Contos Engraçados

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Marina

Marina chegou para trabalhar às oito da noite, como sempre fazia. O trabalho num bordel era audacioso, mas, cansativo. Não é fácil para uma garota de programa aturar clientes bêbados querendo sexo por uns trocados. Porém, nesta noite houve uma diferença incisiva.

Um homem estava sentado junto ao balcão do bar. Cabelo grisalho e elegantemente vestido. Marina não se importou com o mesmo assim que entrou no bar, pois, ainda era cedo para começar as suas atividades. Sentou um pouco próximo e conversou com o seu amigo atendente do bar lhe perguntado: “Quem é este homem elegante ali sentado” – Nunca esteve aqui antes. – Respondeu o seu amigo atendente. – Marina tentou ignorar, mas, algo lhe chamou a atenção. Um homem num bordel sentado bebendo uma cerveja e que não olhava para ninguém, nem mesmo para nenhuma mulher. O que estaria ele fazendo ali? Pensava ela.

Marina resolveu abordar aquele homem, já que ele não falava e nem prestava atenção em ninguém. Chegou ao lado e perguntou se poderia sentar ali junto a ele. O homem respondeu afirmativamente balançando a cabeça, mesmo sem olhar diretamente para ela. O que a deixou ainda mais intrigada.

Para iniciar uma conversa perguntou se ele lhe pagaria uma cerveja, o homem fez um sinal, um aceno para o atendente do bar e este assim que percebeu, veio em sua direção. – “Pois não senhor? O que deseja?” – “Providencie uma bebida para essa moça.” – Disse ele. – O rapaz prontamente trouxe uma cerveja e serviu a moça. Marina ficou meio sem graça, pois, o homem não lhe dirigia o olhar, estava sempre olhando para nada, e para ninguém.

“O senhor vem sempre aqui?” – Era a pergunta de praxe a fazer nesse momento. – O homem então a olhou nos olhos e disse: - “Você sabe que não.” – Disse ele. – Marina percebeu que aquele homem não seria mais um cliente comum de todas as noites. Então reagiu para quebrar o clima e tentar uma conversa mais amigável. – Vamos fazer um brinde? – Disse ela levantando seu copo. – O homem então falou. – “Não sou seu cliente moça, não perca seu tempo comigo.” – Disse ele. – Isso deixou Marina ainda mais sem jeito. – “Tudo bem.” – Disse ela e continuou. – “Certo, mas podemos brindar então a esta noite.” – “Sim, claro.” – respondeu ele. – “Qual é o seu nome?” – Perguntou ele. – Marina. – Respondeu. – Um bonito nome para um rosto bonito. – Disse ele. – Ela riu agradecendo. – O que o senhor faz da vida? E o que faz pra ser feliz? – Perguntou ela. – Marina não sabia, mas, aquela pergunta mudou sua vida completamente.

Ao ouvir a pergunta de Marina, o homem virou-se de frente para ela, olhou-a nos olhos e respondeu. – “Eu distribuo felicidade para as pessoas que precisam.” – Disse o homem. – Marina não entendeu e disse que não havia entendido. – “O que você precisaria pra ser feliz?” – Perguntou ele, e ela respondeu. – “Um bom trabalho diferente deste, uma casa simples para morar e uma família pra cuidar. – Disse ela. – “Bom, a sua família você mesma tem que encontrar, o resto posso providenciar. – Disse ele, retirando um cartão de visita do bolso e entregando para ela dizendo. – “Procure-me amanhã às nove horas neste endereço. Aguardo você.” – Disse isso, pagou a conta e antes de sair disse: “Não se desgaste muito essa noite, porque talvez esta seja a sua última noite nesse trabalho.” – Levantou-se e foi embora.

Na manhã seguinte Marina estava temerosa e com a dúvida se procurava o tal homem ou não. No cartão estava escrito o nome dele com uma palavra abaixo do nome: “Diretor”. O endereço era de uma rede de lojas e supermercados. Marina então resolveu ir porque não tinha mesmo nada a perder.

Ao chegar naquele endereço do cartão, viu que era uma luxuosa loja de roupas e acessórios femininos. Dirigiu-se a uma atendente e questionou sobre o tal homem. A atendente então lhe perguntou: “Você é Marina?” – “Venha, vou levá-la ao escritório, ele chegará daqui uns dez minutos. Você trouxe seus documentos? – Não. – Respondeu Marina. – “Bem, vamos precisar deles para sua contratação.” – Disse a atendente. – Marina então caiu em si, ficou tremula, suando frio e não querendo acreditar que aquilo era mesmo verdade.

A moça levou Marina até o segundo andar da loja onde havia um luxuoso escritório. A secretária a recebeu com flores dizendo. - “Seja bem vinda a nossa empresa, Sente-se aqui que o Senhor Saad vai atendê-la em alguns minutos.” – Marina sentou-se e ficou pasma. Pelo interfone a moça comunicou que Marina já estava na antessala a espera. Cinco minutos depois o interfone tocou, a moça atendeu, ouviu uns minutos e disse: “Sim senhor, pode deixar, vou providenciar tudo.” – “Você pode entrar agora.” – Disse a atendente conduzindo-a a porta de entrada do escritório.

Ao entrar, lá estava o tal homem da noite anterior, muito bem vestido a atendeu com um sorriso. – “Que bom que você veio. Está pronta pra mudar de vida? – “Sim.” – Respondeu ela quase sem poder falar. – “Ótimo, leve este cartão ao departamento pessoal, lá você será informada do que precisa para seu novo trabalho como produtora de moda na nossa empresa trabalhe honestamente e com disposição. Daqui a seis meses você terá sua casa, mas, sua família você ainda terá que conquistar. – Disse ele acompanhado-a até a porta de saída.

Um ano e meio depois Marina estava casada com um dos gerentes da loja e grávida. Adivinhem quem foi o padrinho do casamento. Essa foi a história de Marina, uma ex garota de programa que conheceu algo inesperado em sua vida, a solidariedade.

Charles Silva – Textos
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Charles Silva

Alice

Doze anos depois voltei ao cemitério onde foi sepultada minha genitora. Estava na Cidade a passeio, então resolvi ir fazer uma visita. Ao entrar, não achei o local exato do sepulcro, fiquei andando em círculos a procura. Assim que entrei, vi uma garotinha, talvez 9 ou 10 anos de pé, cabeça baixa olhando para um túmulo, como se estivesse rezando. Quando passei bem perto dela senti um arrepio em toda minha coluna. Não dei importância e segui a procura do lugar onde estava o túmulo da minha genitora.

Sem me lembrar onde exatamente era o local, afinal, doze anos já haviam se passado, desisti da busca e fiquei a andar a esmo. Novamente me aproximei do lugar onde estava a garota que vi quando entrei, parei perto dela e fiquei a observar o nome da pessoa que estava ali sepultada. Não era um nome conhecido para mim, mesmo assim resolvi fazer uma oração junto a garota que ali estava.

Fiquei perto dela uns dois metros, talvez um pouco menos. Ela virou-se para mim, e perguntou se eu a estava vendo e ouvindo. Respondi que sim e então lhe contei a minha desolação em não achar o túmulo da minha genitora, por isso parei para prestar uma solidariedade, já que não achei o que procurava. A garota com um semblante muito sério disse-me que eu estava exatamente no lugar que eu procurava. Eu respondi que achava que não, pois o nome da pessoa sepultada ali não era o nome que eu procurava.

Você é muito diferente das pessoas comuns. – Disse ela e continuou. – Agora que percebi que você pode me ver e ouvir vou lhe contar o que aconteceu. As pessoas que foram enterradas aqui foram retiradas e colocadas noutro local nove anos atrás, essa pessoa que está aqui agora não é quem você procura, ela já não está mais aqui. – Eu a interrompi e perguntei se a pessoa enterrada ali era parente dela. – Ela respondeu que era mãe dela. – Eu disse-lhe que sentia muito. – E ela disse que o nome dela deveria ser Alice e o nome da mãe dela era Francisca. – Vou embora – Disse ela. – Não diga pra ninguém que me viu aqui, obrigada por ter falado comigo, adeus. – Saiu andando e sumiu entre os outros túmulos. Aproximei-me mais um pouco daquele túmulo e li o nome da pessoa em uma inscrição gravada numa pedra de mármore. Estava escrito: “Francisca Leite Farias. – Descanse em paz, mãe e filha”.

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Charles Silva

É BOM LEMBRAR

É bom lembrar, todos os seus bens vão ficar pra alguém
É bom lembrar, seu dinheiro pode até prolongar um pouco sua vida, mas não definitivamente
É bom lembrar, a pessoa que você é, pode não ser nem lembrada daqui a dez anos
É bom lembrar, toda a sua pose e arrogância pessoal não valem nada
É bom lembrar, toda a sua cultura e conhecimento dificilmente ficará para outros
É bom lembrar, só é bom envelhecer ao lado de quem você possa conversar
É bom lembrar, todos nós vamos morrer

Charles Silva

Charles Silva

Tudo flui porque tudo é efêmero. Nada dura para sempre.
Tudo muda. Se altera. Se distancia. Os laços perdem a força e a gravidade os derruba no chão. Até as certezas mudam e as coisas que me faziam tremer já nem me arrepiam mais.
Eu não sei o que vai ser daqui para frente, não sei se o trem continuará nos trilhos, na verdade, começo a questionar se existem mesmo trilhos e se é certo comparar a vida a um trem e se não seria melhor compará-la a uma queda livre.
Tudo é mutável. Nem mesmo o universo é estático. Paradoxo. Muitas estrelas e mesmo assim tudo é escuro. A quiromancia não me atrai e o futuro é uma incógnita que não ouso decifrar. Para que estragar as surpresas? Confusão e fluxo de consciência.
Quão consciente estou das escolhas que faço?
Quantas rachaduras nos lábios serão necessárias até que eu pare de fazê-los sangrar? Minhas mãos procuram coisas inalcançáveis e meus desejos são insaciáveis. O mundo, mon petit, o mundo é uma grande estação e sou eu que escolho se vou ou se fico.
Não durmo. Não sinto. Não sonho. Não ousarei sonhar. Jogo-me todos os dias de um precipício assim que levanto da cama. Não estou triste, não pense que choro enquanto escrevo ou qualquer coisa do tipo. Estou ouvindo Clash, ou seria Doors? Sabe que sou um tanto quanto péssima em saber nomes de bandas e músicas. A falta de bebida faz a sobriedade desse momento parece durar a vida inteira.
Não estou feliz, não ousaria dizer isso. Estou viva. Pulsando. Pulsando. Meu coração é um vale de desapegos e chove tanto lá fora. Eu me entrego tão fácil e eu encontro espinhos em tudo que é flor.
Eu estive aqui. Me derramei aqui. Me espalhei aqui. Eu amei. Amei tanto em tão pouco tempo e eu não sou de amar. Da minha dor, eu é quem sei. São quase cinco da manhã. Está ventando, o vento sul que bate na janela. Estou com um monte de perguntas na cabeça.
Só que não vou me desculpar, nem comigo e nem com ninguém, não ter porquê.

Paula Chiodo

CONFIDÊNCIAS DE BOLSO
Coisa triste é ser coadjuvante da própria história, destarte, cansado dessa posição pouco realizante lanço mão deste, para ousar ir além, para assumir ainda que brevemente o protagonismo que me é devido. Sim claro, elementarmente que se apresenta um tanto arrogante minha tal posição, assim tão aguerridamente assumida, mas creia-me, nada tem a ver com arrogância, trata-se meramente de assumir o meu papel de fato, e assim na condição de protagonista apresentar a minha percepção das coisas... Poderá por ventura alguém censurar-me, por querer também dizer daquilo que sinto, penso, vejo..? Ainda que alguém ouse, ainda que me censurem, quero correr este risco, quero submeter às críticas. Mas aos mais desavisados digo logo de entrada, o que falo, falo de mim mesmo, do meu coração, se é que tenho um... de minha sensibilidade...
Mas chega desse prolixo preambulo, vamos avançar... quero apresentar –me, permitam-me! Sou o bolso. Sim o bolso... muito certamente que lhe soará estranho caro leitor. E naturalmente expressará algum espanto. Mas não se precipite... sim, o bolso! É este aquele que vos remete... desde a muito que ando, a acompanhar tanta gente nas mais diversas situações e ocasiões, mas hoje quero evocar o direito de falar, narrar algo que julgo relevante.
Sou um bolso traseiro de uma velha calça jeans. Nesses meus sete anos de vida, tenho visto e acompanhado muitas coisas, mas por viver na retaguarda, acabo observando pelos fundos, na traseira da história, perifericamente. O que em nada invalida minhas percepções elementarmente.
Nesses meus anos de vida, muitas coisas me marcaram, outras passaram irrelevantes. Mas caro leitor, permita dizer... ultimamente, ando meio em crise, não sei se é a melhor idade, o causticante martírio de viver minha existência toda nesta mesma contraditória posição, sim contraditória, mas o fato é que sinto me impelido a fazer algo novo, a falar de mim. Veja bem, deixe que eu explique essa contradição que pertine a minha posição.
Pois bem, enquanto bolso traseiro de uma calça jeans, estou localizado numa região nobre, nos altiplanos glúteos com toda sua nobreza e majestosa sedução. Isso é maravilhoso, esse status realmente é fascinante... a maciez dos glúteos, sua textura, seu movimento... os glúteos trazem emoções apavorantes, intensas, é indubitavelmente uma região badalada... a freguesia é constante e diversa, desde o olhar o mais frequente dos visitantes, até os lábios, mãos dedos, rosto, nariz, etc... enfim uma loucura o dia-a-dia glúteo.
Mas vida de bolso traseiro não é só essa majestosa badalada rotina. Há constantemente transtornos que complicam a vida, alteram os humores desafiando qualquer bolso traseiro que se prese. Entre os cânions glúteos fica localizado o orifício vulcânico... um oráculo de humores instáveis que expelem larvas e gazes das mais distintas naturezas... vez ou outra recebe estranhos visitantes que ora apenas o cumprimentam, se esfregam, reverentemente, limpam no, ora adentram e realizam uma estranha ritualística entrando e saindo freneticamente, até que desaguam neste num ápice estranho, tudo isso é contraditório, tudo isso faz essa citada contradição... mas o mais contraditório mesmo, é que mesmo sendo um habitante dos glúteos e saber de todas essas coisas, as sei pelo observar, ora de meu lugar de residência, ora de longe... sim de longe, pois que quando tudo fica intenso nos glúteos, a capa de revestimento que pavimenta o corpo é arrancada e lançada fora, assim é que de longe, abandonado, relegado ao descaso sou juntamente com a calça deixado pelo caminho, sendo obrigado a apreciar estas coisas quase sempre a distância. Como coadjuvante, expectador na maioria das vezes. Razão que tanto me indigna e faz evocar o meu direito de fala.
Ora, ultimamente tenho feito artes... um pouco de traquinada faz bem, pode trazer complicações... mas não há idade que resista ao prazer, à emoção de uma boa aventura...
Na condição de bolso, além de ver e observar tudo quanto tenho dito, também cumpro meu papel de receber e acomodar as mais diversas coisas... carteiras, dinheiro, papel, bilhetes, contas, em fim uma infinitude de coisas... mas ultimamente tenho recepcionado um dispositivo engraçado que as pessoas andam usando. Elas o chamam de Celular. È um aparelhinho usado para se comunicar com outras pessoas que estão distantes. É um geringonça tão eficiente e encantante que até eu tenho me rendido aos seus benefícios e encanto... já usei algumas vezes... olha é mágico o efeito que ele produz...
A principio era tudo irrelevante, eu o recebia, o recebia, o recebia, sem lhe prestar atenção... mas sabe como é, há sempre um tempo mais oportuno para cada coisa... assim , chegou o dia que acabei sendo seduzido por tal dispositivo e passei a reparar mais nesse tal de celular.
Sou bolso traseiro de calça jeans como disse, mas calça jeans de um poeta... bem não sei como são os outros, mas o poeta, ah, o poeta é um ser encantante, encantante mas muito estranho... difícil de definir. O caso é que esse meu poeta tem lá suas musas e usa muito seu celular para receber as inspirações das musas... estranho, né, eu sei! Homero ficaria louco, se soubesse a que ponto chegamos... musas que inspiram por mídias... bugigangas tecnológicas que a modernidade trouxe. Mas seria muita perfídia refutar todas essas coisas por puro capricho e descabido zelo pela tradição homérica. Até mesmo por que se por um lado tudo isso rechaça a tradição, não o faz para extingui-la, mas para a remontar sob novo arranjo, dando convivência entre o tradicional e o moderno... que papinho mais chato não...
Pois bem, esse meu poeta, é um ser extremamente contraditório, todos somos, mas ele parece ser mais... talvez daí tenha eu sido vitima de alguma influencia... ele relaciona –se com várias musas, deuses e semideuses, habitantes da luz e das trevas... é uma intersecção de mundos e submundos, talvez seja isso que lhe faz tão contraditório, ele alimenta e é alimentado por fontes múltiplas... e se se é o que se come!
Ele encontrou por acaso, penso eu, pois não faz muitas luas que ele encontrou, uma nova musa... ela é uma musa muito interessante. Ela já o encontrou algumas poucas vezes, mas a conexão entre eles é algo surpreendente, impressionante. O contato entre eles gera uma aura que é inominável, indescritível, pura inspiração, “luxuria que o fogo lambe”, diria outro poeta.
De tanto ouvir e apreciar tudo, como sempre na minha condição de distante observador, acabei me envolvendo, me sentido parte daquilo tudo... em fim bem ou mal, não sei, julgue me quem puder... resolvi entrar na brincadeira, entrei na dança...
Um belo dia após oras de conexão entre musa e poeta, a inspiração se deu tão intensa e profusamente que o celular foi dispensado... o poeta confiou a mim... foi aí que fiz minha traquinada. Comecei a mexer em todos aqueles botõezinhos, no afã de ver no que dava. Descobrir que tipo de feito aquilo propiciaria... mexi, mexi, mexi... quanto em fim estava exausto e confuso, já não tinha mais paciência para aquele geringonça estranha. Então começou a soar um barulho estranho, entrecortado por pausas de total silêncio... assustei me quando o primeiro som ecoou, triiiiimmmmmmm... quase caí de susto, quase despenquei dos glúteos deixando a calça sem mim. Mas felizmente minhas costuras são de boa qualidade e assim eu resisti aquele apavorante som, logo na sequência imediata um silêncio se vez... e novamente o som voltou a impor-se triiiiimmmmmmm...( silêncio), triiiiimmmmmmm...repetidas vezes isso se deu. Minha curiosidade aguçou-se e ao fim de repetidas alternações de som e silêncio... veio o contanto com a musa.
Indescritível, não há palavras, nem cores, gestos imagens, nada, absolutamente nada, que se possa prestar eficientemente para expressar aquele momento, aquele contato, aquela musa mágica, cativante, apaixonante que de outro mundo dizia com voz doce e pueril, jovem e deliciosa ao meu ouvido coisas que não pude entender, seus gemidos, suas frases eram inefáveis, sua respiração, o compasso de toda a peça... uma magia envolvente cativante... entendi brevemente na minha insignificância bolsal o que o poeta vive e sente contactando essa musa. São percepções que não se pode exprimir...
Do outro lado a musa dizia algo assim “Alô, Alô, alô, Kiko di Faria, fala comigo, podes me ouvir...? Puhn, puhn, puhn...” sinceramente não entendi nada. Eu não falo essa língua. Como exprimir o inexprimível, como explicar o inefável? Não sou eu, pobre bolso que o poderá fazer... mas o fato é que foi tão diferente, me transformou de tão prazeroso e inusitado, tornei me outro ser... repeti algumas vezes a travessura e assim desabrochou em mim a capacidade e o desejo de falar tudo isso. A vontade incontida de dizer estas coisas, vencer o anonimato, sair da coadjuvância e render tributos ao protagonismo, ainda que breve, em poucas linhas... seduzido e inspirado pela musa deixo aqui minhas confidências de bolso.
Acho que cá não há lei que as proíbam, se tem eu as desconheço, assim como desconheço, ignoro quem poderia se ofender com tal feito meu, senão o poeta, que ao tomar conhecimento, acho que revelado pela musa, nada fez. Não arranco-me, não costurou-me, nada, absolutamente nada, nenhuma sanção... então não deve ser crime.
Lei cá não há! Ley lá, Ley lá... não sei se há. A musa não creio que fará, se Faria Ley lá, só o tempo se me nos revelará, mas seja quem for tal musa, como for... ela sendo seja lá o que for, é esse ser que seduz encanta e envolve até o bolso do poeta... bolso que ainda que vazio... é eternamente cheio de histórias pra contar.

Kiko di Faria

Ja Tive Um Amor verdadeiro

por isso eu sei que é bom ñ como os contos de fadas
é até melhor alguns dão certos e outros errados é a força do destino
O coração é quem manda
quandos vcx gosta mesmo de uma pessoa fas de tudo para dar
certo mais as vezes entra outros no caminho e atrapalha tudo oque vcx construiu dentro do coração da pessoa amada
acaba destruindo como maquinas de po~em tudo pra baixo
o seu coração parte pois akela pessoa ñ te ama mais larga de vcx
vcx chora muito e msm assim ñ esquece
da vontade de pular de um penhasco e se arrebentar lá em baixo e pensa que vaii melhorar mais na verdade ñ
pq um amor de verdade ñ é coma a ilusão que se apaga apenas hem ficar com outra pessoa
o amor é verdadeiro E dura até o ultimo minuto da sua ViiDa

Laura Wagner

...Contos de Fadas, algo BONITO, REAL, IRREAL ou apenas SURREAL que está INTIMAMENTE ligado ao imaginário?
Sabe acho que TODA menina, mulher,idosa, juvenil, adolescente sonha com seu conto de FADAS particular; Algo que vemos e admiramos na TV, novelas, FILMES etc... Contos de fadas REALMENTE acontecem; o problema é que em suas MAIORIAS das vezes, só queremos fazer o que é certo PERANTE a sociedade o que nos dá conforto e COMODIDADE, e não lançamos fora nosso medo, aflições,não exploramos nossos sentimentos não damos VAZÃO a ele, não queremos ARRISCAR e abrir os braços ao que é ERRADO, ao que parece INCERTO, DUVIDOSO e ate mesmo PROBLEMATICO... Nos mulheres precisamos ser SINCERAS, HONESTAS, para com o nosso próprio (EU, para nos CONHECER o suficientemente BEM, para que pudessemos nos limitar e determinar e ate mesmo EXPANDIR, nosso conceito de FELICIDADE e contos de FADAS. Para que cada uma consigua VIVER oseu próprio conto de FADA, escrito por si MESMAS... Afinal quando PASSAMOS a entender e compreender nossos SENTIMENTOS conseguimos nos lançar de braços ABERTOS e quem SABE encontrar NOSSOS principes em cada SAPO; pois nos é permitido viver VÁRIOS contos de fadas. Mas só um será o mais puro e VERDADEIRO e quando esta for encontrado então nossa BUSCA pela FELICIDADE cessará e só teremos que CONSERVA-LO. Para que seja o mais LEAL, SINCERO, e RESPEITOSO.

PENNA Daniella

Quando seu herói cai em desgraça
Todos os contos de fadas são descobertos
mitos exposta e dor ampliada
a maior dor descoberto
você pensando comigo a ser forte
mas eu estou confuso de ver você tão fraco
Você nunca disse para desistir
e dói ver você denovo na derrota
Quando seu herói cai assim faz as estrelas
e assim o faz a percepção do amanhã
sem o meu herói, só existe eu
sozinho para lidar com a minha tristeza
Seu coração deixou de funcionar
e sua alma não é feliz com tudo
O que você espera fazer
quando o seu herói só cai

Tupac Shakur

"Acho que pela primeira vez escrevo um monólogo.
Não que nos outros contos eu não tenha traduzido para o papel uma de minhas tantas outras personalidades, entretanto, gosto de absorver a dor das pessoas compactando as tristezas em borrões de tinta. E chega a ser cômico. Eu separaria todos os rabiscos em nomes próprios e não seria interpretada como alguém que sofre por tudo. Sofrimento é um sentimento único, fatiado e distribuído, classificado em escalas de frustrações. E uma coisa eu digo, meus caros, a maior parte deste bolo azedo está justamente com quem não tem o dom de se expressar em qualquer outro gênero de ousadia e progresso. Sim. É para estes que escrevo, os que admiram os pássaros, mas não o canto deles, aqueles que veem o mar, contudo não tremem ao eco das ondas indo ao encontro da estrutura rígida. Por isso, ofereço-lhes cada estrofe como uma armadura invisível.
Escrevo porque vejo literatura até nos fragmentos de poeira que o vento traz. Escrevo porque a dormência da minha alma ainda não afetou a musculatura dos meus dedos. Ah, essa aura obsoleta e desacreditada da dormência psicológica que tanto insiste em mim, e até o que antes fazia diferença, hoje já não atrai mais.
E é isso.
Pode ser que em algum momento do presente eu desintegre todas as marcas de passado que envolvem cada centímetro do meu corpo. Talvez, por sorte ou merecimento, eu encontre a minha paz de espírito e um elo que eu realmente não sei se existe. Logo eu que evitava infortúnios, acabei me transformando em um. Escondo em verbetes o que o baú do passado não suportou guardar, é pesado e eu não consigo carregar estas lástimas nas costas. E descubro que a anatomia humana é milhão de vezes mais exata, uma vez que tudo está ali no seu devido lugar. E os sentimentos? São bolhas gasosas dispersas em algum canto do corpo. Corpo, este que por sua vez presenciei a laceração da carne e a morte eminente do lampejo dos olhos. E que olhos. E naqueles encontros mundo a fora, cada relance de possibilidade ressentida parecia uma daquelas cenas de filme, ou quem sabe até uma peça teatral dotada de música de fundo e elenco de comercial de margarina. E nós éramos tão bons atores, moreno.
Talvez eu escreva para saciar o que há muito não devoro, todavia não encontro. Porque escrever sobre quem eu bem conheço ainda sim é questionar o que vem depois do Universo e, mesmo diante disso, conseguir ficar sem resposta. Escrevo por corações partidos e esperançosos, apesar de há muito essas características não moverem mais o meu próprio. E mesmo depois de todos os espasmos, te ver corando ao ressoar outro nome me intriga como se o Universo fosse uma folha de papel infinita em todas as direções. Sensação estranha essa de ficha caindo, de prazeres cessando, do gosto azedo do término. Mas o que eu faria? Ele era um príncipe, e eu não sabia fazer parte de um conto de fadas. Meu remédio para a loucura é justamente a loucura e eu escrevo sobre amor, mas não sei amar. Neste monólogo o meu discurso de personagem realista extravasa de maneira razoavelmente ordenada dividindo os pensamentos e arqueando as emoções. Difícil definir a sensação de liberdade em conversar com si mesma e ainda possuir a ousadia e sensibilidade de discernir com facilidade sem aquela dorzinha irritante no peito. Estranho é descobrir que sou dona do meu próprio palco, sou senhora do meu próprio tempo nas próximas vielas do acaso.
E nós somos finitos..."

Amanda Seguezzi

Aonde estão as mulheres dos contos de fadas? das musicas românticas? dos filmes de amor? aonde estão as mulheres que pensam como Clarice Lispector? com seus pensamentos românticos? ou com ideias semelhantes as crônicas da Fernanda Mello. Aonde estão as mulheres companheiras? que lutam pelo amor acima de qualquer coisa na vida? aonde estão essas mulheres? sera que existem?
ou tudo não passou de um sonho chamado VIDA?

Pablo Brasil

Novamente

Que saudade, apenas saudade
Contos de réis por sorrisos
Cruel animo do mau modelado
Amores insertos, feito risos sem graça
Contaveis pirações na madrugada
Agua gelada. Vontade de apenas...
O sono não firmou pousada esta noite
Quantas vezes a saudade nos pega naquele ponto fraco.
Noite cotidiana, coragem em falta, sentidos voltados para o nosso norte
Amores pausados em constante pulsar.
Amar, amar e amar...
Linda de mais.
Te Amo tanto quanto meu peito suporta
Aceita-me novamente e serei eu, o seu
Contarei verdades.
Enganarei injustos temores.
Plajearei sentimentos.
E Tudo por você, que és meu AR.
E quero apenas Amar, Amar, Amar e AMAR...

Alan Rohrig

Ela não acreditava em contos de fadas,
E acreditou no que você falava!
A decepção foi tão grande ao descobrir que o que você falava era mais fictício do que os próprios contos,
Que naquele instante ela silenciou.
E guardou suas cartas forjadas junto com os livros de histórias inventadas,
E não mais as leu.

Isabela Mota

Chamo-te de bela pelas minhas esferas
de contos românticos, a seus encantos
Em lugares perdidos encontro-te em minha busca.

Seus olhos fechados sempre abrem os meus
Protejo meu cálice juntos aos seus.

Bebo do calor que você me faz
Possuo seus desejos, seu amor.

Linda que me fascina, que me desorienta
Desse jeito eu sei que você não aguenta.

Ricardo Teixeira.

Falando do nosso amor

Queria você aqui comigo agora
Desejo em seus braços estar
Contos os minutos as horas
Pra de novo te encontrar

Meu sentimento em nada mudou
A não ser que te amo cada vez mais
Sem você já não sei quem sou
Só teu amor me satisfaz

Tenho planos pra nós dois
Vejo meu futuro do seu lado
Na verdade o meu depois
É ter você como meu eterno namorado

Creio que meu sentimento por você amadureceu
Não é uma paixão desenfreada
É sentimento suficiente pra passar o resto da vida do lado seu
E despertar cada dia mais apaixonada

Esse amor que agora sinto
Não me traz dor ou apreensão
E creia não minto
Quando digo que és dono do meu coração

Nosso amar é uma bela canção
Aprendemos juntos a cada dia
É muito forte nossa ligação
É muito mais do que magia

Basta um olhar pra compreender
Um gesto pra acalmar
Química assim não da pra entender
Só dois corações apaixonados pode elaborar.

Vamos viver esse amor em toda sua plenitude
E guardar cada momento na memória
Saber amar assim é uma virtude
Foi Deus o autor da nossa história.

Sheyla Miglioli

A real mentira dos contos de fadas

Passamos a maior parte de nossas vidas imaginando que existe alguém no mundo feito para você, seu príncipe encantado ou alma gêmea, mas isso é a maior mentira. Assim, acreditamos que temos a obrigação de casar, ter filhos, formar uma família. Mas na realidade, só fazemos isso para continuarmos mascarando esse sonho irreal, e porque temos medo de ficarmos sozinhos no final de nossas vidas.

Laynara Gomes

Encontros e Desencontros
Na vida, na arte, nas telas, nos contos, na ficção ou na realidade a vida está repleta de encontros e desencontros.
Amores verdadeiros ou sentimentos projetados? Amores sinceros ou conveniência inconsciente? Silêncio e solidão ou palavras e multidão?
Chorar o tempo certo e partir ou chorar a vida toda sem desistir?
Compreender que o outro não nutre o mesmo sentimento por mim ou ir em busca de alguém que me ame de forma igualitária?
Convenço-me que não é obsessão lutar por um amor respeitoso, feliz, recíproco, leal, fiel, generoso.
Ter alguém com quem dividir o cobertor, as lutas, as dúvidas, as dívidas, os anseios, os projetos, os sonhos.
Será que amar sem medidas é amar por primeiro?
Será que amar por primeiro é amar verdadeiramente?
Será que amar sem lágrimas é amar?
Será que já amei na vida além dos meus pais, irmãos, sobrinhos, amigos e meu próprio umbigo?
Amar não é competir, destruir, possuir, desprezar, tolher.
Amores, invasivos, dominadores, atrapalhados, interesseiros, que visam apenas o prazer, a dedicação que podemos proporcionar, esses amores nascem mortos, foram cultivados em desertos, na seca, sem chuva, sem vento, sem calor. Nem chegam a ser amor.
É preciso tomar conta do coração, deixar guiar, deixar sentir, deixar viver.

Arcise Câmara

Não espere que eu seja sua princesa, como nos contos de fadas, que esperam por um grande amor, por um homem perfeito em seu cavalo branco, que vem não sei de onde e nem quanto tempo vai demorar, mas que vai chegar... Porque eu não espero.
Eu faço o meu próprio conto de fadas, e acredite, não sou eu que espero por ninguém, alguns tem uma vaga sorte de poderem esperar por mim, mas nem todos dão valor a essa oportunidade.
Por isso o meu primeiro maior e único amor é o que tenho por mim mesma, e quanto a príncipes, existam ou não, duvido que sejam dignos de tanto amor assim.

Juliana Reis

Se contos de fada existem?...
Depende,
depende do seu sobrenome ,
de quantos zeros tem a sua conta bancaria e
e claro desta ordenacao genetica que se ve no espelho...
Quanto a fadas madrinhas,
provavelmente se cansaram de trabalhar de graca
e estao produzindo a alta classe
que ja nasceu pronta para o ''Happy end''.

CleaRF.

E como nos contos de fada, vivo a parte dos dramas e dos caminhos difíceis, ansiando por dias melhores, pessoas especiais, momentos mágicos, e tudo que seja possível e que esteja ao meu alcance... Mas não me esqueço que vivo no mundo real, com pessoas de carne e osso repletas de sentimentos confusos, ações enigmática e palavras vazias...
A diferença crucial entre esses dois mundos que desde criança fui obrigada a me conformar é que nada pode me fazer feliz para sempre... mas pode ser eterno e perfeito enquanto durar... só depende de mim...

Letícia Aline Rossi

Frio lá fora, café quentinho aqui dentro, páginas em branco esperando para serem escritas, contos e poemas emaranhados em minha cabeça.
Sinto-me tão bem, é assim que vou dar sentido a minha vida, é dessa forma que aproveitarei meu tempo.
Quantos livros lidos, quantos textos salvos no note?
É hora de deixar meus pensamentos comungarem com os pensamentos dos antigos.
Escritores, sábios, poetas sejam pacientes ensinem-me a escrever, ajudem-me a descortinar minhas melhores idéias.
Quero a clareza e a simplicidade em minhas frases, quero escrever de um jeito novo e original, quero pensar o que ninguém pensou, se é que isso é possível, enfim quero evadir-me, extraviar-me entre as linhas, transmutar-me em palavras para assim ganhar sentido.
Para trás deixo as intrigas do mundo, o medo, o fracasso, as preocupações, e avante sigo, avante escrevo.
Talvez a literatura tenha como principal objetivo esse: olvidar as amarguras, vencer as decepções. Talvez todos os escritores soubessem disso e conservassem esse segredo a sete chaves para que o mito não fosse quebrado e banalizado.
Desde a antiguidade grega, desde os escribas egípcios, desde os místicos e profetas judeus, que as palavras vêm sendo exaltadas e depuradas, e todos descobriram o poder que emana de cada sentença. No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus e o verbo era Deus, isso resume muita coisa, e hoje, para além de Saramago, de Freud, de Nietzsche, de Shakespeare o verbo ainda é o verbo e ainda encanta, elucida e exerce a potencia de ser verbo.
Estou sendo obscuro? Nesse ponto prefiro ser obscuro mesmo.
Céus, montanhas, horizontes, oceanos, pássaros, sonhos, almas, gramática, descortinai o mistério, rompei o véu do enigma, o sentido da parábola. Kafka abra as portas de seu mundo hermético. Joyce mostre-me as nuances mais secretas de seu mundo onírico, de modo que eu venha a entender o que cada símbolo traduz...

Idenir Ramos