Coleção pessoal de Fatima1407

1 - 20 do total de 38 pensamentos na coleção de Fatima1407

É uma alegria estar escondido, mas um desastre não ser achado

Donald Woods Winnicott

A interpretação não é (como supõem muitos) um valor absoluto, um ato do espírito situado em algum reino intemporal das capacidades. A interpretação também precisa ser avaliada no âmbito de uma visão histórica da consciência humana. Em alguns contextos culturais, a interpretação é um ato que libera. E uma forma de rever, de transpor valores, de fugir do passado morto. Em outros contextos culturais, é reacionária, impertinente, covarde, asfixiante.

Susan Sontag

“É preciso atentar para o fato de que a fraqueza, o retraimento, a omissão são tão agressivos quanto à manifestação aberta de agressividade. Ser roubado é tão agressivo quanto roubar. O suicídio é fundamentalmente igual ao assassinato”

Donald Woods Winnicott

Eis o limite social da beleza: o seu risco. Como as mulheres podem experimentar a autonomia laboral e do seu corpo sem que isso seja um aval de domínio e agressão? Mas, afinal, por que associamos a beleza feminina a um risco iminente? Como essa associação surgiu e por que ela ainda faz sentido nos dias de hoje?
(Chamada para a reportagem publicada no site do Observatório da Imprensa: A violência contra a beleza da mulher)

Isabelle Anchieta

Para continuar avançando, mesmo frente as suas contraditórias conquistas, a mulher não pode esconder-se. Vitimar-se. Colocar uma burca. Para ser livre, há, sim, de se reconhecer publicamente o direito de se ser livre, por isso a importância de que as mulheres possam usufruir do seu corpo, de sua beleza e mostrá-la, sem que isso signifique que ela o ofereça ao domínio alheio. Eis, o mais importante: que ela tenha sempre o poder de gerenciar seu corpo e sua vida.

Isabelle Anchieta

A mulher deve, sim, viver sua condição estética e laboral sem que isso seja uma contradição. Não podemos negar esse direito a mulheres bonitas: nem as agredindo fisicamente, muito menos duvidando de sua capacidade. Uma agressão que, infelizmente, não é apenas masculina, mas que ganha coro na inveja feminina.

Isabelle Anchieta

Eis o limite social delicado da beleza: o seu risco. Se a beleza é algo que pode ser vivido sem culpa e restrições, como não tornar a sua vivência um aprisionamento no desejo do outro? Como experimentar a liberdade e autonomia do seu corpo, sem que isso seja um aval de domínio e agressão?

Isabelle Anchieta

Hoje, nas revistas masculinas as mulheres exibem-se como sendo mulheres de carne e osso – estando mais próximas da explicitação do desejo sexual do que a idealização romântica dos seus corpos. Passam, pouco a pouco, do céu à terra.
Mas, se por um lado essa é uma conquista e um direito da mulher – viver sua sexualidade e seu corpo livremente como uma pessoa real – por outro lado, sua liberdade individual é tomada como um "direito de uso" masculino – transformando sua conquista, contraditoriamente, em mais um cerceamento ao uso de seu corpo e a exposição dele.

Isabelle Anchieta

Hoje, nas revistas masculinas, as mulheres exibem-se como sendo mulheres de carne e osso – estando mais próximas da explicitação do desejo sexual do que a idealização romântica dos seus corpos. Passam, pouco a pouco, do céu à terra.

Isabelle Anchieta

Pois, para amar é preciso ter o “eu” e o “alguém” para se amar, como seres em si. Separados. Mas, ligados por um desejo que os aproxima livremente.

Isabelle Anchieta

O conhecimento é uma centelha entre duas espadas

Nietzsche

A reparação não é um final feliz, mas a possibilidade mesma de viver o seu lado destrutivo – sem que ele o destrua. Uma agressividade enquanto voracidade pela vida, unindo potencialmente agressão e amor.

Isabelle Anchieta

Você semeou um bebê e colheu uma bomba. [...] Os pais não podem fazer muita coisa; o melhor que têm a fazer é sobreviver, sobreviver intactos, sem mudar de cor, sem negar qualquer princípio importante. (1969a, p. 124)

Donald Woods Winnicott

Ao voltar à cidade natal as pessoas nos reconhecem, mas nos sentimos outros...

Como uma foto em preto e branco com uma legenda que nos identifique, sem saber das cores que adquirimos no caminho

Essa lucidez é uma avaliação que ressignifica não só o local, mas a nossa própria condição.

Uma condição meio boa, meio ruim

De liberdade e de desassossego,

De lucidez mental e solidão espacial,

Eis o risco de sair: crescer e ser sem-lugar.

Eis o risco de ficar: parar e se contentar.

Isabelle Anchieta

Unir e atravessar. Nessa delicada harmonia entre a razão e a poesia, lógica e filosofia que só o homem é capaz de realizar. Como as pontes, essa perigosa e necessária engenharia poética que equilibra o Oriente e o Ocidente, a esquerda e a direita, o próximo e o distante. Escrever é como construir pontes...

Isabelle Anchieta

Se julgamos que sendo admirados seremos amados... ledo engano! O amor não está na perfeição: estética, ética ou laboral. O amor tem um quê de imperfeito, de desalinho...

Esse desalinho do amor... é libertador. Nos deixa ser. Afrouxa as expectativas que impomos a nós mesmos. Nos deixa errar. Falhar. E nos ama!? Nos ama simplesmente, sem razão, sem um sentido que caiba no sentido. Esse calor humano que não depende das luzes dos holofotes. Que não afasta, mas aproxima. Que não pede, mas é abundante. Que nada quer e tudo nos oferece.

Esse desalinho do amor... é libertador

Isabelle Anchieta

Entusiasmo não é sinônimo de otimismo. Ser otimista é esperar que as coisas dêem certo. Uma espécie de "espera feliz". O entusiasmo não é uma espera, mas uma ação. Ser entusiasmado é comover-se com todas as coisas, ver em todas elas um potencial.Uma espécie de "coragem alegre"

Isabelle Anchieta

O rio não quer chegar a lugar algum, só quer ser mais profundo

Guimarães Rosa

Há certos vazios, em certos momentos da vida, que são constitutivos do que somos...

Isabelle Anchieta

A morte é um corte no tempo que nos separa em instantes da companhia tão amada, tão viva...Agora, é fato. O corte no tempo se impõe. Há segundos, agora horas, agora semanas que me separam aos poucos. De castigo: essa solidão silenciosa, fatal. Vivo todos os sentimentos: ora raiva, melancolia, saudade, alívio, tristeza, confusão, revolta, cansaço. Não sabia como eles poderiam se alternar com tanta velocidade....Enfrento, ainda sem saber como sair, o meu mais grave sentimento, minha mais exigente superação,

Isabelle Anchieta
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