Coleção pessoal de LuanaRodrigues
Porque qualquer que seja a minha revolta, ela sempre vai desaparecer antes mesmo de eu ter movido meus pés do chão. Eu sou aquele tipo de moça que observa tudo e a todos de um jeito bem prático; O sorriso. Sem contar a minha simpatia com as pessoas. Eu ligeiramente sou simpática, sou nostálgica apenas quando vou me deitar, mas caiu no sono tão depressa que nem tenho tempo de me preocupar com a dor. Eu apenas me deito e fico me aconchegando...E lembro do dia em que toquei suas mãos. Mas antes mesmo de me render ao choro eu simplesmente durmo. Durmo e acordo abestada querendo saber; Por que até nos sonhos? A dor dói até em sonho, suas mãos eu sinto até nos sonhos, seus cabelos, suas lonjuras, suas botas imbatíveis e até a sua cumplicidade com o disco de sei lá o que tu gosta de ouvir, mas sei que não se parece nada comigo. Acordo sorrindo -depois de acordar abestada- acordo sorrindo. Vou viver a minha simplicidade, vou encarar a sua ausência, vou viver como qualquer outro...
Luana Rodrigues.As lágrimas ameaçaram cair, mas num cair seco e sem sentido. Elas molharam os cílios mas não tão forte quanto eu havia imaginado. Quando a gente se proibi chorar, automaticamente as lágrimas secam dentro de si, mesmo quando você se rende á dor. Não se engane a ponto de achar que tal dor tenha passado justamente porque tu não consegues mais chorar; Você somente esfriou, seu coração esfriou...E a dor permanece intacta em seu consciente, seja ela qual for.
Luana Rodrigues.Alma errada?!
Correndo
Correndo
Correndo....
Pausa prum precipício, me jogo...
Pausa prum retrato, falado...
Gritado.
É AZUL OS OLHOS DELE!!
É CASTANHO OS OLHOS DELA!!
Foi mais do que o suficiente para se formar um quadro mal traçado nos cantos, sem visão, sem razão, sem medidas.
É AMOR SIM!
Foi mais do que estranho...
Como eu vou saindo sem dar explicações? eu digo apenas que é um relato mal interpretado.
Por que?
Não sei também, querida.
Sei de tudo, menos do final...
Sem título. Que assim seja. O inverso contrariado. A minha fantasia dilacera as igualdades. Mal sei se isso tudo é igual. Mas espera até que os iguais se tornem diferentes. Tudo será igual novamente. Daí irão inventar outra diferença. O existir. Tenho medo. Mal sei eu se existo. Talvez eu seja apenas um rastro, um telhado de vidro, um quarto escuro ou até mesmo uma estrofe. Não sei, mal sei se isso tudo existe. E se fossemos apenas um mero acaso, uma simples coincidência? E se todos fossem apenas uma grande confusão. Atualmente, ando achando que nem metade das pessoas que conheço realmente possuem alguma existência. Talvez eu seja louca. Ou o sentido parou de fazer sentido. Mas meu Deus, eu mal faço sentido, mal sei do que se trata, a verdade não faz sentido. O sentido por um acaso existe? Estou cansada de não fazer sentido. Eu sinto, sinto, sinto e nunca faço sentido algum. O meu hálito é céu de não saber amar. Isto faz sentido? Isso cativa a minha estranha humanização perturbante? Isto é normal? O que hoje em dia podemos considerar fora do normal, o próprio normal? Como pode ver, e ler, eu mal sei o que quero dizer. Sei nem se tenho algo a dizer. Eu nunca tenho algo a dizer. Vivo repleta de silêncios e coisas que não tenho a dizer. Eu me entorto toda por culpa do silêncio. Nunca, jamais tinha me sentido tão solitária, mesmo a minha casa estando cheia. Cheia de silêncios. Ao todo, a minha vida se resume em silêncios. Pela simples certeza que sempre tive que; Não sou obrigada a dizer nada! Não quero me expor ao ridículo. Hoje já não tenho mais esse medo todo de ser ridículo. Eu estou em estado de introspecção. Eu estou em estado de percepção esgotada. Mal sei o que quero ver, se é que tenho algo a ver, com o decorrer do tempo poderia eu dizer que o mundo todo é algo que não se pode ver? Cubro meus olhos, mas minhas mãos são pequenas o suficiente para deixar que eu veja algo. Eu inteira sou pequena, de tamanho, de fé, de compreensão, de organização, de paciência. Sou pequena em todos os sentidos. Mas que sentido? Eu, ao todo, sou feita de mentiras. E exageros. Eu sei que eu não tenho nada á dizer, mas; Sempre acabo quebrando o silêncio, com uma piada, ou um assunto sem sentido. Olha eu aí querendo fazer sentido de novo. As vezes quebro o silêncio para não parecer tão eu confusa. Entende o que quero dizer? Quero fugir da confusão que me prende. Quero ser menos eu, mas afinal, quem sou eu? Quem fui eu? Passaram-se alguns segundos dês de que escrevi aquilo e eu nem sequer me lembro do que eu era enquanto escrevia tal coisa. Eu era uma mulher, pequena, escrevendo algo. Apenas isto? Sou feita apenas de fatos. Quase nunca a vejo, talvez as poucas vezes que eu a vi tenham sido apenas uma visão, imaginação minha. Talvez ela nem exista. Talvez ela não tenha forma e nem graça, e não tenha muito menos algum estado de compreensão. O reflexo na vitrine, ou em qualquer lugar que possa refletir sua palidez e seu cabelo claro, seja apenas coisas de minha dupla e múltipla imaginação. Eu não estou cega. Mas quase não me recordo do que fui ontem. Eu estava tomando café com minha mãe; sei apenas isto. Sou uma mulher, pequena, tomando café com sua mãe. Apreciando o jeito como ela mastiga o pão. E o jeito como não tenho nada em comum com ela. Até em matéria de mastigar alimentos sou discreta, mal faço barulho. Mas sou escandalosa enquanto durmo, grito como se ansiasse pela dor de acordar. Como se eu estivesse presa no sonho, mas não quisesse me libertar pois a realidade me aprisiona mais do que no sonho. Então, pode se concluir que estava eu gritando por não querer ser solta? Não sei. Me Deus, O que sei? Não quero e nem preciso saber. Mas a confusão me fez dissimulada. A imagem do que sou me contorce toda. Eu estava sentada á beira da lagoa lendo um livro que por sinal é tão confuso que parecia até que eu viajei no futuro e estava lendo o meu próprio livro. Que sei do futuro? Preciso parar de me perder. Eu não sei se faço sentido. Mas a menina tem uma ânsia em fazer sentido e uma necessidade absurda de parecer normal, contava verdades e sorria sempre. Que sentido faz tudo isso? Que dilema sei eu? A verdade mal faz sentido e o sorriso é só uma apresentação. Teu quarto é teu melhor amigo. Já parou pra pensar, ou melhor, já parou para apenas não pensar? Tenho que dizer algo, mas, mesmo quando escrevo parece que o resumo de tudo isso pode se concretizar em silêncios. Quando escrevo também nunca digo o que realmente queria, ou precisava ter dito. Tudo isso é uma grande dissimulação. Tudo isso é uma grande confusão, Todo mundo é uma grande confusão. Uma confusão querendo fazer sentido. Estou apenas arrastando um pouco de sanidade para a minha realidade. Mal sei se isso tudo é realidade, ou é apenas um texto sem revisão.
Luana Rodrigues.Deixada ao meio véu
Deixada em meia Lua
Virada do avesso
Na estrada me terço
Me caio
Me vejo.
Num deserto eficaz
De um perdido ligeiro
Me vou assim em noite
Gritarei num arranha-céu
Onde do meu grito
nada se ouve...
~
Inteira sua
Na estrada
Na volta
Na ida.
Inteira sua
Nos erros
Nos desgastes
Na ida.
Inteira sua
Na chave
Na volta
Na chegada
Na partida.
Inteira
Pela metade
de um homem
que me prende
ao céus...
Primeiro:
O mundo todo era uma grande confusão.
Ela era indigna de qualquer espécie de confiança.
Andou diversas vezes para trás.
Trouxe consigo uma série de sarcasmos.
Enganou a plateia.
Segundo:
A carta foi enviada de São Paulo.
Nunca soube quem as enviou.
As janelas eram claras.
O lugar era impregnado pelo teu próprio cheiro.
Terceiro:
Insuportável.
Sei que existo.
Não sei de mais nada.
Ouço vozes, ouço silêncios.
A vontade que tenho é de ler o mundo todo deitada em minha cama.
Seria um modo fácil de estar preparada quando saísse para trabalhar. Lugar escroto.
Repito palavras. Não sei o significados de muitas delas.
Sou egoísta.
Escrevo sobre mim o tempo todo.
Sem resposta.
Me divulgo.
Me mostro.
Mas não sou o que se pode ler assim escancarado.
Olhe eu lá. Atravessando a rua. Carregando uma enorme garga explosiva dentro de mim. Sem importância. Nariz empinado. Sou um mistério. Me orgulho por isso. Mas na verdade não se é de muito conforto ser um mistério até para si mesma. Dês da adolescência sou meio perdida. Até tentei ler sobre tal assunto mas pra mim não deu muito certo. O livro de tal e eu não falamos a mesma língua.
No final eu sempre acabo sentada na poltrona ouvindo o eco silencioso de uma TV ligada e eu fitando o nada que geralmente no meu estado de insonia se torna muito interessante. Minhas expressões são grosseiras dignas de uma porção de medos.
Pausa.
Vontade de traze-la pra perto.
Ela confunde as coisas. Ela discorda de tudo que eu falo.
Mas na verdade a mentalidade dela é mais conturbada e barulhenta que a minha.
É por isso que não fala. É por isso que vive em silêncios...É por isso que anda tão distraída.
Um fato:
Eu sou egoísta.
Eu disse que escrevo tudo sobre mim então preste atenção em cada palavra. Pois são todas as minhas confusões mentais sendo jogadas em qualquer canto.
Cuide delas.
No fundo.
Eu na verdade sou uma rosa.
A mais vermelha e a que mais possui espinhos.
Suponho que os espinhos sejam fruto da sua imaginação criando para mim uma imagem aterrorizante e intocável inspirada pelas minhas expressões grosseiras.
Me perdoe.
Pode se aproximar. Repito. Pode se aproximar. Sem medo.
Mas se aproxime com cuidado porque as minhas pétalas se desmancham com muita facilidade. Mas tudo bem, venha com espinhos também.
A minha teoria:
Me sinto agredida pelos seres humanos até quando me olham com admiração.
A minha segunda teoria:
O problema sou eu.
~
Aprendi a observar cada movimento sem me mover. Parada como estátua. Vendo um suposto tempo passar. Vendo o dia virar noite e as cores mudando de aspectos.
Parada, observando o nada que neste instante se torna algo muito interessante.
Ultima nota da autora:
“O silêncio é a música mais fatal que alguém já ousou escrever,
L.R..
A indagadora (Propostas inválidas)
1933
(O começo do fim)
Num passado não tão distante, mas inferior. Corre a busca perfeita das perguntas sem respostas. O escritor se arrisca em colocar suas próprias ideias num papel sem que alguém as dite. Tudo era questão de seguir a lei, seguir as regras, e se as quebrassem, coisas ruins iriam ocorrer.
Que coisas? O céu poderia escurecer e tu iria morrer discretamente em sua cama. Á meia noite de um outono infeliz, as portas iriam se fechar lentamente , sem que ninguém estivesse lá para fecha-las. Seria tudo programado. Os soldados iriam levar sua família de Judeus para os campos de concentração e iriam matar sem piedade como maquinas antiquadas sem começo nem fim.
Os soldados eram uma espécie de Robôs que faziam o seu trabalho para terem algo de útil a que se orgulhar com o passar dos tempos.
A única certeza absoluta que tenho é este fato: Hitler até hoje em sua situação atual é um espírito bem perturbado.
Eu por um acaso nesta época era um ser humano? Preciso saber imediatamente. Mas minhas indagações pessoas não interessam a ninguém.
Protesto?!
Mil novecentos e trinta e nove.
Época inversa. Continua a matança sem piedade. Todos sem piedade. Qual era o meu gargo? O que eu era?
Seria eu a morta ou a própria assassina?
(Protagonista histórica) 1940
O lugar era escuro, a mala era marrom e grande. Tinha um saco de perucas de todo tipo de tamanho e cor lá dentro.
Uns vestidos curtos e outros cumpridos. Uns sapatos escuros e outros claros. Com salto e sem salto.
Era a mala de uma artista de teatro?
Não sei.
-Essa mulher era maluca!
Iene não deu ouvidos a sua acompanhante e continuou a tocar delicadamente cada objeto pertencente a suicida. Tocava com gosto e com medo. Uma sensação estranha de estar se sentindo em casa, como se todas aquelas coisas pertencessem a ela. Ela começou a chorar e depois de alguns minutos se deu conta do que tinha acabado de ouvir. E falou chorando:
-Não é maluca. Era uma artista, ela contava estórias para as crianças carentes dos orfanatos aqui da Alemanha. Veio do Brasil em 1930. Escapou sabe-se lá como dos campos nazistas e se enforcou numa cabana na beira da estrada. Ela contava as suas próprias estórias. Era escritora. Nunca, nunca, nunca publicou nenhum livro. Escrevia com dor. Sem saber como conseguia aguentar o sol pela janela toda manhã. Ela era mentirosa. Não era feliz. Era um artista....
(Iene seguiu viajem de volta para o brasil. Era branca e rígida. Sua amiga nunca tinha a visto chorar antes. Ela voltou para a casa quieta. Esperando o pior acontecer quando chegasse. O pior sempre estava por vir. Isto já não era incerteza para ela. Não possuía forças o suficiente para cultivar dentro de si um punhado de fé. Então sempre lembrando das malas da mulher contadora de estórias tristes para crianças, ela seguia viajem. Passou os restos de seus dias descascando paredes e penteando os cabelos. Que já em 1948 já estavam-se brancos. No fundo, ambos, a suicida contadora de estória e Iene, tinham uma espécie de reconhecimento a distância. Sabiam que vierem para algo mas que desencontraram-se pelo caminho)
A morte de Iene
O suicídio de Dalila
As nuvens nunca caíram
Iene encontra o diário de Dalila
Nostalgia
A MORTE DE IENE 1955
Numa sexta-feira pálida. Fazia frio e o cachorro não parava de latir. Assustou as crianças que dormiam no quarto ao lado. O marido chegou do trabalho tarde. Iene estava descascando as paredes. Seu cheiro já era forte. A luz era fraca. O lugar era cheio de formigas. Odiava formiga. Em seus últimos suspiros Iene desejou que o corpo de Dalila se confortasse com o dela. Apenas desejou. Não sabia porque estava desejando isso. Talvez tenha morrido pelo susto de seu próprio ato. Mas emfim, desejou o corpo e o calor. Pensou em como seria se ela a beija-se. Em como seria sentir teu corpo pequeno, e como seria se ela lesse suas estórias para ela em voz alta...
O SUICÍDIO DE DALILA
Dalila da silva. 1934.
O ultimo texto encontrado em seu diário. Nunca foi publicado.
“Protesto! Gritam. Mas não posso ouvi-los. Posso entende-los. Mas me impedem de ouvi-los. Eu estou loira hoje. As crianças me acham engraçada. Hoje uma garotinha me disse que eu era a sua princesa. De uma certa forma isso me inspirou. Não sou sua princesa, querida. Me sinto sufocada. Princesas não poderiam se sentir assim. Não é mesmo? Não entendo de muita coisa, nem mesmo entendo de mim mesma. Amanhã serei uma mulher gélida. Pendurada no teto de lugar nenhum na beira da estrada. Se alguém um dia ler o que eu escrevo. Quero deixar-te uma última nota:
Quero ouvi-la. Quero senti-la. Quero toca-la. E depois de nos amarmos e recolher o lençol. Irei escrever cada detalhe de seu corpo e seu jeito. Irei escrever em detalhes como é o gosto e o jeito como ela irá suspirar...
Como poderei continuar a viver sem ter a certeza de que isto um dia poderá acontecer. Uma mulher não sente desejos por outra mulher. Me sinto um homem e blá blá blá."
AS NUVENS NUNCA CAÍRAM
Nunca definiram a minha proposta. Sempre foi algo descartado. Deixado em último caso. E eu??
E se as nuvens caíssem?
Nuvens são gentis. Elas tem a gentileza de ser o que a gente quiser quando estamos com a imaginação/ilusão fértil. Se tornam até um simbolo de Hitler ou um simples coelho.
IENE ENCONTRA O DIÁRIO DE DALILA
Um pouco antes de morrer. Estava escondido na mala. Perto das perucas. Iene lia toda noite o que Dalila escrevia. Chorava com a tristeza da autora. Lia e relia milhares de vezes a mesma coisa.
Pensando “Como ela conseguia ser tão profunda?”
E sempre chegava na mesma conclusão. A infelicidade inspira qualquer um.
Na contracapa do diário estava escrito em letra cursiva.
“De que vale todas estas palavras se quem as escreveu não recebe nem um tipo de amor?”
Obs:. Porque na verdade ela, assim como eu, infelizmente, rejeita o amor de quem ela não ama.
NOSTALGIA
Um hospital. Um prédio. Uma estrada com ipês enfeitando a paisagem de quem viaja no banco da frente.
O vento bate no rosto. Implica imediatamente quem tu és. Quem tu és? Escritora. Muitas coisas.
Nota final da autora...
“Acho que eu estou enlouquecendo...
L.R...
"E dos teus sonhos procedem qualquer tipo de verdade. Recorre-se a lembranças de outras histórias tuas ou talvez de uma nova mentira. A fantasia e a realidade andam juntas. Sinta o que quer acreditar. Você é uma pessoa confusa. Sua mente grita milhões de coisas, tu mentes para si mesmo o tempo todo. Tu às vezes recorda de algo que nunca aconteceu. Porque tu é um ser extremamente interativo consigo mesmo. Recordar de algo pelos teus sonhos e inventar coisas relativamente experientes para si mesmo é outra estória. Tome cuidado. A imaginação dentro de si é algo fixo, não a use de forma inconsciente."
*Penso, logo escrevo*
Não.
Fora de hora. Inconveniente. Não legal. Tudo que se quebra em minha frente se atraiu pela minha energia quebradiça. Talvez, eu só esteja exagerando. Tenho tendência em ser confusa e exagerada mais nunca, nunca mentirosa. Ou sou, talvez. Apenas, exagerada. Lamento por ela. Ela lamenta por mim. A tua insegurança era por mim, igual aquela música. Não sei qual é. Mereço o atraso teu. Mudo de assunto constantemente. Perco a hora, ganho a hora mas nunca esqueço. Quando morria de medo de ver-te eu te via. Agora que quero quase nunca te vejo. Nunca mais vi teu rosto pálido e gélido.
Não, de novo. Não para aquele que é certo, e sim para aquele que é errado.
Sua letra torta não me orgulha. Não me envie cartas em garrafas, pois nunca terei medo de recebe-las para recebe-las ao acaso. Tendo medo eu me maltrato; me mato. Me quebro. Quando a minha própria palavra já não me agrada, é hora de parar de escrever de novo. Isso tudo me deixa com o tempo. Ou, eu os deixo, o tempo não existe. Minto. Não tenho muito o que dizer então crio teorias obvias. Já não tenho mais a inspiração de antes. Tudo muito corrido. Talvez eu deixe pra mais tarde...Ou pra nunca. Já não te amo mais. Como era antes? Não me lembro. É como aquele cara dizia: “Quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu...” Agora tudo faz sentido – Penso.
"Errado. Contaram. E Estavam absolutamente certos. O amor é breve. Tudo é breve. Não há limites para o fim das coisas. Mentiram. O dia sempre passa devagar, quando a gente esta devagar. Então não vem dizendo que a semana passou rápido. Você passou rápido. Tudo me desperta pela manhã.
Até um pássaro cantando do outro lado do mundo me faz acordar. Porque meu sono é breve, tudo é breve. O teu amor pela tal é breve. Tudo se limita. Tudo se desfaz. Teorias, milhares delas, é apenas um passatempo. A vida é muito monótona. Até para o presidente dos Estados Unidos. Até para o suicida, e até para o que cura. A vida é devagar, quem passa rápido é a gente. Escrevemos para ter o que fazer. Não queremos ficar parados. É indiferente. Afinal, ser diferente agora se tornou igual. Porque diferenças são breves. Porque igual é passageiro…O humano se arrisca e perde a hora. Horas não se perdem, na verdade se ganha. Desejo angustiante de sair do mar de auto-ilusão. É a pior das ilusões, porque afeta principalmente a sua mente e a sua imagem. Se trancar num personagem que tu cria para amenizar a dor de ser quem tu és. Apenas. Isso é incrivelmente normal. Humilhante. Diria eu.
Quem passa?
Porque não é o tempo que passa
Quem passa somos nós.
Passa de nível, de praça, de farsa...
Quem passa somos nós.
Quem a vê assim passando, não sabe nada da gente.
Mas o tempo não existe, não é rei, não é pó.
Quem passa...é ela, é ela que vê. Que lança teu corpo e tua mente pra lua e não volta pra buscar. Deixa lá. Emfim, volta pra me amar. Me declarar, prum livro sem final.
Porque quem passa nem sou eu.
Nem é você.
Nem é vocês, nem é a minha voz, é somente meu corpo dando um nó. Dando um passo pra frente e outro pra trás. Assim, não saio nunca do lugar. Mas, meu corpo nu, reflete algo bonito neste espelho, que só nota minha face angustiada. Sou pequena, sou menina, sou distante. Sabes. Quem passa assim sou eu.
De uma hora pra outra. Vou rápido, nem fica meu cheiro, doce. Nem meu suor, batalhado.
Quem passa são as horas que todo dia é a mesma coisa.
Quem passa...É ela, na rua parece atenta ao que não vai acontecer. Olha tanto para os lados, posso até prever, ela vai me olhar, não vai se aproximar, vai sumir...
Quem passa, emfim, é ela.
Efêmero.
Entretanto… Tanto tempo, tinindo de novo, me reforço, me envolvo, tento ganhar tempo, comigo mesma. Eu e eu, estamos dando um tempo para nós mesmas. Um relacionamento comigo mesma está sendo o mais complicado de todos. Ela, que no caso, sou eu mesma. Ela, é extremamente vulgar. Extremamente carente, extremamente boba e apaixonada. Não por mim, por Ela, que no caso, sou eu. Ela é extremamente Eu mesma. Mas, não sendo ela, eu. Ela me ama, eu sei que ama. Mas Ela, que no caso, sou eu, se perde. Me afogo neste mar de Eus, confusos…Que no caso, também sou eu.
Eu Eu Eu… Ela que no caso…Obvio que sou eu.
Na ilusão existe sempre dois lados. O lado que me prende, e o lado que me liberta. O lado que me prende é o lado que mais me afeta, me afeta com dor, me afeta com esperança e ao mesmo tempo me afeta com a certeza de que tal coisa nunca irá acontecer. Vai acontecer. Já aconteceu, creio eu. Tal coisa um dia se formou, se conheceu, criou laços, criou vínculos. Porque estão próximos, eu sei, os fatos. Não sei, a situação. Sei, as diferenças. Emocionalmente falando, ou tentando falar. Pelo menos tento, não é? Não reclame, não brigue, não ache complicações onde não tem. Eu sei do que estou falando. Mas o carro estava na garagem afinal, eu não tinha esquecido em frente ao banco, pois é proibido estacionar na frente do banco pois a vaga é para deficientes e para idosos, não que idosos sejam deficientes mas, voltando ao assunto de antes. Desculpe pela minha distração, estou de volta. Tudo bem? Fique calmo, estranho. Não conheço você, por isso é um estranho. Não que suas atitudes sejam estranhas, não me entenda mal. Mas é que só pelo fato de você estar me lendo, isso já faz de você um estranho. Olá, estranho. Te peguei. Não sou estranha, quer dizer, nós, aqui dentro de mim, não somos estranhas. Somos normais. Te peguei de novo. O carro estava lá embaixo no estacionamento do prédio. Estúpido. Desculpa. Estranho. Você. Nós. Eu, que me perco em nós, nos, nós….Eu e eu, á sós, cheia de nós. Silêncio. Voltando ao assunto de antes, desculpa a minha vaga distração. Eu cheguei no ponto de ônibus três minutos atrasada e só por isso eu vi o ônibus desaparecer da minha vista mesmo tendo corrido para tentar alcança-lo. Falhei. Tinha esquecido a chave do carro. A ilusão, me prende, quer dizer, me liberta. Não, ela me prende. Espere. Preciso entrar em um acordo com nós aqui dentro para decidir. Prende ou liberta? Sem vergonha, espancou a vizinha é quer ser libertado. Espere, estou vendo TV de novo. Mas que caralho. Prometi a mim mesma não ver mais esta merda. Do que eu estava falando? Me ajudem a lembrar. O que liberta? O que? Achei as chaves. Consegui pegar o próximo ônibus que passou em seguida daquele que eu perdi, senti, senti a presença divina ali, senti, muitas coisas, ouvi, vi o que eles estavam pensando, voltei, voltei…A ilusão, a ilusão, me prende……Se apreenda, apenas um único, você. Não se prenda a todos os vocês que existe dentro de você mesma. Pode acabar como alguém assim, como o sujeito que pegou o próximo ônibus. Não somos egoístas, mas…. Eu Que no caso. Que no meu caso. São vários…. Vou fazer uma breve analise de todos os Eus… Meus. Que no caso são três. Que na verdade são milhares. Eu - Estreita Eu - Direita Eu - Profeta Eu -Direta Eu - Indireta Eu - Correta Eu - Incorreta Eu - Estúpida, sexual, mulher, às vezes, quase sempre, Ela, que no caso… Eu - Confusa Eu - Amor.
A paisagem já não tem tanto valor. Quando tua imagem se perde ao chão. O perdão que não de queixa pela falta. Num estrondo fatal vejo meu corpo em seu olhar. E a miragem que não me procura. E o enredo deste sampa que já não me trás paz. Mas lá fora as gotas que caem, me lembra, me encanta com um som perturbado de um passado sofredor. Essa tua bagagem efêmera, essa tua dor certeira me diz que do ventre renasceu aquela velha sereia que me lembra, eu. Mas, não me julgue tão quieta assim, do meu passado só me lembro do fim, do fim da sensibilidade emocional então, me espere no portão, volto logo. Preciso esquecer meu coração. E na batucada deste sampa, a gente se achou, aquele velho senhor se aproximou, e cantou: “Menina, me lembro deste céu, me lembro da tua saia, menina me lembro que trouxe o meu amor, foi você que se apaixonou, foi você que se aproximou, pagou pra ver, menina, vem me trazer alegria, vem…” E eu neste sampa tão convidativo…E ele se foi, só se ouve o som da tua voz lá de longe, lá do sul, então…
Para.Silêncio. Eu.querendo passar.
Como dizer-te que o polo de tua consciência estava desativada, e que o dia ainda não terminou, ativas-te o universo contraditório que dita tuas expectativas. Permaneceu em ti o calor do inferior, ficando assim, má diante de seus próprios conceitos. Por que enfrentas-te o terrível homem que julga-te estranha, por que esteve por lá e se ausentou nos momentos de culpa? Porque um dia hei de rever-te a sós. E irei contar-lhe histórias antigas e esconder meu lado profano, heis aqui uma estética que falha um terço das promessas que insisto em não cumprir. Desculpe-me por não lhe ouvir. Meus pensamentos impedem-me de continuar em conecção contigo. Assim desconecto a frequência com o seu todo, deixo de escutar-te, deixo-te ir bem como chegou…Aos poucos.
Luana Rodrigues.Relato da noite em que tudo somente, era.
A mão era gélida e pequena. Magra. Posso senti-la enquanto escrevo. Sempre virando o rosto, fitando a porta. Procurando alguém. A mezinha e as cadeiras onde estávamos sentadas eram nojentas. As garrafas de cerveja estavam quase vazias, e os copos caídos. O lugar era apertado e barulhento. Muitas pessoas. Muita energia infeliz concentrada num lugar só. Posso sentir estas coisas. Eu era a única estranha ali. Estranha que digo é, saber certamente o que estava acontecendo no local. Minha irmã também tem uma percepção digamos que, boa. Mas estava desprendida, em termos de fragilidade, completamente. Todos estavam infelizes, mas eu era a única que não conseguia esconder este fato. A menina é magra, olhos castanho claro, creio que eles ficam às vezes verdes. Muito pequena. Insegura. No momento não estava sóbria. O banheiro deste lugar era pequeno e cheio de adesivos rebeldes na parede, pelo que eu me lembro. Havia dois homens suíços pagando bebidas para mim e para a minha irmã. Eram altos e tinham um cheiro de perfume caro. Antes de avista-la eu estava criando laços de uma noite só, deixando que o homem, loiro e alto, chamado Heitor, pegasse em meus seios. Ele parecia ser alguém de confiança. Era turista então não iria me ligar no dia seguinte, nem tentar criar vínculos. Antes quando tentamos conversar, tentamos, porque o português dele era péssimo e eu não sei falar a língua dele. Eu disse que tinha dezoito anos, ele compreendeu. Eu disse que era uma artista, e que não sabia direito como dizer coisas sobre mim, pois não sabia bem quem eu era. Ele me entendeu, fiquei besta. Quando fomos para este bar, onde disse que o banheiro tinha adesivos, ele ficou exitado com a música e resolveu dançar, já que todos estavam fazendo o mesmo. Eu como já havia trancado meus pensamentos num armário onde só permanecia, Ela. Não conseguia me importar com mais nada. E Heitor gritou: Levante-se, eres una artista, no? (Talvez tenha sido diferente, mas foi mais ou menos assim que aconteceu) Foi aí que uma mulher o beijou. Feia. Uns dez anos mais velha que eu. Adulta e baixa. Fiquei imaginando ele querendo ao envés dos lábios dela, os meus, rosados e com gosto de cigarro. Mas eu nem fumo. Fiquei por uns segundos pensando, de onde este homem veio, qual é a estória dele. O fato é que nos conhecemos. Nunca mais irei revelo. Nunca mais irei esquece-lo. A menina apesar de ter uma postura autosuficiente e um tom arrogante, sempre deixava escapar uns sinais de insegurança e infelicidade. Como por exemplo, o uso de drogas, e isto sempre tem uma porção de motivos. O efeito momentâneo é apenas uma desculpa. Ela praticamente é vítima de “suicídio inconsciente”. Isso é provocado pela baixa auto estima, mas como ela se protege deste fato em publico, se tornou orgulhosa até quando esta a sós consigo mesmo. Creio que alguém de sua família também tenha os mesmos aspectos. Sua mãe, talvez, não pelo uso de drogas, mas, pelos aspectos, somente. Problemas familiares e diversos costumes foram implantados em sua mente. Coisas que afetam o inconsciente e fazem com que a pessoa não saiba direito o que ocorre ao seu redor. Percepção inútil. Semelhante a uma criança que necessita ver imagens para entender um livro, pois não consegue criar imagens sobre o que esta escutando dentro de sua própria mente. Mal sabe o que esta ouvindo. Eu a vi na porta, olhando discretamente para trás. Tentando reparar em mim e no homem ao meu lado. Eu estava sorrindo. Quando ele se afastou ela veio me cumprimentar. Começamos uma conversa inútil ao pé do ouvido, inevitável pois o lugar estava contagiado pelo som alto. Pude encostar meu rosto brevemente no dela. Era fria e branca. Olhava para o nada e bebia a cerveja rápido como se fosse água, com uma vontade incontrolável de se afogar ali. E logo depois olhava para a porta. Quando segurei sua mão, ficamos em silêncio, pude compreender que nosso próximo encontro, será introspectivo. Ela não é arrogante, só parece ser. Ela sabe confundir os outros. Mas comigo ela não obteve sucesso. Das poucas vezes que eu a vi, pude interagir com seu lado interior, seu lado perdido, seu lado frágil sem que ela percebesse. Pois sei que tenho o dom da camuflagem, sei ficar invisível quando necessário. Não seja idiota. Invisível que digo, é ficar invisível interiormente. Nada me afeta quando uso o poder da camuflagem. Se no momento me perguntassem o que estou sentindo. Iria responder:
Sinto fome e uma enorme vontade de abraçar alguém. Sinto também um pouco de sede, e um frescor apesar do dia estar ensolarado. Ontem choveu. Eu estava cantarolando a música “Crying in the rain” quando começou a respingar as primeiras gotas em mim pela minha janela. Mas ao contrário do que diz a música, não sou orgulhosa e também não chorei na chuva. Também sinto o cheiro de comida vindo da cozinha. Ouço o miado de um gato e o latido estranho do meu cachorro. E ouço também um som extravagante de um carro que acabara de passar em minha rua. O barulho do ventilador. A voz da vizinha gritando. Celular tocando. Pássaros.
Retomando ao lugarzinho infeliz onde toquei o rosto da menina brevemente com o meu, posso acabar dizendo que ela não foi pra pousada onde os homens estavam hospedados, ela não foi comigo e com a minha irmã, mas foi com certeza cometer mais um “suicídio inconsciente”. Voltei pra casa chorando. Emfim. Se perguntassem o porquê da minha extravagante ilusão de querer entrar em frequência com os sentimentos dela, eu responderia: Porque ela é igual, igual e faz parte de mim. Não passou despercebida por mim, como muitos costumam passar. O que me chamou atenção foi o fato dela não ter nada de especial. Ela não se parece comigo, provavelmente não entraríamos em uma boa concordância verbal. Ela não tem conhecimento sobre nada do que eu acredito. E eu particularmente costumo dar valores em pessoas que me entendem, e que possuem algo em comum com as minhas loucuras. E ela não tem nada em comum comigo. Mas com certeza nos conhecemos talvez em um outro plano, tal plano que ela estivesse consciente e não tão perdida e exausta.
Emfim. Era fria. Como se tudo em volta de si fosse desimportante. Estamos todos no mesmo barco, eu diria a ela. Não me importo, ela diria.
De-ci-fra-me
Intimidam os fortes
é a gota mais baixa
da água mais limpa
dos orgasmos múltiplos
que te faz entrar em plena comunhão
comigo, contigo
que me prende ao inesperado.
Confuso
Androide imaginário
que constitui a baixa heroína
que fere o corpo alheio
moderno,
de repente monstros, de repente frágeis
Uma estranha emoção
sem sentimentos
sem lágrimas
sem sorrisos
sem expressão,
Um clarão relatando
relendo,
hoje é o fim dos…
imãs, modernos
claros e escuros.
Hoje o sentido
estará faltando
como estará relendo,
pois estará, moderno…
Lendo em tom louco.
Sussurra em teus ouvidos
durante o sonho
decifra-me num tom cortante
e entre em comunhão com a minha alma
a única
que se confunde
no espelho, se perde
Quem é?
Sabes....
A chuva que passa...
é igual aos ventos que te ligam a mim, igual as águas distantes pra lá de onde a tua vista alcança. A chuva que passa, é igual ao amor de uma noite só, de um passado inteiro, de um mundo aprisionado ao caos. A chuva que passa é igual aos teus milhões de afetos mentirosos que servem para a imaginação criar asas...A chuva que passa confunde, se perturba em um dia bonito, bipolar, á noite o céu despenca, mas depois tudo volta ao normal. A chuva que passa durante o pôr de sol é semelhante aos teus olhos...É passageira mas sempre volta de uma outra forma. Minha indelicada forma de perguntar aos céus se um dia poderia eu, simples moça da cidade, ouvir o que as gotas de chuva tanto querem sussurrar em meus ouvidos. Iria nua se preciso, rimo, brigo...Mas não me deixe voltar atoa pra casa. Prometo não desconfiar, prometo não duvidar. Serei tua erva sagrada, tua princesa, tua criança, mas não me deixa voltar pra casa sem antes ouvir o que a chuva tem a me dizer. Gota por gota, e assim, nascer a minha parte terrena, quero me ligar aos sonhos alheios, quero me conformar com o final dos tempos, e assim, renascer em forma de energia solar.
Pêsames.
Ao quadro sem cor
Ao projeto perdido
Ao amor demolido
Dedico meus pêsames
E a mim, um punhado de rosas vermelhas.
Ao equilibrista
Ao doente
Até o ocidente
A corrente que rompe sonhos mundanos;
Me desequilibra
Me corroí
Me respira
E ao mesmo tempo me desperta.
Ao meu protetor atrás da porta
Ao poeta desiludido
Dedico meus velhos pêsames
Uivando pra Lua
Ao sol
Ao tempo parado
As palavras cruzadas
Aos caminhos errados
E a mim;
Um punhado de espinhos
Machucando cada curva do meu corpo
Dedilhando e fazendo sangrar
Ao ponto certo
Ao trem atrasado
Ao jardim mal colhido
Dedico meus novos pêsames
Coitados
Mal sabem eles que sou a linha torta que impede o trem de continuar.
Dispersão.
Não sei como começar. Veja que meu caso é o contrario. Não sinto força nas mãos para escrever e nem energia para continuar. Mas o meu problema sempre foi a concentração, tudo me distrai, tudo me acorda. “O mundo quer vos distrair” Acho que é por isso. Para ser um ser de luz e evolutivo, precisamos primeiro acordar pra vida, e descobrir valores alem da matéria. E isso muitos já descobriram, pessoas que reconhecem suas próprias almas, e pessoas que amam a si mesmo, procuram incansavelmente pelo autoconhecimento. Somos seres eternos, apenas passando por fases diferentes, evolutivas. Erramos e estamos de volta tentando acertar os passos, tendo que aprender tudo de novo, e se desconcentrando cada vez mais, o mundo nos distrai da realidade espiritual.
E para os sábios, a gente só se atrapalha ainda mais não nos aceitando, deixando-se levar pela vaidade e pela luxúria e pelos vícios, e deixando pelo caminho restos de uma essência pura e limpa que só estava por fim, querendo evoluir, mas que novamente se distraiu.
Onde se encontra a concentração aqui na terra? Em todo lugar haverá sempre algo que nos distraia, a meditação é quase que impossível pra mim, sempre me pergunto se nunca serei capaz de imaginar meu terceiro olho e a flor de lótus em minha cabeça, se abrindo, se energizando, se evoluindo. Descobrindo o que há por traz da vida, se é que depois da vida ainda não exista vida, acredito que a vida é eterna, o corpo não.
No final acho que todos que estão lutando por esta causa já se perguntaram isso, o que vem depois? Mesmo sabendo sempre resta-lhe esta duvida. O amor por exemplo é um sentimento que pode lhe dar todo tipo de emoção, alegria e sofrimento: O único amor verdadeiro é aquele que não é correspondido, dizia vovó. Mas vovó, amor verdadeiro se torna rancor se não for correspondido, meu amor é egoísta, como pode haver rancor onde já se teve amor? Amor não se discute e nem se comenta, alguns poetas se atrevem a escrever sobre ele, e poetas tem muita imaginação. Disse vovó. Ela estava certa. Poetas tem imaginação demais, eles inventam coisas, acho que tudo dentro deles é oco, só existe um sentimento inventado, que eles por dom de natureza, faz ficar bonito de se ler. Mas o que isso tem a ver com a dispersão? O amor não nos deixa em paz, ele te deixa plantado numa colheita que vai de mal a pior, às vezes ele é reciproco, mas quando não é, amar se tornar sofrimento acumulado, se torna vício em querer a outra pessoa só pra si, se torna egoísta, e emfim, rancor. Raiva de amar quem não merece nem um pouco de amor, mas que mesmo sabendo dessa falta de merecimento, não conseguimos deixar de amar.
O espírito mesmo com muito conhecimento, mesmo estando protegido, fica fraco pela eterna dor do amor não correspondido, e toda informação sobre coisas realmente necessárias se tornam inúteis ao lado de quem ama de verdade o que não se pode ter. O mundo procura nos distrair de todas as formas, seja ela qual for, não podemos desviar o olhar, pois isso tudo é passageiro, é lazer, é crime, é desnecessário. Os verdadeiros estão á procura do real, os fracos não sabem viver e estão á procura de bens materiais, os fortes estão á procura de si mesmo.
Palavras bordadas pelas minhas mãos, escute o meu silêncio que se dispersa a todo momento, escute o meu soluço, e a minha dor ao ver passar quem eu nunca terei. Sei muito do mundo, mas ainda não tenho certeza, o mundo consegue me distrair, me desequilibra totalmente, me deixa na corda bamba. Mas estou bem mais aliviada, pois procurei orientação cedo, orientação de mim mesma, me acostumo fácil, não me impressiono fácil, o desprendimento é o primeiro passo para o autoconhecimento, se desprenda do mundo, pense em você e nas outras pessoas, ame-as como iguais, sendo altruísta você irá receber amor em troca, mas nunca pense só no que vão lhe dar em troca, o tempo se encarrega disso. Se encontre, porque o mundo enorme, e existe várias partes de você por aí. E não se desconcentre porque a terra é só a passagem, o mundo real dos conscientes existe á cima dos céus, e lá você já esteve um dia, prepare-se para a sua volta, não volte perdido, volte tranquilo e certo de que esta crescendo espiritualmente. Porque você nasceu para CRESCER!
Os verdadeiros estão á procura do real, os fracos não sabem viver e estão á procura de bens materiais, os fortes estão á procura de si mesmo.
Luana Rodrigues.