Coleção pessoal de itsfly
Quem encontra prazer na solidão, ou é fera selvagem ou é Deus.
AristótelesSaudades! Sim... Talvez... e porque não?... Se o nosso sonho foi tão alto e forte. Que bem pensara vê-lo até à morte. Deslumbrar-me de luz o coração! Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte. Deve-nos ser sagrado como o pão! Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar. Mais a saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca
(…)fico tão confusa pela quantidade de coisas que tenho de considerar que não sei se choro, ou se riu depende do meu humor. Depois durmo com a sensação estranha de que quero ser diferente do que sou, ou de que sou diferente do que quero ser, ou talvez de me comportar diferente do que sou ou do que quero ser.
Anne FrankCriticam tudo, e quero dizer mesmo tudo, sobre mim: o meu comportamento, a minha personalidade, as minhas maneiras; cada centrimetro de mim, da cabeça aos pés, dos pés à cabeça, é objecto de mexericos e debates. São-me constantemente lançadas palavras duras e gritos, embora eu não esteja habituada a isso. Segundo as autoridades definidas, eu devia sorrir e aguentar.
Anne FrankAprendi uma coisa: só se conhece realmente uma pessoa depois de uma discussão. Só nessa altura se pode avaliar o seu verdadeiro carácter.
Anne Frank‎"porque você não pode voltar atrás no que vê. você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo."
caio fernando abreu."Eu gosto de errar. Sinto o cheiro e gosto dos meus erros e simpatizo com eles. O certinho me causa desconfiança. Antipatizo com o correto. Prefiro a minha infelicidade com flashes de felicidade momentânea... Esperar não é para mim. Produzo teorias que não servirão para nada. Invento palavras que não existem, faço meu próprio dicionário. Crio definições que só eu uso e, ainda por cima, me mato de rir. Prefiro a minha insanidade com flashes de sanidade instantânea... O que presta é o que me interessa. O que eu quero, agarro. O que eu desejo, abraço. O que eu sonho, desenho. O que eu imagino, escrevo. O que eu sinto, escondo. A perfeição está no meu humor. Está na minha emoção. Está nas minhas linhas tortas e devaneios tolos. Nem sempre minhas ações condizem com as minhas palavras. Me conheça. Me decifre. Me ame. Me devore"
Clarissa CorrêaPerdi o gosto bom das coisas, ela disse no começo da manhã. Fiquei pouco atônita, pouco pensativa, como assim? Perdi, ela disse. No final do dia, depois de horas de trabalho, alguma desilusão, dor nas costas por passar mais de oito horas sentada, o corpo doido por uma água morna, os pés implorando uma pantufa cheia de aconchego, a barriga pedindo por favor uma comida boa e honesta, o coração pulando em busca de um porto, eu entendo. Entendo o gosto dilacerado ou perdido ao longo do dia. Mas uma manhã como essa, pura e nova e fresca e tão azul, de um azul bonito e quente, um azul vivo e limpo, não sei.
Clarissa CorrêaVocê pode encontrar muita gente pelo caminho. Muitas enganações, muitas promessas, muitos beijos, muitos corpos e corações. Mas a gente sente quando ele, o amor, chega pra ficar. Você sente pela sensação de conforto que ele oferece. Pela calma. Pela paz. Por ajeitar tudo lá dentro do peito (…) O amor arruma tudo. O amor faz uma faxina emocional. O amor deixa tudo limpo, novo, claro (…) O amor traz segurança, tranquilidade. O amor é sereno. (…) O amor tem o mesmo efeito de um abraço bem longo e apertado. Ele te deixa com a cabeça nas nuvens e os pés no chão. É que amar é ter os pés no chão. Olhar para a frente junto com o outro. Amor é realidade, dia a dia, dificuldade. Amar é vencer uma batalha todo santo dia. Porque não é fácil conviver com alguém. Não é fácil dizer olha, te entrego meu coração, meu sentimento, minha emoção. Olha, cuida bem de mim. Cuida do que eu sinto. A gente tem que baixar a guarda, engolir o orgulho, se deixar levar. Se perder para se encontrar. O amor é um encontro. De você com você mesmo. Amar é se ver nos olhos do outro. Mesmo que ele esteja com os olhos fechados.
Clarissa CorrêaEu ...
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Fanatismo
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."
(Livro de Soror Saudade, 1923)
Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder...para me encontrar....
Florbela EspancaSaudades
Saudades! Sim... Talvez... e porque não?... Se o nosso sonho foi tão alto e forte. Que bem pensara vê-lo até à morte. Deslumbrar-me de luz o coração! Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte. Deve-nos ser sagrado como o pão! Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar. Mais a saudade andasse presa a mim!
De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.
Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inatuais esperanças.
De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
- do medo que encadeia
todas essas mudanças.
Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças...
“São memórias que insistem em permanecer. São lembranças que insistem em ferir. São momentos que insistem em não voltar. São lágrimas que insistem em cair. São sorrisos que insistem em fingir. São pessoas que se foram e que não voltam mais, deixando um espaço amargo, amargo e vazio no lugar. São pessoas que não se importam, que não se lembram. São pessoas que a fazem querer desistir, mas que não conseguem. São pessoas que a consideram frágil, mas que não percebem a força que ela trás por trás do seu olhar. São pessoas, apenas pessoas.”
Tradução do coraçãoEla não sabia ser forte. Qualquer coisa penetrava-lhe o peito como faca de dois gumes, flecha com ponta de aço. Qualquer vento era capaz de levá-la como faz com as folhas de outono. Mas esperem um minuto, era da primavera que ela gostava. Era nessa época que as coisas aconteciam para essa pobre menina sempre tão cheia de problemas. Era nesse tempo, quando as flores se abrem, que as pessoas especiais ganham destaque ou morrem mais uma vez. Tempo de faxina. Sempre tirava, colocava, mas nunca recolocava alguém.
- Quem se importa?! – Gritou o que ficou de fora.
Ele estava certo, essa pobre menina não se importa com nada além das próprias dores, que por sinal, eram suficientes. Quando faltava ter o que sentir, seguia um sábio conselho e pegava um pouco da dor do outro. Por muitas vezes foi dormir feliz por isso, contudo de alma pesada. Falando em conselhos, sempre foi cercada de muitos e isso não significa que tinha muitos para dar-lhe um. Aprendera com uma amiga distante que precisava desenvolver amor, virar a página, seguir sem rumo pra se aventurar em uma estrada qualquer. Aprendera a olhar outros caminhos além daquele que insistia e persistia em andar. Resolvera deixar de ser cega. Não digo cega de não ver e creio que vocês estão me compreendendo perfeitamente. Ela apenas não se sentia bem ao viver o que não estava habituada e por isso deixava as coisas mais belas passarem sem que nada pudesse ser feito. Ah, se ela soubesse como o céu fica azul e o sol se destaca perante ele por volta das oito da manhã! Certamente não fecharia os olhos nunca mais. Nunca conheci alguém que amasse o sol mais do que ela e que se recusasse a levantar cedo para vê-lo nascer. Ela era confusa demais para uma simples análise de personalidade. Amava e odiava. Era feliz e triste. Sempre duas e nunca uma só. Ou sempre uma sozinha. Enganam-se mais uma vez se pensam que isso gerava algum incomodo. De forma alguma! Ela não se abatia por causa de tolices como esta. Tinha centenas de coisas na cabeça e cores para espalhar. Se me apresentarem aqui, hoje nesta praça, alguém que seja capaz de colorir o mundo mais do que ela e de fazer a própria primavera no meio deste inverno ártico, serei obrigado a admitir que esse alguém não existe. Pois ela sendo assim, menina problemática e egoísta, já não existe pelas coisas maravilhosas que faz quando ninguém vê. Senhores, mesmo sendo folhas de outono em meio a mais terrível ventania, a que acontecia dentro dela, ela sabia exatamente onde queria ficar, sabia revelar seus encantos aos olhos mais atentos e mesmo parecendo impossível, sabia ser pluma das mais suaves. Sinto muito por aquele estranho que ficou do lado de fora. Pois este nunca irá conhecê-la por completo nem perder-se na imensidão daquele olhar tão espaçoso e acolhedor que a poucos era dirigido.
“I used to think the worst thing in life was to end up all alone. It’s not. The worst thing in life, is to end up with people who make you feel all alone.”
Robin WilliamsQuem plantou chorando, vai colher sorrindo.
Apocalipse 16