Carta para AvÓ

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Ajusto meu paletó , enfeito-o !
com as flores tombadas , (ó minha querida avó !)
varridas pela fúria negra dos vendavais
de ti quando me sais pelas queimadas , almas !
na areia dos arrozais estendidos
nos olhos afogados que sufocados são vozes
das lágrimas !
Onde guardo o assobio desafinado
deste tão frágil fio , quebrado !
que é de frio ...
a soluçar pelas noites das bocas amarradas , dormindo !
acordadas ao lado do silêncio , sepultado !
E agora , que mais bela não poderia ser , a lapela !
os gritos que costuraram nela , acendem
acendem ...
uma vela ...


[Távola De Estrelas] Açucenas de Pedra

Luiz Sommerville Junior

1 de novembro de 2015
Cai no álbum de retratos. Quem diria, vó!
Foram tantas as vezes que você ficara que a gente principiou a te acreditar sublime, a te pensar eterna, a te desejar inefável. Fico com as minhas palavras cosméticas, sem ter como te fixar no escuro. Mas não seria justo, avó, não seria certo. Porque você sabia de cor o nome de tantas ruas por onde já não pisava, a receita de tantos bolos que já não fazia. E aquela fraqueza de sempre. Não faz mal, avó.
O universo continuará sem ti. Com você, extingue-se um mundo de coisinhas. Terá importância? Aquela casa, sua, será alvo de imobiliárias predadoras. O número 48, tão simples, da rua Colonização. Ao redor da casa, despontam prédios. Arranha céus imensos ganham terreno. É tanta modernidade, vó! A nossa rua vai ficando encolhida e, com ela, a casa, o jardim, a soleira da porta.
A vizinhança parece dormir, as visitas rareiam. As vizinhas do seu tempo já não aparecem com frequência. Um ou outro nome desaparece. Você continua. Faz setenta, oitenta, quase-noventa anos. Sente saudade, mas não deixa transparecer que nossa pouca idade não alcança suas lembranças, suas memórias. Conta histórias de menina que a gente escuta com cuidado. Diz lembrar fatos que lhe aconteceram com três anos – e eu acredito. Tem memória boa. Sabe de cabeça o aniversário de muita gente. Guarda tanta, tanta vida.
Como você, eu não encontrei ninguém. Sentada na cama, seus olhos marejam, sua expressão vagueia – quase chora.
“Eu só tenho pena de deixar minhas coisinhas” – não faz mal, vó.
Suas coisinhas vão com você. Boa noite.
Dorme com os anjos.
Gi.

Claudiomazaropi

Sublimidade das mãos...
(Nilo Ribeiro)

Claro que é uma analogia,
diferente não poderia ser,
assim é minha poesia,
assim é o meu escrever

mãos do agricultor
que trabalham a natureza,
colocam comida e sabor
sobre a nossa mesa

mãos do operário,
progresso da nação,
trabalham pelo salário,
buscam o bendito pão

mãos do policial,
nos dão segurança,
no seu habitual
nos dão confiança

mãos de um maestro
que regem uma orquestra,
seja canhoto ou destro,
é sempre uma festa

mãos do padeiro
que nos alimenta com energia,
na verdade é um obreiro
nos dando o pão de cada dia

mãos de uma criança,
que nos dão muito carinho,
nos enchem de esperança,
abrandam o caminho

mãos de uma avó,
que acalentam e adulam,
elas nunca nos deixam só,
são bálsamos que curam

mãos do educador
que nos dão o ensino,
é arte com tanto amor
que beira o divino

mãos da costureira
que cosem com disciplina,
transforma como brincadeira
a menina em bailarina

mãos do instrumentista
que bailam as notas musicais,
nos alegram e enfeitiçam,
nos fazem anjos celestiais

mãos do poeta
que nos levam ao sublime,
o supremo se manifesta
nas palavras que exprimem

mãos da medicina,
que cuidam do nosso corpo,
nos dão visão e disciplina
para nosso bem e conforto

mãos da artesã
que trabalham com alegria,
nos despe do nosso afã
fazendo arte com poesia

mãos do jardineiro
que acariciam a flor
é de Deus um mensageiro
que mostra o caminho do amor

mãos de mamãe e papai,
protegem e dão guarida,
de amores se sobressaem
reverberam nossas vidas

Mãos do Nosso Senhor
que sejam sempre louvadas,
nos guiam com amor
fazem nossas vidas abençoadas

minhas mãos postas
rendem-lhe homenagem,
esta é a minha proposta
oferecer-lhe esta mensagem...

Nilo Ribeiro

Sinto saudade ...

SINTO SAUDADE DO ME AVÔ
A PESSOA MAIS LINDA QUE CONHECI
UMA PESSOA QUE ME AMAVA MAIS DO QUE A SI MESMO
QUE FAZIA DOS SEUS SONHOS OS MEUS
QUE ACREDITAVA EM MINHA MALUQUICES
QUE SORRIA DO MEU JEITO MOLECA DE SER
QUE ME ACONSELHAVA A CADA DIA ME ENSINANDO A VIVER
QUE QUANDO ME VIA TRISTE ME DIZIA SORRIA
QUE ME ENSINOU QUE TUDO É POSSIVEL BASTA ACREDITAR
QUE ME ESNINOU A VER O LADO BOM DE TUDO MESMO QUE RUIM
QUE ME MOSTROU O CAMINHO E ME TORNOU ESTA MULHER QUE SOU
QUE PASSAVA HORAS CONVERSANDO COMIGO NO BANQUINHO DA PRAÇA
QUE ME DIZIA QUE OS PROBLEMAS POR MAIORES QUE PAREÇAM UM DIA ACABA
QUE ME ENSINOU A SER FORTE NOS MOMENTOS DIFICEIS
QUE ME ENSINOU A AMAR O RPOXIMO COMO A MIM MESMA
NOSSA QUE FALTA ELE ME FAZ
SABE ANJO AS VEZES ME SINTIA A DERIVA MAS NO MEU MAR ELE TAVA ALI SEMPRE
PRONTO PRA ME GUIAR ,E HOJE SEM ELE POR PERTO AS VEZES ME PERCO
AS VEZES ME ENFRAQUEÇO E FICO A DERIVA ,E SINTO A FALTA QUE ELE ME FAZ
NOSSA E COMO FAZ...

Bruna Trenelly

TRECHO DE: AS MARGARIDAS DO QUINTAL DO MEU AVÔ

Você nunca entendeu o porquê eu tacava a bola com força em você, então. Não era pra te castigar, mas para te mostrar que você é tão frágil quando uma margarida. E que dependendo da força que você tacava a bola, deixava marcas, eternas. Mesmo que a eternidade da margarida durasse um dia.

Mayara Freire

Não confie na frase da sua avó, de sua mãe, de sua irmã de que um dia encontrará um homem que você merece. Não existe justiça no amor.
O amor não é censo, não é matemática, não é senso de medida, não é socialismo. É o mais completo desequilíbrio. Ama-se quem a gente odiava, quem a gente provocava, de quem a gente debochava. Exatamente o nosso avesso, o nosso contrário, a nossa negação. O amor não é democrático, não é optar e gostar, não é promoção, não é prêmio de bom comportamento.
O melhor pra você é o pior. Amor é ironia.

Fabrício Carpinejar

tinha um pé de quebra queixo.


era esse o nome que meu avô, dava a fruta.
que até hoje ainda nao emcontrei de novo.
depois de grande, voltei no lugar.
lá pelo meio da chácara da infância. e procurei a árvore.
o que antes, era verde e vivo. como minhas corridas de um canto a outro na infância.
estava seco e diferente. morrendo.
e a árvore ja não florescia mais.

eu não sei bem, se por que naquele dia.
ali pelos meus 6 anos de idade.
meu primo tinha feito uma casa de árvore la em cima.
dessa bendita árvore que tinha uma casa de joão de barro e essa fruta.
e eu me lembro bem daquela tarde cheia de sol em que a gente brincava la.
e minha avó, berrava meu nome pra descer. lá da outra casa.
um eco longe e repreendedor.

eu só sei. que quando alguem me pergunta:
fruta preferida.
eu minto.
digo: morango, kiwi, maça, siriguela.
qualquer coisa que venha na hora.

afinal, quem aqui já viu um pé de quebra-queixo?




(Crys de Almeida)

Crys de Almeida

para a minha avó
minha avó é uma obra de Deus
que com a sua cançao e de todo seu coraçao louva ao Senhor
ela ama sua familia e é um exemplo de mae
nos momentos de tristeza é nos traz paz e conforto com suas palavras mansas e sabias
ela é minha avo e me orgulho disso
eu a amo de todo o meu coraçao es um presente do senhor

Débora Cristina Coelho da Rocha

SOBRE O CHORINHO , MEU AVÔ E EU

O meu avô era um chorão.
Para quem não sabe, chorão é tocador de chorinho, esse gênero musical genuinamente brasileiro.
Herdei geneticamente de meu avô, a quem não conheci pessoalmente, um carinho especial pelo “Brasileirinho”, pelo “Assanhado”, pelas “Noites cariocas”, pelo “Carinhoso” e por tantas outras peças geniais. Aliás, até me arrisco de vez em quando e humildemente, a tocar essas músicas.
Já disserem que o nosso chorinho equivale, em riqueza musical , ao Jazz de Nova Orleans. Discordo!
É bem superior! Tanto na melodia, quanto no ritmo e na harmonia! Isso, sem contar as letras que sempre tem o toque do romantismo, da sátira e da alegria que só o brasileiro tem. Coisas que só um chorão pode entender... !
Voltando a meu avô, sei pelo meu pai, que ele foi para o interior paulista afim de fugir da polícia getulista. Lá ele ajudou espalhar , com seu regional e com seu virtuosismo, as variações-da-beleza e os improvisos-entusiasmadores de seu cavaquinho.
Passados mais de sessenta anos esse seu neto-da-resistência-cultural, também vive fugindo de outra polícia, a do comando-de-caça-aos-hereges. Mas aí eu não fico triste não!... Ao contrário, evoco o choro mais alegre de Waldir Azevedo:

O brasileiro quando é do choro
É entusiasmado quando cai no samba,
Não fica abafado e é um desacato
Quando chega no salão.

Não há quem possa resistir
Quando o chorinho brasileiro faz sentir,
Ainda mais de cavaquinho,
Com um pandeiro e um violão
Na marcação.

Para Giovani e Kauan, meus filhos...amáveis chorões.

Carlos Alberto Rodrigues Alves

VOVÓ @. COM



Raquel de Queiroz me encanta sempre que leio “A arte de ser avó”, que mais parece uma declaração de amor do que uma crônica. Além do manejo perfeito das palavras, não há como desvincular o texto da serena figura da escritora, com aquele jeito de avó. Fofinha, de óculos, sorriso complacente, meiguice e doce cumplicidade. Vovó como mandava o figurino. Como foi a minha e a de tantas vovós de hoje.
Pois é, como tudo mudou com a aceleração da modernidade, as avós mudaram também. Não no mais importante, creio eu, que é no quesito amor maternal elevado à potência dez, mas na forma como esta relação tão especial acontece entre netinhos e vovós nos tempos de @.com.
Mudaram as avós ou mudaram os netos? Inclino-me a afirmar que a mudança maior atingiu as avós. Simples, as mulheres mudaram e isso independe do grau que ocupam na hierarquia familiar. Dos vinte aos oitenta os cosméticos, a academia, o vestuário muda muito pouco. Os hábitos também. Não causaria nenhuma surpresa encontrar a avó curtindo a mesma balada que a neta, visitando a mesmas lojas de jeans, fazendo o maior sucesso nas rodinhas de conversa. Afora as experiências e histórias que compartilham com os jovens sem nenhum constrangimento. Tem ainda a confiança inabalável e o prestígio que uma avó possui com seus netos. Mãe é para educar, reprimir , colocar limites, dizer não, impedir. Vó não, esta é para defender, dar cobertura às peraltices que mãe não tolera, ouvir segredinhos (e guardá-los), alcançar aquele dinheirinho extra, comprar e dar de presente um tênis de marca que o neto nem precisava, sercúmplice do namorinho escondido e até permitir que os pombinhos se encontrem na sua casa, sem que os pais desconfiem nem em sonho. E avós modernas têm Orkut, sabem usar o computador, fumam, namoram e dirigem automóvel. São tão arteiras como os netos. Gostam de música, de filmes de ficção científica e adoram comer porcarias, de preferência no schoping. Não que não encarem a cozinha para satisfazer a gula dos marotos. Muitos bolos, chocolates e brigadeiros no melhor estilo abre-embalagens de semi- prontos, melhora a classificação da vovó no ranking e no prestígio familiar. E o que é melhor em tudo isso é que essa vó moderna é fofa também, mesmo não tendo nada de matrona ela dá colo gostoso, abriga na sua cama, faz chá de camomila e curte a dor-de-cotovelo, sempre que essa desgraça acontece com seus netos. Muitos dizem “minha vó é uma fofa”, querendo dizer querida, amorosa, parceira, macia, gostosa de conviver.
Vó é tão especial, que mesmo sendo modernas, joviais e cibernéticas, não se importam nem um pouco em dividir o espaço em sua cômoda, abarrotada de frascos de perfumes e de batons vermelhos, com porta-retratos ostentando aquelas carinhas, que só ela sabe, são o maior e mais descarado amor que uma mulher é capaz de sentir.


Maria Alice Guimarães

Maria Alice Guimarães

HOMENAGEM AO MEU AVÔ:
(com alterações do original)

Esta singela homenagem ao meu querido avô Nataleão Pedro da Costa,é uma maneira de tentar aliviar a dor da ausência que ele deixou em meu coração!

Bom:
O dia doze de maio de 2009 poderia ter sido um dia comum, mas não foi!
Posso dizer aqui diante todos vocês e com toda franqueza, que um pedaço de mim morreu. Morreu com a partida do meu avô. O homem que eu amava e que com toda certeza me amava também, incondicionalmente. Nada na vida acontece por acaso, podem ter certeza. Pois é vovô eu te amo muito. Homem forte, valente, como poucos, que não existem mais. Generoso com todos. Foi com ele que aprendi a confiar mais nas pessoas e continuar confiando mesmo quando me decepcionasse, a batalhar pelos meus objetivos e mesmo estando diante dos obstáculos da vida, lutar e não desistir nunca. Creio que este era seu lema, pois lutou até o fim e no momento em que Deus lhe chamou, apenas abriu os olhos, olhou ao seu redor e partiu! Meu super-herói se chama Nataleão Pedro da Costa.
Um sábio escritor relata o seguinte, no momento em que perde um ente querido:
“Na eternidade seremos lembrados, não como pontos insignificantes deste mundo real, mas como folhas sadias que, em certo momento, floresceram nos ramos da Árvore da Vida. Estas folhas caem da árvore, mas não caem no esquecimento, porque o Senhor sempre lembrará delas.”
Não pude me despedir de ti no momento da sua partida para junto ao Pai, está é minha maior dor, mais tenho certeza que estás em um mundo muito melhor que este, próximo a Jesus, e também já não sofre mais. Agora entre nós resta as lembranças, mais sei que sempre estará perto de mim, me guiando pelo caminho certo.
Nataleão Pedro da Costa, exemplo de homem forte, guerreiro, otimista, leal, sincero, amigo, PAI, AVÔ e MARIDO. Tenho orgulho de ter seu sangue em minhas veias e agradeço muito a Deus por ser sua neta. E tenho certeza que:
Um dia amigo a gente vai se encontrar!!!

Bruna Costa (readaptado por Flavia Priscila)

Acordei aos berros quando parei pra analisar era a minha mãe dizendo que a minha avó estava no telefone, ah por mais que ela tenha me mandado embora da casa dela por nao me aguentar acho que é normal sentir saudades, eu peguei o telefone levemente e coloquei no ouvido e ouvi aquele suspiro.. 'ah ah ah' com um tom sutil eu disse, ''-Alo, e eu ouvi aquela voz de quem está agradeçida por ouvir a minha voz, ''-OI COMO VOCÊ ESTÁ? ai começamos um dialogo , nao muito profundo nem cheio de espaços, com terminações normais, e tudo tranquilo ! em uma parte ela meio sem graça me disse, ''-ESTOU COM SAUDADES'' eu sem querer responder, mais já que estava ali repiti '-'EU TB EU TB'' ah, polpe-me né? tá eu sei que eu errei , mais nao é motivos para depois de tanto tempo ela me ligar e falar que sente minha falta.. Moral :
"Um dia as pessoas caem em si e veêm que sente nossa falta, e nesse dia correm atras da gente e agente se aprofunda nas lembranças, mais o orgulho fala mais alto então nem ligamos. " .. bom vou indo pra escola até mais ! ;*

Brunnagodoy

“AVO RAINHA”

Ao topo da serra da Borborema,
Encravada no meio de tantas belezas
Formosa está eu.

Gentil, pacata e hospitaleira.
Aberta aos que me visitam
Com orgulho a recebê-los.

Amando-os, mesmo sem os conhece-los.
Sempre sou correspondida,
Por aqueles que me visitam.

Todos se apaixonam por minhas belezas.
Amo a todos e sou amada por todos.
Que mais? Para ter orgulho de rainha.

Sou Veneza paraibana
A natureza assim me fez.
Bela hostil e hospitaleira.

Com honradez ostento a coroa
Da paz, da fraternidade e harmonia.
De rainha do Vale do Sabgy

Amo tanto o sabugy,
Do pedestal de rainha.
Sinto-me mão ou mesmo avó
Daquelas que se desgarraram
Pra terem suas próprias belezas.

Noaldo Machado de Souto

Ora, se deu que chegou
(isso já fez muito tempo)
no bangué do meu avô
uma negra bonitinha
chamada Nega Fulô.
Essa Nega Fulô!
Essa Nega Fulô!
Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
- Vai forrar a minha cama
pentear os meus cabelos
vem ajudar a tirar
a minha roupa, Fulô!
Essa Nega Fulô!
Essa negrinha Fulô!
ficou logo pra mucama
para vigiar a Sinhá
pra engomar pro Sinhô!
Essa Nega Fulô!
Essa Nega Fulô!
Ó Fulô! Ó Fulô!
( Era a fala da Sinhá)
vem me ajudar, ó Fulô,
vem abanar o meu corpo
que eu estou suada, Fulô!
vem coçar minha coçeira,
vem me catar cafuné,
vem balançar minha rede,
vem me contar uma história,
que eu estou com sono, Fulô!
Essa Nega Fulô!
`` Era um dia uma princesa
que vivia num castelo
que possuía um vestido
com peixinhos do mar.
Entrou na perna dum pato
saiu na perna dum pinto
o Rei-Sinhô me mandou
que vos contasse mais cinco ´´
Essa Nega Fulô!
Essa Nega Fulô!
Ó Fulô! Ó Fulô!
Vai botar para dormir
esses meninos, Fulô!
´´ Minha mãe me penteou
minha madrasta me enterrou
pelos figos da figueira
que o Sabiá beliscou``
Essa Nega Fulô!
Essa Nega Fulô!
Ó Fulô! Ó Fulô!
( Era a fala da Sinhá
chamando a Nega Fulô)
Cadê meu frasco de cheiro
que o teu Sinhô me mandou?
Ah! Foi você que roubou!
Ah! Foi você que roubou!
O Sinhô foi ver a negra
levar couro do feitor.
A negra tirou a roupa.
O Sinhô disse: Fulô!
( A vista se escureceu
que nem a Nega Fulô)
Essa Nega Fulô!
Essa Nega Fulô!
Ó Fulô? Ó Fulô?
Cadê meu lenço de rendas,
cadê meu cinto, meu broche,
cadê meu terço de ouro
que o teu Sinhô me mandou?
Ah! Foi você que roubou,
Ah! Foi você que roubou.
Essa Nega Fulô!
Essa Nega Fulô!
O Sinhô foi acoitar
sozinho a Nega Fulô.
A Nega tirou a saia
e tirou o cabeção,
de dentro dele pulou
nuinha a Nega Fulô.
Essa Nega Fulô!
Essa Nega Fulô!
Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê, cadê teu Sinhô
que nosso Senhor me mandou?
Ah ! Foi você que roubou,
foi você, Nega Fulô?
Essa Nega Fulô!

Jorge de Lima

Do liro de meu querido avô "Antes q chegue o Outono"

Dos espinhos tirei corações,
Das pétalas eu fiz poesia
Aqui tem nossos coraçoes
Pra voce ter alegria.
Se as rosas nao forem o bastante
Que mais lhe poderia dar?
Nao me lembro aqui nesse instante,
Talvez a terra,o céu ou o mar;
A terra...é fria e puro chão,
Ela é parte de nós também!
Pra rosas tem muito valor,
Enquanto o mar..(meus parabéns!)
Do céu, nós não abrimos mão.
Aceite as rosas com amor.

Joel José de Freitas

Tão amável avó Maria...
Meu nome é Maria como tantas outras Marias
Antes só alegria; hoje só melancolia
Viúva muito cedo com minha filha eu sempre morei
Então ela se casou e com ela na luta eu continuei

Lembro-me do nascimento do meu primeiro netinho
Emocionei-me muito quando coloquei
em meus braços aquele anjinho
Todo mundo sabe que pelos netos
as avós sentem o dobro de carinho
Eu só tive uma filha, feliz eu fiquei de ver nascer dela
aquele frágil homenzinho

Ele chorava de noite e logo diziam:
- Chamem a vovó Maria!
Eu chegava com meu amor de avó
e transformava o choro em calmaria
Enquanto a minha filha trabalhava,
todos os dias do meu neto eu cuidava
Fui a muitos passeios com eles
e sempre nos meus braços ele estava
Então o menino cresceu
e da vovó Maria ele já não mais precisava

Comecei a sentir uma estranha mudança,
antes eu era importante naquele lar
Já não me levavam aos passeios,
a razão era porque andava muito devagar
Na sala eu me sentia isolada,
ninguém do meu lado queria sentar
Até nas conversas não tinham paciência de ouvir
o que eu tinha para falar
Diziam: -Deixe a avô Maria maluca para lá,
já está caduca ou vai caducar!

Eles não entendiam que o que eu mais queria
era um pouco de atenção
Eu queria dar para eles o meu amor de avó
e de mãe que eu carregava no fundo meu coração!
Eu nunca deixei eles verem as minhas lágrimas,
eles nunca me viram chorar
Ingratidão de neto e de filha é muito triste,
não queiram imaginar

Num dia bem cedinho pegaram a minhas coisas
e levaram para um quartinho
Quarto que se guardam tranqueiras,
meu coração ficou triste e apertadinho
Não me deram se quer uma única explicação,
para eles a minha solidão seria a solução!
Foi á noite mais triste da minha vida,
doeu muito àquela separação!

Não tinha acesso mais a cozinha
e nem podia ir á sala ver televisão
Estava no quarto das tranqueiras,
das coisas velhas curtindo a minha aflição
Um dia criei coragem e do meu sofrer
para minha filha eu fui falar
Então no meu rosto ela me deu um tapa,
vi naquela hora o meu mundo desabar

Depois deste dia era normal a minha filha me agredir
Muitas vezes sentindo muito medo eu pensei até em fugir
Mas seria loucura eu não tinha para onde ir!
O meu quarto sempre foi solitário e úmido, tive então como
resultado um reumatismo que passou a me consumir
Era só o começo do pesadelo que estava por vir

A doença me jogou numa cama,
então contrataram uma mulher para cuidar da avó Maria!
Agora sim ficou muito pior,
de dia eu apanho da mulher e a noite da minha filha!
Estou num desespero, esperando a morte me levar
Mataram em mim todos os sonhos
até o direito de existir e amar!

Sou tranqueira jogada num canto,
a minha vida hoje é tão triste e vazia
Mais durmo do que acordo,
eu me entreguei a este ambiente de melancolia...
Às vezes na minha insanidade
surgem imagens antigas,
me fazendo lembrar
que um dia
eu fui para eles...
à tão amável avó Maria

Janete Sales (Dany)

Trecho da crônica "Uma infância apagada"

Embaixo do avarandado está meu avô, sentado em um banco velho de madeira, vestia um jaleco de couro encardido, suas roupas eram velhas, surradas pela lida na roça e na cabeça um chapéu baeta. Ele observava suas vacas magra, sua égua branca e reclama da seca:

-“Vigeee lástima! Deus está castigando está terra”.

Mislene lopes

Em nossas vidas há sempre uma Dona Maria.

Em nossas vidas há sempre uma Dona Maria , avó ,mãe, tia,irmã,prima,sobrinha,colega,amiga,vizinha,sogra,nora,cunhada,enteada,filha,madrinha,esposa,amante,namorada,e a que vive sozinha,ficante.
Um doce de pessoa, um abraço,conselho,força, a única que entende,atura e perdoa, conhece autua e entoa. Felicidades á vossa senhoria , Obrigado Senhor ! Por existir em nossas vidas sempre uma Dona Maria .

Gerson Basilio da Silva

Ser Mae pela a analise de um avô babão

Parece que ontem, quando minha querida filha  em um restaurante ( bibi sucos ) me sentenciou a vontade de ser mãe .......
O que você acha pai ???????
Olha que eu sonhava com esse momento há séculos !!!!!!
Quem não sonha ????
Ver de novo meu filho ou filha nascerem de novo ????
Viver de novo  aqueles momentos maravilhosos , obvio com
Escutar de todos , principalmente da mulher e filha , vc é desajeitado , não tem jeito , cuidado heeeeeeeemmmmm....Coisas  e afazeres que nós homens , mesmo com o melhor doutorado em filhologia  nunca vamos substituir um simples cuidado de mãe ou avó .
Mais que depressa expressei :
Que bom querida , que maravilha.......
Não vejo a hora .....
Nasceu a Rafa , que coisa deliciosa !!!!!!
Me deliciei  quando ela chorou pala primeira vez .......
Uma vida nascida de minha vida que mais aprecio e amo , a minha filha !!!
Me delicio quando  aquele portão  automático se abre e vejo as duas sorridentes com o querido Andre .....
Me delicio quando a pego no colo e a acaricio no meu corpo , sinto- Me mais jovem , porque parece que tudo voltou de novo!!!!!
Minha filha , você não imagina a felicidade que hoje estou
Porque sei da sua  imensa felicidade
com a Rafa e eu só sinto felicidade quando você mamãe Renata está também feliz
Um beijo enorme no seu coração pelo primeiro ano de MÃE  em toda a acepção  da palavra
De seu papai
Rabudo .....

Raimundo grossi

Hoje eu entendo melhor as coisas que minha avó me dizia…
minha filha não reclames tantos da vida por qualquer coisas
você ainda não tem conveniência do que é a dor…
E hoje eu entendo tais palavras, percebo que a dor da perda nunca será cicatrizada, que temos que passar por algumas situações super difíceis e complicadas na vida e sermos fortes e só depois tirar lições de tais acontecimentos.

Cristina L. Oliveira