaram cheios de pasmo e assombro, pelo que lhe acontecera.
11 Apegando-se o homem a Pedro e João, todo o povo correu atônito para junto deles, ao pórtico chamado de Salomão.
12 Pedro, vendo isto, disse ao povo: Varões israelitas, por que vos admirais deste homem? Ou, por que fitais os olhos em nós, como se por nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar?
13 O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu Servo Jesus, a quem vós entregastes e perante a face de Pilatos negastes, quando este havia resolvido soltá-lo.
14 Mas vós negastes o Santo e Justo, e pedistes que se vos desse um homicida;
15 e matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.
16 E pela fé em seu nome fez o seu nome fortalecer a este homem que vedes e conheceis; sim, a fé, que vem por ele, deu a este, na presença de todos vós, esta perfeita saúde.
17 Agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossas autoridades.
18 Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado que o seu Cristo havia de padecer.
19 Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor,
20 e envie ele o Cristo, que já dantes vos foi indicado, Jesus,
21 ao qual convém que o céu receba até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio.
22 Pois Moisés disse: Suscitar-vos-á o Senhor vosso Deus, dentre vossos irmãos, um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser.
23 E acontecerá que toda alma que não ouvir a esse profeta, será exterminada dentre o povo.
24 E todos os profetas, desde Samuel e os que sucederam, quantos falaram, também anunciaram estes dias.
25 Vós sois os filhos dos profetas e do pacto que Deus fez com vossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra.
26 Deus suscitou a seu Servo, e a vós primeiramente vo-lo enviou para que vos abençoasse, desviando-vos, a cada um, das vossas maldades.” (Atos 3.1-26)

Silvio Dutra

O Batismo do Espírito Santo no Pentecostes – Atos 2

Deus havia ordenado na Lei dada a Moisés que fossem celebradas anualmente festas em datas fixas por Ele determinadas (entre estas a Páscoa e Pentecostes).
E Israel celebrou estas festas por mais de quatorze séculos, até a morte de nosso Senhor Jesus Cristo (Páscoa), e o derramamento do Espírito Santo (Pentecostes).
Tão significativo para a humanidade, no plano divino, é a morte de Jesus, e o trabalho do Espírito Santo em todas as nações, a partir daquele grande derramamento, que Ele ordenou que estes dois eventos associados à nossa salvação, fossem representados figuradamente, em duas ordenanças que foram dadas à nação da Aliança (Israel) para serem cumpridas no período do Velho Testamento.
O derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes, produziu não somente os efeitos sobrenaturais, audíveis e visíveis descritos no início do 2º capítulo de Atos, como também a transformação das vidas daqueles que creram e foram batizados pelo Espírito, conforme se vê na descrição que é feita no final deste mesmo capítulo.
A grande ênfase do derramar do Espírito, da manifestação do Seu poder, tal como no dia de Pentecostes, não deve estar tanto no som impetuoso, como de uma grande ventania, nem na aparência de línguas de fogo sobre nossas cabeças, nem no fato de falarmos em línguas estrangeiras, de modo a podermos ser entendidos pelas pessoas das nações que falem tais línguas (tal como sucedeu naquele dia), porque estes sinais da manifestação do derramar, que acompanharam o primeiro derramar do Espírito, nem sempre tem ocorrido, e na verdade, raramente houve tal testemunho em toda a história da Igreja.
Lembremos que o falar em línguas daquela ocasião, foi diferente do dom de línguas estranhas citadas em I Coríntios 12, 14, que segundo Paulo, são mistérios que ninguém entende, salvo se houver também, o dom de interpretação.
Aqueles primeiros sinais, que evidenciaram a presença do Espírito, quando foi derramado pela primeira vez, realmente não se têm repetido, tal como quando Ele veio na forma de uma pomba sobre Jesus, para batizá-lo no Jordão, quando começou Seu ministério terreno.
Entretanto, o Espírito Santo não deixou de manifestar evidências de Sua presença entre nós, agindo sempre conforme Lhe apraz, e nunca segundo nossos próprios desejos e expectativas.
Deus havia escolhido o dia de Pentecostes para começar a derramar o Espírito Santo, porque havia uma grande multidão reunida em Jerusalém, de todas as nações, para a celebração da citada festa.
O evangelho foi pregado de maneira maravilhosa pela primeira vez, pelos cerca de 120 discípulos do Senhor, que se encontravam reunidos quando o Espírito veio sobre eles, porque pregavam a mesma mensagem, que era ouvida ao mesmo tempo, por todos em suas próprias línguas.
Diante da admiração deles, e de terem alguns, tentado, como é comum acontecer quando Deus manifesta Sua presença, desqualificar os discípulos do Senhor, dizendo que estavam fazendo aquilo por estarem embriagados, Pedro se levantou para pregar seu primeiro sermão, não especialmente, para justificar que não estavam embriagados, porque as palavras que haviam ouvido em suas próprias línguas, o evangelho do Senhor, não poderiam ser palavras de embriagados.
Assim, as palavras de Pedro foram uma confirmação e uma explicação mais extensa das coisas que haviam ouvido, pelas bocas dos apóstolos e dos demais discípulos, que lhes falaram no fogo e poder do Espírito, daí o motivo de ter havido uma aparência de línguas de fogo sobre a cabeça de cada um deles.
Pedro lhes mostrou, que aquilo era o cumprimento de uma promessa, que Deus havia feito desde os dias do Velho Testamento, através dos profetas, e citou particularmente, a profecia de Joel 2.28; vinculando-a ao fato, de que aquele derramar do Espírito Santo estava associado à morte e ressurreição de Jesus.
Citou e explicou o Salmo 16.10 de Davi, no qual fala, que o corpo de Jesus não veria a corrupção e que não seria vencido pela morte, uma vez que seria ressuscitado dentre os mortos; uma evidência de que não somente continuava vivo nos céus, mas que aquela era a prova de ter sido escolhido para ser Aquele que venceria a morte de todos os que nEle cressem.
Uma vez que foi glorificado nos céus, comprovou esta glorificação, cumprindo a promessa feita aos profetas do Velho Testamento, de que seria por causa dEle, que o Espírito seria derramado em todas as nações.
Aquela primeira pregação do evangelho pela Igreja, pela ajuda do Espírito, produziu a conversão de cerca de três mil pessoas.
O fato de pessoas, de todas as nações, terem ouvido o evangelho em sua própria língua, na primeira vez que ele foi pregado, era um sinal de que não era uma bênção apenas para os judeus, mas também para todos os gentios.
É digno de nota, o fato de que, todo dia de comemoração do Pentecostes, caía num domingo.
Foi desde os dias de Moisés, que Deus havia determinado tal festividade, de maneira que ficasse registrado, que a primeira reunião solene da Igreja em visitação do Espírito deveria ser num domingo, separando portanto, este dia para a adoração pública do Seu nome, e para a celebração da ressurreição de Seu Filho, o que aconteceu também, num domingo.
Sete semanas (49 dias) deviam ser contadas, desde o sábado da páscoa, e o dia seguinte seria o de Pentecostes; assim, caía sempre num domingo.
Vale lembrar que Jesus havia morrido no dia da páscoa dos judeus, porque o sábado começava na tarde daquela sexta-feira, na qual Ele foi pregado na cruz.
O Pentecostes, era o dia em que os israelitas tinham que apresentar as primícias de suas colheitas ao Senhor, no tabernáculo, e depois no templo.
Então, aquelas primeiras almas, que se converteram naquele primeiro Pentecostes em Jerusalém, eram apenas as primícias da grande colheita, que o Espírito continuaria realizando para Deus em toda a terra.
A adoração pública que era feita no dia de sábado, estava sendo transferida pelo Senhor para o dia de domingo, para marcar que havia de fato, revogado a Antiga Aliança,que vigorou nos dias do Velho Testamento, por causa da Nova Aliança, que havia inaugurado na morte e ressurreição de Cristo.
Esta, fora confirmada agora, com o derramar do Espírito num dia de domingo, conforme Ele havia predeterminado, desde a antiguidade, para honrar Seu Filho, em cujo sangue esta Nova Aliança foi instituída.
Este dia de domingo, deve ser santificado por todos os cristãos, pela santificação de suas próprias vidas na adoração que é devida ao Senhor; especialmente para a pregação do evangelho, tal como ocorreu no primeiro Pentecostes, quando os discípulos e Pedro pregaram o evangelho no poder do Espírito.
Esta é a mensagem daquele Pentecostes para a Igreja de todos os tempos: o evangelho deve ser pregado no poder do Espírito e produzir nas pessoas, o bom efeito esperado por Deus, na transformação de suas vidas.
O primeiro Pentecostes não veio sobre cristãos que não sabiam para onde iam, que não tinham objetivos definidos, e que eram descuidados com a santificação de suas vidas.
Eles haviam aprendido de Jesus, em Seu ministério terreno, o modo pelo qual importava viverem e estarem reunidos em Seu nome, a saber; orando, meditando na Sua Palavra, e louvando-0 com Salmos e hinos.
Se não estivessem vivendo daquela maneira, o Espírito Santo não poderia ter sido derramado sobre eles.
De igual modo, se queremos novos Pentecostes entre nós, é necessário fazer tal como eles haviam feito.
Não é por se dizer simplesmente, que cremos e somos de Cristo, que somos salvos pela graça.
É mediante a fé no Seu nome, que temos o direito adquirido de ter a presença do Espírito entre nós.
Dizemos que não é somente isto que é necessário, porque é possível afirmar tudo isto com os lábios, e viver tal como Judas.
Assim como ele não teve parte naquela bênção; de igual modo, não poderão ter, todos quantos viverem como ele, com interesses mundanos e carnais, que não buscam os interesses de Cristo e do Seu reino, pela santificação de suas vidas.
Eles pagaram o preço da oração, da comunhão, da perseverança, e o Espírito veio com poder sobre eles.
Calcularam o custo da salvação, e mesmo sabendo que é inteiramente pela graça e mediante a fé, sabiam que isto deveria ser evidenciado no testemunho de vidas santificadas para Deus.
Eles estavam dispostos a pagarem o preço do desprezo do mundo, da perseguição, da renúncia aos seus egos, da justiça própria deles, e de se consagrarem verdadeiramente, ao serviço do Senhor pregando Sua Palavra a toda criatura.
Foi por isso, que o Espírito veio, revestindo-os de poder.
Lembremos sempre, que onde os irmãos estiverem vivendo na unidade do Espírito, é ali que o Senhor ordena a Sua bênção.
Há um preço portanto, a ser pago por nós (o da consagração), apesar de toda a nossa salvação ser inteiramente realizada pela graça de Jesus.
Pedro explicou qual foi o propósito real daquele derramar poderoso, que era o de conduzi-los ao arrependimento dos seus pecados, para que pudessem ser batizados no nome de Jesus, remidos dos seus pecados pelo Seu sangue.
Para este propósito, eles receberiam o dom do Espírito Santo, porque é por Ele que somos regenerados, santificados e purificados dos nossos pecados.
É dito também, que com muitas outras palavras Pedro lhes deu testemunho, e lhes exortava dizendo que “se salvassem desta geração perversa” (v. 40).
Lucas não registrou quais foram estas “muitas outras palavras”, mas diz que eram de testemunho e de exortação, e certamente, não temos a menor dúvida de que se referiam ao dever de andarem de modo santo diante de Deus.
Jesus havia soprado o Espírito sobre os apóstolos antes do Pentecostes, e lhes havia dado o revestimento de poder do Espírito, que necessitariam, para suportar as pressões das perseguições até que viesse o Pentecostes. Mas neste dia, ficaram cheios do Espírito, revestidos de uma maior plenitude e poder, que lhes foi conferida por Ele, no batismo que lhes dera naquela hora.
Eles haviam sido selados com poder, mas este poder deve ser renovado diariamente.
Eles estavam bem conscientes disto, conforme Jesus lhes havia ensinado, e como também, poderiam aprender da própria experiência diária.
Para que a chama seja mantida acesa, deve ser alimentada com combustível, e este combustível é o próprio Espírito Santo, que se moverá em nós e nos encherá, à medida que nos consagremos ao Seu serviço.
Não devemos portanto, nos limitar a ficar satisfeitos com as experiências de poder que tivemos com o Espírito no passado, mas buscar novos revestimentos de poder em todos os dias de nossas vidas.
É permanecendo continuamente na Sua presença, que somos cheios e revestidos do Seu poder, especialmente para implantar em nós o seu fruto de amor, bondade, paz, alegria, longanimidade, fidelidade, domínio próprio, benignidade, e todas as demais virtudes que fazem parte da divindade.
Aquela evidência de falar o evangelho por outras línguas aos gentios, foi uma forma de Deus começar a quebrar a resistência dos judeus em pensarem, que o evangelho de Jesus seria somente para eles, apesar das Escrituras do Velho Testamento darem um claro testemunho que seria também para os gentios.
Assim, eles falaram verdades sobre as quais, não estavam ainda convencidos completamente, em razão do sentimento nacionalista, e de saberem que por durante séculos, o Senhor havia se revelado somente através de Israel.
Tanto isto é verdade, que o próprio Pedro resistiu muito, no início, em pregar aos gentios.
Vemos isto, no caso da sua convocação, para estar na casa do centurião romano chamado Cornélio, a ponto de ter sido necessário, convencê-lo com a visão do lençol, que descia do céu cheio de animais impuros segundo a lei, aos quais Deus ordenou que Pedro se alimentasse deles.
Desta maneira, ele foi convencido que todo o cerimonialismo da Antiga Aliança, que impedia os israelitas de se juntarem aos gentios, havia sido derrubado pela Nova Aliança; que havia sido inaugurada por Cristo, e revogado todo o cerimonial da lei de Moisés.
Muitos judeus piedosos (At 2.5), se converteram dentre aqueles três mil, porque reconheceram que sem o poder do Espírito, sem aquela graça que estavam vendo na vida dos apóstolos, não poderiam viver de modo real, tudo aquilo que se exige dos homens, para que estejam em comunhão com Deus.
Eles sabiam que necessitavam antes de tudo, de serem justificados e perdoados de seus pecados, para que pudessem ter uma aproximação real deste Deus, que é inteiramente santo e justo.
Eles foram compungidos e convencidos pelo Espírito em seus corações, de que deveriam confiar e se entregarem completamente a Cristo, para poderem ter a mesma vida que estavam vendo nos Seus discípulos.
Eles não pregaram a si mesmos, senão somente a Cristo, mas o Cristo que pregaram podia ser visto em suas vidas.
Somente Cristo, venceu a morte, que entrou no mundo por causa do pecado.
É Ele a fonte de toda a verdadeira vida eterna, e somente a Ele devemos estar unidos, para termos a bênção de alcançar a vitória sobre a morte.
Assim como a carne do sacrifício, que era oferecido no Velho Testamento não poderia ser guardada até o terceiro dia, para que não apodrecesse, porque nenhum sacrifício oferecido ao Senhor, deve passar pela corrupção (Lev 7.15-18), de igual maneira, o corpo de Jesus não poderia ser apodrecido na sepultura, porque foi oferecido como sacrifício pelos nossos pecados.
Ele foi ressuscitado antes que seu corpo viesse a se corromper, como havia sido profetizado no Salmo.
A corrupção do corpo, significa a prevalência da morte, mas a morte não poderia prevalecer sobre Cristo, que é o autor da vida, e Aquele que foi designado para vencer a morte.
Por isso, Pedro destacou esta verdade no sermão que proferiu naquele dia de Pentecostes.
Afinal, Jesus havia morrido e ressuscitado recentemente, e eles haviam sido levantados para darem testemunho da Sua morte e ressurreição, para a justificação dos nossos pecados, de maneira que nós também possamos ter a mesma vitória sobre a morte.
Quando Pedro disse aos que lhe perguntaram o que deveriam fazer para serem salvos; que, deveriam se salvar desta geração perversa, não significava, que isto se encontrasse na esfera do próprio poder deles, mas em se renderem a Cristo.
Estas palavras do apóstolo nos ensinam, que estar convertido de fato a Cristo, não significa somente fazermos uma profissão de fé no Senhor, mas em nos desarraigarmos deste mundo perverso.
Se a evidência da salvação é portanto, a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, não nos deixemos enganar portanto, por um cristianismo fácil, que não nos custe o preço da consagração, tal como fomos advertidos por Cristo e seus apóstolos.
Há uma questão muito fundamental para todos os que estão vivendo neste mundo; na verdade, a única coisa que é necessária, e pela qual importa lutarmos verdadeiramente, que é a salvação da nossa alma.
Há uma vida gloriosa prometida por Deus nas Escrituras para aqueles que andarem em conformidade com a Sua vontade, mas um horror eterno, a todos que resistirem a Ele.
Por isso o Espírito Santo, no primeiro sermão que foi pregado através de Pedro, quando foi derramado no Pentecostes, não enfatizou nenhum ensino que se concentrasse senão somente no que é essencial para a nossa salvação, a saber, o arrependimento dos nossos pecados, e a completa confiança em Cristo, para a salvação e santificação de nossas vidas.
Jesus recebeu a promessa do Espírito Santo, para poder derramá-lo sobre aqueles que estavam mortos em seus delitos e pecados; sobre aqueles que Lhe foram dados pelo Pai.
O Espírito foi derramado exatamente para o propósito, de mudar nossos corações na regeneração (novo nascimento), e continuar o trabalho de amadurecimento espiritual através da santificação.
Como a Palavra que era pregada e vivida na Igreja Primitiva era o verdadeiro evangelho, então, Deus lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos.
Ele fará o mesmo conosco, acrescentando convertidos às nossas Igrejas, se tal como eles fizeram no passado, tão somente pregarmos a verdade, e também vivermos de acordo com a verdade que pregamos.
Eles estavam cheios do amor de Deus, cheios do Espírito, e este amor pelas pessoas no Espírito, contribuiu para a conversão de muitos.
Se não pregarmos o evangelho por amor e misericórdia aos pecadores, é bem certo que poucos venham a se converter debaixo da nossa pregação e do nosso ministério.





“1 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.
2 De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.
3 E lhes apareceram umas línguas como que de fogo, que se distribuíam, e sobre cada um deles pousou uma.
4 E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.
5 Habitavam então em Jerusalém judeus, homens piedosos, de todas as nações que há debaixo do céu.
6 Ouvindo-se, pois, aquele ruído, ajuntou-se a multidão; e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.
7 E todos pasmavam e se admiravam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses que estão falando?
8 Como é, pois, que os ouvimos falar cada um na própria língua em que nascemos?
9 Nós, partos, medos, e elamitas; e os que habitamos a Mesopotâmia, a Judéia e a Capadócia, o Ponto e a Ásia,
10 a Frígia e a Panfília, o Egito e as partes da Líbia próximas a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos,
11 cretenses e árabes-ouvímo-los em nossas línguas, falar das grandezas de Deus.
12 E todos pasmavam e estavam perplexos, dizendo uns aos outros: Que quer dizer isto?
13 E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.
14 Então Pedro, pondo-se em pé com os onze, levantou a voz e disse-lhes: Varões judeus e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras.
15 Pois estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto que é apenas a terceira hora do dia.
16 Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel:
17 E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, os vossos anciãos terão sonhos;
18 e sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão.
19 E mostrarei prodígios em cima no céu; e sinais embaixo na terra, sangue, fogo e vapor de fumaça.
20 O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor.
21 E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
22 Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis;
23 a este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos;
24 ao qual Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, pois não era possível que fosse retido por ela.
25 Porque dele fala Davi: Sempre via diante de mim o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado;
26 por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; e além disso a minha carne há de repousar em esperança;
27 pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção;
28 fizeste-me conhecer os caminhos da vida; encher-me-ás de alegria na tua presença.
29 Irmãos, seja-me permitido dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura.
30 Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que faria sentar sobre o seu trono um dos seus descendentes,
31 prevendo isto, Davi falou da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção.
32 Ora, a este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.
33 De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.
34 Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,
35 até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés.
36 Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.
37 E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?
38 Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.
39 Porque a promessa vos pertence a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a quantos o Senhor nosso Deus chamar.
40 E com muitas outras palavras dava testemunho, e os exortava, dizendo: salvai-vos desta geração perversa.
41 De sorte que foram batizados os que receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas;
42 e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
43 Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos pelos apóstolos.
44 Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum.
45 E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um.
46 E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração,
47 louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.”. (Atos 2.1-47)

Silvio Dutra