Coleção pessoal de paesdemel
Ocaso
Tenho à mão a língua
o poema que toco declamo
(uni)verso de teu corpo.
Melina Coury
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Sempre há tempo, mas a hora é agora...
Melina CouryChamar-te-ei Sorriso
Oh juíza de silêncio eterno
Ardentes árias ocultas resoluta
Flui! Apraz-me clamar-te o eco
Daquela avidez quimera rala
Aflora agora lusco-fusco cintilante
Antes do estertor crepita a flama
Chega nas mais serenas letras
Atina teu sorriso à minha chama
Atiça o fogo-fátuo da palavra.
Melina Coury
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“Ai eu já morri” (rs...)
.
Por vezes o coração é pêndulo vário
bate e quanto mais ajusto sente apanha
como roda gira, até rodopia, circula,
estala quase verga, mas não volta.
.
Melina Coury
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Na primavera muda,
teu silencio cúmplice,
é bem mais presente.
Melina Coury
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Toda frase, toda poesia, só faz sentido se houver um duplo sentido...
Melina Coury
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Les pensees d'un egoiste
Há palavras de gala
na inútil plataforma
se prorroga prolonga
mas nada o iguala.
Na perda do acorde
nem sino, é sentido
o verso pede, adoça:
sai não ao quadrado.
No espelho do mar
a lágrima é de vidro
penetra a penumbra
turvando o olhar.
O frio estilhaço
vinga o broto
do velho riscado
na fuga de Bach.
Melina Coury
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E o querer se fez um verbo tão versátil:
quero,
quereis,
queremos,
e quisera que queiras,
querida,
que os tempos se quisessem como nos os queremos.
Sabes saber querer?
Melina Coury
J'ai perdu ta voix...
Teu silencio...
é a palavra escondida,
na língua ou em parte,
para não ser ouvida.
O som sábio, procura,
pelas frestas-fendas,
tenta descobrir, transpor,
a profunda falha,
rachadura da redoma,
onde tua voz se perdeu.
Melina Coury
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Procura traço se (haicai)
Sonoridades,
buscam-se na palavra
enamorada.
Melina Coury
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Uma verdade singular ( Fib Haiku - Fib Haicai )
Ai,
dor
de ser
poema,
ser lida que seduz
veste, reveste, despe.
Melina Coury
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O padrão silábico dos versos de fib haiku é: 1/1/2/3/5/8
O Fib Haiku típico é um poema de 20 sílabas distribuídos em seis linhas baseado na seqüência de Fibonacci.
Fulgente enleio
No
fim
há luz.
Teu ser
um lume leve
passa pautar pensamentos.
Melina Coury
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Fib Haiku - Fib Haicai
O padrão silábico dos versos de fib haiku é: 1/1/2/3/5/8
O Fib Haiku típico é um poema de 20 sílabas distribuídos em seis linhas baseado na seqüência de Fibonacci.
"...Eu pactuo da firme idéia de que quem posta "acontecimentos" durante oito a doze horas por dia no facebook, não teria tempo hábil para vivê-los..."
Melina Coury
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Nada de mim (semântica nomeio)
Arte e manhas
de objeto útil ao olhar fútil
furto-me a sê-lo
Melina Coury
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À hora que nos situa, o presente
Voa ao futuro,
passando o pássaro,
tudo foi passado.
Melina Coury
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Des chambres, des mots, et une très jolie fille
Para Natália Rodrigues
Houve sim ali o teu silencio
som partindo e um eco seco
senti sentou-se ao meu lado
e aos ouvidos repetia nada.
Naveguei bem tua ausência
mas chamo à tua escrita asa
e teus olhos na palavra casa
verso nascente o olhar em si.
Tentei as mais diversas notas
mas sem si não mais consigo
as palavras quase tão nuas
nas poesias quase tão tuas
as rimas passam a luz da lua.
Deixa aqui a vogal que falta
quero à zênite de teus lábios
mudar a pauta de tuas mãos
um reencontro em tuas letras
vestígio único de teu sorriso.
Melina Coury
Paris, Île-de-France, sur le janvier 2, 2012
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Longtemps, comme une flamme légère
Na palavra despida, toda cumplicidade,
sobre teus lábios, quase já não falo,
a língua prende e funda surpreende,
só sente se dilata a conjunção entrelinha,
preenche o lapso de novos sentidos,
que rimem e exprimam o lume exposto,
o gosto da palavra no jorro das reticências...
Melina Coury
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Le Destin (Dixième)
Décima* A Sina
Na verdade o meu canto,
não tem quina nem esquina,
é sussurro de menina,
a por som no contracanto,
buscar assim o recanto,
um cantinho inexplorado,
por desejos, despejado.
Clamo que minha escrita,
que a língua não permita,
ter a sina de tal fado.
Melina Coury
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Dans les méandres du temps...
Por terra, ar, por mar, pelo rio, e até mesmo no lago, a memória não desaparece no labirinto do tempo...
Melina Coury
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Pressente, ela mesmo...
Por seus olhos,
antecede a chuva,
já molhada.
Melina Coury
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