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Embora não saibamos quem nós somos verdadeiramente, sabemos muito bem do que somos capazes, verdadeiramente. [Capítulo Segundo, aforismo XIV do livro ESCRITOS REUNIDOS]

Henrique de Shivas

O sábio vive em função de sua curiosidade; pondera-se à medida que percebe que vê mais longe do que os demais, mas não compreende que sua visão, por mais fantástica que seja, é míope e distorcida.

Henrique de Shivas

O Símio Online

Observo atentamente a reação dos símios-contemporâneos quando submetidos a provocações online; seu comportamento é algo de fácil determinação.

Na maioria das vezes o reflexo de suas emoções se difunde em seus profiles, sendo possível perceber como se sentem y, além disso, como reagem a uma determinada-sensação estimulada por uma provocação previamente metodizada.

Em suma: é possível estudá-los à distância y emitir um juízo sobre sua personalidade.

À medida que se excedem, ou seja, que reagem a estímulos-variados, mais se explica y se torna evidente aquilo que tentam, sobretudo, esconder: que são, de fato, símios-pensantes comedores de bananas.

Alguns desses símios pousam para as câmeras de fotografia acopladas em seus celulares (y em outros aparelhos afins) y fingem-se altivos para os outros num ato que julgam ser dotado de muita racionalidade y discernimento.

Outros sorriem para as câmeras, registrando seus dentes, sua felicidade momentânea ou fingida, y, por vezes, o mais absurdo: dizem ser dotados de qualidades que eles próprios ignoram; como se quisessem ser estrelas a qualquer custo ou comer a melhor banana sem laborar.

De fato, um estudo como esse não poderia passar despercebido, ao contrário, merece suprema atenção y discernimento.

O homem é uma criatura-racional, mas sua razão é impotente diante de sua animalidade.

Porque pensa, julga-se o melhor de todos os animais, tornando deus a sua própria semelhança.

Mas parece que de nada vale tanta racionalidade y tanto intelectualismo, pois (não se pode duvidar) comportam-se como verdadeiros animais selvagens; aprisionados em suas próprias jaulas – produto y resultado de sua própria engenhosidade-intelectiva – em vão se debatem y se martirizam.

Daí ser fácil estudá-los em suas gaiolas naturais, assim como se faz com macacos de laboratório; porém, como todo animal – carece-se ter muito cuidado y diligência: muitos deles são ferozes y violentos y podem morder o profissional... li muitos livros desses símios e me parece que nada de útil se pode tirar deles; vi suas construções espetaculosas, seus templos sagrados, suas nações altivas, suas Europas y Américas, y tudo me pareceu sem futuro y sem valor.

O que chamam y denominam de beleza (y outros termos absolutos inúteis), o que pensam em ser y o que fazem, o que construíram y o que pensam em construir, ah, tudo isso me pareceu um retrocesso y uma involução.

E quando me perguntam nas ruas se eu concordo com o “progresso”, com a “evolução humana”, fico pasmo: y penso de que modo eles concebem essas opiniões y as tomam como verdadeiros dogmas dignos de fé.

Todos esses termos, y mil outros, tornaram-se verdadeiros deuses para o homem, y é mesmo causa de toda decadência-humana.

Então ma acusam de mil maneiras, dizendo ser minha opinião sem nalgum fundamento, y eu lhes replico dizendo que: “a sua reação contra a minha tese revela o íntimo de suas almas”, ou seja, a conclusão! – são tão vaidosos a tal ponto de não serem capazes de lançar ao lixo suas próprias teorias, opiniões y chulos-argumentos.

Uns se dizem cultos (y acham isso o máximo!), outros, inteligentes, outros ainda urgem ser poetas ou filósofos, mas todos, no final, são farinha do mesmo saco: escravos do pensamento y da fabulação-racional, mulas da racionalidade ou operários do raciocínio: crêem que são verdadeiros deuses quando, em verdade, não passam de meros símios-pensantes presos nas jaulas que eles próprios criaram para se proteger de sua própria loucura-interior.

(Livro: Do Inútil à Escola dos Chimpanzés;
Estudo sobre os Símios Pensantes)

Henrique de Shivas

A experiência é mãe das grandes lições.

Henrique de Shivas

O resultado de uma vida onde a pretensão do homem pelas coisas materiais é maior do que o desejo de contribuir é a pobreza, o esquecimento, a morte. Porque só vivem na eternidade os que constroem, assim como só colhem deliciosos frutos os que antes semearam diligentemente.

Henrique de Shivas

A sabedoria não passa de um estado onde o homem se sente tomado pela lucidez.

Henrique de Shivas

“O que é” e “o que significa” não passa de uma questão de nomes, se não vive o homem dentro de si “a experiência de si mesmo”. A experiência do homem consigo mesmo – tantas vezes revelada nas tradições religiosas do mundo – é a experiência do silêncio.

Henrique de Shivas

O conhecimento do homem busca nos fenômenos do mundo a validade dos seus princípios. Mas o que o move nessa busca e o impulsiona rumo a essa validação não está para ele como algo que possa ser experimentado. Ao contrário, algo permanece Nele para além da observação e da medida comum.

Henrique de Shivas