Coleção pessoal de kathlenh.p.

1 - 20 do total de 58 pensamentos na coleção de kathlenh.p.

não cair na poça, tentando sair viva da roda gigante (mas torcendo pra sentir a lama nos pés quando surgir o azul do horizonte). Gira, gira, gira, gira que o meu ritmo aumenta. Gira que meu pensamento fica frenético, gira que eu finjo ser cigana, e fujo correndo pro litoral, praquela terra onde é rei quem consegue a proeza de não ser teatral. Gira que eu vou tentando ficar lúcida, risonha, medonha, cega. Gira e leva embora o passado, o medo, a incerteza de todo a fugaz certeza. Mas gira rápido, e tão rápido quanto eu não sinta o efeito, pra poder sair direito, sem defeito, e encontrar meu bom e lindo sujeito. Gira roda, roda gira, limpa toda ferida, cura alma, limpa, amorna, acalma

Kathlen Heloise Pfiffer

"Não ter medo de pular bem alto, de falar de boca cheia.
Não ter medo de rir feito uma hiena, de contar o maior mico.
Não ter medo de cantar a letra errada, de inventar a letra certa.
Não ter medo de ir além, de contar aquilo que mais ninguém sabe.
Não ter medo de exagerar na roupa, de andar meio mocoronga.
To my Angels:
Não ter medo de sair na chuva, no frio, de manhã, de tarde ou de noite.
Não ter medo de pedir ajuda na prova, de tentar ajudar do jeito capenga que dá.
Não ter medo de fazer fofoca, de falar sério, de chorar por causa da briga com a mãe.
Não ter medo de ser exatamente como eu sou.
Não ter medo. Porque sei que vocês estão do meu lado."

Feliz dia dos Amigos!

Kathlen Heloise Pfiffer

Nosso ponto de encontro.
Você sempre fica ali, parado, com aquele sorriso meio torto e com cara de moleque. Até meio inocente. Vestido meio engraçado, querendo parecer homem feito, acaba se perdendo quando põe aquele tênis preto. E me quebra as pernas quando me olha com fogo, quando respira muito perto. Esconde dos outros toda a falta de pudor quando pensa na gente. Olha rápido em volta, percebe a ausência e me puxa bem forte, morde minha boca, roça a língua no meu pescoço. Fala baixinho o que vai acontecer de madrugada. Drive me crazy.
(...)
“Quer que eu saia?” ele diz; “Não, pode ficar” (malícia).

Kathlen H. Pfiffer

O causo que aconteceu com a minha amiga na última semana me deixou bem pensativa. Ela tem um relacionamento de 2 anos, e de repente se deu conta que ‘quem sabe’ não é bem isso que ela quer. Quem sabe as baladas são mais divertidas que um café com a sogra. Quem sabe chegar tarde em casa sem dar satisfação é melhor do que ficar neurótica porque esqueceu o celular e pode ser que ele ligue. Quem sabe beber sem compromisso, sem medo, sem porquês, seja mais conveniente do que longas conversas sobre comportamento, sobre liberdade.
Todo mundo adora um final feliz. Eu quero terminar em uma casa branca com pé direito alto, cachorro e crianças correndo na grama. Outra minha amiga também queria terminar com um final feliz. Até que seu parceiro deu um chute bem lindo porque queria curtir a vida e um mês depois começou a namorar com sua amiga. Cadê o final feliz? Bom na verdade ela descobriu que o final feliz não ia ser com ele, e ela está muito feliz curtindo todas, ou indo dormir cedo, ou saindo pra ir pra praia sem responsabilidades com ninguém. Ela está fazendo seu novo final feliz.
Quem sabe aquela minha primeira amiga não está feliz com seu futuro final feliz. Quem sabe ela se deu conta que a grama do vizinho é bem mais verde. Quem sabe ela não me fez pensar em todos esses quem sabe’s também. Vai saber se eu tô fazendo a coisa certa. Como eu vou adivinhar que no final das contas vamos realmente acabar velhinhos juntos assistindo as vídeo cassetadas do Faustão ? Mas, quem sabe eu tenha certeza que não é tempo perdido porque o peito aconchegante dele vale por mil morenos sarados que me pagam cerveja numa noite qualquer. Quem sabe seja porque suas abobrites, seu caráter e suas historinhas compensem qualquer noitada vazia de gente e cheia de bebida. Quem sabe seja porque ele tenha um sorriso que ilumina toda a cidade, o que é mais que tentador pra mim, e todo o resto vira resto perto disso.
Existe uma coisinha, bem ali morando na esquina, que me empurra todas as vezes que penso em pegar a contramão. Faz com que eu me lembre que jogar baralho e comer Doritos no sábado a noite não é tão ruim assim e que pegar a última sessão de cinema do pior filme do mundo pode render algumas boas piadas de monstros. Essa mesma coisinha faz com que eu não idealize um gato sarado de Hollywood e sim enxergue como pode ser sexy um jeito meio rebolado de andar. Na esquina da minha primeira amiga mora a razão e o amor, e no fim das contas ela não pegou a contramão. Na da minha segunda amiga morava a ilusão. Ela decidiu que não adiantava ir em outra direção: mudou-se e hoje descobriu que na esquina mora a liberdade. Na minha esquina? Bom, dei uma espiadela na grama do vizinho e descobri que ela não é mais verde.

Kathlen H. Pfiffer

Pensando bem, o que realmente conta não é se teve velas, se teve música de fundo, se foi cedo. Não importa se ele usava uma roupa esquisita e se tinha roubado o carro da mãe. O brilho no seu olhar, o barulho dos nossos corpos, sua pele macia e um 'eu te amo' suspirado é que fizeramm nossa história de amor. E eu disse sim.

Kathlen Heloise Pfiffer

Minha vida anda meio confusa. Não há médicos, não há cientistas e não há meteorologistas que consigam explicar essas coisas que têm acontecido. Procurei vários médicos, e nenhum deles soube me dizer por que meu coração às vezes para ao atender um telefone, ou então porque dispara e tenta pular fora do peito feito um leão quando vejo o carro encostar na calçada da minha casa. É ainda um mistério para os cientistas essa adrenalina que corre pelo meu corpo e faz cócegas na barriga, como borboletas voando pelo jardim. Incógnita é o que eles chamam para o calor repentino que vem em mim não sei da onde e faz o barulho de fora aquietar, o frio sumir e a olhar congelar, deixando só o peito ofegar e vontade de fazer todo esse calor estourar. Não há previsão de tempo que entenda os dias chuvosos se transformarem em lindas tardes de primavera ou semanas nubladas e cinzentas acabarem com uma linda sexta-feira feita de um céu estrelado. Assim, indecifrável, misterioso, mas, ainda assim, fantástico. Acho que é isso mesmo. Não há quem explique, não há quem decifre e não há quem sinta amor feito o meu. Shakespeare disse que “amor que se pode medir e explicar, é amor pobre”. Eu? Do teu lado sou a pessoa com o tesouro mais rico desse mundo.

26/07/09

Kathlen Heloise Pfiffer

Hoje uma amiga minha veio dizer-me que estava lendo meus textos e que tinha se identificado com alguns deles.
Senti uma pontadinha de orgulho de mim mesma, mas, logo em seguida, ao abrir a página em que publico os mesmos,
senti não uma pontadinha, mas uma apendicite daquelas bravas, ao me dar conta que eu simplesmente não escrevi mais.

Não escrevi mais. Olhando assim me parece assustador.
Mas, consegui encontrar uma razão plausível, não compreensível, mas plausível para o causo.
Minha vida tem sido feita de contas. Não sobram mais espaços para palavras.

Faço contas todas as manhãs da semana durante dois semestres por ano na faculdade.
Engenharia não é lá feita para aqueles amantes das palavras.

Faço contas todas as tardes olhando para o relógio, diminuindo de 17h00min o horário em que me encontro.
Faço contas de custos toda vez que compro algo muito caro, abrindo o site do Banco e vendo o extrato do cartão de crédito,
diminuindo do limite total tudo que já gastei até agora. Faço as contas de quantos esporros vou ouvir da minha mãe
por eu estar gastando mais do que minha bolsa de estudos cobre.

Todos os dias da semana faço as contas de quantos dias faltam para o final de semana. E quando chega o final de semana,
faço contas meio que não querendo fazer, pra ver quantas horas ainda me restam de final de semana.

Todo domingo, faço contas de quantas horas vou precisar dormir pra conseguir acordar segunda feira e ir pra faculdade sóbria
o suficiente para fazer contas e depois me manter acordada no trabalho fazendo as contas de quantas vezes minha chefe diz:
por gentileza, dê uma olhadinha no e-mail que eu te encaminhei com um pedido relativo a reserva de carro para a visita
técnica dos pesquisadores... bla bla bla (faço contas inclusive imaginando quanto tempo vai levar pra eu arranjar um estágio
decente).

Todos os minutos faço contas do tamanho da saudade que sinto do meu namorado, e faço contas pra saber quanto tempo ainda
falta para chegar sexta feira pra gente poder ficar juntinho, e daí me lembro que nesse momento, começam as contas infelizes
de quanto ainda sobra de tempo pra gente ficar junto, até chegar domingo a noite e eu ter que fazer as contas de quanto
tempo eu vou precisar dormir para ficar de boa na segunda feira.

Durante todos os almoços faço contas para correr contra o relógio e tentar aproveitar melhor os 45 minutos que tenho para
comer, e faço contas também contra a balança calculando quantas daquelas calorias vão me fazer engordar.

Agora mesmo é que estou assustada. Que vida de números, de contas e de tempo contado que tem sido a minha. Mas não é só
a minha. Como diria meu professor de matemática do Ensino Médio, depois da escola, a vida diz "Bem vindo ao mundo dos adultos".
E nesse mundo meu camarada, quem não faz contas, não sobrevive.

Entretanto, para sobreviver a todas as contas que somos obrigados a fazer, precisamos buscar nas palavras de um amigo, de uma
mãe, de um marido, de um namorado, de um filho, ou sei lá, do porteiro ou do motorista, enfim, palavras que nos dêm suporte
para continuar tendo forças para não jogar as contas para o alto e não deixar a peteca cair. Nessas horas, uma palavra vale
por mil números e mil contas de algorítimos ou então derivadas. É, acho que vou voltar a escrever.

Kathlen Heloise Pfiffer

Desculpem-me a ausência, a falta de atenção, o olhar longe, o sumisso repentino. Amar e ser feliz me conssome muito.

Kathlen Heloise Pfiffer

Há muito tempo que eu havia deixado de acreditar no príncipe encantado com seu lindo cavalo branco,em alguém que eu não conseguisse viver sem, não pensava mais em ‘’foram felizes para sempre’’. Na verdade a vida por si só tinha feito com que eu deixasse de acreditar nisso. A vida pegou todos os meus sonhos de Barbie e de romances de cinema e jogou tudo na privada no dia em que levei meu primeiro fora. E depois de chorar litros de lágrimas eu decidi que não pensaria mais em felizes para sempre. E mesmo depois de tanto tempo, eu continuo não pensando. Não penso em contos de fadas, nem em amores eternos como no Titanic. Conforme a idade vai chegando, você acaba percebendo que a vida real é muito mais interessante. Nos contos de fadas, a princesa nunca acorda o príncipe domingo de manha e faz amor com ele escondido, o príncipe nunca discute com a princesa dizendo que tem ciúmes do vizinho, a princesa nunca fala mal da roupa do príncipe rindo da sua cara por sua calça ser grande demais pra ele. A princesa nunca obriga o príncipe a comer maionese, e o príncipe nunca obriga a princesa a comer catchup como prova de amor. No conto de fada, o pobre príncipe tem que conhecer o rei, na vida real, é só conhecer o pai mesmo (apesar de que eu acho que conhecer o rei, nesse caso, é bem mais fácil). Nas histórias, o príncipe não ri do cabelo bagunçado da princesa, e a princesa nunca fala de boca cheia. Tudo isso porque contos de fadas, são só contos de fadas. A vida é bem mais que isso. A vida é bem mais engraçada, mais divertida, mais picante também. Sinceramente, eu não troco meu homem por um engomadinho das histórias de reinos encantados. Não troco minha história com ele por um simples final feliz e viveram felizes para sempre. Que para sempre é esse? Eles brigaram? Reconciliaram-se? Viveram uma crise financeira? Discutiram sobre a comida do jantar? Vai saber... Esse viveram felizes para sempre deles não me satisfaz, e feliz de mim que cheguei a essa conclusão. Não quero passar a vida beijando sapos a procura de um príncipe.Eu tenho em casa algo muito melhor (e já me dá um arrepio na nuca em pensar que nesse momento ele está me esperando cheio de amor pra dar). Isso que ele nem vem me buscar de cavalo branco, a gente vai de ônibus mesmo. E olha, não que eu não consiga viver sem ele, é só que eu não quero viver sem. Não vejo graça em viver sem. Não quero promessas de finais felizes e de vamos viver felizes para sempre. Quero apenas o que tenho, amor de sobra, pra dar e vender. Quero apenas ser feliz, sempre.

Kathlen Heloise Pfiffer

Minha saia e blusa amassadas no chão, meu cabelo molhado sobre o travesseiro, seu bafo quente no meu ouvido e seus braços me segurando, me enlaçando sobre seu peito. Silêncio. Silêncio perdido porque tudo que havia que ser dito já foi dito, tudo que havia que ser sentido já foi sentido, tudo que havia que ser esperado foi realizado. Silêncio no ar, mas não. Nossos corpos falam por si, falam entre si, sentem um ao outro. Minhas pernas ainda tremem e tuas costas ainda se sentem arranhadas. E tudo que eu quis estava diante de mim, descansando os olhos (e ao mesmo tempo não me deixando dormir). Você parecia não saber ao certo o que sentir, mas eu tinha todos os sentimentos do mundo em mim. Era só olhar para meus olhos brilhando na escuridão que você iria saber, iria notar, era só ter olhado. Era só ter olhado e ter dito de volta o que meu olhar lhe dizia. Era só ter me abraçado um pouco mais antes de ir embora, era só ter feito com que eu me sentisse um pouco mais que um corpo, um pouco mais que uma tarde de folga. Era só ter dito por que eu vim até você. (e mais reticências)

...reticências que se repetem. Sempre.

E então você me liga, me convidando pra um café, pra uma conversa. Pra dar boas risadas, pra contar o seu dia e dizer como anda mal de saúde. Diz que me ama (no silêncio vazio), desliga. E eu vou até sua casa. Eu atravesso a cidade rumo ao que me mantém mais acordada, mais viva, mais alegre, mais arrumada inclusive. Vou porque sua companhia é prazerosa, porque eu adoro seu jeitinho desleixado de falar (por mais que eu critique), porque sua cama é confortável e seu chuveiro é quentinho. Eu vou por você. Por seus carinhos, suas reclamações de como eu ando desligada, por nossos planos, por seu peito acolhedor. Vou porque eu sei que você não anda se alimentando direito, porque seu sorriso me seduz e seu olhar me paralisa. Eu vou também porque eu te amo (a verdade é que esse é o primeiro motivo na hierarquia). Porque eu insisto em te amar.

kety

Kathlen Heloise Pfiffer

Agora, de verdade verdadeira, eu sei o que é.
Sei o que é sentir aquele aperto no peito, aquele vento que traz um perfume.
Sei o que é olhar repetidamente para uma foto,
esperando que alguém saia de dentro dela e se materialize na minha frente.
Sei o que é dormir com o celular ao lado esperando uma ligação,
e também sei o que é não conseguir dormir,
morrendo de preocupação por saber que ele não está se alimentando direito.
Sei bem o quão demorada pode ser uma semana, ou quão lento pode ser o passar de um ou dois dias.
Sei agora que aquelas cenas de filmes, do mocinho encontrando a mocinha depois de um tempo, é verdadeira sim.
Sei o gosto da ansiedade, aprendi também o gosto amargo da despedida.
Mas que se torna bem doce no próximo encontro.
Agora eu sei o que é a saudade. (mas sei melhor ainda como é bom matar ela).

kety

Kathlen Heloise Pfiffer

é um gostinho assim bem doce, daqueles que lembram o verão, o calor, a brisa do mar.
gostinho da última bolacha do pacote, do ultimo pedaço de pizza. melhor dizendo, do último gole de coca cola (assim é bem mais sincero)
um gostinho apimentado, sonhado, fantasiado. gostinho de domingos de manhã, aqueles domingos de manhã.
gostinho de escurinho, de beijinho na nuca e segredinho ao pé do ouvido.
gostinho de filme na sala, de conversa na varanda, de riso na cozinha,e de.. bom, o resto dos cômodos deixa pra lá.
um gostinho que arrepia o pelo, um gostinho que é 'inho' só na palavra, porque é forte, é arrebatador, é viciante.
mas quem diria, é leve.
é um gostinho de quero mais -você
(pra ele)
kety

Kathlen Heloise Pfiffer

Eu olho para trás e você ainda é aquele ali, parado na esquina, sorrindo meio desengonçado, esperando que eu abra o portão. Esperando que eu te abrace e depois te beije, e que te diga que sua camisa não combina com sua calça. Eu olho para trás e você ainda é o meninão que ri das minhas piadas, que passa a tarde inteira jogando cartas com minha avó enquanto eu faço as unhas, que sabe que odeio que mexam no meu pé (e que sempre o faz para me ver ficar brava). Eu olho para trás e você ainda é o homem que me faz mais mulher, que me arrepia o pêlo, que balbucia meu nome com fervor, que me segura pela cintura e aperta forte meu corpo contra o seu. Eu olho para trás e você ainda é o amigo que me ouve, o único que me conhece por inteiro, de alma, que conhece cada centímetro de mim. Conhece todas minhas manias, todos os meus sorrisos, todos os meus olhares. Eu olho para trás e você ainda é o confidente que sabe meus segredos, meus medos, meus crimes, meus sonhos.

Mas quando eu olho para trás, você está, atrás. E cada vez mais atrás, e diminuindo, e indo embora. E se tornando mais uma lembrança do que uma presença, mais uma foto no mural do que uma ida à praia, mais uma página do diário (algumas páginas) do que um filme no fim da tarde. Uma paixão que veio, fez tormenta, tirou o sono, fez o teto cair e o chão fugir. Devastador. Mas que resolveu partir, assim, sem mais nem menos, como quem não quer nada. Foi-se com a chegada do inverno. Eu olho para trás e vejo um amor de verão, um sonho bom, uma lembrança terna.

E de repente, bum! É hora de olhar para frente, e ver que a vida está acontecendo, e que há alguém pra se olhar. E eu olho para frente e despeço-me de outra vida, sorrindo com alegria e abrindo meu coração com emoção para a brisa de primavera que traz outra vida, outras emoções, outros contos, que traz mais prosa e poesia, e que traz meu amor.

Kathlen Heloise Pfiffer

Quando as palavras são feitas de puro silêncio, quando o som lá fora se torna inaudível. Quando os outros não importam, a luz apaga, a cortina fecha, o perfume exala. Quando o toque do celular não chama atenção, o vento não traz mais o frio, a chuva não afasta mais pra baixo do telhado. Quando a perna treme, o ar falta, o calor emana, o corpo pede e a boca avança. Aí... Aí a gente beija.

kety

Kathlen Heloise Pfiffer

A procura de ser encontrado.

Passamos a vida inteira procurando. Buscando, tentando encontrar. Procurando uma casa, um carro, uma praia, um bom restaurante. Um filme, uma música perfeita, um livro, um perfume, um mantra, um cachorro, uma bebida. Tem gente que passa a vida procurando insetos, leões, cachoeiras, tesouros, amigos. Amores. Agora, o que realmente define sua busca, é o momento em que se encontra o que se procurava. Porque muitas vezes pensamos ter realmente encontrado a casa certa, e uma semana depois, descobrimos que ela é um antro de cupins e que tem goteiras no telhado. Descobrimos que o carro está com o motor trocado, e que o livro não tinha bem o final esperado. A cachoeira tinha suas águas sujas e o tesouro era de latão.

E eu procurei muito tempo. Procurei em bares, no cinema, em boates, na praia, no parque, procurei na rua. Procurei um menino, um homem, um amigo, um amante, um inimigo, uma paixão. Procurei e admito que vez em quando achava um aqui ou acolá, meio capenga, meio mais ou menos. Meio perfil. Servia pra meio período. Alguns eram meio charmosos, meio bonitos, ou muito bonitos e nada charmosos. Meio inteligentes e meio fortes. Ou muito fortes e nada inteligentes.

Mas nenhum deles era realmente inteiro. Nenhum deles fazia meu olhar congelar em sua direção, meu peito acelerar ao atender ao telefone, minha espinha se arrepiar com um abraço. Nenhum deles me deixava à vontade pra andar descalça, de cabeça baixa em silêncio. E nenhum deles conseguia agüentar meus zilhões de palavras no silêncio das oito da manhã depois de uma noite sem sono. Nenhum deles mentia ao dizer que eu estava bonita depois de pegar chuva e estar sem maquiagem. Nenhum deles me irritava e me acalmava com um único sorriso. E quando eu dizia que ia embora, eles me deixavam ir, e quando eu os mandava ir embora, eles nunca ficavam. E por isso que eu continuava procurar. Até que eu cansei.

Cansei porque não havia sentido nenhum em continuar aturando conversas bobas sobre musculação, sobre futebol, sobre o emprego entediante, sobre todas as ex-namoradas, ou sobre como seus pais tinham dinheiro. Não havia sentido continuar procurando alguém pra ir ao cinema, mas que minutos depois me deixaria ir sozinha para casa. Eu não procurava uma casa, não era um carro, não era um perfume, era um alguém. Procurava um olhar, um cheiro, um algo mais que me prendesse e não me soltasse pra que eu pudesse ter a certeza absoluta de que realmente tinha encontrado. Mas não achei.

Mas sorte a minha que eu fui achada. E meu olhar congelou em sua direção, minha espinha se arrepiou com seu abraço e meu peito acelerou com sua voz rouca em meu ouvido. E que baita sorte, além disso, ele era bonito e charmoso. Inteligente e forte, por inteiro, de alma, de essência.

E eu me convenci que passamos a vida inteira procurando sim. Mas a maioria das vezes, o que queremos está bem debaixo do nosso nariz. E quando deixamos de procurar, somos encontrados. Tem um ditado que diz isso, eu sei. Algo de borboletas e jardins. Mas precisava viver pra acreditar. Eu preciso continuar vivendo tudo isso. Eu preciso sentir que ele ainda sente, eu preciso que o seu coração dê um choque no meu, eu preciso saber que seu peito ainda aperta um pouco quando eu vou embora e se espalha como borboletas nas veias quando eu chego. Eu preciso ser encontrada todos os dias, pra me convencer que não preciso mais procurar.

Kathlen Heloise Pfiffer

Kathlen Heloise Pfiffer

Hoje e amanhã.
Então eu chego em casa e tiro meus sapatos salto alto cor de carmin. A maquiagem já não aparece, o batom já foi tirado (e tirado com afinco). O cabelo está inosado, desarrumado. Normal. Dispo meu vestido que há minutos atras era tirado com os olhos. E então me vem logo na cabeça o dia seguinte. Como será o dia seguinte?
Hoje fiquei nua em sua frente. Nua de alma, de pensamento, de espiríto. E por tanto tempo evitei que isso acontecesse, sabe como é, é melhor se preservar, não ir correndo, para no final ainda restar fôlego. Mas hoje fui com sede ao pote de ouro, abri minha mente e te mostrei os caminhos. Agora é tarde.
Agora tu já sabes que para me desarmar é só soprar devagarzinho na nuca. Já sabes que basta me olhar bem nos olhos para que meu coração dispare e eu te retribua um olhar brilhante, sincero, sabes também que basta não me olhar nos olhos para eu ficar de cara feia e amarrada. De agora em diante aprendeste que quando o assunto sou eu não existem meios nem metades, muito menos só um pouco. Aprendeste que para me ver feliz, basta deixar que eu fale de boca cheia , ou então me deixe cantar, rir alto, e tropeçar para rir de mim mesma (mas não esqueça de rir junto comigo). Agora já sabes onde encontrar o riso da vida, e onde colocar a seriedade dela, ou então vice e versa.
Entendeste que gosto de atenção, que gosto de carinho, de elogios e já me dás isso em toneladas (se fosse possível medir) e vais me deixando mal acostumada. Aprendeste a me deixar mal acostumada. E depois da noite que passou, aprendeste a fazer muita falta.
E por isso eu tenho vontade de segurar teu rosto e te dizer pra não ir embora, pra jamais me perder, e pra me fazer feliz sempre. Não quero que vás embora. Não quero que sejas algo ruim na minha vida. Você é motivo de riso, razão pra eu me arrumar e sair num dia chuvoso, só por saber que vou poder andar de mãos dadas contigo. Não quero falar mal de ti para minhas amigas. Quero dizer que o máximo de irritação que me causas é discordar sempre de mim e fazer surgir debates sobre as causas mais infundáveis existentes.
Não quero te largar, não quero que me largues. Não quero ter motivos pra desligar o telefone na tua cara e nem pra sair da sala e te deixar falando sozinho. E eu não tenho medo que isso aconteça. Eu nunca tenho. Mas eu queria que dessa vez desse certo. Eu queria mesmo. Eu que dessa vez eu não tivesse que te ver com outra, que dessa vez você cuidasse mesmo de mim como prometeu hoje a noite que faria. Hoje a noite.
E então eu tomo um banho, visto meu pijama, deito e durmo. E o dia seguinte, como será?

15/10/08

Kathlen Heloise Pfiffer

Um novo livro, um novo armário, um novo telefone. Uma agenda nova, um cachorro novo, um lindo par de sapatos novos. Uma marca de arroz nova, um guardanapo diferente. Lençóis laranja, verdes, roxos. Nada de branco. Uma sala nova: menos sofás, mais almofadas. Uma viagem, não para a praia, para o campo. Ou não para o campo e sim para a a praia. Hum, que tal um vestido novo pra combinar com os sapatos? É uma boa opção. E então uma nova festa, uma nova dieta, um novo amigo. Um novo namorado, um novo marido. Um novo rumo, uma nova direção, uma nova vida. A pergunta é, você está pronto para seguir em frente, ou ainda se prende aos fantasmas do passado?


kety :)

Kathlen Heloise Pfiffer

A verdade é que o mundo é uma grande peça de teatro, onde cada um escolhe seu papel. É assim, tem pessoas que não vivem, simplesmente atuam por aqui. Entram no camarim e vestem sua fantasia, escondendo-se através de plumas, paetês, máscaras. E então esses tipos sobem no palco e ali permanecem, com um lindo sorriso estampado no rosto, atuando, fazendo suas melhores poses, suas caras e bocas sensuais ou então posando de santinhos. Usam um tipo de maquiagem definitiva, alguns não tiram nem para dormir. Dentre esses, ainda há aqueles que inventam sua própria máscara, mas pior ainda são os que só copiam. Sequer criatividade de ser seu próprio eu inventado alguns têm. Uma lástima.
Mas como no teatro, existe também a platéia. Que vibra, que ri, que chora, se emociona. Não precisa contracenar, vestir sedas e rendas para ser feliz. Existem ali pessoas de verdade, que não fazem cena, não usam maquiagem, não ficam o tempo inteiro buscando seu melhor ângulo. Existem ali humanos. Que erram, acertam, aprendem. Vivem. Sem medo de ser o que realmente são, sem medo do cabelo bagunçado, dos quilinhos a mais por causa da pizza de sexta feira a noite.. Sem medo do mal hálito matutino, sem a vergonha de admitir o medo de altura.
Enquanto uns se enfeitam por fora, atribuindo para si uma capa fútil, fina, sem essência alguma, apenas com intuito de criar uma outra vida para si, existem aqueles que não passam despercebidos. Aqueles que não se importam com o que outros podem vir a pensar. E são estes que para sempre serão lembrados, pois serão esses que farão a diferença. Os outros, os outros só se esforçam em vão para imitar a platéia. Para servir de diversão.
Pode ser que no palco essas máscaras nunca caiam, pode ser que para sempre os 'artistas' serão perfeitos, felizes, sorridentes. Mas ainda acredito que uma hora a luz vai acender, e então o imenso vazio presentes nesses pobres desalmados virá a tona com a claridade. Eu? Eu estarei na platéia, indo para casa comer uma pizza.

30/09/08 kety :)

Kathlen Heloise Pfiffer

Porque existem certos momentos na minha vida em que tudo muda. São dias em que eu vou dormir sorrindo e acordo cantando. Em que eu passo no espelho e arrumo o cabelo, eu saio na rua e escuto os passarinhos. Eu olho na janela e vejo cores radiantes lá fora. É nesses dias que eu consigo lembrar que dentro de mim ainda existe uma mulher que consegue ser sedutora, que consegue ser atraente, que consegue chamar a atenção de um homem. Mas também consigo lembrar da menininha que vive em mim, que precisa de proteção, de carinho, de atenção. São dias em que não importa se faz chuva, se faz sol, se está frio lá fora. Porque a verdade é que o constante calor que me envolve torna todos os céus azuis, todas as tardes quentes e todos os dias com uma brisa morna e suave.
São dias que me lembram a canção do mundo, o mistério da vida.
E eu vivo intensamente esses dias, e divido esses dias. Talvez seus dias também estão um pouco mais coloridos, talvez a música agora também é mais suave. Mas disso eu não sei. E também não sei se quero saber. Gosto do desconhecido, gosto de andar na corda bamba, gosto do extremo. Acontece que hoje, aqui, o que conta mesmo é cada instante, e cada suspiro de vida. O resto lá fora não importa mais. Agora são só dois. Um estranho par. Um par de amigos, de inimigos, de amantes, de apaixonados.
Por enquanto, deixa estar. Vou aproveitando enquanto aquele que veio de um lugar de apenas 2% está por aqui. Minha porta está aberta, e não me importo mais de o esperar no portão debaixo de chuva. Porque eu andei milhas e milhas, mas parece que meu único destino é a sua porta.
E se o amanhã me reservar o melhor, eu vou continuar aqui escrevendo sobre os dias em que ando em nuvens. Caso contrario, também estarei aqui, escrevendo sobre todos os dias em que consegui abrir as janelas do meu corpo e sorrir com candura para o horizonte. E então eu vou admirar o que fiz no passado, e me sentirei feliz.

Kathlen Heloise Pfiffer

Desculpem o trocadilho infame, mas a vida é feita de altos e baixos. Altos, fortes, morenos, sensuais, e até mesmo aquele baixinho, meio esquisito. HAHA. É sério :) Por anos eu pedi o príncipe encantado, mas só mandaram o cavalo. Então por agora, chega disso.Eu sei que sou exatamente o que 98% dos homens não gosta ou não sabe gostar (apesar de eles nunca me deixarem em paz). Eu falo o que penso, abro as portas da minha casa, da minha vida, da minha alma, dos meus medos.Basta eu ver um sinal de luz recíproca no final do túnel que mando minhas zilhões de luzes e cego todo o mundo. Sou demais. Ninguém entende nada. E eles adoram uma sonsa. Adoram. Mas dane-se. Um dia um louco, direto do planeta dos 2% de homens, vai aparecer. ;)

Kathlen Heloise Pfiffer
1 2 3   Próxima