Coleção pessoal de peqena
não mais delirar,
nem sentir no corpo
esse seguir sem descanço,
atrás de sutilezas que não
podem ser descritas.
a culpa não é sua, nem minha.
mas serei eu a que irá arder nas chamas,
porque bruxos não existem.
somos arquietípicos,
ridículos, etéreos
e nunca comuns.
comuns são os casais,
nós não somos nada.
quantos dias perdi você,
olhando para mim,
dentro do seu corpo.
sinto-lhe como ponte elevadiça.
subo. desço.
entro e saio.
jamais fico,
jamais ao lado.
somente embaixo,
somente em cima.
tem a premência de salvar, mas não é uma bóia,
não provoca epifânias, e por isso nem é inspiração.
não provoca nada.
é melhor mesmo continuar escrevendo
essas frases curtas, que assim amontoadas,
dão um ar de coisa, coisa pensada,
e nem é, sabe? nem é importante...
o problema é que quero muitas
coisas simples,
então pareço exigente.
três amores... Quem me deu
tão estranha sorte assim?
três amores, tenho-os eu
e nenhum me tem a mim!
tão bom morrer de amor e continuar vivendo.
Mário Quintanasonhar é acordar-se para dentro.
Mário QuintanaSIMULTANEIDADE
- eu amo o mundo! eu detesto o mundo! eu creio em deus! deus é um absurdo! eu vou me matar! eu quero viver!
- você é louco?
- não, sou poeta.
Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho.
Mário Quintanaquem faz um poema abre uma janela.
respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
quem faz um poema salva um afogado.
O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...
Mário Quintanao pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.
Mário QuintanaMinha vida é uma colcha de retalhos. Todos da mesma cor.
Mário Quintanao passado não reconhece o seu lugar: esta sempre presente.
Mário QuintanaDA OBSERVAÇÃO
não te irrites, por mais que te fizerem...
estuda, a frio, o coração alheio.
farás, assim, do mal que eles te querem,
teu mais amável e sutil recreio…
DA FELICIDADE
quantas vezes a gente,em busca da ventura,
procede tal e qual o avozinho infeliz:
em vão,por toda parte,os óculos procura
tendo-os na ponta do nariz!
