Tag Vento na coleção de schmorantz

Encontrados 14 com a tag vento

Sinto o vento do mar soprar em meu rosto

Fecho os olhos para senti-lo tocar minha pele.

Seria este vento invisível a mão de Deus?

Acho que sim...

Todas as grandes mudanças na minha vida

Foram precedidas por um vento vindo não sei de onde,

Como quem sopra as velas de um barco

Que precisa ir mais longe...

Seria o vento o destino?

Levando este barco para novos lugares?

Talvez eu seja o próprio vento,

Porque nem todos vêem o vento

Assim como não vêem a mim,

Mas me alcançam pelas palavras,

nesta busca infinita

De mim mesma...

Talvez o vento venha para juntar meus retalhos,

Para depois contar histórias de vida,

De vidas tantas que suavizam o cansaço, e

Que me protegem feito manta colorida,

Embalando sempre meus sonhos.

Sônia Schmorantz

Brisa leve

Carrego uma brisa leve, que salta do coração
E em amarradas palavras canta com o vento.
É brisa que cresce calada, a murmurar palavras que,
Dançam no horizonte, envoltas pelo tempo, e
Que por teus olhosa guarda parada
Ao cantar um amor tão por ela sentida.
Fosse a brisa um dia vento e pudesse mergulhar
nos teus olhos sem idade, de infinita ternura,
Pudesse essa brisa voar como o vento pelo céu,
E pudesse pousar no teu rosto, num encontrar sentido,
Ao toque desta brisa que pelo teu amor se aviva,
Esse vento de melodias levarias contigo em
Todos os segundos dos teus dias, porque
São brisas assim que vão encontrar teu olhar
E dão asas a estas palavras como um vento
A te chamar...

Sônia Schmorantz

Folhas ao Vento

Minhas angústias são como folhas voando,
Chorando ao desprender do ramo que amavam.
As folhas caíram depois da ventania,
Vento que foi cantando, distante,
Levantando a areia da praia
De águas frias, cantantes, coloridas...
Vento agreste levou as folhas para o mar.
Sem mais o ramo para ficar,
vaguearam, rolaram,
Perderam toda a seiva que as adoçava...
O vento sempre as levar,
sem rumo, sem magia
Levou também a brisa doce dos meus versos,
Fez-se outono em mim, tamanho o abandono
De uma alma desfolhada que após o vento
Também caiu...

Sônia Schmorantz

Inquietação

Chove em silêncio,
Pingos incessantes de poesia,
Formando molhadas reticências...
Há uma chuva em mim e
Seu reflexo cinza, triste,
Oculta a alegria colorida dos
Dias sem medo que eu tinha no coração.
Há uma melancolia sem cor,
Há uma chuva feito versos,
Que corre dentro do coração....
Não quero entender o que não tem explicação...
Quero silêncio depois do vento,
Quero um novo arco-íris num céu primaveril
Quero uma alma quieta, uma luz que silencie,
Quero outra vez ser chuva de verão,
Serenidade, solo que absorve,
Mar, montanha, flor, lua cheia,
Amor e vida, em meu coração....

Sônia Schmorantz

Sem pretensão poética

A noite é um quadro adormecido,
Com a lua lendo a alma da gente.
Estes pensamentos dançantes,
Que penetram na noite
Enquanto morrem as estrelas.
Serenos silêncios da madrugada,
Coração deambulando saudades.

Amo a noite calada,
O som dos pios noturnos,
Os soluços da natureza e
O roçar das folhas nos telhados.
Vejo meu amor nas sombras da noite,
Quando vaga, viajante na noite fundida,
Desfaço a distância e me lanço ao vento,
Com o coração aberto à vida...

Sônia Schmorantz

O vento passa nas tardes mornas,
Sinto seu abraço,
Sinto que vive e canta dentro de mim.
Sinto o sopro do vento, o cheiro do mar,
O ilimitado do céu vazio,
Ar que penetra suave e reascende uma
Chama cósmica em meu coração.
Abençoada seja esta natureza silenciosa.
Há uma parte de mim que se ausenta
E parte com o vento,
Todos os dias um pouco,
Enquanto o poente no céu se estende
Numa saborosa melancolia...
Mas agora volto...
Volto à minha vida,
Hora de seguir caminho,
Natureza e vida ainda sorriem para mim...

Sônia Schmorantz

Hoje

Hoje sou este azul,
sou entardecer, silêncio e magia,
sou do mar a imensidão,
sou da brisa a serenidade,
sou perfume, sou pecado,
sou vida e paixão,
sou luz de luar beijando o mar...

Hoje sou esta natureza,
sou vento que desenha nuvens,
sou a noite e seus pássaros,
voando nas asas do vento...
Sou mulher cheirando a flor,
alguém a quem chamam de poeta,
mas sei que poetisa não sou,
sou mulher desta natureza,
meus versos são apenas sentimentos
que dançam nas ondas do mar...

Sônia Schmorantz

Amo

Amo olhar o imenso areal parado no tempo,
Gaivotas sobrevoando, asas largas debatendo,
riscando o céu em vôos ignorados...
Amo os pássaros que semeiam cantos,
que vem em bandos, depois partem não sei para onde.
Mas deixam a paz e aos ouvidos o insistente canto.
Amo o som do mar, alegria vadia a invadir a areia,
passando, fluindo, cantando, sem parar...
Amo abraçar o vento, leve como o pensamento,
carregar conchas e sonhos, pensar que aqui sou feliz.
Se o tempo pesa nos ombros, confesso minha exaustão,
mas faço um novo poema para divertir a tristeza,
no final das contas a vida é boa e sonhos...bem,
sonhos são feitos para serem sonhados à toa...

Sônia Schmorantz

Grão de areia
Entre milhões de palavras
como um grão de areia
está um invisível poema.
Um poema que nunca se escreveu.
Um poema feito grão de areia,
talvez parte de uma construção,
talvez não...
Pequeno grão de areia
em silêncio na beira do mar,
que vai sendo soprado
para um destino incerto,
talvez o mar, talvez o deserto.
Palavras que ao vento se vão
como um pequeno grão a rolar na praia,
procurando a concha da sua vida.
Não tenho pressa, sou como este grão
também sigo a rolar na areia
até renascer na praia ou encontrar o
poema da minha vida...

Sônia Schmorantz

É preciso

É preciso abrir as portas da alma,
permitir a entrada de um pouco de céu,
deixar passar as brancas nuvens,
sombras serenas brincando ao léu.

É preciso a serenidade do vazio,
dispersar-se como areia nas ondas,
pairar como aves na beira dos cais,
deixar-se só e na alma mergulhar.

É preciso habitar a própria alma,
viajar entre a tempestade e a calmaria,
dispersar-se feito areia, vento, água,
só então renascer para mais um dia.

Sônia Schmorantz

Cheiro do Vento, cheiro do mar...

O cheiro do vento brota das folhas,
que cobrem a trilha que leva ao mar,
cheiro doce do mar quando a água
dança numa gostosa tarde de sol,
subindo nas pedras e explodindo no ar.

Sonhando tolices, a gente segue o caminho,
borboletas também seguem flores pela trilha,
beirando suas vidas no caminho do mar,
onde o cheiro do vento tem cheiro de amar,
e sopra as memórias no imenso azul da ilha.

São os ventos do fim de mais um verão,
balançando a palha seca dos coqueiros,
tem o cheiro gostoso do mato, da maresia,
cheiro de poesia pairando no pensamento,
este passageiro clandestino em um veleiro.

Cheiro do vento espalhando o amor no ar,
vida passando no meridiano do coração,
seguindo os rastros da memória na trilha
que leva ao mar, que leva embora a estação,
e a vida vai ganhando o perfume do mato
nas tardes serenas e calmas desta ilha...

Sônia Schmorantz

Agora chove...

Chove neste momento,
o mundo é miragem na vidraça,
tem água na paisagem e
alma se enclausura com cuidado.
A chuva apagou as estrelas,
formou um lago de memórias,
inquietudes, casa vazia...
Chuva cai e oculta tudo lá fora,
bate no vidro e traz saudade,
cai musicando nos telhados,
reverenciando a madrugada.
É chuva que cai na alma,
é o choro do vento na rua,
vagarosas horas de nostalgia,
acinzentando o peito,
quando a natureza entristece.

Sônia Schmorantz

Invento ao vento
Vento frio como acorde de violino,
rasga a madrugada de silêncio
arrepiando desalinhadas memórias.
Vento com chuva percorre a rua,
derramando-se sinuosamente,
ondulando cascatas de folhas,
abstrato corpo dançando,
que a noite vai devorando...
Por quem lamenta este vento,
inquieto visitante noturno,
que na janela vem bater?
Vento na pele arrepia,
agita sentimentos como folhas,
então invento o momento, o calor,
invento o prazer, a saudade,
invento palavras, um poema,
e todos os dias para amar você.

Sônia Schmorantz

Vago Poema

Cheirando à areia e sal,
sou gaivota a sobrevoar o mar.
Sou mistério neste vazio,
Sou o tranquilo vôo das aves,
rumo à linha oscilante, mar e maresia.
Enquanto o vento no areal vai passando,
como as marcas desenhadas na areia,
somem as palavras da lembrança,
como rastros na maré cheia.
Íntima idéia, clara no pensamento,
que se perde em devaneios, e
na latência deste silêncio,
me alimento da poesia alheia.

Sônia Schmorantz