Coleção pessoal de Sinty

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QUEM PERSISTE DESISTE

Minha cara amiga,

Creia. Insistência é totalmente diferente de persistência. Talvez antônimos perfeitos, mas nunca sinônimos.

Insistência é você não abrir mão daquele cara que só te telefona, aos sábados, à noite, afim de um sexo fácil. Ou então daquele gostosinho que já deu em cima de todas as suas amigas. Tem também aquele outro. Aquele que sempre lembra de esquecer a carteira em casa. Insistir é não desistir desses tipos, já persistir é não desistir do amor.

Agüentar assédio do chefe, amigo desleal, gente fofoqueira, profissão meia boca, salário mínimo, tudo isso é insistir. Persistir é não aceitar nada disso, nunca contentar-se com menos, quando pode-se mais.

Insistir é sempre uma repetição. Birra de criança. Eu quero, eu quero, eu quero. Persistir requer maturidade, inteligência e criatividade para procurar, ou quem sabe criar outros caminhos, que levarão a outros lugares. Persistir é um atestado de coragem, porque quem insiste chega sempre aos mesmos lugares, mas quem persiste chega onde a vida acontece.

Quem insiste não desiste, não muda, não olha para o lado, só aceita o reto, desconfia até da intuição. Já quem persiste desiste, inclusive, dos velhos comportamentos. Persistir é um convite para ser o melhor que se pode ser. Você aceita?

Sintia Lira

(...) Eu não quero fingir absolutamente nada, já vocês querem aprender a fingir não amar quem amam. Vocês querem é o conforto da sala de estar e eu o caos do pensamento. Chega de vocês e essa dieta de vida programada. Chega de vocês e esse medo do fracasso. Eu quero fracassar. Quero mais eu e as minhas intuições. Adeus e até nunca mais. Sigam seus caminhos. Eu sigo só, protegendo-me de ser o que não sou. (Trecho de "Carta aos caretas")

Sintia Lira

Nenhuma palavra já dita me interessa. Nem mesmo estas. O que estremece em mim é o que está nas entrelinhas, é a liberdade de entendimentos e não-entendimentos que o subentendido provoca. O explícito eu não enxergo, não vejo na claridade, meus olhos estão treinados para ver as coisas como elas não são. Então: Eu não as vejo; eu só as sinto como quem humildemente aceita a escuridão da vida.

Sintia Lira

EU NÃO ME ECONOMIZO


Cometo os erros.
Me arrependo
Mais tarde, os erros são os mesmos.
Eu não aprendo.

As pessoas se repetem.
Eu enjôo repetidamente.
Eu também me repito.

Eu me sujo

Testo o meu sexo.
Finjo um orgasmo.
Me masturbo de madrugada.

Invento segredos
que ninguém quer saber.
O importante é me convencer de
que a minha vida é importante.


Perco o dia.
Ganho alguém na noite.

Jogo com a vida.
E quase sempre ela me mostra
que não deveria jogar tanto.

Aperto a ferida.


Tento um sexo anal.
Mas desisto dependendo do pau.

Levo choque.


As pessoas vivem a vida delas.
E a minha vaidade acha que tudo que
elas fazem é pra me ofender ou me agradar.


Como demais.

Dou vários telefonemas.
E desligo ao falar o que me interessa,
só o que me interessa.
Não atendo os telefonemas alheios.

Falo sem parar.

Defendo posições que nunca acreditei.
Só pro meu ego entender que eu sou
capaz de argumentar.


Bebo demais.

Provoco uma briga
pra sair da rotina.
Peço desculpas e me faço de vítima.

Perco dinheiro.

Finjo que amo.
E finjo tão bem que eu também acredito.
Mas depois de uns meses me sinto perdida.

Durmo na lama.

Eu não me guardo pra amanha.
Eu não me preservo.
Eu não me economizo.

Sintia Lira

Quis me perder, quis ser outra, que não eu mesma, mas esbarrei em mim por todas as saídas de emergência.

Sintia Lira

QUERO


Quero os homens de Vênus.
Quero as mulheres.

Quero os que amam errado
e amam muito.

Quero os que têm as perguntas
como respostas .

Quero os que não sabem viver
e vivem sem querer saber.

Quero os que mudam com a lua.
Quero os que deixam-se queimar-se com o sol.

Quero os filhos de Gandhy e
de todos os santos.

Quero os que consigam
defender-se de si próprio.

Quero os que cantam
pra sobreviver.

Quero os que permitem-se fracos.
Quero os filhos da noite.

Quero os que bebem.
Quero os rejeitados.

Quero os que desobedecem.
Quero os que vomitam

Quero os que amam.
Quero os que odeiam.
Eu quero é os que sentem.

Sintia Lira

Tenho amigos santos e loucos
Prostitutas e poetas
Bêbados e drogados aos montes.

Tenho amigos que
não sei que são meus amigos.

Tenho amigos que mentem.
E eu acredito que eles precisem
que eu acredite.
E por que não acreditar?

Tenho amigos que não perdôo os
defeitos que são mais meus do que deles.

Tenho amigos que não
são meus amigos.


Tenho amigos que
deveriam ser amores, e são.


Tenho amigos
que são borboletas.
Suas cores me pintam.

Tenho amigos que não entendo
nada do que eles falam, e
sinto tudo o que eles sentem.

Tenho amigos que brigo.
Por não saber dizer que os amo.

Tenho amigos que são amigos.
Mas não são meus.

Tenho amigos que
são variações da minha
própria existência.

Tenho amigos que são tudo
o que o mundo precisa para
sobreviver.

E ...

Tenho amigos que são
o melhor que há em mim.

Sintia Lira
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