Crônicas para Crianças

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"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música
não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes". ALMA!!

Saulo Couto

Em meio à toda essa polêmica, tive vontade de escrever...como nos velhos tempos.
Então me dei conta de que embora tenha uma opinião fundamentada sobre o tema, não entendo a essência dos dois lados.
E sobre isso, vejo-me como o pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, achando todas essas discussões de adultos, em pleno século 21, um tanto “engraçadas”.

Então pergunto-lhes:

Sobre cotas...
O que difere um aluno negro, de uma escola pública de ensino precário, de um branco em iguais condições. E se a explicação é uma dívida história social ou até mesmo as “estatísticas de mercado”, por que não temos cotas para mulheres?

Ainda sobre racismo...
-Por que não é sequer considerado ofensa chamar um branco de branco e fazer brincadeiras sobre a cor dele , enquanto é crime chamar um negro de negro, como se fosse algum tipo de ofensa/humilhação?
-Por que é racismo ter preferência por brancos (as) e “valorização da raça” preferência por negros(as)?
-Por que temos que ter consciência da quantidade de melanina que temos, e separar as provas, se somos iguais?

Pergunto pois não entendo, e acho que as crianças também não entendem...
E eu, gente grande que me tornei, torço para que meu sobrinho de 8 anos nunca “aprenda” que a cor dele o torna diferente de alguém.
Talvez solucionássemos essa segregação se fossemos um pouco menos “adultos”, e não levássemos para o futuro, o passado de escravidão que não vivemos.


"Todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucas se lembram disso.(O Pequeno Príncipe)"

Raysa Lima

Sorrir sempre e muito
ganhar o respeito de pessoas inteligentes
e o afeto das crianças;

saber apreciar as críticas honestas
e enfrentar a traição de falsos amigos;

apreciar a beleza
encontrar o melhor nos outros;

deixar o mundo um pouco melhor
seja através de uma criança feliz,
de um jardim cuidado
de uma sociedade melhor;

saber que pelo menos uma vida respirou melhor
por sua causa.

Isso é ter tido sucesso"
(Ralph Waldo Emerson)

Ralph Waldo Emerson

“Espírito Natalino”

“Houhouhou...
É véspera de natal, as crianças despertam mais cedo
para desfrutar do momento que ainda está por vir.

A manhã se cala diante da natureza encantadora dos pequeninos.
Sua sutil inteligência age conforme seus sonhos, como
Papai Noel, desequilibrando os corações na busca de
um novo acontecer.

Os avôs observam atentamente o percurso dos tão aclamados, sentem a saudade bater a porta.
Relembram com orgulho seu passado...

Os pais vêem a hora chegar, quando então!!!
no sublime instante...
As lágrimas caem, como um riacho de felicidade.

A voz dos pequeninos soam profundamente, como
um piano a tocar, ao mesmo tempo destroem com seus
gritos ensurdecedores quando notam a presença do senhor
de barba branca entrar.

A lareira se esconde com tantos presentes, dando espaço
para o aconchego familiar.
São os gestos mágicos natalinos, indo de encontro com o
toque diferenciado, coberto de esperança, de amor.

Mas no final daquela noite a surpresa...
Um pequenino deslumbra a irradiante comoção.
Ele, olha com seus olhos singelos nos olhos vivos da
vida dos avôs e diz:

- Feliz Natal...”

Roberto dos Anjos

Um certo dia um homem foi em uma escola falar de DEUS. Chegando lá perguntou se as crianças conheciam a Deus, e elas responderam que sim. Continuou a perguntar e elas disseram que Deus é o nosso pai, que ele fez o mar, a terra e tudo que está nela, que nos fez como filhos Dele, etc. E o homem se impressionou com a resposta dos alunos e foi mais longe: “Como vocês sabem que Deus existe, se nunca ninguém O viu?”
A sala ficou toda em silêncio, mas Pedro, um menino muito tímido, levantou as mãozinhas e disse: “A minha mãe me disse que Deus é como o açúcar no meu café com leite que ela faz todas as manhãs. Eu não vejo o açúcar que está dentro da caneca no meio do café com leite, mas se não colocá-lo , fica sem sabor. Deus existe, e está sempre no meio de nós, só que não O vemos; mas se Ele sair de perto, nossa vida fica sem sabor...” O homem sorriu e disse: “Muito bem Pedro, eu agora sei que Deus é o nosso açúcar e que está todos os dias adoçando a nossa vida...” Deu a bênção e foi embora da escola surpreso com a resposta daquela criança. Deus quer tornar a nossa vida muito abençoada, mas para que isso aconteça é necessário deixarmos que Deus faça milagres e uma grande transformação em nosso coração. Pense nisso, hoje e não esqueça de colocar "AÇÚCAR" em sua vida!

Charlesk

Lembra de quando eramos crianças, e não nos importávamos se nosso cabelo estava bonito, se nossa roupa estava limpa, se alguém iria pensar que você é louca. Eu gostava daquele tempo, as coisas eram mais fáceis, o mundo era perfeito aos meus olhos. Eu acreditava que um homem distribuia presentes para todas as crianças do mundo, em apenas uma noite. E também acreditava que existia, em algum lugar por ai, um coelho que fazia ovos de chocolate. Eu acreditava que em baixo na minha cama, existiam perversos monstros, e que escondido no meu guarda-roupa estava o pior deles. Eu lembro, que se eu fechasse os olhos eu poderia ir a Marte conversar com alguns alienígenas, ou então seria uma super-heróina, como nos desenhos do Super-Man. Eu podia ser quem eu quisesse, o presidente, o superman ou a mulher maravilha, eu podia ser a dona do Mundo e também da loja de doce do shopping. Hoje já me falaram que Papai Noel era apenas uma historia, que quem faz os ovos de chocolate é uma fábrica, que em baixo na minha cama, tem apenas sujeira, e no meu guarda-roupa, roupas, hoje minha imaginação é controlada, eu não voo mais nem vou a Marte, eu aprendi que pra tudo tem que ter dinheiro, pra ser presidente precisa de uma campanha, pra ser a dona do mundo preciso ter o triplo do dinheiro que o Bil Gates tem, e pra ser dona da loja de doce preciso de um financiamento. Antes tudo era mais fácil, mais bonito e divertido.
Sabe, eu sinto saudade de ser criança...

Carolina Langaro Silva

A REVOLTA DO LIXO

(Uma historinha para crianças de 0 a 100 anos)

Uma caixinha de leite condensado já devidamente vazia foi atirada no quintal por Dona Carmem, porque ela estava na varanda preparando um bolo; apressada e desatenta não viu a lixeira por perto. Uma chuva um pouco mais forte logo levou a caixa, que foi parar num córrego pertinho dali. Dona Carmem, que não é de fazer lambança, logo depois da chuva deu por si e foi procurar a embalagem. Não a encontrou, mas também não deu muita importância, porque afinal, era só uma caixinha.
Quando chegou ao córrego, a caixinha deu de cara com um jornal. Fez amizade com ele. Sem demora, um carrinho de madeira que estava logo ao lado se aproximou. Resmungão como ele só, reclamou do mundo e da vida e disse poucas e boas do menino que o desprezou. Pensava, inclusive, numa forma de se vingar, mesmo sendo apenas um brinquedo inutilizado pela falta de peças e por algumas partes quebradas.
Mas ali não havia somente caixa, jornal e carrinho. Além de muitas outras embalagens, impressos e brinquedos, também havia latas, vidros, plásticos, sacolas, garrafas pet, ferro, madeira... Uma infinidade de sucatas que lambões de todas as classes, idades, etnias e religiões atiraram nas ruas, nos quintais e pátios públicos. Isto sem contar com os não lambões, como Dona Carmem, que acabaram deixando a desejar, por causa da pressa e a desatenção que resultou dela.
Foi aí que aconteceu uma coisa inusitada: Toda aquela lixaria, que poderia ter tido sina mais digna, em muitos casos sendo reciclada e voltando a ser algo importante, resolveu se vingar dos cidadãos daquela cidade: Uniu-se à primeira chuva intensa e forte que não demorou a chegar, para punir a todos, até os que não tinham culpa, com uma enchente de proporções catastróficas! O evento gerou muitos danos, encheu as ruas de lama, ratos e doenças, e deixou centenas de pessoas desabrigadas!
O que não se sabe até o presente momento é se aquele povo aprendeu a lição ou se continua deseducado. Gente, desde que o mundo é mundo, é mesmo assim: Demora muito a aprender que a vida é um bem precioso e que ela depende muito do nosso amor por nós próprios e pelo ambiente que nos cerca.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

Sou a floresta e o rio preso naquela pintura,
Sou a parede branca suja por crianças,
Sou o hotel das pessoas de ontem,
Sou a música, sou a alma, tenho alma
[E um lápis
Sou um profeta do futuro,
Sou a casa da vizinha, você olha, mas não quer ver,
Sou a luz acesa, mas às vezes apago,
Sou o vaso quebrado e jogado e colado,
Sou da cor do céu, mas meu humor define qual tom,
Sou a poesia sem poeta,
Sou o cheiro que não senti da flor,
Sou intenção, me inventei e agora sou.

Jerry Dias

Por todos os depressivos do mundo
Por todas as crianças pobres e esfomeadas
Por todos os negros e humilhados
Por todos os animais e crianças abandonadas
Por todo tipo de agressão verbal e física proposital
Por todo sofredor que sofre por si e pela dor alheia
Mas, principalmente, por todos os amores impossíveis.

Sabrina Niehues

Conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. Por que a Lua é redonda? (...) "Como é que você queria que a Lua fosse, quadrada?" As crianças logo reconhecem que esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o interesse pela ciência. Porque os adultos têm de fingir onisciência diante de crianças de seis anos é algo que nunca vou compreender. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? A nossa auto-estima é assim tão frágil?
(do livro 'O mundo assombrado pelos demônios')

Carl Sagan

Crianças não tem preconceito elas são inteligentes de mais para isso.

Crianças não estão nem aí se você é branco,negro,verde,marrom,pardo,azul...
elas só querem brincar e se divertir...

pena que quando alguns crescem vão na ignorância dos outros e acabam tendo qualquer tipo de preconceito... racial ou até mesmo visual...

se você concorda com isso, essa comunidade é pra você!

sabrina

ESCOLA POSSÍVEL

Vinda de uma instituição aberta para receber crianças, jovens e adultos necessitados de apoio e de autoconfiança para descobrir seus talentos, a escola que estamos construindo não é mera transmissora de informações. O Programa Escola da Família - que abre a unidade escolar todos os fins de semana para a comunidade e que completou dois anos - surgiu para mostrar que isso é possível. Já se podem verificar alterações expressivas na comunidade escolar e, por extensão, na sociedade. Dentre elas, a redução da evasão escolar no estado de São Paulo: da 1 à 4 série - Ciclo I do Ensino Fundamental - 0,7%, o índice mais baixo do Brasil; o número de adolescentes e adultos que freqüenta o Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) que, no Ensino Médio, passou de 30 mil alunos, em 1995, para 481 mil, em 2005. A qualidade da educação, como um todo, tem recebido pareceres muito favoráveis. É o que mostram os resultados do Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb) e do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp). Para além da educação, os índices de violência registrados nas escolas e vizinhanças caíram em até 81%. Acreditamos que devemos tudo isso à apreensão do conceito de pertencimento por parte da população. Em outras palavras: a escola é da comunidade e a comunidade tem de se apropriar dela. E é essencial que todos caminhem nessa direção: pais, professores, diretores, funcionários, voluntários, jovens universitários que têm a possibilidade de estudar, como bolsistas, e trabalhar como monitores do programa. É desse modo que a educação dá a sua resposta à crise de valores que enfrentamos. Não pode ser diferente quando há o respaldo de um governante que elege a educação como prioridade - o que exige muito mais recursos do que discursos.


Publicado no jornal O Globo

Gabriel Chalita

PROFESSOR EDUCADOR

É comum, no período que antecede o início das aulas, terem as crianças uma certa expectativa, um certo desejo, antecipando o que será a escola. Têm, as crianças, a tendência de gostar do professor. É o gosto da novidade, do que não conhecem - é a aventura do aprendizado.
Começam as aulas e algumas expectativas são superadas, outras frustradas. Alguns encontros se revelam marcantes, outros nem tanto. Há alunos que voltam para casa, dos primeiros dias de aula, desejosos de narrar aos pais cada detalhe de seus professores.
Em uma leve viagem ao passado, todos rapidamente nos lembramos de alguns professores. Por que desses e não de outros? Porque alguns marcam mais. E é desses professores que a pessoa se lembrará, ao longo da vida.
Infelizmente, muitos professores se convertem em burocratas da escola. Estão ali exercendo a profissão de estar ali. E nada mais. Sem perfume nem sabor. Sem encontro nem encanto. Apenas ali, munidos de um programa determinado, e sequiosos do fim, já no começo. Tristes mulheres e homens que embarcam na profissão errada e lá permanecem aguardando a miúda aposentadoria. Não são maus. Apenas não são educadores.
Há aqueles que educam desde os primeiros raios da aprendizagem. Preparam-se para a celebração do saber e do sabor - palavras com a mesma origem. Lançam redes em busca de curiosidades, surpreendem e permitem surpreender; ensinam e aprendem com a mesma tenacidade. Estão ali, em uma sala de aula, desnudos de arrogância e ávidos de vida. Não temem a inquietação das crianças e dos jovens. Não negligenciam o conteúdo, mas valorizam os gestos. Gestos - é disso que mais nos lembramos dos nossos mestres que passaram. E que permaneceram.
Lembro-me de alguns, como a Ana Maria, professora de história, que nos instigava a estudar antes da aula o tema que seria trabalhado. Quando chegava a aula, ela propositadamente errava, e nós a corrigíamos. Era um jogo, uma didática simples que empregava. Eu chegava a sonhar com aquelas aulas. Ela despertava o gosto pela pesquisa e destravava os mais tímidos. Todo mundo queria corrigir a professora.

Talvez um exercício interessante para o professor seja o das lembranças. Lembrar, de quando era aluno, daqueles professores que eram educadores, e de repente ter a humildade de imitá-los ou até reinventá-los.
E não há tempo nem idade para fazer diferente. É só ter uma característica que Paulo Freire considerava importante para toda a gente mas essencial para quem educava: gostar de viver.
Quem gosta de viver não tem preguiça de reinventar, nem medo de ousar. Quem gosta de viver não tem medo de ternura, da gentileza, do amor.
Quem gosta de viver, educa!



Revista Profissão Mestre, março de 2007

Gabriel Chalita

O resgate da cidadania


Resgatar o conceito de cidadania nas crianças e adolescentes brasileiros é um desafio e, por isso mesmo, o principal objetivo do programa Mutirão da Cidadania - lançado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. O objetivo é trazer à tona o sentimento de nação, de civismo, de solidariedade, de união e de amor aos valores dignificantes que têm sido cada vez menos apreendidos pelas novas gerações. O Mutirão será composto por diversas ações que visam ampliar nos estudantes da rede estadual de ensino a compreensão sobre questões essenciais à sua formação pessoal e profissional. A ética, a nobreza de caráter, o espírito de equipe, o respeito ao próximo e às suas diferenças de gênero, raça, credo e classe social, a preservação do meio ambiente - a começar pelo cuidado e valorização do espaço da própria escola -, o incentivo ao voluntariado e os estudos dos símbolos nacionais constituem as bases principais do programa. Uma das medidas que adotadas para a conquista desses objetivos é o hasteamento da Bandeira e a execução do Hino Nacional nas unidades de ensino, todas as segundas-feiras. A idéia é estimular a criação de espaços voltados ao resgate de valores ligados à vivência da cidadania, ao mesmo tempo em que a utilização da linguagem musical é otimizada como forma de expressão, comunicação e convivência. O programa será desenvolvido por meio de parcerias com as secretarias da Justiça, da Cultura, do Meio Ambiente e da Juventude, Esporte e Lazer, além de instituições como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Procon e o Faça Parte. Juntas, essas entidades trabalharão a consciência cidadã dos alunos, incentivando a participação ativa dos jovens tanto na escola quanto na comunidade. Elas fornecerão orientações sobre a formação e administração de grêmios estudantis, a realização da coleta seletiva de lixo nas escolas - ressaltando a importância dessa ação para o ecossistema -, a criação de Bandas da Juventude nos estabelecimentos de ensino, a conscientização dos direitos e deveres do consumidor e o estímulo ao voluntariado, que se constituirá em exercício efetivo de solidariedade. Acreditamos que a prática dessas ações será fundamental para a formação de cidadãos críticos que possam ocupar, definitivamente, um lugar de destaque nos cenários político, econômico, social e cultural do Brasil. Vivemos numa sociedade mutante, diversa e repleta de peculiaridades. Independentemente disso, o mundo todo atravessa um período de mudanças radicais que alteram o comportamento das pessoas provocando fenômenos sem precedentes na história da humanidade. Basta lembrarmos o quanto a família se modificou adquirindo novos modelos de estruturação - o que não quer dizer que está mais presente na vida das crianças e jovens. Ao contrário, paralelo às mudanças na estrutura familiar, o mercado de trabalho tem exigido cada vez mais de todos, tornando o tempo que os pais dedicam aos filhos mais escasso quantitativa e qualitativamente. A carência afetiva é a porta de entrada para o recebimento de influências negativas do meio e da mídia - essas últimas por meio da exposição exagerada à televisão e ao computador, sem nenhum critério seletivo. O resultado desse processo é evidente quando observamos a inversão de valores fundamentais à vida em sociedade, favorecendo o consumismo exacerbado, o culto exagerado ao corpo, da superficialidade das relações e a ascensão acelerada da violência e das drogas. Com isso, o papel da escola hoje é muito mais amplo e complexo do que há algumas décadas. Cabe a ela não só ensinar, mas auxiliar a formar o cidadão. Outro fator importante de mudança está na universalização do ensino, que trouxe aos bancos escolares pessoas extremamente diferentes, muitas vezes provenientes de famílias desestruturadas e/ou com situação econômica precária. Essas crianças, até há pouco tempo excluídas do ambiente educacional, necessitam de cuidados e atenções redobradas dos professores. Com a política da escola pública para todos, a rede oficial precisou reestruturar a proposta pedagógica para acolher os mais variados perfis estudantis. Nesse sentido, O Mutirão de Cidadania é uma ferramenta mais do que importante para garantir aos alunos uma formação mais adequada aos desafios impostos pelo século XXI. Machado de Assis, o grande mestre da literatura brasileira, nos forneceu um alento para as adversidades quando disse: "Defeitos não fazem mal, quando há vontade e poder de os corrigir." Se depender de nossa vontade e de nosso esforço, a educação conseguirá, sim, cumprir sua função: ser a bússola para mostrar um norte, um caminho seguro em direção ao futuro.


Publicado no Diário do Grande ABC

Gabriel Chalita

AfricaFome

O amanhã era ontem
e os corpos das crianças,
inertes flácidos,
onde o riso era ricto
e a fome
brinquedo para o estomago
diziam-nos,
calados,
o amanhã era ontem.
E nem o sol de África,
aquele sol escaldante
aquecia seus corpos,
frios,
negros,
na sua pele cinzenta
esticada pelo ossos
que lhe davam forma.
Seus olhos,
olhos de criança,
abertos,
excessivamente abertos
pela fome
gritavam-nos,
mudos,
acusativos,
Nós,
somos o ontem de amanhã,
o presente sem futuro,
E lentamente se acabavam.
O amanhã era ontem

José Marques

E ainda, as crianças q escapam dessas e outras violencias ainda q na alma, crescem e hj sao adultos q se culpam e se culpam e muitas vezes repetem, mesmo q sem querer consigo mesmo, com outras pessoas e as vezes com seus filhos essa mesma crueldade.. o q é pior.

Preciso é se render a graça salvadora e redentora de Cristo Jesus e ao seu amor q tem poder p nos ajudar e curar profundamente.

Belkis Braz

Crianças são pequenos seres a desafiarem
As grandezas por suas complexidades.
Esses pequenos seres colocam pedras nos caminhos
Para ensinarem adultos a caminhar.
Enfrentam todos os tipos de desentendimentos.
Pois, adultos deviam olhar com olhos diferentes,
E terem percepções para formar e entender
Mentes diferentes e não corpos de cavalos de corrida.

amauri valim

É difícil entender a vida. Quando somos crianças queremos é crescer logo, ser independentes, não dever satisfações a ninguém, mas todo mundo nos diz que temos que aproveitar enquanto somos crianças. Porém ninguém nos diz porque, ninguém nos explica que é difícil ter responsabilidades e o quanto é chato ter que se sustentar e se responsabilizar por seus atos.
O importante é aproveitar o hoje, se entregar ao agora. Sem saudosismos pelo que foi vivido e sem ficar pensando em como teria sido se tivesse sido diferente. Entenda que nada é por um acaso e que aconteceu na sua vida exatamente o que deveria acontecer. Agradeça por cada dia que lhe é dado e o aproveite. Há apenas uma vida e apenas uma chance de fazer acontecer.

Flavia Lopes

Rostinho travesso, sorrisos largos e sinceros, olhar de esperança.
Crianças deveriam ser assim, sempre e em qualquer lugar!
Do pouco que lembro, minha infância foi meramente maravilhosa!
Gostaria de voltar à essa época, se pudesse.
Sem problemas, sem responsbilidades, sem preocupações...
Era uma vida de gargalhadas, aprendizado e muita "festa".
É uma pena não podermos ser crianças para sempre!
Tão ingênuas, tão puras!
Queria ser cirança para sempre ;)

Mariana Y. Shiraishi

A escola não ensina que crianças são rejeitadas
e sofrem tentativas de homicício durante toda a sua gestação…
E que já no ventre recebem drogas, socos e gritos…
A escola não ensina que crianças são rejeitadas ao nascer,jogadas no lixo, afogadas, abandonadas em praças…
Ela não ensina que são maltratadas, abusadas sexualmente
e agreditas com palavras olhares e gestos todos os dias…
A escola não ensina que essas mães são crianças mal preparadas e revoltadas com a própria sorte, muitas vezes…

A escola não ensina que o poder é do mais forte,
seja pelo dinheiro que possui ou pela arma que carrega
e pelo silêncio que me obrigada a fazer…

A escola não ensina que a fome,
a raiva e a revolta fazem bandidos…
A escola não ensina que pessoas são cruéis, mentirosas,
preconceituosas e humilham o seu semelhante…

A escola não ensina…

Viviane Dick