Coleção pessoal de carolbarbosa
Shot of domain
Os dias que não vivo, minha noites de chuva intensa, me tornam o perigo.
Não importa de qual lado você esteja, minha arma não respeita as regras.
Mesmo sem mirar, sempre acerto o tiro.
Dilacerada
rasga-me de maneira sórdida, torpe e pensada. dói-me por ser tão docemente afável. viverei tão pungente dor de amor inesgotável
Fúria
Me atingiu o coração como um vendaval
Me pegou desprevenida, desestruturou toda a minha vida
Antes que eu pudesse me recuperar, já estava lá, novamente caída, insegura, estagnada
Catástrofe natural, eu estou apaixonada.
O Jogo
Seu olhar é um convite ao perigo
Sem perigo, pra mim a vida não tem graça
Mas durante o jogo aconteceu um imprevisto
Acacbei sendo desclassificada
Você soube dominar a situação naturalmente
Perdi o controle quando eu mais precisava
Você venceu jogo e eu perdi.
Perdidamente apaixonada.
Noite de Lucce - Parte 2
Compartíamos de uma conversa muito agradável, que tinha sabor ainda mais especial com o barulho da chuva e com a sensualidade que o doce-amargo do vinho dilatava.
Ele nos interrompeu bruscamente num salto de alguém que tinha acabado de ter uma idéia genial. Tola. O que vinha dele que não era genial…
Ele me pediu que fechasse os olhos, quase sem entender, obedeci, claro.
Me pediu que eu sentisse, só sentisse.
Eu pensei comigo: quem seria capaz de não sentir em tão sublime presença?
Enquanto eu me perdia dentro de mim, ouço Lucce me presenteando com o som do piano. Que homem incrível era aquele, que tocava em harmonia com o barulho da chuva, e mesmo assim não perdia o clima daquele momento.
Aquela era eu, sentada na poltrona sentindo muito mais do que eu devia, até.
Ele me pediu que eu abrisse meus olhos. Abri.
Ele fez isso na hora certa, eu estava lá, já quase em êxtase pelas fantasias que me ocupavam os pensamentos.
Lucce, chegou perto de mim, me levantou daquela poltrona por suas mãos envolvidas pelos meus cabelos, em ritmo de Bossa. Me colocou de costas pra ele.
Fez um leve peso com sua cabeça sobre a minha, inclinando-a. Beijava meu pescoço como se não mais tempo pra nós.
Soltou levemente sua mão de meus cabelos, alisando suavemente minha nuca e percorrendo meu corpo até tocar meu sexo. Enquanto, com a outra mão, acariciava meus seios. Eu gemia. Muito alto. Estar ali era,uma mistura de sensações. Na verdade, uma mistura de prazeres. Era satisfação, desafio, clímax.
Lucce, de repente, cessou. Se afastou. Me olhou fundo nos olhos com uma pergunta: É isso mesmo que você quer?
Cheguei perto dele e arranquei sua camisa numa voracidade animal, respondendo-o de fora que não restasse qualquer dúvida. Ele me compreendeu perfeitamente.
Me puxou novamente o cabelo, me abraçando, arrancando cada peça que me cobria, agressivo, intenso, sensível. Me tocava como seu eu fosse sua principal canção num dia de recital. Me desalinhava harmonicamente enquanto sua língua desbravava meu corpo. Fomos agarrados, até seu quarto, onde ele me jogou com toda a audácia que havia dentro dele, naqueles lençóis vermelhos que um dia iriam ditar toda aquela efervescência. Lucce, me conduzia em beijos vulcânicos até finalmente me violar. Impetuosamente. Másculo, sem jamais perder sua delicadeza.
Nos amamos, nos odiamos, nos misturamos por horas a fio como se não houvesse amanhã. Como se não houvesse. Como não havia.
Essa história não conta apenas, uma história. Essa história depende de cada pessoa que passou pela minha vida. Tanto de pessoas que me tocaram de várias formas, quanto daquelas que namoraram minha alma, como se ela não tivesse mais fim, fazendo disso, muito mais do que apenas.
25/10/2007 Noite de Lucce – Parte 1
Suas mãos são tão leves quanto suas palavras. Doce. Da ponta de seus dedos até o toque de seus lábios nos meus. Tem o dom de harmonizar o sensível, o ardente e o sujo, transformando-os numa canção relida a cada olhar. Lucce é o homem que qualquer mulher pediu a Deus. Esse foi seu maior desafio, eu não sou qualquer mulher. Ele tinha um apreço incrível pelo sabor dessa palavra, aliás.
Desafio era o que inconscientemente o movia à superação. Você deve estar se perguntando: Mas que superação, se ele até agora soou como um sonho de homem?
Ele, como você e como eu, é humano. Talvez não como eu, mas não estamos aqui para falar de mim. Antes de irmos ao ponto, só quero você atente para um fato: Desconfie de todas as pessoas que lhe parecem perfeitas demais. Não que eu queira aqui parecer mais um daqueles sábios vazios que tem toda a sua sabedoria baseada em ditados populares como: “Ninguém é perfeito”, mas acontece que as pessoas que tem essa imagem, ou querem disfarçar a atenção pra esconder que são realmente o contrário, da imagem que passam, ou tem um sério complexo de inferioridade e não se aceitam como são.
Esse era o problema de Lucce. Essa era a solução de Lucce.
Embora nunca tivesse me dito o que realmente lhe causou essa revolta consigo mesmo, eu tenho minhas suspeitas.
Lucce não foi a primeira, e nem vai ser a última pessoa que eu conheço que anda agarrada com o fantasma de suas angústias, e cobranças exacerbadas que não fazem o menor sentido pra quem olha de fora. Esse é um dos motivos mais fortes que me trouxeram aqui, a falar do doce, sensível, terno, ardente, engraçado, impulsivo, imprevisível, previsível, inseguro, determinado e confuso Lucce.
Dentre tantas outras características, esse é o Lucce na maior parte de seus estágios, níveis, ou fases. Como preferir.
Nunca fui mística, mas a ardência dos escorpianos ainda vai trair minha base sólida. Eles são simplesmente capazes de envolver de uma forma tão singela que, às vezes, nem percebem. Isso me gerou um encanto imediato. Ele foi capaz de exercer total domínio sobre mim com apenas um olhar de ternura e rigidez.
Estava ele lá sentado sozinho na mesa perdido e completamente entretido, como se não houvesse mais ninguém entre sua caneta, seus papéis e sua funda xícara de café. Eu estava ali, perdida e anestesiada por aquele homem que nem sabia de onde tinha saído, mas sabia onde tinha chegado. Em mim.
Algo me dizia que aquele homem de rosto angelical e pouca barba, que o dava um ar de mistério excitante, tinha que ser meu. Mesmo que não fosse. Era meu ego ferido por ter perdido sua soberania. Sorri. De um jeito tão puro e envergonhado como nem lembrava que era capaz. Sentei numa mesa ao seu lado, com classe, e uma sensualidade que talvez estivesse mascarada aos olhos de Lucce, já que ele era bem mais velho que eu. 30 minutos e nada. NADA! Como assim?
Ele poderia ser até o homem mais seguro e controlado do mundo, mas como ceder ao meu encanto, COMO?
Quando eu já estava quase assumindo que eu tinha perdido aquele jogo, ele me acena e me convida pra sentar ao seu lado. Sou adepta do ditado que diz: “As coisas acontecem quando a gente menos espera”, mas ali, aquilo pra mim não fazia o menor sentido.
Lucce me disse tudo em apenas um olhar, mesmo assim não recusou as palavras, e disse: Um dos principais defeitos de mulheres sedutoras é que elas esquecem que podem seduzir sendo apenas sensualmente naturais. Enquanto você me observava, quem te observava era eu. Me vi em você, não há motivos pra eu não ser sincero, me encantei. Seu jeito leve de gesticular, seu sorriso de menina misturado ao seu olhar de mulher confiante e misteriosa.
Esse foi Lucce, absorvendo todo meu controle. A cada palavra dele, eu mergulhava ainda mais no seu mar sem fim.
Depois dali, acabamos juntos, banhados pela mesma taça de vinho ao som de instigante do barulho da chuva.
Me despedaças
e me faz da tua desgraça.
me usas, absorves de toda minha graça e me soltas… junto da tua fumaça.
O primeiro trem expresso.
Vagando sozinha pela imensidão de tanta vida em poucos anos, já desacreditada, esbarrei em você naquela estação. Sentamos uma ao lado da outra nas poltranas do trem. Enquanto várias pessoas não se conheciam e tentavam se reconhecer apenas se olhando de rabo de olho, estávamos ali. Em pouco tempo já dividíamos nossas vidas, afinal, nossos olhos já se conheciam de outras vidas. E contamos nossas aventuras, nossos amores e desventuras, e rimos, quase chorando tivemos certeza que quem nos colocou ali foi o destino. Não é todo dia que uma chuva acontece, e que você acaba escorregando e esbarrando em uma pessoa que em alguns minutos, se torna indispensável pra sua vida. Ao fim da viagem, depois de tantos livros e canções, percebemos que o fim daquela viagem era apenas o começo e fizemos uma escolha: Daquela viagem em diante, nunca mais desceríamos sozinhas em nenhuma outra estação, porque agora tínhamos uma a outra rumo à cada estação que estivesse no nosso caminho. Porque agora tínhamos a nossa canção, e nem os gritos da vida nos impediriam de sempre cantarmos juntas.
E agora?
Descruze suas pernas, preciso ir.
É sério, me deixa sair já estou em cima da hora.
Me solta amor, preciso sair.
Tudo bem! Você venceu, mas foi só pela chuva lá fora!
Agora me diz: O que a gente faz agora?
A luz do seu dia de chuva, na escuridão de uma noite sem estrelas.
Dentro daquela noite suja você me tentou
Vestiu-me de suas promessas misturadas ao vinho barato, você me beijou
Tire as mãos dos meus cabelos, ninguém vive de sonhos bons. Ali terminou
Já não sabia se era a coisa certa a fazer, poupar meus sorrisos por medo de sofrer
De qualquer forma, já era tarde. Tarde demais...
Já não havia espaço pra sinceridade nos passos que eu pisava.
Estava quase certa que a sensação estranha que me tomava vinha com o vento.
Frio perigoso que me dava abrigo, e ao mesmo tempo de tornava castigo para o meu coração.
Aceitar meu destino era a única alternativa, mesmo que sua luz não estivesse na mesma direção.
Já amanheceu e você ainda dissolvendo toda sua sedução me falando de vida.
Me solte das suas asas, não tenho tempo nem vocação.
Preciso acarinhar minha solidão que vive dentro do espelho, num horizonte borrado, versado, machado de vermelho.
Lá dentro fico livre do seu ultraje à minha paz.
Liberdade fugaz.
Se eu fosse capaz de apagar as pegadas, as notas do seu violão, sempre latentes.
Te esquecer abrandando meu corpo, seu corpo gementes.
Você me acendeu com seu dia chuvoso, ainda assim, luzente.
Fatal, sem final, exceção demente.
Canção torpe, pura que nunca se estima a duração.
Luz do seu dia de chuva, cantou minha escuridão.
Delírio
Sei que nunca vai aparecer, então suma, ou mate-me, ou faça-te verdadeira e me dê tudo que quis
Não brinque comigo, de esconder e aparecer.
Maltratas meu coração vagabundo, cansado, que apenas espera um final feliz
Quero que saias de dentro de mim, mas quero que fiques, por favor, vá, mas fique, se for verdadeira.
Queres me amar, mas não sabes como, nem eu, nem ninguém, pois és fruto do meu nada, da minha falta e da minha agonia.
Quero que me deixes, mas perco as palavras quando me tocas,e me vestes de paixão em minhas noites vazias.
Sinto seu cheiro, seu calor, sinto sua falta quando não apareces.
Esse diabo que me suga, dentro de mim cada vez mais cresce, cresce...
Então, cheguei a conclusão que isso tem que acabar aqui: Ou eu morro de paixão ou essa paixão me da um fim.
Mariana
O que seria de mim se não fosse você?
Que nunca me olhou, nunca me tocou, nunca gritou comigo, nunca me amou... Mesmo assim que me olha, e que me toca, que grita comigo e que gosta de mim como eu sou.
Nunca ouso dizer que não me tocou.
Me tocou e está aqui presa dentro de mim.
Nas entranhas e não há como tirar..
Um dia vou morrer, podem arrancar de mim tudo que no meu corpo tiver..
Um dia vou morrer, mas vou com você.
Nunca vou morrer porque você me fez viver e está dentro de mim.
Podem me matar e ainda assim não vou morrer porque em meu coração é eterno o amor por você.
Minh'alma se ilumina infinitamente
Porque enquanto meu coração pulsava você morava nele somente, somente somente...
Até onde eu possa te encontrar
Além dos meus pés e de onde eu possa caminhar
Além de todo o caminho
Caminhando acompanhado ou sozinho
Acompanhado da liberdade que carrego comigo
Vou voando o mais alto que consigo
O caminho, o que guarda pra mim?
Além do vento no rosto, do pé descalço
Das promessas de amor eterno em luais
Além do fundo do mar
Além do novo, o antigo
Sentir o cheiro de antigamente de novo
Além de tudo, te amo
Além de tudo quero você junto comigo
Derradeiro Suspiro
Eu queria ter esperado...
O acaso, torna tudo mais difícil.
É... como o contraste de se por ao escuro,
Propor-se à correr riscos.
Uma gota de mágoa que pinga,
No calor da solidão que move seus maiores medos.
Ainda é cedo!
Cedo demais pra culpar o silêncio que se desprende de você.
Vai engolir, toda a verdade que treme na sua mão esquerda.
Nunca mais esquecer do amargo gosto daquele café...
Passos à frente do que descobrirá ter sido a sua pior perda.
Lágrimas de Sangue
Pisando de pés descalços no lago,
Distante de tudo que é seu,
Respirando ares distintos,
Quem canta agora sou eu!
A chuva que queima sua pele.
Oh Senhora! Se desespere!
Enquanto seu ódio vai embora pelo ar...
Enquanto o sangue o sangue das cordas que toco...
Nunca vai deixer de escorrer....
Um dia vai secar.
Layla
Andava triste pelas ruas frias
No escuro você me parou e perguntou meu nome
Não respondi. Você pediu que eu não tivesse medo, mesmo porque, eu não tinha motivos.
Me levou p’rum lugar estranho, parecia mais uma prédio abandonado...
Tão escuro quando meu coração naquela hora.
Você me ofereceu bebida e drogas
Pediu que eu sentasse pra ouvir sua história
- Meu nome é Layla e eu sou do Brasil. Vim parar aqui com a ilusão de ganhar muito dinheiro. Quando cheguei meu inglês era péssimo e isso irritava as pessoas, virou rotina eu ser demitida em menos de uma semana de tudo que conseguia
A única saída que encontrei de conseguir sobreviver, foi me prostituir
Mas, e você o que faz aqui?
Depois de queimar vários cigarros e beber todo whiskey que me coube, eu disse:
- Não importa quem eu sou, o que fui, o que vou... só me chame de amor...
Abaixei minhas calças e disse pra Layla: Quero te tocar e sentir seu calor, quero te chupar, quero te lamber... a foda vai ser longa, até amanhecer!
Manhã de sol forte batendo nos meus olhos.
Levantei viajando, meu cérebro queimando e meu cu estranhamente estava ardendo...
Mas, a Layla, cadê?
Arranquei minhas roupas e fui correndo pro banheiro
E como doía meu cu!
Quando olhei dentro do Box, algo estava estranho...
O corpo de Layla já não era o mesmo....
Ela percebeu que eu estava olhando
Ela me olhou e disse: -Oi amor! Nem tinha visto você aí.
-Ontem foi tão bom, nunca me diverti tanto assim!
-Só esqueci de te avisar: Eu sou um travesti!
Quando escutei aquela frase meu cu quis explodir
Peguei minhas roupas e saí correndo dali
Parei num café e fiz um pedido
Na hora de pagar, enfiei as mãos nos bolsos do jeans
- Senhor são 90 centavos!
A LAYLA ROUBOU TODO O MEU DINHEIRO!
Meu Folk Amor
Teus dedos entre meus cabelos
No seu beijo o anseio de uma vida inteira
Teu sussurro em meu ouvido, teu carinho
Nada que o vento não levasse
Nada que o pé não pisasse
Nada que durasse mais que uma noite entre nós
Tuas mãos no meu vestido
Sorrindo se foi
Lá se foi tudo que eu ainda quero
Ainda espero todo esse amor avassalador de algumas horas proveitosas
Se o contraditório me deixar te procuro pra me amar
Depois da chuva me curar desse tiro de raspão
Nada melhor que você samba-canção dedilhando meu violão
Na cadeira, no fogo da lareira, sendo folk amante
Sendo meu amor sem amarras
Só amando, colando
Ainda espero te encontrar se o contraditório me deixar
Porta a fora 4 da manhã
Voltando Pra Casa!
Noite alta, lua sem brilho;
Garoa incansável, procuramos um abrigo.
Abrigo pro corpo; o coração perdemos por lá
Noite infernal, rockn roll na cabeça
E as ilusões passeando pelo ar...
Bebidas pra abrir a mente e anarquizar
Mais uma hitória guardada no All Star
E a chuva não para, vamos encarar!
Eu e a Mariana no caminho, cantando Sex Pistols
Voltando pro nosso apartamento na Vila Madá.
Infinito
Me leva pra onde for
Me leva com você
Pra longe do lugar onde o amor não pode ser
Completo, repleto e pleno
Intensamente sereno
Como a luz do luar que nos promete o infinito
Amar sem fronteiras, liberdade de corpo
Liberdade de espírito
Sonhos de Areia
Pisando com pés molhados na areia macia
Imersa na imensidão dos meus pensamentos
Tortos, paralelos, cheios de vontade
Vou caminhando, correndo, me perdendo
A noite vai virando dia
Nasce o sol que me incendeia
Vai secando a areia
Carregando meus sonhos pra longe
Onde não bate a luz, nem chegam os pés
Só chega a solidão nas asas da paixão
Vai pra longe, pra ser esquecida, pra sanar a ferida
Pra deixar em paz os pés que agora caminham na areia seca
Caminho de quem nunca foi feliz
