Coleção pessoal de Bertha

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Convite

Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

Lia Luft

O que será (À flor da pele)

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

Chico Buarque

Se o segredo é a alma do negócio, o mistério é a alma do desejo.

Anna Veronica Mautner

Das ovelhas que meu Pai me confiou,
nenhuma se perderá.

J. Cristo

Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livrará de todas.

Salmo 3419

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.

Almir Sater e Renato Teixeira

Pai Nosso que estais no céu,
na terra, em todos os mundos espirituais.

Santificado e Bendito seja sempre o Vosso Nome,
mesmo quando a dor e a desilusão ferirem nosso coração.
Bendito Sejas.

O pão nosso de cada dia, dai-nos hoje.
Pai, dai-nos o pão que
revigora as forças físicas,
mas dai-nos também o pão para o espírito.

Perdoai as nossas ofensas,
mas ensinai-nos antes a merecer o Vosso perdão,
perdoando aqueles que tripudiam sobre nossas dores,
espezinham nossos corações e destroem nossas ilusões.
Que possamos perdoá-los,
não com os lábios e sim com o coração.
Afastai de nosso caminho todo
sentimento contrário a caridade.

Que este Pai Nosso seja dadivoso
para todos aqueles que sofrem como
espíritos encarnados ou desencarnados.

Que uma partícula deste Pai Nosso
vá até os cárceres onde alguns sofrem merecidamente,
mas outros pelo erro judiciário.
Que vá até os hospícios iluminando os cérebros conturbados que ali se encontram.
Que vá até os hospitais, onde muitos choram
e sofrem sem o consolo da palavra amiga.
Que vá a todos aqueles que neste momento
transpõem o pórtico da vida terrena para a espiritual, para que tenham um guia e o Vosso perdão.
Que este Pai Nosso vá até os lupanaranes
e erga as pobres e infelizes criaturas
que para ali foram tangidas pela fome,
dando-lhes apoio e fé.
Que vá até o seio da Terra onde o mineiro
está exposto ao fogo do grizu e que ele,
findo o dia, possa voltar ao seio de sua família.
Que este Pai Nosso vá até os dirigentes das nações
para que evitem a guerra e cultivem a paz.

Tende piedade dos órfãos e viúvas.
Daqueles que até esta hora não
tiveram uma côdea de pão.

Tende compaixão dos navegadores dos ares.
Dos que lutam com os vendavais no meio do mar bravio.

Tende piedade da mulher que abre os olhos do ser à vida.

E que a Paz e a Harmonia do Bem fiquem entre nós
e estejam com todos.

Assim seja.

Um Ser de Luz

Hospital é sempre hospital: não é lugar de alegrias, também não é de tristezas, mas de esperança.

do livro Violetas Na Janela

O espírito de um homem se constrói a partir de suas escolhas.

Nitzsche

A felicidade é como um perfume....
quando você o passa nos outros,
fica um pouco do cheiro em suas mãos.

Momento Espírita

O bom médico conhece bem os guidelines,
mas o ótimo médico sabe quando não utilizá-los.

J. W. Hurst

[Do livro Quando Nietzsche Chorou]
Casamento? Não, não para mim! Oh! Talvez um casamento de meio-expediente; isso poderia servir-me, mas nada que me prendesse demais.

Lou Salomé

Depois de algum tempo apendemos a diferença entre dar a mao e acorrentar uma alma.Aprendemos que amar nao significa apoiar-nos e que companhia não significa segurança. Começamos a aceitar as derrotas de cabeça erguida e olhos adiante com a graça de um adulto e nao com a tristeza de uma criança, Aprendemos a contruir todas as nossas estradashoje, porque o terrreno de amanha é incerto de mais para planos e o futuro tem o costume de cair em vão. Aceitamos que nao importa o quanto boa seja uma pessoa, ela vai ferir-nos de vez em quando, e nós precisamos de perdoar-lhe por isso. Apredemos que falar pode aliviar dores emocionais. Com o passar do tempo descobrimos que se levam anos para se construir confiança e apenas alaguns segundos para a destruir, e que se pode fazer coisas num instante das quais nos arrependeramos pelo resto da vida. Aprendemos que nao temos de mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebemos que o nosso amigo pode fazer qualquer coisa ou nada e termos bons momentos juntos. Descobrimos que as pessoas com quem mais nos importamos na vida são levadas para longe de ti muito depressa, por isso, devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a ultima vez que as vemos.Começamos a aprender que não nos devemos comparar com os outros , mas com o melhor que podemos ser. Aprendemos que, ou controlamos os nossos actos ou eles nos controlarão e que ser flexivel não segnifica ser fraco ou não ter personalidade. Descobrimos que, algumas vezes, a pessoa que esperas que te chute é das poucas que te ajudam a levantar. Aprendemos que quando estamos com raiva, temos o direito de estar com raiva, mas isso nao nos dá o direito de sermos crueis. Descobrimos que só porque uma pessoa nao nos ama da forma que nós queremos que ame, nao segnifica que esse alguém nao nos ame com tudo o que pode, pois existem pessoas que amam mas, simplismente, nao sabem como demostrar ou viver isso. Aprendemos que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguem, algumas vezes temos que aprender a perdoar.nos a nós proprios. E nao importa em quantos pedaços o nosso coração foi partido, o mundo nao para para que o consertemos, e o tempo nao é algo que volte atrás. Portanto devemos ser nós a platarmos o nosso jardim e decorar a nossa alma em vez de ficar á espera que alguém nos traga Flores. E apredemos que realmente podemos suportar... que realmente somos fortes e que podemos ir muito mais longe depois de pensarmos que nao podumos mais.

William Shakespeare

Medo da Chuva

É pena
Que você pense
Que eu sou seu escravo
Dizendo que eu sou seu marido
E não posso partir
Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao teu lado, sem saber
Dos amores que a vida me trouxe
E eu não pude viver...

Eu perdi o meu medo
O meu medo
O meu medo da chuva
Pois a chuva voltando prá terra
Trás coisas do ar
Aprendi o segredo
O segredo, o segredo da vida
Vendo as pedras que choram
Sozinhas no mesmo lugar...

Eu não posso entender
Tanta gente
Aceitando a mentira
De que os sonhos
Desfazem aquilo
Que o padre falou
Porque quando eu jurei
Meu amor eu traí a mim mesmo
Hoje eu sei!
Que ninguém nesse mundo
É feliz tendo amado uma vez
Uma vez...

Eu perdi o meu medo
O meu medo
O meu medo da chuva
Pois a chuva voltando prá terra
Trás coisas do ar
Aprendi o segredo
O segredo, o segredo da vida
Vendo as pedras
Que choram sozinhas
No mesmo lugar
Vendo as pedras
Que choram sozinhas
No mesmo lugar
Vendo as pedras
Que sonham sozinhas
No mesmo lugar...

Raul Seixas

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa

Chico Buarque

Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo.

Michel Foucault

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Paulo Sant'Ana

Bertha Pappenheim (1859-1936), mais conhecida como Anna O., era de família judia de grande poder aquisitivo e estritamente ortodoxa.

De personalidade sensível, por volta dos vinte anos Bertha sofreu muito com a longa doença terminal do pai que, juntamente com as tensões da infância, foram as responsáveis pelo desencadear de um quadro chamado na época de histeria. Foi, então, levada ao médico judeu Josef Breuer, pertencente à elite de cientistas vienenses da época, e ele a tratou de 1880 a 1882, documentando o seu caso.

Inicialmente, Bertha foi submetida a sessões de hipnose mas, no decorrer do tratamento, o médico descobriu que dialogando com ela sobre a sua vida, podia levá-la a relatar traumas de sua infância do mesmo modo que sob hipnose, e que as recordações faziam que ela se sentisse bem e os sintomas desapareciam. Ela própria deu a estas conversas com Breuer, o nome de "talking cure" (cura pela palavra) e "climney sweeping" (limpeza da chaminé).


Bertha Pappenheim teve, por essa razão, um papel muito importante no desenvolvimento do método que Breuer denominou catarsis, e que viria ser o fundamento da futura Psicanálise.

Bertha