Criancas Passam Fome

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Nos dias de inverno, aconchega-te do teu amor, divirta-se com as crianças, acenda uma fogueira e reúna-te com teus amigos. O calor do amor é tão vital quanto o calor do sol!

Augusto Branco

"Para as crianças, o mundo - e tudo o que há nele - é uma coisa nova; algo que desperta a admiração. Nem todos os adultos vêem a coisa dessa forma. A maioria deles vivencia o mundo como uma coisa absolutamente normal.
E precisamente neste ponto os filósofos constituem uma louvável exceção. Um filósofo nunca é capaz de se habituar completamente com este mundo. Para ele ou para ela o mundo continua a ter algo de incompreensível,
algo até enigmático, de secreto. Os filósofos e as crianças têm, portanto, uma importante característica comum. Podemos dizer que um filósofo permanece a vida toda tão receptivo e sensível às coisas quanto um bebê."

Jostein Gaarder

“Se você tiver que chorar, chore como as crianças. Você já foi criança um dia, e uma das primeiras coisas que aprendeu em sua vida foi chorar; porque faz parte da vida. Jamais esqueça que você é livre, e que demonstrar emoções não é vergonha.”

Paulo Coelho

Tudo o que o rodeava, aquele jardim pacífico, aquelas flores odoríferas, aquelas crianças ruidosamente alegres, aquelas mulheres graves, e simples, aquele claustro silencioso, penetrava-o lentamente, e a pouco e pouco a sua alma compunha-se de silêncio como o claustro, de perfume como as flores, de alegria como as crianças.

Victor Hugo

Todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucos se lembram disso

Antoine de Saint-Exupéry

Mas uma guerra sem razão
já são tantas as crianças
com armas na mão
mas explicam novamente que
a guerra gera empregos
aumenta a produção.

Existe alguém que está
contando com você
prá lutar em seu lugar
já que nessa guerra
não é ele quem vai morrer.

Renato Russo

As crianças de hoje deveriam saber que não é tão legal assim crescer.

Pequena Sereia

Quando crianças trazemos as feições dóceis e frágeis, para que nos seja oferecido carinho e segurança por aqueles que nos cercam. Quando adultos, nossas faces se tornam sérias e rijas, para que suportemos a dureza da vida. E quando velhos, não nos restam na face mais que expressões de debilidade e idiotia para que sejamos, por fim, dignos de pena.

Augusto Branco

"As letras das músicas podem ensinar algo às crianças. Não é apenas diversão. Você não vai conseguir divertir uma pessoa que está com medo ou com fome."

Bob Marley

Os homens receiam a morte pela mesma razão por que as crianças têm medo das trevas: porque não sabem do que se trata.

Francis Bacon

Os filhos do lixo

"Gravei a tristeza, a resignação, a imagem das crianças minúsculas
e seminuas, contentes comendo lixo. Sentadas sobre o lixo.
Uma cuidando do irmãozinho menor, que escalava a montanha
de lixo. Criadas, como suas mães, acreditando que Deus queria isso"
Há quem diga que dou esperança; há quem proteste que sou pessimista. Eu digo que os maiores otimistas são aqueles que, apesar do que vivem ou observam, continuam apostando na vida, trabalhando, cultivando afetos e tendo projetos. Às vezes, porém, escrevo com dor. Como hoje.Acabo de assistir a uma reportagem sobre crianças do Brasil que vivem do lixo. Digamos que são o lixo deste país, e nós permitimos ou criamos isso. Eu mesma já vi com estes olhos gente morando junto de lixões, e crianças disputando com urubus pedaços de comida estragada para matar a fome.A reportagem era uma história de terror – mas verdadeira, nossa, deste país. Uma jovem de menos de 20 anos trazia numa carretinha feita de madeiras velhas seus três filhos, de 4, 2 e 1 ano. Chegavam ao lixão, e a maiorzinha, já treinada, saía a catar coisas úteis, sobretudo comida. Logo estavam os três comendo, e a mãe, indagada, explicou com simplicidade: "A gente tem de sobreviver, né?". O relato dessa quase adolescente e o de outras eram parecidos: todas com filhos pequenos, duas novamente grávidas e, como diziam, vivendo a sua sina – como sua mãe, e sua avó, antes delas. Uma chorou, dizendo que tinha estudado até a 8ª série, mas então precisou ajudar em casa e foi catar lixo, como outras mulheres da família. "Minha sina", repetiu, e olhou a filha que amamentava. "E essa aí?", perguntou a jornalista. "Essa aí, bom, depende, tomara que não, mas Deus é quem sabe. Se Ele quiser..."Os diálogos foram mais ou menos assim; repito de memória, não gravei. Mas gravei a tristeza, a resignação, a imagem das crianças minúsculas e seminuas, contentes comendo lixo. Sentadas sobre o lixo. Uma cuidando do irmãozinho menor, que escalava a montanha de lixo. Criadas, como suas mães, acreditando que Deus queria isso. Não sei como é possível alguém dizer que este país vai bem enquanto esses fatos, e outros semelhantes, acontecem. Pois, sendo na nossa pátria, não importa em que recanto for, tudo nos diz respeito, como nos dizem respeito a malandragem e a roubalheira, a mentira e a impunidade e o falso ufanismo. Ouvimos a toda hora que nunca o país esteve tão bem. Até que em algumas coisas, talvez muitas, melhoramos. Temos vacinas. Existem hospitais e ensino públicos – ainda que atrasados e ruins. Temos alguns benefícios, como aposentadoria – embora miserável –, e estabilidade econômica aparente. Andamos um pouco mais bem equipados do que 100 anos atrás.Mas quem somos, afinal? Que país somos, que gente nos tornamos, se vemos tudo isso e continuamos comendo, bebendo, trabalhando e estudando como se nem fosse conosco? Deve ser o nosso jeito de sobreviver – não comendo lixo concreto, mas engolindo esse lixo moral e fingindo que está tudo bem. Pois, se nos convencermos de que isso acontece no nosso meio, no nosso país, talvez na nossa cidade, e nos sentirmos parte disso, responsáveis por isso, o que se poderia fazer?Pelo menos, reclamar. Achar que nem tudo está maravilhoso. Procurar eleger pessoas de bem, interessadas, que cuidassem dos lixões, dos pobrezinhos, da saúde pública, dos leitos que faltam aos milhares, dos colégios desprovidos, de tudo isso que cansativa mas incansavelmente tantos de nós têm dito e escrito. Que pelo menos a gente saiba e, em vez de disfarçar, espalhe. Não para criar hostilidade e desordem, mas para mudar um pouquinho essa mentalidade. Nunca mais crianças brasileiras sendo filhas do lixo, nem mães dizendo que aquela é a sua sina, porque Deus quer assim.
Deus não quer assim. Os deuses não inventaram a indiferença, a crueldade, o mal causado pelo homem. Nem mandaram desviar o olhar para não ver o menino metendo avidamente na boca restos de um bolo mofado, talvez sua única refeição do dia. E, naquele instante, a câmera captou sua irmãzinha num grande sorriso inocente atrás de um par de óculos cor-de-rosa que acabara de encontrar: e assim se iluminou por um breve instante aquela imensa, trágica realidade.

Lya Luft

Professorinha ensinando à crianças; a adultos; ao povo;
toda a arte de ser, sem esconder o ser.


(Trecho de Drummond, no dia da morte de Leila)

Carlos Drummond de Andrade

Quando os pais dão um nome muito feio ou esquisito
aos seus filhos,
tais crianças não têm outra opção
além de se tornarem 'marcantes'!

Augusto Branco

Os velhos estão mais agarrados à vida do que as crianças e saem dela com mais má vontade do que os jovens. É que, como todos os seus trabalhos se destinaram a essa mesma vida, ao chegarem ao fim, vêem que os seus esforços foram inúteis. Todos os seus cuidados, todos os seus bens, todos os frutos das suas laboriosas vigílias, tudo abandonam quando partem. Em vida, não pensaram em adquirir algo que pudessem levar consigo quando morressem.

Jean-Jacques Rousseau

Como nuvens pelo céu
Passam os sonhos por mim.
Nenhum dos sonhos é meu
Embora eu os sonhe assim.
São coisas no alto que são
Enquanto a vista as conhece,
Depois são sombras que vão
Pelo campo que arrefece.

Símbolos? Sonhos? Quem torna
Meu coração ao que foi?
Que dor de mim me transtorna?
Que coisa inútil me dói?

Fernando Pessoa

Como posso querer que meus amigos entendam as coisas loucas que passam pela minha cabeça, se eu mesmo não entendo?ㅤㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ

Salvador Dalí

NA RIBEIRA DESSE RIO

Na ribeira desse rio
Ou na ribeira daquele
Passam meus dias a fio
Nada me impede, me impele,
Me dá calor ou dá frio
Vou vendo o que o rio faz
Quando o rio não faz nada
Vejo os rastros que ele traz
Numa seqüência arrastada
Do que ficou para trás
Vou vendo e vou meditando
Não bem no rio que passa
Mas só no que estou pensando
Porque o bem dele é que faça
Eu não ver que vai passando
Vou na ribeira do rio
Que está aqui ou ali
E do seu curso me fio
Porque se o vi ou não vi
Ele passa e eu confio
Ele passa e eu confio
Ele passa e eu confio

Fernando Pessoa

São textos que confirmam a vivência do autor e passam ao leitor a importância de uma vida mais plena de realizações, dedicação, e firmeza nas decisões.

Paulo Coelho

As pessoas que reverenciamos não passam de velhacos que tiveram a felicidade de não serem apanhadas em flagrante delito.

Stendhal

ESPÍRITO ABERTO
Sabemos da quantidade de pessoas que passam necessidades reais,
que estão desempregadas, que não têm como alimentar os filhos, que
têm uma doença séria, enfim, ninguém ignora as mazelas do mundo. No
entanto, muitas dessas pessoas que habitam as estatísticas não fazem
parte do nosso círculo íntimo. Na maioria das vezes, nossos amigos e
familiares estão bem, trabalham, possuem uma vida afetiva. Ok, eles têm
lá seus problemas, mas não são exatamente o retrato da desgraça.
Ainda assim, me espanta que muitos deles, mesmo sem motivo para
cortar os pulsos, vivam como se fossem uns infelizes, lidando com o diaa-
dia de uma forma pesada, obstruindo o próprio caminho em vez de
viver com mais leveza. São o que eu chamo de pessoas com o espírito
fechado.
Eu respeito quem traz uma grande dor e não sai espalhando
sorrisos à-toa, mas me enervo com quem fecha a cara por simples falta
de humor. Palavrinha mágica, esta: humor. Não me refiro a quem faz
piadinhas a todo instante, e sim a quem possui inteligência suficiente
para saber que é preciso relevar as incomodações, curtir as diferenças e
ser generoso com o que acontece à nossa volta. Humor significa ter um
espírito aberto.
Esta é a resposta para quem pergunta qual é a “fórmula da
felicidade” – alguém ainda pergunta isso? Eu responderia: ter o espírito
aberto, só. O resto vem. Amigos, amores, oportunidades, até saúde: a
fartura disso tudo depende muito da sua postura de vida. Não é
evidente?
Eu já fui um caramujo ambulante, daquelas criaturinhas
desconfiadas, que torcia o nariz para tudo o que não fosse xerox do meu
pensamento. Desprezava os diferentes de mim e com isso, claro,
custava para encontrar meu lugar no mundo. Era praticamente um
autoboicote. Me trancava no quarto e achava que ninguém me
compreendia. Ora, nem podiam mesmo. Aliás, nem queriam.
Um dia – e ainda bem que esse dia chegou cedo, no final da
adolescência – eu pensei: calma aí, quem vai me salvar? Jesus? John
Lennon? Percebi que o mundo era maior do que o meu quarto e que eu
tinha apenas duas escolhas: absorvê-lo ou brigar contra ele.
Contrariando minha natureza rebelde, optei por absorvê-lo. Abracei tudo
o que me foi oferecido, deixei de me considerar importante, comecei a
achar graça da vida e, com a passagem dos anos, só melhorei, não
parei mais de me desobstruir, de lipoaspirar mágoas e ranzinzices – a
não ser que desejasse posar de poeta maldita, o que não era o caso. Me
salvei eu mesma e fui tratar de aproveitar cada minuto, que é o que
venho fazendo até hoje.
Quando alguém me diz “como você tem sorte”, penso que tenho
mesmo. Mas não a sorte de receber tudo caído no colo, e sim a sorte de
ter percebido a tempo que nosso maior inimigo é a falta de humor.Sem
humor, brota preconceito para tudo que é lado. A gente começa a ter
mania de perseguição, qualquer coisa parece difícil e uma
discussãozinha à-toa vira um dramalhão. Prefiro escalar uma montanha
a viver dessa forma cansativa.
Espírito aberto. Caso você não tenha recebido gratuitamente na
sua herança genética, dá pra desenvolver por si próprio.
7 de janeiro de 2007

Martha Medeiros