Coleção pessoal de juliannagalvao

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Posso perder as palavras ao tentar me definir, mas conhecer eu me conheço. Só eu, definitivamente, sei quão frágil sou , sei a potência da minha carência, sei os meu desejos carnais, que escondo no fundo da alma, escoro na parede do ultimo nervo, por não combinarem com a minha capa. E que capa dura, esperta, rápida e vista como danada. E que trejeitos exagerados e contraditórios, que de vez em quando me entregam se eu estiver a frente do meu primeiro ou quinquagesimo amor platonico. Tenho uns muitos, coleciono, não aceito pouco amor. Aceito umas coisas inatingiveis, como pessoas da voz enjoada e do nariz empinado, ou outras que simplesmente não fui com a cara. Aceito calada, até o ponto onde falar para o meu diario vivo não é visto como falar. Tenho um diario vivo, um diario morto, um queto, um que nunca está, vários carinhosos, e com estes eu sou






Cheiro de chuva tinha que vir acompanhado com o teu aroma, sempre. As minhas meias palavras teriam um pouco de sentido se prosseguidas pelos teus olhos dirigidos a mim, dizendo "Eu gosto de uma idiota", e assim eu não me importaria em admitir quão boba sou. Escondo meus sonhos fúteis e impertenentes, que colaram no meu sangue há tempos, porque ser babaca não me parece legal quando não tem ninguém que pense assim. Essa terra molhada, esse calafrio e a saudade me dão a certeza de que o Sol não tem tanta beleza quanto aquele amarelo faz parecer. E se o Sol fosse apenas fogo sujando o céu? E se a chuva fosse esperança que vem das nuvens e escorre por todos os rios, lagos e mares, que tem na margem umas cobras, mas que em segredo guarda na areia a coragem? E se... Imaginemos o teu peitoral sendo agora o meu calor, o meu amarelo, o nosso amor o mar e a nossa felicidade as chuvas de São Paulo. Imagino muito, porque o sonho também rege o mundo.

jgg

De vez em quando a vontade de fugir submerge a de viver. A gente só precisa de ar, água e comida, mas quer tanto... A gente só tem uma vida, uma oportunidade para fazer a diferença, e desperdiça dias com raiva, rancor ou mágoa. Há gente que escreve para se livrar dos males que tem quem espante com o canto. Tem gente de todo jeito e tem trejeitos a balde. Tem quem não quer ser gente. Existem pessoas que veem vantagem no preconceito, na discórdia, na mentira e na maldade. Tem aqueles que não engolem desaforo e os que não aceitam opinião. Tem quem dorme no lixão, na rua e no frio. Tem pessoas que dormem e não veem o tempo, assim como tem gente que faz tempo que luta para acordar. E tem revolta, tem guerra, tem bala perdida, bala pedida, bala polida, tem o “mais ou menos” e o “sei não”. A gente precisa conhecer o lado que combina, arrumar boa companhia e ter sorte de começar a trilha pelo lado do labirinto que tem lamparinas e saída.

Julianna Galvão

A metade do meu coração é uma parte pequena, outra grande. Uma parte branca e outra negra. Um tico estressada, um tanto “zem”. Às vezes ela curte um funk, mas outras vezes um pagode cola bem. Sei muito do meu coração porque conheço quem o compõe. Conheço os trejeitos e gostos, os desgostos e o que não convém. Conheço bem como acorda e a que horas dorme, sei para onde vai e de onde vem. Meu coração é essencial para mim por motivos óbvios e por motivos surpreendentes. É que dou meu sangue por quem amo tanto quanto dou a mim. Cuido, desfaço, ignoro e vanglorio. Preciso da minha metade que é meu todo, preciso de quem constrói a minha felicidade dia-a-dia. Preciso é amar de um jeito especial, quem me ama e me quer bem.

Julianna Galvão

O amanhecer pode ter sido sem graça e o mais tardar sem cor. O anoitecer pode ter sido escuro e o céu pode não ter todas as estrelas do mundo. Pode ter sido tudo ruim, até você resolver andar para espairecer. Então você vai no fim da rua e encontra um anjinho na porta com o sorriso mais lindo do mundo. Um sorriso que diz bom dia, diz boa tarde e te proporciona uma boa noite. Um amor puro que ecoa no vento, que dá cocegas na barriga e traz paz à cabeça. Uma gargalhada que deixa quem passa de boca aberta, de olhos brilhando, de alma lubrificada. Amar? Amar é assim mesmo, desse jeitinho, muito e sem vírgulas.

Julianna Galvão

Eu sou a primeira pessoa a sustentar essa tua superioridade que tira até formigas do sério. Eu sou a matéria-prima da tua maldade existencial, desde que te quis pela primeira vez. Ir para onde? Se tu me achas em todas as saídas imagináveis, mesmo quando eu mudo o beco de sempre, diminuo o passo e até caminho mais, tentando fugir do que eu carregava por dentro, mas que tu fazes questão de me fazer lembrar que se trata do que eu escondo por dentro, sem mais. Mas como em todas as vezes que eu prometi te deixar para trás, não tenho palavra, ou seja, tem mais depois disso, sempre tem muito mais, mesmo que não interessante, assim como o começo, do mesmo jeito ou pior que agora.

Julianna Galvão

A cada dia reconheço menos a menina que eu tinha orgulho de apresentar junto ao meu nome duplo. Às vezes peço tanto, e tantas vezes faço tudo, tudo para agradar, mesmo que uma vez ou outra não me agrade. Sabe, há coisas como saudade, que existem por causa do amor.

Julianna Galvão

Mande um sinal, pois a minha vida parou sem você. Diga a mim "amo-te", mesmo que seja mentira, sonhos vem e vão, e certezas mesmo quando mentirosas, mesmo fracionadas em segundos, mesmo que perdidas em olhares tristonhos, felicitam.

Julianna Galvão

O silêncio nunca pareceu com a gente, fingir indiferença nunca foi o meu forte, estar perto e longe me aproxima de um tempo distante, quando dizer apenas “oi” era demais.

Julianna Galvão

Há de haver outros mundos adentro, pois por fora o ar já é casto o suficiente. Será a Terra pequena ou as pessoas espaçosas demais? Eu já fui um exemplo de falta de cordialidade com Deus, por ter passado pelo chão que piso com o solado limpo e pensamentos assim imundos?

Julianna Galvão

Faça nos sonhos tudo que a realidade não permite, a sociedade apedreja ou a vergonha amarra. Coma brigadeiro sem culpa e fuja sem malas, levando só um pouquinho de saudade. Chore o quanto for necessário, grite até que te mandem calar a boca, arrebente toda a estrutura, rache as paredes e quebre os copos, mas quando for para parar, pare de vez e mostre experiência com recomeços, mesmo que não a possua. A vida vezoutra carece de uma mentirinha, e enganá-la não é pecado, simplesmente porque ela vive te dando oportunidades para cair e pensamentos altamente gravitacionais. Retire dos dias o melhor e de si mesmo, não retire nada além dos sentimentos ruins.

Julianna Galvão

Aleatoriamente. Devagar quase parando, quando para para ver o Sol se pôr. Quando o céu vai azul e chega laranja. Quando andorinha quer ser beija-flor. Quanto quer que seja o custo daquele amor? Quanto quer que pague a ti pelo maior voo? Aleatoriamente. Enquanto eu tinha a mão dada ao ilusório par perfeito, ele tinha o cérebro dado a pensamentos alheios, que quando o sol desaparecia e o céu, azul arroxeado tornava-se, fundiam-se aos pensamentos da alheia que na madrugada lhe completava. Ao descobrir, derramei lágrimas tão transparentes quanto o vento que as secou, tão limpas quanto à cara do fulano, e tão calmas quanto o meu coração, que não levou pouco tempo para se sentir curado. Mas curei-me. De todo o mal, de toda a luz negra que por tanto me cercou. Hoje aqui estou, com calma para ir embora, de mãos dadas ao par certo e com a cabeça na Terra. Sem perguntar o que é o amor, só sentindo. Sem citar as mudanças da cor do céu, apenas vendo. Aleatoriamente, cantando, beijando, ouvindo a canção.

Julianna Galvão

É só pensar em você, que as estrelas parecem desvairar pelo céu, me largar no mar ou como um meteoro, acabo perdendo o rumo na rapidez do vento do mundo. É só lembrar de você, que perco as promessas feitas a mim mesma sobre a minha nova personalidade. É só achar você, na água, no sorriso de outro qualquer, na música que tanto diz na primeira frase que não me permite ouvir o resto, que meus olhos se abaixam e perdem o brilho anterior, que existiu antes de eu lembrar de quem poderia me ter por inteiro, por baixo e por cima, de todos os meios, a partir de qualquer meio, mas que não faz questão. Quando eu converso com Deus, peço que Ele te proteja, que te livre de todo o mal, te dê coragem para lutar pelo o que acredita, que te dê saúde e muito amor; por último, mas não menos importante, que se possível, ele me use como intermediária; que me use de bissetriz entre as suas quedas e a sua sorte de levantar gargalhando e sem arranhões; depois agradeço por tudo, pela comida, pela saúde, pela paz, e peço mais; por último e mais importante, peço para que ele me faça te esquecer, e então digo diferente do tom das palavras anteriores (sussurradas), quase que em voz alta: peço força e sorte, para encontrar alguém que valorize meus talentos, alguém que goste do meu sorriso e sorria só de lembrar; imploro para que aquele circo, quero dizer, círculo habitual de antes não se repita, e que eu respeite a minha real vontade de mudar. Vou mudar para melhor, vou jogar fora a corda bamba e andar com os dois pés no chão, sem precisar de piedade ou da amizade de quem eu não quero a amizade. Felizmente acredito que um dia, mesmo que demore, tudo vai ficar onde devia estar, a lua vai permanecer no céu, o mel no pote, você na sua rua e eu na minha festa. Agora, até admito, a minha vida não tem possuído muito jogo de luz e ponches, mas há de vir uma temporada cheia de plumas e docinhos, cheia de bolhas de sabão e na verdade até menos orgulho, e nessa época, não irei mais me sentir sincera quando abrir a boca para cantar que para o céu ficar mais lindo, o que falta é você, ou que minha maior vontade é que você me mate de amor, dizer isso será calúnia. Pois o céu estará lindo o tempo todo, e rir a noite inteira contigo será apenas mais um vale night para um bom amigo, companheiro e solteiro, que garanto, vai ficar para tio. Mas calma, não sou vingativa, pelo contrário, continuo amando você e querendo o seu bem, mas não posso negar o fato de que meus filhos te chamarão de tio. E almoçaremos todos juntos aos domingos... Eu, você, meus filhos e meu marido, todo mundo em uma vibe muito boa, sem faltar nada para ser feliz.

Julianna Galvão

É, realmente podíamos escrever mais sobre política, religião ou falta de educação. Podíamos, mas quem não tem ciência dos seus problemas? Todo mundo já assistiu jornal um dia, já perdeu a fome por culpa de tanta hipocrisia, e acredite, nem todo mundo sabe que há amor, que ele cheira e muito bem, que ele bem convém. Que o mesmo nos leva, com a brisa e nela, para o mal e também para o bem.

Julianna Galvão

No seu lugar, quando estiver com ele. No ritmo certo, quando estiver perdendo da mente o samba do encontro passado.

Julianna Galvão

Nesse caso, eu quero que os dias que eu não esteja ao teu lado sejam emergenciais e rápidos como a luz. Quero que nos dias que o amanhecer for nosso, o mundo morra, pare, brinque de estátua e permita que os amantes usufruam da maior energia carnal e mental existente. Em tais dias, vamos brincar de pega, apenas para ter certeza de como apega. Nem mesmo citaremos o esconde-esconde, em reverência ao meu pobre coração, que já procurou demais. E por fim, mas não por último, brincaremos de queima. Incendiados de paixão e cinzentos por culpa desses nossos pensamentos em erupção ininterrupta. Aqui no vulcão da minha mente, almejo viver algo com outra pessoa mesmo, entende? Pois minha relação com a minha imaginação fértil já está saturada. Quero ter em mente e temperatura uma memória sempre recente, que não demore muito para ser renovada, que não me mate de aflição. Preciso ter o poder de suprir tua carência e alimentar nossa essência. Pretendo fermentar o significado da palavra "amor" no mundo.

Julianna Galvão

Finalmente entendi, tu és um anjo, meu anjo querubim, meu anjo serafim, meu anjo de todos os tipos e cachos. Meu bem infinito, meu riso. Que me enche de meios. Sim, meios. Pois do início já nos perdemos e sem o fim como opção, cá estamos, somos o meio! Mas por favor, me poupe, pois é lógico que não somos o meio termo. Apenas e felizmente, somos meio tanto. Um grande tanto, ah, isso sei que somos. E também não me venha com asneiras, pois dividi tudo na metade, partido direitinho. Metade do seu coração, metade do meu, que vagam por aí, juntinhos. Ou também posso dizer-te, sem mentiras e exageros, que és o único meio que me leva ao céu, bem alto, como se tudo fosse insignificante perante o que sentimos. Somos um termo por completo, mesmo que sem tradução. Somos um vício repleto, de pseudoregras, carinho e respeito.

Julianna Galvão

Há controvérsias, a contradição é eterna e os enganos não param de se desviar. Você, que já desistiu a tempos de se conhecer, entra em um processo obsessivo de querer por querer conhecer os outros. Conhecer, reconhecer, ver e saber ao ponto de ser. É como largar um vício. É como quem larga do álcool fumando, do sexo amando ou das pessoas, aproximando-se de outras, de especialistas mais pirados ainda. Com tempo consegue se enganar, auto blefar, é incrível! Consegue triturar sentimentos diversificados para perder a essência do dominante, para que ao menos no curto período de tempo da batida da máquina, a zoada seja maior que os palpites do coração. Você já parou de falar de amor, faz de contas que já não se importa com faz de conta. Faz de vê um jeitinho de puta, sai por aí pegando geral e bebendo todas, faz de vez vergonha. Vai de tempos em tempos ao psicólogo, chora horrores, desabafa águas em duplo sentindo, rasga a poltrona cara do cara tudo e tal, mas faz questão de sair com a cabeça erguida, barriga esguiada e maquiagem no ponto. Por pouco não finge não ser paciente, por pouco mesmo, pois quando chega age como se fosse alguém da família do Doutor que veio deixar recado. A bolsa é carregada de aspirina, carmas e pílulas, um dicionário e uma sandália reserva. O cabelo não é só escovinha, é um troço que progride inteligentemente de um lado para o outro numa textura marroquina. Tanta agressividade por causa de um pé na bunda mal resolvido. Um pé na coxa, digamos. Citemos o fato de ser três vezes pior, afinal é o cúmulo nem ao menos o pé que você recebe ser digno de termos populares. Esqueceu-se dos valores, dos ímãs sociais, daquela palavrinha, aquela alta do nariz empinado... Qual é mesmo? Ah, orgulho! Não esqueceu o nome, mas trocou. Não esqueceu a família, mas distanciou-se. Não conheceu o amor por não ter se amado mais. Agora vive por ai toda amargurada, sem confiar, com um coração de pedra e impenetrável. Toda falsa, quebrável e insegura. E era tão simples, na verdade. Tão simples se gostar um pouquinho, se querer de leve, querer ao outro de mansinho, sem tanto ciúme, sem posse, sem cola. Aí você ia saber um pouco lá, um tanto de cá, ia sorrir mais e gastar menos com rugas, preocupar-se menos com rugas.

Julianna Galvão

Confesso autêntico pessimismo, drama sem vírgulas, compra de sofrimentos desnecessários e viagens em via dupla. Confesso que perdi oportunidades imperdíveis de me libertar daquele sequestrador falsário. Confesso: o medo é mais meu refém que o contrário. Sempre foi assim, todo esse tempo. Confesso-te que dei moral desmerecida para muito "juiz" intrometido decidir meus passos, quando cria na minha falta de sabedoria. Concordo que não sei muito de álgebra e geometria, mas sei que na própria vontade, mesmo que certa vez repugnante e/ou idiota, todos merecem ter o poder da palavra. Confesso gostar de elogios, carinhos, declarações e flores, mesmo não sabendo lidar com nada disso. Tenho no cérebro um altar feito especial e unicamente para aqueles que abdicaram de um grande tanto para utilizar gentileza. Admiro, invejo e imito! Confesso ser a favor de todo modo de expressão, errada ou certa, violenta ou não. Confesso considerar desnutrição, abandono e frio, violências excitantes a pena de morte. Confesso não dar comida aos famintos ou lar aos desnorteados... E confesso definitivamente não cessar "os frios" dos desacompanhados e ainda também dos que acompanho e amo.

Julianna Galvão

Eu sempre espero reações não lindas de você, exatamente por saber que elas são sempre lindas. Tudo no intuito de me surpreender de novo e automaticamente colocar a mão no rosto com vergonha de tanta audácia de sua parte. De fato é uma tamanha ousadia escolher ser um príncipe em pleno século XXI.

Julianna Galvão

Será se “termos” são coisas importantes? O que significa não ter um termo adequado para uma relação? O que significa não ter uma expressão, uma singela união de letras para nortear um afeto? Aliás, o que é não se importar com termos, e sim apenas com a continuidade daquele gostar perdido? É que tenho vivido algo sem nome, mas altamente significante, e creio no crescimento, na expansão das palavras sinônimas à adição, nos próximos capítulos.

Julianna Galvão
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