Tag Amor na coleção de Augusto.
Mulheres,
O que vocês esperam é o arrebatamento primitivo, requintado de cavalheirismo. É serem tomadas em meio a um chamado ermo de sonhos, e não de enganos. Eu sei que vocês querem ouvir o uivo distorcido do vento que sopra de dentro para fora e serem sorvidas pelo abismo da paixão. Mulheres! Um homem pode ser tudo para uma mulher, desde que a escolha e a ame. O homem que encontra o matiz perfeito entre os seus poderes e o amor por uma mulher, certamente reconhecerá a expressão “companheirismo” como o combustível da nave-mãe, estrela guia para o seu verdadeiro eu.
Honestidade, amor e perdão
As palavras de Cristo estão relacionadas à paz interior. Relacionamentos honestos reproduzem os dogmas pregados pelos sermões de nossa própria alma, de dentro para fora. É certo, porém, que através do contato com os outros, desvendamos verdades outrora invisíveis, que a princípio, são dogmas, mas não devem nortear nossas vidas. Os dogmas que exigem da gente um desgaste excessivo de energia e tempo para compreendê-los e praticá-los, não devem se tornar nossos mestres. Amor e perdão são os ensinamentos básicos de Jesus, e, certamente, falar deles não é tão simples. Praticá-los também não é tarefa simples. Perdoar é algo tão abstrato que só podemos sentir, por mais que se diga e se abrace o algoz. Acredito que a paz das pessoas está relacionada muito ao ato de perdoar os algozes do passado, sendo a partir daí, que se deve ocorrer a expulsão dos demônios de nossas mentes. O perdão não quer dizer que o algoz deva fazer parte novamente de nossas vidas, do nosso cotidiano. É honesto que os afastemos, os algozes, desde que assim o seja com o amor pregado por Jesus e não a partir de atos estúpidos requintados de humilhação. Os demônios são espertos, e só se vão quando são expostos na berlinda do nosso coração.
Amigos, Amores, Fatos e Fluidos.
É fato que os fluidos escoam. Fluir é o paradoxo dos fatos, é impregnar, deixar vazar. De lábio em lábio catalisam-se as fantasias, fato abstrato inerente ao escoar dos fluidos, os quais são concretos e ativam as paixões, que são abstratas e se escondem nos corações.
A viscosidade é inerente ao desenvolvimento da natureza humana. O ser humano cresce quando escoa à medida da viscosidade de sua alma. A viscosidade de um ser pode ser alterada, não importa a sua idade. Adicionando-se ou retirando-se fatos, um ser deve mergulhar ao mundo das águas e buscar sua unidade.
Aos Ausentes! Esta noite não representou uma seção de apedrejamento. O sabor da expectativa do vosso desembarque se confundiu com as alegrias e os fluidos em nossos copos.
Aos Amigos! Lubrifiquem-se com abraços mil e gritos de alforria. As amarras são invisíveis, e não nascerdes para serem escravos de homens ou fatos.
Aos Homens! A riqueza maior do universo está no sorriso de vossas mulheres e filhos. Se não dispõem de umas ou outros, buscai fluir pela filosofia.
Às Mulheres! Dêem vazão à troca de fluidos. Entreguem-se! Transformem-se no fato maior do fluir de nossas vidas, oh pobres homens. Ouçam! Desejamos, hoje, agora, ser lubrificados por vossas almas e corpos.
A todos, muito obrigado por trazerem bons fluidos a esta casa e a esta mesa. Isso também, com todo o respeito, é fato para ser retratado como uma Santa Ceia!
O nascimento,
Ainda que não houvesse filosofia, haveria de entregar-me a ti, só por ousadia. Haveria de te mostrar os meus planos e o que penso. Eu faria questão de realizar o parto do primeiro pensamento sobre os sentimentos da minha alma por ti. Escuta-me, pois estou disposto a ti doar os meus olhos. É certo, porém, que o nosso crescimento ocorre à luz do calor humano. Devemos significar um para o outro, uma parte de nosso todo, sendo que as outras partes haverão de serem encontradas em outros continentes. É pisando no chão desse mundo e conhecendo os outros que descobriremos se existem razões dignas para nos amarmos.
A descoberta do sabor de nossa amizade deve ocorrer à luz da paz e da sinceridade. Nossas bocas coladas representam o canal da cumplicidade de nossas intenções. Sinto-me meio ébrio com a tua lembrança e um tanto quanto ébrio na tua presença. Majestoso e errante é o caminho que o teu espírito expressa a beleza da vida, fortalecendo a essência da humanidade com o pólen do teu sorriso. Tu és um leito para o fluxo dos elementos que enaltecem a minha alma através dos sons secretos que retumbam atrás de minha armadura de fogo. Se puderes imaginar o ouvido mais apurado próximo às minhas veias e artérias, vais entender que é aí aonde estou. É aí que a tua vida passa pela minha. Eu, certamente, estava menos ébrio quando não te conhecia.
Augusto VicenteDeus,
Deus é poderoso não porque pode criar ou destruir, mas porque sua magia se expressa através do comportamento e das boas ações dos seres humanos. Ele dispõe da habilidade de transformar o mundo por nossas mãos e não a partir de raios. As pessoas se equivocaram em algum momento da história. Deus age através de nós. Somos parte do continente de seus desejos. Nossas mãos podem transformar suas mais belas intenções em fatos. Nossas pernas são quem o movem. Ele é onipresente onde nos fazemos existir, modificando vidas e atitudes. Ele é onisciente à medida que nos reconhecemos como grupo portador da chama da paz e a distribuímos através dos bons exemplos. Ele é onipotente todas as vezes que destruímos, ou pelo menos negociamos, com as forças navegantes de nossa mente.
O instrutor de pássaros,
Certa vez, um pai e seu filho admiravam uns pássaros no jardim.
-Aquilo são pássaros?
-Sim! Responde o pai.
-Eu também sou pássaro?
-Sim! Tu vais se tornar um belo e sonhador pássaro!
-Eu vou voar igual a eles?
-Vai sim, filho! A vida é uma espécie de orquestra na qual somos pássaros batendo as asas e assobiando.
-Mas eu não tenho bico para cantar, papai. Se eu agitar minhas mãos, eu vou voar?
-Deves aprender a cantar com os olhos e voar com a mente.
- O que é a mente?
- Nossa maior aliada. Ela dispõe de uma caixinha na qual são guardados todos os nossos sonhos.
- Para que servem os sonhos?
- Para voarmos.
- Como que eu aprendo a cantar com os olhos?
- Amando.
- Veja pai! Aquele filhotinho não conseguiu voar! Vai cair no chão! A mente dele está com defeito?
- Só se ele não tentar de novo.
- Mas todos eles estão retornando para o alto da árvore e tentando voar de novo.
- Pois é. Cumprir nossa missão na Terra deveria ser instintivo. Mas os homens se apavoram diante do fracasso. Ou simplesmente não sabem lidar com ele.
- Não quero ser homem! Quero ser passarinho! Pai, quando eu crescer, posso ser um passarinho?
- Tu vais poder ser o que quiseres!
- Estou notando que a aquele pássaro maior ali na árvore está empurrando os pequeninos. O senhor também vai mim empurrar de cima do nosso telhado?
- Humanos não devem se empurrar, filho. Devem se abraçar. São os abraços dos pais que impulsionam os filhos a entender seus medos e a superar os fracassos.
- Não entendo direito o que o senhor fala. Porém, sinto que todas as vezes que cometo um erro, não fico muito tempo triste. Você conversa comigo e de repente, uma sensação de sufoco desaparece daqui do meu peito. A partir daí tudo fica mais fácil dentro de minha cabeça. Fico sentindo uma alegria muito grande dentro mim.
- É que no momento que erraste, eu ti amei.
- Já sei! Você cantou uma cantiga com os olhos!
- Exatamente filho! Cantei uma melodia tão bela quanto esta que estamos ouvindo dos pássaros.
- Pai! Aquele passarinho, bem ali, não está mais conseguindo retornar ao ninho! Não está conseguindo voar! Ele caiu e parece que está machucado!
- Às vezes filho, a gente se machuca. Quando nos ferimos, precisamos de repouso, assim como aquele pássaro que vai ficar um pouco em terra firme.
- Por que ele precisa ficar na terra? Ela não é a mãe dele.
- Não! Mas algumas páginas do manual dos céus estão na terra.
- Como assim?
- Tu vais ser um corajoso pássaro. Vais expressar tuas habilidades através de teu canto e vôo. Porém, algum dia tu vais se machucar.
- Por quê?
- Porque meninos-passarinho sempre se machucam.
- Vou ficar caído no chão?
- Viver no solo não deve ser o propósito de vida de um pássaro.
- Então eu vou voltar a voar?
- Sim!
- Mesmo que minhas asinhas se quebrem?
- As asas da emoção são as responsáveis pelo nosso retorno aos céus.
- E elas são muito fortes?
- É na terra que encontramos materiais resistentes para reforçarmos as asas da emoção.
- Então a terra não é tão ruim. Não existem perigos aqui embaixo.
- Pássaros podem se tornar vítimas das serpentes da terra.
- O que elas fazem?
- Aprisionam nossa emoção. Lançam um veneno que enfraquece as asas dos pássaros.
- E esse veneno tem cura?
- Sim. Podemos curar os ferimentos com música e cores.
- Então vou começar a bater meu tambor e pintar o sete!
- O instrumento é teu, filho, mas a música deve ser cantada por outro pássaro. Devem estar bem afinados.
- E as cores?
- Tu deves usar uma aquarela.
- Eu até tenho uma que o senhor mim deu uma vez. Mas as tintas estavam duras!
- Deves então amolecer as tintas. Tu podes aparar água em teus olhos.
- Vou ter que chorar?
- Não. Tu podes usar a água de um poço. A entrada dele são teus olhos. Mas alguém vai precisar guiar um recipiente até o líquido.
- Estou um pouco confuso! Mas entendo que todas as vezes que mim interesso em conhecer alguém, ou quero aprender alguma coisa nova, mim sinto nas nuvens. Isso sim é que é voar!
- Vamos entrando passarinho?
A criança retorna para o lar e de repente o pai se sente iluminado e leve. Ouve então uma voz:
- Um maestro talentoso percebe certos valores nas pessoas, os quais são inerentes à singularidade e são o pólo de desenvolvimento dos papeis na vida, sejam eles o de pai, mãe, profissional, não importa. O maestro, bom mesmo, é dotado da harmonia gerada do caos que rege a orquestra interna pela qual se faz existir de elementos vivos, lembranças e instrumentos que tocam no inconsciente. Esses maestros reproduzem boas ações, reconhecendo em nós, músicos já não tão errantes, o gérmen do seu trabalho.
Maestro! Aplaudimos-te, não de pé, mas de coração, pois é respeitoso esse teu comportamento.
Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar
O contrário do Amor
O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.
O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.
Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.
Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.
Não há nenhuma prisão em nenhum mundo na qual o Amor não possa forçar a entrada.”
Oscar WildeNinguém pode calcular a potência venenosa de uma palavra má num peito amante.
ShakespeareCorações distantes
Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
“Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?”
“Gritamos porque perdemos a calma” disse um deles.
“Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?” Questionou novamente o pensador.
“Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça”, retrucou outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar: “Então não é possível falar-lhe em voz baixa?”
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.
Então ele esclareceu:
“Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.”
Por fim, o pensador conclui, dizendo:
"Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta".
Meher Baba
