Ed Motta

Cerca de 731 frases e pensamentos: Ed Motta

Despedida (II)

Ao dizer, te amo
não estarei mentindo,
mas partindo,
pois, quanto mais te quero,
mais longe eu me sinto.

E, creia que não minto
te amo.
Estarei te amando
quando dizer
adeus.
E meus olhos
molhados
te dirão – querida.

Saberás então
que tentei cruzar
o abismo, mas caí.
Caí no vazio
da solidão,
desse passado,
dessa angustia
de saber que somos dois
e jamais seremos um.

Adeus amor,
ilusões,
felicidade.
Corra para o vento
de sua idade,
seu mundo.
Viva a vida plena,
sem preconceitos,
sem a não compreensão
de outras épocas
que represento.
Seja você
e não eu
Adeus….te amo!
(1971)

Victor Motta

REFLEXÕES DE UM ADEUS

Agora, sentado,
ouvindo apenas o ruído do silêncio,
parado,
eu penso em nós.
Vem vindo do fundo, gritante,
alarmante,
a ansiedade do tempo passado
preenchendo do nada
o vazio de dois mundos.
Somos duas pontas de flexas,
disparadas do infinito,
que não se encontrarão.
Um grito de alarme
cresce na garganta
e espanta
no vôo, a felicidade
que em vão tenta o pouso
em minha alma angustiada.
Somos dois que
marcham ao longo,
sem cruzamentos,
nem encontros.
Tontos,
procuramos nos dar as mãos
através o nevoeiro do tempo.
Ilusão temerária de sermos um,
quando seremos, eternamente
dois.
Pois,
não percebes?
Teu mundo é formado
de outras cores.
Consulto o silêncio,
tal fora o relógio da vida,
e vejo nos ponteiros
que não se tocam
nossa própria tentativa
do ser uno.
Nessa ilusão míope não vemos
que passamos
um pelo outro,
sem nos tocarmos,
como os ponteiros
que marcam a vida,
perdida.

Victor Motta

RECORDAÇÕES (perdidas)

No espelho da vida
revi mil rostos,
velhos, cansados, perdidos
em passado já distante.
Em meu espanto percebi
quem fui, pois,
na luz que refletia
finalmente eu via
o tempo que passara:
rápido, irônico, implacável.
Pedaços de mim
eram outras fisionomias,
que não eram mais
como um dia foram.
Lutei por descobrir
vestígios de outrora:
em vão!
Pois eram apenas traços,
fugazes traços.
Lembranças de rostos,
sorrisos, abraços,
carinhos, beijos.
Tempos passados,
passadas vidas,
uma palavra, um adeus.
Pensamentos decompostos
de imagens tão queridas.
São presente.
São feridas
que ficaram
na Alma.

Victor Motta

Noite de um inverno

De repente, sinto que estou triste.
Triste pelo que sou,
Triste por tudo que não fui.
Mas, não me aborrece
Essa tristeza ,que vem
E que flui através
Do cinza-azulado da fumaça
Do cigarro, projetada no teto
Mal pintado de meu quarto.
O silêncio amigo que habita
Meu apartamento
Divide comigo o frio da noite,
Que também se vai.
Penso em voltar, penso em partir,
Em estar contigo,
Em dividir essa tristeza
A dois…
Que grita dentro de mim,
Dentro do quarto quieto,
Frio, de ar viciado
De teto mal pintado.
Vejo as marcas incertas
Do pincel,
Como a arranharem
Também dentro de mim
A saudade do que era
E a ansiedade do que será.
Fecho os olhos,
Molhados
E penso num poema que faria,
Se meus olhos molhados
Não estivessem cansados,
Fechados,
Tentando esquecer
Essa tristeza….

Victor Motta

TRAÇOS

Traços.
Fugazes traços.
Lembranças de rostos.
Sorrisos, abraços.
Tempos passados,
passadas vidas.

Pensamentos decompostos,
imagens tão queridas.

Tudo é passado,
e tão presente,
quão feridas,
que magoam
a gente

Victor Motta

TREVAS

Como é triste a noite sem luar,
tudo imerso nas trevas, sem cor
e como é triste também ficar
na vida desiludido do amor

Procurando sempre sem achar
alguém, um só carinho que for.
Sentir na vida um vazio, amar
e só, da solidão sentir horror.

Ainda sigo procurando a minha lua
que posso achar aqui ou talvez na rua,
ou nunca achar e continuar no escuro.

Porque faz tanto tempo que procuro
e nessa busca infeliz eu não me curo
nem consigo esquecer aquela imagem tua

Victor Motta

REAL MARAVILHOSO

Nossa vida flutuando em dois espaços,
um real – outro fantástico imaginário,
e nesse encontro do real maravilhoso
ficamos presos, partidos aos pedaços
estando em um, desejando o outro.
Vivemos então o momento majestoso,
onde tudo é possível na fantasia criada,
e no equilíbrio dessa realidade virtual,
encontramos a felicidade imaginada
para amenizar a solidão do ser
esmagado na realidade do viver
buscando no fantástico irreal
as ilusões passadas e perdidas.

Victor Motta

DÚVIDAS

QUE VALEMOS NÓS
EM TERMOS DO ABSOLUTO
OU MESMO DO RELATIVO?
QUE VALEMOS NÓS
PARA NÓS MESMOS
E PARA OS OUTROS?
QUE PAPÉIS REPRESENTAMOS
NA VERTIGEM DE ROSTOS,
ANÔNIMOS E FRIOS,
QUE SE CRUZAM
EM PARALELAS
PELAS RUAS
DAS GRANDES CIDADES?
COMO CAMINHAR SOZINHOS
EM MIL ENCONTROS?
COMO ENCONTRAR
SEM NOS CONHECERMOS?
POR QUE MULTIPLICAR TEMORES
SOMANDO MÁGOAS,
SEM DIVIDIR TERNURAS?
QUAL A RESULTANTE
DAS FORÇAS SOLITÁRIAS?
ONDE ESTARÁ O FOCO
DAS LENTES DIVERGENTES
QUE NÃO NOS VÊEM?
COMO MEDIR O CALOR
QUE SE TROCOU EM VÃO?
QUANDO SE ENCHERÁ DE AFETO
O CORAÇÃO QUE SANGRA?
QUANDO SE CRUZARÃO
OS CAMINHOS OPOSTOS?
DÚVIDAS,
DÚVIDAS QUE ME ACOMPANHAM
POR LONGOS ANOS DE PROCURA
SEM RESPOSTAS!

Victor Motta

ILUSÕES

NO SILÊNCIO DA NOITE, SONHO;
CENAS, FATOS, PESSOAS, MOMENTOS.
UM PASSADO DISTANTE, PRESENTE,
AINDA,
ME CONDUZ EM TURBILHÃO;
TRISTONHO,
RECRIO FELICIDADES E HISTÓRIAS,
NO INUSITADO DA IMAGINAÇÃO.
BUSCO EM CANTOS DE SAUDADE
TRAZER AO COTIDIANO
DE AGORA
AS ALEGRIAS VIVIDAS A DOIS .
O QUE ERA, PERDEU-SE,
PARTIDOS CRISTAIS.
O QUE FOI, SÃO SENSAÇÕES,
NADA MAIS.
OS NOVOS CAMINHOS PERCORRIDOS
NÃO SERÃO OS MESMOS DE OUTRORA,
JAMAIS.
RESTA-ME ENTÃO REVIVER,
NO IMAGINÁRIO, AS FORTES EMOÇÕES
DO PASSADO, NUM CANTO QUALQUER,
NUMA DOBRA ESCONDIDA
DA MEMÓRIA.

Victor Motta

POR QUE?

DE REPENTE O VAZIO
TRAZ O SOM DO NADA,
E NO SILÊNCIO QUE CRIO
VEM A AUSÊNCIA DE TUDO.
PARADO, INCRÉDULO, MUDO
NÃO QUERO SENTIR A FALTA
QUE CRESCE NO CORPO
E NA ALMA, E MALTRATA
O CORAÇÃO VACILANTE
COM AS INCERTEZAS
DE AMANTE,
DE TRISTEZAS.
POR QUE IR ADIANTE
NA ILUSÃO FUGAZ
DO AMOR VIVIDO?
O AMARGOR QUE VEM À BOCA
É A PERDA SENTIDA,
E LÍVIDO
BUSCO COMPRENDER O PARTIR
SEM ADEUS, SEM PORQUE.

Victor Motta

A COLHEITA

UM RELÂMPAGO
AZUL DE ILUSÃO
RISCOU, NO NEGRO
DE UM CÉU DE DÚVIDAS,
O BRANCO DE SEU NOME…
AFAGO
DE NUVENS,
CARÍCIAS,
DERRAMADAS
EM GRANDES GOTAS,
QUE CRESCERAM
E INUNDARAM A VIDA.
ONDA DE TERNURA
TÃO PURA
TÃO QUERIDA!
MAS, QUANDO O SOL
BRILHOU NO HORIZONTE
AS ÁGUAS
TINHAM LAVADO A TERRA,
E NÃO MAIS VINHAM
DO ALTO ROLANDO,
OS RISOS DAS MÃOS
QUE PLANTARAM AS SEMENTES
DAS JURAS
DO AMOR-ETERNO.
E A TERRA LAVADA
SECOU AO SOL,
PARTIU-SE,
PEDAÇO-POR-PEDAÇO,
DESFAZENDO-SE
A ILUSÃO-ENGANO,
PASSO-A-PASSO
NO CAMINHO
DE UM OUTRO ANO.

Victor Motta

Central do Brasil

Que estranho grupo,
matinal,
eu vejo todos os dias
na central.
Velhos mendigos, bêbados inocentes,
reticentes:
débeis mentais maltrapilhos,
prostitutas insones,
no roldão do povo
de rostos sem nome,
derramado.

O homem a bater
com a tábua
nas árvores incrédulas.
O pastor que prega,
em péssimo português,
ao povo que passa,
com pressa,
já sem convicção,
nem religião.
De quando em vez,
um ladrão!

A professora-criança
de livros e sacolas,
em demanda da escola.
Amostragem de um povo
brasileiro,
na luta sem tréguas,
do dia-a-dia.
Na busca do pão nosso
de cada dia,
em várias formas,
nos diversos caminhos,
das ilusões,
de tantos corações
que formam o grande vazio
sem esperança.

Povo-formiga, rude, grosseiro,
sujo, suado,
que não olha para trás,
mal humorado,
que cospe no chão
do vagão,
que viaja nas portas
do trem,
pingentes da morte,
no vai-e-vem
da sorte.
Povo-Brasil
amalgamado
no afã da sobrevivência.
Gado-humano a desembocar
no matadouro.
Quem crê em ti fantasma?
EU!

Victor Motta

Ilusões (I)

Hoje, voltei dez anos
em meu passado,
e vi um sonho,
que foi presente,
mas nunca
foi futuro.
Ilusão-criança,
que brotou um dia
(eu juro)
da espontaneidade
de um ideal
(paternal).

Voltei dez anos,
de espanto
e em pranto,
estarrecido
meço a extensão
do nada.
Calculo em milhões
de números,
a multiplicação,
fantástica,
do zero pelo zero.
A imagem juvenil
do que fui, confunde-se,
desfocada, na angústia
do que sou.

Um presente-passado,
sem futuro,
a enterrar
em profundas covas
as provas
de um erro.
E do sonho
desperta a figura
de um covarde
que treme e arde
de revolta,
mas cala.
(1972)

Victor Motta

Tarde, noite de Natal

A TRISTEZA BRANCA
A DERRAMAR,
DE NOVO, OS TONS
(TÃO BONS…),
TRISTES E BRANCOS,
IRMANADOS,
IRMANANDO,
NUM PÔR DE SÓIS
SAGRADOS E ÚNICOS,
OS CONTORNOS PERDIDOS
QUE BROTAM DO POVO
ESPERANÇADO….
CRÉDULO,SOB UM ARCO-IRIS
DE BONDADE BRANCA
E TRISTE.
TUDO É CALMARIA
NESSA TARDE DE SOL
QUE DESCE ATRÁS
DO MAR DE DEZEMBRO.
ILUSÃO FUGÁZ,
DE AMOR,
DE PAZ,
COMPRIMIDA EM DOZE
MESES DE ÂNSEIOS
E DÚVIDAS;
EM ETERNOS VEIOS
DE DORES REPRIMIDAS.
AQUI, SENTADO,
PARADO E ALHEIO,
COM ESSE SOL
A ME CHAMAR PRO MAR…
NÃO CONSIGO ME AFASTAR
DOS SONS
QUE ME ALCANÇAM
NO FUNDO DA ALMA,
A ALMA TRISTE
DESSE NATAL QUE CHEGOU,
TRAZENDO UM MUNDO
QUE BUSCA OUTROS MUNDOS
SEM CONHERCER-SE A SI PRÓPRIO.
NO VENTRE DILATADO
DE UMA CRIANÇA QUALQUER
ESTÁ O ESPANTO
DO SÉCULO DIVIDIDO.
NO PRANTO DA MÃE
QUE CHORA MAIS UM ANJO
ESTÁ O AMARGO
DAS INJUSTIÇAS.
E O MUNDO BUSCA
OUTROS MUNDOS,
SEM VOLVER UM SÓ
OLHAR DE PIEDADE.
QUE ENGENHOSIDADE!
A LUA A SEUS PÉS
SOB A ÁRVORE ENFEITADA
DE ESTRELAS;
QUE SÃO AS GOTAS
ROLANDO DAS FACES
FEIAS E CRUAS
QUE SEM COMPREENDÊ-LAS
NÃO APLAUDEM,
NÃO RIEM,
NA MESMICE DE SEUS DIAS
IGUAIS.
HOJE, É NATAL,
É PAZ,
É BONDADE,
É DÁDIVA,
MAS, EM SUA TRISTEZA
IGNORANTE,
COMO PODERÃO
PARTICIPAR
DE NOSSA ALEGRIA,
DE NOSSA VITÓRIA?
DEBAIXO DE TODAS AS ÁGUAS
SALGADAS
DESSE MAR,
FICA O FIM DE UMA HISTÓRIA
ENTERRADA E ESQUECIDA, E
É NATAL!

Victor Motta

Canção do Adeus

Mais uma vez,
lábios se abriram
e me disseram
adeus!

Um duro olhar viu
meu sim silencioso,
cheio de surpresa
e desapontamento.
Lábios que antes úmidos,
prometiam beijos,
secos e crispados
recusavam o amor.
E meu corpo tremeu
apertando a garganta.
E, engraçado, nada
havia mudado.
Nunca houve amor,
apenas farsa,
ilusão e dúvida.

Sua imagem
ressurgiu das sombras,
me acusando
os erros de outrora.
Sua boca, em outros lábios
me apontavam.
O destino por mim próprio
construído era, enfim,
a sua forma de vingança.
Todo amor
que desprezei um dia,
foi consumido
ao fogo do arrependimento.
Mas, creia que já não luto
e compreendo agora
que tenho de sofrer
o que lhe fiz.

Embora por outros lábios,
outras vozes e gestos
diferentes.
Tudo é você,
tudo é seu
e me condena.

Victor Motta

PROSTRAÇÃO

Eu se chorar, fraqueza lhe parece,
pois não sentiste o que sinto agora,
quando triste, prostrado rezo a prece
de um homem só que na tristeza chora.

E quando sinto que meu rosto empalidece,
olhando alguém que se vai embora,
cumprindo a teia que o destino tece,
levando o amor de quem mais te adora.

E quando em mim nada mais resta
e já a noite com seu manto empresta
a escuridão a meu triste mundo,

eu choro e sem vergonha eu clamo
que a vida que pela vida eu amo
jaz perdida num abismo fundo.

Victor Motta

DIA DA CRIANÇA

LUZES NAS RUAS, RISOS, CORES,
BRILHO DAS VITRINES EM FESTA.
UM CARRO, VESTIDO NOVO, UM TREM.
GENTE QUE PASSA E NÃO PRESTA
ATENÇÃO NOS QUE FICAM À MARGEM
DO ENCANTO DAS LUZES,
NO ESPANTO DO MENINO
QUE ERRA SOZINHO,
PERDIDO NA CIDADE.
QUE FERE, MALTRATA
E DESTROI COM MALDADE
OS SONHOS DE CRIANÇA.
QUE ROUBA NO BERÇO
O CARINHO DA MÃE,
QUE CEDO LEVANTA
E TANTO TRABALHA,
ESCRAVA SUBMISSA
DO ASFALTO,
ALHEIO E SEM DÓ
DE SEU FILHO, TÃO TRISTE
E TÃO SÓ.
COM SUA VOZINHA, FRACA,
E CANSADA,
FICA NAS RUAS PERDIDO
A PEDIR POR PRESENTE
APENAS UM DIA SÓ SEU;
POIS NÃO SABE, AFINAL, DISTINGUIR,
COMO ALGUÉM, QUE COM FOME
CRESCEU,
NOS ANUNCIOS DAS LOJAS
QUE GRITAM E PROCLAMAM
QUE ELE TAMBÉM É CRIANÇA
E ESSE DIA É O SEU.

Victor Motta

ERRANTE

SOU COMO A AVE
ERRANTE….
SEM NINHO,
SEM MORADA.
MEU CAMINHO
LIGA AO NADA,
E DO DISTANTE
VENHO E VOU,
POIS SEI QUE SOU
ERRANTE…
NADA TENHO,
NADA GUARDO,
NEM ESPERO.
VENHO E VOU…
DISTANTE.
HOJE, EU CHEGO,
COMO CHEGUEI UM DIA,
IGUAL,
COMO PARTIREI,
SEM MAIS NADA
QUE A DOR GRITANTE
DE IR E VIR,
ERRANTE.

Victor Motta

Buraco Negro

Tentando dormir,
tropecei em meu sono
e caí no buraco negro
da mente.
No susto, não consegui
achar o caminho da volta,
pois, no escuro
tudo se voltava,
de repente,
num turbilhão
de cenas e pensamentos
difusos, confusos;
era eu….não era mais,
um animal….um cão?
Era tudo ou só momentos
de cenas em confusão,
talvez vividas ou sonhadas?
Sem ordem, sem senso
lógico
nem cronológico.
Sem seguimentos,
sem nomes,ou com muitos,
em gritos, chamados…espantos.
Risos de alegrias,
e longos silêncios,
soluços,
de tristezas.
O belo…sem belezas.
Em cenários sucessivos,
alguns quase mortos
outros muito vivos,
fui herói, fui bandido,
fui aclamado
fui banido,
fui amado,
fui traído.
Mas, traidor,
também fui
e fui perdido,
num mar de ondas
rebeldes e negras,
sem me conhecer
e fui caindo,
ainda mais fundo,
no negro mundo,
sem saber.

Victor Motta

Respostas

POR QUE BUSCAR A LUCIDEZ
FRIA E LINEAR DO RACIOCÍNIO PURO?
HAVERÁ LUCIDEZ NA BRISA QUE SOPRA
E CASTIGA MEU CORPO CANSADO?
E, POR QUE FOSTE, ASSIM COMO A BRISA,
ME FUSTIGAR, MORNA E TERNA,
A ESPERANÇA DE MEUS SONHOS?
POR QUE SER LÚCIDO SE A LUCIDEZ
ESTÁ EM TUDO QUE NOS CERCA?
NO VENTO,NAS ÁRVORES, NO SOL
QUE DESCE AGORA ATRÁS DA LINHA
DO HORIZONTE QUE NOS SEPARA.
QUERO FICAR ASSIM, EMBRIAGADO
NA SENSAÇÃO DE ESTAR CONTIGO,
NOS CAMINHOS QUE NUNCA PERCORRI.
OLHAR COM TEUS OLHOS E VER DENTRO
DOS MEUS AS MESMAS PAISAGENS
QUE JAMAIS NOTEI OU SENTI.
PERCORRER COM TEUS SENTIDOS
TODA A CERTEZA DA FELICIDADE.
PELA PRIMEIRA VEZ ME RECONHEÇO
TRANQUILO, A OLHAR EM FRENTE
O CAMINHO ABERTO PARA A VIDA.
TODOS OS FANTASMAS QUE CRIEI
E ME ATORMENTAVAM NAS SOMBRAS
NÃO MAIS HABITAM MEUS CASTELOS.
COMO TE DIZER TUDO ISSO?
COMO TE CONDUZIR PELA MÃO
E POR TI SER CONDUZIDO?
COMO REACENDER DAS CINZAS
TUDO O QUE DEIXEI APAGAR?
NESSA BUSCA, AGORA EU SEI,
QUE SÓ EM TI ESTÁ MINHA RESPOSTA.

Victor Motta