Dizeres pequenos para Batismo

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EU ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

Carlos Drummond de Andrade

A melhor forma de te não dizerem pequeno é dizeres dos outros que são grandes. Sobretudo se for mentira.

Vergílio Ferreira

“Cada obreiro devia fazer sua petição a Deus pelo batismo diário do Espírito.” (Atos dos Apóstolos p. 50)

Ellen G. White

Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres.

Voltaire

Você coloca aquele moletom cinza com dizeres do surf e eu experimento um guarda-roupa inteiro pra ficar à sua altura.

Tati Bernardi

Não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres.

Voltaire

O sacramento do matrimónio não apaga, como o do batismo, as manchas originais.

Madame de Staël

Casar-se é saber que, após uma briga, ao dizeres “Sai, e não voltes nunca mais!”, dentro de si o coração fala aflito: “Por favor, não saia. Fique para sempre...”

Augusto Branco

DIZERES ÍNTIMOS

É tão triste morrer na minha idade!
E vou ver os meus olhos, penitentes
Vestidinhos de roxo, como crentes
Do soturno convento da Saudade!

E logo vou olhar (com que ansiedade! ... )
As minhas mãos esguias, languescentes,
De brancos dedos, uns bebés doentes
Que hão-de morrer em plena mocidade!

E ser-se novo é ter-se o Paraíso,
É ter-se a estrada larga, ao sol, florida,
Aonde tudo é luz e graça e riso!

E os meus vinte e três anos... (Sou tão nova! )
Dizem baixinho a rir: “Que linda a vida! ... ”
Responde a minha Dor: “Que linda a cova! ... ”

Florbela Espanca

Ouço como nenhuma outra voz, os grandes dizeres, em pequenos gestos.

Kléber Novartes

O Batismo: uma Sepultura – Parte 2

por Charles Haddon Spurgeon


II Mas, em segundo lugar, UMA UNIÃO REAL COM CRISTO também acontece no batismo, e isso é mais uma questão de experiência que de doutrina.

1. Primeiro, há a morte, e então uma questão de experiência atual do crente verdadeiro. “Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?”. É contrário a todas as leis enterrar aqueles que ainda estão vivos. Enquanto não morrerem, o homem não pode ter o direito de ser enterrado. Muito bem, então, o cristão está morto – morto, primeiro, para o domínio do pecado. Toda vez que o pecado lhe chamava, antes, ele respondia, “aqui estou eu, pois você me chamou.” O pecado mandava em seus membros, e se o pecado dizia, “faça isso,” ele o faria, como o soldado obediente ao seu centurião; pois o pecado mandava em todas as partes da sua natureza, e exercia sobre ele uma tirania suprema.
Mas a graça mudou tudo isso. Quando nos convertemos nos tornamos mortos para o domínio do pecado. Se o pecado nos chama agora, recusamos a ir para ele, pois estamos mortos. Se o pecado nos dá um comando nós não o obedecemos, pois estamos mortos para a sua autoridade. O pecado vem a nós hoje – ó, que ele não o faça – e acha em nós a velha corrupção que está crucificada, mas ainda não morta; porém, ele não tem domínio sobre nossa verdadeira vida. Bendito seja Deus, o pecado não pode reinar sobre nós, por mais que possa nos assediar e nos trazer mal. “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.” Nós pecamos, mas sem permissão. Com que tristeza olhamos para as nossas transgressões! Quão sinceramente nos empenhamos em evitá-las! O pecado tenta manter seu poder usurpador sobre nós; mas não o reconhecemos como soberano. O mal entra em nós como um intruso ou um estranho, e trabalha em triste confusão, mas não habita em nós sobre um trono; é alguém de fora, rejeitado, e não mais honrado com prazer. Estamos mortos para o reino do poder do pecado.
O crente, se espiritualmente sepultado com Cristo, está morto para o desejo de tal poder. “O quê!” diz você, “não têm os homens piedosos desejos de pecado?” De fato, eles têm. A velha natureza que há neles deseja o pecado; mas o homem verdadeiro, o ego real, deseja ser purgado de qualquer espécie ou traço de mal. A lei que opera em seus membros corre para o pecado, mas a vida no coração constrange à santidade (Romanos 7:14-23). Eu posso falar honestamente, por mim mesmo, que meu desejo mais profundo de minha alma é viver uma vida perfeita. Se eu pudesse ter meu melhor desejo realizado, eu nunca pecaria de novo; e, apesar disso, eu consinto com o pecado de tal forma que me torno responsável quando transgrido, meu eu mais interior aborrece a iniquidade. O pecado é meu fardo, não meu prazer; minha miséria, não meu deleite; pensando nisso eu clamo, “desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24). No centro do nosso coração nosso espírito se inclina firmemente para o que é bom, verdadeiro e celestial, de tal forma que o homem real tem prazer na lei de Deus, e busca de todo coração o que é bom. A verdadeira tendência atual do desejo e vontade de nossa alma não é para o pecado, e o apóstolo não nos ensinou mera fantasia quando disse, “Porque aquele que está morto está livre do pecado” (Romanos 6:7).
Além disso, em segundo lugar, estamos como que mortos à busca intensa e aos objetivos de uma vida ímpia e pecaminosa. Irmãos, há entre vocês alguém que professa ser servo de Deus vivendo para si mesmo? Então vocês não são servos de Deus; pois aquele que realmente nasceu de novo vive para Deus: o objetivo de sua vida é a glória de Deus e o bem dos seus semelhantes. Esse é o prêmio colocado à frente do homem movido por Deus, e para isso ele corre.
“Eu não corro para isso”, diz um. Bem, então você não chegará ao destino desejado. Se você corre atrás dos prazeres do mundo e suas riquezas, você talvez alcance o prêmio de que está atrás, mas você não pode conquistar o “prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:14). Eu espero que muitos de nós possamos dizer honestamente que estamos agora mortos para qualquer objetivo na vida, exceto a glória de Deus em Cristo Jesus. Estamos no mundo, e temos que viver como os outros homens vivem, levando para frente nosso negócio regular; mas tudo isso está subordinado em segundo plano, e não nos agarramos nisso; nossos alvos estão além de algo mutável. O vôo de nossa alma, como o da águia, está acima dessas nuvens: como aquele pássaro que do sol recebe luz nas rochas, que mesmo descendo às planícies, ainda assim seu prazer é planar buscando a luz, indo acima das nuvens negras de tempestade, e olhando para todas as coisas terrenas como inferiores. Semelhantemente nossa vida que nos foi dada graciosamente segue em frente e acima; não somos do mundo, e as questões do mundo não são aquelas em que nós gastamos a maioria das nossas forças.
Novamente, estamos mortos no sentido que estamos mortos para a orientação do pecado. A concupiscência da carne guia um homem para todos os lados. Ele determina seu curso pela pergunta, “o que é mais prazeroso? O que me dará mais gratificação imediata?” O caminho dos ímpios é traçado pela mão do desejo egoísta: mas vocês que são verdadeiros cristãos têm outro guia, vocês são liderados pelo Espírito em um caminho direito. Você pergunta, “o que é bom e o que é aceitável aos olhos do Altíssimo?” Sua oração diária é “Senhor, mostra-me o que queres que eu faça”. Vocês estão vivos para o ensino do Espírito, que os conduzirá a toda a verdade; mas vocês estão surdos, sim, mortos para os dogmas da sabedoria carnal, às oposições da filosofia, aos erros da orgulhosa sabedoria dos homens. Guias cegos que caem (Mateus 15:14) com suas vítimas na vala são evitados por vocês, que escolheram o caminho do Senhor. Que abençoado estado de coração é este! Eu creio, meus irmãos, que já o percebemos de todo! Conhecemos a voz do pastor, e não seguiremos o estranho (João 10:4-5). Um é o vosso professor, e submetemos nosso entendimento à sua instrução infalível.
Nosso texto deve ter tido um significado fortíssimo entre os romanos do tempo de Paulo, pois eles estavam mergulhados em todas as formas de vícios odiosos. Pegue um romano normal daquele período, e você o verá como um homem acostumado a gastar grande parte de seu tempo no anfiteatro, embrutecido pelas visões brutais de espetáculos sangrentos, nos quais gladiadores se matavam para divertir uma multidão de folga. Ensinados em tal escola, o romano era cruel o quanto se pode ser, e além disso feroz na satisfação de suas paixões. Um homem depravado não era considerado totalmente degradado; não somente nobres e imperadores eram monstros do vício, mas os professores públicos eram impuros. Quando aqueles que eram considerados como morais eram corruptos, você pode imaginar como eram os imorais. “Divirta-se; siga atrás dos prazeres da carne”, essa era a regra da época.
O cristianismo introduziu um novo elemento. Veja um romano convertido pela graça de Deus! Que mudança há nele! Seu vizinho lhe diz, “você não estava no anfiteatro esta manhã. Como pôde perder a visão dos cem germânicos que arrancaram as entranhas uns dos outros?” “Não”, ele diz, “eu não estava lá; eu não suportaria estar lá. Estou completamente morto pra isso. Se você me forçasse a estar lá, eu teria de fechar meus olhos, pois não poderia olhar para assassinato ser cometido por esporte!”. O cristão não se acomodava em locais de licenciosidade; ele estava realmente morto para tamanha imundície. A moda e os costumes da época eram tais que os cristãos não conseguiriam consentir com eles, e assim eles se tornaram mortos para a sociedade. Os cristãos não somente não iam atrás do pecado público, mas eles falavam dele com horror, e suas vidas o repreendiam. Coisas que as multidões consideravam com alegria, e falavam exaltando-as, não davam prazer ao seguidor de Jesus, pois ele estava morto para tais males. Essa é a nossa confissão solene quando decidimos nos batizar. Falamos, por atos que são mais audíveis que palavras, que estamos mortos para aquelas coisas em que os pecadores se deleitam, e queremos ser assim considerados.
2. O pensamento seguinte em batismo é a sepultara. Primeiro vem a morte, e então se segue o sepultamento. Agora, o que é o enterro, irmãos? Enterro é, antes de tudo, o selo da morte; é o certificado da perda. “Está tal homem morto?” diz você. Outro responde, “porque, meu caro? Ele foi enterrado há um ano”. Há exemplos de pessoas enterradas vivas, e eu temo que isso aconteça com triste frequência no batismo, mas não é natural, e de forma alguma é a regra. Eu temo que muitos tenham sido enterrados vivos no batismo, e tenham posteriormente se levantado e saído da sepultura como estavam. Mas se o enterro é verdadeiro, é uma prova da morte. Se eu consigo dizer com verdade, “fui sepultado com Cristo trinta anos atrás”, eu certamente estou morto.
Certamente o mundo pensava assim, pois não pouco depois do meu enterro com Jesus eu comecei a pregar o Seu nome, e então o mundo me teve como perdido, e disser: “ele fede”. Começaram a dizer toda sorte de mal contra o pregador; mas quanto mais eu cheirava mal em suas narinas, mais eu me sentia melhor, pois tanto mais certamente eu estava morto para o mundo. É bom para o cristão ser ofensivo aos homens rebeldes. Vejo como nosso Mestre fedia na estima dos ímpios quando clamavam “crucifica-o! Crucifica-o!” por mais que nenhuma corrupção poderia chegar perto de Seu corpo santo, ainda assim Seu caráter perfeito não era saboreado por aquela geração perversa. Deve haver, portanto, em nós a morte para o mundo, e alguns dos efeitos da morte, ou nosso batismo é vão. Tanto quanto o sepultamento é a prova da morte, então nosso enterro com Cristo é o selo de nossa mortificação para o mundo.
Mas o sepultamento é, a seguir, a manifestação da morte. Enquanto o homem está vivo, os que passam não sabem que ele está morto; mas quando acontece o funeral, e ele é levado pelas ruas, todos sabem que ele está morto. É isso que o batismo deve ser. A morte do crente para o pecado é inicialmente um segredo, mas por uma confissão aberta ele leva todos os homens a saberem que ele está morto com Cristo. Batismo é o rito funerário pela qual a morte para o pecado é abertamente estabelecida diante de todos os homens.
O sepultamento é também a separação da morte. O homem morto não está mais em sua casa, mas é colocado à parte como um não é mais contado entre os vivos. Um corpo não é uma companhia bem-vinda. Mesmo o objeto mais amado depois de um tempo não pode ser tolerado quando a morte fez seu trabalho sobre ele. Mesmo Abraão, que ficou por tanto tempo unido a sua amada Sara, dé visto dizendo, “sepulte o morto de diante da minha face” (Gênesis 23:1-4). Tal é o crente quando sua morte para o mundo é totalmente conhecida: ele é má companhia na opinião dos mundanos, e eles o vêm como o estraga-prazeres. O verdadeiro santo é colocado em separado na mesma classe que Cristo, de acordo com Sua palavra, “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós” (João 15:20). O santo é colocado fora do arraial (Hebreus 13:13) na mesma cova que seu Senhor; pois assim como Ele foi, assim somos nós também neste mundo. Ele está sepultado pelo mundo naquele único cemitério de fé, se assim o devo chamar, onde todos os que estão em Cristo estão juntamente mortos para o mundo, com o epitáfio para todos eles, “Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3:3).
E a cova é o lugar – eu não sei de onde tirar uma palavra disso – da fixação da morte; pois quando um homem é morto e enterrado você jamais espera vê-lo voltando para casa novamente: tanto quanto este mundo está informado, morte e sepultamento são irreversíveis. Eles me dizem que espíritos andam pela terra, e todos nós vimos no jornal “A verdade sobre fantasmas”, mas eu tenho minhas dúvidas neste assunto. Nas questões espirituais, entretanto, eu temo que alguns não estejam muito sepultados com Cristo, mas andam entre as tumbas. Me entristece muito que seja assim. O homem em Cristo não pode andar como fantasma, pois ele está vivo em outro lugar; ele recebeu um novo ser e, portanto, ele não pode andar murmurando e espiando entre os hipócritas que estão mortos a seu redor. Veja o que nosso capítulo fala sobre o Senhor: “sabendo que, havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.” (Romanos 6:9-10). Se de fato fomos vivificados das obras mortas nós jamais devemos voltar-nos a elas. Eu posso até pecar, mas o pecado não pode ter domínio sobre mim; eu posso ser um transgressor e ir longe do meu Deus, mas jamais eu poderia voltar à velha morte novamente. Quando a graça do meu Senhor me tomou, e me enterrou, ela forjou em minha alma a convicção que dali em diante e para sempre eu era para o mundo um homem morto.
Eu estou verdadeiramente grato em não ter comprometido isso, mas ter ido direto para fora. Eu desembainhei a espada, e lancei fora a bainha. Digam ao mundo que é melhor eles não tentarem nos buscar de volta, pois estamos tão estragados para ele como se estivéssemos mortos. Tudo que poderiam ter de nós seriam nossas carcaças. Digam ao mundo para não nos tentar mais, pois nossos corações estão mudados. O pecado pode encantar o homem velho dependurado na cruz, e ele deve até virar o seu olho luxuriante naquela direção, mas ele não pode seguir seu relance, pois ele não pode descer da cruz: O Senhor teve o cuidado de martelar bastante, e Ele pregou suas mãos e pés firmemente, de tal forma que a carne crucificada permanecerá no lugar de sofrimento e morte. Sendo isso também verdade, a genuína vida que está em nós não pode morrer, pois nasceu de Deus; nem pode habitar em tumbas, pois seu chamado é à pureza e alegria e liberdade; e a esse chamado se rende.
3. Chegamos até a morte e o sepultamento; mas o batismo, de acordo com o texto, representa também a ressurreição: “como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Romanos 6:4). Agora, note que o homem que está morto em Cristo, e sepultado com Cristo, é também levantado dentre os mortos em Cristo, e esse é um trabalho especial sobre ele. Nenhum morto está ressuscitado, mas o nosso Senhor mesmo é “as primícias dos que dormem” (I Coríntios 15:20). Ele é o primogênito dos mortos (Colossenses 1:18). A Ressurreição foi uma obra especial no corpo de Cristo pela qual Ele foi levantado, e aquela obra, que começou na cabeça, vai continuar até todos os membros serem co-participantes, pois:
“Apesar de nossos pecados exigirem
Que nossa carne se tornar pó;
Ainda assim como Senhor nosso Salvador se levantou,
E assim farão todos os que o seguem”
Pois para nossa alma e espírito, a ressurreição começou em nós. Não chegou a nossos corpos ainda, mas será dada a eles no dia determinado. No presente um trabalho especial foi forjado sobre nós pelo qual fomos levantados dentre os mortos. Irmãos, se vocês tivessem morrido e sido sepultados, e tivessem ficado deitados por uma noite, digamos, no Cemitério Woking, e se uma voz divina lhe chamasse diretamente para fora da cova quando as estrelas silenciosas ainda brilhavam no céu aberto – se, digo eu, vocês tivessem se levantado definitivamente do monte verde de relva, que se solitário deveria ser o vasto cemitério na noite escura! Como você poderia sentar na vala e esperar pela manhã! Essa é realmente a condição que diz respeito ao presente mundo mal. Você foi uma vez igual a todos os pecadores ao seu redor, morto em pecado (Efésios 2:1), e dormindo a cova encomendada pelo mal. O Senhor pelo Seu poder chamou você para fora de sua tumba, e agora você está vivo entre os mortos. Não pode haver amizade aí para você, pois, que comunhão pode haver entre os vivos e os mortos? Os homens lá no cemitério que acabaram de ser chamados não achariam ninguém no meio dos mortos com quem pudessem conversar, e não poderão achar companhia neste mundo. Ali jaz uma caveira, mas ela não pode ver pelos buracos dos olhos; nem tampouco há discurso vindo de sua boca cruel. Eu vejo uma massa de ossos depositados no canto: o que vive olha para eles, mas eles não podem ouvir ou falar. Imagine-se lá. Tudo que você poderia dizer aos ossos seria perguntar, “poderão viver estes ossos secos?” (Ezequiel 37:3). Você seria um estrangeiro nessa casa de corrupção, e você desejaria sair o quanto antes de lá. Essa é sua condição no mundo: Deus te levantou dentre os mortos, e da companhia com a qual você tinha regularmente suas conversações.
Agora, eu clamo a vocês, não volte e cave na terra, para abrir as covas e achar um amigo lá. Quem tiraria a tampa de um caixão e clamaria: “venha, você deve beber comigo! Você deve ir ao teatro comigo!” Não, nós abominamos a ideia de associarmo-nos com a morte, e eu tremo ao ver um cristão professo tentar ter comunhão com homens mundanos. “Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo” (II Coríntios 6:17). Vocês sabem o que aconteceria a você caso depois de ter sido levantado, e fosse forçado a sentar perto de um corpo morto recentemente tirado da cova. Você clamaria: “eu não posso suportar isso; não posso aguentar isso”; você preferiria estar do lado oposto do vento em relação ao corpo horrendo. Assim também com o homem que está realmente vivo para Deus: atos de injustiça, opressão, ou impureza ele não pode suportar; pois a vida se opõe à corrupção.
Note que, assim como fomos levantados por um trabalho especial de entre os mortos, esse levantar é pelo poder de Deus. Cristo foi trazido novamente “dos mortos pela glória do Pai.” O que isso significa? Porque não disse, “pelo poder do Pai“? Ah, amados, glória é uma palavra maior; pois todos os atributos de Deus são exibidos em toda sua pompa solene na ressurreição de Cristo dentre os mortos. Lá havia a fidelidade do Senhor; não havia Ele declarado que o ressuscitaria dos mortos (Isaías 55:3), e que não permitiria que o Seu Santo visse corrupção (Salmo 16:10)? Não foi o amor do Pai visto nisso? Eu estou certo de que houve um deleite no coração de Deus ao trazer de volta a vida ao corpo de Seu Filho amado. E assim, quando eu e você somos tirados de nossa morte em pecados, não é meramente o poder de Deus, não é meramente a sabedoria de Deus que é vista, é a “glória do Pai”.
Oh, pensar que cada filho de Deus que foi chamado foi chamado pela “glória do Pai“. Exigiu não somente o Espírito Santo, a obra de Jesus e a obra do Pai, mas a própria “glória do Pai“. Se a menor centelha de vida espiritual tem de ser criada pela “glória do Pai”, qual será a glória daquela vida quando chegar à perfeição plena, e quando formos como Cristo, e vê-lo como Ele é (I João 3:2)! Oh amados, tenham em alta conta a nova vida que Deus lhes deu. Pensem nela em lhes tornando mais ricos do que se vocês tivessem um mar de pérolas, mais do que se vocês tivessem descendido do mais elevado dos príncipes. Há em você aquilo que requer todos os atributos de Deus para vir a existir. Ele poderia fazer um mundo somente com poder, mas você deve ser levantado de entre os mortos pela “glória do Pai”.
Note a seguir que essa vida é algo inteiramente novo. Nós somos chamados a andar em “novidade de vida“. A vida de um cristão é algo inteiramente diferente da vida de outros homens, totalmente diferente da sua própria vida antes de sua conversão, e quando as pessoas tentam falsificá-la, eles não conseguem.
Uma pessoa lhe escreve uma carta e quer que você acredite que ele é um crente, mas dentro de uma meia-dúzia de sentenças aparece uma linha que trai o impostor. O hipócrita copiou suas expressões de maneira ordenada, mas não totalmente. Há uma maçonaria entre nós, e o mundo olha-nos de fora por um pouco, e aqui e ali eles tomam alguns de nossos símbolos; mas há um símbolo privado, que eles nunca conseguirão imitar, e assim em certo ponto eles se quebram. Um ateu pode orar tanto quanto um cristão, ler tanto a Bíblia quanto um cristão, e mesmo ir além de nós no exterior; mas há um segredo que ele não sabe e não consegue falsificar. A vida divina é uma novidade tão grande que o irregenerado não tem uma cópia com que trabalhar. Em todo cristão ela é tão nova como se ele fosse o primeiro cristão. Ainda que em todos haja a imagem e a inscrição de Cristo, ainda há uma borda branqueada ou algo dessa prata verdadeira que esses falsificadores não podem copiar. É algo novo, uma história, algo fresco de Deus.
E, por último, essa vida é algo ativo. Eu já desejei que Paulo não tivesse sido tão rápido enquanto o lia. Seu estilo viaja em botas de sete léguas. Ele não escreve como um homem qualquer. Eu realmente gostaria de dizer a ele que se ele tivesse escrito este texto na ordem apropriada, deveria ser, “Como Cristo foi levantado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também devemos ser levantados”. Mas veja; Paulo pulou tanto assunto enquanto falamos: ele chegou a “andemos”. O andar inclui a vida, que o simboliza, e Paulo pensa tão rápido quando o Espírito de Deus está sobre ele que ele passou direto da causa para o efeito. Tão logo recebemos a nova vida nos tornamos ativos: não sentamos e dizemos, “eu recebi uma nova vida: quão grato eu devo estar. Eu vou na quietude usufruir disso”. Oh, queridos, não. Nós temos de fazer algo diretamente enquanto estamos vivos, e começamos a andar, e assim o Senhor mantém-nos durante toda a nossa vida em Sua obra; ele não nos permite ficar sentados contentes com o mero fato de vivermos, nem permite que gastemos nosso tempo examinando se vivemos ou não; mas nos dá uma batalha para lutar, e a seguir outra; Ele nos dá Sua casa para construir, Sua fazenda para arar, Seus filhos para cuidar, e Suas ovelhas para alimentar.
Às vezes temos tempos de lutas ferozes com nosso próprio espírito, e tememos que o pecado e Satanás irão enfim prevalecer, até que nossa vida será dificilmente reconhecida, mas é sempre reconhecida pelos atos. A vida que é dada àqueles que estavam mortos, com Cristo, é uma vida enérgica, forte, que está sempre ocupada para Cristo, e, se pudesse, moveria céus e terra para sujeitar todas as coisas àquele que é sua Cabeça.
Essa vida Paulo nos diz que não tem fim. Uma vez recebida, nunca sairá de você. “havendo Cristo ressuscitado dos mortos já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele“. É também uma vida que não está mais debaixo do pecado ou da lei. Cristo veio sob a lei enquanto estava aqui (Gálatas 4:4), e teve os nossos pecados sobre si (Isaías 53:6), e assim morreu; mas depois que Ele ressuscitou não havia mais pecado sobre Ele. Em Sua ressurreição tanto o pecador quanto o Fiador estão livres. O que Cristo teve de fazer depois de ressuscitar? Carregar mais pecados (Hebreus 7:27)? Não, mas simplesmente viver para Deus. É aí onde eu e você estamos. Não temos pecados mais para carregar; está tudo sobre Cristo. O que temos de fazer? Toda vez que tivermos uma dor de cabeça, ou nos sentirmos enfermos, clamaremos, “essa é a punição pelo meu pecado?” Nada disso. Nossa punição foi plenamente satisfeita, pois recebemos a sentença capital, e estamos mortos: nossa nova vida deve ser para Deus.
“Tudo o que resta para mim
É somente amor e canção,
E esperar a vinda dos anjos
Para me levar aos céus.”
Eu tenho agora que servi-lO e ter prazer nEle, e usar o poder que Ele me deu para chamar outros dos mortos, “desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (Efésios 5:14). Eu não vou voltar à cova da morte espiritual nem ao meu caixão de pecado; mas pela graça divina vou continuar a crer em Jesus, e ir de força em força, não debaixo da lei, não temendo o inferno, nem esperando merecer o céu, mas como uma nova criatura (II Coríntios 5:17), amando por ter sido amado primeiro (I João 4:19), vivendo para Cristo pois Cristo vive em mim (Gálatas 2:19-20), ardentemente esperando a glória que será revelada (Romanos 8:18) em virtude da minha união com Cristo.
Pobre pecador, você não sabe nada sobre essa morte e sepultamento, e nunca saberá até que você tenha o poder de ser chamado filho de Deus (João 1:12), que Ele dá a todos os que crêem no Seu nome. Creia no Seu nome, e será todo seu. Amém e amém.

PORÇÃO DAS ESCRITURAS LIDA ANTES DO SERMÃO – Romanos 6
Charles Haddon Spurgeon

Charles Haddon Spurgeon

O Batismo: uma Sepultura – Parte 1

por Charles Haddon Spurgeon

“Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida..” (Romanos 6:3-4)

Que não se entre em controvérsia neste texto sobre o batismo, por mais que sobre ele alguns tenham levantado questões sobre o batismo infantil e adulto, imersão ou aspersão. Se qualquer pessoa puder interpretar de maneira consistente e conclusiva este texto sem considerar que a imersão é o genuíno batismo cristão, eu realmente gostaria de ver como ela o faz. Eu mesmo sou bem incapaz de realizar tal feito, e não imagino como fazê-lo. Eu me contento em aceitar o ponto de vista que o batismo significa um sepultamento dos crentes nas águas em nome do Senhor, e assim eu irei interpretar o texto.
Se alguém tem outra perspectiva, deveria ao menos se interessar em saber qual o significado que damos ao rito do batismo, e espero que eles não discordem do sentido espiritual apenas por diferirem do sinal externo. Afinal, o emblema visível não é o assunto proeminente no texto. Que Deus Espírito Santo nos ajude a chegar ao ensino real.
Eu não entendo que Paulo esteja dizendo que pessoas impróprias como os incrédulos, hipócritas, e enganadores que são batizados o sejam na morte de nosso Senhor. Ele diz “todos nós que”, colocando-se com o resto dos filhos de Deus. Ele pretende dizer que estes são os que tem direito ao batismo, e que a ele vem com seus corações em um estado correto. Sobre tais pessoas, Paulo diz, “ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” Ele nem mesmo pretende dizer que todos aqueles que foram batizados por direito tiveram completo entendimento do seu significado espiritual; pois, se o tivessem, não haveria necessidade da pergunta: “Ou não sabeis?” Parece que havia alguns batizados que não sabiam realmente o significado de seu próprio batismo. Eles tinham fé, e uma quantidade de conhecimento suficiente para torná-los dignos recebedores do batismo, porém não haviam sido corretamente instruídos na doutrina do batismo; talvez só estivesse enxergando no batismo o aspecto da lavagem, mas ainda não discerniram a característica do enterro.
Eu irei além, ao questionar se algum de nós conhece de maneira plena o significado das ordenanças que Cristo instituiu. Até agora somos como crianças brincando na praia em relação às coisas espirituais, enquanto o oceano está diante de nós. O melhor que podemos fazer é entrar no mar só até a altura dos joelhos, como nossos filhos fazem. Poucos de nós estamos aprendendo a nadar; e quando aprendemos, só nadamos até onde podemos pisar os pés em segurança. Quem de nós jamais perdeu de vista a praia e nadou no Atlântico do amor divino, onde a verdade profunda está realmente no fundo, e o infinito é o que se vê ao redor?
Oh, que Deus nos ensine diariamente aquilo que já sabemos em parte, e que a verdade que vimos de forma embaçada venha a nós de forma mais clara, até vermos tudo como que na presença da total luz do sol. Isso só pode ocorrer se nosso caráter se tornar mais claro e puro; pois vemos de acordo com o que somos; e tal como é o nosso olho, assim também é como vemos. O puro de olhos só pode ver um Deus Santo e Puro. Seremos como Jesus quando o virmos como Ele é (I João 3:2), e certamente não o veremos como Ele é até sermos como Ele. Nas coisas celestiais nós O vemos tanto quanto nós O temos em nós mesmos. Aquele que comeu a carne e o sangue de Cristo espiritualmente é o homem que pode vê-lO na santa ceia, e aquele que foi batizado em Cristo vê Cristo no batismo. Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância (Mateus 25:29).
O batismo anuncia a morte, sepultamento e a ressurreição de Cristo, e também nossa comunhão com Ele. Seu ensino tem dois pontos. Primeiro, pensem na união representativa com Cristo, de tal forma que, quando nosso Senhor foi morto e enterrado, foi para nosso próprio benefício, e desta forma fomos enterrados com Ele. Isso nos ensina do batismo na medida que declara abertamente uma crença. Declaramos através do batismo que cremos na morte e Jesus, e desejamos comungar de todo Seu mérito.
Mas há outro assunto tão importante quanto este: trata-se da realização da nossa união com Cristo, que é demonstrada por meio do batismo, não tanto como uma doutrina da nossa confissão, mas como uma experiência nossa. Há um tipo de morte, de sepultamento, de ressurreição, e de viver em Cristo que deve se apresentar em todos nós que realmente somos membros do corpo de Cristo.

I Primeiramente, então, eu gostaria que você pensasse em NOSSA UNIÃO REPRESENTATIVA COM CRISTO como é estabelecida no batismo como uma verdade a ser crida. Nosso Senhor Jesus é o substituto do Seu povo, e quando Ele morreu foi para o bem desse povo e em seu lugar. A grande doutrina da nossa justificação depende disso, que Cristo tomou nossos pecados, ficou em nosso lugar, e como nosso procurador sofreu, sangrou, e morreu para apresentar em nosso lugar um sacrifício pelo pecado. Nós devemos nos lembrar dEle, não como uma pessoa privada, mas como nosso representante. Somos enterrados com Ele no batismo até a morte para mostrar que O aceitamos como sendo para nós morto e enterrado.
O Batismo como um enterro com Cristo significa, primeiro, aceitar a morte e sepultamento de Cristo como sendo para nós. Vamos fazer isso agora mesmo com todo o nosso coração. Que outra esperança temos? Quando nosso Divino Senhor desceu das alturas da glória e tomou sobre si a nossa humanidade, Ele se tornou um comigo e com você; e, tendo sido achado em forma humana (Filipenses 2:7), ao Pai agradou colocar o pecado sobre Ele, até mesmo os seus e os meus pecados (Isaías 53). Você não aceita essa verdade, e concorda que o Senhor Jesus deve ser o sofredor da nossa culpa, e permanecer em pé em seu lugar à vista de Deus? “Amém! Amém!” digam todos vocês.
Ele subiu ao madeiro carregado com toda essa culpa, e lá Ele sofreu em nosso lugar e legalmente foi penalizado como nós deveríamos sofrer. Agradou ao Pai, ao invés de moer a nós, moê-lO. Ele O pôs para sofrer, fazendo sua alma uma oferta pelo pecado. Não aceitamos gratos a Jesus como nosso substituto? Oh amados, tendo sido batizados nas águas ou não, eu coloco essa questão diante de vocês: “você aceita o Senhor Jesus como seu representante substituto?” Pois se não O aceitam, vocês devem sofrer a própria culpa e carregar seu próprio sofrimento, e estar de pé no seu próprio lugar diante do olhar da justiça irada de Deus. Muitos de nós dizemos no mais profundo do coração –
“Minha alma se volta para ver
O sofrimentos que Tu suportaste,
Quando segurado na maldita árvore,
E espera que sua culpa esteja lá”
Agora, sendo sepultados com Cristo no batismo, selamos que a morte de Cristo foi em nosso benefício, e que estávamos com Ele, e morremos nEle, e, como prova de nossa fé, consentimos na tumba de água, e nos deixamos ser sepultados de acordo com Seu mandamento. Esse é um fato de fé fundamental – Cristo morto e sepultado por nós; em outras palavras, substituição, procuração, sacrifício vicário. Sua morte é a base da nossa segurança: não somos batizados no Seu exemplo, ou em Sua vida, mas em Sua morte. Aqui nós confessamos que toda a nossa salvação depende da morte de Jesus, cuja morte nós aceitamos como tendo acontecido por nosso benefício.
Mas isso não é tudo; pois se eu devo ser sepultado, não deve ser tanto porque eu aceito a morte substitutiva de outro por mim , mas por qué eu mesmo estou morto. Batismo é um reconhecimento de nossa própria morte em Cristo. Mas porque um homem vivo deveria ser enterrado? Porque ele deveria ser enterrado porque outro morreu em seu benefício? Meu sepultamento com Cristo não significa somente que Ele morreu por mim, mas que eu morri nEle, de tal forma que minha morte com Ele precisa de um enterro com Ele. Jesus morreu por nós porque ele é um conosco (João 17:11, 21).
O Senhor Jesus Cristo não tomou sobre si os pecados do Seu povo por uma decisão arbitrária de Deus; mas era totalmente natural e próprio que Ele deveria tomar os pecados do Seu povo, pois eles são Seu povo, e Ele é sua cabeça definitiva. Era necessário Cristo sofrer por esta razão – que Ele era o representante do Seu povo pela aliança. Ele é a Cabeça do corpo, a Igreja; e se os membros pecaram, entende-se que a Cabeça, ainda que não tenha pecado, deva sofrer as consequências das ações do corpo. Assim como há um relacionamento natural entre Adão e aqueles que estão em Adão, assim há também entre o segundo Adão e os que estão nEle (Romanos 5:12-21).
Eu aceito o que o primeiro Adão fez em relação ao meu pecado. Alguns de vocês podem discordar disto, e com toda a dispensação do pacto, se quiserem; mas como agradou a Deus colocar as coisas dessa forma, e eu sinto os efeitos disso, eu não vejo uso algum para a minha discórdia com isso. Tal qual aceito o pecado do pai Adão, e sinto que eu pequei com ele, assim também com alegria intensa aceito a morte e sacrifício pela culpa de meu segundo Adão, e me regozijo que nEle eu morri e ressuscitei. Eu vivi, eu morri, eu guardei a lei, eu satisfiz a justiça através da aliança da Cabeça. Deixe-me ser enterrado no batismo que eu mostrarei a todos em volta que eu creio que eu era um com meu Senhor na morte e enterro pelo pecado.
Olhem para isso, ó filhos de Deus, e não temam. Essas são grandes verdades, seguras e confortantes. Vocês estão entre as grandes ondas do Atlântico agora, mas não tenham medo. Percebam o efeito santificador dessa verdade. Suponha que um homem seja condenado à morte por causa de um grande crime; suponha, aliás, que ele morreu por aquele crime, e agora, por alguma obra maravilhosa de Deus, após ter sido morto, ele foi vivificado de novo. Ele está novamente entre os homens, como ressurreto dentre os mortos, e qual é o estado de sua consciência quanto à sua ofensa? Ele irá cometer aquele crime de novo? Um crime pelo qual ele morreu? Eu digo enfaticamente: Deus proíba. Ele certamente dirá: “eu provei da amargura desse pecado, e eu fui miraculosamente levantado da morte que me sobreveio, e revivi; agora eu odiarei aquilo que me matou, e o abominarei com toda a minha alma.”
Aquele que recebeu o pagamento do pecado deve aprender como evitá-lo no futuro. Mas, você responde que “nós nunca morremos assim. Nunca fomos obrigados a pagar a dívida do nosso pecado.” Correto. Mas aquilo que Cristo fez por você vem a ser a mesma coisa, e o Senhor olha para isso como a mesma coisa. Você é então um com Jesus, de tal forma que você deve considerar a morte dEle como a sua morte; Seus sofrimentos como o castigo que lhe traz a paz (Isaías 53: 5). Você morreu na morte de Jesus, e agora por uma graça estranha e misteriosa você é resgatado do poço de corrupção (Salmo 40:1-2) para uma vida nova. Como você poderia voltar novamente ao pecado? Você viu o que Deus pensa do pecado: você percebe que Ele o abomina totalmente; pois quando foi posto sobre Seu Filho Amado, Ele não O poupou, mas O pôs em sofrimentos e O levou à morte. Pode você, depois disso, voltar-se àquela coisa maldita que Deus odeia? Certamente, o efeito dos grandes sofrimentos do Salvador sobre seu espírito deve ser a santificação. Como viveremos para o pecado, nós que para ele morremos (Romanos 6:1-14)? Como podemos nós, que já passamos debaixo da maldição (Gálatas 3:13-14), e suportamos sua pesada punição, tolerar seu poder? Deveríamos voltar a esse mal assassino, vil, virulento, e abominável? Não pode ser. A graça o proíbe. Que Deus não o queira.
Essa doutrina não é a conclusão de todo o assunto. O texto nos descreve como sepultados, mas com a perspectiva de ressurreição. “Fomos, pois, sepultados com Ele na morte pelo batismo;” – com qual objetivo? – “para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, assim também andemos nós em novidade de vida.” Ser sepultado com Cristo! Para quê? Para que você permaneça morto para sempre? Não, mas agora onde Cristo está, você deve ir aonde Cristo for. Segure-se nEle, então: Ele vai, então primeiro ao sepulcro, mas depois segue para fora do sepulcro; pois quando a terceira manhã chegou, Ele levantou. Se você é de fato um com Cristo, você deve ser um com Ele e passar por tudo; Você será um com Ele na morte, e um com Ele no seu sepultamento, e então você virá a ser um com Ele em Sua ressurreição.
Sou agora um homem morto? Não, bendito seja o Seu nome, pois está escrito que “porque eu vivo, vós também vivereis” (João 14:19). Fato é que eu estou morto em um sentido, “considerai-vos mortos”. Mas não estou em outro pois “a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus” (Colossenses 3:3). E como um homem estaria absolutamente morto se ele tem uma vida oculta? Não; já que eu sou um com Cristo eu sou o que Cristo é: como Ele é um Cristo vivente, eu sou espírito vivente. Que coisa gloriosa é ter retornado dos mortos, porque Cristo nos deu vida. Nossa velha vida legal foi tirada de nós pela sentença da lei, e a lei nos vê como mortos (Romanos 7:1-6); mas agora recebemos uma nova vida, uma vida fora da morte, uma vida ressurreta em Cristo Jesus. A vida do cristão é a vida de Cristo. Não é a vida da primeira criação nossa, mas da nova criação a partir dos mortos. Agora, pois, andamos nós em novidade de vida (Romanos 6:4), frutificando para a santificação (Romanos 6:22), justiça, e alegria pelo Espírito de Deus. A vida na carne é para nós um obstáculo; nossa vida está no Seu Espírito. No melhor e mais elevado sentido, nossa vida é espiritual e celestial. Isso também é doutrina que deve ser guardada muito firmemente.
Eu quero que vocês vejam a força disso; pois eu estou buscando resultados práticos nesta manhã. Se Deus deu a você e a mim uma vida inteiramente nova em Cristo, como pode essa vida ser desperdiçada da mesma forma que a vida velha? Há o espiritual que quer viver como carnal? Como podem vocês que eram os servos do pecado, que foram libertos pelo sangue precioso, voltar à velha escravidão (Gálatas 5:1)? Quando vocês estavam na vida do primeiro Adão, vocês viviam em pecado, e o amavam; mas agora vocês foram mortos e enterrados, e feitos para andarem em novidade de vida: como pode ser que vocês estejam voltando aos rudimentos do mundo de onde o Senhor vos tirou? Se vocês vivem em pecado, vocês serão falsos na sua profissão de fé; pois vocês professarão estarem vivos para Deus (Romanos 6:11)? Se vocês andam na concupiscência, vocês vão pisar as doutrinas benditas da Palavra de Deus, pois elas levam à santidade e pureza. Você faria do cristianismo apenas uma palavra e um provérbio se, depois de tudo, vocês que saíram da morte espiritual exibissem uma conduta em nada melhor que a vida do homem comum, e um pouco superior à vida que você mesmo levava.
Isso tudo visto que muitos de vocês que foram batizados disseram ao mundo “estamos mortos para o mundo, e fomos trazidos para uma nova vida”. Nossos desejos carnais estão dessa forma vistos como mortos, pois agora vivemos numa ordem de vida totalmente nova. O Espírito Santo nos deu uma nova natureza, e por mais que estejamos no mundo, não somos dele, mas somos feitos novo homem, “criados em Cristo Jesus” (Efésios 2:10). Essa é a doutrina que pregamos a todo homem, que Cristo morreu e ressuscitou, e que Seu povo morreu e ressuscitou nEle. Dessa doutrina cresce a morte para o pecado e vida para Deus, e desejamos por cada ação e cada momento de nossas vidas ensiná-la a todos que nos veem.
Não é esta uma doutrina preciosa? Ó, se vocês de fato são um com Cristo, o mundo deveria os achar se sujando? Deveriam os membros de uma Cabeça generosa e graciosa, invejarem e serem gananciosos? Deveriam os membros de uma Cabeça gloriosa, pura e perfeita, ser depredados com as concupiscências da carne e com as vaidades de uma vida em vão? Se os crentes são de fato identificados com Cristo de forma tal que eles são Seu tudo, eles mesmos não deveriam ser santos? Se nós vivemos em virtude pela nossa união com Seu corpo, como podemos viver como vivem os gentios? Como pode ser que tantos crentes professos exibam uma vida meramente mundana, vivendo para os negócios e o prazer, mas não para Deus, em Deus, ou com Deus? Eles dão uma pitada de religião numa vida mundana, e esperam cristianizá-la. Mas não conseguirão. Eu sou chamado a viver como Cristo viveria em minhas circunstâncias; escondido em meu quarto ou no púlpito público, eu sou chamado a ser o que Cristo seria no mesmo caso. Eu sou chamado a provar aos homens que aquela união com Cristo não é ficção, nem sentimento fanático: mas que somos movidos pelos mesmos princípios e agimos pelos mesmos motivos.
Batismo é então, de fato, um credo, e vocês podem lê-lo nestas palavras: “unidos com Ele na semelhança da Sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da Sua ressurreição.”
Charles Haddon Spurgeon

Charles Haddon Spurgeon

"Batismo"

Quando tudo é sede
Não me nego o coração
Pois o fruto é (con)sequência
De longa peregrinação

Fabio Aguieiras

Escolheram-me a data de nascimento;
O nome de batismo;
A roupa que visto;
Até meus perfumes escolheram;
Mas eu;
Escolherei sozinha a vida que quero.

Marina Nogueira

O batismo católico é uma sentença e não uma vontade consciente, castiga com a obrigação.

Rafael silveira

O batismo de João era de conversão, o batismo de Jesus é infusão da Santíssima Trindade, portanto, os pais cristãos tem o dever de batizar os filhos.

Ataíde Lemos

Trava na evolução
Impor uma religião a um individuo logo que ele nasce é a prática do batismo, creio que seria justo esperar que o individuo seja dono de suas faculdades para optar.

Nossas crianças são violentamente condicionadas a seguir os passos de nossos ancestrais, sob a desculpa de estarmos a lhes proporcionar o caminho correto. Mas que arrogância! Nossa sociedade finge um fenomeno chamado xenofobia para esconder o seu medo de evoluir, e não é só a sociedade ocidental, é toda a sociedade humana que tem medo de dar a nossas crianças o direito de decidir sobre o nosso destino, fingimos que lhes damos educação, mas na verdade estamos manipulando nossas crianças para seguir o caminho que NÓS acreditamos ser o melhor, nós perdemos a confiança até na nossa humanidade, não tenho conhecimento de nenhum pais na nossa sociedade que tenha dado a suas crianças a liberdade de evoluírem de uma forma incondicional, pois impingimos a elas conhecimentos,nos primeiros anos de escola, que as vão condiciona-las a seguir a mesma linha, não vejo nenhum pais que tenha tido a coragem de ensinar nos 4 primeiros anos de escola, apenas o estudo da linguagem, matemática e filosofia, para dar ferramentas as nossas crianças para desenvolver uma personalidade profundamente crítica sobre os nossos preceitos sociais.

Vitor Christo

O Batismo do Espírito Santo no Pentecostes – Atos 2

Deus havia ordenado na Lei dada a Moisés que fossem celebradas anualmente festas em datas fixas por Ele determinadas (entre estas a Páscoa e Pentecostes).
E Israel celebrou estas festas por mais de quatorze séculos, até a morte de nosso Senhor Jesus Cristo (Páscoa), e o derramamento do Espírito Santo (Pentecostes).
Tão significativo para a humanidade, no plano divino, é a morte de Jesus, e o trabalho do Espírito Santo em todas as nações, a partir daquele grande derramamento, que Ele ordenou que estes dois eventos associados à nossa salvação, fossem representados figuradamente, em duas ordenanças que foram dadas à nação da Aliança (Israel) para serem cumpridas no período do Velho Testamento.
O derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes, produziu não somente os efeitos sobrenaturais, audíveis e visíveis descritos no início do 2º capítulo de Atos, como também a transformação das vidas daqueles que creram e foram batizados pelo Espírito, conforme se vê na descrição que é feita no final deste mesmo capítulo.
A grande ênfase do derramar do Espírito, da manifestação do Seu poder, tal como no dia de Pentecostes, não deve estar tanto no som impetuoso, como de uma grande ventania, nem na aparência de línguas de fogo sobre nossas cabeças, nem no fato de falarmos em línguas estrangeiras, de modo a podermos ser entendidos pelas pessoas das nações que falem tais línguas (tal como sucedeu naquele dia), porque estes sinais da manifestação do derramar, que acompanharam o primeiro derramar do Espírito, nem sempre tem ocorrido, e na verdade, raramente houve tal testemunho em toda a história da Igreja.
Lembremos que o falar em línguas daquela ocasião, foi diferente do dom de línguas estranhas citadas em I Coríntios 12, 14, que segundo Paulo, são mistérios que ninguém entende, salvo se houver também, o dom de interpretação.
Aqueles primeiros sinais, que evidenciaram a presença do Espírito, quando foi derramado pela primeira vez, realmente não se têm repetido, tal como quando Ele veio na forma de uma pomba sobre Jesus, para batizá-lo no Jordão, quando começou Seu ministério terreno.
Entretanto, o Espírito Santo não deixou de manifestar evidências de Sua presença entre nós, agindo sempre conforme Lhe apraz, e nunca segundo nossos próprios desejos e expectativas.
Deus havia escolhido o dia de Pentecostes para começar a derramar o Espírito Santo, porque havia uma grande multidão reunida em Jerusalém, de todas as nações, para a celebração da citada festa.
O evangelho foi pregado de maneira maravilhosa pela primeira vez, pelos cerca de 120 discípulos do Senhor, que se encontravam reunidos quando o Espírito veio sobre eles, porque pregavam a mesma mensagem, que era ouvida ao mesmo tempo, por todos em suas próprias línguas.
Diante da admiração deles, e de terem alguns, tentado, como é comum acontecer quando Deus manifesta Sua presença, desqualificar os discípulos do Senhor, dizendo que estavam fazendo aquilo por estarem embriagados, Pedro se levantou para pregar seu primeiro sermão, não especialmente, para justificar que não estavam embriagados, porque as palavras que haviam ouvido em suas próprias línguas, o evangelho do Senhor, não poderiam ser palavras de embriagados.
Assim, as palavras de Pedro foram uma confirmação e uma explicação mais extensa das coisas que haviam ouvido, pelas bocas dos apóstolos e dos demais discípulos, que lhes falaram no fogo e poder do Espírito, daí o motivo de ter havido uma aparência de línguas de fogo sobre a cabeça de cada um deles.
Pedro lhes mostrou, que aquilo era o cumprimento de uma promessa, que Deus havia feito desde os dias do Velho Testamento, através dos profetas, e citou particularmente, a profecia de Joel 2.28; vinculando-a ao fato, de que aquele derramar do Espírito Santo estava associado à morte e ressurreição de Jesus.
Citou e explicou o Salmo 16.10 de Davi, no qual fala, que o corpo de Jesus não veria a corrupção e que não seria vencido pela morte, uma vez que seria ressuscitado dentre os mortos; uma evidência de que não somente continuava vivo nos céus, mas que aquela era a prova de ter sido escolhido para ser Aquele que venceria a morte de todos os que nEle cressem.
Uma vez que foi glorificado nos céus, comprovou esta glorificação, cumprindo a promessa feita aos profetas do Velho Testamento, de que seria por causa dEle, que o Espírito seria derramado em todas as nações.
Aquela primeira pregação do evangelho pela Igreja, pela ajuda do Espírito, produziu a conversão de cerca de três mil pessoas.
O fato de pessoas, de todas as nações, terem ouvido o evangelho em sua própria língua, na primeira vez que ele foi pregado, era um sinal de que não era uma bênção apenas para os judeus, mas também para todos os gentios.
É digno de nota, o fato de que, todo dia de comemoração do Pentecostes, caía num domingo.
Foi desde os dias de Moisés, que Deus havia determinado tal festividade, de maneira que ficasse registrado, que a primeira reunião solene da Igreja em visitação do Espírito deveria ser num domingo, separando portanto, este dia para a adoração pública do Seu nome, e para a celebração da ressurreição de Seu Filho, o que aconteceu também, num domingo.
Sete semanas (49 dias) deviam ser contadas, desde o sábado da páscoa, e o dia seguinte seria o de Pentecostes; assim, caía sempre num domingo.
Vale lembrar que Jesus havia morrido no dia da páscoa dos judeus, porque o sábado começava na tarde daquela sexta-feira, na qual Ele foi pregado na cruz.
O Pentecostes, era o dia em que os israelitas tinham que apresentar as primícias de suas colheitas ao Senhor, no tabernáculo, e depois no templo.
Então, aquelas primeiras almas, que se converteram naquele primeiro Pentecostes em Jerusalém, eram apenas as primícias da grande colheita, que o Espírito continuaria realizando para Deus em toda a terra.
A adoração pública que era feita no dia de sábado, estava sendo transferida pelo Senhor para o dia de domingo, para marcar que havia de fato, revogado a Antiga Aliança,que vigorou nos dias do Velho Testamento, por causa da Nova Aliança, que havia inaugurado na morte e ressurreição de Cristo.
Esta, fora confirmada agora, com o derramar do Espírito num dia de domingo, conforme Ele havia predeterminado, desde a antiguidade, para honrar Seu Filho, em cujo sangue esta Nova Aliança foi instituída.
Este dia de domingo, deve ser santificado por todos os cristãos, pela santificação de suas próprias vidas na adoração que é devida ao Senhor; especialmente para a pregação do evangelho, tal como ocorreu no primeiro Pentecostes, quando os discípulos e Pedro pregaram o evangelho no poder do Espírito.
Esta é a mensagem daquele Pentecostes para a Igreja de todos os tempos: o evangelho deve ser pregado no poder do Espírito e produzir nas pessoas, o bom efeito esperado por Deus, na transformação de suas vidas.
O primeiro Pentecostes não veio sobre cristãos que não sabiam para onde iam, que não tinham objetivos definidos, e que eram descuidados com a santificação de suas vidas.
Eles haviam aprendido de Jesus, em Seu ministério terreno, o modo pelo qual importava viverem e estarem reunidos em Seu nome, a saber; orando, meditando na Sua Palavra, e louvando-0 com Salmos e hinos.
Se não estivessem vivendo daquela maneira, o Espírito Santo não poderia ter sido derramado sobre eles.
De igual modo, se queremos novos Pentecostes entre nós, é necessário fazer tal como eles haviam feito.
Não é por se dizer simplesmente, que cremos e somos de Cristo, que somos salvos pela graça.
É mediante a fé no Seu nome, que temos o direito adquirido de ter a presença do Espírito entre nós.
Dizemos que não é somente isto que é necessário, porque é possível afirmar tudo isto com os lábios, e viver tal como Judas.
Assim como ele não teve parte naquela bênção; de igual modo, não poderão ter, todos quantos viverem como ele, com interesses mundanos e carnais, que não buscam os interesses de Cristo e do Seu reino, pela santificação de suas vidas.
Eles pagaram o preço da oração, da comunhão, da perseverança, e o Espírito veio com poder sobre eles.
Calcularam o custo da salvação, e mesmo sabendo que é inteiramente pela graça e mediante a fé, sabiam que isto deveria ser evidenciado no testemunho de vidas santificadas para Deus.
Eles estavam dispostos a pagarem o preço do desprezo do mundo, da perseguição, da renúncia aos seus egos, da justiça própria deles, e de se consagrarem verdadeiramente, ao serviço do Senhor pregando Sua Palavra a toda criatura.
Foi por isso, que o Espírito veio, revestindo-os de poder.
Lembremos sempre, que onde os irmãos estiverem vivendo na unidade do Espírito, é ali que o Senhor ordena a Sua bênção.
Há um preço portanto, a ser pago por nós (o da consagração), apesar de toda a nossa salvação ser inteiramente realizada pela graça de Jesus.
Pedro explicou qual foi o propósito real daquele derramar poderoso, que era o de conduzi-los ao arrependimento dos seus pecados, para que pudessem ser batizados no nome de Jesus, remidos dos seus pecados pelo Seu sangue.
Para este propósito, eles receberiam o dom do Espírito Santo, porque é por Ele que somos regenerados, santificados e purificados dos nossos pecados.
É dito também, que com muitas outras palavras Pedro lhes deu testemunho, e lhes exortava dizendo que “se salvassem desta geração perversa” (v. 40).
Lucas não registrou quais foram estas “muitas outras palavras”, mas diz que eram de testemunho e de exortação, e certamente, não temos a menor dúvida de que se referiam ao dever de andarem de modo santo diante de Deus.
Jesus havia soprado o Espírito sobre os apóstolos antes do Pentecostes, e lhes havia dado o revestimento de poder do Espírito, que necessitariam, para suportar as pressões das perseguições até que viesse o Pentecostes. Mas neste dia, ficaram cheios do Espírito, revestidos de uma maior plenitude e poder, que lhes foi conferida por Ele, no batismo que lhes dera naquela hora.
Eles haviam sido selados com poder, mas este poder deve ser renovado diariamente.
Eles estavam bem conscientes disto, conforme Jesus lhes havia ensinado, e como também, poderiam aprender da própria experiência diária.
Para que a chama seja mantida acesa, deve ser alimentada com combustível, e este combustível é o próprio Espírito Santo, que se moverá em nós e nos encherá, à medida que nos consagremos ao Seu serviço.
Não devemos portanto, nos limitar a ficar satisfeitos com as experiências de poder que tivemos com o Espírito no passado, mas buscar novos revestimentos de poder em todos os dias de nossas vidas.
É permanecendo continuamente na Sua presença, que somos cheios e revestidos do Seu poder, especialmente para implantar em nós o seu fruto de amor, bondade, paz, alegria, longanimidade, fidelidade, domínio próprio, benignidade, e todas as demais virtudes que fazem parte da divindade.
Aquela evidência de falar o evangelho por outras línguas aos gentios, foi uma forma de Deus começar a quebrar a resistência dos judeus em pensarem, que o evangelho de Jesus seria somente para eles, apesar das Escrituras do Velho Testamento darem um claro testemunho que seria também para os gentios.
Assim, eles falaram verdades sobre as quais, não estavam ainda convencidos completamente, em razão do sentimento nacionalista, e de saberem que por durante séculos, o Senhor havia se revelado somente através de Israel.
Tanto isto é verdade, que o próprio Pedro resistiu muito, no início, em pregar aos gentios.
Vemos isto, no caso da sua convocação, para estar na casa do centurião romano chamado Cornélio, a ponto de ter sido necessário, convencê-lo com a visão do lençol, que descia do céu cheio de animais impuros segundo a lei, aos quais Deus ordenou que Pedro se alimentasse deles.
Desta maneira, ele foi convencido que todo o cerimonialismo da Antiga Aliança, que impedia os israelitas de se juntarem aos gentios, havia sido derrubado pela Nova Aliança; que havia sido inaugurada por Cristo, e revogado todo o cerimonial da lei de Moisés.
Muitos judeus piedosos (At 2.5), se converteram dentre aqueles três mil, porque reconheceram que sem o poder do Espírito, sem aquela graça que estavam vendo na vida dos apóstolos, não poderiam viver de modo real, tudo aquilo que se exige dos homens, para que estejam em comunhão com Deus.
Eles sabiam que necessitavam antes de tudo, de serem justificados e perdoados de seus pecados, para que pudessem ter uma aproximação real deste Deus, que é inteiramente santo e justo.
Eles foram compungidos e convencidos pelo Espírito em seus corações, de que deveriam confiar e se entregarem completamente a Cristo, para poderem ter a mesma vida que estavam vendo nos Seus discípulos.
Eles não pregaram a si mesmos, senão somente a Cristo, mas o Cristo que pregaram podia ser visto em suas vidas.
Somente Cristo, venceu a morte, que entrou no mundo por causa do pecado.
É Ele a fonte de toda a verdadeira vida eterna, e somente a Ele devemos estar unidos, para termos a bênção de alcançar a vitória sobre a morte.
Assim como a carne do sacrifício, que era oferecido no Velho Testamento não poderia ser guardada até o terceiro dia, para que não apodrecesse, porque nenhum sacrifício oferecido ao Senhor, deve passar pela corrupção (Lev 7.15-18), de igual maneira, o corpo de Jesus não poderia ser apodrecido na sepultura, porque foi oferecido como sacrifício pelos nossos pecados.
Ele foi ressuscitado antes que seu corpo viesse a se corromper, como havia sido profetizado no Salmo.
A corrupção do corpo, significa a prevalência da morte, mas a morte não poderia prevalecer sobre Cristo, que é o autor da vida, e Aquele que foi designado para vencer a morte.
Por isso, Pedro destacou esta verdade no sermão que proferiu naquele dia de Pentecostes.
Afinal, Jesus havia morrido e ressuscitado recentemente, e eles haviam sido levantados para darem testemunho da Sua morte e ressurreição, para a justificação dos nossos pecados, de maneira que nós também possamos ter a mesma vitória sobre a morte.
Quando Pedro disse aos que lhe perguntaram o que deveriam fazer para serem salvos; que, deveriam se salvar desta geração perversa, não significava, que isto se encontrasse na esfera do próprio poder deles, mas em se renderem a Cristo.
Estas palavras do apóstolo nos ensinam, que estar convertido de fato a Cristo, não significa somente fazermos uma profissão de fé no Senhor, mas em nos desarraigarmos deste mundo perverso.
Se a evidência da salvação é portanto, a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, não nos deixemos enganar portanto, por um cristianismo fácil, que não nos custe o preço da consagração, tal como fomos advertidos por Cristo e seus apóstolos.
Há uma questão muito fundamental para todos os que estão vivendo neste mundo; na verdade, a única coisa que é necessária, e pela qual importa lutarmos verdadeiramente, que é a salvação da nossa alma.
Há uma vida gloriosa prometida por Deus nas Escrituras para aqueles que andarem em conformidade com a Sua vontade, mas um horror eterno, a todos que resistirem a Ele.
Por isso o Espírito Santo, no primeiro sermão que foi pregado através de Pedro, quando foi derramado no Pentecostes, não enfatizou nenhum ensino que se concentrasse senão somente no que é essencial para a nossa salvação, a saber, o arrependimento dos nossos pecados, e a completa confiança em Cristo, para a salvação e santificação de nossas vidas.
Jesus recebeu a promessa do Espírito Santo, para poder derramá-lo sobre aqueles que estavam mortos em seus delitos e pecados; sobre aqueles que Lhe foram dados pelo Pai.
O Espírito foi derramado exatamente para o propósito, de mudar nossos corações na regeneração (novo nascimento), e continuar o trabalho de amadurecimento espiritual através da santificação.
Como a Palavra que era pregada e vivida na Igreja Primitiva era o verdadeiro evangelho, então, Deus lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos.
Ele fará o mesmo conosco, acrescentando convertidos às nossas Igrejas, se tal como eles fizeram no passado, tão somente pregarmos a verdade, e também vivermos de acordo com a verdade que pregamos.
Eles estavam cheios do amor de Deus, cheios do Espírito, e este amor pelas pessoas no Espírito, contribuiu para a conversão de muitos.
Se não pregarmos o evangelho por amor e misericórdia aos pecadores, é bem certo que poucos venham a se converter debaixo da nossa pregação e do nosso ministério.





“1 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.
2 De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.
3 E lhes apareceram umas línguas como que de fogo, que se distribuíam, e sobre cada um deles pousou uma.
4 E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.
5 Habitavam então em Jerusalém judeus, homens piedosos, de todas as nações que há debaixo do céu.
6 Ouvindo-se, pois, aquele ruído, ajuntou-se a multidão; e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.
7 E todos pasmavam e se admiravam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses que estão falando?
8 Como é, pois, que os ouvimos falar cada um na própria língua em que nascemos?
9 Nós, partos, medos, e elamitas; e os que habitamos a Mesopotâmia, a Judéia e a Capadócia, o Ponto e a Ásia,
10 a Frígia e a Panfília, o Egito e as partes da Líbia próximas a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos,
11 cretenses e árabes-ouvímo-los em nossas línguas, falar das grandezas de Deus.
12 E todos pasmavam e estavam perplexos, dizendo uns aos outros: Que quer dizer isto?
13 E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.
14 Então Pedro, pondo-se em pé com os onze, levantou a voz e disse-lhes: Varões judeus e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras.
15 Pois estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto que é apenas a terceira hora do dia.
16 Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel:
17 E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, os vossos anciãos terão sonhos;
18 e sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão.
19 E mostrarei prodígios em cima no céu; e sinais embaixo na terra, sangue, fogo e vapor de fumaça.
20 O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor.
21 E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
22 Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis;
23 a este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos;
24 ao qual Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, pois não era possível que fosse retido por ela.
25 Porque dele fala Davi: Sempre via diante de mim o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado;
26 por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; e além disso a minha carne há de repousar em esperança;
27 pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção;
28 fizeste-me conhecer os caminhos da vida; encher-me-ás de alegria na tua presença.
29 Irmãos, seja-me permitido dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura.
30 Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que faria sentar sobre o seu trono um dos seus descendentes,
31 prevendo isto, Davi falou da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção.
32 Ora, a este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.
33 De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.
34 Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,
35 até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés.
36 Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.
37 E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?
38 Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.
39 Porque a promessa vos pertence a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a quantos o Senhor nosso Deus chamar.
40 E com muitas outras palavras dava testemunho, e os exortava, dizendo: salvai-vos desta geração perversa.
41 De sorte que foram batizados os que receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas;
42 e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
43 Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos pelos apóstolos.
44 Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum.
45 E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um.
46 E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração,
47 louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.”. (Atos 2.1-47)

Silvio Dutra