Depoimentos para Avó

Cerca de 186 depoimentos para Avó

Ser avó é retornar a infancia,em viagem de primeira classe.

Jane Leal

Poema para Gabriel

Avó, nome mais doce que brigadeiro,
A segurança do abraço quente,
Do colo que aconchega,
Da certeza nos momentos de incerteza.
A conversa longa... Sem pressa;
Do olho no olho, sem julgar;
A compreensão do olhar aflito;
A estrada curta que leva ao infinito;
O beijo terno;
A bronca...
O olhar severo;
A mão segura de quem já viveu;
O prato certo na hora da fome;
A cama feita, quando o cansaço consome;
A benção certa no amanhecer;
A saudade na ida
E a pergunta da demora;
O amor, quase perfeito,
Que carrega no peito
O menor gesto
De quem agora cresce...
A criança doce,
Viva nas lembranças;
A sobremesa da vida,
Alguém disse.
Avó, o cheiro vindo da cozinha;
O pratinho quente;
A compreensão;
O silêncio.
Ninguém nasce avó;
Aprende-se a ser.
Aquela que ensina os primeiros passos;
Ajuda a ler o que é quase traço;
Brinca, corre junto
E vai no compasso
Deste amor uno
Que dele precisa
Quem na vida crê.

(Ednar Andrade).

EdnarAndrade

"A BICICLETA"

Me lembro, me lembro
foi depois do jantar, meu avô me chamou,
tinha um riso na cara, um riso de festa:

"- Guilherme, vou tapar seus olhos,
venha cá."

Os tios, os primos, os irmãos, na grande mesa redonda
ficaram rindo baixinho, estou ouvindo, estou ouvindo:

"- Abre os olhos, Guilherme!"

Estava na sala de jantar, junto da porta do corredor,
como uma santa irradiando, num altar,
como uma coroa na cabeça de um rei,
a bicicleta novinha, com lanterna, campainha, lustroso selim de couro,
tudo.

Me lembrei hoje da minha bicicleta
quando chegou a minha geladeira.

Mas faltou qualquer coisa à minha alegria,
talvez a mesa redonda, os tios, os primos rindo baixinho,

" – abre os olhos, Guilherme!"

Oh! Faltou qualquer coisa à minha alegria!

J. G. de Araújo Jorge

"Casa de avó é escola sem reprovação."

Luiza Gosuen

Uma avó, mãe duas vezes! sempre quando preciso, você me ajuda, e entende meu lado. Me dá a maior força para diminuir minhas fraquezas e fortificar o que existe de mais belo dentro de mim. Hoje, quando só penso por um segundo te perder, perco as pernas, e agradeço a Deus por ainda te ter, porque você é meu equilíbrio, que me segura ao andar, você é uma boa parte de mim. Quando respiro, sinto um alívio, porque tenho você, que me defende e acredita completamente em mim e nada mais!

Grazielle Araújo

O cadeira de balança embala o sono da avó. E junto com ela as historias que nos fazem ser. Vai e vem, você em mim.

Mel Fronckowiak

Minha avó começou a andar uma hora por dia quando tinha 60 anos.
Agora ela está com 95 e não temos a menor idéia
de onde ela foi parar.

Ellen Degeneria

Ser avó é nascer de novo,é outra forma de juventude que acabou de nascer.

Marilda Nascimento

-O pombo-
Vinícius de Moraes contava ter ouvido de uma sua tia-avó, senhora idosa muito boazinha, que um dia ela estava na sala de jantar, em sua casa do interior, quando um lindo pombo pousou na janela. A senhora foi se aproximando devagar e conseguiu pegar a ave. Viu então que em uma das patas havia um anel metálico onde estavam escritas umas coisas.
— Era um pombo-correio, titia. Pois é. Era muito bonitinho e mansinho mesmo. Eu gosto muito de pombo.
— E o que foi que a senhora fez?
A senhora olhou Vinícius com ar de surpresa, como se a pergunta lhe parecesse pueril:

— Comi, uai.

Rubem Braga (Recado de primavera)

Rimas engraçadas

A é a Ana, que voou numa cana.
B é o avô Batista, que tem a mania que é artista.
C é a Cristina, que pôe a mão dentro da terrina.
C é a Camila, que tem corpinho de gorila.
D é Daniela, que come um bolo de canela.
F é o Francisco, que na parede fez um risco.
I é a Inês, que dá beijinhos num chinês.
J é a João, que come o osso do cão.
J é a Janica, que não come, mas depenica.
J é a Janja, que não gosta de comer canja.
L é a Lara, que tem seis borbulhas na cara.
M é a Mafalda, que à noite usa fralda.
M é o Miguel, que come pedacinhos de papel.
M é a avó Maria, que dorme todo o dia.
M é a dona Milú, que vestiu o tutu.
P é o Paulo, que no pé tem um calo.
R é a Raquel, que se besunta com mel.
S é a Sónia, que bebe água de colónia.
T é a Teresa, que nunca põe a mesa.
X é a Xana, que escorregou na casca da banana.

Beatriz Andrade

Ser avó não significa aposentar-se e ser chamada de “vózinha” e sim voltar à maternidade e viver uma nova fase.

Neiva Lorenzoni Ferraz Busch

Criado pela avó
ensinado pelas tias
amado pela mãe
quisto pelos amigos e traído pelos invejosos.
Mas ainda continuo gostando de trakinas.

Vinny Leal

Minha avó
Marieta Cardoso Joanol

Mulher de garra, mãe, amiga, avó, bisavó, esposa...
com dedicação criou seus filhos...
os ensinou a trilhar o caminho do bem...
e seus filhos tiveram filhos, e os filhos dos filhos também...
e todos sempre terão orgulho de falar
dessa mulher, que com muita garra
lutou, contra o tempo, contra a saudade,
contra a doença, contra o cansaço dos anos..
minha avó de cabelos alvos como a neve,
trazidos com a experiência da vida,
minha avó cheia de paciência, que a todos servia...
minha avó, mulher prendada, que cozinhava, que sorria...
Esta era minha avó, um pouco Isnardi, um pouco Cardoso
e com o passar do tempo, um pouco Joanol...

Vó descanse em paz ao lado do vô.

Paula Joanol

O menino olhava a avó escrevendo uma carta.
A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Na verdade estou escrevendo sobre você.
Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
A avó diz:
- Tudo depende do modo como você olha as coisas.
- Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.
Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma mão que guia seus passos. Esta mão que podemos chamar de Deus, deve sempre conduzi-lo em direção à sua vontade.
Segunda: de vez em quando, eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. isso faz com que o lápis sofra um pouco. Mas, no final, ele estará mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.
Terceira: o lápis é companheiro da borracha para apagar o que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa não é necessariamente algo ruim...
Quarta: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.
Quinta: o lápis sempre deixa uma marca...
Portanto, lembre-se: tudo o que você fizer na vida, irá deixar traços... Por isso, procure ser consciente de cada ação para que todos seus desenhos sejam lindos!!!

desconhecido

Meu casamento é só um Lance

Minha avó

Não importa de onde segue o vento, contanto que seque a roupa"

Minha avo Dilina.

Sou Filha de Deus Perfeita, Dotada de Sabedoria e Força, Jamais Venha a Mim Dificuldades Que Eu Não Seja Capaz De Resolver."

Maria de Jesus Fernades dos Santos ( Avó de LucieneLuba)

a minha avó

um dia parei para pensar
como será sem minha avó?
aquele arroz gostoso aonde vou comer?
seu cheiro sereno aonde vou sentir?
depois que ela se foi, pra longe de mim
o eco da sua voz ainda estou a ouvir
e em cada situações, vovó passa a existir

a minha avó ( Maria do Socorro Moreira in memorian)

a minha avó - Geraldo Neto Uiraúna PB

DESOBEDIÊNCIA

É chegado o natal.

Não há natal pleno sem família.
As reuniões de amigo oculto, ceia, presentes.

Mas o natal pra mim tem gosto de escola. Havia um sabor de fim de ano inesquecível.

As provas do 4º bimestre, os amores platônicos não resolvidos (sempre fui um garoto extremamente tímido), as férias dos coleguinhas e a saudade que já começava a apertar o peito.

A atenção da minha mãe às tarefas e o acompanhamento sempre alerta no "azul" do boletim.

Minha mãe, atenta, cumpria a risca sua missão de mãe e professora dos filhos.

Com carinho, mas firmeza, dizia:

- Olhe, ESTUDE, viu? Se tirar nota baixa, vai ficar de castigo!
Nada de preguiça, nem pensar em me desobedecer!

Minha avó, com quem eu ficava nos fins de semana, já era o contrário.

Nada de tarefa, nem pensar em ameaçar com castigo.

Nunca soube o que era ser castigado por ela.

Na verdade, nunca soube o que era ser castigado, por nenhuma das duas.
A promessa da minha mãe nunca se cumpriu. Eu não deixei, não dei trabalho pra passar de ano.

A timidez que me sobrava, fazia sobrar também disposição pro estudo.

Mas agora lembrando disso, me vem uma certa revolta.

Ambas, minha mãe e minha vó Mocinha (se apelido que virou nome) me desobedeceram.

Há 3 anos eu estava em um distrito de Porto Velho, onde ia passar o réveillon (isso mesmo, ano novo em um distrito), eram 16h mais ou menos do dia 31 quando, de repente, comecei a ficar angustiado.

Um aperto no peito que não quietava e sufocava fundo.

Minha baiana notou e perguntou o que eu tinha:

- não sei, não tenho nada, já melhora.

Um ou duas horas depois, recebo mensagem da tia Rosario
- Emerson, a mamãe (minha avó) passou mal mas estamos levando pro hospital.

Pronto!

A mão que me apertava o peito retesou ainda mais suas garras e inquietei de vez.
Pelas próximas horas foi um trocar de mensagens infinito. A sensação de perda crescendo dentro de mim.

Eu rezava. Pedia a Deus que a protegesse. Em oração pedia a ela, minha vó, que resistisse, não me deixasse...

A inacreditável presença da morte como nunca antes havia sentido se fez real e por fim, já as 22h a notícia:

Abdon me liga e pede pra eu voltar pra cidade:

- Emerson, volta, Dona Mocinha morreu.

Minhas pernas viraram borracha.

minha mãe doce tinha partido?
Ela me desobedeceu?? Pedi pra ela aguentar!

Enlouqueci.

Binha me deu agua.

Pedi pra voltar pra cidade, começava a chover.

Ela veio dirigindo.

Era um trovejar sem fim.

Nos 114 km que dirigiu, sob forte tempestade, vi cobras atravessando a BR, um cão, já morto, raios que rasgavam o negrume da noite e me rasgavam também por dentro, assombravam uma noite que parecia não ter fim.

A pista quase invisível, tamanha força da chuva que caía.
Só se via o prateado dos faróis sobre o asfalto encharcado.

E foram quase duas horas nesse tormento.

Pouco a pouco a tempestade ia amainando.
A poucos kilometros de Porto Velho, estiou de vez.

Já era quase meia noite.

Ao chegar no centro da cidade, o ano virou, rojões em toda cidade estouraram.

Era um show de cores, explosões, luzes que ofuscava tudo.

Meus olhos que estavam cegos de tanto chorar começaram a ver sem a cortina de lágrimas que me corria.

Minha vó me
Desobedeceu, partiu sem que eu pudesse despedir-me dela.
Porque?

Mais fogos.
Mais cores, iam crescendo explodindo bem em frente aos meus olhos.

Ano novo.

2011 havia chegado.

Dona Mocinha, sempre malandra, preparara tudo direitinho.

Viveu uma vida de trabalho, a criar filhos do caminhoneiro duro, vindo do árido sertão nordestino.

Partia em festa.

A festa que pra todos significa um recomeço, o ano novo, para ela era a formatura de uma vida de luta.

Mas de muitas alegrias.

O recomeço de Minha avó ia ser MUITO MELHOR que o nosso.
Ia ser nos braços de Deus.
Enquanto olhava pela janela do carro, a Binha a dirigir, os fogos a estourar, esse Pensamento, que agora partilho, veio a minha mente.

Festa!

Mais uma aluna havia terminado seu "período de estudos".

Festa!
Mais uma a viajar de férias, deixando saudades para os que com ela estudaram.

Alegria!
Nosso Deus abraçava a volta pra casa eterna da filha que havia saído pra um longo período de estudos e que agora acabava.

De repente, sem mais nem porque, as lágrimas secaram de vez.

Sorri.

Beijei o vidro frio da janela do carro, olhando para o show de luzes que desfilava ante meus olhos e refletia nas poças de água do asfalto. O beijo que eu queria que chegasse até a minha avó, abriu a mão que me esmagava o coração trazendo um certo sossego.

A aceitação.

A aluna da vida se formava, e partia pra nova jornada.

Sem antes me desobedecer, coisa que eu nunca havia feito com ela...

Ah, vó...

Vais ficar de castigo.

Me desobedeceu, na maior cara de pau?!

Isso lá é exemplo que se dê??

Um dia, me formo também, vou procurar fazer logo uma "pós", pra chegar aí mandando brasa!

Vou lhe aplicar um corretivo pra senhora se exemplar!

E vais ver só, QUANTO AMOR sentirás em meu castigo...

Emerson Castro

A gente nasce, cresce, começa a criar nossas raízes, vive, apanha. Cria novas histórias, novos laços, amigos e momentos, nos perdemos no tempo, nos erros, caímos e choramos. Nos reerguemos, recomeçamos e aos poucos nos repomos, cultivamos novas amizades, resgatamos os laços e amizades verdadeiros e continuamos. Por fim envelhecemos, experientes, calejados e sábios, até o dia em que deixamos de fazer parte desta vida. Assim é a vida, um ciclo, onde nascemos, vivemos o nosso tempo e partimos, onde passamos anos tentando fazer o certo, da melhor maneira possível, quando na verdade fazer o correto da vida é viver o presente sem se preocupar com o amanha, pois hoje nos sabemos o que podemos fazer, para onde ir... No amanha, tudo pode mudar e a vida é uma caixinha de surpresas... Não permita-se ficar preso as suas emoções, deixe-as fluírem, viva a vida da forma que queres, seja feliz enquanto há tempo, pois não sabemos quanto tempo ainda nos resta!

Rodolfo Rodrigues dos Santos