Coleção pessoal de alinecanto86
A hipocrisia me enoja porque é uma questão de escolha e não de essência!
Aline de Campos CantoNo peito, toda realidade é insana.
Natacia AraújoA Arte é a verdade que a realidade não mostra!
Aline de Campos CantoVerdade seja dita: no Amor, nem adianta correr atrás... ou não precisa, ou não adianta!
Aline de Campos CantoA Razão e a Fé são como a água e o óleo: há sempre um alguém querendo misturar simplesmente para provar que não se misturam.
httptwitter.comOCriadorQuanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.
Friedrich NietzscheMinha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia….”
Friedrich NietzschePoema do amigo aprendiz
Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Soneto do amigo
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
O círculo é a forma eleita
É ovo, é zero.
É ciclo, é ciência.
Nele se inclui todo o mistério
E toda a sapiência.
É o que está feito,
Perfeito e determinado,
É o que principia
No que está acabado.
A viagem que o meu ser empreende
Começa em mim,
E fora de mim,
Ainda a mim se prende.
A senda mais perigosa.
Em nós se consumando,
Passando a existência
Mil círculos concêntricos
Desenhando.
lembra o tempo
que você sentia
e sentir
era a forma mais sábia
de saber
e você nem sabia
Te procuro
nas coisas boas
em nenhuma
encontro inteiro
em cada uma
te inauguro.
Arrumando o Quarto
Hoje mexi em tuas coisas
Em tuas mínimas coisas
Em teus pequenos vestidos
Tuas sandalinhas
Em pedaços de coisas
Que ganhavam vida em tuas mãos
Ouvi teus passos curtos
Te reencontrei em gavetas fechadas
Armários intocados
Brinquedos mudos
Chorei entre tuas roupas
E precisei me dizer
Para não naufragar
Não mexe aí, mamãe
Poema ao mais recente amor
Estar entre teus pelos e dedos,
entre tua densidade,
neste transpirar sob medida
aos teus gemidos.
Estar entre teus trópicos,
entre o teu desejo e o meu prazer;
beber parte de teus líquens e teus rios
percorrendo-te da foz até a origem,
e pura a cada amor partir mais virgem.
ME ASSUSTA E ACALMA
SER PORTADORA DE VÁRIAS ALMAS
DE UM SÓ SOM COMUM ECO
SER REVERBERANTE
ESPELHO, SEMELHANTE
SER A BOCA
SER A DONA DA PALAVRA SEM DONO
DE TANTO DONO QUE TEM.
Se te pareço ausente, não creias:
hora a hora minha dor agarra-se aos teus braços,
hora a hora meu desejo revolve teus escombros,
e escorrem dos meus olhos mais promessas.
Não acredites nesse breve sono;
não dês valor maior ao meu silêncio;
e se leres recados numa folha branca,
Não creias também: é preciso encostar
teus lábios nos meus lábios para ouvir.
Nem acredites se pensas que te falo:
palavras
são meu jeito mais secreto de calar.
Se tu viesses ver-me...
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente.
Florbela EspancaSoneto de Fidelidade
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Não sou melhor do que ninguém, mas tenho a obrigação de ser melhor do que sou (sempre)! A imagem de si mesmo nunca será igual as que os outros têm!
Aline de Campos Canto e Renato Ziegelmeyer