Coleção pessoal de anaferreira
Minha vida, minha história
Só fez sentido quando te conheci.
Seus olhos, sua face, me levam além
do que pensei
Não quero fechar meus olhos
Não quero pegar no sono
Porque eu sentiria a sua falta
E eu não quero perder nada
Porque mesmo quando eu sonho com você
O sonho mais doce nunca vai ser suficiente.
Então eu agradeço a Deus por
estarmos juntos
Eu só quero ficar com você
Neste momento e para sempre,
para todo o sempre!
Se for pra mentir que seja a idade
Se for pra chorar
Que chore de rir;
Se for para roubar
Que se roube um beijo;
Se pra enganar que seja o estômago
Se for pra atirar
Que se atire o pau no gato;
Se for pra cair
Que seja na gandaia;
Se existir guerra que seja de foguetes;
Se existir fome
Que seja de bola,
Se for pra ser feliz
Que seja em toda a sua vida.
quando te vi parar em minha frente.
Tão contente bateu meu coração
numa explosão alegre, sem compasso
e assim ficamos, meio abobalhados
a nos fitar sem nada nos dizer
como a querer que todo aquele instante
não passasse e, assim, cristalizado,
perdurasse por toda nossa vida
pois tu, querida, ali de mim pertinho
estavas, sem falar, sem respirar,
como era doce e meigo teu semblante
olhando para mim embevecida
embora muda, tu dizias tanto
e por encanto, o sonho se passou
pois empurrados pela multidão
partimos cada qual prá seu destino
e ainda hoje eu volto aquela esquina,
minha sina, te ver e te buscar.
Espero, enfim, que chegue aquele dia
em que possa novamente te encontrar...
A VIDA É UM MOMENTO
Vivei a vida, enquanto a detiveres,
soltai, do coração, os sentimentos,
fazei de cada hora mil momentos
de muita vida, se viver quiseres.
Na louca estrada, desta vida dura,
quem não souber correr o seu caminho,
mesmo entre rosas colherá espinho,
deixando para trás tanta ternura...
O tempo vai passando e, inclemente,
se agora é dia, logo já escurece,
assim também na vida o corpo e a mente.
Agora tão febril, logo esmaece,
Correi, enquanto é tempo, para frente,
fazendo o que a vida enobrece!
PRISÃO DE LUXO
Olho a janela e sinto a liberdade
e, mais e mais, me sinto escravizado
da vida lá de fora a realidade
é tão alegre e me faz desesperado.
Por que será que eu tenho que ficar
prisioneiro, trabalho ingrato e inglório
que mal e mal dá pra me sustentar?
A vida, assim, parece-me um velório!...
Quisera tanto estar bem longe agora
de shorte, sem camisa, pés descalços
correndo à toa, sem saber, embora,
o que me apronta a vida em seus percalços.
Só quero a água pura lá da fonte,
sentindo o sol e a brisa no meu rosto,
cavalgar e banhar-me sob a ponte,
assim seria a vida do meu gosto!...
FINGIMENTO DO POETA
Quando escrevo meus rabiscos
uma certeza terás
nem sempre aquilo que escrevo
corresponde ao meu pensar;
Descrevo coisas da vida
da vida ida e vivida
de quantos eu conheci
vivo fingindo, também,
tanta coisa que eu não vi!...
Escrevo aqui seu pensar
bem no íntimo, guardado,
que não quiseste externar
para não ver desvendado
o que deveras tu és,
ou simplesmente porque
tu não soubeste fazê-lo.
POETA
“O poeta é um fingidor”
- já dizia meu parente –
“que ás vezes finge é dor,
a dor que deveras sente”
Por isso, meu bom amigo,
posso até jurar por Deus ,
nem sempre aquilo que eu digo,
serão sentimentos meus
Como a abelha beija as flores,
eu também sou colibri:
Ao decantar meus amores,
muita vez faço por ti.
Só assim, terei certeza
de um retrato que se preste
para cantar, com beleza,
os amores que tiveste.
NOSSO QUARTO
Quem disse que meu quarto é uma beleza
se tudo traz a marca da limpeza,
se os lençóis de cetim estão passados
E seus bordados ornam nosso leito?
Prá mim, desfeito todo este cuidado,
‘Stás a meu lado, toda apaixonada
Ou extenuada me abraçando apenas;
É mais bonito, assim, desarrumado
Só prá nós dois trocando mil carícias
E as primícias de um amor tão puro;
Querida, eu juro que o prefiro assim,
sentindo em mim o arfar do peito teu.
Sobre a mesa um garrafão vazio,
Cigarro aceso a se queimar sozinho
E nós juntinhos nada nos importa,
fechada a porta o mundo é só nós dois,
lençol rasgado o quarto em desalinho
Tudo é quietude,tudo escuridão
E as roupas espalhadas pelo chão,
E as roupas espalhadas pelo chão!...
TEMPUS FUGIT
Vive cada minuto do teu dia!
inexoravelmente foge o tempo,
horas passam fugazes, sorrateiras,
arrastando consigo as esperanças
por ti acalentadas com carinho.
Faz do dia a dia teu viver
sem muito questionar o que virá;
mais vale um dia, cheio de ternura,
que o amanhã de muita empolgação;
sonhar é bom, mas o viver melhor!
Campanário badala, lentamente,
chorando a hora morta que passou.
Dos relógios existe o mais fagueiro:
despertador chamando ao novo dia
para sentir, sorrir, amar – viver...
tudo na vida passa tão ligeiro
e cada dia voa mais veloz,
arrastando consigo as esperanças
que vimos cultivando com carinho.
passamos nesta vida a planejar
a vida que queremos pra depois,
mas o depois é nuvem no horizonte
difícil de alcançar e de tocar...
a vida se parece qual estrela,
cadente estrela, que acenando adeus
desfaz-se logo em cósmica poeira!
PAIXÃO
Só tu não vês quanto te amo ainda,
que um coração cansado bate aflito
e vem sofrendo esta amargura infinda
ecoando, em silêncio, este meu grito!
Só tu não vês que é teu meu coração,
só tu vês que é teu o meu pensar
só tu não vês a dor de uma paixão,
que faz me corroer, me sufocar!
Acorda e abre os olhos para a vida
abrindo o coração devagarinho,
que eu possa, um dia, nele ter guarida,
não tendo que sofrer jamais sozinho...
LIBERDADE
A maior liberdade
é aquela liberdade de si próprio;
é a liberdade arrancada a grito
de dentro do nosso pensamento
por uma cirurgia dolorosa
sem anestesia,
bisturi sem dó, lâmina cortante,
a extirpar o tumor maligno
que te oprime a respiração,
te sufoca um gemido na garganta
e te impede expressar o que tu sentes.
Serás livre:
Se conseguires, sem temor, sem medo,
gritar um pensamento, que é só teu,
de um turbilhão de idéias, que criaste,
sem dar satisfação para ninguém.
Vá, corra enquanto é tempo, amigo,
procura o bisturi que tu perdeste...
FILHA ADOLESCENTE
És nada mais que mera adolescente,
em todo ardor da tua mocidade,
fazes da vida o sonho mais ardente,
que brota de tu’alma em puberdade.
Não és adulta, nem, também, criança,
da criança perdeste a singeleza.
O coração é um pote de esperança,
que faz de tua idade uma beleza.
‘Ainda tens da criança a brejeirice
és misto de menina e de mulher,
ora sizuda, ora em peraltice,
és um misto de rosa e mal-me-quer.
Adolescente – pensas ser a tal,
da luta tens uma noção bem pálida
até que chegue o dia em que, afinal
despertas para a vida qual crisálida...
GAROTA DA VILA
Eu juro não consigo entender
como foi pude assim te cativar
e junto a mim, tão firme te prender,
a ponto de por mim se apaixonar.
Eu sei que nada tenho de perfeito,
por que será mesmo assim, então
não tens olhos para todo meu defeito
e dizes que é teu meu coração?
Como esta vida é mesmo engraçada
e o provérbio é assim tão verdadeiro-
criação de primorosa fada-
e nos diz a verdade por inteiro:
Mesmo seja amassada tal panela
encontrará por certo quem a queria
por parecer-lhe útil, ou mesmo bela
e, assim, será sua tampa a vida inteira!
SILÊNCIO
Quero um silêncio – seja bem perfeito
para ouvir os pensamentos que são meus
pra escutar as batidas do meu peito
e ler os pensamentos que são teus.
Silêncio das horas bem tardias,
quando um manto de paz encobre a terra,
tornando as mil angústias fugidías,
como a neblina que desce lá da serra.
Só o silêncio fala, de verdade,
das palavras a mais essencial
só ele tem a grandiosidade
que emana o pensamento divinal.
Silêncio é voz tonitruante – arguta
que faz sejamos Deus na criação
e tão somente assim é que se escuta
a mensagem que vem do coração.
AMOR IMPOSSÍVEL
É triste, doloroso, dói demais
por mais queiramos contornar a dor,
sentimentos entalados na garganta
de quem vive um amor apaixonado
mas sabe não será nem consumado,
por mais ferido tenha o coração
A vida do amor, que é impossível,
não é vida, tomara fora a morte,
não seria de todo tão cruel,
pois fel terrível, amargo na garganta
é este amor que eu curto em desespero
como fornalha ardente a consumir
os dias meus em horas de tristeza.
Meu Deus, se eu a amo apaixonadamente
e sei que também sou correspondido,
arranca esta barreira intransponível
ou quebra estes grilhões do peito meu!...
VIDA DE CRIANÇA
Que mundo lindo, cheio de ventura,
mundo de sonho e tantas trapalhadas,
é um mundo de carinho e de ternura.
O mundo da criança é adorável,
a vida despreocupadamente
vão levando, sem muito questionar,
aquele mundo, assim, como direi?
De faz-de-conta, de ilusão tão pura...
Pudéssemos na vida de agruras,
que, a todo tempo faz nos agredir,
penetrar esse mundo impenetrável -
viver de faz-de-conta a vida inteira...
Ó QUE SAUDADES...
Aos tempos de criança, que alegria,
O’se eu pudesse um dia retornar
e ser feliz tal qual já fui um dia,
seria um sonho bom de realizar...
Oh como eu sinto enorme nostalgia -
recordações melhores não as há:
levava a vida como eu bem queria...
hoje a vida me leva ao deus-dará!
Naquele tempo eu me sentia um rei:
cavalo de pau, chapéu de jornal;
a liberdade era sentença e lei -
hoje a vida é procela e temporal.
O que hoje me dói, e pra valer,
é saber que eu tinha liberdade
e não tinha noção nem pra saber
que tudo aquilo era felicidade.
A VOZ DO AMOR
É bom cruzar olhar com o teu olhar
E, emudecidos, não trocar palavras
e aos nossos corações deixar falar
pois o silêncio é a voz essencial
a nos falar com lucidez total
quanto se passa em nosso interior
é a linguagem oficial do amor
por cujo meio ele se comunica.
Destarte,
É bom cruzar olhar com o teu olhar
escancarar de vez os corações,
como janelas recebendo o sol
da madrugada até que o arrebol
prenúncio que a noite silenciosa
irá baixar seu manto protetor
para acolher, então, o nosso amor
total, global e existencial...
AMOR AUSENTE
Se você não vem,
Sou um barco, sem leme ao deus-dará
e a luz do amor não pode mais brilhar.
A lua se esconde entre as ramagens
e o jardim fica escuro, de repente
Se você não vem,
o rumo perco e, pobre viandante,
Só sei perambular na ilusão
E o meu caminho é só encruzilhadas.
Se você não vem,
Sinto o cair de lágrimas geladas
das árvores chuvosas, pardacentas
e, até mesmo o meu cachorro amigo
jaó não sorri, latindo, ao me encontrar.
Pois quando você não vem,
já não ouço o cantar dos passarinhos
somente o sabiá no bosque, ao longe,
chora de dor o seu lamento triste
e a araponga martela, compassada...
Por que não vem pra tudo, assim, mudar?
Serei campo florido, só de amores
e haverá mais brilho em meu olhar
ao te encontrar e te cobrir de beijos!...
CHEGA DE PLANOS
Quero escrever,
eu quero me explodir,
tirar da alma
toda esta amargura,
todo o queixume
que me oprime a fronte
que faz doer
e amarga o coração,
quero tirar
de dentro do meu ser
aquele fel
que o dia-a-dia trouxe,
acumulado
lento e devagar.
Quero enfrentar
co’ardor e peito aberto
toda opressão
que existe e nos afronta.
Quero sair
na rua, de bermuda,
só de chinelo,
sem saber prá onde
bebendo a vida
em largos, grandes sorvos
e sem estorvos,
grandes ou pequenos,
sentir o sol
dourando a minha tez,
sentir a brisa
sobre meus cabelos,
topar crianças
e velhos nas calçadas
pisar a relva em todo o seu frescor,
subir montanhas
caminhar no vale
só isso vale
a vida que vivemos!...
AMOR FUGAZ
O teu amor, querida é uma fogueira
ardente, abrasadora e inflamada
mas que tão logo arde, sorrateira
vai se apagando e sobra quase nada.
Por que terás amor tão fugidio,
que não sabe o que quer e o que fazer,
como amor animal, que só no cio,
busca o parceiro, busca o bem querer?
O teu amor é tão confuso e incerto
que às vezes tu me tratas como um monge,
se estando longe estás de mim tão perto
e estando perto estás de mim tão longe...
SORRISO
Sorri,
bem sabes, o sorriso
é a tua marca viva,
radiante e distintiva
da tua condição
humana e racional.
Sorriso é o colorido divino e formosura
jorro de luz no rosto da donzela
humilde, meiga, tímida e bela
é, na criança, vida e formosura
pois, toda pura, é alegre e prazenteira.
Sorriso é a melhor coisa da vida,
é a guarida que te faz vencer
dificuldades mil em teu viver.
Sorri pro namorado,
sorri pra companheira;
brilhem teus olhos, tua face alegre
trará felicidade ao derredor
e os percalços da vida serão leves
pois o sorriso é bálsamo suave.
Sorri pra os tristes, mesmo por clemência,
pois, mais que todos, tão somente eles
são carentes, precisam, com urgência,
de um sorriso!...
SETE CURVAS - JUQUINHA
Quem não sofreu da angústia a dor calada,
A remoer no peito sem cessar?
Quem não sentiu sozinho uma saudade
Ferindo de mansinho o coração?
Quem não sentiu de perto a dor cruel
Ao ver um ser querido perecer,
Fugir da vida e nunca mais voltar,
Deixando de um vazio a sensação?
A angústia é triste e leva a nossa calma,
Vai nos tirando a paz devagarinho;
Soluço sufocado na garganta.
É como o espinho fino e venenoso,
Pois nossa alma só será lavada,
Por águas benfazejas, nossas lágrimas...
DEVANEIO
A realidade é tão dura
que às vezes é bem melhor
fugir de tanta amargura
buscando um sonho maior:
fugir além do horizonte,
cavalgar a viração,
bailar nos braços do vento,
liberando o coração,
buscar da noite o relento,
voando sobre a colina,
mergulhando na neblina,
nesta doce cerração,
como a sonhar acordado
que nos leva todo enfado,
da mente ledo receio,
adorável devaneio
que nos alenta e conforta
matando qualquer anseio
que, acaso, a mente comporta.
fazer castelo no ar,
às vezes é bem melhor
do que de novo acordar
e sentir ao derredor
a realidade tão dura
de uma vida de amargura.
AMOR
Por que há-de o amor ser assim tão louco?
Mais me parece ser contraditório,
será porque, talvez, conheça pouco
o sentimento assim tão divisório,
que se, há um tempo, me faz sorrir à toa
depois me faz chorar e me angustia?
Mas mesmo assim, se agora me magôa,
sente falta da mãe, do lar amigo;
destarte busco, sim a todo instante
o seu regaço, aquele doce abrigo
mesmo sabendo atrás daquele mel
que me domina, atrai e te atordoa
se encontra, muita vez, travor de fel.
Amar e estar tranqüilo e inseguro
uma vontade alegre, embora triste
de ser feliz agora e no futuro;
mas para mim, o meu maior tormento
é ver fugir, voar, tão de repente
o delicioso, amargo sentimento
que eu sei hei de buscar bem mais à frente.
O amor é de nossa alma um desvario
como um tornado insano que avassala
deixando o coração ao sol, ao frio
e depois socorrê-lo e embalá-lo
de leve, com carinho e com ternura.
Que sentimento, oh Deus, tu nos deixastes,
tão insondável, cheio de contraste
de nós tão perto, embora tão distante?
SEDE DO INFINITO
O meu olhar, perdido no horizonte,
são duas naus, em busca do infinito,
faróis perdidos, de um amor aflito,
nos páramos azuis de imensidade.
Ó que vontade eu tenho de ir alem
dos sois que nos espiam, com desdém,
será dedem, ou são apaixonados,
no seu piscar constante, reluzentes
como a tentar uma aproximação?
Como é bom namorar com tais estrelas,
quedar-me horas a fio só para vê-las,
em aproximações tão telepáticas,
com criaturas bem além-galácticas...
“LULLABY”
E o nosso amor chegou bem de mansinho
mansinho como sói chegar o amor.
O teu amor chegou bem devagar
como gata matreira prevenida,
pé, ante pé por sobre as alcatifas,
chegastes ao limiar de um coração
carente das cantigas de ninar.
Cantaste com jeitinho um “lullaby”
que fui adormecendo devagar
e, quando dei por mim, quando acordei
estavas bem juntinho aos braços meus.
NA PENUMBRA
A minha carne quero, saciada,
recuperar à sombra dos teus braços,
à sombra dos teus braços, minha amada
quero sentir os teus carinhos lassos.
Nest’hora divinal, indescritível,
quero sentir a maciez gostosa
de violeta, jasmim, indefinível,
de tua pele, no toque, tão cheirosa.
Quero trocar contigo mil caricias,
falar baixinho, mordiscar-te a nuca
e os lábios teus, encher-te de malícias,
cobrir de beijos, te tornar maluca.
Eu quero, menininha sem igual,
que o objetivo, ou mesmo o endereço
deste profano nosso ritual,
seja que tudo tenha um recomeço!...
SORRISO E PRANTO
O choro da criança é tão sutil,
mostra desencontrados sentimentos,
pois se reveste de nuances mil,
ao sabor dos espaços e momentos.
É lindo o seu sorriso, tão mimoso –
retrato de alegria e de esperança,
que faz nosso viver bem mais ditoso
em meio à procela, qual bonança.
Atentai o que ocorre, de verdade,
nesta vida de enganos e quimeras
amparo de enganosa falsidade
e onde a dor sobre a alegria impera:
Muita vez o que ocorre, com freqüência,
é haver mais beleza, mais doçura,
no alegre pranto de qualquer criança,
que no triste sorriso, sem ventura
de um pobre velho, já sem esperança!...
COMO A BRISA
Quisera ser como a brisa,
que passa leve e se vai
e vai e vai, sempre vai,
não tem hora pra passar,
não tem hora pra chegar,
passa por entre as cidades,
sobre os prédios, casarios,
segue um trajeto sem rumo,
a brisa, soprando vai.
Embala as aves no céu,
na clareira as borboletas,
bando de insetos ligeiros,
saltitantes sobre as flores.
A brisa passa de leve,
passa de leve e se vai,
rouba da mata o perfume,
rouba das ondas o sal,
visita a casa do rico,
e a tapera do esmoler.
A brisa passa de leve
passa de leve e se vai,
quisera ser como a brisa
que chega, passa e se vai...
MORENA, MULATA
Mulatinha, mulatinha,
tens um sorriso adorável,
dentes alvos de marfim,
teu meneio é agradável,
tua pele de cetim.
Teus lábios sempre pintados
de uma cor bem carmesim.
Quando passas, por pirraça,
co’ este teu jeito matreiro,
bamboleando por inteiro
todo o veneno da raça,
mexes comigo, bem fundo
bem fundo no coração,
que eu me sinto prisioneiro
deste teu jeito faceiro
que me traz inspiração.
gosto de olhar quando passas,
menina, quase mulher,
e quando viras, com graça,
com teu olhar de malícia
Assim como em tom de carícia
mandas um beijo pra mim.
PALÁCIO DE CRISTAL
Lá fora o sol esbanja luz e cores,
barco risonho enfuna suas velas;
a praia nos acena a convidar
prá o banho refrescante lá no mar.
Verdes ondas ao longe a se quebrar
ligeiras sobre a espuma que se apaga;
Piar de gaivotas sobre as ondas
Espreitando o cardume que lhe foge,
tudo é festa na vida extasiante
e vejo o Pão-de-Açúcar, teleférico,
cheinho de turista-boa-vida
enquanto em palácio de cristal
nos vemos presos sem poder sair,
tão somente a paisagem contemplar,
co’ uma imensa vontade de voar
para bem longe, nunca mais voltar
a ser escravos desta vida tola,
que tolhe a liberdade de viver.
Por mais que a liberdade nós queiramos,
jamais viver podemos, vegetamos...
VIDA QUE PEDI À DEUS
A vida da criança é uma beleza,
correndo, sempre ao deus-dará
sem conhecer da vida a incerteza
sem conhecer da luta o bê-a-bá.
De cada coisa faz o seu brinquedo,
vai descobrindo a vida a cada instante
pra ela a vida é feita de folguedo,
que ela pretende ver sempre constante.
É franca, cristalina, honesta e pura,
não aprendeu do adulto a traição,
não conheceu da vida a face dura
vivendo um paraíso em formação
Deixe a criança viver a sua idade
correr, pular, fazer estripulia;
por que tolher-lhe a naturalidade
de assim viver à nossa revelia?
CURTA MEMÓRIA
É incrível como ocorre, com freqüência.
Entre tantos amigos que nos cercam,
Não existir sequer maior clemência,
Se as coisas para nosso lado apertam.
São muitos que dedicam amizade
Sincera, nos seus atos e aparência,
Mas o que ocorre sempre, na verdade,
É que jamais denotam nossa ausência.
Se alteram de setor nossos trabalho
Ou se mudamos para bem distante,
o relacionamento é então bem falho
Não se lembram de nós nenhum instante.
Já observaste o que ocorre normalmente
Quando falece algum ente querido,
A dor é grande, amarga, no presente
Mas, logo, logo, tudo é esquecido...
SOLIDARIEDADE
É uma cena cruel e deprimente
Vermos tantos meninos esmoleres
Juntando nossas sobras e sobejos,
Em suas latas sujas miseráveis.
Quando nós acabamos de almoçar
E repartindo com sofrequidão
Entre eles, irmãos na solidão,
No desamparo, fome e orfandade.
Por que na vida tanta crueldade?
É mesmo cena triste e deprimente
Ver o sofrer de toda esta gente
Em cujos rostos vemos, tão, somente
Tristeza, sofrimento, angústia vil;
Melhor estão os lobos no covil
E os cães de tantas casas opulentes
Que têm carinho e o alimento que sustenta.
Até quando toda esta podridão
De vida para tantos infelizes?
Já pensaste que um desses pequeninos
Maltrapilho, pedinte sofredor
Bem pode ser perdido filho teu
Que tiveste com uma mãe solteira?
Não te eximas assim tão facilmente
De mudar este quadro e esta dor!
A VIDA É SIMPLES
Se a vida que levamos todo dia
revela coisas simples e pequenas,
saibamos só com elas contentar
valorizando cada simples ato
que a natureza põe ao derredor.
Contemple a flor com olhos de criança,
escute a passarada no arvoredo
pise descalço a relva orvalhada
brinque, sorria, ame e seja amado.
CABARÉ
Lá vem Maria da Graça
que muita vez dá de graça
prá quem gosta e é feliz,
mas a noite, normalmente,
espera, toda contente,
bem levada e bem cheirosa,
os clientes costumeiros
ou mesmo algum forasteiro,
que vindo doutra cidade,
chega em busca da amizade
que só ela pode dar,
ou lhe vendendo o carinho
que ela com todo o jeitinho
pode lhe proporcionar.
Bendita seja a da graça
e com as milhares
espalhadas por aí;
ela é nossa salvação
que seria das solteiras
sem a sua profissão?
MEU PAI
Sou filho de um rosto que eu não vi...
perdi meu pai, eu era infante ainda,
nem três anos, sequer, eu possuía,
sua imagem o tempo me roubou
e, em toda minha vida...
quanta amargura de total tristeza
no pranto que rolou os olhos meus...
quantas vezes sonhei, bem acordado,
em ter os seus carinhos, no folguedo,
correr comigo no quintal afora
fazer de suas costas meu cavalo
e me fazer dormir cantando estórias...
mas tão somente os sonhos do passado
são companheiros meus no dia-a-dia
e tu, meu pai, ó meu semblante amigo,
semblante que eu não vi, mas que diviso
nas brumas do passado, que se foi,
és para mim uma saudade amiga
que eu gosto de sofrer e de pensar.
MINHA LISTA
Primeiro de todos
foi Carlos Alberto;
Valéria, Marília
Vieram depois,
Patrícia Renata,
o Juca, Natália,
Paulinho e Luís
fecharam a lista
da leva primeira;
mas não terminou
aí a turminha;
após breve pausa
chegou Mariúcha,
seguida do Glauber
e, assim, minha lista
chegou a seu fim!...
eu curto deveras
a todos vocês,
queridos filhinhos,
pedaços de mim!...
Assim que meu termo
chegar ao final,
vocês, meus amores
irão vida afora,
levando a palavra
que lhes ensinei:
prá sempre unidos,
unidos no bem,
ao fraco ajudando,
fugindo do mal
as mãos sempre dando,
irmãos se mostrando,
quando um fraquejar.
Meus netos defendam
não importa de quem
possam eles nascer.
que Deus vos proteja,
na paz ou na guerra,
na infâmia ou na glória,
não seja um mais rico
que o outro na terra,
e, quem mais tiver
estenda ao irmão
na hora da dor,
sua mão, seu amor;
não importa se Olinto
pessoa ou Monteiro
das neves, pois todos
são filhos diletos
de um só pessoa...
assim honrareis
a minha memória
memória perdida
de um pai que se foi!...
<big>[b] MENINA DOS MEUS OLHOS
Cheguei de leve,
sem mais porquê
só para te olhar,
só pra te amar,
uma só vez,
mas teu amor
me alucinou
e me fisgou,
devagarzinho
com teu carinho.
caí nas malhas
do teu olhar,
que me enredou,
me aprisionou
e eu, altivo,
me fiz cativo
do teu amor.
brinquei com fogo
que me queimou.
mas como é bom
arder no fogo
do teu amor,
que me alucina,
linda menina,
que és menina
dos olhos meus!
QUANDO PARTISTE
Não me iludo- não vivo sem você;
antes eu crer que tudo é fantasia...
Se você quer partir sem mais porquê,
levando o que me resta de alegria,
quebre, ao sair, as cordas do relógio
por que se desmantele e, então parado
para bem longe, então você arroge-o
prá não lembrar você no badalado...
não esquece o perfume preferido
por que não sinta um cheiro de saudade
a sufocar meu peito já dorido
e não complete, assim, sua maldade.
Leve tudo que lembre sua presença
o dia, à noite e os ternos madrigais-
me restará da vida só a crença
que a tristeza não cresça um pouco mais.
Deixe comigo o meu sorriso, ao menos,
deixe também os beijos que lhe dei,
deixe os belos momentos - tão amenos
e a mentira na qual acreditei.
Deixe a paixão que ardia no meu peito
quero a ilusão que ainda resta amor
machuca o coração, mas vá, com jeito
leve a alegria e deixe a minha dor...
A CIGARRA
A vida é um canto de amor
que merece ser vivida
tanto mais intensamente
quanto mais perto da dor.
Por que não seguir o exemplo
que a natureza apresenta,
das mariposas ligeiras,
das borboletas azuis
ou da cigarra fagueira,
que após metamorfose
tão obscura e escondida
nas profundezas da terra
se liberta do casulo
e não vai chorar nos cantos
de um tronco podre caído,
mas, muito pelo contrário,
sobe, sobe até as copas
d’arvore mais altaneira,
canta, canta sem parar,
mesmo sabendo seus dias
serão curtos, passageiros,
chama pela companheira
e só após a vez primeira
novas vidas surgirão
para que o canto de amor
se perpetue no espaço
e no tempo eternamente!...
PALMIRA
Morena,
és tudo e toda aquela coisa linda,
tens da felicidade a cor sutil,
que traz ao coração ventura infinda,
teu sorriso é cantar de passarinho,
que muda de repente meu astral,
teu corpo escultural é como um ninho
cuja sombra me agrada partilhar.
És a gata matreira e carinhosa,
cujo cio perene não tem fim;
a sedução, da manha, tens gostosa
que sabe cativar-me o coração.
Eu bendigo a manhã, tão prazeirosa
em que pé-ante-pé, bem de mansinho,
surgiste, como fada dadivosa,
pra partilhar comigo meu caminho.
CONHEÇA-TE A TI PRÓPRIO
(Inscrição no templo de Delfos)
Há tanto de recôndito em nós mesmos,
que, mesmo conhecendo o mundo inteiro,
conhecendo dos outros os defeitos
ou virtudes de nossos companheiros,
nos achamos, às vezes a cismar
perquirindo, nas sombras do passado,
nosso modo de agir e de pensar
que explique o presente angustiado,
Nós assumimos faces tão distintas
e maneiras de agir tão diferentes,
apresentamos mil razões tão fintas
para encobrir as falhas mais ingentes.
Por que será que conhecendo tanto,
de tantas coisas, tão profundamente,
vivemos, neste mundo, em desencanto,
buscando conhecer a nossa mente?
DINÂMICA DA VIDA
Nesta vida tudo muda
tudo muda e se altera.
É bom que ninguém se iluda,
tudo estável é uma quimera.
Aquele belo botão,
tão fechado, sedutor,
ainda que eu diga não,
pela manhã será flor;
E esta flor tão meiga e bela
que te agrada contemplar,
já não será mais aquela,
logo, logo vai murchar!
Ficar sem mudar quem há-de,
nesta vida em mutação,
muda a vida e a mocidade
muda a mente e o coração.
Então não hás de pensar,
sequer por um só momento,
que a vida possa parar,
e não mude o sentimento!...
PAPELEIROS DA RUA DA ASSEMBLÉIA
Quando
a noite baixa seu manto sepulcral,
podemos ver co’alma contristada,
u’a cena amarga e estarrecedora;
papeleiros da Rua da Assembléia
que se levantam como loucos, bêbados,
vão arrastando trôpegos carrinhos
de madeira, de lixo atulhados,
para trocar por míseras migalhas,
para matar a fome negra e crua.
Cena dantesca, cena horripilante,
pobres homens, mulheres, moribundos,
quais fantasmas, zumbis da sepultura,
cambaleantes, vindos do além,
vão arrastando trôpegos carrinhos,
em seu percurso vendo a zombaria,
o horror que causam, nunca apoio amigo.
Seguem sujos e tristes, malcheirosos,
de coração vazios, pés inchados,
silentes seguem seu caminho amargo,
amargurando a dor de um abandono
da crueldade de uma vida louca
que os transformou em vermes macilentos.
Como pode na vida tais mazelas,
que pobres, infelizes, tua imagem,
possam tornar-se vermes ambulantes?...
MÃE ÁGUA
Ela é o berçário da vida,
nos encanta e nos fascina;
bilhões de seres abriga,
desde a vida pequenina
do micróbio, ou bactéria,
até a grande baleia.
Somos filhos da água;
no decorrer da existência,
nos atrai e nos domina,
ou na bela cachoeira,
na onda forte e ligeira
que nos joga contra a areia,
ela, qual bela sereia,
nos atrai e nos fascina,
seja na calma piscina
ou nos rios caudalosos,
ou mesmo na tempestade,
tem por anúncio o trovão,
seja na chuva manhosa
quando fininha e teimosa
nos rouba o brilho do sol,
que nas tardes, no arrebol
vem se banhar indolente
refrescando o raio ardente
lá na plácida lagôa.
Seja pura e cristalina
neste corpo de cristal
ou na forma variada
de uma cerveja gelada
és um líquido gostoso
no vinho bem generoso
pois sabes bem camuflar
tua forma singular
que aparece em toda parte,
tens beleza, muita arte
nas gotas frias do orvalho
brilhando ao sol da manhã;
mas na geada ou na neve
que encobre as cordilheiras
tu te mostra altaneira
na forma cristalizada
durante os longos invernos,
mas venha o sol do verão
te aquecer e te derretes
de prazer e encosta abaixo
desces ligeira e contente
formando belas vertentes,
lindas quedas, cachoeiras
e te espraias, lá no vale
levando vida às cidades
regando as várzeas floridas
trazendo frutos e vida
desde milênios atrás.
Eu te adoro água querida
pois Deus te deu condição
de ser mãe da criação...
SIM
É algo assim divino e celestial
Aquele “sim” de há tanto acalentado
Quando aflora dos lábios, qual sinal
Mui querido do ser idolatrado,
A te dizer já és por ela aceito
E o caminho que leva a teus amores
Que julgavas penoso e tão estreito
Agora é só de festa, é só de flores.
E te sentes guerreiro vitorioso
Que da luta travada a vida inteira
Ostenta seu troféu, sublime gozo,
Conquistado na hora derradeira.
És soberano e aberto é o teu caminho
E, ao mesmo tempo escravo desses laços,
Já podes possuí-la com carinho
Já podes estreitá-la nos teus braços.
NOSSO CAMINHO
Tantas vezes, na vida que corremos,
prá escolher dois caminhos na estrada:
E nesta hora, então, é que teremos
de fazer uma escolha acertada.
Eis que a dúvida assola a nossa mente:
dois caminhos – prá nós o decidir -
da decisão depende, tão somente,
o que virá depois – nosso porvir.
À direita o asfalto bem lisinho
à esquerda pedregulho e a mata densa
um caminhante só, um só caminho.
Escolhemos então, pois nossa crença
era evitar na frente algum espinho;
nossa escolha fez toda a diferença...
EU FIZ UM SONHO LINDO
A vida passa
e teus sonhos só tu os dormirás,
na placidez de um ninho aconchegante
ou banco solitário de um jardim,
ninguém irá sonhar, sonhar por ti.
O pensamento voa, estoura, explode
como a pedreira após o dinamite,
lança pedras, poeira e um só ruído,
seguido de um silêncio sepulcral.
Sonha sorrisos, segue teu caminho,
festeja o sol que brilha no horizonte,
não embargue da vida tais encantos
e sorva com carinho teus minutos
como se fossem gota açucarada
esquecida num copo de cristal.
A vida passa, vem o entardecer
e a brisa trás a noite de mansinho
mas tu viveste o dia extasiante
tangendo teus corcéis nas nuvens brancas
bem além do horizonte, além do mar.
Teus sonhos tu sonhaste
Ninguém sonhou por ti.
VIRANDO A MESA
A tua opinião deves mostrar,
sem te importar que alguém, seja contrário;
quem pensa, tão somente em agradar,
vegeta, nesta vida, como otário.
A nossa opinião é importante –
é o retrato de nosso interior -
convém zelar por ela a todo instante,
mostrando ao mundo que se tem valor.
Opinião é a nossa auto-estima,
se o teu dizer perder em qualidade,
existe um ditado que te anima:
tu vencerás – perdendo pra verdade!
Por isto diga, firme, a opinião
como uma luz, ou uma tocha acesa
Na hora exata a tua afirmação
será feliz quiçá, virando a mesa...
VOCÊ PARTIU
Saudade...como dói a sua ausência
e esta distância infinda que separa
você do meu viver, do meu sofrer...
Quisera ter você aqui bem perto
pra saudade bater em retirada,
mas sinto-me perdido no deserto
de uma vida vazia – um quase nada,
pois que sem respirar sua presença
me falta o ar de sua graça linda
que faz sorrir meus olhos, traz a crença
que a vida vale ser vivida.
Saudade dói e é doce a um só tempo -
Me lembra a ausência, mas por um momento,
eu posso ter você no pensamento...
BUROCRATA
É mesmo triste ser um burocrata
sentado o dia inteiro junto à mesa,
papéis prá cá, prá lá, que vida ingrata,
enquanto o céu lá fora é azul-turquesa;
sol de verão e o verde, inebriante,
a convidar-nos prá viver apenas,
toda a doçura de uma vida errante,
dando adeus ao relógio e a gravata,
sem hora prá sair ou prá chegar;
comer só quando a fome convidar,
voltar à natureza e mergulhar
em todo o seu encanto e seu fascínio,
curtir a fauna e a flora, na certeza
de poder confiar nos animais
que são fiéis, leais, não desapontam,
como tantos amigos que nos cercam.
APRENDI A VIVER
A vida vai passando, tão ligeira,
e nós com ela vamos cavalgando
os dias velozes,
as horas morosas.
E se tu não dominas teu ginete
irás por terra ou ele empacará.
O prado em flor,
chama ao devaneio
se sonhas uma meta aprimorada,
distante nas alturas, no infinito,
será sempre sonho,
ou pura miragem.
Quem busca em tudo, em tudo, a perfeição
só foge do real e do finito
a vida é feita
de pequenas coisas
o saber vivenciá-las, no momento,
é para nós a mor filosofia
viva plenamente
o dia está passando!...
RECOMEÇAR
A vida é algo extasiante.
que nos fascina e nos cativa
desde o primeiro nosso instante
em que, por mera tentativa,
nos demos conta do viver.
De tentativa em tentativa,
ora um sorriso, ora um sofrer,
de recidiva em recidiva,
fomos moldando nosso ser.
Desde a infância à puberdade,
em se amando e sendo amado,
vimos chegar na meia idade
sempre o comum recomeçar.
Maravilhosa e benfazeja,
a vida toda é uma canção,
seja na calma, ou na peleja,
ela é só renovação:
passam-se as horas, vão-se os dias,
teremos de recomeçar:
o amanhã será o amanhã.
novo dia radiante, alvissareiro,
surgirá, então,
mais vida pra ti!
Saiba sempre sentir o som da vida
a brisa que festeja a luz da lua
o cheiro da flor,
e o sol em seu corpo,
a água que murmura cristalina,
o gorjeio dos pássaros na tarde
que cai lentamente,
manto acolhedor...
Deixa de lado a angústia do amanhã
viva o momento lindo, eternizado
a gota de orvalho
ao sol da manhã!...
ÊXTASE NOTURNA
A lua branca surge da montanha;
Cavalga as nuvens claras, saltitantes,
No céu profundo, em imensidão tamanha,
Baloiçam as estrelas cintilantes.
Na noite calma o orvalho é incessante
E, pouco a pouco, as teias da aranha
Se transformam em colares de brilhante,
A refletir da lua a luz e a manha,
As árvores farfalham, com ternura,
As negras cabeleiras e a luz da lua
Filtrando entre as ramagens luz tão pura,
Desvenda do relvado a face nua.
Longe, no vale, a fonte murmureja
Cantarolando sua mágoa à toa,
Bate nas pedras, segue benfazeja,
Para morrer na plácida lagoa,
Que reflete a beleza cristalina
da extasiante, linda paisagem
Que a todos tranqüiliza e nos fascina
Pra esquecermos da vida tão selvagem.
E, assim, a sós, da noite no umbral
Estamos protegidos no seu véu,
Como crianças em colo maternal
Que vive agasalhado, nunca ao léu,
são dias quentes, noites frias
de muito canto e pesar
e a maior felicidade
é nada feito pra durar,
seja a alegria ou crueldade,
pois fora duro suportar
esta cruel monotonia.
Se a noite é escura e a chuva cai
o sol desponta, é o novo dia
e a nossa angústia lá se vai.
Oh como é bom, como é gostoso,
saber que a vida é uma criança,
pois se o caminho é sinuoso,
sempre nos resta uma esperança
que tudo vai melhorar.
Vive a vida com carinho
com muita garra, muito amor
pois tudo passa de mansinho,
roubando toda a nossa dor.
MÚSICA DA VIDA
Nós te sentimos no cantar do galo
Nas madrugadas frias e silentes
E na algazarra alegre dos marrecos
Quando o dia desponta nas fazendas
Na festa tão ruidosa dos pardais
Anunciando o findar de um novo dia
Quando o sabiá nas laranjeiras
Cantarola chamando a companheira,
na porfia dos sapos lá no brejo,
No berro dos bezerros nos currais,
No relinchar esguio dos cavalos,
Quando o vento sussurra nas janelas
E no barulho alegre das panelas
Preparando o alimento na cozinha;
Nos trovões, quando a chuva se avizinha,
No marulhar das ondas contra as pedras;
Te sentimos no choro das crianças
ou no seu vozerio nos folguedos,
No uivar das feras, no miar do gato,
Latido de cachorro, lá no mato,
Balido das ovelhas, dos cabritos;
Te sentimos, com toda emoção,
Nos recados brilhantes que ficaram
De Beethoven, de Bach e de Tchaikovisky
Nos embalando desde o nascimento,
No decorrer da vida, em frenesi,
Nas horas de alegria, ou de tristeza
E, assim, nos acompanhas vida afora
Sendo mesmo razão da própria vida
Da qual partilhas tão exuberante,
Tu, música da vida extasiante!...
PRESENTE, PASSADO DO AMANHÃ
Só existe o presente...
o passado se foi com tal presteza
qual fumaça que sobe e o vento sopra,
e a alegria que há pouco nós vivemos,
todo o prazer que ontem nós sentimos
não conseguimos hoje divisar...
Foram momentos de total ventura,
um gozo infindo, um prazer enorme
e, por mais que forcemos nossa mente,
não podemos de novo retratá-lo.
Como palavras, soltas,
navegam nossos lábios,
estrelas bem distantes
fulguram no infinito
etéreo e fumarado,
fora do nosso alcance,
abismo impenetrável.
Quem dera nós pudéssemos viver
de novo as horas lindas do passado,
revivendo carícias com ternura
que hoje estão nas cinzas da memória.
NATUREZA
Não diga, filho meu
Que a vida é só tristeza.
Pois tudo que há na vida,
Só traz em si beleza.
As aves coloridas
Gorjeiam sem cessar;
A pradaria é verde,
É só você deixar.
Defenda a natureza
Com todo seu ardor,
Pois ela, com certeza
Devolverá amor.
Nada é assim difícil
Para você fazer,
Nem mesmo impossível
É só você querer.
A natureza é bela,
A vida muito mais,
Agarra-te a ela
e, viverá em paz.
E, assim, a cada dia
teremos que acender
a tocha reluzente
pra manter o braseiro
ardendo sem parar.
E o presente
nossa mente
flor mimosa
desabrocha
cada dia
mais bonita
e bendita
a criatura,
alma pura,
que souber
vivenciar
seu momento
que brilha
fagueiro
no olhar
do amor...
Do amor que é a razão
do seu viver.
ATÉ QUANDO
Por que insistes em não viver,
vegetar?
Decretos, leis, portarias e normas
tradições, cultura, que dirão os outros?
São tantos liames e cadeias,
pelourinho ingrato!
O fôssemos silvestres animais
que são livres e donos do nariz;
mas não,
acorrentados como um cão
qual leão enjaulado na gaiola,
a vida a fervilhar extasiante, passa,
ou será somos nós que já passamos?
Acorda,
o tempo não te espera
ao te olhares no espelho
os fios da barba cairão mais brancos...
BARRACO NA INVASÃO
Um barracão com telhas de amianto,
Paredes de madeira apodrecida...
Lá dentro tudo é escuro, tudo é pranto
Uma família subdesenvolvida!...
Faltando água, luz e alimento,
Como podem sorrir estes pequenos,
Se o sol castiga e a noite é só relento
E vão dormir sem ter sequer ao menos
O que comer e um agasalho quente,
E das frestas das tábuas e janelas
O vento sopra impiedosamente?
Como pode na vida tais mazelas...
Fora melhor ter nascido um animal.
Água de fonte, comida, fartura,
E, ao chegar a noite é sempre igual:
Irá pro ninho ou toca bem segura.
Que será dessas pobres criancinhas,
Chão de terra, descalças, seminuas
Barriga-vermes de perna fininhas
Brincando entre os barracões sem ruas?
Ao redor, n’água podre dos esgotos,
Fervilham moscas, doenças, dejetos,
E sempre estão os barracões escrotos,
Sem ar, sem luz, muitas vezes sem tetos.
Lembrando Castro Alves, eu diria:
“E existe um povo que a Bandeira empresta
Para cobrir tanta infâmia e cobardia?
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha”.
Barracos e barracos todo dia
Se multiplicam nesta vida a fora
Como pode a Nação crescer sadia
Se tudo falta ao homem nesta hora?
É um dilema e sempre causa enfado
Nações potentes, ricas, poderosas
Olhando, bem de cima, do outro lado,
Nações tão pobres, tristes, lacrimosas,
Tal qual no dia-a-dia dessa gente
Vê-se um infecto, triste barracão
Ao lado de altiva, prepotente
Morada, toda luxo, uma mansão
CARINHO
Se quiseres sentir o que é carinho,
vem, ligeirinho, para os braços meus,
que sendo teus terão todo jeitinho
de um adivinho prá te agradar.
Terei nos dedos toque de malícia
para a carícia que você gostar
e pra te amar me sobrará perícia
para a delícia que eu quero te dar
Pois, pra te amar, nas nuvens te porei
te beijarei com sede e com prazer
e pra te ver feliz me entregarei,
nem pouparei carícias pra te ter
Cada minuto em clima de emoção
com o coração batendo a mais de mil
de tão febril que, então, tu sentirás
pois provarás alguém bem varonil
cujo desejo, em toque de veludo,
é fazer tudo para tu sonhares
com patamares nunca atingidos
de mil gemidos na longínqua Antares.
Eu ti farei sentir como princesa
ante a surpresa de carícias plenas
bem obscenas deste teu escravo
e um belo cravo de rosas te trarei
E reitero o quanto já te disse:
se quiseres sentir o que é carinho,
vem ligeirinho pra os braços meus
que sendo teus, terão todo jeitinho
de um adivinho, pra te agradar...
TUDO CORRE COMO UM RIO
O rio corre pro mar
apenas corre pro mar...
no caminho onde passar.
a pradaria é tão plana
que seria bem retinho
o traço do seu caminho,
mas tão caprichosamente,
meandros e mais meandros
vai traçando sobre a relva
De mansinho em seu passar.
o rio corre pro mar...
vai sem pressa, não se zanga
se desliza devagar,
vai vagando em devaneio
pois não lhe assoma o receio
de ficar e não chegar.
beija o relvado macio,
ouve o queixume das flores,
dá de beber, na floresta,
à gazela e ao sabiá,
e seu passar é u’a festa
para tantos animais.
Se à frente a correnteza
apressa o seu caminhar
e o lança de um rochedo
como querendo matar,
em troca nos dá a beleza
de u’a bela cachoeira
numa visão tão faceira
de espumas e arco-íris,
pois este é o banho do rio,
para o rio se lavar:
por sabonete, as pedras,
por toalha tem o sol.
Nos reclama do cansaço
nem do susto que levou,
à frente tem por regaço
e seio da relva em flor.
o rio corre pro mar
apenas corre pro mar
sabe que um dia retorna
à montanha onde nasceu,
seja por chuva ou neblina
Volatiza desde o mar.
é levado pela brisa
cai de novo na colina
brota em fonte cristalina
é o seu recomeçar:
por isso corre pro mar,
apenas, corre pro mar,
sem pressa de lá chegar...
curta a vida, a vida é curta,
mas sem pressa, devagar.
QUANDO EU MORRER
Quando eu morrer,
não quero o fingimento de um soluço
que, de teus lábios teima em vir à flor,
nem mesmo uma tristeza sepulcral
que basta à cova fria tal tristeza.
Durante os anos todos que eu vivi
meu corpo se refez por tantas vezes
e vezes tantas foi à natureza
e nunca, que eu recorde, tu choraste,
por que choras agora, sem motivo,
se uma vez mais retorno à terra mãe?
Agora, tu dirás, será prá sempre!
Pra sempre? – nada é para sempre, amigo
Ontem, amanhã, sempre, nesta vida
células minhas, vivas, palpitantes,
esparsas estarão aqui e ali;
além do mais, disseste-me, um dia, o espírito não morre – viverá!
se assim o é, então, por que chorar?
Não, cara de velório, em meu velório
não quero ver, ainda que eu não veja.
não quero sobre flores repousar,
poupe coroas e as rosas belas,
crisântemos, saudades e alecrins,
deixa nas hastes verdes do jardim.
já é muito que eu me vá e o matá-las
faria inda mais triste a natureza;
E, se acaso, te deres ao trabalho,
e acompanhares meu corpo em funeral,
não seja ele féretro tristonho:
Canta, sorri, conte anedotas,
pois sendo assim, embora tu não notas,
darás uma força n’hora derradeira
a mim que conhecestes a vida inteira,
e, esteja certo, eu sorrirei também
e me será mais leda a caminhada
para o descanso, poxa, merecido!...
APOLOGIA DA FUMAÇA
Ai de mim não fora meu cachimbo
que me acompanha há anos nesta vida,
seja de inferno, purgatório ou limbo,
me ajudando a enfrentar a dura vida
Do dia-a-dia que nos leva a nada
por que privar-me do sabor gostoso,
soltar fumaça, etérea baforada,
que me relaxa e deixa esperançoso?
Antes tenhamos vício tão pequeno,
que outros tantos graves de montão;
Este, bem sei, é muito mais ameno
que a calúnia, raiva ou traição.
PALMIRA
Você chegou, nem mesmo sei porquê,
trazendo flores, muita luz e cor
delícia de um sorriso alvissareiro
para levar tristeza tão daninha,
Que me matava, sem saber que eu tinha
um coração fechado por demais
e cuja chave não de viu jamais.
Sua vontade forte, destemida,
Foi bem maior quanto eu pudesse crer
e o destemor, difícil de se ver,
quebrou, de pronto, com um golpe ousado,
a tranca que ocultava o coração
e se aninhou, de forma sorrateira
no âmago de um ser, que definhava,
pois tu, ladra, querida idolatrada,
roubaste, com jeitinho, a solidão
devolvendo a vontade que eu perdera
de ver o sol e ele contar estrelas.
MOSAICO
E’ bom quando teu corpo nu vem
Me envolver como uma nuvem
tão leve, risonha e faceira
com belo sorriso, com ar de
quem demonstra que nunca é tarde
e quer se entregar toda inteira.
Eu sei que teus desejos bem são
para mim saborosa benção
vem com teu corpo lindo e arroge-o,
calmo, prá nós não há relógio...
JUQUINHA... QUE SAUDADES!
A angústia d’alma é mar encapelado,
da solidão é filha predileta,
vem sempre ao se perder um bem amado
e a gente sente a alma incompleta.
Tudo é triste e nos dói o coração,
sentimos na garganta um grande nó,
sentimentos nos faltar respiração,
é uma implosão, ruído e pó.
Quando de nossa alma se podera,
os olhos são perdidos no horizonte,
a esperança é sonho, é só quimera
a transtornar a mente e a nossa fronte.
Nesta hora o gigante se amesquinha,
se sente um trapo humano, um quase nada,
tão logo a angústia chega a se aninha,
quase sempre da noite na calada...
BEM QUERER
Feliz daquele que tem
um bem-querer, prá querer;
A sua vida é um sorriso
de paz, amor e carinho.
Seu ninho é quente e macio
de plumas branca de amor,
e o céu será sempre azul,
a natureza uma festa.
mulher, na vida da gente;
põe cor em tudo que temos
e nos sentimentos mais leves
felizes só para amá-la.
Queremos um bem querer
um bem-querer que nos queira
e a quem possamos querer,
de dia, à noite, na vida
aqui, ali e prá sempre.
Um bem querer que nos queira
a quem possamos querer
na tristeza ou na alegria,
que possa nos compreender.
As falhas do bem-querer,
quando o amor é verdade,
virtudes parecem ser
por mais que lhe venha a idade!...
SEPARAÇÃO
Será amor, querida, eu te querer?
Mas amor é coisa complicada
e, muitas vezes, mesmo sem querer,
te chamo de meu bem, de minha amada!...
Sozinho, quando a noite vem descendo,
meus pensamentos voam direitinho
buscando te encontrar e tua falta
é como espinho, fere e dói demais.
Rolo na cama e busco por teus braços,
mesmo sabendo ali já não estás;
Eu fico triste, eu fico angustiado
apenas por pensar no teu sofrer.
Querer-te, assim, será amor, meu bem?
Não sei dizer, só sei que te estremeço;
Amor pode não ser, como também
do amor bem pode ser um bom começo!...
POR QUE SERÁ?
As garotas de biquíni
contemplamos nas piscinas
na praia ou nas passarelas
todas são lindas meninas,
no seu frescor de donzelas
e o vê-las nos fascina,
contemplamos com prazer
mas co’a calma mais serena
pois tudo nos deixam ver;
Mas se uma dessas pequenas
vem sentar-se ao nosso lado
com decote ou minissaia,
seja num bar ou na praia,
nos dará maior prazer
olhamos bem de soslaio
na tentativa de ver
de seu busto um pedacinho
ou a ponta da calcinha...
MULHER
Mulher é um dom divino genial
é do progresso a mola propulsora,
não tão somente pelo amor carnal
ela se torna assim nossa credora.
Cidades se levantam num progresso
infrene, em toda parte, e o mundo inteiro
é um fervilhar de obras, num processo
com final inconfesso, derradeiro,
De se buscar o amor de uma mulher.
Tudo é vazio e mesmo sem sentido,
se não tivermos, ainda que sequer,
de uma mulher carinho prometido.
No âmago do bem, de todo o mal,
emerge da mulher bela figura
e o homem se agiganta, se afinal,
é cativo da bela criatura.
FELICIDADE
Felicidade é a busca errante da alegria,
é a flor silvestre que, escondida no cerrado,
vimos, ao longe reluzente entre as folhas,
mas, ao corrermos prá sentir o seu dulçor,
as próprias folhas se encarregam de escondê-la,
é a nuvem linda, debruçada ao sol poente,
formando a imagem celestial da bem amada,
mas quando apenas conseguimos divisá-la,
desfigurada nós a vemos pelo vento,
que, inclemente, lhe desbasta a cabeleira,
em nós matando prá sempre a fantasia.
É como o sol que ilumina a terra inteira,
trazendo cores, mil formatos, tanta vida,
para se por detrás do monte, sorrateiro,
sempre deixando atrás de si solidão.
Felicidade tem da neve a candura
e o fascínio que a neve nos desperta,
mas se tentarmos apertá-la em nossas mãos,
desfaz-se em água e volta célere ao chão.
Felicidade é flor pequena, é uma bonina
que nos encanta, nos cativa e nos fascina,
mas que emurchece, cai ao solo e o vento leva...
E sempre leva para longe de onde estamos,
por mais que a pomos bem perto onde a sonhamos...
ESQUECIMENTO
Adoro ser esquecido,
distraído e coisa e tal;
pra que viver preocupado
se vai bem ou se vai mal?
Mas o meu esquecimento,
o que me dá mais prazer,
em todo e qualquer momento,
é se esqueço de esquecer
do meu amor por você!...
SEPARAÇÃO II
Saudade... como doi sua ausência
e esta distância infinda que separa
você do meu viver, do meu sofrer...
Quisera ter você aqui bem perto
prá saudade bater em retirada
mas sinto-me perdido no deserto
de uma vida vazia – um quase nada,
pois que sem respirar sua presença
me falta o ar de sua graça linda
que faz sorrir meus olhos, traz a crença
de que esta vida vale ser vivida.
Saudade dói e é doce a um só tempo -
me lembra a ausência, mas por um momento,
eu posso ter você no pensamento!...
SER POETA
Ser poeta
é saber auscultar a natureza,
é ver beleza em coisas pequeninas,
colher boninas, ver o sol nascer,
é descrever a vida ao seu redor.
Ser poeta
é cultivar a alma de criança
e a lembrança simples do passado
como um legado vivo a se guardar.
Ser poeta
é ter na alma a sensibilidade
como quem há-de ver além dos montes
e no horizonte o seu olhar perdido
vai decidido e busca inspiração.
Ser poeta
é ser sutil, amável, perspicaz
é ser veraz, fingindo acreditar
que sobre um mar de rosas leva a vida
tendo ferida a alma a soluçar.
ESCRAVIDÃO
A liberdade, ainda que tardia,
Baixou seu manto, belo protetor,
Sobre as cabeças, tristes, macilentas,
De milhares de negros indefesos.
Sexagenário, Ventre Livre e Áurea,
Foram leis que, suadas e sofridas
Vieram, enfim, após anos de dor,
De angústia, cobardia e crueldade,
Qual o grilhão, injusto que cruel,
Acorrentou u’a raça forte e bela,
Fazendo dela tristes escabelos
Dos ricos, poderosos, inumanos,
Desalmados, infames e fingidos,
Que procedendo dessa forma vil,
Ainda assim rezavam o Pai Nosso
Nas capelas, igrejas opulentas,
Erguidas co’o suor da escravatura.
Emulo o gesto do Poeta antigo.
Brado por Deus que venha em nosso aval,
Que nos socorra contra tudo e todos
pois hoje, como ontem, a escravidão
É fato inconteste em nossa pátria.
E, a flâmula auriverde dos negreiros
Nestes dias trêmula, sobranceira,
qual testemunha muda, mas veraz,
Da injustiça social que nos oprime;
Ontem senzalas, hoje são favelas:
O veredicto vivo e bem loquaz,
A transmitir para a posteridade
Que ocorre, sim, de fato a escravidão,
Forte terrível, muito mais cruel;
O escravo a trabalhar de sol a sol,
Contava com alimento e moradia:
Veja de perto a vida na favela,
Onde agoniza a raça, um povo humilde
Em barracos imundos, de madeira,
Tetos de lona, ou mesmo destelhados,
Acobertam mães, crianças famintas,
Sem água, com esgoto ao céu aberto
Onde fervilham moscas e dejetos,
Onde o rico compra, por migalha
O serviço suado e bem mal pago
De legiões de homens sofredores,
Famílias que partilham, empilhadas,
De um único e imundo simples quarto
Que prá o rico não dá nem prá garagem.
“Existe um povo que a bandeira empresta
Prá cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nesta festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! Meu Deus! mas que bandeira é esta
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio Musa... chora e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
Auriverde pendão da minha terra
Que a brisa do Brasil beija a balança
Estandarte que a luz do sol encerra
As promessas divinas da esperança...
Tu, que da liberdade após a guerra
Fostes hasteada dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha
Que servires a um povo de mortalha!...”
(Os versos finais entre aspas, são de
O Navio Negreiro de Castro Alves)
POR QUÊ?
Debalde ouvi meu grito rouco e desvalido
ecoar nos chapadões, bater na serra esguia
e se perder, empós, na fria pradaria
e a sensação dorida, um mundo de amargura
implode a minha mente em frias catadupas
e o horizonte turvo, frio e nebuloso
mantém a impavidez das
sombras tenebrosas
como num gargalhar funéreo e tormentoso.
como pode a esperança, à-toa, se perder
volatizar por completo além do mar,
tal como espuma salgada, esfumarada,
a esvair-se na areia, contra a praia fria?
Existe uma tristeza nesta vida afora
amargo nó entalado na garganta
que rasga nossa alma nos tornando fracos.
Nesta hora cruel os sentimentos vagos
se embaralham na mente e fazem-nos tremer
no frio que a paixão cruel esparze à toa
é aí que uma pergunta vem de ocorrer:
Por quê? Por que será na vida tal sofrer?
CARNAVAL
Que importa se é dura a vida,
vou desfilar na avenida,
semi-deus me sentirei
quando em plena passarela
os aplausos colherei.
Mesmo que falte comida
vou desfilar na avenida.
Pouparei o ano inteiro
em mil horas de aflição,
para que eu seja o primeiro,
bem na comissão de frente,
sob o aplauso dessa gente,
lavando meu coração.
Mesmo que eu seja pingente
do trem da Estação Primeira,
em minha luta sofrida,
vou desfilar na avenida,
pois os momentos de glória,
da apoteose suprema
me ficarão na memória,
quebrando-me toda algema
desta negra escravidão,
em que a vida se tornou.
Posso ser espoliado
pelo mais rude patrão,
irmão que extorque outro irmão,
deixo a luta fraticida,
vou desfilar na avenida,
vou gritar ao mundo inteiro,
pois na avenida eu sou rei,
só assim serei ouvido
e meu grito destemido
sufocado na garganta
vai dizer aos poderosos
que ’inda vige a escravidão.
Eu vou descer lá do morro
deixar a luta suicida,
vou desfilar na avenida,
quero ter a alma lavada,
mesmo sabendo que a gente
aplaudindo o meu sambar
do alto do camarote,
quando chegar quarta-feira
terá na mão um chicote
para exigir meu trabalho.
Que me importa tudo isto,
‘inda que eu seja malquisto
durante um ano de luta,
vou me esquecer da labuta
pois vou ganhar nova vida,
vou desfilar na avenida,
vou desfilar na avenida!...
SAUDADE
Saudade é erva daninha
que plantada às escondidas
no jardim do coração
mata as rosas mais floridas
por sob o caramanchão;
As flores pedem guarida
já não suportam mais não
da erva daninha a investida
que sufocante se aninha
no jardim do coração!...
ONDE ESTAVAS MEU PAI?
Tu és importante, ocupado,
Ou te fazes de ocupado e importante,
problemas, compromissos e trabalho,
telefone, jornal ou a TV.
Altas indagações te preocupam
e o tempo vai passando e vai passando.
Teu filho quer brincar mas tu não podes...
depois, talvez, quem sabe e assim por diante.
Uma pergunta ou dúvida escolar,
você remete, logo, para a mãe.
Vão-se os dias, você não se dá conta,
cegou-te o burburinho desta vida
e te omistes ao teu dever paterno:
orientar a filha, aconselhar,
mostrar-te amigo antes que ser pai,
mas não, és importante e ocupado;
porém um dia acordarás do sonho,
acordarás do sonho-pesadelo,
verás teus filhos, homens e mulheres
já adultos, jogados pela vida
só porque lhes faltou, na hora certa
o amigo certo, lúcido e capaz.
Agora, porém, inda que tu queiras
teus conselhos serão extemporâneos
já sofreram na vida que passou
e assim, a grande tua experiência
de forma alguma lhes trará proveito
Acorda! – ainda é tempo amigo meu!...
AVE DE ARRIBAÇÃO
Por que sorriste, assim, amor querido
a me ofertar o teu sabor de mel
se bem sabias partirias breve
deixando para trás travor de fel?
trouxeste a meu viver o arrebol
de cores mil, cantar de passarinhos
dias felizes, muita luz e sol,
forraste de alcatifas meus caminhos
trouxeste nova vida a meu sofrer,
mas num piscar de olhos tu partiste,
levando o sonho, o paraíso, a flor
e toda a luz do meigo teu carinho.
Não pôde antever meu coração
que não irias construir teu ninho
pois eras ave de arribação.
MEU SONHO PREDILETO
Gosto de sonhar contigo
se no sonho estás comigo
toda, todinha pra mim,
pois que seria castigo
nem no sonho eu te encontrar,
tu que foges noite e dia,
dia e noite, sem parar,
dos carinhos e do amor
que eu queria te ofertar,
pois não vês quanto maltratas
este pobre coração
que só pensa em te adorar.
Foge, foge malandrinha,
pois meu sonho é uma rede
em cujas malhas ligeiras
eu saberei te pescar.
TU
Garota fofinha,
tu és um amor,
risonha e faceira
tão cheia de arte
és mesmo brejeira
tão meiga e charmosa
bonita e gostosa;
dás água na boca,
és de arrepiar.
Teu jeito manhoso
me vira a cabeça
e eu penso besteira
sem me controlar,
por mais que eu queira,
o meu coração
já meio cansado
de tanto sofrer.
Tu tens tanta força,
diaba, menina
que só me fascina
fazendo sonhar!
És flor, és bonina,
me encanta e domina.
Tu tens tanta força,
nem sabes que tens,
pois tua meiguice
e este teu carinho
me amarra e me prende
me algema e domina,
se sinto cativo
Gatinha peralta
é bom e gostoso
eu ser prisioneiro
deste teu olhar,
me sinto ditoso
de ser alvejado
por seta malvada
cruel venenosa,
de um doce veneno
que brota e lampeja
deste teu olhar;
tomara o veneno
tão doce e tão puro,
eu possa na vida
poder degustar
então, eu te juro,
o mesmo carinho,
a mesma afeição,
terás dia e noite
do meu coração!
TEUS SEIOS
Cabelo liso, tão belo,
tens um corpo escultural
teu sorriso é tão singelo
nesse rosto divinal!
De tudo quanto houveste
de belo, da natureza,
nada, pra mim, se reveste
de tanta, tanta beleza,
do que teus seios mimosos
que são lindos de morrer
são duas ilhas, formosas,
n’oceano de prazer!
MENINA – MOÇA
Garotinha faceira – uma menina
olhar de virgem pura e inocente,
das flores mais bela – és a bonina
que me faz nesta vida tão contente.
Tu dizes, com carinho e com meiguice
que eu sou o teu amor – tua paixão
e esbanjas para mim a brejeirice
e todo o afã que vem do coração.
Não sei se rio, ou fico esperançoso
pois que não posso, enfim, desapontar
o teu sorriso franco e tão gostoso
e o puro amor que vens de me ofertar.
Por tudo que passei na vida afora
do fundo de minha alma te estremeço –
quero te abraçar – vem sem demora
pois meu amor me diz que te mereço!...
VIDA QUE TE QUERO VIDA
Conter o teu ginete, mas por que ?
rédeas curtas só trazem dissabor
vá – tange o alazão e à mercê
de belos sonhos muita luz e cor
Dispara, em frenesi, numa corrida
pelos campos floridos dos desejos
colhendo as flores que te oferta a vida
realizando os sonhos benfazejos.
Faça por se tornar realidade
o quanto aspiras ver realizado
solta às rédeas da vida – a idade
irá matar teu sonho acalentado...
INGRATA
Não me iludo – não vivo sem você
antes eu crer que tudo é fantasia...
Se você quer partir sem mais porquê
Levando o que me resta de alegria,
Quebre, ao sair, as cordas do relógio
porque se desmantele e, então parado
para bem longe, então você arroje-o
pra não lembrar você no badalado...
Não esqueça o perfume preferido
porque não reste um cheiro de saudade
a sufocar meu peito já dorido
e não complete, assim, sua maldade.
Leva tudo que lembre sua presença
o dia à noite e os ternos madrigais -
me restara da vida só a crença -
que a tristeza não cresça um pouco mais.
Deixe comigo o meu sorriso, ao menos
deixe também os beijos que lhe dei
deixe os belos momentos – tão amenos
e a mentira na qual acreditei;
Deixe a paixão que ardia no meu peito
quero a ilusão que ainda resta amor
machuca o coração, mas vá, com jeito
leve a alegria e deixe a minha dor...
TERNURA
Quisera ter uma ternura infinda,
ternura de luar por sobre o lago,
carícia de uma brisa entre as flores,
pra te abraçar, te carinhar, beijar.
Quisera ser amigo e companheiro,
afagar de mansinho teus cabelos
tocar teu corpo todo, por inteiro,
sentir a violeta dos teus pelos.
Quisera ter a voz da patativa
e, então, cantar suaves melodias
que só o teu amor pôde inspirar
ao coração apaixonado que te adora.
Me agrada tanto o teu carinho amigo
o teu olhar tão puro e transparente
nas horas lindas, quando estás comigo,
que eu morro de prazer de tão contente!
TEU BEIJO
Só teu beijo me inebria
me tonteia e me fascina,
és tudo que eu queria
minha boneca-menina,
Peralta, levada e arteira,
que me levas na conversa
com tua manha matreira,
que os dissabores dispersa.
És uma doce loucura,
que não tem explicação.
não escondes, não és pura
e me matas de paixão.
Teu beijo tem a magia
que me tonteia e fissura,
me cativas, com mestria,
minha doce criatura,
Quando me das tua boca
me sinto paralisado,
pois tua maneira louca,
me faz gostar do pecado.
Pecado, mas quem falou
que te gostar é pecado?
somente quem nunca amou
vai pensar que eu sou culpado!...
SOLIDÃO
Eu amo a solidão
amável companheira
das horas de tristeza,
das horas de alegria.
Em meio a multidão,
nas horas de folia,
eu sinto que estou só
tão só co’o meu viver
tão só co’o meu sofrer.
Eu amo a solidão das horas tardias
quando o silêncio envolve a cercania
qual manto carinhoso e protetor,
sinto o cheiro das flores na janela,
as árvores farfalham de mansinho
e a chuva lenta, fria cai suave,
uma goteira pinga na bacia,
me sinto só com minha fantasia,
me sinto só em meio a multidão,
tão só com meus defeitos, meus revezes,
nos acertos, aplausos, no triunfo,
a solidão invade a nossa mente
assim calma, tranqüila e carinhosa,
somente paz em forma de carinho.
quando me perco em meio aos atropelos
já sei vou me encontrar na solidão.
só nos devaneios,
só nas fantasias,
só nos meus recreios,
só na poesia.
mas nunca estamos só completamente,
a natureza toda é companheira,
a fauna, a flora à nossa revelia,
nos abraçam e somos impotentes
para fugir ao seu amplexo quente.
Quando me sinto por completo só,
pensamentos, assim como a ter dó,
de mim, borb
CARPE DIEM
Sorver da vida a primitiva essência
é dentre todas a maior ciência...
Breve, breve serás antepassado,
mas antes disso deixa o teu recado,
pois, bem sabes, tens obrigação
de demonstrar que não vieste em vão.
Faça cada minuto do teu dia
de muito amor e muita ousadia:
Só assim, então terás vivido
sem sentires de nada arrependido.
somente nos arrependeremos
de quanto nos foi dado e não vivemos!
Colha os frutos na beira da estrada,
sinta os carinhos da pessoa amada,
transforme cada sonho em realidade,
vivendo tua vida de verdade.
Os dias serão belos e floridos
se os viveres em todos os sentidos.
Por que perder a oportunidade,
ficando para sempre na saudade,
se a vida te sorri exuberante
a ter ofertado surpresa a cada instante?
Como filho d’águia, altivo e forte,
busca as alturas sem pensar na morte,
que algum dia virá, pois é sabido,
Mas até Lá, então, terás vivido...
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
(Dez leis para ser feliz, Editora Sextante, 2003)
"No decorrer desta vida, o prazer,
a alegria, a tristeza, a dor, o amor
desfilam em nossa alma e em nosso
coração, deixando diferentes marcas.
São essas marcas combinadas que
formam a riqueza da nossa caminhada.
A vida é curta, mas as emoções que
podemos deixar duram uma eternidade!"
MINHA AMIGA
Deus, na sabedoria, criou a amiga, alguém em que se possa confiar, uma amiga fiel que nos compreenda, e nos estenda sempre a mão para ajudar.
Ele sentiu que precisaríamos de alguém, que nos confortasse quando estivéssemos tristes,
cuja especial ternura e sorriso feliz, nos fizesse sentir que vale a pena viver.
Alguém com quem dar um passeio, compartilhar um livro ou um segredo.
Bater-papo ao telefone, no MSN agora , mas que também, perceba nossa necessidade de estar algum momento a sós.
Em resumo, Deus criou a amiga para ser alguém que sempre nos alegramos em rever.
Existem poucas coisas que Deus possa nos dar que signifiquem tanto como uma boa amiga.
DESEJO A TI UMA LINDA SEMANA ...E QUE VC MINHA AMIGA NÃO ´´E LEMBRADA APENAS NO DIA DO AMIGO E SIM TODOS OS DIAS.... E QUE EU ADORO VC DE MONTAOOOOOOOOOOO....
BJSS CARINHOSOS
Amar você
Sentir é simples,
difícil é demonstrar
o que sinto.
Pensar é simples,
difícil é transformar
o que penso em ato.
Agir é simples
difícil é assumir
a conseqüência do que faço.
Sentir, pensar, agir
difícil é a arte
de aprender a viver,
o segredo é amar assim,
assim como amo você.
h1><img src=" border="0">Querer Bem...<br>Querer bem é guardar dentro da alma,<br>A lembrança de alguém;<br>É sonhar acordada, é ter suspensa a vida<br>num olhar, que nem sabe o encanto que ele tem.<br>É aquela crença forte e nunca desmentida.<br>Naquele que se espera, o que talvez não vem.<br>É aquela dor atroz e sempre incompreendida,<br>que a gente vai sofrendo e não conta a ninguém.<br>Querer bem é perdoar o que ninguém perdoa.<br>É melodia do céu que dentro da alma soa.<br>A saudade depois que tudo termina...
uma boa semana com muita paz em Deus...
Desejo que em sua vida...
Não exista cara feia, Não exista bolso furado, Não exista vida apressada,
Muito menos grãos de areia.
Não exista tempo fechado, Não exista problema dobrado, Não exista sonho frustrado, Muito menos amor acabado.
Não exista amigo esquecido, Não exista negócio falido, Não exista boato mexido, Muito menos dinheiro sumido.
Não exista tempo nublado, Não exista ambiente abafado, Não exista corpo dobrado, Muito menos bom senso abalado.
Não exista mágoa engolida, Não exista emoção reprimida, Não exista alma sofrida, Muito menos felicidade perdida.
Só desejo que você seja feliz, linda e maravilhosaaa!!! Que sua semana seja linda, seja maravilhosa assim como vc é...
Bjss carinhosos
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
Carlos Drummond de AndradeTento encontrar o meu destino;
Chego a viajar em pensamentos;
Espero ser um sonho, uma realidade em mim.
Nem sempre sei, apenas sinto,
E as vezes sem razões ou motivos;
Logo descubro que é amor.
Sinto algo inesplicavelmente inesquecível.
Assim percebo o amor como um instinto;
Que simplesmente acontece.
Como se tudo fosse premeditado
Como se tudo estivesse ali..
Escrito nas estrelas.
BRINCADERA DI RIMÁ
Vâmu brincá di fazê versu e rimá?
É só fazê versu e rimá, acumpanhandu us versu di trais, us anteriô!
Se ocê num sabê iscrevê im caipirêis, num faiz má ... O importanti é brincá!
Intáo?! Vâmu brincá!
********************************************
Sô o primêru a iscrevê
E os versu dexá
Queru iTô gostanu di acumpanhá
As rima du pessoá
Tá ficanu muitu ingraçadu
Vê ocis tudo rimá
Mais tá fartânu muita gente
Que faiz parte dessi lugá
Ocêis intão cunvida os amigu
Pra vim brincá di rimántão vê voismicê
Meus iscritus acompanhá
***********************
Vâmu iscrevê uma história
Há quantas mão aguentá
Ela cumeça com a lua
E seu lindu brilhá
**********************
Bão sinhá Rachel
Seje beim-vinda no Recantu
Se achegue mêmu di mansinhu
E cum nois podi ficânu
Abri intão seu coração
E di presenti dê pra nóis
Uns versinhu, uma melodia
Umas rima e umas canção
Inté e um beju nu seu coração!
*********************************
Bão Pessoá?!
(Cumpadi Caipirinha)
Bão pessoá, que sodade de ocêis
Tive passanu pruns bão apertu
Mais num me deixei se intregá
E to aqui otraveiz
Num sô homi de pedi arrego
Nas hora apertada que Deus me dá
Num corro das provação
Memu que seja pesado meu jacá
Nas andança da vida se aprendi
Que o Pai num dá pra nois peso maió
Que os lombo consegue carregá
Intão esse peso foi fácil suportá
To de vorta pra cá
Adispois de descançá
Aos pouco vou inté
Uns causo novo contá
A oceis tudo iêu agradeçu
Pelas preocupação e carinhu
Nunca se senti sozinho
Andanu no meu caminho
Intão, intão e um abraçu
Beim apertadinho
Do cumpadi Caipirinha
*******************************
SO PIADAS HUMMMM ...
VÂMU RÍ?... SÓ VALI PIADA DI CAIPIRA
Vâmu rí cum as piada di caipira?
Ocê podi contá a sua pra nóis si rí di nóis.
uá piadin in rimiproza sô!!!!
***********************************************************
O caipira resolve trocar o seu galo por outro que desse conta das inúmeras galinhas. Ao chegar o novo galo e, percebendo que perderia suas funções, o velho galo foi conversar com seu substituto:
- Olha, sei que já estou velho e é por isso que meu dono o trouxe aqui, mas será que você poderia deixar pelo menos duas galinhas para mim?
- Que é isso, velhote?! Vou ficar com todas.
- Mas só duas... Ainda insistiu o galo.
- Não. Já disse! São todas minhas!
- Então vamos fazer o seguinte: Propõe o galo velho. - Apostamos uma corrida em volta do galinheiro. Se eu ganhar, fico com pelo menos duas galinhas. Se eu perder, são todas suas. O galo jovem mede o galo velho de cima abaixo e pensa que certamente ele não será capaz de vencê-lo:
- Tudo bem, velhote, eu aceito.
- Já que realmente minhas chances são poucas, deixe-me ficar a vinte passos a frente - Pediu o galo velho.
O mais jovem pensou por uns instantes e aceitou as condições do galo velho.
Iniciada a corrida, o galo jovem dispara para alcançar o outro galo. O galo velho faz um esforço danado para manter a vantagem, mas rapidamente está sendo alcançado pelo mais jovem.
No momento em que o mais velho ia ser alcançado pelo mais novo, o caipira pega sua espingarda eatira sem piedade no galo jovem. Guardando a arma,comenta com a mulher:
- É o quinto galo viado que a gente compra esta semana!
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çês cunheçem eça?
Três paulistas e um mineiro numa clínica de loucos:
1º. paulista: -
Eu tenho muito dinheiro... Vou comprar o Citibank!
2º. paulista: -
Eu sou muito rico... Comprarei a General Motors!
3º. paulista: -
Eu sou um magnata... Vou comprar a Microsoft!
E os três ficam esperando o que o mineiro vai falar.
O mineiro engole a saliva... faz uma pausa... e diz:
- Num vendo...
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Bão Pessoá?!
(Cumpadi Caipirinha)
Bão pessoá, que sodade de ocêis
Tive passanu pruns bão apertu
Mais num me deixei se intregá
E to aqui otraveiz
Num sô homi de pedi arrego
Nas hora apertada que Deus me dá
Num corro das provação
Memu que seja pesado meu jacá
Nas andança da vida se aprendi
Que o Pai num dá pra nois peso maió
Que os lombo consegue carregá
Intão esse peso foi fácil suportá
To de vorta pra cá
Adispois de descançá
Aos pouco vou inté
Uns causo novo contá
A oceis tudo iêu agradeçu
Pelas preocupação e carinhu
Nunca se senti sozinho
Andanu no meu caminho
Intão, intão e um abraçu
Beim apertadinho
Do cumpadi Caipirinha
: A PRIMEIRA VEZ DO MINERINHO
Joãozinho, mineirinho batuta da quinta serie, escreveu uma poesia na aula de redação, chamada
"A Primera Veiz ":
O céu tava bem craro ,
A lua quasi dorada ,
Ali nu campu eu i ela,
I não si via mais nada.
Sua pele era suave,
As ancas tava exposta,
I eu tocando di leve,
U macio di suas costa.
Num sabendo começá ,
Olhei u corpo isguio .
I dicidi pô as mão,
Sobre seu peito macio.
Eu sentia medo.
Meu coração forte batia,
Enquanto ela divagarinho ,
As suas perna abria.
Inda bem qui cunsigui !
Tudo então melhorô .
Pelo menos desta veiz ,
O líquido branco jorrô .
Finarmente tudo acabô ,
I quasi saio di maca.
Foi assim a primera veiz
Qui tirei leite da vaca.
Êita, gente mardosa ....
*************************************************************
Mais uma minha gente!!!!!!
O alemão e o caipira
Um alemão estava passeando pelo interior de Minas. Encontrou com um caipira e começou a conversar, procurando de toda a forma fazer gozação com o humilde homem. Num certo trecho da conversa, o alemão disse na maior cara-de-pau:
- No Alemanha, o ciência estarr muito avançado, non! Meu vozinha ficarr cego dois vistas e cientistas alemons fazerr dois novas de bolas de vidrro e ele enxerga agorra perfeitamente, non!
- Arre égua! Pois lá em Matutina, meu irmão perdeu a mão na máquina de cortar capim e os médicos de lá puseram uma teta de vaca no lugar da mão e agora, quando ele qué tomá leite, é só espremê um dedo e pronto!
- Ora! Isto ser impossível! Eu querrer verr parra crerr!
- Tá bão! Intão traz a tua vozinha com os óio de bola de gude prá eu vê!
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KKKKKKKK.....issakí tá baum dimái..... maizôta intoncis.....
ói só issss!!!
Uma pesquisadora do IBGE bate à porta de um sitiozinho perdido
no interior.
- Essa terra DÁ MANDIOCA?
- Não, senhora - responde o capiau.
- Dá batata?
- Também não, senhora!
- Dá feijão?
- Nunca deu!
- Arroz?
- De jeito nenhum!
- Milho?
- Nem brincando!
- Quer dizer que por aqui não adianta plantar nada?
- Ah! SE PLANTAR É DIFERENTE...
"Poizé, quem pranta cói, i num é memu sô?!!!!!"
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Otro dia, o cumpadi Ocridi, foi na primêra veiz nu tar di proctologista. Foi fazê ixami da prostata...
Quânu chegô no consurtóriu du dotô, dispois di fazê aqueas pregunta normá, mandô o cumpadi deitá di bruçu e arriá as carça ... Ele, meiu disconfiadu, cabô fazênu o que o seu dotô mandô.
Intão o dotô cumeçô a fazê us ixami nu fiofó du cumpadi Ocridi...
- Dotô, iêu vô gritá, dotô!
- Carma cumpadi! Tenha carma, aqui as coisa são rápida!
- Dotô, iêu vô gritá...
- Grite não cumpadi! Tã cheiu di pacienti lá fora, isperânu ... o quê eles vão pensá? Carma que tâmu acabânu ...
Dispois di Ocridi se aguentá cum aquilo ...
- Dotô... Dotô... num aguentu mais ... vô gritá!
- Vai cumpadi (disse o dotô)... podi gritá ...
Ê TREIM BÃO SÔ!!!
O cumpadi Ocridi num ficô satisfeitu e o dia seguinte foi ni otrô dotô, pra uma segunda opinião!
inté, intão!
***********************************************************
A garota nunca usou nada por baixo. Um dia precisou sair e, não se sabe por que, pegou um saco de algodão e costurou uma calcinha. Ficou joinha.
Vestiu e tomou um ônibus. Lá dentro, um caipira sentado na frente dela, não parava de olhar pra suas pernas. Uma hora ela não aguentou mais:
- Que foi, zé mané, nunca viu uma calcinha?
- Vi sim, dona. Mas nunca escrita "Ração pra pinto".
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cumadi Nilma....KKKKKKK...Ração pá pinto foi d+++.
óia essa "verdadi verdadêra" sô!!!! num é piada naum......via vênu.....
Caipiras na cidade...
O casal de caipiras velhinhos resolve finalmente deixar o torrão natal para visitar a capital.
Eles estão num shopping e assistem a um desfile de modas para apresentação da coleção de maiôs e biquines de uma grife. Vendo esse espetáculo, o marido fica com os olhos literalmente arregalados.
A mulher passa-lhe um sermão:
- Ei Tião, parece inté que ocê nunca viu perna e peito de mulher antes!
O caipira responde:
- Sabe que eu tava pensando a mesma coisa, muié???
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Noite, pessoar! O Depoimento do Caipira
O caipira pensou melhor e decidiu que os ferimentos que sofreu num acidente de trânsito eram sérios o suficiente para levar o dono do outro carro ao tribunal.
No tribunal, o advogado do réu começou a inquirir:
- O senhor não disse na hora do acidente: "Tô muito bem"?
E o caipira responde:
- Baum, vô cuntá u ki kunteceu. Ieu tinha cabadu di colocá minha mula favurita na caminhoneti..
- Eu não pedi detalhes! interrompeu o advogado.- Só responda à pergunta: O senhor não disse na cena do acidente: "Tô muito bem"?
- Beim, ieu coloquei a mula na caminhoneti i tava descendu a rudovia...
O advogado interrompe novamente e diz:
- Meritíssimo, estou tentando estabelecer os fatos aqui. Na cena do acidente este homem disse ao patrulheiro rodoviário que estava bem. Agora, várias semanas após o acidente ele está tentando processar meu cliente, e isso é uma fraude. Por favor, poderia dizer a ele que simplesmente responda à pergunta?
Mas, a essa altura, o Juiz estava muito interessado na resposta do caipira e disse ao advogado:
- Eu gostaria de ouvir o que ele tem a dizer.
Genival (o caipira) agradeceu ao Juiz (gradicidu) e prosseguiu:
- Cumu ieu tava dizenu, coloquei a mula na caminhoneti i tava descendu a rudovia quandu uma picapi travessô u sinar vermeio i bateu na minha caminhoneti beim na laterar. Ieu fui jugadu fora du carru prum ladu da rudovia i a mula protuladu. Ieu tava muitu firidu i não pudia mi movê. Di quarqué forma, ieu pudia uvi a mula zurrandu i grunindu i, pelu baruio, ieu pude percebê qui u istadu dela era muitu gravi. Logdispos du acidenti, u patrulheru rudoviáru chegô au locau. Eli uviu a mula gritandu i zurrandu i foi inté ondi ela tava.
Dispois di dá umoiada nela, eli pegô a arma i atirô beim entriusóio du animar.
Entaum, u puliciar travessô a istrada com sua arma na mão, oiô pra mim i dissi:
“Sua mula estava muito mal e eu tive que atirar nela.
E o senhor? Como está se sentindo?"
PRECURANU UM AMÔ!
Fui au incontro da noiti
Vaguemu pelas madrugada
Preguntei a todas as instrelas
Ondi anda minha amada?
A lua num me disse nada
As pedra da rua neim me arrespondero
As fulô, tudu drumindu naquea hora
Ansim me arresorvi vim simbora
Intão ao raiá da orora
Cum o sór imprranu a noiti
Preguntei: aqueceu meu amô?
E eli neim uma palavra falô!
Intão seguind minha istrada
Infeitada de árvuris e fulô
Cuns passarinhu em revuada
Preguntei se viru meu amô
A rosa, toda facêra
Oiô pra margarida e falô
Esse tá tãum perdidu
Que neim sabi du seu amô
U pé di piqui todu prosa
Se balançanu pro de jambu rosa
Sorrisu matrêru comentô
Esse Caipirinha num percebeu
Seu amô num si perdeu!
A coruja inteligenti
Se arresorveu cunversá
Caipirinha venhá cá
Que vô lhe preguntá!
Já procurô u seu amô
Aondi ele devi di tá?
Tenhu certeza que não!
Ocê lá num procurô
Seu amô há di istá
Onde ocê o dexô!
Tá certu dona coruja!
Intão pra lá vô vortá
Vô prega nu sonu
E continuá a sonhá!
AINDA QUERO SI CASÁ
Muitus passus eu dei
Pra incontrá uma sinhá
Que pudessi mi amá
E mais iêu se casá
Mais num tive sorti
De uma cabrocha incontrá
Pra nois dois si incantá
E da vida se aproveitá
Intão tô aqui
Sozinhu e seim carinhu
Quero logo uma cabrocha incontrá
Pra morá mais iêu nu meu cantinho
ADEUS DO CAIPIRINHA - CARTA PARA NININHA
Minha minina Nininha!
Isperu que essas már traçadas linha, quanu em suas mão chegá, incontre voismicê cum seu coração tranquilu e cuns perdão a transbordá!
Tô se adespedinu da sinhá! Vô pru meu recanto vortá pra mió podê cuidá dus piá que vão chegá.
Amuntei nu seu coração, fiz deli minha paióça, si isquentei nu seu fogu e brasa, colhi as fruta que semiei e adispois de tantu pelejá, num teim mais jeitu, tenhu que se arretirá.
Voismicê me feiz muitu filiz, enquantu nóis se preparava pra casá, mais u destinu não quis dexá a nossa vida continuá e juntu na nossa istrada caminhá.
Intão, fique cum as certeza, que ocê foi a muié dus meu sonhu! Mais eu num subi ti dá valô e perdi meu grandi amô!
Inté, meu amô e te dexu uma canção!
Num aprendi dizê adeus
Num sei si vô mi acustumá
Oianu ansim nus zóiu seu
Sei que vai ficá nus meu
As marca dessi oiá
Num tenhu nada pramodi dizê
Só os silençu vai falá pru iêu
Iêu sei guardá a minha dô
E apesá di tanto amô
Vai sê mió ansim
Num aprendi dizê adeus
Mais tenhu qui si aceitá
Que amores veim e vão
São avis de verão
Se ocê tem que me deixá
Que seje intão filiz
Num aprendi dizê adeus
Mas dexo ocê í
Sem lagrima nu meu oiá
Se o adeus me machucá
O invernu vai passá
E apaga as cicatriz
Intão, Nininha!
Ondi qué que iêu vá e ondi iêu istivé, nunquinha vô isquecê, dessa linda prendada muié!
Sempri ocê vai tá nu meu coração!
Adeus, Nininha!
Adeus!...
A Deus: - Cuidi beim da Nininha!
Seu Joca, o poeta cumpadi Caipirinha
_____________________________________________________
Não aprendi dizer adeus / Joel Marques
Versão e tradução para o caipirêis / Joca Caipirinha
CARTA PRO CAIPIRINHA
(Tânia Regina Voigt)
U XUPIM I U TICO-TICO
Joca Caipirinha,
Ispéru qui quano arrecebê
Estias már traçadas linha
Qui ocê num venha si
arrependê neim uma só veizinha,
Das bobági qui acabo di fazê
Ieu já tava memu discunfiada
Du qui podia acunticê na sequênça
Deisdi qui arrecebí aquéia correspondença
Dandu conta di qui tinha
ti inrabichadu cuma prenda assanhada
Óia só, a carta qui arrecebí,
Diz qui vóis micê, ta qui neim tico-tico, u passarim
Qui di bobo qui é, cria fio di xupim
Inda faiz papér di muléqui guri.
Dêxa di casá Cuma prenda sincera,
Qui sempri lhi arrespeitiô, (Num si isqueça!)
Pra ficá cuma ordinária quei lhi infeitô as cabeça.
Intonsis vá, i veja u qui lhi ispéra.
Ieu num vo morrê
Neim vo sinti sodadi
Quéio ficá beim longi di ocê
I di toda essa barbaridadi!
Prendada cumo sô
Num há di mi fartá
Im siguida, um novo amô
Qui quera cumigu si casá.
Inquantu u qui vai sobrá pra vóis micê
É us fio dus otros pra criá.
Bem feitio! Inté andá di cabeça agachada,
vai tê qui aprendê!
Inté, intão!
Assina: Nininha, uma prenda fromosa i casadoira.
Anéxu: Correspondença qui arrecebi.
... continua
Sinhá Nininha
Eu sube do seu casamento, mai tenhu uma
históra ruim pra ti falá. Uma prima da
cidade preparô um górpe pra acabá cum
essi casamentu. Tá grávida dum bacana,
qui sempri diz que ama ela, mai é casadu i
num vai podê assumi us compromissu.
Pur issu iscolheru um caipira dessis que num
intendi nada i, ela deixô êli dá uma bimbada,
iscondeu as ropa di guerra, (ropa di muié da vida)
i, cum cara di disisperada, vai se apresentá
pru tonto dizeno qui tá imbuchada deli.
Qui êli num é u pai ela num si importa,
(só importa é que êli pensi qui é). U qui ela qué,
é o que êli tem, uma fazendinha razoávi i um gadinho.
Poca coisa pertu du qui a rapariga pretende, mai podi
istá certia qui antis di metê u pé na bunda deie,
ela limpa até o úrtimu fiapo que êli tem.
To ti contanu pruque sei qui ocê tá preparanu u enxovár
i é moça dereita. Fiquei cum dó di vê ocê vendê a porca
da sua vó, pra arranjá dinheru pra comprar aquéia corcha
di retaiu pru adúrtero deitá. Si sobessi qui êli ia casá
cum ocê ficava quéta, mai sei qui ela vai si apresentá
embuchada. I, tonto qui só, êli vai caí na dela i querê
mantê a HONRA. I, ocê vai perdê seu tempu e dinhero,
pur issu ti avisu, mai num sei qui atitudi ocê deve di tomá.
Sua amiga Mafarda.
... continua
E a carta da Nininha cuntinua….
PêÉSSI:
Essa correspondença mi dexô furiosa qui neim brasa
Puis, ieu num sô muié di levá disaforu pras casa.
Anssim, tomei minha dicisão,
Num teim mai casório não!
Fui correno na capela falá mai u vigáriu
I contei tudu pra êli u qui mi feiz u ordináriu
Intonssis traçamu dereitinhu nossus planu
U vigáriu num aparicia i nóis ingambelava u fulanu
Tava lá na capela um rapaiz apessoado
Qui mivenu chorandu, veiu pru meu lado
Mi dissi: _ Fiqui tranquila, ieu sô u Sertanejo
I se ocê quisé daqueie desavergonhadu ti protejo.
Na hora qui u disgramentu pensá
Qui as mão im ocê vai botá
Nóis disparêmu na éguinha serroti
I si êli si bestiá, vai vê u pesu du meu chicóti.
I livrai-mi São Pedru
Qui di xupim ieu tenhu medu
Mi acódi ligerinhu, Santu Antonhu,
Qui nu lugá di caipirinha otro ieu ponhu.
I di lá du fundu du meu coração,
Nessi deseju di sê filiz,
Vem um gritu facero, qui beim artu diz:
VIVA SÃO JOÃO!!!
Nininha
E a carta da Nininha cuntinua….
PêÉSSI:
Essa correspondença mi dexô furiosa qui neim brasa
Puis, ieu num sô muié di levá disaforu pras casa.
Anssim, tomei minha dicisão,
Num teim mai casório não!
Fui correno na capela falá mai u vigáriu
I contei tudu pra êli u qui mi feiz u ordináriu
Intonssis traçamu dereitinhu nossus planu
U vigáriu num aparicia i nóis ingambelava u fulanu
Tava lá na capela um rapaiz apessoado
Qui mivenu chorandu, veiu pru meu lado
Mi dissi: _ Fiqui tranquila, ieu sô u Sertanejo
I se ocê quisé daqueie desavergonhadu ti protejo.
Na hora qui u disgramentu pensá
Qui as mão im ocê vai botá
Nóis disparêmu na éguinha serroti
I si êli si bestiá, vai vê u pesu du meu chicóti.
I livrai-mi São Pedru
Qui di xupim ieu tenhu medu
Mi acódi ligerinhu, Santu Antonhu,
Qui nu lugá di caipirinha otro ieu ponhu.
I di lá du fundu du meu coração,
Nessi deseju di sê filiz,
Vem um gritu facero, qui beim artu diz:
VIVA SÃO JOÃO!!!
Nininha
CASAMENTU QUE DEU XABÚ – Parti Um
Bão pessoa! Bão tameim!
Ocêis tudo devi di tá sabenu, que meu casóru mais Nininha deu xabû. Pois agora vô contá o que se aconticeu!
Dispois de tudo pronto, pro casóriu se sucedê, fui inté o currá, pra modi água du juelho tirá.
Intão chegô di fininhu o Zédoscorrêio, cum carta pra intregá! Era carta da sinhá Mariquinha, que antis mais eu ia se casá e sem quê neim pruquê disaparecêu daqueli lugá. A carta tava iscrita ansim:
JOCA,
Ocê se alembra da festança na casa da cumade
Tonha? Nóis enchemo a pança e bebemo
Vinho inté pelo zóio?
Adepois eu num to lembrada di como cheguei
Em casa.
Só sei dizê pro ce que adepois disso comecei
A ingorda e o povo ta falandu que eu to com
Barriga d’água, otros falam que eu to com
Bicha, outros fala que eu to com prisão nos
Ventre.
Nóis nus separamo porque o ce deu em riba
De outra e eu sô ciumenta.
Mas vortando pra barriga, a Sinhá Maria da Luiz,
Parteira de mão cheia, falo que eu to prenha e
Agora ocê vai tê qui dá um jeito.
Eu num vô ficá mãe sorteira!
Eu já tinha arrumado outro casório com um
Primo distante, nunca vi a cara do sujeito e te
Pregunto o que é que o ce vai fazê agora?
Na hora que meu pai sabê da estória, ocê qui
Se vire, ou casa ou vai morrê de morte matada.
Ah! O Joquinha é pra méis de agosto e o tadinho
Ta tudo apretado, to enfaixando a barriga pra
Escondê o fato.
Inté e se vira!
Mariquinha
Pois é, intão foi issu qui aconticeu!
Na próxima ocêis vão sabê mais!
Inté, intão e um abraçu du cumpadi Caipirinha!
...CONTINUA
CASAMENTO QUE DEU XABÚ – Parti Dois
Poisé pessoa! Intão, dispois di eu tomá aquêi sustu cum a carta da sinhá Mariquinha, fui imbora pra minha roça. Dexei a Nininha isperânu nu artá, cuns padrinhus, u vigáru, que num podi vim mais mando representanti.
Cheganu na minha roça, fui logu iscrevenu pra sinhá Mariquinha e mandei que o Zéduscorrêiu levassi logu:
Sinhá Mariquinha!
Craro que se alembru das noite daquele festão
Nois dancemu a noite toda, se abracemu e se peguemu
Enchemu u pote di vinhu e quentão
Tevi umas hora di comemoração, fomu pra detrais du barracão
A coisa fico tão bão, inté que o cumpadi Bastião
Pegô eu cum aquilu na mão
Nois fiquemu tudo sem graça e vortemu pra dançá bailão
Mais du restu num se alembru não, só sei que o treim foi bão
Se alembro de tê levadu ocê pra casa
Fomu mais iêu e a sinhá Honestina
Aquela moça prendada, que us homi dava tudu em cima
Nois treis tava tudo animadu, cum as cabeça virada
Sentemu nais páia du paiol e virêmu as madrugada
Fizêmu a maió farra, mais num se alembru di nada
Agora veim ocê, dipois de disaparecê
Mi trazenu essa notícia, que vai ganhã bebê
Ocê me abandono, sem eu sabê pruquê
Pru causa di ciúme? Ciume di que?
Agora veim ocê, sinhá, meu casamento istragá
Isperô tantu tempu, pra essa história me contá
E agora, o que possu fazê? Se o sinhô seu pai é di lascá!
Prefere a filha viúva, do que mãe sortêra ocê ficá
O que eu vô fazê? Agora ocê vem perguntá?
Já se arresorvi! Vô procurá o tár de DNA
Dizem que ele é bão de adivinhá, se us minino é du casá
... continua
E agora, sinhá, comu vô mi ispricá
Tá todo mundo mi isperanu, pras festa du arraiá
Vô tê que dexá a Nininha, mi Isperanu no artá!
Se o Joquinha fô mesmu meu fíu, dispois das adivinhação
Num sei como vô fazê! Mais casá, cum ocê
Iêu num casu não!
Agora ocê me dexô, qui neim balança mais num cai
Tenhu medu que o Joquinha, viva sendu orfu di pai
E a mãe viúva de um Caipirinha
E agora! Cumo iêu vô saí dessa inrrascada?
Inté, intão, que tô lascadu!
CAUSU DU CASAMENTO QUE DEU XABÚ
(Poeta Caipirinha)
O Caipirinha ia se casá cum a sinhá Mariquinha, tava tudo já prontu pra modi o casóru aconticê, mais dispois de uns disincontro a Mariquinha sumiu, disaparecêu seim dexá notícia e pista arguma!
Intão, o Caipirinha qui não é homi di ficá sozinhu, logu cunheceu a sinha Nininha, por ela si apaxonô e marcaru casamentu nas festa junina nas vespera de São Juão!
Tava tudo prontu e arrumadu. Tavão lá o cumpadi Juão Netu e as sinhás Craudeti, Tânha Voigt, Jô Tauil, Tânha Cardosu, Cunceição Lemus e a mãe do padre Jorge, sinhá Stella, que veiu cum procuração pramodi casá iêu mais Nininha.
Intão, quanu fui pro currá, pramodi tirá água du juelhu, chegô o cumpadi Zéduscorrêiu cum carta da sinhá Mariquinha dizênu que tava prenha di iêu e isperânu um Joquinha prus mêis di agostu.
Num pudi mais casá. Saí di fininhu pra modi se arresorvê os pobrema e fui pra minha roça, dexânu Nininha prantada no artá, isperanu pra mais iêu se casá. Ficaru tu lá isperânu, inté a madrugada chegá.
Na semana seguinte fômu iêu mais Mariquinha pra modi fazê o tár do DNA, pois nóis num se alembrava di nada, muitu quentão e vinhu na cabeça, nóis se perdêmu dus aconticido que se passáru na festa da cumadri Tonha.
Intão cum as nova tecnologia fizeru tirá sangui do Joquinha que tava di sete mêis, tudo apertadu nas barriga taméim apertada da Mariquinha. Tiraru sangui meu mais Mariquinha e num sei o que a tár da cumadi Honestina, aquéia que os homi dava tudo insima tava fazênu lá taméim ...
Passáru os tempo e fômu pegá os resurtado.
Resurtado: Positivu... sô pai do minino mêmu!
Intão fômu sentá e conversá cum o cumpadi Camargu, pai da Mariquinha.
... continua
- Bão cumpadi Camargu?... Bão taméim!... Possu me entrá?
- Acabe di entrá cabra, sente e vâmu cunversá mais iêu... Tome uma branquinha pra modi isquentá as palavra!
- Num bebu em serviçu, cumpadi!
- Ara!... Ocê num vêiu a serviçu homi!... Ocê veiu é pidi a mão da minha fia em casamentu e já tá dada!... E num tem vorta, num quero minha fia carreganu mininu nas costa sortêra não vici!... Prefiru ela viúva de ocê!... E ocê? O que acha cabra!?
- Uái!... Já que as proposta são essa e num tenhu braganha ... o jeitu é casá!... Num quero vê o Joquinha órfão di pai não!
- Pois é!... Intão vô chamá a Mariquinha pra ocêis se arresorvê cum as data que quero pra já!... E sem festa!... Num quero o povo falanu da minha fía casânu buchuda, prenha não!
Então o cumpadi Camargu mandô chamá a Mariquinha e nois se arresorvemu casá no sábadu, em casa mêmu e era só mandá chamá o dotô iscrivão du Cartório e pronto.
Mas a Mariquinha veio também cum otra situação ... que me dexô isquisitu ...
- Caipirinha, ocê num se alembra nadinha du quê aconticeu?
- Num se alembru di nada, Mariquinha!... Só se alembro que nóis tava lá nas páia de mío nu paiol, iêu, ocê mais a sinha Honestina!
- Pois ói homi, safadu!... Ocê bulinô cum nóis duas vici!... Emprenhou iêu mais a cumadi Honestina!... Ela proveitô e feiz taméim o tár do exame de DNA e ocê é pai do Zequinha taméim!
-Zequinha?!... Iêeeeeeu!
- Ocê memu, cão disgramentu!... Que emprenhô duas no mesmu dia!
- Iêuuuuuuuu!!
- Ocê sim!... Agora é que as coisa vão ficá preta pru seu ladu vici!... Ocê vai casá cum eu e ela vai morá mais nóis!... Ô cá!... Ô lá na sua roça!... Mais casá, casá só mais iêu!... Já tá tudo se acombinadu... Iêu mais cumadi Honestina já se acertamu e ela só qué que ocê cuide dela e du fiu di ocêis, num qué casá nem brigá!... Intão, o que você arresorve!
... continua
Ocêis já tão tudo cas combinação ajeitada?
- Já, cabra safadu!
- Uái, num tenhu iscapatória!... Vâmu tudo pra minha roça que cuido do Joquinha e do Zequinha ... Vai sê inté bão uma dupra caipira na famía!... oquinha da viola e Zequinha da sanfona ...
Intão foi isso que aconticeu... Num se alembro de nada, Mas que devi di tê sido bão, ah!... Isso devi!
.
Agora tenhu que cuidá das muié, que pro mêis us mininu tão paridu ...
Nininha me adescurpe, mais num tive comu casá mais ocê!
Pessoá, me adescurpe taméim, promodi dexá ocêis tudo isperanu e procuranu iêu!
Inté, intão!... Que a vida vai sê difíci cum duas muié em casa, tudu prenha, isperânu dois mininu pru méis que veim!
Mais vô a vida levânu, chorânu cum a viola e puxânu o fole da sanfona. Insaianu as música pra fazê mininu drumi e duas muié pra dá conta.
Agora ansim, preciso das gemada du cumpadi Juão Netu, dos ovo de pata e da garrafada du cumpadi Jorge LInhaça.
Inté, intão!... Mais meu amô du coração, tá na morena do meu sertão! Nininha num fique triste. Vô dá um jeitu di casá mais ocê um dia!
Um abraçu du cumpadi Caipirinha, que si metêu numa confusão!!! To num matu seim cachorru, cheiu di onça pintada e parda!
