Cronicas sobre Futebol

Cerca de 126 cronicas sobre Futebol

Sempre os mesmos.

Nesses dias de Copa e pós Copa vendo esse “sambadocriolodoido” que é o futebol brasileiro lembrei da Tânia, namorada nos anos oitenta que não perdia a oportunidade de me lembrar sempre, numa crítica velada e bem-humorada, o grupo dos meus amigos que formavam uma tropa desvairada.
Sempre os mesmos! Criticava ela...sempre os mesmos...
Unidos pelas motocicletas de grande cilindrada, carros potentes, discotecas da moda, Aquarius, Banana Power, Papagaio, Ta Ma Tete, Hipopótamus, Gallery e claro pelo álcool que rolava solto.
A turma do futebol brasileiro é a dos “sempre os mesmos”.
Mesmos técnicos, mesmos dirigentes, mesmos “investidores”, mesmos críticos, locutores e “entendidos” de todo o gênero.
E na política heim? Sempre os mesmíssimos. Quando aparece uma figura nova é dos mesmos que já vinham frequentando o noticiário como ativistas, grevistas, sindicalistas, ladrões e baderneiros em geral.
Sempre os mesmos...Por onde andará a Tânia? Se eu tivesse que adivinhar diria que ela, diferente de mim era a novidadeira, da turma dos “sempre outros”.
Sempre outros cabeleireiros, outras lojas de grife, outras amizades, outros namorados.
Foi nessa que eu dancei. Eu sempre com os mesmos, ela sempre com os outros...Rsss...
Não foi de todo mal!

Marinho Guzman

não é que eu não gosto de futebol, pelo contrário, sou apaixonado por esta arte, o problema é se importar mais com isso do que com educação, saúde e um país melhor.
Será que o país do futebol pode ser também o da educação ? será que ao invés de se preocupar com "6 estrelas" no futebol não poderíamos ser um país "6 estrelas"?

LUCAS GABRIEL

Pão e Circo

A gente não quer só futebol
A gente quer futebol, justiça, educação e saúde
A gente não quer só ganhar
A gente quer ganhar segurança e paz.

A gente não quer só um gol
A gente quer um gol prá balançar a rede
A gente não quer só lançar
A gente quer lançar fora a corrupção.

A gente não quer só ser Hexa
A gente quer ser Hexa sem politicagem.
A gente não quer só a Copa
A gente quer a copa sem malandragem.

A gente não quer só jogada
A gente quer jogado fora o homicídio.
A gente não quer só vencer
A gente quer vencer o infanticídio.

A gente não quer só o circo
Que nos oferecem sem compaixão
A gente quer dignidade
E um emprego prá ganhar o pão.

Angela Natel

ALEMANHA 7X1 BRASIL

Não houve nada de anormal nessa partida de futebol.
Se ponderarmos que a saída de Thiago Silva e Neymar,
serviu somente para mostrar a realidade da qualidade
técnica dos jogadores brasileiros.
Senão vejamos:
Os técnicos dos times adversários do Brasil, nos jogos
anteriores ao da Alemanha, sempre se
preocuparam com as marcações cerradas nos melhores
jogadores brasileiros, não porque eram tão bons assim,
mas, porque eram ágeis e tinha melhor percepção espacial
e posicional dos demais jogadores, e eram bons de passes.
Como sabemos, um time é composto de 11 jogadores.
Então, escalavam de 3 a 4 jogadores para "colarem" em
Neymar e 1 ou 2 para marcação em Thiago Silva.
Portanto, dos onze, um era o goleiro, e seis em marcações
em dois jogadores brasileiros, sobravam apenas 4 jogadores
para levarem a bola até o gol... Praticamente impossível.
Com a ausência de Neymar e Tiago Silva, o técnico alemão
viu que não existia a necessidade de marcações. Portanto,
jogou com 10 jogadores em campo com total liberdade e
fizeram a festa. ( Restou alguma dúvida ? )
Os demais jogadores da seleção brasileira não tiveram culpa,
foram sim mal escalados (convocados ) para o embate da copa.
Periga acontecer o mesmo com a Holanda.
Luis Felipe Scolari, foi sim, e sempre foi, turrão, teimoso, arrogante e
prepotente, dono exclusivo da própria verdade, com a
Imprensa, público e jogadores. Ahh faltou o "mal educado".

Marcos Marques

A arte e os caneludos

No ano de 1970, quando éramos noventa milhões em ação, o futebol do Brasil era mais respeitado. Nas três copas que antecederam a essa tivemos o menino das pernas tortas, que tinha por costume chamar as suas fáceis presas de João. Nesta época todos no planeta nos temiam por termos em campo o rei do futebol e um futebol conhecido como “Futebol Arte”. Era fácil achar craque em qualquer clube, até os pequenos clubes tinham os seus. A camisa dez era temida até entre os peladeiros, pois qualquer boleiro que se metesse a besta em vesti-la teria que mostrar qualidade para isso. O tempo passou e alguns homens que não foram brilhantes no campo quando eram jogadores, e outros que nunca jogaram bola, nem futebol de botão, tomaram o comando do futebol quase de assalto. Passaram a dar palestras e transformaram o futebol num quebra cabeça sem fim. Depois disso tudo mudou, deixamos de ter dois excelentes zagueiros e passamos a ter três, um seria considerado líbero, o que na prática não acaba se configurando pela falta de qualidade dos escolhidos, pois a função de líbero não é para qualquer um. Os laterais viraram alas, agora atacam como doidos e se defendem pessimamente, verdadeiros caronas. A cabeça de área era uma função exercida com brilhantismo por belíssimos jogadores na sua maioria, agora foi substituída por dois brutamontes que só sabem desarmar as jogadas dos adversários, e na maioria das vezes na base das faltas. Os jogadores do meio campo chamados de meia direita e meia esquerda formam riscados do mapa, criaram o meia de ligação, um só homem responsável pela criação, daí a dificuldade de se conseguir um homem de talento até para atuar na seleção, e por fim, sepultaram os pontas esquerda e direta, criando a figura do atacante, quando tem dois, diz que um dos atacantes funciona fixo na área enquanto o outro pelo lado do campo. Eles transformaram de forma cruel o antigo talento numa correria quase louca, jogadores viraram atletas. Daí fica fácil entender à posição intermediária da seleção brasileira no ranking atual da FIFA.

Djalma CMF

PROFESSORES X FUTEBOL

Demétrio Sena, Magé - RJ.

Quando nós, educadores, protestamos pura e simplesmente conta o sucesso financeiro dos atletas, em especial dos jogadores de futebol, depomos contra nós mesmos ao demonstrarmos desprezo pelo talento. Da mesma forma contradizemos nossos discursos contra exclusão; desigualdade; falta de oportunidades para os mais simples.
Aquelas pessoas que neste momento de suas vidas ganham milhões, são quase todas de origem bastante humilde. Filhos de pedreiros, serventes, lavradores, balconistas e afins, todos visionários e atentos aos sinais de que seus filhos têm algo especial: talento. Esses pais atentos apostam; dispõem de todos ou quase todos os seus poucos recursos, até marcarem o gol definitivo, acertando em cheio na grande chance dos filhos. No futuro com que nunca sonharam para si próprios.
Nas salas de aula, falamos quase o tempo inteiro em talento; no entanto, somos elitistas: não aprovamos o talento dessa gente humilde que de uma hora para outra pode ser detentora de uma fortuna que nos dá inveja, sem terem passado por ensino médio, faculdade, às vezes nem mesmo pelo ensino fundamental completo.
Mas esses atletas não chegam lá sem esforço. E muito esforço. Sacrifício. Renúncia. Ainda bem novos deixam famílias, brincadeiras, amigos de infância, e vão trabalhar duro: fazer muitas horas diárias de preparação física, treinos com e sem bolas, educação alimentar e outros cuidados criteriosos com saúde, o que inclui não ter vícios, vida sedentária ou promíscua. Tudo isso, além de aprenderem regras rígidas de convivência. Coleguismo. Ética desportiva. Recolhimento. Meditação. Autocontrole. Respeito por quem está do outro lado. Uma verdadeira universidade que os prepara para viver dignamente, como cidadãos que quase sempre não sabem falar, mas sabem agir. Sabem ser quem são. E quase nunca renegam suas origens.
Temos preconceito desses atletas, porque não foram nossos colegas de faculdade; porque venceram pelo talento sem aprender gramática e raiz quadrada. Porque não foram modelados pela educação formal. Porque ganham mais do que nós, que não percebemos o quanto eles geram em recursos, movimentação financeira, patrocínios de produtos e marcas que eles fazem vender, somados às vendas de ingressos, audiências de rádio, televisão e web, circulação de impressos e influência nas bolsas de valores.
Os milhões que esses jogadores ganham honesta e merecidamente são centavos diante das fortunas dos seus patrocinadores e o sistema que os cerca. Esses, nunca são alvos de nossos protestos, a não ser no aspecto político-partidário, que de nossa parte é sempre questionável: Temos, invariavelmente, uma bandeira partidária que tentamos substituir pela que está no poder.
Quanto ao mais, não conheço nada, além da educação formal, que seja mais educativo do que o esporte. O esporte educa bem mais do que a própria arte, se compararmos o exemplo pessoal obrigatório do esportista com o do artista. O artista, por exemplo, se for sedentário, fumante, promíscuo, viciado em droga ou álcool, continuará artista. O atleta, não. Se ele quiser ser e permanecer atleta, não poderá jamais, ser um exemplo negativo em nenhum destes aspectos. E uma criança ou um adolescente, quando imita uma pessoa que admira, o faz na sua totalidade.
Quem está com o dinheiro do professor na sua conta pessoal não é o jogador de futebol. É o político corrupto deste país, em especial, que desconhece os políticos honestos. Quem nos rouba todos os dias não é o Neymar nem o Thiago Silva. Também não é o jogador de futebol que decide as alíquotas de impostos. Ele pode estar dentro deste sistema, como todos nós que compramos, vendemos e vivemos, mas não é ele quem decide.
Nós, educadores, merecemos ser muito mais valorizados; ter salários muito melhores; ter condições muito mais humanas, dignas e honestas de trabalho, mas nosso grito de basta e de protesto tem que ser por nós. Não contra o outro. Temos que lutar pelo que é nosso, sabedores de que esse tesouro é usurpado pelo poder público e pelos poderes econômicos que mandam neste pais e estão muito acima dos jogadores de futebol. Quero ter mais, sem desejar que nenhum deles tenha menos, pois isto seria possível se os poderes constituídos não estivessem inchados de corrupção e os grandes grupos econômicos não estivessem fechados com os tais poderes.
Porém, se mesmo assim queremos protestar contra os esportes, que tal se fôssemos menos elitistas e voltássemos nossos protestos contra a fórmula 1, o golfe e outros esportes de ricos que sempre foram ricos e cujas riquezas não sabemos de onde vieram?

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Que o Futebol é a paixão nacional disso eu não tenho dúvida. Não tenho dúvida também que o que aconteceu com o Neymar ontem deu uma chacoalhada nos ânimos da brasileirada. Foi um sentimento estranho né? As pessoas colocam um peso tão grande sobre as costas de alguém e um dia essas costas quebram, que coisa, foi até literal. E esse sentimento estranho pode ser também de impunidade, os juízes, aqueles que detêm o poder sobre o jogo fazem o que querem, agem como bem entenderem, enxergam a falta onde não há, e em algumas situações até enxergam, mas se cegam, 'passam a mão na cabeça', distribuem cartões para quem não os merece. Esse 'sentimento estranho' é o reflexo do que acontece com o nosso mundo, a cada momento, em todos os setores em que vivemos, seja no seu trabalho ou no templo que você frequenta, seja na roda de colegas ou até entre sua família. A impunidade está aí, o mundo todo olhando para ela e ela, simplesmente, dando um 'xauzinho' de miss. É possível dizer também que essa 'revolta' que vemos na mídia (a mesma mídia omissa em tantos outros casos), no facebook, nas conversas em nossas casas, poderia ter uma porcentagem destinada a tantos outros exemplos de impunidade que temos visto por aí. Exemplos? Só se informar sobre a debilidade do sistema econômico, a decadência da saúde, a falta de segurança, os adoradores cada vez mais ávidos do jeito Lannister de ser (manipulações, egoísmo, arrogância, sede extrema pelo poder). É a cabeça das pessoas sendo alterada e ninguém está se dando conta disso. As pessoas não têm mais palavra. Elas olham nos seus olhos e mentem descaradamente. Estamos sob o domínio desses juízes. Onde estão os nossos valores? Esquecidos, como o sentimento estranho 24 horas depois.
- Caio Rossan, em 05 de julho de 2013.
‪#‎COPA2014‬ ‪#‎OCAMPEÃOVOLTOU‬ (E vamos pensar mais em outros aspectos, unidos não apenas no futebol. Que o campeão volte e acorde, pra valer!) ‪#‎FORTESENTENDEM‬

Caio Rossan

Há poucos dias eu disse que era hipocrisia tirar foto comendo banana só porque um jogador de futebol rico e famoso foi vitima de uma banana voadora, mas eu mudei de ideia.

Tem muita gente sendo vitima de racismo todo dia e toda hora, não precisa ser no futebol, tem gente sendo humilhada na rua, tem gente perdendo emprego e oportunidades na vida por causa de racismo e eu não vejo tanta revolta nos formadores de opinião, acho que o problema é que essas vitimas do dia a dia do racismo não são famosas e não vão ajudar ninguém a ganhar "Likes". Pra ser sincero, se eu ganhasse o que estes jogadores ganham jogando futebol, eu nem me importaria se jogassem uma bananeira inteira por cada escanteio que eu fosse bater, eu comeria todas as bananas e a bananeira junto!!

Hoje volto pra dizer que tirar foto comendo banana é uma hipocrisia³ (Elevado ao cubo), afinal, se a regra é ser solidário, eu não vi artistas ou "subcelebridades" fazendo gracinha na internet depois de uma mulher, mãe de família, pobre, ter sido assassinada violentamente por uma ignorância imensurável de um grupo de pessoas que simplesmente acharam que ela parecia com a mulher de um retrato falado divulgado pela PM, eu não vi artistas e nem sub celebridades dizendo: "TODOS NÓS JULGAMOS AS PESSOAS SEM CONHECER" eu vi poucas pessoas revoltadas com tanta animalidade, e pra piorar, a pobre coitada não era a tal mulher procurada pela PM.

Estamos em um país que quer mais saúde, educação, segurança e é legitima a busca por estas melhorias...
Estamos em um país que quer trocar COPA DO MUNDO por INFRA-ESTRUTURA e que bom seria se não fosse em muitos casos mais um discurso hipócrita e oportunista de gente que só sabe repetir igual papagaio o que ouve por ai, é um discurso sem força, que se perde em poucos dias, INFELIZMENTE, como eu queria que isso fosse 365 dias por ano, como eu gostaria que isso realmente fizesse parte de uma ideologia da massa.
Mas afinal, onde esta a coerência? neste mesmo país "os formadores de opinião" se revoltam mais com uma banana jogada na direção de um jogador de futebol a se revoltarem com um um ato que juntou crueldade, violência, maldade, equivoco...

Eu fico imaginando se essa banana tivesse acertado o tal jogador, teríamos muitas pessoas por aqui fazendo discurso contra a violência, afinal, em um jogador da "Seleção Brasileira de Futebol" não se bate nem com uma rosa e muito menos com uma banana.

Em que mundo estamos? todo mundo é macaco mas ninguém é "humano"?

William Carvalho

Os olhos do palco

Confesso sem muito tardar que sempre fui um fã assíduo do ímpar futebol argentino, sobretudo do clássico de Buenos Aires que comporta a dupla inexorável Boca Juniors e River Plate. Pude ao longo de minha puerícia ver jogadores como: Batistuta, Riquelme, Caniggia, Sorín, Sallas, Ortega : todos os excepcionais subirem na grama aura dos estádios que protagonizavam escritas de Borges e Sábato.

Dito isso e tendo assistido tantos personagens impecáveis escreverem essa história, é de causar uma lamúria ensurdecedora ao analisar o que Boca e River hoje são. No primeiro jogo da semifinal da Copa sul-americana assisti a uma partida apática tecnicamente, somítica taticamente: me deparei com o horror que não faz jus ao passado dessas duas camisas. Houve naquela quinta-feira uma espécie de silêncio fantasmagórico de minha parte. Tomei a decisão de não mais ligar a TV, mas sim o computador a fim de reviver os bons tempos de Boca x River. Afinal, exercer isso é fazer menção ao grande Ernesto Sábato: "Eu escrevo, porque senão estaria morto, para procurar o sentimento da existência". É isso.

danielmuzitano

No país da bola, política funciona como futebol. O importante é defender seu time.
Quem vota no “Partido A” não cobra nada dele. Se estiver roubando, "Mas o “Partido B” roubava". Se estiver matado; "É mentira!". Se estiver soltado o político corrupto, "Mas ele é inocente". Se comprou voto, “É intriga da oposição”. Se manipulou, “É teoria da conspiração”. Virou religião. Falam tanto dos evangélicos na eleição, mas são mais fiei do que o Malafaia.

Ton Gadioli

O lôbrego futebol brasileiro

O futebol somítico configurado neste país, deixa intuitivo não tão somente a realidade do mesmo, como também o modo cujo são tratadas as pautas. Robinho que estava desprezado em meio à crise do futebol italiano. Aqui, é de todo roborado. Elias, volante importante na campanha do Flamengo, e peça fundamental no esquema do Corinthians. Nada conseguiu senão a reserva no futebol português.

Especificidades táticas já ultrapassadas no continente europeu, sequer tiveram primícia aqui. Me refiro ao camisa 5 fazendo o papel do 10 clássico; modo cujo Zidane e Pirlo passaram a atuar há pelo menos uma década. Podemos fazer menção também aos pontas canhotos que jogam pela direita. Ou pontas destros, pela esquerda; ambos visando o drible para o meio rumando para o gol, seja à base do cruzamento. Seja, finalizando. Não se trata apenas das más gestões adotadas pelas confederações e pelos clubes. O problema também pode ser atribuído a sornice dos treinadores que não buscam aprofundar seu enriquecimento tático.

Adenor Leonardo Bachi, o Tite, talvez seja uma das raríssimas exceções a essa execrável regra da negligência. O mesmo tem feito viagens para conhecer modelos táticos de clubes de ponta na Europa. Algo que convenhamos, deveria ser obrigação de cada treinador. Mas ai afloram os problemas: Calendário, o número de torneios, e etc, etc; dificuldades que de fato existem, entretanto, não podem servir de desculpa. Enquanto quem estiver à frente pensar o futebol como instrumento para acordos e interesses pessoais, a realidade tende assim a se perpetuar. Talvez o maior problema esteja no fato do Brasil ser o país que não comporta a palavra experiência, afinal, já dizia Oscar Wilde: "A experiência é o nome que damos aos nossos erros".

danielmuzitano

Alex, a alma eterna de um dez

O futebol sentirá saudades das redações ao brilho digno da maestria, Alex nos deixou com lances inenarráveis e um olhar ímpar que fez do tempo a mais bela era do pranto. O meia fora, por assim dizer, o conluio que o futebol comportou numa reunião de brilho. Quem ouviu alguma vez um narrador de rádio declamar as poesias do jogador mediante seus pés, teve a certeza que a imaginação - como promulgava o escritor Baudelaire - era sim parente de um infinito dentro do palco cujo o craque nos benzeu.

Seus dribles e suas assistências, sua aplicação e o seu talento, merecem sim uma homenagem de um silêncio que em nossas mentes jamais dormirá. Alex, uma estátua que corre chorando, um verso que dribla o porém, um além que outorga o espaço. Nosso muito obrigado por construir um livro de boas lembranças, e nos trazer um retrato de boas esperanças, para que um dia possamos vê-lo nascer de novo. Alex, a alma eterna de um dez.

danielmuzitano

O que é? O que é?
Uma coisa que só no Brasil se faz?
Quem pensou em samba, não é
Nem futebol, nem café…
Responda-me quem for capaz
Agora vou dar uma resposta sagaz
Ora, o que só no Brasil se faz
É claro que são os brasileiros
Pois em nenhum lugar do estrangeiro
Mesmo com muito dinheiro
Um brasileiro se faz
Mas como se faz um brasileiro?
Mais uma pergunta tenaz
Alguém tem alguma receita
Ou uma vaga suspeita de, enfim, como se faz?
Vou tentar dar o meu pitaco:
Cuíca, sanfona, cavaco
Um pouco de balacobaco
Inda assim não se faz
É preciso misturar as cores:
Branco, preto, amarelo
Todo tipo de cabelo
E uma teimosia pertinaz
Mesmo assim um brasileiro
Não é só assim que se faz
Tem que ter algo além
Um pouco de pimenta cai bem
Ou um tempero mais audaz
Um “mexe- mexe” demais
Aí não tem pra ninguém
Boa dose de alegria, bom humor, simpatia
Mas, todavia, porém
Inda assim não se faz
Creio que pra se fazer um brasileiro
O verdadeiro, daqueles que só no Brasil se faz
Nem precisa ser cozinheiro
É só misturar o mundo inteiro
Numa grande receita de paz

Frederico Amitrano

“O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais.”.

Romário. Ex-jogador de futebol. Deputado Federal

A canhota para destros

Um gol perdido pelo capricho da perna destra pode ser um desastre cômico, mesmo para aqueles que possuem total concentração no pé direito. Driblar com a perna direita, trazendo pra dentro, arriscando um arremate com a mesma pode não parecer, mas é inviável - salvo por exceções. Mesmo assim o momento nos força a acreditar que é chutando de canhota que as coisas se complicam. E o risco de, numa situação dessas, bater com a destra, é uma “trivela inversa” - sei que o termo produz uma imagem desengonçada - que, pelo desequilíbrio induzido pelo curso livre da bola, após uma matada ou percurso indefinido, não chega a ser chute mascado ou espirrado, e vou comparar com uma desculpa da sinuca: faltou giz no taco. Como diria um conhecido narrador esportivo em seu comentário: "que beleza!"

Jogar com as duas pernas pode parecer um paradoxo. O jogador cresceu chutando com aquela perna direita, com a qual se sentiu mais à vontade para bater no gol, driblar, tomar a bola do adversário, fazer um passe. Criou uma perna viciada e, em momentos, descontrolada e alienada, egoísta; e com uma personalidade forte mas, nem por isso, livre do castigo da desatenção, que leva ao erro. Porque, ao passar do tempo é como se não lhe fosse permitido atuar com as duas, ou então, uma proeza para os craques (como muito se fala, para não dizer para poucos), ou mesmo que não sejam considerados craques, para pessoas que nasceram com uma habilidade especial, um dom: ser ambidestro. Criou-se um mito em torno do ambidestro, na proporção “8 ou 80”, que permeia o imaginário futebolístico. Por isso, esquece-se com frequência da natureza da perna esquerda; ela é preterida, mas pode ser tão surpreendentemente extraordinária e potente na mesma medida, que pode até apresentar um resultado superior ao comumente obtido pela destra. Fato que faz com que nem mesmo o autor do chute acredite no feito.

Embora nos apeguemos à simetria, ou seja, uma perna “igual” à outra, - pelo menos aparente, poupe-me da necessidade dos detalhes - de forma oposta, não há como negar que possuem mentalidades diferentes (ou pelo menos é a hipótese que sugiro - estranhas uma à outra). Quem nunca experimentou escrever com a mão esquerda, ou até mesmo, viu-se forçado a isso por alguma circunstância do destino ou do acaso? Em um primeiro momento é uma sensação desconfortante, comparável a andar em um ambiente escuro, desconhecido. Parece tudo ao contrário, se desenvolve para o outro lado, a caligrafia por mais que se tente com esmero, não se compara à escrita destra - atente que meu ponto de vista é o de um destro. Portanto, praticar a escrita com a mão esquerda é algo que se faz quando não se tem o que fazer (em situações muito isoladas, e é uma prática que ao passar do tempo é deixada de lado na medida em que o sujeito amadurece). E, em situações que exigem alta concentração, praticidade, agilidade e excelência, não é a esquerda que entra em ação, é a destra. E a perna canhota, partindo desta análise subjetiva dos membros superiores, pelo histórico do jogador de estar habituado a bater de direita, passa despercebida, esquecida. É como se o jogador, em seu imaginário, acreditasse que não há opção, se não bater de direita. Para o destro nato, bater de canhota não chega a ser considerada nem como última alternativa na maioria dos casos.

Por fim, a favor da canhota, há de se ressaltar o seguinte: imprevisibilidade. Aquele que ousa chutar com as duas pernas, entendendo a maneira como os pés buscam estratégias para bater na bola, torna difícil a reação do adversário quando esse exerce marcação, que tende, inconscientemente, a focá-la prevendo o chute com uma das pernas (a destra). Você já ouviu aquele ditado: Ele não sabia que era impossível, foi lá e fez. Pois, transpondo para o nosso texto, num “insight” futebolístico (me permito escrever): ele não sabia que era possível bater de canhota, foi lá e (não só bateu) fez um golaço.

Robinson Klaesius

Brasil

Doente? Eu é que sou doente?

Vivo em um país onde um joguinho é mais importante que a educação
Onde todos dias pessoas morrem em baixo de pontes com frio e fome
País onde a fome impera e a justiça não combate mais as facções
Moro em um país onde funk é considerado cultura,
Convivo com pessoas que ao invés de participarem de grupos como teatro, música, literatura preferem fazer parte de bondes
É lamentável o nível de alienação que o povo chegou
Vergonhoso, sem duvidas
As cirurgias pelo SUS são marcadas para depois que as pessoas estão em baixo da terra
O brinquedo das crianças é pular nos esgotos que correm no céu aberto
A unica alegria dos anciãos é quando chega o fim dos meses pegarem seu dinheiro que não dá nem para pagar um alimento digno
Toda hora pessoas inocentes são presas, torturadas e bandidos circulam livremente nas ruas
Passa ano, muda governo e tudo continua igual isto é, quando não piora
O sustento de crianças de 13 anos de idade é vender drogas nas esquinas ou até seus próprios corpos.
Depois da meia noite somos presidiários dentro de nossas próprios condomínios ou casas porque certamente estar após esse horário nas ruas é pedir para ser assaltado ou morto
Tem dias que esperamos mais de 1 hora nos terminais de metros e quando chegam, vem super lotados transportando o dobro, o triplo do permitido
Enquanto existem pessoas que gastam 700, 800 reais em um tênis, a outras que trabalham um mês inteiro para ganharem essa quantia e sustentarem suas famílias
E o governo ainda vem falar em igualdade social. Me pergunto é isso que se chama igualdade?
Ultimas noticias governo diz que a escola é muito mais um lugar de socialidade do que aprendizagem... sempre pensei que para se socializar existiam clubes, amigos, parques, mas não a escola virou um centro de sociabilidade e realmente com o incentivo que os professores recebem daqui a uns anos essa vai ser a unica função da escola do pobre.

Sale Rabagi

Há brasileiros morrendo na construção de estádios, para que empresários bem sucedidos recebam dinheiro, gerado pelos que pagarão para ver jogos de futebol, na Copa do Mundo.

Que bom se a família desses brasileiros mortos recebessem uma comissão gerada pelos que vão gastar dinheiro na Copa!

José Guimarães

Driblou, bateu,
É Gol?
Não, não é gol!
Apenas bateu

Aliás, não bateu,
Estão batendo
Mas quem Bate?!
E quem apanha?!

Na realidade, bate o fraco
Apanha o forte
Quem é fraco?
Quem é forte?

Quem pensa ser Fraco é forte
Quem pensa ser Forte é fraco
O grande que pensa ser forte
Realmente é o fraco

O pequeno que pensa ser fraco
Não é fraco não
Pois é mais que milhão
Pense nisso multidão

Uma única sugestão
Sendo fraco ou forte
Pequeno ou grande
Vence a UNIÃO

Captou MULTIDÃO??

Marcelo B. Moretti

EU TE ODEIO
Autoria: Seres Humanos

Eu te odeio sem saber o que você faz e sem saber quem você é.
Eu te odeio, sem ao menos saber o teu nome.
Eu te odeio porque você não pensa como eu, não gosta das mesmas coisas que eu gosto e não ama quem eu amo.
Eu te odeio porque seus objetivos e sonhos não são os mesmos que os meus. Você valoriza o que eu desvalorizo e cultua deuses que eu não cultuo; por isso 'tenho que' te odiar.

Te odeio porque não temos a mesma cor, a mesma idade, a mesma altura.
Te odeio porque seu peso é diferente do meu, o 'padrão' diz que você é 'feio' e a propósito... sua aparência não me agrada.
Te odeio porque você tem mais dinheiro e bens, e não acho isso justo!... mesmo que você tenha conquistado com trabalho e honestidade. Mas também odeio quem tem menos do que eu, pois sinto que não são 'dignos' da minha atenção.
Eu te odeio porque não ouvimos as mesmas músicas.
O teu sotaque também me irrita.

Você torce por pessoas que eu não torço e grita por nomes que jamais sairiam da minha boca.

Te odeio assim, gratuitamente.
Simplesmente porque somos diferentes.

Dentro e fora dos estádios: eu te odeio.

Tainah Ferreira

Esse povo é estranho. Horas atrás estavam vestidos de verde e amarelo dos pés a cabeça, beijando bandeiras e usando o hino nacional como toque de celular. Bastou essa lavada de gols do time adversário pro amor se transformar em ódio e pra Copa ser uma grande perda de tempo. O 'grande evento' se tornou nada mais que uma indústria de lavagem de dinheiro. Os dias de folga para assistir os jogos se tornaram sinônimo de vagabundagem. E nossos 'heróis' viraram um bando de manés que são muito bem pagos (com salários milionários diga-se de passagem) e por isso tem a obrigação financeira, moral, cívica e psicológica de não nos deixar sofrer. As imagens postadas de otimismo brasileiro rapidamente se converteram em hospitais lotados, enchentes e podridão política.
A Copa ficou chata, nosso futebol virou o pior do universo. 'São Júlio César' virou capeta.

Ah vá.
Povo estranho.

Serei brasileira, torcedora da Seleção, ganhando ou não. Continuarei achando a Copa um grande evento e me sentindo feliz por ver o empenho de tanta gente esforçada pra fazer bonito pro mundo afora. Me diverti demais e nada foi desperdiçado. É um jogo, alguém vai perder. Uma pena que dessa vez fomos nós.

A vida segue.

Tainah Ferreira