Basho
Nesta noite
ninguém pode deitar-se:
lua cheia.
Ao sol da manhã
uma gota de orvalho
precioso diamante.
Silêncio:
cigarras escutam
o canto das rochas
casca oca
a cigarra
cantou-se toda
Sobre o telhado
flores de castanheiro
ignoradas.
Este caminho!
sem ninguém nele,
escuridão de outono.
Relvas de verão
sob as quais os guerreiros
sonham.
Frescura:
os pés no muro
ao dormir a cesta
Extingue-se o dia
mas não o canto
da cotovia
Vamo-nos, vejamos
a neve caindo
de fadiga.
Num atalho da montanha
Sorrindo
uma violeta
Mesmo um velho cavalo
é belo de manhã
sobre a neve
Como que levada
pela brisa, a borboleta
vai de ramo em ramo.
Outono
Empoleirado num ramo seco
um corvo
árvore curva
o vôo do corvo
inverno
Uma velha sem dentes
que rejuvenece
cerejeira em flor
de tantos instantes
para mim lembrança
as flores de cerejeira.
Agora é inverno
e no mundo uma só cor;
o som do vento.
Preso na cascata
um instante:
o verão
No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge -
Ah, o caminho da montanha!
