Coleção pessoal de anaferreira
A Morte de Nossos Sonhos
O primeiro sintoma de que estamos matando
os nossos sonhos é a falta de tempo.
As pessoas mais ocupadas têm tempo para tudo.
As que nada fazem estão sempre cansadas.
O segundo sintoma da morte de nossos sonhos
são as nossas certezas.
Porque não queremos olhar a vida
como uma grande aventura a ser vivida,
passamos a nos julgar sábios
no pouco que pedimos da existência.
E não percebemos a imensa Alegria que está
no coração de quem está lutando.
O terceiro sintoma da morte de nossos sonhos
é a Paz.
A vida passa a ser uma tarde de domingo,
sem nos pedir grandes coisas,
e sem exigir mais do que queremos dar.
Sem Sentido...
Sonhos sem sentido fazem-me acordar
assustada e sem reacção.
Penso se o sonho se poderia tornar realidade.
Se isso acontecesse, o que eu faria?
Os dias passam e tudo corre bem.
O que me espera no próximo minuto?
A impaciência toma conta de meu ser
e o menosprezo dos outros para com meus sentimentos
me deixa inquieta, mas não me afecta
em nenhum ponto positivo.
Em mim, esperança e realismo andam lado a lado.
Não tenho como fechar os olhos
para tudo o que está acontecendo.
Todos temos um vazio a ser preenchido.
Todos temos uma palavra a ser dita e ouvida.
Os momentos bons passam logo,
mas sempre estão em algum ponto da estrada.
Agora tudo é incerto.
Quem sente demais, pensa e sonha demais
e, ás vezes, a simples presença de si mesmo
num momento ruim já basta, porque, como dizem:
A resposta sempre está em nós mesmos.
MOMENTOS
De veludo carmim, eu me vesti,
Para esperar por ti, eterno sonho meu,
E assim da longa espera aconteceu,
Que breves fossem os instantes em que nos tocámos...
Breves foram os momentos em que a nossa pele,
Se fundiu com a sede e o calor do momento,
Em que juntos subimos as escarpas,
Dos sentidos varridos pelo vento...
De veludo carmim eu me vesti,
De sedas e de sonhos, me encantei,
Tu ficaste assim,marcado em minha alma,
Marca de luz, de ternura, de amor,
Que trago no meu peito,bem sentida,
Vou tê-la sempre aqui, para toda a vida!
DÁ-ME A VERDADE:dou-te a vida.
A vida esquece como a água PASSA,
E é coisa morta a coisa que é esquecida.
Dá-me a verdade!
Como o que nunca foi, a vida esvoaça.
Ter o que é certo nas incertas mãos!
Saber bem o que nunca pode ser!
Tudo isto nos faz ermos e irmãos
No nada que nós somos.
Dá-me poder sentir, saber querer!
Instante inútil entre ser e estar,
Momento vácuo entre sonhar ou não,
Tudo isto pode ser e não ficar.
Dá-me a verdade!
Mas deixa-me a mentira ao coração!
(Fernando Pessoa)
SERENAMENTE...TU!
Encadeado no tempo,
O teu rosto tornou-se um ícone...
Percorro cada traço, cada saliência,
E vejo a imensidão do deserto...
Lembras o mar desértico,
Onde as gaivotas são as dunas,
Que volteando em cada dia,
Seguem para outro lugar...
Mas a tua alma, essa...
Vive e paira junto à minha...
As duas, seguem a rota,
Onde o corpo e espirito, se tocam...
Para lá do Mundo!
(Ilusão)
A ilusão no coração, não existe...é real...
mas, mesmo pensando que é somente ilusão,
que bom que é materializar essa ilusão...
quanta ternura o coração consegue juntar...
e nos dar o calor,
da ilusão do AMOR!
A ilusão no coração, não existe...é real...
todo o mal desaparece...
tudo é luz, tudo é cor...
só isto é...a ilusão do AMOR!
e...para ser feliz, só preciso,
que o meu coração sinta a ilusão,
É ele! O sonhador!
Vagueia o poeta pelos campos:
admira,Adora;
ouve dentro de si mesmo uma lira.
E ao vê-lo chegar, as flores, todas as flores,
As que dos rubis empalidecem as cores,
As que dos pavões deixam as caudas ofuscadas,
As florezinhas azuis, as florezinhas douradas
Tomam para o acolher, nos seus ramos agitados,
Arzinhos humildes, ou grandes ares afectados,
E, familiarmente, porque fica bem às belas:
«Olha! É o nosso amado que passa!», dizem elas.
E,. cheias de luz e de sombra, com vozes inquietas,
As árvores gigantescas que vivem nas florestas,
Todas essas velhinhas, as tílias, os áceres, os teixos,
Os carvalhos venerandos, os enrugados freixos.
O olmo de negra ramagem, que o musgo entorpece,
Como os ulemas fazem quando o mufti aparece,
Saúdam-no com grandes vénias, curvando para a terra
As cabeças de folhagem e as suas barbas de hera,
E vendo na sua fronte um sereno esplendor,
Murmuram muito baixinho: É ele! O sonhador!
DO AMOR...
Do amor tudo se escreve,
Do amor tudo se diz,
Tudo se faz e desfaz...
Do amor tanto se sabe,
Mas nada cabe,
No coração, onde a paixão arde,
E se esvai...
Do amor tudo se diz,
E contradiz...
Tudo aparece...
Tudo se esquece...
Do amor, somos amantes,
Delirios loucos,constantes,
Que nos deixam encantados,
Que nos fazem rodopiar,
Em passos ardentes...
Em vôos dolentes...
AMIGO
Amo-te meu amigo,
Porque a amizade,
É o maior dom Divino...
Amo-te meu amigo,
Porque tu, és tu...o meu refugio,
Sem mentiras,
Sem constrangimento...
Amo-te meu amigo,
Porque tu me dás,
A vontade de existir, de viver!
Amo-te meu amigo,
Pelo dom da ternura,
Com que me doo,
E tu te doas...
Amo-te meu amigo,
Por seres a pessoa linda,
O amigo terno que és...
Amo-te meu amigo,
Pela alegria contagiante,
Que sempre trazes,
Quando a mim te chegas...
Amo-te meu amigo,
Porque és a luz da minha vida...
D D O S
CRISTAIS
A
N N
Ç ANÇÃO
A DE
EM MIN
A música que sai de mim
escorre pelos dedos
como as letras ao toque
do teclado, do piano
de minha alma musical
que sem ela não viveria
E assim como aquele toque
da música em meu corpo
na dança dos cristais
em versos, sons e toques
na noite da madrugda larga
que não dormiu esperando
o sol do novo dia de amor
Esperas minha volta
depois do meu novo canto?
Eu também espero tua volta
depois do teu último canto
que acordou a noite
sem pressa e sem hora
marcada
para o último canto de nós.
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póeticas
Ana Deva's Garjan
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Cristalino
Ele,
intenso rio.
Passa com força levando tudo
cantando alto
batendo e desenhando pedras
Mas passa...
Nenhuma gota para trás
deixando
Ela,
parte dele.
Amor eterno
único rio onde deseja
banhar-se
Ela para Ele:
A temperatura, a profundidade, a pureza, e a qualidade das águas deste rio....
Ele para Ela:
A transparência necessária.
Dois rios dando vida às suas vidas
e o Amor é tudo,
finalmente.
Lúcia Gönczy e Thiago Poli*
Vi
I
Olhei pela janela
a finalmente eu vi
o capim minha alma e todos os tons
No sonho
no silencio
no não
que nunca me encontrem
que nunca me tirem
o meu carnaval
II
escuto silêncio
porta para o paraiso
música muito minha
som-pausa
silencio
somente
voz de dentro
Mas nada me acontece
disse o poeta
só poesia
Ana Deva Garjan
*Poéticas Deva's
Por Perto
Estarei por perto
na dança do vento
nas folhas que caem
no teu pensamento
nas ondas serenas
a me propagar
Estarei por perto
no brilho do sol
na claridade da lua
na areia
na espuma
nas estrelas do mar
Estarei por perto
na fina garoa
na tempestade que assola
na emoção que devora
nos momentos
nas horas
que hás de contar
Estarei por perto
mais perto que nunca
pois eternizo o momento
neste branco violento
e só eu sei o quanto me custa...
Estarei por perto
por já não estar
por ter ido sonhar
Enfim estou por perto
Estou por perto por ter coragem
Estou por perto por seguir viagem
Estou porque posso voltar
Lúcia Gönczy
"ALMAS GÉMEAS"
Tal qual dois espíritos
se encontram e se perdem
na volatidade dos dias,
Dois espíritos
necessitados
do oxigénio do sonho
para reinventarem a vida,
Dois rios
que se encontram
na confluência dos mares
explodindo as marés,
Dois rios,
duas estrelas
ou dois vulcões
que se cruzam
se abraçam
ou se anulam
lutando contra
o inexorável limite
dos limites.
LuizaCaetano
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Escrava das Palavras
Faço-me escrava de minhas palavras
Ao passo que são proferidas
Deixo-me aquietar pelo silêncio
Da resposta inaudita
Onde um surdo pensamento
Vem-me a mente
Tento em vão reescrever um história
Mas que história?
A minha?
Seria
Se ela pudesse ser contada
Como se conta um conto de fadas
Porém converto em palavras,
Fragmentos de mim
As lágrimas que dilaceraram minha alma
Tenho esse dom
Que bom
Senão minha alma já teria se esvaído.
Rosane Silveira
VIDA EM POEMAS
Um solo de jazz
Uma noite,
Um vinho tinto,
Um beijo
Um solo de sax
marcando o ritmo...
Uma noite intensa como um jazz
Um amor de improviso
Um toque de música
a pulsar nas veias...
O vinho escorre
pelo céu da boca
e se mistura a um beijo
sob o tapete de estrelas
de uma noite de lua...
Sentimento e sentidos
intensos e densos,
marcantes como música.
Um solo de sax...
Transcendendo limites
como um sonho sem volta
Um toque, um jazz,
sentidos alertas,
e o amor prega peças,
a noite enfeitiça.
O vinho escorre da taça
e tem gosto de beijo...
Um beijo ritmado
como um solo de sax
marcando os sentidos...
Ana Deva's Garjan
"À FLOR DA PELE"
Vens breve
como a brisa
quase sempre
à flor do tempo.
Ficas-me no entanto
indelevelmente
à flor da pele...
como pétala de Outono
num gesto de adeus!
ou
um som diáfano
musicado pelo vento!
Vens breve
como os dedos da noite
abandonadamente.
LuizaCaetano
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O amor é o amor
O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..
O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!
Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!
Alexandre O´Neill
Poema da flor proibida
Por detrás de cada flor
há um homem de chapéu de coco e sobrolho carregado.
Podia estar à frente ou estar ao lado,
mas não, está colocado
exactamente por detrás da flor.
Também não está escondido nem dissimulado,
está dignamente especado
por detrás da flor.
Abro as narinas para respirar
o perfume da flor,
não de repente
(é claro) mas devagar,
a pouco e pouco,
com os olhos postos no chapéu de coco.
Ele ama-me. Defende-me com os seus carinhos,
protege-me com o seu amor.
Ele sabe que a flor pode ter espinhos,
ou tem mesmo,
ou já teve,
ou pode vir a ter,
e fica triste se me vê sofrer.
Transmito um pensamento à flor
sem mover a cabeça e sem a olhar
De repente,
como um cão cínico arreganho o dente
e engulo-a sem mastigar.
António Gedeão
Dói-me o Tibet
Hoje dói-me o Tibet
como me doí a Galiza
ou como me tem doído
a África e os meninos.
Hoje dói-me o Tibet
e minhas lágrimas
rasgam meus olhos
num profundo desejo
de ser Oriental.
Hoje dói-me o Tibet
porque o Tibet sou eu
e dói-me também
porque me dóis Tu.
Concha Rousia
Santiago de Compostela
2 de Abril de 2008
