Coleção pessoal de thaisalves
aquela vontade tão inconsciente de ligar que quando você se dá conta os dedos já discaram e você nem viu
Thaís AlvesExistem sentimentos que precisam ser contidos. Sentimentos que são como rios, se houver espaço, e se não houver freio, eles invadem, inundam.
Thaís AlvesSobre o amor.
Quando nasce um amor novo, é difícil resistir à tentação de alimentá-lo só com a presença. Mas é preciso deixar o amor respirar. Se você colocar uma flor bem bonita dentro de uma redoma, com medo que o vento e o tempo levem sua beleza, manterá por muito pouco tempo o que dela é bonito.
O que eu aprendi sobre o amor, filho, é que ele é feito de faltas e presenças. E que nenhuma das duas pode faltar.
Aprendi que o amor é feito de liberdade. É como ter, todos os dias, muitas outras opções. E ainda assim fazer a mesma livre escolha.
Dessas pequenas vitórias se faz a alegria de amar e ser amado. Descobrir no olhar do outro que você foi escolhido de novo. E de novo, mais uma vez.
Também aprendi que o amor interrompido em seu auge permanece bonito para sempre. O que pode ser muito doído ou pode ser um presente. Depende de como a gente quer guardar. Depende de como a gente quer seguir.
O amor é feito de falta, filho. Mas aí mora um perigo: adorar mais a falta que o próprio amor. Posso cometer esse erro diante de quem amo ou diante da própria falta. E aí quem passa a faltar sou eu mesma.
O amor é feito de falta, mas não sobrevive sem a presença. O amor é feito de hoje.
Por isso, ao ver a ida do seu pai, meu coração deu um nó. Como continuar minha caminhada, como não olhar para trás, se vinha de lá a nova presença, o novo amor?
Você é feito do amor de ontem, cresce amor de hoje e vai ser amor de amanhã. Você me trouxe a alegria de continuar amando o seu pai. Aquele que conheci, com quem vivi cada hoje com intensidade e delicadeza. Aquele por quem lutei, com quem briguei. Aquele que me transformou e que se deixou transformar por meu amor.
Você e ele, juntos, me trouxeram o milagre de continuar amando a mim mesma.
A falta do seu pai doeu ontem e dói ainda hoje. Mas não é a mesma dor. Com esse amor, tento transformar a dor de hoje em uma dor diferente amanhã.
O que aprendi sobre o amor é que ele deve estar sempre distraído. Mas quando falta o objeto do amor é o contrário: melhor não se distrair nunca.
O que aprendi sobre o amor - e isso aprendi sobre o amor a mim mesma - é que ele exige de mim, todos os dias, um esforço. Um exercício diário do qual não posso abrir mão.
É como estar num mar profundo, sem barco ou bóia. Não posso simplesmente boiar. Posso relaxar um pouco, mas logo retomo o nado. Não posso boiar, não posso, não posso. A onda pode me levar.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
Antoine de Saint-Exupéry"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante"
O Pequeno Príncipe"É melhor ser rei de teu silêncio do que escravo de tuas palavras."
William ShakespeareQuando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio
Provérbio indianoO que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.
Martin Luther KingSe soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.
Oscar WildeO pior é que eu nem sei se existe isso de última chance,
porque depois a gente vai querer outra última em nome do que já passou.
E assim a gente passa a vida dando "últimas chances" e nunca dando uma "primeira chance" para outra pessoa.
Certas coisas só se tornam reais a partir do momento em que cremos nelas, e na medida em que fazemos delas parte da nossa vida.
Thaís AlvesO problema é que nem sempre temos coragem de ir embora.
Thaís AlvesCaminho
Eu já conheço esse caminho,
eu sei onde eu estou pisando,
só por isso eu deveria continuar?
ou, exatamente por isso, eu deveria parar?
Eu já conheço esse caminho,
eu sei onde ele dá,
quem vai ter que arrumar as malas
quando ele tudo isso terminar.
Eu já conheço esse caminho,
ida e volta,
então porque eu insisto em caminhar,
pra voltar pro mesmo lugar?
Eu já conheço esse caminho,
e o passageiro sou eu,
tenho que dar a volta
e achar um lugar só meu.
Perguntar quanto tempo alguma coisa vai durar é aceitar a idéia que o tempo existe,e que os sentimentos são medidos pelo tempo que duram, e não pela intensidade com que acontecem, é admitir que as pessoas valem mais pelo tempo que ficaram em nossa vida do que pelo que elas fizeram para melhorá-la.
Abandonar nossas crenças, nossos conceitos(ou pré-conceitos), nossas certezas por alguns segundos e perceber o mundo à nossa volta é olhar para dentro de nós mesmos e encontrar não as respostas, mas as perguntas certas.
É preciso abandonar a idéia de tempo e buscar a experiência da felicidade, que nada tem a ver com tempo, pois quem é feliz não se pergunta "por quanto tempo serei feliz?" e sim "o que posso fazer pelo mundo e por mim mesmo pra continuar sendo feliz?".
"Vivemos esperando dias melhores"
Mas o que é ser melhor? Como é ser melhor? Por que sermos melhores? E o que estamos esperando pra tentar achar essas respostas?
A Morte Devagar
Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja quem não lê quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.
Soneto do amigo
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Amar talvez seja isso...
Descobrir o que o outro fala mesmo quando ele não diz.
A maior prisão que podemos ter na vida é aquela quando a gente descobre que estamos sendo não aquilo que somos, mas o que o outro gostaria que fôssemos.
Geralmente quando a gente começa a viver muito em torno do que o outro gostaria que a gente fosse, é que a gente tá muito mais preocupado com o que o outro acha sobre nós, do que necessariamente nós sabemos sobre nós mesmos.
O que me seduz em Jesus é quando eu descubro que nEle havia uma capacidade imensa de olhar dentro dos olhos e fazer que aquele que era olhado reconhecer-se plenamente e olhar-se com sinceridade.
Durante muito tempo eu fiquei preocupado com o que os outros achavam ao meu respeito. Mas hoje, o que os outros acham de mim muito pouco me importa [a não ser que sejam pessoas que me amam], porque a minha salvação não depende do que os outros acham de mim, mas do que Deus sabe ao meu respeito.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
(Nota: não é de Fernando Pessoa)
As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.
Fernando Pessoa