Criança

Cerca de 3345 frases e pensamentos: Criança

O ventre das mulheres contém sempre uma criança ou uma doença.

Louis Céline

Chuva de primavera -
Uma criança
Ensina o gato a dançar.

Issa

Quimonos secando
ao sol. E a pequena manga
da criança morta.

Matsuo Bashô

Não devemos explicar nada a uma criança, é preciso maravilhá-la.

Marina Tsvetana

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de você.
É ter maturidade para falar: "Eu errei."
É ter ousadia para dizer: "Me perdoe."
É ter sensibilidade para confessar: "Eu preciso de você."
Ser feliz é ter a capacidade de dizer: "Eu te amo!"

Augusto Cury

Te amo com toda a inocência de uma criança, com toda a malícia de uma adolescente, mas acima de tudo, com todos os meus sentimentos de mulher!

Desconhecido

Pertencer

Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança.
Mas eu, eu não me perdoo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!

Clarice Lispector

COMO VOCÊ VAI COMEMORAR O DIA DA CRIANÇA?

Todos os dias, mais de 18 mil crianças são espancadas no país, segundo dados da UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância. As mais agredidas são meninas entre sete e 14 anos.
100 crianças morrem por dia no Brasil, vítimas de maus tratos – negligência, violência física, abuso sexual e psicológico, segundo pesquisa realizada pelo Laboratório de Estudos da Criança/USP.
Dados do Ministério da Saúde revelam que 38% das mortes de pessoas com até 19 anos são causadas por agressões.
Disque 100- Denuncie!
O serviço do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes é coordenado e executado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR), em parceria com a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobrás) e o Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria).
• No Brasil, com uma população de quase 67 milhões de crianças de até 14 anos, são registrados, por ano, 500 mil casos de violência doméstica de diferentes tipos. Em 70% dos casos os agressores são os próprios pais biológicos.
A violência contra a criança é crescente e nem sempre ocorre na forma de abuso sexual. Levantamento do Núcleo de Atenção à Criança Vítima de Violência, da Universidade do Rio de Janeiro(UFRJ) mostra, com base de dados coletados entre 1996 a 2011 que:
• 29,1% de meninos e meninas são vítimas de abuso físico.
• A violência sexual aparece em segundo lugar – 28,9%
• 25,7% sofreram negligência(todo tipo de abandono)
• 16,3% abuso psicológico(pressão)
300 mil meninas são vítimas de incesto todos os anos e mais um terço delas tenta o suicídio.(Lacri-USP)
.11,5% das crianças de oito e nove anos são analfabetas, segundo o IBGE.
• 114.000.000 (cento e catorze milhões) de crianças não recebem instrução sequer ao nível básico;
• 6.000.000 (seis milhões) de crianças morrem por ano por má nutrição, antes de fazer cinco anos de idade;
• 800.000.000 (oitocentos milhões) de pessoas deitam-se todas as noites com fome; 300.000.000 trezentos milhões são crianças;
• 50.000.000 (cinquenta milhões) de abortos são cometidos no mundo por ano.

A UNICEF estima que existem 158 milhões de crianças menores de 15 anos vítimas de trabalho infantil em todo o mundo e que mais de 100 milhões, quase 70 por cento da população laboral infantil, trabalham na agricultura em áreas rurais onde o acesso à escola e ao material educativo é muito limitado.

No Brasil, Cerca de 4 milhões de crianças trabalham no meio rural e somente 29% delas recebem remuneração. São escravas. Entre as crianças de 5 a 9 anos, somente 7% recebem remuneração e um grande número não têm acesso à educação.

O Brasil tem mais de 680 mil crianças que não freqüentam a escola.
RRelatório divulgado pela Câmara de Educação Básica, do Conselho Nacional de Educação (CNE) concluiu que faltam 245 mil professores no ensino médio.
Não é falta de profissionais excelentes e qualificados, faltam profissionais que suportem “viver” com o salário que se paga ao professor.
Você não vai poder resolver o problema da fome, do abandono, da falta de professores, da escassez de assistência aos clamores da humanidade! Impossível! Então, comece a atender o grito de socorro da sua família, do seu vizinho, da sua cidade!

Olha o que está na lei:

“Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.”
(Art. 5º. Estatuto da Criança e do Adolescente)

Um lembrete:
A violência faz-se passar sempre por uma contra-violência, quer dizer, por uma resposta à violência alheia. Jean Paul Sartre
Uma sugestão:

Criminalizar a incompetência política!

Ivone Boechat

A filosofia popular sobre a morte

Quando eu era criança, o velório era um acontecimento.
A cidade era pequenina, então tudo se divulgava rápido. Em pouco tempo, o alto-falante da igreja onde o falecido frequentava comunicava, em alto e bom som, o passamento desta para uma vida melhor, ou se usava um carro anunciando detalhes: quem morreu, onde, idade, motivo do óbito.
A morte pairava nas piadas! Antes de acontecer o pior, até o doente bem humorado brincava: fiquei tão mal que por mais um pouco comia capim pela raiz; pensei que ia vestir um pijama de madeira, etc... Depois, se porventura o sujeito morresse, aí, sim, a coisa era levada a sério e o sepultamento era um fato social marcante.
Naquele tempo não se fechava uma tampa de caixão sem jogar perfume e pétalas de flores sobre o defunto. Já fui encarregada de comprar muito perfume ruth para pulverizar por cima do morto. Nunca me esqueci do cheiro. O perfume, claro, perdia a personalidade, por causa do odor muito forte de cravo, cravina, brinco de princesa, de rosas miúdas de cores variadas. Não havia casa de venda de flores, as crianças saiam pedindo nas portas das casas. Já ouvi muita coisa.
- Esse defunto morava em cima da pedra?
- Vou dar, mas não sei nem se merece.
- Vá em paz.
Houve negação:
- Pra aquele cara? Bata em outra porta.
A caravana de crianças saía em mutirão solidário e não respondia a nenhuma provocação, nada. Quem deu, tudo bem.
As coroas de flores eram artificiais, confeccionadas com papel crepom. Excepcionalmente, aparecia uma coroa de flor natural.
Se morresse um bebê, a partir de um ano, ou um jovem, as pessoas choravam mais, conhecendo ou não o falecido. Quando morria um velhinho, a conformação era maior, mas mesmo assim, as pessoas choravam muito mais do que hoje. Na hora em que o caixão ia passando para o cemitério, as portas do comércio ficavam quase fechadas. Os rádios eram desligados, os homens tiravam o chapéu, até o de palha; era muito silêncio. Se fosse enterro de católico, o sino da igreja batia compassado: tom... tom... tom... E eu ficava pensando, que pena! Devia tocar pra todo mundo.
Os velórios tinham longa duração. Os alto-falantes, dependendo da importância do sujeito, davam uma nota, de tempo em tempo, com uma voz de relações públicas de necrotério: “A família de ... comunica a sua partida...” - anunciando a hora tradicional do sepultamento que nem era mais novidade pra ninguém: 16h. Todo mundo lá era enterrado nessa hora. Um dia falei para o meu pai que a nota de falecimento estava errada, porque a pessoa que morre não parte, ela chega. E vi que ele acabou rindo.
A verdade é esta: chorava-se mais! Ainda havia loja vendendo lenço pra todo lado e a gente, ao sair de casa, ouvia a recomendação: não se esqueça do lenço. Tinha lenço de tudo quanto era jeito: xadrez, de bolinha, de florzinha. Era muita lágrima! Nas festas de aniversário o que mais as pessoas ganhavam era caixa de lenço.
O luto pela morte era longo. Minha avó ficou de luto uns 20 anos e com as duas alianças no dedo: a dela e a do jovem marido falecido. Depois começou a vestir roupa cinza, até se vestir, discretamente, como viúva eterna: roupas feitas com tecido de fundo preto e flores brancas.
O cemitério estampava, logo na entrada: revertere ad locun tuun. Fui saber o que significava aquilo com o único funcionário no local: o coveiro. Fiquei espantada, porque o coveiro respondeu, automaticamente: - a tradução daquilo escrito ali é: - Volte ao teu lugar.
Ele “sabia” latim e eu detestava. Ele disse o que significava a frase, sem olhar para a parede, sabia de cor.
É assustador, mas aprendi a falar a única frase que eu sabia no primeiro ano do ginásio com o coveiro. E não deu outra. Na segunda feira, estufei o peito e disse para a minha colega de carteira escolar: revertere ad locun tuun. Ela me olhou assustada e eu esnobei: aprendi latim (ela também tinha horror) e disse a frase, várias vezes, sem tropeçar na pronúncia e traduzi, sem dicionário. Ela ficou de boca aberta. Onde você aprendeu tudo isto. E eu nem parei para pensar: - no cemitério.
Ela também passou a frequentar os velórios!

Ivone Boechat

“Se você tiver que chorar, chore como as crianças. Você já foi criança um dia, e uma das primeiras coisas que aprendeu em sua vida foi chorar; porque faz parte da vida. Jamais esqueça que você é livre, e que demonstrar emoções não é vergonha.”

Paulo Coelho

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples, que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar "eu errei". É ter ousadia para dizer "me perdoe". É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você”. É ter capacidade de dizer "eu te amo". É ter humildade da receptividade.

Fernando Pessoa

Se ouvirmos a criança que temos na alma, os nossos olhos tornarão a brilhar. Se não perdermos o contacto com essa criança, não perdermos o contacto com a vida.

Paulo Coelho

O medo é mudo. Além disso, ninguérm guarda melhor segredo do que uma criança.

Victor Hugo

Essa criança vivia na ausência de afeição como as ervas daninhas que nascem nas covas.

Victor Hugo

"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música
não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
...que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".

Rubem Alves

Uma criança só pode aprender quando se nutre, comek e não quando está cheia de parasitas.

Leonel Brizola

“Eu escrevo para fazer existir e para existir-me. Desde criança procuro o sopro da palavra que dá vida aos sussurros.”

Clarice Lispector

"Sou uma mulher madura, que às vezes anda de balanço. Sou uma criança insegura, que às vezes usa salto alto."

Martha Medeiros