Coleção pessoal de ERIVALDA

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A Cesta
A Cesta, Linda Mensagem a Deus



Oi Deus, como estais?...
Escrevo para lhe saudar e porque agora sim preciso me abastecer, pois a "cesta básica" com a qual me enviaste ao mundo foi se esgotando no decorrer destes anos…
Por exemplo: a paciência acabou por completo, do mesmo modo que a prudência e a tolerância.
E me restam pouquinhas esperanças e o vidrinho da fé estão também vazio.
A imaginação também anda escassa por estas bandas.
Também é bom que saiba que há coisas da cesta que já não preciso, tais como a dependência e essa tremenda facilidade para chorar a toa, que tantos problemas me ocasionaram.
Assim desejaria lhe pedir novos produtos para a cesta…
Inicialmente gostaria que enchesse os frascos da paciência e da tolerância (mas até a borda!), e que me enviasse, por favor, o curso intensivo "Como ser mais prudente", volumes 1, 2 e 3.
Envie-me também várias bolsas grandes, mas "bolsas grandes" de maturidade que tanta falta me faz.
Também desejaria um cesto de sorrisos, desses que alegram o dia de qualquer pessoa.
Peço-lhe que me envie duas grandes e pesadas pedras para amarrá-las nos meus pés e assim tê-los sempre sobre a terra.
Se tiver por aí guardada uma bússola para me orientar a fazer o caminho correto, lhe agradeceria muito que a enviasse para mim.
Presenteie-me imaginação outra vez; mas não de mais, porque devo lhe confessar que em algumas ocasiões usei de grandes quantidades e me fartei.
Novas ilusões e uma dupla porção de fé e de esperança também seriam excelentes.
Peço-lhe também uma paleta de cores para pintar minha vida quando a perceber cinza e escura.
Ser-me-ia de grande utilidade uma cesta de lixo para jogar toda a sujeira que tanto me incomoda.
Por favor, envie-me um vidrinho de mertiolate e uma caixinha de Band-aid para sanar meu coração, porque ultimamente tenho escorregado bastante e me arranhado com frequência.
Peço-lhe uns CDs, porque tenho o cérebro cheio de informações e preciso de espaço para armazenar mais.
Também lhe peço muitas cenouras, para ter boa visão e não deixar passar as oportunidades sem percebê-las.
Preciso também um relógio grande, enorme, para que cada vez que o veja me lembre que o tempo corre e não posso desperdiçá-lo.
Poderia enviar-me muitíssima força e segurança em mim mesmo, pois sei que vou necessitá-las para suportar os tempos difíceis e para me levantar sempre que cair.
Também desejo uma caixa de pastilhas que façam crescer a força de vontade e o empenho, para que viva bem a vida, e peço-lhe umas três ou quatro toneladas de “vontade de viver", para realizar meus sonhos.
Preciso também duma caneta com muita tinta, para escrever todas minhas vitórias e meus fracassos.
Mas, sobretudo, peço que me conceda muita vida, para realizar tudo que tenho na mente e para que no dia que me vá convosco, tenha alguma coisa para lhe levar e possa ver que não perdi o tempo aqui na terra.
Desde já lhe agradeço o que me possa mandar e também agradeço, muito mais, tudo o que me mandou a primeira vez.
Com muito carinho.
Eu.
Autor Desconhecido

desconhecido

Saudades

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

Clarice Lispector

Por quê?


por Fabio Bracht
em 23/02/2012 às 14:30 | Artigos e ensaios, PdH Shots

Tanto eu quanto você, enquanto éramos crianças, passamos pela fase do por quê. Essa pergunta de duas palavras e seis letras era a nossa única ferramenta para entender o mundo e os fenômenos.
Por que o céu é azul? Por que você e a mãe se beijam? Por que aquele passarinho consegue voar? Por que está chovendo?
Quando chegamos na adolescência, fomos tomados por uma ridícula noção de que sabíamos de tudo. Não era mais necessário perguntar por quê. Mais do que desnecessário, era vergonhoso.Como assim você não sabe?
Por algum motivo, essa visão permanece com muitos de nós através da vida adulta. Paramos de perguntar. Temos medo de admitir que não sabemos. Parece feio assumirmos uma posição de principiante e admitir que queremos aprender o tempo todo. Não só na faculdade, não só naquele curso. Não só durante os três meses do período de experiência em um emprego novo, mas durante toda a vida.
Por isso eu tomei por hábito perguntar “por quê?”. Assim, a seco. Faço isso sempre que uma abertura surge. Minhas conversas quase sempre começam com o bom e velho e aí, como é que você está?, mas pode ter certeza que quando eu conversar com você eu vou tentar arranjar uma brecha pra dar uma pausa e perguntar: “por quê?”

"Questione tudo" "Por quê?"
Talvez seja só impressão minha, mas eu vejo que fazer essa pergunta é como começar a brincar com uma matryoshka. É deixar claro que você quer ir além do nível superficial. Que você quer realmente ir mais ao centro da vida da outra pessoa, do que ela pensa, sente e está disposta a te contar.
As pessoas não esperam isso. Elas se assustam. Mas geralmente gostam. É como ir um nível mais a fundo nos sonhos de alguém — e isso pode, ou não, ser uma referência ao filme A Origem.
Melhor ainda é quando me perguntam. Um “por que?” bem colocado, perguntado com um sorriso genuíno, ainda que tímido, é uma pergunta que me deixa sem saída. É me abrir ou me abrir. Eu posso escolher o quanto, mas alguma resposta eu tenho que dar, algum nível de abertura eu preciso conceder, diante de um interesse tão direto. E assim cria-se ou fortalece-se um laço que pode já durar anos ou ter começado há poucos minutos.
O “por que” é inimigo da superficialidade nas relações. Quando ele aparece, ficamos mais transparentes, menos protegidos.
Por quê? Não sei. Mas é uma boa pergunta.

Fabio Bracht

O segredo para renovar sua vida
Por Redação Viva!Mais postado em 13/05/2011 às 19h30Comentários (0)
Tempos atrás, era assim: as moças prendadas – ou seja, “preparadas” para o casamento – sabiam fazer tudo numa casa. Inclusive, costurar e bordar. Chegavam até a cuidar que as roupas do marido e dos filhos fossem confeccionadas em casa. Assim, ajudavam no orçamento familiar. E a economia ia além, já que costumavam aproveitar todos os panos que sobravam das costuras para fazer colchas de retalhos.

Esse reaproveitamento geralmente resultava numa mistura de cores e tecidos que, por mais bem combinados e atados que fossem, dificilmente resultavam em algo bonito. Mas vá lá, no fim das contas eles serviam, pois estavam dando uso para algo cujo destino inicial seria o lixo.

Seguindo essa raciocínio, eu pergunto: será que não estamos fazendo exatamente a mesma coisa com a nossa vida? Juntando restos e cacos para tecer a trama dos nossos relacionamentos? É que passamos por inúmeras situações que nos reduzem a fragmentos, que nos quebram. Um amor que se foi, uma relação que terminou em briga, uma decepção com um parente, um perdão não dado, um ressentimento cultivado…Tantas experiências nos reduzem a cacos que chegamos , inclusive, a pensar na impossibilidade de continuar.

Nessa hora, há quem tente juntar os cacos e remendar a vida. Colando um pedaço aqui, costurando outro ali e formando, assim, um mosaico de frustrações, dores, suspiros e amores tal como aquela colcha de retalhos da vovó. Então, o resultado é uma vida, mas uma vida feita com os restos de um passado mal resolvido e não integrado. Por isso não podemos deixar situações sem solução. Por isso não podemos guardar ressentimentos sem dar o perdão, não podemos rejeitar o que somos – pelo contrário: devemos, sim, nos amarmos pelo que somos e fazemos!

Não podemos viver da lembrança de amores que se foram nem mendigar atenção de quem não nos quer. Se vivermos assim, viveremos dos restos que a vida nos deixou. E, vamos ser honestos, não fomos feitos para os restos e sobras! Acredite, Deus nos criou para a plenitude e não para nos contentarmos com migalhas.

Se quiser ser feliz, comece a sua vida a partir do novo. Parta do zero. As lembranças servem para que não caiamos no mesmo erro e não para serem revividas como se nos aprisionassem no passado. Para tornar-se nova, busque os recomeços. Jesus já havia dito que não se remenda a vida. Afirmava Ele: não se coloca remendo novo em roupa velha, pois o estrago pode ser ainda maior. Assim, Ele mesmo nos ensinava a não remendar a nossa vida misturando coisas novas com as velhas.

O novo é o recomeço a partir das coisas certas e não remendos a partir dos erros passados. Perdoe, livre-se dos ressentimentos, evite viver do passado e busque, principalmente, agir a partir da realidade que só você é capaz de construir agora.

O ontem não existe mais. O amanhã ainda não chegou. Entretanto, o hoje está em suas mãos. Faça o melhor por si mesma agora e evocará o mesmo para sua família e seus amigos.

Padre Juarez de Castro

A afetividade torta


Acho que o maior problema dos relacionamentos contemporâneos é da ordem gastronômica. Da forma como eu vejo - e talvez esteja influenciada pela fome da madrugada - as pessoas são como grandes tortas de sabores variados. Algumas a gente bate o olho e já sabe que vai gostar, às vezes só pelo cheiro. Outras vezes, a gente segue a intuição e só depois descobre que é alérgico a nozes, ou pior, que a torta em questão curte sertanejo universitário.
Mas, ao contrário do que você possa estar pensando, o problema dos relacionamentos contemporâneos não reside no fato de que somos tortas gigantes. Tortas são bonitas e gostosas, na grande maioria das vezes - exceto nas festas de aniversário em escritórios no centro da cidade. A tristeza da coisa está na constatação de que estamos vivendo uma espécie de comidaaquilorização da afetividade. Isso significa que, devido a alta oferta de tortas no mercado, ninguém consegue se focar em apenas um sabor.
O que temos hoje é uma porção de tortas sendo vorazmente garfadas e deixadas de lado, aos pedaços, disformes, tristes. Todo mundo quer um pedacinho de torta, uma fatiazinha fina do tipo "estou-de-dieta-não-quero-muito". Tem sempre alguém querendo dar uma mordiscada, uma lambidinha, uma passadinha de dedo marota. O que ninguém quer - ou tem coragem de fazer - é arriscar e levar a torta inteira para casa.
E essa é a grande lástima da nossa geração. Estamos acostumados a tirar lasquinhas de várias sobremesas e levar à balança do restaurante para pesar. É a insustentável leveza da torta mousse de chocolate e do cheesecake de framboesa. Estamos acostumados a ter muitas, muitas opções de comida. E de pessoas. Conheço gente que tem mais de 1.000 amigos no Facebook. Como se alguém fosse fisicamente capaz de ter mil amigos.
E qual é o resultado disso? Tortas garfadas e destroçadas, sem lugar cativo na geladeira de ninguém, vagando por aí, pelas noitadas, pelas festas, tristes, tortas. E, pouco a pouco, elas vão perdendo a doçura. Vão se tornando descrentes, azedas, estragadas pelo ataque dos garfos despretensiosos.
Somos tortas. Claro que somos comidas. Mas o que eu queria mesmo era experimentar a sensação de ser a preferida de alguém. Aquela que é levada dentro do pacote - o pacote completo, com todos os defeitos e qualidades, com todas as garfadas sofridas, com tudo aquilo que faz de mim a torta gigante que eu sou. Estou farta de me pedirem pedacinhos. Quero ser levada por inteiro.

Não conheço.

CASAMENTO


Autor Desconhecido

Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer". Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.


De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.


Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: "Por quê?"


Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou "você não é homem!"


Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento, mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.


Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.


Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente.


Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.


No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.


Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e voltei a dormir.


Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possível.


As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para preparar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais. Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs.


Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis. Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. "Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio" disse Jane em tom de gozação.


Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo "O papai está carregando a mamãe no colo!" Suas palavras me causaram constrangimento.


Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não conte para o nosso filho sobre o divórcio" Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.


No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher.


Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela.


Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado...


No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.


No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.


Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse "Todos os meus vestidos estão grandes para mim". Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.


A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso... ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração..... Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos. Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse "Pai, está na hora de você carregar a mamãe". Para ele, ver seu pai carregando sua mãe todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa.


Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo.


Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.


Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras: "Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo".


Eu não consegui dirigir para o trabalho... fui até o meu novo futuro endereço, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia...Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela "Desculpe, Jane. Eu não quero mais me divorciar".


Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa "Você está com febre?" Eu tirei sua mão da minha testa e repeti "Desculpe, Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe".


A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.


Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: "Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe".


Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama - morta.


Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando há vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela.


Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio - e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.


Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos.

desconhecido

Sopre as Cinzas!!!
Quem feriu você, já feriu e já passou.
Lá na frente encontrará o inevitável retorno e pelas mãos de outrém será ferido também.
A vida se encarregará de dar-lhe o troco e você, talvez, jamais fique sabendo.
O que importa de verdade é o que você sentiu e, mais importante, é o que ainda você sente...MÁGOA? RANCOR? RESSENTIMENTO? ÓDIO?
Você consegui perceber que esses sentimentos foram escolhidos por você???
Somos nós que escolhemos o que sentir diante das agressões e de ofensas.
Quem nós faz mal é responsável pelo seu ato, mas nós somos responsáveis pelo que sentimos.
Essa responsabilidade tem a ver com o AMOR que sentimos por nós mesmos.
O ofensor fez o que fez e o momento passou, mas o que ficou ai dentro de você?
Mágoa - você sabia que de todas as drogas, ela é a mais cancerígena?
Pela sua própria saúde, JOGUE-A FORA.
Rancor - ele é como um alimento preparado com veneno irreconhecível. Dia mais, dia menos, você poderá contrair doenças cujas origens nem suspeitará.
Ressentimento - pois imagine-se vivendo dentro de um ambiente poluído, enfumaçado, repleto de bactérias e de incontáveis tipos de virus. É isso que seu coração e seus pulmões estão tentando aguentar.
Até quando você acha que eles vão resistir?
Ódio - seus efeitos são paralisantes. Seu sistema imunológico entrará em conflito com esse venono, que com o tempo poderá colocar você face a face com a morte e talvez, muito tarde você venha a perceber que melhor seria ter deixado que seu agressor colhesse os frutos do próprio plantio.
Para o seu bem...PERDOE.
O perdão o libertará e o fará livre para ser feliz.
Esqueça o mal que lhe foi feito.
Deixe que seu ofensor lembre-se dele através das consequências com que,certamente, virá arcar.
Mude seu destino...seja o comandante da sua NAU!!!
Escolha o melhor caminho para sua "VIAGEM"
E se outras vezes o ferirem, PERDOE...PERDOE.

PradoMara Cristina

Apenas um Gato

De vez em quando escuto alguém me dizer:
- Pára com isso! É apenas um gato!

Ou então:
- Mas é muito dinheiro para se gastar com ele! É apenas um gato.

Essas pessoas não sabem do caminho percorrido, do tempo gasto ou dos custos que significam "apenas um Gato". Muitos dos meus melhores momentos me foram trazidos por "apenas um Gato".

Por muitas horas em minha vida, minha única companhia era "apenas um Gato", e eu não me sentia desprezado.

Muitas de minhas tristezas foram amenizadas por "apenas um Gato". E naqueles dias sombrios, o toque gentil de "apenas um Gato" me deu conforto e motivo para seguir em frente.

Se você também é daqueles que pensam que ele é "apenas um Gato", com certeza deve entender bem expressões como "apenas um amigo","apenas um nascer de sol", "apenas uma promessa".

"Apenas um Gato" deu à minha vida a verdadeira essência da amizade, da confiança,sabedoria, discrição,sensibilidade, o valor do silênciao e da pura e irrestrita felicidade.


"Apenas um Gato" faz aflorar a compaixão e a paciência que fazem de mim uma pessoa melhor.

Por causa de "apenas um Gato" eu me levanto cedo, cuido de minha vida, faço exercícios e olho com mais amor para o futuro.

Porque pra mim - e para pessoas como eu - não se trata de "apenas um Gato", mas da incorporação de todos os sonhos e esperanças do futuro, das lembranças afetuosas do passado,
da pura felicidade do momento presente.

"Apenas um Gato" faz brotar o que há de bom em mim e dissolve meus pensamentos e as preocupações do meu dia.

Eu espero que algum dia algumas pessoas entendam que não é "apenas um Gato", mas é aquilo que me torna mais humano e me permite não ser "apenas um homem" ou "apenas um mulher".

Então, da próxima vez em que você escutar a frase:

"É apenas um Gato", apenas sorria para essas pessoas.... Elas dizem isso porque elas apenas não podem entender. Pra elas, as coisas são "apenas". Para nós, tudo na vida é...tudo.

desconhecido

O QUE É MÃE....

"Mãe é aquele ser estranho, louco, capaz de heroísmos, dramas e Bréguices com a mesma fúria; paga mico, escreve carta para Papai Noel, se faz passar por fadinha do dente, coelho da páscoa, cuca, pede autógrafo para artistas deploráveis assiste a programas, peças, shows horríveis, revê milhares de vezes os mesmos desenhos animados, conta as mesmas histórias centenas de vezes, vai pra Disney e A D O R A!
Mãe faz escândalo, tira satisfação com professor, berra em público, dá vexame, deixa a gente sem graça, compra briga; é espaçosa, barulhenta, tendenciosa, leoa, tiete, dona da gente. Mãe desperta extremos,ganas, irrita, enlouquece, mas... É mãe.
Mãe faz promessa, prestação, hora extra, pra que a gente tenha o que é preciso e o que sonha. Mãe surta, passa dos limites, às vezes até bate, diz coisas duras; mãe pede desculpas, mortificada... Mãe é um bicho doido, louco pela cria. Mãe é Visceral!
Mãe chora em apresentação de balé, em competição de natação, quando a filha menstrua pela primeira vez, quando dá o primeiro beijo, quando vê a filha apaixonada no casamento, no parto... Xinga todo e cada desgraçado que faz a filha sofrer, enlouquece esperando ela chegar da balada, arranca os cabelos diante da morte...Mãe é uma espécie esquisita que se alterna entre fada e bruxa com um naturalidade espantosa. É competente no item culpa e insuperável no item ternura, mas pode ser virulenta, tem um lado B às vezes C, D, E... Mãe é melosa, excessiva, obsessiva, repulsiva, comovente, histérica, mas não se é feliz sem uma. Mãe é contrato: irrevogável, vitalício instransferível!

Mãe lê pensamento, tem premonição, sonhos estranhos. Conhece cara de choro, de gripe, de medo; entra sem bater, liga de madrugada, pede favor chato, palpita e implica com amigos, namorados, escolhas. Mãe dá a roupa do corpo, tempo, dinheiro, conselho, cuidado, proteção. Mãe dá um jeito, dá nó,dá bronca, dá força. Mãe cura cólica, porre, tristeza, pânico noturno, medos. Espanta monstros, pesadelos, bactérias mosquitos, perigos. Mãe tem intuição e é messiânica: Mãe salva. Mãe guarda tesouros, conta histórias e tece lembranças. Mãe é arquivo!
Mãe exagera, exaure, extrapola. Mãe transborda, inunda, transcende. Ama, desmama desarma, denota, manda, desmanda, desanda, demanda. Rumina o passado, remói dores, dá o troco, adora uma cobrança e um perdão lacrimoso.
Mãe abriga, afaga, alisa, lambe, conhece as batidas do nosso coração, o toque dos nossos dedos, as cores do nosso olhar e ouve música quando a gente ri. Mãe tem coração de mãe!
Mãe é pedra no caminho, é rumo; é pedra no sapato, é rocha; é drama mexicano, tragédia grega e comédia italiana; é o maior dos clássicos;é colo, cadeira de balanço e divã de terapeuta... Mãe é madona-mia! É deus-me-acuda; é graças-a-deus; é mãezinha-do-céu, é mãe é minha- e- eu- mato -quando- quiser; é a que padece no paraíso enquanto nos inferniza... Mãe é absurda e inexoravelmente para sempre e é uma só: não há Mistério maior! Só cabe uma mãe na vida de uma filha... e olhe lá! Às vezes, nem cabe inteira. Mãe é imensurável!
Mãe é saudade instalada desde o instante em que descobrimos a morte.
Mãe é eterna, não morre jamais. Bicho estranho, entranha, milagre, façanha, matriz, alma, carne viva, laço de sangue, flor da pele. Mãe é mãe, e faz cada coisa..."

Hilda Lucas

Eu decidi que a velhice é um presente.
Eu sou agora, provavelmente e pela primeira vez em minha vida, a pessoa que eu sempre quis ser. Oh, não meu corpo! Às vezes, eu me aborreço com meu corpo... as rugas, os olhos empapados, e o abdômen caído. Sou surpreendido por aquela pessoa velha que surge em meu espelho, mas eu não ligo e logo parto para outra...
Eu nunca trocaria meus amigos incríveis, minha vida maravilhosa, minha família por menos cabelos grisalhos ou uma barriga mais chata. Quando envelheci, eu me tornei mais amável e menos crítico comigo mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo.
Eu não me culpo por comer aquele biscoito extra, ou por não arrumar minha cama, ou por comprar aquela bobagem que eu não vou usar nunca, mas me sinto um vanguardista em meu meio. Eu considero o máximo estar à vontade, ser extravagante.
Eu vi muitos queridos amigos deixarem este mundo muito cedo, antes de eles entenderem a grande liberdade que vem com o envelhecer.
Quem pode me repreender se eu escolher ler ou jogar no computador até as 4 da manhã ou dormir até o meio-dia?
Sozinho, eu posso dançar as melodias maravilhosas dos anos 60 e70, e posso também lamentar um amor perdido, se quero...
Posso ir à praia e nadar de terno, ficar todo encharcado, e mergulhar nas ondas com o abandono que eu decidir, apesar dos olhares contestadores... Eles, também, envelhecerão.
Eu sei que, às vezes, eu me esqueço. Mas, novamente, há coisas na vida que é bom esquecer. E, às vezes, eu me lembro das coisas importantes.
Seguramente, durante anos meu coração esteve magoado. Como um coração pode não chorar quando perde um ser amado, ou quando vê uma criança sofrer, ou até mesmo quando alguém amado sofre um acidente? Mas, as mágoas do coração nos dão força e nos ensinam a compaixão. Um coração que nunca sofreu é rude e estéril, e nunca saberá a alegria de não ser magoado.
Eu sou abençoado por ter vivido tempo bastante para ter cabelos grisalhos e ter meu sorriso jovem, marcando profundamente a minha face. Tantos nunca sorriram e tantos morreram ntes de seus cabelos se tornarem prata.
Quando você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com que as outras pessoas pensam. Eu não me questiono mais. Eu ganhei, até mesmo, o direito de estar errado.
Assim, respondo sua pergunta, eu gosto de ser velho. Tornou-me livre. Eu gosto da pessoa em que eu me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu aqui estiver eu não desperdiçarei meu tempo, lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupando sobre o que será. E, eu comerei sobremesa todos os dias, se assim quiser!

desconhecido

Nunca deixe que a saudade do passado
e o medo do futuro estraguem a beleza
de hojee, poois há dias que valem um
momento, e há momentos que valem por
toda a vida

Caroline Tavares

ONDE VOCÊ COLOCA O SAL?
O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.
- Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.
- Ruim - disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago.
Então o velho disse:
- Beba um pouco dessa água.
Enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou:
- Qual é o gosto?
- Bom! - disse o rapaz.
- Você sente o gosto do sal? - perguntou o Mestre.
- Não... - disse o jovem.
O Mestre então, sentou ao lado do jovem, e disse:
- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. E’ dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. Em outras palavras: E’ deixar de ser copo para tornar-se um lago

Diedra Roiz

Contra quem lutamos?

Um ermitão, uma destas pessoas que por amor a Deus se refugiam na solidão do deserto, do bosque ou das montanhas para dedicar-se somente à oração e à penitência, muitas vezes reclamava que tinha muito que fazer.
Lhe perguntaram como era possível que em sua solidão tivesse tanto trabalho.
- Tenho que domar dois falcões, treinar duas águias, manter quietos dois coelhos, vigiar uma serpente, carregar um asno e sujeitar um leão.
- Não vemos nenhum animal perto do local onde vives.
Onde estão estes animais?
O ermitão então explicou:
- Estes animais todos os homens têm, vocês também...
Os dois falcões se lançam sobre tudo o que aparece, seja bom ou mau.
Tenho que domá-los para que só se fixem sobre uma boa presa.
São meus olhos.
As duas águias ferem e destroçam com suas garras.
Tenho que treiná-las para que sejam úteis e ajudem sem ferir.
São minhas mãos.
Os dois coelhos querem ir onde lhes agrada, fugindo dos demais e esquivando-se das dificuldades.
Tenho que ensinar-lhes a ficarem quietos mesmo que seja penoso, problemático ou desagradável.
São meus pés.
O mais difícil é vigiar a serpente, apesar dela estar presa numa jaula de 32 barras.
Está sempre pronta para morder e envenenar os que a rodeiam, mal se abre a jaula. Se não a vigio de perto, causa danos.
É minha língua.
O burro é muito obstinado, não quer cumprir com suas obrigações.
Alega estar cansado e se recusa a transportar a carga de cada dia.
É meu corpo.
Finalmente, preciso domar o leão.
Quer ser o rei, o mais importante; é vaidoso e orgulhoso.
É meu coração.
Portanto, há muito que fazer...

Texto:
Autor desconhecido.

Desconhecido

Mães Morrem Quando Querem... - Alexandre Pelegi
Postado por ☆Estrela Santana☆ quinta-feira, 27 de janeiro de 2011


Eu tinha 7 anos quando matei minha mãe pela primeira vez. Eu não a queria junto a mim quando chegasse à escola em meu 1º dia de aula.

Eu me achava forte o suficiente para enfrentar os desafios que a nova vida iria me trazer.

Poucas semanas depois descobri aliviado que ela ainda estava lá, pronta para me defender não somente daqueles garotos brutamontes que me ameaçavam, como das dificuldades intransponíveis da tabuada.

Quando fiz 14 anos eu a matei novamente.

Não a queria me impondo regras ou limites, nem que me impedisse de viver a plenitude dos voos juvenis.

Mas logo no primeiro porre eu felizmente a descobri rediviva - foi quando ela não só me curou da ressaca, como impediu que eu levasse uma vergonhosa surra de meu pai.
Aos 18 anos achei que mataria minha mãe definitivamente, sem chances para ressurreição.

Entrara na faculdade, iria morar em república, faria política estudantil, atividades em que a presença materna não cabia em nenhuma hipótese.

Ledo engano: quando me descobri confuso sobre qual rumo seguir voltei à casa materna, único espaço possível de guarida e compreensão.

Aos 23 anos me dei conta de que a morte materna era possível, apenas requeria lentidão...

Foi quando me casei, finquei bandeira de independência e segui viagem.
Mas bastou nascer a primeira filha para descobrir que o bicho 'mãe' se transformara num espécime ainda mais vigoroso chamado 'avó'.

Para quem ainda não viveu a experiência, avó é mãe em dose dupla...

Apesar de tudo continuei acreditando na tese da morte lenta e demorada, e aos poucos fui me sentindo mais distante e autônomo, mesmo que a intervalos regulares ela reaparecesse em minha vida desempenhando papéis importantes e únicos, papéis que somente ela poderia protagonizar...

Mas o final dessa história, ao contrário do que eu sempre imaginei, foi ela quem definiu: quando menos esperava, ela decidiu morrer.
Assim, sem mais, nem menos, sem pedir licença ou permissão, sem data marcada ou ocasião para despedida.

Ela simplesmente se foi, deixando a lição que mães são para sempre.

Ao contrário do que sempre imaginei, são elas que decidem o quanto esta eternidade pode durar em vida, e o quanto fica relegado para o etéreo terreno da saudade...

☆☆☆☆☆☆☆☆

Não sei... Se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas descobri que devemos demonstrar a ela nosso amor, enquanto ela está por aqui...

Jamais saberemos quando ela vai querer partir...
O vazio que fica, nunca conseguiremos preencher... Para quem ainda a tem ao seu lado, ame-a com todo seu coração...
Não espere ela partir para lhe dar AMOR.

Um dia você vai descobrir que a pessoa que mais lhe amou na vida, foi ela...
E para quem já não a tem mais do seu lado....
Feche os olhos e faça uma prece.

Agradeça-a pela vida que teve ao lado dela.
Ficou algo pendente?
Alguma culpa?
Conte tudo, abra seu coração. . .

Certamente ela já lhe perdoou. . .
Guarde suas lembranças no mais precioso dos baús...

Alexandre Pelegi

Morrer em vida é fatal
MARTHA MEDEIROS
Nunca esqueci de uma senhora que, ao responder por quanto tempo pretendia trabalhar, respondeu com toda a convicção: “Até os 100 anos”. O repórter, provocador, insistiu: “E depois?”. “Ué, depois vou aproveitar a vida”.É de se comemorar que as pessoas aparentem ter menos idade do que realmente têm e que mantenham a vitalidade e o bom humor intactos – os dois grandes elixires da juventude. No entanto, cedo ou tarde (cada vez mais tarde, aleluia), envelheceremos todos. Não escondo que isso me amedronta um pouco. Ainda não cheguei perto da terceira idade, mas chegarei, e às vezes me angustio por antecipação com a dor inevitável de um dia ter que contrapor meu eu de dentro com meu eu de fora.Rugas, tudo bem. Velhice não é isso, conheço gente enrugada que está saindo da faculdade. A velhice tem armadilhas bem mais elaboradas do que vincos em torno dos olhos. Ela pressupõe uma desaceleração gradativa: descer escadas de forma mais cautelosa, ser traída pela memória com mais regularidade, ter o corpo mais flácido, menos frescor nos gestos, os órgãos internos não respondendo com tanta presteza, o fôlego faltando por causa de uma ladeira à toa, ainda que isso nem sempre se cumpra: há muitos homens e mulheres que além de um ótimo aspecto, mantêm uma saúde de pugilista. A comparação com os pugilistas não é de todo absurda: é de briga mesmo que estamos falando. A briga contra o olhar do outro.Muitos se queixam da pior das invisibilidades: “Não me olham mais com desejo”. Ouvi uma mulher belíssima dizer isso num programa de tevê, e eu pensei: não pode ser por causa da embalagem, que é tão charmosa. Deve estar lhe faltando ousadia, agilidade de pensamento, a mesma gana de viver que tinha aos 30 ou 40. Ela deve estar se boicotando de alguma forma, porque só cuidar da embalagem não adianta, o produto interno é que precisa seguir na validade.Quem viu o filme Fatal deve lembrar do professor sessentão, vivido por Ben Kingsley, que se apaixona por uma linda e jovem aluna (Penélope Cruz) e passa a ter com ela um envolvimento que lhe serve como tubo de oxigênio e ao mesmo tempo o faz confrontar-se com a própria finitude. No livro que deu origem ao filme (O Animal Agonizante, de Philip Roth), há uma frase que resume essa comovente ansiedade de vida: “Nada se aquieta, por mais que a gente envelheça”.Essa é a ardileza da passagem do tempo: ela não te sossega por dentro da mesma forma que te desgasta por fora. O corpo decai com mais ligeireza que o espírito, que, ao contrário, costuma rejuvenescer quando a maturidade se estabelece.Como compensar as perdas inevitáveis que a idade traz? Usando a cabeça: em vez de lutarmos para não envelhecer, devemos lutar para não emburrecer. Seguir trabalhando, viajando, lendo, se relacionando, se interessando e se renovando. Porque se emburrecermos, aí sim, não restará mais nada.

MARTHA MEDEIROS

Relógio do Coração.

Há amores não realizados
que deixaram olhares de meses
e beijos não dados
que até hoje esperam o desfecho.
Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na Terra,
mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas.
Há tempos em nossa vida que contam de forma diferente.
Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.
Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres,
apesar do calendário nos mostrar que ficaram por anos em nossas agendas.
E há casamentos que, ao olhar para trás,
mal preenchem os feriados da folhinha.
Há tristezas que nos paralisaram por meses,
mas que hoje, passados os dias difíceis,
mal guardamos lembrança de horas.
Há eventos que marcaram e que duram para sempre:
o nascimento do filho, a morte da avó,
a viagem inesquecível, o êxtase do sonho realizado.
Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes
e, na maioria das vezes, o tempo transcorrido foi o mesmo.
Mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje,
como há percurso que nem me lembro de ter feito,
tão feliz estava eu na ocasião.
O relógio do coração hoje descubro,
bate noutra frequência daquele que carrego no pulso.
Marca um tempo diferente, de emoções que perduram
e que mostram o verdadeiro tempo da gente.
Por este relógio,
velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.
É olhar as rugas e não perceber a maturidade.
É pensar antes naquilo que não foi feito,
ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças do que viveu.
Pense nisso.
E consulte sempre o relógio do coração:
ele lhe mostrará o verdadeiro tempo do mundo.

Autoria Alexandre Pelegi.

HOMENAGEM À MEU PAI...

TRISTEZA É TER QUE RIR,
QUANDO SE QUER CHORAR
É TENTAR ESQUECER, QUANDO
SE QUER LEMBRAR
É TER DE FUGIR, PRA NÃO
DEMONSTRAR
É QUERER SILENCIAR, QUANDO SE
SABE QUE ETERNAMENTE HÁ
DE AMAR
É CAMINHAR QUANDO SE
QUER VOLTAR ATRÁS
É DAR TUDO DE SI, SEM NADA
RECEBER
É TER DE VIVER, QUANDO
INTIMAMENTE, SENTE-SE
QUERER MORRER
É SE SENTIR SÓ, QUANDO MAIS
ANSIOSO DESEJA ALGUÉM
É TER TUDO E NÃO TER MAIS
VOCÊ ...

ERIVALDA

Mensagem de despedida aos amigos
Até aqui viajamos juntos.
Passaram vilas e cidades, cachoeiras e rios, bosques e florestas...
Não faltaram os grandes obstáculos.
Freqüentes foram as cercas, ajudando a transpor abismos...
As subidas e descidas foram realidade sempre presente.
Juntos, percorremos retas, nos apoiamos nas curvas, descobrimos cidades...
Chegou o momento de cada um seguir viagem sozinho...
Que as experiências compartilhadas no percurso até aqui sejam a alavanca para
alcançarmos a alegria de chegar ao destino projetado.
A nossa saudade e a nossa esperança de um reencontro aos que, por vários
motivos, nos deixaram, seguindo outros caminhos.
O nosso agradecimento àqueles que, mesmo de fora, mas sempre presentes, nos
quiseram bem e nos apoiaram nos bons e nos maus momentos.
Dividam conosco os méritos desta conquista, porque ela também pertence a
vocês. Uma despedida é necessária antes de podermos nos encontrar outra vez.
Que nossas despedidas sejam um eterno reencontro.

Desconhecido

Ondas


Um momento você tem falta.
No momento seguinte você tem excesso.
Um dia você não tem nada para fazer.
No dia seguinte você nem tem tempo para fazer tudo.
Um dia a geladeira está vazia e você está com fome.
No dia seguinte você ainda tem metade da refeição

à sua frente e você já está satisfeito.


Um mês você tem dinheiro de sobra e nem sabe o que comprar.
No mês seguinte você tem déficit na conta bancária e um cheque sem fundos.




Um momento você está cheio de energia e não consegue dormir.
No momento seguinte você está cansado e não consegue levantar.



Um dia você é o centro das atenções.
No dia seguinte ninguém quer saber se você está vivo.
São as ondas da vida.
Carregam-nos para cima e para baixo.



Dinheiro, amigos, seu corpo, seus relacionamentos, seu trabalho,

e todo o resto da lista, tudo varia.
Tudo vai com as ondas.


Os comerciais fazem você acreditar que tem que ter o carro novo

ou a tevê de tela grande.
Sim, estas coisas podem excitá-lo por um momento,
mas é somente uma onda.
Quando menos esperar, a emoção se foi.




Eu sempre achei que o dinheiro e as coisas que ele compra trouxessem a felicidade,

e então todas as pessoas ricas seriam felizes.
Mas não é assim.
Nós vemos como a pobreza pode facilmente causar a infelicidade,

mas nos enganamos ao acreditar que o dinheiro resolve todas as coisas.


A vida está cheia de coisas e eu não negociaria minha vida com ninguém,

nem mesmo o mais abençoado que eu conheça, aquele mais rico.
É uma coisa após outra, um desafio após outro,

uma situação após outra, dia após dia, sem fim...
São ondas...




Muitos são lançados às pedras pelas ondas.
Alguns, como submarino, mergulham fundo,

por baixo das tempestades, em busca da paz.
Alguns simplesmente surfam as ondas e têm muito divertimento.
Alguns afogam-se.
Você não pode parar as ondas; é a natureza do oceano da vida.
Você pode apenas escolher o método que usará para enfrentar.


Você pode ser lançado, como a maioria.

Você pode se afogar, como muitos.

Você pode surfar e ter todo o divertimento que puder,

mas mesmo um surfista se cansa e não tem como dormir sobre uma prancha.


Atravessar estas ondas, de maneira segura e confortável, requer um navio.

E esse navio, você não pode tripular sozinho.
Você terá que ter parceiros, verdadeiros companheiros,

que possam dividir o trabalho e compartilhar os triunfos.
Então, convoque sua tripulação...

E boa viagem!

Desconhecido

Casamento é um Estado de Espírito
Pra começar, casamento não deveria ser um divisor de águas na vida de uma pessoa, com uma data escolhida para separar definitivamente o antes do depois.
Em vez de decidir casar, deveríamos permitir que o casamento acontecesse espontaneamente, sem que a gente nem percebesse. Comigo, sortuda que sou, aconteceu assim. Estávamos juntos havia um tempão e cada um morava no seu apartamento. Aos poucos, a cumplicidade foi aumentando, nossas roupas e discos começaram a se misturar, já não queríamos dormir separados. Não fazíamos muitos planos para o futuro, curtíamos a companhia um do outro serenamente, sem pactos nem juras de amor eterno, até que um belo dia nos demos conta de que já estávamos casados, casadíssimos, a questão era oficializar ou não. Oficializamos, assinamos os papéis, e o que mudou a partir daí? Nada. Qual é a data do nosso casamento? 13 de janeiro, 30 de março, 23 de outubro, 8 de dezembro... escolha você. Em cada dia dos nossos quatro anos de namoro a gente casou um pouquinho. O que equivale a dizer que começamos a casar no dia em que nos conhecemos: não foi um crime premeditado.
Casamento é grude? Só se o casal ambiciona o ódio mútuo. Casamento é a união de duas pessoas que têm afinidades, que gostam muito de conversar uma com a outra, de transar uma com a outra e que resolvem morar juntas porque é mais econômico e porque facilita na hora de ter filhos, que é uma aventura deliciosa a ser compartilhada. Se ambos estiverem de acordo quanto a isso, aceitarão com naturalidade que cada um tenha os próprios amigos, os próprios passatempos, suas viagens, seu trabalho, enfim, que sejam donos de uma vida individualizada e inteira, e não mutilada. Leva-se um tempo até descobrir que esse é um arranjo que funciona. Pena que, antes que o casal amadureça e chegue a esse ponto, muitos desistem por puro apego às convenções.
Você deve estar pensando: muito bem, e agora? Ela vai continuar enrolando ou vai tocar naquele ponto nevrálgico que implode a maioria das relações?
Não, ela não vai continuar enrolando. É hora de falar na dolorosa. A questão da fidelidade.
Se Jennifer Aniston continuar casada com Brad Pitt por mais dez anos, até ela, com aquele monumento em casa, vai começar a bocejar e a olhar impaciente pela janela. Não porque Brad Pitt tenha dentes feios e espinhas no rosto (foi o Rubens Ewald que disse isso; pra mim Brad segue perfeito). A razão será outra: amor e sexo não são da mesma família. O amor é de família nobre e tradicional, enquanto o sexo vem da periferia e é chegado numa promiscuidade. Nem os sentimentos mais elevados por nosso parceiro conseguem evitar que tenhamos desejos secretos e fora de hora. Desejar é humano, meritíssimo, não nos condene. Estranho seria se a gente não tivesse nenhuma fantasia, nenhuma excitação pelo que acontece do lado de fora da cela.
Homens sentem vontade de transar com outras mulheres, e mulheres sentem vontade de transar com outros homens pelas mais diversas razões: para testar seu poder de sedução, para dar um up na auto-estima, para recuperar a adolescência perdida ou porque se apaixonaram por outra pessoa inadvertidamente - arrisco até a dizer: inocentemente. Ninguém tem controle absoluto sobre si mesmo, pode acontecer com qualquer um. E aí, como se resolve?
Quem é temente a Deus reprime. Quem é temente aos olhos dos vizinhos reprime. Quem é temente a si mesmo reprime. Mas quem não quer passar o resto da vida privando-se de sonhar, de se encantar, de namorar outra vez encara e assume os riscos, que não são poucos. Muitos acabam se separando, mesmo tendo um casamento que era satisfatório. No entanto, a tal "pulada de cerca" às vezes não gera maiores conflitos internos, é apenas uma necessidade paralela.
Não é assunto fácil, tampouco é novo. É um problema antigo e cabeludo. Envolve religião e seu subproduto: culpa. Sentimos culpa por tudo. Culpa por sermos avançadas demais, medrosas demais, galinhas demais, santinhas demais. Culpa pela nossa libido, pelas nossas fraquezas, pela nossa coragem. Culpa por estarmos mentindo, omitindo, enganando. Por ter permitido que o casamento chegasse a esse ponto de fragilidade - ou de segurança extrema, acreditando que tudo será perdoado e compreendido.
Casamento é um compromisso sério, mas não deveria significar prisão, submissão, anulação, obediência e tudo mais que caracteriza uma relação tirânica. Casamento deve significar amizade, sexo, respeito, diversão e companhia. Casamento tem que ser alegre, tem que ter sintonia, liberdade e muito jogo de cintura. Casamento não é brincadeira de criança, mas tem que ser leve, e é imprescindível que haja maturidade e - atenção - inteligência! A burrice é inimiga das relações, ela é que permite o surgimento de mesquinharias, preconceitos, implicâncias e ciúmes doentios. Casamento tem que ser aberto, não necessariamente no sentido sexual - isso é negociado caso a caso -, mas aberto para a renovação, para a conversa franca, para as necessidades de cada um, para a intimidade que vai além dos corpos, intimidade de almas, intimidade que permite a gente enxergar o outro, aceitar o outro e viver de maneira menos repetitiva e convencional. Cada casamento exige uma fórmula própria, cada casal inventa a sua, mas de uma coisa não se pode prescindir: da flexibilidade.
Parece facílimo, mas é um deus-nos-acuda. De tudo o que foi dito, a única conclusão a que chego é que os casamentos seguirão desmoronando se não houver uma compreensão do assunto que ultrapasse o romantismo. Amor é fundamental, mas não basta. É preciso um não-sei-quê que a gente não explica, mas sente. Algo que está no ar, no olhar, e que dispensa racionalizações.

Martha Medeiros
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