Coleção pessoal de JaakBosmans

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Doce ao doce

Suaves e delicados são os “suspiros”
Em brancas gotas de pura doçura
Combinados com desejos e sedução.

Mas nada como os “Romeu e Julieta”
Eterno romance entre as diferenças
No come quieto bem mineiro.

Feios e enrugados vêm os “olho de sogra”
Anunciando sempre o final da festa
Servidos em todo e qualquer casamento.

E na quitanda de nossas vidas
Esquina da rua das despedidas
Nunca falta um “amor em pedaços”.

Jaak Bosmans 16-10-09

Jaak Bosmans

Ao te olhar

Nunca te olho de frente,
Nem de lado
Nem de costas.

Sempre te olho de dentro.

Jaak Bosmans 22-10-09

Jaak Bosmans

Lá embaixo,no céu

Ah! Se Deus, na sua bondade,
desligasse esta força que nos
mantém o tempo todo agarrados,
aqui em cima, na terra.
Assim, cairíamos suavemente lá
embaixo, no céu, onde Ele
ternamente nos apararia em seus
braços, um a um, nos devolvendo
ao paraíso.

Jaak Bosmans

Gosto só do sabor de você
No tempero exato de meus desejos
E com transbordantes taças de ternura
Nos consumimos em belos e novos prazeres.

Jaak Bosmans 28-10-09

Jaak Bosmans

DÚVIDA

Não sei o que é maior
Se o silêncio dos meus gritos
Ou os gritos do meu silêncio.

Jaak Bosmans 3-09-2009

Jaak Bosmans

No todo que me sou

Até quando serei esta massa retraída
Com tantas marcas nesta face traída
Sem nunca encontrar a saída?

Até quando terei de mim apenas passagens
De nunca me ter em alegres estiagens
Voltando ao mesmo ponto após tantas viagens?

Quem vem lá me oferecendo mais
Como em leilão de grandes ais,
Que me torna o troféu de tantos finais?

Quem me deseja com meus segredos
Descobrir-me entre tantos rochedos
Onde me escondo de todos os meus medos?

Pra que dividir-me em tantas partes
Fatias de desejos, pedaços descartáveis,
Se neste todo é que me sou?

Jaak Bosmans 23-09-09

Jaak Bosmans

Sempre primavera

Colha-me em flor
Cuida-me com carinho

Despeja-me teus desejos
Sacia-te em meus perfumes

Recolha-me em teus beijos
Deita-te em minhas pétalas

Suga-me com teu caule
Seca-me com teu ardor

Perca-te sem pudores
Entrega-te em plenos gozos

Faça-te agora em prantos
Descansa-me em tuas mãos

Tira-me todas as sementes
Jogue-as ao vento,

Tenha-me assim
Na próxima primavera.


Jaak Bosmans 30-09-09

Jaak Bosmans

REVERSOS

Re-verso I

Contemplei-te bela em meus sonhos
Descobri-te suave o corpo
Com toda ternura desnudei-te
E num só beijo calei-me em ti.

Re-verso II

Quero-te sempre na lembrança
Separada de todas as minhas dores
E no correr do tempo recordar
Todas as nossas loucas aventuras.

Re-verso III

Volta-te para o meu existir
Num abraço de tanta espera
Neste tempo que ainda aguarda
Os meus e os teus desejos de nós.

Jaak Bosmans 11-10-09

Jak Bosmans

A esperada estação primavera

Entre tantos frios, calores e ventos
Percorro os trilhos repetidos desta vida,
Indo sempre ao encontro da beleza.

De estação em estação parando,
Em cada uma delas por três meses,
No tempo exato da gestação.

E num parto suave da mãe natureza
Anunciada pela melodia dos pássaros
Nasce com sua exuberante beleza

A esperada estação primavera.

Jaak Bosmans

Jaak Bosmans

Conquista circense

Entre rugidos e lonas suspensas, lá estava o circo montado.
Arrastado pelos ventos contrários aos teus fugazes desejos
Persegui-te em saltos mortais nas alturas dos trapézios
Contorci-me a caber-me inteiro em teu irrevelável interior

Pouca luz, rufar dos tambores, avisam silêncio e suspense
Lâmina afiada separou-te em metades que se refizeram em meu inteiro

Equilibrei-me com vendas e guarda sol em cordas bambas e monociclos
Palhacei-me para os sorrisos ingênuos e puros na criança de todos nós.
Expelido entre fumaça saí em tua direção como homem bala sem sabor
Caindo sempre em redes tecidas por pescadores de sereias e sonhos

Corri ainda no picadeiro de tantas agonias e pesadelos.
Onde me equilibrei em cavalgadas aladas entre estrelas e satélites.

Em veloz e ruidoso show, repeti sempre o mesmo trajeto
Onde a vida só existe como espetáculo, no mesmo globo da morte.
Conquistei-te pela mágica do desfilar dos finos lenços multicores
Que lançados aos céus, se transformaram em suave e alva paz.

Na apertada malha de tantos brilhos esperou-me o cume da pirâmide
Onde pousei sob o olhar da tua bela e misteriosa esfinge.

Fiz bailar com doçura os elefantes do teu amargo passado
E como último e anunciado impossível de todo o espetáculo
Enfrentei a fera indomável da tua beleza selvagem
Com o requinte que me fez domar-te com carícias e sussurros.

Jaak Bosmans

Jaak Bosmans

“Me fizeram crescer, para não caber na minha infância.
Mas minha infância também cresceu comigo.”

Jaak Bosmans

Parágrafo único

E fica determinado
Que durante a vigência do nosso amor
Não haverá
Nenhum período de carência.

Jaak Bosmans 29-08-09

Jaak Bosmans

Sonho traído

Teci versos de simples amor
Na entrega de minhas fantasias
Que a ti me reservei em poesias
No desejo de me fazer apenas teu.

Desceram lágrimas de recordações
Tendo teus gestos carinhosos a me afagar
Num pensar que eram apenas meus

Deste ao meu corpo os prazeres
Que sem alma ficaram nos lençóis,
Lavados, passados e esticados em novos
A espera de outros enganos.

Revelaste todas as minhas confissões
Que somente a ti confiei
Por engano de que eras quem nunca foste

E assim perdeu-se todo o encanto
Quando me tomaste pela razão
Enquanto busquei te entregar
Tão pura a minha emoção.

Dos versos que a ti guardei
Alinhavei pequenas sobras de ternura
Para um novo tecer de encantos.

E no verso final de um único poema,
No último lamento de ter te amado
Falarei com luto silencioso e triste
Do traíres o que acreditei ser,

O nosso mais sublime sonho.

Jaak Bosmans 21-08-09

Jaak Bosmans

Entre o sagrado e o profano

Leva-me a ti a brisa dos belos entardeceres
Em suaves coloridos de sóis que se renovam
Leva-me a ti o brilho extenso dos luares
Em perfeita sintonia com a tua espera

Que de cada estrela sinto em perfumes
A tua presença já tão próxima.

Percorro em largura todos os céus
Na certeza de um novo e belo adormecer
Em suaves e alvos cúmulus de ternuras
Abraçado em cada um de teus encantos,

Que em toda a extensão do infinito
Te faz em brilhos de perfeita contemplação.

Recorro aos anéis de saturno
E em silêncio que me traz tanta alegria
Te entrego o mais belo deles
Como aliança de todos os nossos desejos,

Que agora no mais forte dos sonoros trovões
Te faz comigo um perfeito par em eterno bailar.

Olhei-te como servo da perfeita rainha
Dobrei então o arco íris em encontro de suas pontas
Para em completo ritual de nobreza que só a ti reservei
Te coroar com o requinte inigualável de todos os reinos,

Que em reverência à tua perfeita e intocável majestade
Te faz em novos sorrisos, olhares, e fertilidade.

Leva-me a ti a brisa de belos amanheceres
Perfeitos em nossos novos e adornados leitos
Onde nos perfumamos com a essência do prazer
Permitido no amar indomável dos nossos corpos,

Que ao se desfazer de toda razão sagrada e estéril
Te faz profana e louca em majestoso e delirante gozo.

Jaak Bosmans 26-08-09

Jaak Bosmans

Na procura de nada

Permita que eu seja louco nos meus dizeres
Incógnito nas minhas decisões
Permita que eu possa ter a coragem que sempre te falta,
Caminhar estradas que eu mesmo construí.
Aceite ou não o convite de vir comigo.
Mas jamais exija qualquer espera.
Na próxima curva podes não me ver mais.
Vou correr novas paisagens,
Novos encontros e desencontros com ninguém.
Fazer de mim o louco perdido na procura de nada.
Acreditando que a vida pode ser assim.
Apenas sonhada.

Jaak Bosmans 6-06-09

Jaak Bosmans

Na distância de estar tão perto

Hoje amanheceu tão bonito.
Estavas abraçada em mim.
E do teu coração escorriam lágrimas coloridas.

Cada uma pertencia a um verso guardado de tanto tempo.
Teus olhos nos meus
Teu coração o mesmo meu.

Colorimos nossos corpos de liberdade púrpura
Permitindo ser suave e leve o silêncio de cada palavra
De um amor tão igual, na distância de estar tão perto.

Despedimos alegres dos nossos pesos
Desamarramos nossos sonhos
Partimos em doces beijos para o mistério do que somos.

Nada era mágico, nada imperdoável ou proibido
Apenas singelo estar, entre nossos impossíveis.
Que o simples amor de tudo cuidou.

Jaak Bosmans 22-06-09

Jaak Bosmans

A quem pertence...

Eu não me repito em dizeres
Faço sempre diferente meus iguais
Sempre me perco nos momentos
Das noites que ainda me lembro

No imperfeito juízo do que te amei
Deslizei suave entre a fantasia e o medo
Não te ofereci nada além do absurdo
Desta nova versão de se criar uma nova vida

Pertenço ao único espaço em que me terias
Mas chorei traído pelo engano de ser teu
Num disforme e contorcido reflexo
Da tua sempre áspera e cruel repetição do não...

Que apenas te pertence.

De tantos quebra cabeças viramos brinquedo
Onde nossos pedaços já se conhecem,
A mim, a ti, num sempre incompleto de nós dois.
Brinquedo repetido, chato, sempre guardado pra depois.

Assim se desfaz em tão triste devolução
A louca paixão rasgada por teu abandono
Sem nenhuma lembrança de quem te fui
No perfeito gozo de tuas cruéis razões.

Tudo perdido numa versão sem graça e incolor
Cálida e silenciosa de nossa última caminhada
Num simples e imperdoável querer-te mais do que devia.
Na mais bela revelação de apenas não me repetir...

Que apenas me pertence.

Jaak Bosmans 28-06-09

Jaak Bosmans

Desvendar – te a mulher.

Percorro em deslizantes carícias
Teu perfil -silhueta, em noite da grande lua
Deitados em lençóis de perfeitas ondulações
Bordados com brilhos abissais, em cenário de prata.

Momento -silêncio de música etérea
Escuto o perfeito encanto do teu desejo.
É pequeno, suave e tímido, o toque de teus pés
Num acolher que me faz sentir que me queres teu.

Percorres ainda em pequenos delírios
Em desejo ardente de ser mulher
Buscando meus segredos desvendar
Sem abrir a guarda, de teus contidos recatos.

Se refazem sabores dos perdidos inícios
Nos lençóis já em dobras menores
Onde os corpos já desnudos se bordam entre si
Na busca do que se torna apenas outro ensaio.

Desejos contidos pelas velhas lembranças,
Se revelam num súbito desfazer de algumas carícias
E no inquieto e incontido sentir-se mulher
Ainda escondes o desvendar – te inteira.


Sufocas em beijos teus sussurros de esperado prazer,
Que no mais perfeito entrelaçar de nossos corpos,
Te retesas e te entregas no mais doce e perfeito delírio,
Quando enfim te fazes mulher naquele que é teu homem.

Jaak Bosmans 04-06-09

Jaak Bosmans

Pálidos azuis.

Não me retornes mais ao amargo passado,
Quando me desprezastes em amor, na mais perversa traição da confiança,
Numa repetição circular como em globos de morte,
Que me fez permanecer pelo equilíbrio da velocidade.
Em ruídos silenciosos do acelerar de um coração doído.

Permaneço ainda no adeus, de todas as doçuras e belos azuis,
Que se derreteram por tuas indelicadas e cruéis indiferenças.

Nada há que perdoar de tudo que foi apenas um engano.
Ainda me restam os pálidos azuis e as doces lembranças,
Em lágrimas congeladas, a espera de uma nova descoberta.
Recolho os versos dos poemas que ainda te tinham,
Como defesa e medo de novas entregas e desafios.

Quero apenas a conquista de ser agora o conquistado,
Em delicadezas e carinhos, com doces beijos num sempre azul.

Simples assim.

Jaak Bosmans-30-03-09

amargo azuis defesa congelados

Encontro sonhado

As costuras de nossos encontros não suportam mais tantas agulhas e linhas fracas,
Segurei o tempo com o cerzir de ternuras e só recebi remendos de dissabores.

Alinhavado por poesias e imagens, canções e recordações já rasgadas.
Volto sozinho e me fecho agora, com todos os botões e zippers, e me guardo.

Ainda tenho novos retroses que me tecerão no mais belo bordado.
Assim estarei vestindo suavidade e carícias no perfeito encontro sonhado.


Jaak Bosmans 14-05-09

Jaak Bosmans
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