Coleção pessoal de jeffer
A saudade é uma massinha de modelar tentando tapar um buraco do tamanho da parede.
Jefferson Luiz MaleskiHá livros que nos afastam das pessoas.
Há pessoas que nos afastam dos livros.
Ambos são o que há de melhor em seu gênero.
Às oito horas ele ia trabalhar.
Às dezoito precisava estudar.
Mas sonhar, ah ele o fazia
Tanto à noite quanto ao dia.
Sabe qual a diferença entre uma pessoa que lê e uma que não lê? A primeira sabe.
Jefferson Luiz MaleskiO problema de se acreditar que sonhos tornam-se realidade é ter de admitir que pesadelos também são sonhos.
Jefferson Luiz MaleskiPara se aproveitar bem a vida não é preciso chegar aos extremos, basta ser intenso aonde você estiver.
Jefferson Luiz MaleskiEnlouqueça um pouco todos os dias para não enlouquecer tudo de uma só vez.
Jefferson Luiz MaleskiO aumento de gaivotas no mar anuncia a terra firme assim como o aumento de veículos em uma rodovia anuncia a proximidade de uma cidade. Os veículos são as gaivotas do asfalto.
Jefferson Luiz MaleskiNossa ignorância tende a diminuir assim que nos apercebemos dela.
Jefferson Luiz MaleskiA ignorância de sua ignorância é o principal defeito do presunçoso.
Jefferson Luiz MaleskiVivemos em tempos onde os ignorantes é quem mandam. Os sábios têm coisas melhores para se ocupar
Jefferson Luiz MaleskiAquele que segue a sua própria sombra nunca avançará. O mesmo acontece com quem vive do passado.
Jefferson Luiz MaleskiHoje em dia, a única coisa que me choca é uma galinha gigante sentada em cima de mim.
Jefferson Luiz MaleskiPior do que ter uma sogra com o nome de Esperança, é ter uma chamada Eterna. Pelo menos a Esperança morre, né?
Jefferson Luiz MaleskiO maior risco que um homem corre ao passar uma cantada é a mulher aceitar e, algum tempo depois, ele ter de dizer: "Sim, eu a aceito".
Jefferson Luiz MaleskiInvejo profundamente a mim em um futuro próximo!
Jefferson Luiz MaleskiQuanto menos se lê, mais dano provoca o que se lê.
Miguel UnamunoUMA LENDA GOIANA
Existe uma velha lenda, talvez o único vestígio da extinta tribo dos índios Goyazes - além, é claro, dos genes que os seus descendentes mestiços carregam por aí - que conta como surgiram o amor e a humanidade. Diz a lenda que Jê, o grande deus guerreiro solar, habitava acima das nuvens e irradiava a sua luz por todo o universo, sem preocupar-se com coisa alguma. Até que certo dia, ao olhar para baixo, avistou alguém enviando em sua direção um brilho intenso que ele nunca vira antes. Jê nunca tinha sido ofuscado por outro, e resolveu descer para conhecer de perto aquele que competia com ele. A grande surpresa de Jê foi perceber que não era nenhum ser mais iluminado que ali habitava, mas a bela Avá, a deusa das águas, que refletia os próprios raios do deus sol de volta para ele. Quando perguntou a ela por que fazia aquilo, respondeu-lhe com um sorriso que era porque a luz e calor que ela recebia faziam-na feliz, e tinha resolvido devolver um pouco do que ganhava como sinal de gratidão. E, sem querer, acabou chamando a atenção do poderoso Jê para ela. Jê enamorou-se dos longos cabelos azuis de Avá e desejou casar-se com ela. A deusa também ficou fascinada pela majestade do deus guerreiro, mas havia um problema, ela já era prometida de Orenoco, o deus da terra. Orenoco, quando viu ambos conversando, irritou-se grandemente, mas sabia que ambos eram deuses poderosos e era improvável que um deles ganhasse uma luta, caso houvesse. Por isso, ao invés de desafiá-lo para a batalha, lançou um poderoso feitiço sobre ambos. Jê e Avá não poderiam nunca mais se aproximar. O fogo do deus sol seria insuportável para a deusa das águas, fazendo-a ferver e evaporar-se, desaparecendo na sua presença. E Avá, se insistisse em se aproximar de Jê, presenciaria o brilho do guerreiro desvanecer até se apagar por completo. Estariam fadados a eterna ausência um do outro ou a destruírem-se mutuamente. Como a poderosa magia de Orenoco não poderia ser desfeita, Jê resolveu, como o seu primeiro e último gesto de amor por Avá, dar-lhe uma raça inteira de filhos para que ela lembrasse do seu amor. Estes eram os homens e mulheres goyazes, que sentiriam em seu peito a mesma dor dos dois amantes. É por isso que quando o homem se apaixona pela mulher, o seu peito arde como se ali dentro habitasse a chama de Jê. É por isso que quando o amado se afasta da sua mulher, ela derrama pequenas gotas de água por ele, deixando-as cair por terra. A palavra tupi Goyá significa literalmente “semelhante”, “da mesma raça” ou “parecido”. Assim, quando cada homem e cada mulher se ama, provam que são parecidos, semelhantes e da mesma raça que os deuses que os criaram.
Este texto é uma ficção, escrita por Jefferson Luiz Maleski em 3 de julho de 2009, sob o frio da primeira noite de Pecuária em Anápolis, Goiás.
O lugar mais inóspito e distante de tudo e todos neste planetinha fica exatamente dentro de si mesmo. Mas poucos são os que acham o caminho para lá e menos ainda os que voltam.
Jefferson Luiz MaleskiGênesis Gramatical
No princípio era o verbo.
Depois, apareceram o sujeito e o predicado.
Todo o resto, foi o Diabo quem inventou.
