Coleção pessoal de JaakBosmans
Brindar
Entre o palco e a escura platéia.
Brilha como a mais nova descoberta,
Estrela dos meus sonhos adormecidos.
Entre os espelhos do camarim e a cortina,
Muitos foram os espetáculos adormecidos,
Sob os aplausos silenciosos do meu coração.
Entre saudade, vontade, e minha idade,
Ergo a taça do desespero de não te ver mais,
Ainda cego pelo mágico encanto do teu olhar.
Entre o vinho e o veneno sendo indiferente,
Entrego-me na dúvida de ser início ou fim,
No aconchego de uma sempre espera.
Entre a inércia e o vazio deste tempo
Desenho, antes de qualquer desaparecer,
Espada afiada de um samurai sonhador.
Faço agora rasgar a cortina entre você e eu,
Podendo então brindar nossa última felicidade,
Com o mesmo vinho ou veneno que é a vida.
Jaak Bosmans 9-06-2011
“Minhas intenções são sempre as piores, mas minha intuição sempre duvida delas.”
Jaak Bosmans 8 -12-2010
Como águia
Ao chegar as tempestades da vida,
Nelas mergulho sem medo,
Vencendo o difícil,
Em suaves vôos.
Jaak Bosmans-28-12-10
Em ser herói
Relembro aquela estátua ainda em gesso,
Num grande derreter de sua leitosa importância,
Correndo em fino fio líquido, pelas ruas e becos,
Com todas as suas vitórias escorrendo para a sarjeta.
Finalmente descerra-se o pano.
Não lhe tinha nenhum sangue ou cicatriz,
E ainda lhe faltou o velho chapéu e o dourado pince nez,
Reclamados pela lembrança dos seus velhos conhecidos,
Para no final ser apenas pedaço de bronze no meio da praça.
Jaak Bosmans 15-04-10
Entre o místico o fractal e as dívidas
Ao todo que me entrego como hóstia ou místico alimento
Fermento entre as doçuras deste emaranhado de tantos sem tempos.
E nem meus sonhos, alucinações e dores, afugentam as velhas amarguras,
Sob a aparência fractal dos momentos infelizes e repetidos no mesmo espaço.
Revivo a infância nociva, arrancada de meus conteres,
No silêncio de asas quebradas que me fizeram apenas plainar,
Por sobre todas as inverdades, camufladas pelo falso do desinteresse,
Na perfeita medida fermentada pelo cruel das desrazões.
Exaltam suas antigas entregas, seus favores e atenções,
Apresentadas em velhas e conservadas notas promissórias.
E não poucos são os incansáveis cobradores
Que a cada antigo favor, me lembram que é dívida o que pensava ser amor.
Jaak Bosmans 13-11-10
Eis o mistério da dúvida…
No mistério do que pode existir entre o possível e o impossível,
Me faço como entrega de muitos silêncios.
Guardo para o retorno, novos bordados em pureza e candura,
Refazendo os dias perdidos, num único bailado de amor.
Percorro o difícil lamento de toda a minha velha amargura,
Em louco e duvidoso despertar de belos e sonhados impossíveis.
Desprendo as amarras do que me fizeram acreditar ser meu passado,
E corro para o sem fim de novos e desafiantes mistérios da vida.
No sem tempo e sem espaço,
Na dúvida de ser real,
Mas na certeza de ainda ser puro.
Jaak Bosmans 2-12-10
Poeta
Poeta?
Poeta não tem coração,
Porque poeta é um sempre arrancar do coração.
Poeta?
Poeta não ama,
Porque poeta é acontecer entre todos os amores.
Poeta?
Poeta não tem desejos,
Porque poeta é um querer muito além do desejar.
Poeta?
Poeta não sorri,
Porque poeta é o mais inteiro sorriso da alma.
Poeta?
Poeta não chora,
Porque poeta é o esconderijo de toda lágrima.
Poeta?
Poeta não sofre,
Porque poeta é apenas a dor inevitável *
Poeta?
Poeta não existe,
Porque poeta é a pureza da inexistência.
Poeta?
Poeta não se divide
Porque poeta é sempre todo por inteiro.
Poeta?
Poeta nunca está.
Porque poeta é um eterno sem lugar.
Jaak Bosmans -23-10-10
*A dor e o sofrimento - Carlos Drummond de Andrade -
Embalos de um poemaço
Na ponta deste aço,
Vou ali morrer um pouco,
Mas volto logo.
Na ponta do laço
Agarro o boi-bumbá,
E ganho a prenda.
Na ponta do abraço
Faço versos de amor
E começo a rir.
Na ponta do palhaço
Tem um nariz vermelho
É brincadeira!!!
E no meio de tanto estardalhaço
O que faço?
Fotografo os estilhaços,
E jogo fora o meu bagaço.
Jaak Bosmans -23-09-10
Sabor de ser feliz
Tenho o amor como cúmplice de mim mesmo
Alagado por saudades e esperanças,
Aquecido por teu corpo ausente,
Coberto por tua alma em chamas.
Amo poder ter este amor tão próximo,
Como distância de qualquer longe.
Faço de conta que existo em teu corpo,
Como um quadro sem moldura.
Assino como autor desta obra insana
Pertencendo ao acervo de meus sonhos,
Onde alma e amor se fundem no ser poeta,
Emoldurado no sabor infinito de ser feliz.
Jaak Bosmans 22-9-10
No silêncio
Ao me escutar em ninguém
Perdi as margens do que me limita
Em simples verdades que sempre incomodam.
Ao me dizerem ouvir do quem sou,
Desenterrei as torturas de tantos pesadelos
Deste estranho caráter que se criou na poesia.
Ao me ter saído de algum ventre
Não seria da mulher que me fez como filho
Mas da vida que cavalguei na solidão dos desertos
Ao me repartir em pedaços de alegrias,
Gerei novos amanheceres entre sorrisos e carícias,
No silêncio da minha única história que se fez com amor.
Ao me retirar agora para o descanso final
Escorrem pelas montanhas, cortando os vales até o mar,
Todas as minhas lágrimas choradas no silêncio.
Jaak Bosmans 5-10-10
"Ao perder o rumo da vida encontrei as delícias de uma vida sem rumo!"
Jaak Bosmans 16-09-10
Só amanhece quem sabe anoitecer.
Jaak Bosmans-14-3-10
Lixos cheios
Homem-fome
Vira-latas
Jaak Bosmans- 5-06-10
E a vida é assim
Horas perdidas
Minutos contados
Questão de segundos
Jaak Bosmans 13-10-2010
Lobis
Meia noite
Homem cheio
Vira lua.
Jaak Bosmans 27-05-10
Lugar de amar
Sob suaves teares,
Bordados de ternura e carinho,
Transbordam desejos nossos corpos,
Despimos pudores,
Amamos.
Jaak Bosmans- 6- 5 -10
Decifráveis versos
Faço vidente e cristalino os versos que escrevo,
Em cabalas rítmicas no variado número de palavras,
Onde as runas já não revelam o próximo poema,
Nem tarôs decidem os caminhos da minha poesia.
Nenhuma delas está nas linhas de minhas mãos,
Mas em ébrios versos, que enganam a enomancia.
São independentes dos tabuleiros de búzios,
E de qualquer interpretação do I Ching.
Faço versos sem mistérios,
Decifráveis apenas pelo belo e pelo despido.
Onde está sempre nua a minha alma.
Jaak Bosmans 22-05-10
DEPOIS QUE TE FIZ EM POESIA,
CALARAM-ME OS VERSOS.
VIREI POETA.
Entrega dos pontos
Eis a minha “entrega dos pontos”.
Centrado na tua escolha.
Deste exercício sensitivo,
O início de mais um fim.
Revela-se em todos os poentes
A nostalgia de sempre começar.
Num repetir de outras auroras,
O fim de todo começo.
Jaak Bosmans – 10-6-10
Contrariando a lei da física, no amor, dois corpos ocupam sempre o mesmo espaço.
Jaak Bosmans