Coleção pessoal de Shallkytton

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ETHIOPIA - Moço! Você viu este homem? É meu pai.



Naquela hora, os passos intensos abriram cordilheiras de dificuldades por onde passava o menino Raffem, que não cessava as pálpebras na sina desconhecida e arrepiante. Já distante do lar, Raffem de apenas sete anos de idade, trajava uma camisa de malha azul com listras diagonais nas cores vermelha e amarela e um short de tons sortidos. A epiderme escura da face transmitia o cansaço alterado pelas variações térmicas daquela localidade onde as pessoas apressadas carregavam seus pertences em animais fugindo das mais severas agressões humanas – A guerra.

Era o dia 02 de fevereiro de 1999, o conflito entre a Etiópia e Eritréia se arrastava num recipiente de selvageria e descontentamentos nos raios das fronteiras de Badme, eclodindo entre os lugarejos e cidades Etíopes. Vandalismos, assaltos, estupros, invasões e assassinatos eram as marcas comuns demarcados pela triste onda de violência nos dois países mais pobres do planeta. Acusações desenfreadas e uma população mais miserável ainda, não suportavam as dores que se alastravam pelas ruas e vielas poeirentas entre as choupanas redondas. Nem mesmo as tropas do exército etíope não contiveram o fluxo da invasão por diversas áreas tribais e agrícolas do Chifre da África entre tantas montanhas, vales e planaltos na extensa diversidade da exuberante vegetação e climática.

Sem nada entender, Raffem segurava firme nas mãos uma fotografia num saco plástico, e observando os horrores nas portas marcadas por sangue e tiros, ultrapassava nas janelas do tempo o mais sombrio retrato da falência da existência. Ao encontrar uma mulher vestida numa roupa tradicional com saia longa e um véu lilás, o pequeno Raffem indaga:

-Ei! Por favor! O que tá acontecendo por aqui? Porque todos estão indos embora?

A mulher desceu o saco de roupas das costas, abaixou-se, e disse:

-É guerra meu filho. Vá pro Sul o quanto antes. Peça ajuda.

Naquele momento, o guri abriu o saco plástico com cautelas e mostrou, indagando:

-A senhora viu o meu pai? É este homem aqui da foto. Eu tô procurando por ele e não vejo ninguém pra me dá notícias.

-Não vê garoto que ando apressada. Não. Não o vi. Com esse corre-corre nem sei para onde vou. Está tudo acabado por aqui. Vá logo meu filho pedir ajuda, você é pequeno demais.

Sem dar importância, a senhora saiu acelerada pela viela despovoada com a trouxa nas costas. Em seguida, um barulho repentino de uma camioneta rasgava em alta velocidade o vilarejo com vários milicianos na carroceria e um céu de poeira infernal ficava para trás. Ao presenciar o veículo o garoto se escondeu nos escombros de uma choupana queimada, ouvindo uma grossa rajada de tiros. Após uma presencial calmaria, o guri abre uma fresta no esconderijo e nota a mulher caída a mais de cem metros. Apressa-se, e ouve a mulher dizer as suas últimas palavras.

-Você é tão pequeno... Vá logo pro Sul, meu filho! Vá log... Suplicou a mulher.

-Senhora! Não feche os olhos, ouça-me! Não morra, por favor!

Uma lagoa vermelha descia aos pés do meninote, e as lamúrias venciam a meiga face negra da criança que se despedia das manobras da vida. E dali, partiu o menino com as mãos conspurcadas de sangue segurando o único portal da experiência numa fotografia.

Em Adis Abeba, o tumulto ocasionado pela invasão do território abalava cada habitante, e as forças militares etíopes nas ruas e esquinas reforçavam a segurança. Tiros acirravam o céu em várias direções, e a noite se conectava no absurdo dos homens na miragem das armas da fome.

Percorrendo a pé muitos lugarejos, Raffem se desespera com o entardecer longe de casa ao ouvir bombas abrindo clarões nos horizontes. Sozinho, agoniza-se com a fome e a sede que bate na garganta e no abdômen. Cansado e com os pés feridos, descansa o guri ao lado do caule de uma grande árvore, adormecendo sem entender o verdadeiro sentido das consequências em que o homem é detentor.

A madrugada advinda dos penhascos e vales assoprava naquele hostil planalto, a ansiedade vestida num tom cinzento da mente humana hipnotizado pelo conteúdo das bárbaras ações, reproduzia um filme arrasador na vivência daquele magro maroto de pernas finas. A mão direita levada ao peito afirmava a segurança da proteção do pai através de uma foto que cobria o minúsculo corpanzil assolado pelas torrentes de calor. E o dia nasce impetuoso, arrogante e leve na mesma proporção da esperança carregando enormes feixes de luzes na acelerada hora que não domina os ímpios homens.

O miúdo abre os olhos e se aterroriza com o panorama desigual do seu lar, soluça e grita:

-Pai! Onde está você! Pai! Não me deixe aqui. Eu preciso...

Não termina de pronunciar as últimas palavras da oração quando ouve um ronco de um caminhão atravessando o deserto em disparada, e as horas já avançavam na tarde. Raffem pisa forte entre os arbustos e atravessa a velha estrada que leva ao Quênia, e ali no meio, permanece hirto com a fotografia do pai segura na mão. O infante olhava o veículo numa distância de aproximadamente um quilômetro com as cortinas amareladas subindo aos céus numa cauda quilométrica de poeira que ficava para trás como se fosse um cometa. Entusiasmado, o coração sacudia com mais veemência ao encontro que pudesse levar ao sul daquela fronteira distante de sangue.

Um caminhão de carga com a inscrição assinalada pelas laterais – UNICEF – sigla de Fundo das Nações Unidas para a Infância - órgão da ONU levava suprimentos ao país vizinho do Quênia. O motorista de nacionalidade americana, cor branca, forte, cabelos loiros penteados e óculos escuros, ao perceber o garoto acenando uma carona, estacionou imediatamente o veículo, desceu e indagou:

-Olá guri! Você não tem medo de morrer com o baque dessa carreta?

Falando no seu dialeto, Raffem indagou?

-Moço! Você viu este homem?

O americano observando a fotografia amassada, disse:

-Não. Eu nunca vi. O que ele representa pra você?

-É meu pai, moço! Me ajude a encontrar ele.

-E o que aconteceu com ele? É fugitivo da guerra?

-Não. Meu pai é agricultor e trabalha nos cafezais comigo. Eu não tenho mãe. Sabe moço... Quando acordei hoje, não encontrei o meu pai em casa. E todos do meu vilarejo fugiram e outros morreram. Faça alguma coisa por mim. Sei que o senhor trabalha com muita gente e ajuda as crianças da África. Dá pra me ajudar, não vai lhe custar nada.

-Garoto! Eu não posso fazer isso. Tenho ordens pra seguir viagem ao sul. Se você puder esperar a Cruz Vermelha, ela vem logo atrás.

Insistiu Raffem, esfregando os olhos com a mão esquerda, e disse:

-Me leve pra qualquer lugar moço. Eu só quero é encontrar o meu pai. O senhor não tá falando a verdade. A Cruz Vermelha não cruza mais as estradas depois das seis horas da tarde.

-Não insista garoto travesso. Já disse que não posso levar passageiros. Você quer um sanduíche e um refrigerante geladinho?

O menino recebeu, olhou e nada disse. E o caminhão truck da UNICEF acionou o motor e partiu. Ainda com um pedaço de força, Raffem lançou fora o sanduíche e o refrigerante, agarrando-se no para-choque traseiro sem largar a fotografia do pai. Já com quatro horas de viagem, Raffem não tremia de medo, e sua pele negra havia se transformado na coloração amarela da poeira do deserto. E nas areias cortando o vento, o veículo fez uma manobra inusitada entre os buracos e cascalhos espalhados do estradão carrancudo. E naquele instante, Raffem caiu adormecendo no calor intenso.

Com o braço quebrado e a perna direita machucada, ainda sangrando, risca dos céus azuis mantos negros em disparadas, realizando acrobacias invejáveis ao olho humano. Eram abutres em busca do minguado corpo lançado naquele descampado meio. Pulando de um lado para o outro na alegria e próximo ao corpo, Raffem abre as pupilas e mexe com o braço, oportunidade em que voam. Já acordado, levanta-se com dificuldades através de um galho seco e se defende dos sanguinários. Já bastante desnutrido, o garoto etíope ainda consegue pegar alguns gafanhotos gigantes com o gancho seco e com leve batida na extremidade da cabeça, assim, sacia a fome miserável.

E as horas despontam na tarde longa do desespero. De imediato, a criança cobre os ferimentos com folhas verdes, evitando as moscas, retirando do corpo a camisa sórdida que serve de tiras para proteger o corte, e a dor que não para na perna esquerda.

Não demora as luzes da Toyota branca riscava o lado da estimativa, e Raffem perpetrava como uma estátua no meio da estrada, seduzido na perspectiva de encontrar abrigo e o pai desaparecido. Seguro com um pau seco, dali não se afastava o menino. A Toyota realizou uma frenagem rápida pela direita, e ali permaneceu o garoto aguardando providências. Diminuindo a marcha, observou Raffem uma carga enorme na carroceria coberta com uma lona. Uma voz masculina sobressaía num tom forte, dizendo:

-Venha! Venha! Suba por aqui amigo. Venha! Venha logo! Ei! Não pare! Segure na minha mão.

Um rosto também miúdo de igual idade abriu a lona da carroceria pelo outro lado, e lançava insistentes acenos e gritos:

-Por favor! Venha amigo, aqui tem um lugar pra você.

Raffem se locomovia na direção do braço estendido à frente, debilitado com a perna, segurava o garrancho da esperança e a outra acenando com a fotografia do pai na derradeira tentativa de alcançar a mão. As lágrimas se repartiam na face amarelada de uma jornada sem trégua descendo o rosto. A voz agitada reclamava:

-Não! Espere motorista! Leve o amigo que tá doente.

A outra voz de menor potencial rebatia com as mãos na Toyota em protesto.

E o minguado etíope caía no chão com o arranque do veículo, apenas um vendaval lhe cobria de poeira no conforto infeliz que uma vida possa receber. As duas crianças negras na carroceria da Toyota suspendiam os braços em prantos. Um rápido raio vindo da luz solar, engoliu o coração do menino. Este era o verdadeiro filho de Alá que tombou e se elevou na grandeza do pai.

Entre todos os contornos, os propalados pensamentos humanos, não serão a pobreza, a raça como o desmantelo das classes sociais, e tão pouco o condicionamento direcionado das populações diversificadas no meio social, político e religioso. O homem não mede esforços para sinalizar um caminho para a paz. Contudo, encontra largas aberturas para semear as diversas pretensões na rivalidade descomunal ao semelhante, gerando a guerra. E se inclui na ausência do pleno conhecimento de sua existência entre verdades e aleivosias.


Conto escrito em 14 de fevereiro de 2000

Erasmo Shallkytton

ANTONIO GONÇALVES DIAS


10 de agosto de 1823
10 de agosto de 2011


Naquele dia nasceu a altanaria esquecida de Caxias
No mais completo dia 10 de agosto de 1823
Não marca na cidade da Princesa do Sertão - (10/08/2011)
Nem um coração que lhe dê um aperto de mão.
No albor do filho garrido que Deus tenha compaixão!





Torrão dos celeiros dos potes d`ouro
Soçobrada em gota de prantos caídos.
Eram homens bravios lusos quã`um touro
Defendiam as portas de Caxias – fidos
das portas d`algodão não eram mouros.
Eram os guardiões da Coroa bem cridos.

A vila contra o berro do Ipiranga
Fazem o bastião `os filhos de Lisboa
Das mil jóias por armas – negros das gangas
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

Bem ali... Bradava o sangue nas ruas
Torrão dos celeiros dos potes d`ouro
E as meninas Guanarés quase nuas
Na terra que foram suas – um tesouro.
E veio o vento - homem da Ordem de Avis.
Bastante armado até os dentes - Fidié.

João Manuel gritou versus Ipiranga
Munições nas janelas e palmeiras
Fidié com certeza chorou pitangas
Os Canelas finas ouviam asneiras
E a tropa brasileira com mangas.
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

João olhava a pança da dona Vicência
Era nona hora triste de abrir
O céu azul sem estrelas da inocência
Sair pelo mundo sem poder sorrir
Co`as colheres de ouro no caxixi.
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

A tal Rua do Cisco, ali chovi`em choros
Nega Vicência em total amargura:
-João! Não vá à luta. Não parta `em doçura
-Não Vedes a luz da única alegria?
João olhava a pança da dona Vicência
Era nona hora triste de abrir
O céu azul sem estrelas da inocência.
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

Tão Infeliz com a perfídia arrancada
Extraída do leal peito lusitano
Era uma hora da soberba aurora
Os céus com a lua se se entusiasmaram.
Abriram trilhas nas matas d`estrada
E dali vencia o comboio infiel lisboano
Nem mesmo as corujas avistavam.
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

Fidié aquartelado nada falava
Dom Pedro Primeiro de lá sorria
E o menino rei do Brasil orava.
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

Ó Feliz Sambaíba dos passos meus
Foram marcados pelos passos teus
Meu Ouro Verde das palmeiras galantes
Desígnio do miúdo filho de Deus.
Ouviram os Guanarés nos mofumbos:
-Viva Tupã! Bem ali... Um brio nasceu.
Nas brenhas das palmeiras do Jatobá
Pobrezinha choupana - palhas minhas.

Na cancha da Boa Vista, João disse:
-Não lutei por minha Pátria. Ó Lisboa!
-Dei-te a vergonha ao teu pé sozinho!
-Hei-te abraçar até a Sé de Lisboa!
Cercados: Ninguém descia o Rio em canoas
Nem via o Piauí com arapongas.

João olhava a pança da dona Vicência
Eram as últimas horas tristes de abrir
O céu azul sem estrelas da inocência
Chorava nas palmáceas de um sabiá
O grito festivo com dor, João disse:
-Chamo-te de Antonio Gonçalves Dias,
O único e correto filho de Caxias.

Erasmo Shallkytton

CLÉSIO COELHO CUNHA – CANTO REAL DUM JUIZ


Um certo dia, um raio cruzou a “Cidade Esperança,”
Levando uma tarja d’ouro quão reluzente!
Nascia o menino n’Alto Turi sem tardança,
Da pátria de Zé Doca se fez diligente,
Levantou balizas n’ alegria familiar,
Confiou as lições com a mãe sem abreviar,
Erigiu-se n’alma dum homem corajoso,
Abriu os doces sonhos com arco ditoso,
Do Maranhão improvisou a sua nobre canção,
Altivo Juiz que o povo quer: é talentoso,
Um julgador cordial e tem bom coração.

Foi na cidade de Zé Doca com bonança,
Onde Vicente e Isabel erguera’ o Progresso,
Labutas com ardor fizeram a mudança,
N’anfiteatro da Grécia foi um grande sucesso,
Da pecuária e educação saiu o homenageado,
De Promotor ao cargo de Juiz é confiado,
No baluarte da magistratura ’o Poder,
É reto nas decisões e faz ’contecer,
No judiciário maranhense em cada ação,
É ele: Fruto imparcial dos deuses comprazer,
Um julgador cordial e tem bom coração.

Tão radiante tem a luz do sol na confiança,
E por ser um árbitro virtuoso e excelente,
Leva no cerne a modéstia numa balança,
Duma nascente majestosa é competente,
Por onde passa com humildade faz brilhar,
Com carisma detém a força de ajudar,
Nem os ventos incautos chateiam: é atencioso,
Brioso nos costumes o que faz ser honroso,
E o chão Gonçalvino abraça com adoração,
A nobreza deste herói muito valioso,
Um julgador cordial e tem bom coração.

E nesta aptidão de senso crítico é aliança,
Compassivo na cátedra é benevolente,
Agita-se em favor do fraco com mestrança,
Ato humanístico que realça decente,
Num lampejar merecido para ofuscar,
E são sementes de afeto sem demonstrar,
Porém, todo mundo sabe quem é ele: airoso,
Alteia com riso democrático e rendoso,
Fala com todos e abre as portas com distinção,
Democrático por natureza é lustroso,
Um julgador cordial e tem bom coração.

E analisa contemplando o mund’em mudanças,
Das alçadas que leva a vida nesse expoente,
O Juiz Clésio Cunha atua com perseverança,
E na trilha do trimilênio é promovente,
Erguendo no ritmo diário faz laborar,
Com afeição os anseios dos humildes n’olhar,
É uma missão d’alma que enobrece e custoso,
Na margem jovial será sempre caloroso,
Induz na mais quieta e imutável atenção,
Produzindo ato de pura jurisdição,
Um julgador cordial e tem bom coração.


Ofertório

Faz jus a oblação do canto real primoroso,
Por ser um grande magistrado conceituoso,
Adição qu’enobrece nesta posição,
És tu Clésio! Operante da justiça atuoso,
Um julgador cordial e tem bom coração.

Erasmo Shallkytton

Arquejando a flor do teu coração


Se a delícia é sentir as tuas carícias,
Derramando sobre o meu corpo,
Apertando nos elos da tua vida
Eu sou o teu único navegador,
Arquejando a flor do teu coração,
Da emoção que pula na atração.

Se as palavras voam e se perdem,
Pelo menos as minhas tiveram sorte,
Com suporte e sem corte, cruzaram,
O rumo dos teus beijos no norte,
Entre a luz infinita do longo destino,
Arqueja nos lábios tão ofegantes.

Eu provei com a flecha lançada no ar,
O rumo certo e reto do teu coração,
Com animação e amor fizera ebulição,
Descortinada numa flor toda amarela,
Será sempre amor com sublimação,
Acobertando abraços numa aquarela.

Erasmo Shallkytton

TRAVESSIA PARA O AMOR


Quando o inverno se perdeu nas paredes do teu sorriso,
Eu gritei o teu nome entre cinco mil jardas no horizonte,
E deplorei a lamentação que não voltou no meu paraíso,
Seguindo os confins de olhar a tua alma na minha fonte,
Carreado na velocidade da minha imaginação sem aviso,
Numa dobrada de meditações que sugestiona um monte,
E vou te procurar nas estrelas desse manto azul todo liso,
Nem que seja preciso erguer entre nós uma grande ponte,
Uma e somente uma travessia de amor, será bem preciso.
Mesmo assim, eu levarei flores do meu sertão com emoção,
De poder entregar nesta sedução que faz uma única paixão.

Erasmo Shallkytton

OITAVAS DUM ETERNO AMOR


Quando as horas se abrangem com a passagem das nuvens,
Eu vejo que os frutos não se desfizeram no cordão da vida,
E não me amordaçam as afeições que arcam sem miragens,
Da realidade abrolhada aos teus pés nada domará a partida,
Nem mesmo os bafos e chuvas aliviarão as minhas origens,
Entre o amor da união que se abarca entre nós com guarida,
Serão sempre os portões de todas as nossas briosas viagens,
E quando as horas cingirem o teu peito és a minha acolhida.

Erasmo Shallkytton

RONDÓ DE UM BEIJO SÓ


Nem sei como aconteceu,
O beijo que foi meu e teu,
Foi um prazer no sertão,
Quando por lá anoiteceu.

Nem sei como aconteceu,
O beijo que foi meu e teu,
Hum... Ainda sinto o prazer,
Que não desapareceu.

Nem sei como aconteceu,
O beijo que foi meu e teu,
Com a luz do sol brilhando,
Nas palmeira` é um apogeu.

Nem sei como aconteceu,
O beijo que foi meu e teu,
Enfeitou mais o cocal,
E desse amor floresceu.

Nem sei como aconteceu,
O beijo que foi meu e teu,
Estremeceu! Minha deusa,
Nada, nada se perdeu,
Hum... Ainda sinto o prazer,
Hum... Ainda sinto o teu afeto,
Que não desapareceu.

Erasmo Shallkytton

Dançando um reggae romântico


Amor, hoje à noite eu te mostrarei o mar,
Da minha Ilha caribenha pra ti enfeitiçar,
Da Casa do Maranhão ao Centro de Cultura Popular,
Beijar-te-ei na porta do Museu Cafua das Mercês,
E nesse vai e vem, saibas que sou muito cortês.

E sei que o bom da noite será possuir a tua alma,
Trazendo abraços com relampejos à majestade lua,
Na maior inspiração jamaicana da Ilha do Maranhão,
Unindo o meu e o teu coração nesta comunhão,
Na Ilha do Reggae de São Luis é a maior atração.

Amor! É aqui a minha terra e toda a massa regueira,
Venha! Vamos dançar “um reggae de responsa”
No ritmo envolvente onde o nosso amor é doce,
E tudo para quando se escuta uma boa pedra,
Na mais suntuosa Capital Brasileira do Reggae.

Meu amor! Vamos curtir no Trapiche Reggae Bar,
Lá na Ponta da Areia um reggae romântico ao vivo,
Em três ambientes, prefiro curtir na areia da praia,
Falar no teu ouvido e dançar a Melô Maria Madalena,
Na voz da gatinha Raissa Star e Som Costa. É massa!

Pense numa coisa boa, dançar contigo agarradinho,
Suando entre os teus seios no chamego de dois pra lá,
Apertando a cintura no balanço sai um beijo coladinho,
Marcando um passo lento e romântico de dois pra cá,
Ritmicamente de leve, “bate bem”, vou me apaixonar.

Dançando nesse clima deixa a gente arrepiado demais,
Muito maneiro essa pedra e trás ótimas lembranças,
Pense numa coisa boa, dançar contigo agarradinho,
Bem de mansinho com as ondas tocando os nossos pés,
“Eu não sou magnata, mais tenho que estar no pano”

Meu amor! Vamos curtir no Trapiche Reggae Bar,
No ritmo envolvente onde o nosso amor é doce,
Apertando a cintura sai um beijo bem coladinho,
Pense numa coisa boa, dançar contigo agarradinho,
Na voz da gatinha Raissa Star e Som Costa. É massa!


E aí galera? Vai essa pedra nesse video maneiro!

http://www.youtube.com/watch?v=nv2pUH-kJBU

Erasmo Shallkytton

VENEZA – É ASSIM QUE EU TE AMO




Minha ilustrada e aguerrida afeição bela,
Não, não haverá outro jeito dignificante,
Superando o calor dos beijos em novela,
Por isso, levar-te-ei ao nordeste da Itália,
Onde o esmero amoroso é somente dela,
Do sorriso em diminutos em canais: é ela,
É Veneza das lagunas apaixonadas é bela,
Uma cinderela com uma flor tão amarela,
Das vielas estreitas terás a minha tutela,
Amando-te na tabela dos sonhos nivelas.

Eu quero apenas mostrar o meu presente,
Neste repente ascendente é clarividente,
Toda a afeição mergulhada em teus lagos,
Afortunado de biografias que encantam,
As roupagens coloridas vestindo os olhos,
Cantando o mesmo refrão que eu te amo,
Sem hora marcada na mistura dos versos,
Com rima sem rima para poder te amar,
E sem medida da mais altiva miscelânea,
Em que posso meditar e passear no amor.

Abastecendo com carícias a minha musa,
Que ver a majestosa Veneza com beleza,
Fruto da ebulição norteada que me cruza,
Me usa sem recusa tirando ela a sua blusa,
Em plena comuna da misteriosa Veneza,
É simpatia nas alegrias que me contagia,
Dentro do teu arquipélago de sentimentos,
Sou o teu doge e tu a minha real dogesa,
De todo o meu noroeste do Mar Adriático,
Abraço-te quão a melhor fêmea da Europa.

E com as mãos leves em todos os passos,
Cingidas pelas eras que me atravancam,
Sinto a vivacidade bater no teu coração,
De frente a real Basílica de São Marcos,
Tão centrada na Praça do mesmo nome,
Meu amor! Elevo nas alturas desse barco,
As traçadas suaves por todos os canais,
No rumo da travessia desse cálice de afeto,
É correto, reto e completo sempre te amar,
Ó musa! Tu nasceste encantada pra mim.

Eis-me aqui na minha sonhada República,
Ladeado com a musa de cabelos adriáticos,
Pompa gigantesca no mar ela é pitoresca,
É guardiã deleitosa, rosa e toda amorosa,
Faz-me bem casar com ela, uma donzela,
Que me zela rodeando de carinhos por ela,
Da arquitetura gótica é retrato mosaico,
Desfilando nos abrolhos de quem visita,
Entre a Pala D’Or é o teu maior tesouro,
D’ ouro e das pedras galantes no retábulo.


Ó meu amor! Tu vejas a exótica catedral,
Com paredões de mosaicos estendidos,
É a maior frontaria de toda a gran Europa,
É ali onde dorme o corpo de São Marcos,
Padroeiro divino das lagoas de Veneza,
Com os pombos brancos revoando o céu,
Marcam a paz pela Praça de São Marcos,
Enaltecendo com lucidez que é Veneza,
O único empíreo do silencio das águas,
No entretom esverdeado do mar Adriático.

Amor! Segure bem firme as minhas mãos,
Ó! Concluas com as tuas meras pupilas,
A grandeza estelar do meu encantamento,
Sorrias no leito das camadas desse véu,
Extremando no laço dos meus caprichos,
Desejando o bem líquido dessa amizade,
Declarada nos lenços sem qualquer desate,
Exara em atribuir a minha eterna gratidão
Passada nas linhas acionadas do teu cerne,
Não recuso a acatar a tua cordial amizade.

Julgo observar a reflexão desses instantes,
Tão aventada no vento que sai dos canais,
É vida que não passa é sorte em sonhar,
Talvez outra vez no berço desse teu apego,
Anexando o teu corpo em nota do meu,
E vai procedendo ao tempo e longo prazo,
É suficiente para amar e aprouver seguro,
Que eu te amo até morrer de tanto amor,
O leve balançar da gôndola sem barulho,
Concedendo a nossa eterna e meiga união.

Atravessaremos centenas de tantas pontes,
Entre ruas e ruelas que me cobrem a visão,
Tu enxergas o Pallazo Ducale chispante?
Era ali a insígnia do governo de Veneza,
É maestria no central destes panoramas,
E são razões de decidir, e eu te proponho!
Vamos nos perder entre tantas alegorias?
Da Ponte Rialto e absorver as suas belezas,
Decorando em passos mágicos melodias,
Enfeitando a matiz do meu querer e ter?

Amor! É aqui o melhor lugar do mundo,
Não há nem automóveis e nem fumaças,
Agora, eu acolho e acredito nos sonhos,
Em formosuras talhas e curvas do corpo,
Envenenando mais e mais a minha alma,
Na predição do além que logo, logo vem,
E se se realiza no tríduo da devida paixão,
Mornando a combinação das tuas adições,
Afere-me as loucuras em possuir as luzes,
Que despejam em tua face alegre em riso.

Amor! Na direita é a Ponte dos Suspiros,
Reinante das águas da trilha condenatória,
No vestido das folhagens dos pretéritos,
Calando os espíritos navegantes das eras,
Repouso das locuções mais deprimidas,
Lágrimas que tombavam no verde mar,
Sem agradar a vida dos homens presos,
Andaremos no percurso que era secreto,
Pela miúda ponte lendária da travessia,
Que outrora lagrimou pingos sem alegria.

Sinto a melancolia desprezar os choros,
No pendão do Palácio Ducal a covardia,
E enxergar num estampido o mar e céu,
Num minuto marcante de sofrimentos,
É respirar na agonia operante da miséria,
Pela embocadura estreita ao fim da vida,
Penando o espirito nos segundos além,
Do clandestino das marés em masmorras,
Amargo boldrié no par da consternação.

Ligação agourenta entre dois edifícios,
Na ladainha da misericórdia das estações,
Sofreável na maldita e derradeira hora,
Ali repassava os pombos da cor branca,
Avistando os míseros homens à morte,
Ó Ponte dos Suspiros! Ó assombração!
Ruína da destruição da vida histórica,
Revivida por quem conhece os rumos,
Balizados nos quadrantes da inquisição,
Roupagem dos requintes de crueldades.

Amor! Subscrevo também os desgostos,
Não só o divertimento que vive o coração,
Há correntes que prendem e atam sem dó,
Risos insinuantes que variam em frações,
E sacolejam o húmus paladino errante,
Choramingando em pingos de coruscas,
A história debalde daqueles humildes,
Soterrados e afogados pelas amplas marés,
Era ali na Ponte dos Suspiros o alívio,
Do céu e a terra a advir ao fim da visão.

Num jasmim flexível com cheiro de amor,
Agraciador desse laudável cupido é a flor,
Aguerrida dos tempos que me faz amador,
É a prova maior quanto te vejo mais bela,
Sem trela na minha viela busco um ardor,
Da física dos fortes abraços entrelaçados,
Comungando quimicamente com fervor,
É chama ardente e prudente do teu amor,
Que avança com trança nas tuas ânsias,
Debitando o calor ofegante e namorador.


E assim é Veneza, uma eternidade no ar,
Debitando o calor ofegante e namorador,.
Acirrando a mais bonita cidade do mundo,
Entre palácios e edifícios içados no mar,
Ruas de águas e bairros como uma ilha,
Mercadores, comércio, guerras e amor,
Fizeram da Veneza um porto com alvor,
Delineando nas embarcações as águas,
Alçando prédios sob o líquido da vivência,
Fez Napoleão Bonaparte a sua conquista.

Saiba meu bem, eu quero muito propor,
A cabal delícia carinhosa e mais branda,
Que flameja na superfície dos teus seios,
Com os meus anseios, faço deles a banda,
Auferível no bom gosto dos nossos meios
De onde antevejo a tua lindeza cintilar,
Aprazando o gozo interminável de dar,
Mais canduras ao teu doge pra arrebatar,
Na silhueta que transforma flores no mar,
Do Mestre em Veneza é o Mediterrâneo.

Ouça-me com destreza e certeza, princesa!
Não haverá nenhum lorde com presteza,
Riqueza ou proeza maior que o teu doge,
Amador e desejador do teu único calor,
Ainda não nasceu outro melhor do qu’ eu,
Para elevar o teu corpo nas plenitudes,
E tão pouco o faça melhor que o teu doge,
Da cidade mais bela e famosa do mundo,
Veneza é presteza com certeza, é Veneza
Rainha só minha para afirmar a delicadeza.

Venha amor! A nossa gôndola flutua,
É toda a tua majestade de finos tratos,
Pelo Grande Canal é a maior via aquática,
Cortando a cidade briosa e majestosa,
Que fica airosa com o teu beijo ardente,
Sinto as mil fagulhas desse sentimento,
Num comboio de barcos na minha frente,
Gôndola. Eis aí a nossa real embarcação,
Nas vias de assomo falo minha adoração,
Das manobras e velocidades é pacífico.

Ouves do alto da torre o sino soar macio,
Da Basílica de São Marcos é regozijo,
Girando, girando o cata-vento dourado,
Lá de cima eu posso observar e me calar,
É o nosso guerreiro arcanjo São Gabriel,
Afortunando o meu e o teu tenro cupido,
Eu respiro fundo e não me falta o fôlego,
Para apreciar a mais doce cidade – Veneza,
E trago aos brindes desta oferta o carinho,
Medalha honrosa que semeia nos seios.

Meu amorzinho! Meu grande amor é só teu,
Venha! Vamos pular no carnaval juntinho,
Com máscaras tudo é festa e nesta dança,
Vou levar a tua alma para dentro de mim,
Pulando nos trajes seculares, Veneza é assim,
Uma ligação agourenta entre dois edifícios,
Na ladainha da música que faz muito som,
E eu quero mais é ter a tua alma colada,
Atada e pregada neste nosso romantismo,
Feito de tanto amor entre eu e tu, é Veneza.

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Erasmo shallkytton

É NOS LAGOS DE PLITVICE QUE VOU TE AMAR




O dia amanhece com os raios perpendiculares,
Alumiando os quadrantes dessa altiva afeição,
Embebendo no olhar tudo que tu pode dares,
Elegendo na minha boca o teu beijo com ação,
Na malhada do teu corpo ando em plenos ares,
Ventilação amena é ter a tua alma com oblação,
Refração absoluta que logra em nossos basilares.

Hoje é um dia exclusivo nos teus sentimentos,
Vislumbrando os paraísos da luxuosa Croácia,
Atracando no teu amor por toda a bela Zagreb,
Onde sinto a leveza açoitar todas as afeições,
Derreadas no manto dos nobres e doces seios,
Avolumando no paraíso dos meus e teus olhos,
São esperanças infatigáveis e incomensuráveis.

Meu amor! É somente aqui a pérola dos Balcãs,
Onde podemos cruzar as esperanças em verdores,
Enlameando com o suor das tuas macias mãos,
O ardor de quem mais te venera em todas as eras,
Sou eu o teu primeiro e único Comandante Máster,
Das atrações infindáveis perpetuadas no teu céu,
É mel no fogaréu abrasador que assola um carrossel.

É no espírito da famosa Croácia que eu te amo mais,
Ladeando as canções em versos no teu aconchego,
Na graça da face que me beija e me enlouquece,
Mais não entardece e nem desaparece do meu ego,
O teu sorriso são como as belas e límpidas cachoeiras,
Tu não és brasileira, não tens palmeiras, é faceira,
Amando o único homem criador das admiráveis canções.

Faiscando nas minhas veias entre as loucuras do verde,
Verduras dos lagos e ilhas que me atordoam agora,
Transparências das águas arremessadas nas rochas,
É o Parque Nacional Plitvice Lakes na bela Croácia,
Onde as carícias dos teus lábios se perdem nos meus,
Afundando nos poros a macieza desta linda mulher,
Encantando por excelência e primor dos meus versos.

Eu sempre vou te amar em qualquer lugar, amor,
Desde a brancura das águas que descem no vale,
Acariciando com minhas densas mãos o teu xale,
Enervando do apogeu destas maravilhosas alturas,
É fogo e água dentro do nosso íntimo que não apaga,
Não larga como essas cachoeiras que nunca param,
Descendo na perdição da audição onde eu grito.

Vestindo o teu precioso corpo esmeraldino de árvores,
Dos bosques que clamam no ápice o doce do amor,
Derrama velozmente no peito augusto da pátria seio,
Por isso quero me perder contigo no outono vermelho,
Dissipando o lábaro do prazer o que é ser pra nascer,
Viver intensa aglutinação de afetos e tantas sublimações,
Néctar das flores que empreendo com labor nos seios.

Eu sou o teu Hércules com todas as denominações,
Apolo completo de suas ambições cantando afeições,
Eu posso mostrar que eu sou um Deus Sol no amor,
Pureza das tuas notas musicais que miras em dó,
Ladeadas nestas dezesseis lagoas de cantorias,
Eu te juro jamais ficarei esperando a tristeza tão só,
Juntos, caminharemos por toda a verde floresta.

Amando e banhando contigo nestas águas continentais,
É sensação de viajar pelo teu corpo e longos cabelos,
Penetrando na infinidade brusca dos meros desejos,
Bel-prazeres incontáveis que batem em nossos corpos,
Bailando na sinfonia de Beethoven com duas flautas,
Arrebata o alvorecer das primícias no gozo da vida,
Ida valida e combatida em verões das minhas pautas.

Andaremos de mãos dadas pelas pontes de madeira,
Enfileirando com charme o que é mais prazeroso,
Imergido no famoso Plitcka Jezera National Park,
Mansidão desse nobre parque de toda a região Lika,
Abraço-te e logo incorporo dentro da tua única alma,
Ardente como o fogo do lampião no espaço todo azul,
Chamejando imaturidade resplandecente dos teus olhos.

Embarcam nas trilhas envergando no tálamo afetuoso,
Montanhas deslizantes de afagos duma radiante deusa,
Na hidrografia que contagia a benção dos meus deuses,
Silenciando o perfume que cai no delta dos acalantos,
Promovendo cataratas inolvidáveis das sublimações,
Erguem-se nas mãos atadas abluções com vários tons,
Descobrindo no Parque Plitvice lagunas apaixonadas.

Amor! Eis aí o nosso paraíso de doçuras escancaradas,
Festejo de galanteios prósperos no limiar sem um fim,
Abocanha o vento em ondas nos cabelos só pra mim,
É sensação de viajar pelo teu corpo e longos cabelos,
Penetrando na infinidade brusca dos meros desejos,
Subterfugidas nestas dezesseis lagoas de cantorias,
Penetro no âmago da musa refugiando o meu amor.

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Erasmo shallkytton

EDSON GOMES – O REI DO REGGAE BRASILEIRO



Ali descia uma alma com viva luz nos olhos,
Vibrante cruzou os trilhos da ponte de ferro,
Pousou na aceleração dos minutos sem trolho,
Labor dos ingleses e alegria de Dom Pedro II,
A Rodoferroviária de Cachoeira de São Félix,
Naquele berço de calçadas históricas baianas,
Ali nascia o menino Edson do reggae protesto.

Cresceu vendo o Rio Paraguaçu descer docemente,
Naquele pedaço negro do louvável chão baiano,
E no imperialismo das dificuldades financeiras,
Não teve porteiras, celeiros e tão pouco veleiros,
A resguardar as mil aspirações do menino pobre,
Dando adeus as letras e abraçando o Deus Apolo,
Nas escadarias da mãe Grécia com tantas alegrias.

O garoto de São Félix sabia o gosto da liberdade,
Sem submissão e autonomia olhava a cor do sol,
Da verdade social esmagada pela racionalidade,
Penteava o tempo na sua autoafirmação musical,
Mesmo com o olhar triste da vida ríspida social,
Fez da equação da existência a sua própria vontade,
Lendo as pupilas das leis esmagadoras e sociais.

Os Gritos das notas musicais voam e fazem espaço,
Do domínio sobre o homem objeto sem objetos,
Das penas do sujeito no labor com dor no trimilenio,
Triturado nas massas das angustias e corrupções,
Eis aí o cara certo e bem adequado para falar,
Grita sem medo ou receio com afinidade ao seu povo,
Brada e agita sem negar a liberdade como deve agir.

Edson Gomes é a voz guerreira do reggae,
É a pegada gigante no levante dos dramas,
Sangue que não brinca e faz da massa seu anel,
Correntes contrárias não lhe vence em batalha,
Apostos contra a voz que clama o reggae protesto,
Na melodia dançante faz a galera ir à liberdade,
Da opressão e dos meios que mutila o honesto.

É bastante consagrado pela mídia regueira,
Mesmo que algumas rádios e TV não tocam,
Sua conceituada voz ultrapassa oceanos e mares,
Esse é o verdadeiro Bob Marley brasileiro,
O rei do reggae brasileiro de todos os tempos,
A pedra preciosa da arte jamaicana Nacional,
Olha aí mano! Vai nessa! Curte! Dance! Salve Jah!


Escute e navegue. A vida não parou, a vida não para aqui.

Cante:

Link: www.youtube.com/watch


LILI

Edson Gomes


Composição: Edson Gomes
Vamos amigo lute
Vamos amigo lute
Vamos amigo lute uoh oh!
Vamos amigo ajude, se não
A gente acaba perdendo o que já conquistou... ("iêa")
A gente acaba perdendo o que já conquistou ...bis

Vamos levante lute
Vamos levante ajude
Vamos levante grite
Vamos levante agora
Que a vida não parou
A vida não para aqui
A luta não acabou
E nem acabará

Só quando a liberdade raiaaarrr iêa
Só quando a liberdade raiaaarrr...

Repete introdução 2x
Repete 1ª parte 1x
Repete 2ª parte 1x

Liberdade
Liberdade
Teu povo clama lili
Dona lili

Erasmo shallkytton

NEGUINHA DA ILHA DO AMOR


Naquela tarde com o raio de sol no mar,
Quebrando todas as ondas do meu sorriso,
Decompondo as tristezas do meu paladar,
Na Ponta da Areia de frente ao Atlântico,
Ela vem contrabalançando no som reggae,
Da radiola caravela que brada e soa no ar,
Lá vem ela saracoteando o quadril pra cá,
Minha Neguinha de olhos mágicos a brilhar,
Dividindo as formosuras que me rodeiam.

É no meu caribe transatlântico que vagueia,
No raio azulado verde vão as minhas pupilas,
Donde o sol nasce dentro do meu continente,
Com mil encantos naturais dos olhos da gata,
Ata em brilhos de fogos que assim se desdobra,
Na razão primitiva de ser uma luxuosa mulher,
É ela que chega rebolando na Ponta da Areia,
A minha Neguinha africana da Ilha de São Luís,
Do Maranhão é ação que me faz e me ponteia.

Ela viaja o mundo dos meus sonhos em poesia,
Donde o sol nasce dentro do meu continente,
Mitigando transcendência que enfeitiça o tempo,
Ela vem como as palmeiras do meu ouro verde,
E flutua no rio perene Itapecuru da Ilha do caju,
Minha Neguinha da Ilha do Amor é mais esplendor,
Rebola, remexe e se sacode na via da Litorânea,
Na Ponta da Areia na cabeceira do meu Atlântico,
É a minha Neguinha africana da Ilha de São Luís.

No calorismo que abafa a avenida dos olhos,
Lubrifica e trafega na alma o meu reggae roots,
De todo o litoral afro norte do meu terno Brasil,
Luzindo o conjunto de minhas ilhas oceânicas,
Lá vem ela pisando macio nas areias da praia,
Sorrindo na Ponta da Areia do bumba meu boi,
Altera a cor da mãe lua no sotaque da matraca,
Faz a terra vibrar da minha Jamaica Brasileira,
Dançando agarradinho faz a camisa tremer.

Do coração que não para da América do Sul,
Do azul do céu da água pura azul verde mar,
É aqui o apogeu todo espiritual do reggae,
Da minha majestosa Neguinha da Ilha do Amor,
Das dunas que encobrem o céu dos azulejos,
Dance, vem rebolando por todo o meu litoral,
Com intrincas verdes, vermelhas e negras,
Colorindo o fim da tarde entre o sol e o mar,
Nesse temporal e visual vai me enlouquecer.

Em versos únicos obra que sei bem fazer,
É a Neguinha do meu Maranhão uma flor,
Tocando as areias com os pés macios é clamor,
Saia colorida da minha, tua única Jamaica,
Do Forte de Santo Antônio vou sempre te olhar,
Manuel Beckman é ordem e o herói do povo,
Revolucionou do Maranhão até em Lisboa,
Esse foi o cara que fez do seu povo o coração,
Neguinha africana de São Luís do Maranhão.

Desfila com sua negreja bela de uma rainha,
Padre Vieira sorrir com o teu manto de cor,
Viajando nas delicias dos sermões do vento,
Cortando a seiva da inverdade portuguesa,
Falava tão alto que se ouvia em toda a Europa,
Pena reluzente do nosso torrão Jamaicano,
Peixe da água doce e salgada com reflexão,
Padre Vieira chamava de ar em movimento,
Timbre que nomeou as ações do coração.

Minha! Minha Neguinha da Ilha do Amor,
Neguinha! Dance! Dance com a Tribo de Jah,
Rebole, rebole e faz ginga pra cá com amor,
É reggae que viaja no dia e entra no anoitecer,
Furacão de som nas ondas caribenhas do amor,
Sacudindo e estremecendo as paredes do sol,
E a lua enamorada diz que aqui é a Jamaica,
Onde o céu todo azul se encontra com o mar,
Da Ponta da Areia é reggae roots do Atlântico Sul.

Vislumbra a Ilha num toque de uma boa batida,
Atiça todo o horizonte com as melhores pedras,
É território de mar aberto pra quem quer navegar,
Minha! Minha Neguinha beleza da Ilha do Amor,
Neguinha! Dance! Dance com a Tribo de Jah,
É aqui o azul do céu da água pura azul verde mar,
Vem Neguinha, dance que eu vou sempre te amar,
No balançar do teu corpo é reggae sem parar,
Maranhão guerreiro das tribos e tantos encantos.

Minha! Minha Neguinha da Ilha do Amor,
Neguinha! Dance! Dance com a Tribo de Jah,
Rebole, rebole e faz ginga pra cá com amor,
Deixe as ondas nas alturas e tudo vai reinar,
É o Reviver patrimônio dos teus olhinhos,
Bailando do Calhau aos meus e teus brincos,
Bob Marley rir o tempo todo dos requebrados,
Dos quadris maneiro tão leve como as espumas,
Beijando as areias da praia sem se incomodar.

Na Ponta da Areia de frente ao Atlântico,
Ela vem contrabalançando no som reggae,
Da radiola caravela que brada e soa no ar,
Lá vem ela saracoteando o quadril pra cá,
Minha Neguinha de olhos mágicos a brilhar,
No balançar do teu corpo é reggae sem parar,
Rebole, rebole e faz ginga pra cá com amor,
Deixe as ondas nas alturas e tudo vai reinar,
Beijando as areias da praia sem se incomodar.

Erasmo shallkytton

BRASIL – TRICAMPEÃO MUNDIAL – COPA 1970



DIA 21 DE JUNHO DE 1970


Quarenta anos vão se passando,
E a consagração mundial marcou,
O Brasil no berço do futebol Mundial.

A emoção que cobriu toda a nação,
E o planeta assistiu pela primeira vez,
O Brasil ser o tricampeão mundial.

Dia 21 de junho de 1970, bradou!
O povo brasileiro chorou de alegria,
Trazendo pra casa a Taça Jules Rimet

Foi ali no México onde os pés de ouro,
Fizeram o maior espetáculo da terra,
Na corrente pra frente que o Brasil deu a mão.

E no destaque brilhoso o Rei Pelé,
Marcou o memorável gol de cabeça,
Triunfando no gramado azteca a multidão.

Com um salto heróico e um forte soco no ar,
Pelé consagrou o Brasil no melhor futebol,
E todo o gigante plácido verde e amarelo.

E o escrete de ouro do Brasil continuou,
Com Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto – Capitão.
Enfileirando quatro gols na Itália.

Foi ali no México onde os pés de ouro,
Fizeram o maior espetáculo da terra,
Na corrente pra frente que o Brasil deu a mão.


Placar da final da Copa de 1970
Brasil 4×1 Itália


Gols: Pelé, aos 18, aos 37 minutos do primeiro tempo; Gérson, aos 20, Jairzinho, aos 27, e Carlos Alberto, aos 42 minutos do segundo tempo.

Brasil: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino. Técnico: Zagallo

Hino: Pra frente Brasil

Composição: Miguel Gustavo

"Noventa milhões em ação
Pra frente Brasil
Do meu coração

Todos juntos vamos
Pra frente Brasil
Salve a Seleção!

De repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo o Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção

Tudo é um só coração!
Todos juntos vamos
Pra frente Brasil, Brasil
Salve a Seleção!

Erasmo shallkytton

JOSÉ SARAMAGO - Não se vá! O céu deixará de brilhar



Que as luzes encobrem as tristezas da vida,
Nos lençóis que adormecem a alma partida,
Do serralheiro mecânico feito letras imortais,
Não se vá Saramago! Não. O céu deixará de brilhar,
A mais nobre constelação sideral portuguesa,
Abrilhantada neste universo do além-mar.

Tu não vês que toda a tua pátria querida chora,
E a abóbada lusitana relampeja nesta hora,
Não vejas tu que mãe língua portuguesa pranteia,
Na despedida que agita as ondas do mar,
Elevando o teu nome nas gigantescas alturas,
Ó Saramago! Não se vá ao brilho das estrelas!

Ó Saramago! Tu não partiste sem dá adeus,
Dos prantos que solavanca agora os continentes,
Marcado na cultura de toda a nossa humanidade,
Das gotas que caem de cada olhar do céu turvo,
Não se vá Saramago! Não. O céu deixará de brilhar,
Nesta aprazada lâmpada que se acende com tormentos.

E faz do silencio, magoada a falta da brisa e lamentos,
Ó Portugal! Ó Lusitana! Reis dos mares do grande Atlântico!
Não deixeis tu, que leve aos céus agora o nobre filho lusitano,
Suplico que arrebentas com tuas colossais ondas de mar aberto,
E que tu tragas nosso irmão poeta e escritor ao chão português,
A mais altiva constelação sideral portuguesa do nosso além-mar.

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Erasmo Shallkytton

LYA – UM SORRISO NO OLHAR


É nas coroas dos rios Poti e Parnaíba,
Nos bancos de areias torrente do Piauí,
Com belas praias fluviais temporárias,
São os melhores pontos de hobby e lazer.

Na capital dos Raios vive uma musa,
Que não é a Imperatriz Tereza Cristina,
Uma jovem talentosa e apreciável, Lya,
Arraigada com belezas é una bella muchacha.

Cabelos negros ventilados pelas auras,
Com charme, amor é uma delicadeza,
Traduzindo performance de uma deusa,
Atributo impecável sobressai com leveza.

Teresina uma capital toda planejada,
Por isso o poeta caxiense Coelho Neto,
Então batizou a minha Ciudade Verde,
Onde floresce o romantismo e poetas.

Partilhando da Curva de São Paulo,
Eu vou ao Jockey Club rever a Lya,
Elegante, carinhosa e mui amiga,
Presente que Deus lhe deu - Noélya.

Agradeço-lhe o brilhantismo encantado,
Duma jovem num encontro inesperado,
Surpresa que renasce com o teu sorriso,
É você Lya uma rainha das águas.

Serás sempre aplausível como as águias,
Louvando nos teus lábios és majestade,
Andando nas ruas com real juvenilidade,
Teresinense com arraigados atributos.

(*)L(*)Y(*)A(*), contigo breve vou poetar,
Entre as margens da Frei Sarafim,
Um grande poema eu vou ofertar,
No próximo encontro pra te alegrar.

Do Rio Poty Hotel será toda uma primazia,
Degustando no Restaurante “Le Jardin”,
Os teus suaves encantos de uma princesa,
Com sorriso e muita delicadeza, é poesia.

Erasmo Shallkytton

BAILARINA – A ESTRELA QUE VOA

Olhando a valsa no teu corpo ereto e virtual,
Com as pernas rodadas pra fora do quadril,
Os joelhos na posição dos pés, é fenomenal,
Nas direções que pulsam emoções no perfil,
Trás na missão da afabilidade o brilho facial.

Traço marcante no teu olhar de tanta alegria,
Show de alvedrio em vôos é a minha bailarina,
Transmitindo o amor em passos com simetria,
Dançando em cada partícula do ar com regalia,
O canto não para e mexe com a alma cristalina.

Haja tanto honor. É a bailarina a mais zelosa flor,
Também chora, sofre e tem como prêmio o palco,
Na magia dos pés e do corpo ela também tem dor,
Voando sem asas, sorrindo sem balizas quão floco,
Desenhando a liberdade estampada no rosto (amor).

Sobressai do límpido riso a mais bela figura dançante,
Num salto na ponta dos pés transmite a paz e ânimo,
É o coração de ouro num petit jeté de lado, é confiante.
Postura forte, elástica de amor nos tornozelos faz arrimo,
Traduzindo em pirouettes, ela gira, gira, gira é arrasante.

É a mais suntuosa expressão da paz entre todos os humanos,
Enquanto danças, imaginas o mundo sem as bestiais guerras,
Esquece de si no bailado que se eterniza nos braços da terra,
Movimentando com leveza o sopro da vida que nunca encerra,
E levas a charge de Deus com aplausos, e o teu poeta venera.

Com carinho à bela bailarina - VivianViVencci

Erasmo Shallkytton

VIVIANVIVENCCI – SONHOS EM TRÍDUO BALLET



Vejo-te bailando na Vertente no salto MUV
Irradiante toda a efígIe em pirouetti faz aquI
Valsa mágica com a Variedade mostrada “V”
Inquebrantável e tão Instigante alma para tI
Alvorecer em passo Attitude é a coreografiA
Nas conquistas que Nascem será teu slogaN
Valiosa entre tantas Venturas, breve na TV
Intenso é sempre o brIlho com vitórias VivI
Valorosa leva o teu aVante na bel escrita V
Essencialidade represEntativa é quem vencE
Na grandeza dos pés No alto marca tour, eN
Com o teu ballet vai Clareando com publiC
Clássico tu danças e Contemporâneo é lilaC
Imponente é a tua iminente alma bela que vi


Minha querida bailarina
Vivian

Eis o acróstico em Tríduo, sua vida, sua arte e a sua beleza em versos.



Informações complementares:

MUV – Movimento uniforme variado (física)

Pirouette - Rodopiar ou girar rapidamente. Uma volta completa do corpo sobre um pé em demi-pointe ou pointe.

Attitude - É uma posição numa perna só com a outra levantada para trás com o joelho dobrado num ângulo de noventa graus e bem virada para fora para que o joelho fique mais alto do que o pé.

Tour - Em torno. Indica que o corpo está executando um giro em torno de si mesmo em um determinado salto ou movimento de deslocamento no chão. Por exemplo, assemblé en tournant.

Public: público, platéia

Lilac: da cor lilás

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Erasmo Shallkytton

UMA ESTRELA QUE BRILHA


Se a rosa viVe no jardim,
É uma florzinha amável,
Afetiva na Vida é assim,
Alegre menina: é afável,
Com riso maleável é tlim,
Saudável nina doce mel,
É deusa do Venus jasmim,
O balé energia formidável,
Suplanta a Vivian sem fim,
E dança na esperança fiel,
Dos sonhos na cor cetim,
É guerreira com um laudel,
Tão bonita cristaliza enfim,
O amor cintilante imutável.

Erasmo Shallkytton

O homem dotado de todas os predicados e díspar de qualquer outro animal não professa a paz a que tanto conhece.

Erasmo Shallkytton

O destino final do homem é de tal modo investigativo que já se passaram séculos e séculos e ainda perquire neste caminho sem volta.

Erasmo Shallkytton
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