Carta para AvÓ

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Nostalgia de uma manhã de domingo

Quando se é criança, as simples coisas, deixam de ser simples e passa maravilhosamente coisa, me lembro dos sentimentos do lindo. Com as coisas simples e sem beleza alguma para crescidos sem sentimento nostálgico da casa de vó. Na casa da minha vó, via o sol nascer entre as arestas do telhado e eu achava lindo, via borboletas a voar mas pedras do quintal aquilo era belo e via a minha vó a cozer para seus netos e eu ainda acho lindo. Devemos viver com os olhos de uma criança, que com uma simples coisas elas as transformam em maravilhosamente coisas. O belo, o simples são maravilhosas dádivas de uma eterna criança encantada.

Diego Nascimento

INABALÁVEL

Ela tinha histórias decoradas.
“A menina da ponte” e o “pintinho cheio de amigos” são exemplos.

Ela ajoelhava e olhava em meus olhos para falar, em um tempo em que Super Nanny nem sonhava em ensinar esta tática.

E tinha o mais doce jeito de repreender.

Ela não precisa perguntar para saber que eu só tomava o Nescau, gelado. Sabia o aniversário da minha melhor amiga e me ensinou o “Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador...” quando eu ainda nem sabia o que significava direito cada palavra.

Foi ela quem leu meu livro preferido da infância pela primeira vez. E também quem o releu incansavelmente.

Ela que se dividiu em duas para cozinhar comigo no colo diversas vezes. Quem me penteou para a escola e tentou me ensinar que “meninas boas casam-se com bons meninos”...

Hoje, ela não sabe que essa lição eu não aprendi como deveria...

Não sabe que, todos os dias, antes de dormir, eu me lembro daquela
oração...

Não sabe que nunca mais tomei um Nescau na temperatura ideal...

Nunca mais ouvi histórias inventadas com tanta magia...

Aos poucos, mudei de nome... Ficou difícil acertar!

Minha avó, aquela de dezenas de atividades, hoje mora num mundo que ninguém mais participa. Ninguém vê, ninguém entra, poucos se importam!

Minha avó, já não sabe que é minha avó.

Mas eu vou sempre saber que ela foi, e é, a melhor que já existiu!

Liza Alvernaz

Sublimidade das mãos...
(Nilo Ribeiro)

Claro que é uma analogia,
diferente não poderia ser,
assim é minha poesia,
assim é o meu escrever

mãos do agricultor
que trabalham a natureza,
colocam comida e sabor
sobre a nossa mesa

mãos do operário,
progresso da nação,
trabalham pelo salário,
buscam o bendito pão

mãos do policial,
nos dão segurança,
no seu habitual
nos dão confiança

mãos de um maestro
que regem uma orquestra,
seja canhoto ou destro,
é sempre uma festa

mãos do padeiro
que nos alimenta com energia,
na verdade é um obreiro
nos dando o pão de cada dia

mãos de uma criança,
que nos dão muito carinho,
nos enchem de esperança,
abrandam o caminho

mãos de uma avó,
que acalentam e adulam,
elas nunca nos deixam só,
são bálsamos que curam

mãos do educador
que nos dão o ensino,
é arte com tanto amor
que beira o divino

mãos da costureira
que cosem com disciplina,
transforma como brincadeira
a menina em bailarina

mãos do instrumentista
que bailam as notas musicais,
nos alegram e enfeitiçam,
nos fazem anjos celestiais

mãos do poeta
que nos levam ao sublime,
o supremo se manifesta
nas palavras que exprimem

mãos da medicina,
que cuidam do nosso corpo,
nos dão visão e disciplina
para nosso bem e conforto

mãos da artesã
que trabalham com alegria,
nos despe do nosso afã
fazendo arte com poesia

mãos do jardineiro
que acariciam a flor
é de Deus um mensageiro
que mostra o caminho do amor

mãos de mamãe e papai,
protegem e dão guarida,
de amores se sobressaem
reverberam nossas vidas

Mãos do Nosso Senhor
que sejam sempre louvadas,
nos guiam com amor
fazem nossas vidas abençoadas

minhas mãos postas
rendem-lhe homenagem,
esta é a minha proposta
oferecer-lhe esta mensagem...

Nilo Ribeiro

TRECHO DE: AS MARGARIDAS DO QUINTAL DO MEU AVÔ

Você nunca entendeu o porquê eu tacava a bola com força em você, então. Não era pra te castigar, mas para te mostrar que você é tão frágil quando uma margarida. E que dependendo da força que você tacava a bola, deixava marcas, eternas. Mesmo que a eternidade da margarida durasse um dia.

Mayara Freire

Não confie na frase da sua avó, de sua mãe, de sua irmã de que um dia encontrará um homem que você merece. Não existe justiça no amor.
O amor não é censo, não é matemática, não é senso de medida, não é socialismo. É o mais completo desequilíbrio. Ama-se quem a gente odiava, quem a gente provocava, de quem a gente debochava. Exatamente o nosso avesso, o nosso contrário, a nossa negação. O amor não é democrático, não é optar e gostar, não é promoção, não é prêmio de bom comportamento.
O melhor pra você é o pior. Amor é ironia.

Fabrício Carpinejar

Sinto saudade ...

SINTO SAUDADE DO ME AVÔ
A PESSOA MAIS LINDA QUE CONHECI
UMA PESSOA QUE ME AMAVA MAIS DO QUE A SI MESMO
QUE FAZIA DOS SEUS SONHOS OS MEUS
QUE ACREDITAVA EM MINHA MALUQUICES
QUE SORRIA DO MEU JEITO MOLECA DE SER
QUE ME ACONSELHAVA A CADA DIA ME ENSINANDO A VIVER
QUE QUANDO ME VIA TRISTE ME DIZIA SORRIA
QUE ME ENSINOU QUE TUDO É POSSIVEL BASTA ACREDITAR
QUE ME ESNINOU A VER O LADO BOM DE TUDO MESMO QUE RUIM
QUE ME MOSTROU O CAMINHO E ME TORNOU ESTA MULHER QUE SOU
QUE PASSAVA HORAS CONVERSANDO COMIGO NO BANQUINHO DA PRAÇA
QUE ME DIZIA QUE OS PROBLEMAS POR MAIORES QUE PAREÇAM UM DIA ACABA
QUE ME ENSINOU A SER FORTE NOS MOMENTOS DIFICEIS
QUE ME ENSINOU A AMAR O RPOXIMO COMO A MIM MESMA
NOSSA QUE FALTA ELE ME FAZ
SABE ANJO AS VEZES ME SINTIA A DERIVA MAS NO MEU MAR ELE TAVA ALI SEMPRE
PRONTO PRA ME GUIAR ,E HOJE SEM ELE POR PERTO AS VEZES ME PERCO
AS VEZES ME ENFRAQUEÇO E FICO A DERIVA ,E SINTO A FALTA QUE ELE ME FAZ
NOSSA E COMO FAZ...

Bruna Trenelly

para a minha avó
minha avó é uma obra de Deus
que com a sua cançao e de todo seu coraçao louva ao Senhor
ela ama sua familia e é um exemplo de mae
nos momentos de tristeza é nos traz paz e conforto com suas palavras mansas e sabias
ela é minha avo e me orgulho disso
eu a amo de todo o meu coraçao es um presente do senhor

Débora Cristina Coelho da Rocha

HOMENAGEM AO MEU AVÔ:
(com alterações do original)

Esta singela homenagem ao meu querido avô Nataleão Pedro da Costa,é uma maneira de tentar aliviar a dor da ausência que ele deixou em meu coração!

Bom:
O dia doze de maio de 2009 poderia ter sido um dia comum, mas não foi!
Posso dizer aqui diante todos vocês e com toda franqueza, que um pedaço de mim morreu. Morreu com a partida do meu avô. O homem que eu amava e que com toda certeza me amava também, incondicionalmente. Nada na vida acontece por acaso, podem ter certeza. Pois é vovô eu te amo muito. Homem forte, valente, como poucos, que não existem mais. Generoso com todos. Foi com ele que aprendi a confiar mais nas pessoas e continuar confiando mesmo quando me decepcionasse, a batalhar pelos meus objetivos e mesmo estando diante dos obstáculos da vida, lutar e não desistir nunca. Creio que este era seu lema, pois lutou até o fim e no momento em que Deus lhe chamou, apenas abriu os olhos, olhou ao seu redor e partiu! Meu super-herói se chama Nataleão Pedro da Costa.
Um sábio escritor relata o seguinte, no momento em que perde um ente querido:
“Na eternidade seremos lembrados, não como pontos insignificantes deste mundo real, mas como folhas sadias que, em certo momento, floresceram nos ramos da Árvore da Vida. Estas folhas caem da árvore, mas não caem no esquecimento, porque o Senhor sempre lembrará delas.”
Não pude me despedir de ti no momento da sua partida para junto ao Pai, está é minha maior dor, mais tenho certeza que estás em um mundo muito melhor que este, próximo a Jesus, e também já não sofre mais. Agora entre nós resta as lembranças, mais sei que sempre estará perto de mim, me guiando pelo caminho certo.
Nataleão Pedro da Costa, exemplo de homem forte, guerreiro, otimista, leal, sincero, amigo, PAI, AVÔ e MARIDO. Tenho orgulho de ter seu sangue em minhas veias e agradeço muito a Deus por ser sua neta. E tenho certeza que:
Um dia amigo a gente vai se encontrar!!!

Bruna Costa (readaptado por Flavia Priscila)

A chácara e a avó

Ontem, 09-08, dia dos pais, fui à chacará em Pirituba. Nem de longe se parece com aquela chácara daqueles bons tempos de infância. Tá certo, as coisas mudam, mudam muito mais do que poderia imaginar ou desejar. Tem os seus pontos positivos e negativos. Olho ao redor, não vejo mais o verde que alegrava meus finais de semanas, não vejo aqueles babuzais dos tempos de pipas, não vejo nas a jaboticabeira com sua generosidade trasmudada em frutos. Ah, sim, aquela jaboticabeira...que às vezes debaixo dela eu ficava para descansar, ou que por vezes subia para olhar de um lance só toda a chacara. Já não existe mais. Somente na alma, em um tempo onde a traça não pode corroer. Quando cheguei, me deparei com aquela portinha de madeira, que antes era azul e que hoje está pintada de bege. Lembro-me das vezes que chegava, que a minha avó Haydée me esperava, debruçada gritando de lá de cima da casa: "Cado, que saudade de você!" Mas vi que ela não estava lá. Por um momento, parei para esperar que viesse e me recordei que me esperavas na portinha de madeira, por aquele farto café da manhã, com sabor de família, simplicidade, como se estivesse no interior. E realmente estava. O almoço, a tarde conversando, passando a limpo a intimidade em família. Me lembrei que me esperavas no hospital, na UTI para que rezassemos o pai-nosso, a ave-maria, para que horas depois, se despedisse do tempo. E por isso que penso que não basta ser parente, é preciso ser amigo, intimidade que não me mede com palavras, mas com olhares que sabem fazer a leitura de uma alma. Invoco Mario Quintana: "De que me adianta os livros, se ainda não aprendi a ler as pessoas que estão ao meu lado?" A saudade é grande, mas a gratidão também é. A segurança de ter passado na vida das pessoas e ter vivido com intensidade cada momento com elas, é o segredo que preciso aprender cada vez mais. As pessoas também. Não adianta violentar o ser depois que a morte nos ceifa alguém especial e amado. É sintoma de que não houve um aproveitamento qualitativo. O amor no qual amamos as pessoas não nos autoriza transformá-las em propriedade particular. Pelo contrário, ensina-nos que o amor passa pelo crivo da liberdade, mas que deve ser vivo nos detalhes, intensamente, entretanto, as pessoas que amamos não nos pertencem. Indo mais longe, nem a nós mesmos nos pertencemos! Tive a experiência de amar minha avó que não mais encontra-se no tempo. Mas está no meu coração e nas recordações mais lindas que me fizeram ser homem e ser pessoa. O verde pode ser plantado novamente na chácara, mas a ausência dela povoa meu coração, mas não é mais forte do que a certeza de que ela vive no pensamento de Deus!

Ricardo Ferrara

Vovó Atenciosa
Quem já teve ou tem uma avó assim, com essa característica atenciosa, acompanhante, zelosa, vigilante, isso resume-se em amor ! Ou quem lembra dela?????????????????
Vó, Joana, mulher do século passado, muito altiva, determinada, sua palavra era ouvida e respeitada, que o diriam os genros. Eu a conheci já viúva com oito filhos, sóbria, com uma casa relativamente grande, cozinha com mesa e cadeira para toda a família. Imaginem o tamanho da mesa rsrsrs, cadeira só na sala, porque na cozinha eram bancos para abrigar a todos rsrs... Ah, que saudades...
Animada nas festas em família que era na sua casa, dançava o tempo todo, pois a alegria era muita. Também pudera a matriarca em continência a receber os seus...
Ela recebia não só os seus, como amigos também. Ah, e como era boa amiga, fazia suas visitas e eu a acompanhava, eta época boa...
Eram muitos folguedos entre os primos...
E as viagens a São Paulo na tia Alice, no Guarujá, em São Vicente...não havia dificuldades... Espero ser uma avó assim.Vamos aguardar!

Ivete Maurília

Saudade
Ah, saudade!!!
Como sinto saudade, saudade de tudo!!
Saudade do avô, dos tios...
Saudade de quando tinha 15 anos
Saudade de quando meus filhos tinham 1 ano
Saudade daquela mulher que não sabia o que era dor
Saudade de quando você me beijou a primeira vez
Saudade de quando conheci o amor
Saudade de ser apenas uma menina
Sem preocupações, responsabilidades
com apenas alguns medos e angustias
Hoje tenho medos, angustias, preocupações
responsabilidades e muita, mas muita saudade
de tudo isso e algo mais...

Valéria Bischof

Acrescentou mais, minha Avó - Essas pessoas não são amigas de ninguém. Elas vivem para saciarem seus próprios ventres e a gula dos seus olhos.

E quase perdendo o fôlego, perguntou-me - Alguém falou mal de você na escola? Respondi – Sim!

Inquiriu ela – O que disseram essas pessoas do meu neto? Falei – Disseram que o meu nariz é feio e que quando eu crescer, ficarei careca. Minha Avó, com aquele sorriso lindo e terno acudiu-me dizendo – Meu menino! Por que se preocupar com tanta bobagem? Não vê que estão morrendo de inveja de você? Primeiro, quero que saiba que você tem um nariz perfeito, afilado como a um nariz de um príncipe da Arábia! Segundo, com tanto cabelo que você tem, você acha mesmo que ficará careca quando crescer? Falei – Não! Ela falou – Então? Por isso, nada de ficar preocupado com o que os outros dizem a seu respeito. Porque, se essas pessoas fossem suas amigas, jamais diriam coisas bobas iguais a essas. Se elas não são suas amigas, têm inveja de você, não se contentam em viverem suas próprias vidas, por que dar valor ao que elas dizem? Agora, motivado e cheio de uma alegria sem fim, abracei minha Avó pelo pescoço e lhe sussurrei no ouvido direito – Vovó! Você é a Avó mais inteligente e mais linda do mundo! Dando-lhe um demorado beijo no rosto.

Incrível, faz muitos anos que minha Avó partiu deste mundo, mas suas palavras ainda ecoam na minha memória e nos meus sentimentos.. e as pessoas que falam mal uma das outras? Bem, as pessoas que falam mal uma das outras estão sempre por aí.. mas permaneço firme nos ensinamentos daquela linda mulher que aproveitara o momento mais que ideal para fortalecer o coração e o entendimento de uma criança que jamais a esquecerá, passe o tempo que passar.

Gil Nunes

BA - NEGROS

O alemão branco feio tem um avô africano;
O italiano sambando bêbado tem avô africano;
Todos nós viemos da mãe África negra e selvagem,
Adão e Eva fugirão do leão na savana selvagem.

Um dia o meu e o teu avô ousou levantar,
Viu um pássaro e quem sabe ele queria voar,
Percebeu que levantando via mais distante,
Podia ter mais chance e viver bastante.

Mas o nossos avós eram pretos cabeludos,
Comiam carniças e eram bichos peludos.
Cultuavam o sol, a lua, o raio e cometa.
Intuíam a cura em cada planta do planeta.

Somos todos descendentes de negros no planeta.
Adão foi negro balbuciando uma cançoneta,
Eva foi negra talvez nem fosse humana e menina.
Caim e Abel foram negros mesmo tendo a ruína.

Quem mudou a cor deles?

André Zanarella 03-09-2012
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/4436682

André Zanarella

Mulher:
Dadiva de Deus, mulher avó, mulher mãe, mulher filha.
Mulher:
Dadiva de Deus, mulher maltratada, mulher amada, mulher fria.
Mulher:
Dadiva de Deus, mulher guerreira, mulher caseira, mulher vazia.
Mulher:
De todas as características, personalidades e índoles;
Mulher!
Um ser com diferenças, mas mesmo assim mulher.
DADIVA DE DEUS!

Paulo Batista dos Santos

Aprendi com minha avó a orar ainda muito pequena
E com ela outras tantas coisas que compõe o meu lado bom
Vim tocando a vida...
A vida enfim me tocou
Deixando na soleira de casa muitas outras vidas,
São amigos..., os amores..., as crianças..., meus irmãos...!
Histórias agregadas as minhas...

Márcia Morelli do livro "tudo aqui é seu!"

Do liro de meu querido avô "Antes q chegue o Outono"

Dos espinhos tirei corações,
Das pétalas eu fiz poesia
Aqui tem nossos coraçoes
Pra voce ter alegria.
Se as rosas nao forem o bastante
Que mais lhe poderia dar?
Nao me lembro aqui nesse instante,
Talvez a terra,o céu ou o mar;
A terra...é fria e puro chão,
Ela é parte de nós também!
Pra rosas tem muito valor,
Enquanto o mar..(meus parabéns!)
Do céu, nós não abrimos mão.
Aceite as rosas com amor.

Joel José de Freitas

Meu avô está doente e internado do Hospital da Unimed, eu estou tristonha, o que não parecia nada demais até ainda a pouco, está se agravando. Os rins estão parando de funcionar.
Eu não consigo pedir a Deus “Seja feita a sua vontade”. Eu sou muito egoísta pra isso. Eu só consigo pedir a Deus “Cura meu Vôzinho, mantém ele entre nós” e ainda negocio “Poxa Deus! Ele é meu único avô, cura logo, não me deixa aflita, preocupada, ansiosa, chorona, me deixa forte, esperançosa e confiante que tudo não passará de um susto”.
Meus amigos peguem na minha mão e rezem junto comigo, vamos pedir com muita fé pela recuperação do meu vô. Estou com o coração tão apertado, tão chateado, tão confuso.

Arcise Câmara

A gente conhece as pessoas mas nem sempre sabe da sua origem.


Outro dia escrevi do meu avô, imigrante espanhol e cujo primeiro emprego foi ser carvoeiro, chegando exclusivamente pelo árduo trabalho, a ser um dos maiores latifundiários do Brasil.
Nos dias seguintes tive uma torrente de lembranças dele, do meu pai, da minha mãe e especialmente da minha avó materna Rosa de Andrade Pacheco.
Dona Rosinha como era chamada, teve quinze filhos, dos quais doze sobreviveram. Acho que foi um recorde para a época onde a mortalidade infantil era enorme. Minha mãe filha mais velha, tem hoje 92 anos de idade e vários tios e tias estão vivos.
Dona Rosinha era quase venerada por todos que a conheciam. Depois do segundo ou terceiro incêndio que destruiu a marcenaria do meu avô, deixando-o depressivo e praticamente inabilitado para o trabalho, arregaçou as mangas e com forças tiradas de não sei onde, transformou a casa onde morava e outra que herdara da mãe, em casas de cômodos, as quais alguns mal educados e deselegantes chamavam na época de cortiços.
Com a renda dos aluguéis sustentou e formou todos os filhos, tendo como peculiaridade a formação musical da maioria no Conservatório Musical e Dramático de São Paulo, coisa que não era para muitos na época.
Não eram tempos fáceis como me contou minha mãe, mas a vó Rosinha conseguiu agregar toda a família e a sua casa era o porto seguro, o lugar onde mesmo depois de casados, filhos, filhas e netos se reuniam em almoços, festas de aniversario e especialmente no Natal, na Rua Sergipe 248, endereço nobre em Higienópolis, casa que ela comprou depois que as coisas melhoraram e ela ficou até bem de vida, tendo reformado e transformado o casarão imenso num belo palacete.
Cheguei a morar com a vó Rosinha por uns seis meses porque minha mãe, acometida por uma nefrite, ficou imóvel na cama, e essa lhes pareceu a melhor solução, uma vez que eu estudava no Colégio Rio Branco, apenas três ou quatro quadras da casa da vó.
Depois que meu avô morreu e ele morreu cedo, acho que com uns cinquenta anos, minha vó e as filhas mantiveram um longo luto, vestindo-se de preto por pelo menos um ano, como era costume na época. Eu tinha quatorze anos.
Terminado o luto, e é dessa época que eu me lembro. A casa estava sempre em festa, abastecida de comida e cheia de visitas. Familiares e amigos e amigas dos filhos vinham visitar a Dona Rosinha com um carinho memorável, uma vez que ela participou ativamente na formação de todos e a todos dava conselhos, atenção e carinho.
Dona Rosinha morreu cercada da família que criou e manteve agregada. A família amparou-a na velhice e até que o casarão da Rua Sergipe desse lugar a um luxuoso prédio, a família ainda se reuniu lá por um tempo.
Tenho saudades da lembrança do que é uma família grande e unida, coisa que hoje em dia pouco se vê.

Marinho Guzman

Conselhos

Já dizia minha Avó: Deixem as crianças brincar.
Já dizia meu Avô: Daqui a pouco um chóra.
Já dizia meu Pai: Seja gentil.
Já dizia minha Mãe: Juuííízo!!!
Já dizia meu amigo: Fique tranqüilo.
Já dizia minha amiga: Pena sermos tão amigos
Já dizia meus colegas: Fudeu, corre!
Já dizia minha primeira namorada: Você beija bem.
Já dizia minha última namorada: Você beija muito bem!
Já dizia meu vizinho: A vizinha do lado é boa né?
Já dizia minha vizinha do lado: Porque me olhas diferente?
Já dizia o buteco: Fiado não!
Já dizia o Hospital: Silêncio
Já dizia o lugar fechado: Não fume!
Já dizia o fumante: Vou lá fora.
Já dizia o boêmio: Eu sou poeta.
Já dizia o poeta: Eu sou boêmio.
já dizia a música: Flutue.
Já dizia a letra: Me cante.
Já diziam os antigos: Se conselho fosse bom não daria , vendia!
E eu... eu sempre te disse:
Sou poeta, boêmio, beijo muito bem, flutuo e canto pra você :
EU TE AMO!

Anderson Melocomelo

Sou Mãe/Tia/Avó/Bisavó

Uma mulher chamada Anne foi renovar a sua carteira de motorista. Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão.
Ela hesitou, sem saber bem como se classificar.
"O que eu pergunto é se tem um trabalho", insistiu o funcionário.
"Claro que tenho um trabalho", exclamou Anne. "Sou mãe."
"Nós não consideramos 'mãe' um trabalho. 'Dona de casa' dá para isso", disse o funcionário friamente.
Não voltei a lembrar-me desta história até o dia em que me encontrei em situação idêntica. A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de um título sonante, do gênero oficial inquiridor'.
"Qual é a sua ocupação?" perguntou. Não sei o que me fez dizer isto; as palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora:
"Sou Pesquisadora Associada no Campo do Desenvolvimento Infantil e das Relações Humanas."
A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar, e olhou-me como quem diz que não ouviu bem. Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas. Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.
"Posso perguntar", disse-me ela com novo interesse, "o que faz exatamente nesse campo?"
Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me a responder:
"Tenho um programa permanente de pesquisa (qualquer mãe o tem), em laboratório e no terreno (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa). Trabalho para os meus Mestres (toda a família), e já passei quatro provas(todas meninas). Claro que o trabalho é um dos mais exigentes da área das humanidades (alguma mulher discorda?) e freqüentemente trabalho 14 horas por dia (para não dizer 24...)."
Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente me abriu a porta. Quando cheguei a casa, com o troféu da minha nova carreira erguido, fui cumprimentada pelas minhas assistentes de laboratório - de 13, 7 e 3 anos.
Do andar de cima, pude ouvir a minha nova modelo experimental (uma bebê de seis meses) do programa de desenvolvimento infantil, testando uma nova tonalidade da voz.
Senti-me triunfante!
Tinha conseguido derrotar a burocracia!
E fiquei no registro do departamento oficial como alguém mais diferenciado e indispensável à humanidade do que "uma simples mãe"!
Maternidade... Que carreira gloriosa! Especialmente quando se tem um título na porta.
Assim deviam fazer as avós: "Associada Sênior de Pesquisa no Terreno para o Desenvolvimento Infantil e de Relações Humanas". As bisavós: "Executiva-associada Sênior de Pesquisa". Eu acho!!! E também acho que para as tias podia ser: "Assistentes associadas de Pesquisa".

autoria desconhecida