Depoimento para Irmã mais Velha

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A verdade é filha do tempo, a paciência é sua mãe, a sabedoria é a sua irmã mais velha e a eternidade é a sua casa.

Brenon Salvador

[parte 19]

Lucas era o caçula de uma família com três irmãos. A irmã mais velha já era casada e há poucos meses tinha dado a luz ao primeiro filho. O irmão era solteiro, baladeiro e morava em São Paulo; trabalhava em uma agência de publicidade. O nosso protagonista “reinava” sozinho no apartamento dos pais e era o xodó da mãe. Se davam muito bem, não tinha segredos. Por isso a mãe ficou sem entender a reação do filho. Ele era uma pessoa amável, educada e que raramente perdia o controle. Vê-lo nervoso daquele jeito a deixou intrigada. Sim, ela sabia que ele havia terminado o namoro com Isabela, mas até o término foi de forma amigável. Ela acreditava que ele nunca havia tratado a menina daquele forma.

Os dois iam, lado a lado, caminhando em direção a casa da fazenda. Ele tentava apertar o passo e ir mais rápido, mas percebeu que a mãe não tinha fôlego para acompanha-lo. Então resolveu ir mais devagar.

“Você tratou a Isabela muito mal, Lucas. Não precisava ter feito isso” disse a mãe.

“Mãe...depois eu me entendo com ela” respondeu. Ele não estava muito preocupado com isso. Na verdade ele não estava nem aí. E muito provavelmente nem ia “se entender com ela” depois.

Chegando na casa da fazenda ele deixou a mãe na porta e correu em direção ao quarto de Mariana. Não havia ninguém. Procurou a tia, que estava na sala de estar, sentada em um sofá, ao lado de Isabela. A mãe dele já estava em uma poltrona, tirando os sapatos. Devia estar com os pés doendo. Ele ignorou completamente a ex-namorada, nem a olhou.

“Tia, você sabe onde tá a Mariana?”

A tia, acostumada com os “sumiços” da sobrinha suspeitava sim onde a menina poderia estar. Aliás, tinha praticamente certeza. Mas resolveu não falar.

“Não sei, querido.. É... vamos almoçar, gente. A Mariana logo aparece...”

Isabela, choramingando e com olhar de “piedade”, disse:

“Você não pode conversar comigo, Lucas?”

“Conversar o que, Isabela? Na boa, conversar o que? Eu não tô entendendo o que você veio fazer aqui! Você tá cansada de saber que não existe a menor possibilidade da gente voltar!” respondeu.

“Lucas, não fala assim comigo...eu te amo....” disse a menina, chorando.

“Eu não sou obrigado a escutar isso” disse ele, áspero e ignorando completamente o que tinha acabado de ouvir, se virou para a tia e continuou: “Tia, você não tem mesmo a mínima ideia de onde ela possa estar?”

Isabela interrompeu. Chorando e falando alto ao mesmo tempo:

“É por causa dessa Mariana que você não quer conversar comigo? Você já tava com ela antes, quando a gente tava junto? É isso? Me responde!”

Ele perdeu a paciência.

“Isabela, deixa de ser louca! Você tem problema, garota?”

E depois de falar, deu as costas e saiu da sala, em direção a porta. Estava disposto a procurar Mariana, nem que tivesse que andar pela fazenda inteira. Num ímpeto, Isabela levantou do sofá e foi atrás.

A mãe dele, desconsertada, disse a tia:

“Me desculpe por isso, Anita... Eu não poderia imaginar que a minha vinda fosse causar esse transtorno todo. Bem...eu não sei o que tá acontecendo aqui, mas acho melhor ir embora...”

“De jeito nenhum, Lúcia! É...esses jovens são assim mesmo...logo eles se acertam, você vai ver”.

“Anita...aconteceu alguma coisa entre o Lucas e a Mariana?” perguntou a mãe.

“Não! Quer dizer...até onde eu sei, não. Lúcia, você sabe como eles eram muito amigos...talvez estivessem relembrando os velhos tempos... não teve nada demais” disse a tia, meio sem jeito. Mas ela no fundo sabia (ou melhor suspeitava) que tinha “algo demais” acontecendo sim. A sobrinha chorando, ele ciente do amor da menina, o diário que foi lido... ela tentava entender a relação de tudo isso.

Enquanto isso, na varanda da fazenda...

“Lucas, espera! Por favor, espera!” implorava Isabela.

Ele se virou e encarou a menina.

“Eu só quero conversar com você...” disse a garota, quase que suplicando.

“Ok, pode falar” respondeu, seco.

“Mas...assim? Aqui? Desse jeito? É que...” disse ela, gaguejando.

“Isabela, coloca uma coisa nessa tua cabecinha: ACABOU. A-ca-bou! Tá difícil entender isso?”

“Mas foi uma briga boba..” disse, chorando.

“Não foi uma, foram várias! Aceita isso, por favor! Eu não sinto mais nada, acabou!” respondeu ele, firme.

“É por causa da Mariana?”

“Você não sabe de nada! Eu cheguei aqui ontem! E eu não via a Mariana há mais de 10 anos!”

“Você tá gostando dela, Lucas?”

“Escuta, isso aqui é um interrogatório?”

“Me responde, Lucas!” disse, colocando-se na frente do garoto.

“Eu não tenho que te dar satisfação de nada! Ou você vai embora dessa fazenda ou eu vou. E o justo é você ir, não acha?”

“Você tá gostando dela....eu te conheço”.

“QUE SE DANE. Sai da minha frente.”

Largou a menina ali, na varanda, nem olhou pra trás.
E saiu andando, a procura de Mariana.

(continua...)

Tainah Ferreira

Razão e coração são como dois irmãos. A razão a irmã mais velha dizendo o que deve ser feito, pode parecer meio chata mas quase sempre acerta. E o coração aquele caçula teimoso, mimado, que faz o que quer e não mede as consequências, sem falar que vivem sempre brigando, difícil entrarem em acordo.

Elaine Maciel

A Morte é a irmã mais velha da melancolia

Marcos Creder

Às vezes uma doença grave pode ser a irmã mais velha da fé.

André Anlub

A mentira é a irmã mais velha da inveja, o Amor é filho único.

Gedália Santos