Walt Whitman
Uma mulher espera-me, tem tudo, não falta nada. Mas faltaria tudo se faltasse o sexo.
Se há alguma coisa sagrada é o corpo humano.
Para que haja grandes poetas é preciso que haja também um grande público.
Contradigo a mim mesmo porque sou vasto
"Esta manhã, antes do alvorecer, subi numa colina para admirar o céu povoado,
E disse à minha alma: Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?
E minha alma disse: Não, uma vez alcançados esses mundos prosseguiremos no caminho."
Marca a hora o relógio; mas, o que marca a eternidade?
Celebro a mim mesmo e canto a mim mesmo
"Nada está perdido ou pode ser perdido. O corpo, indolente, velho, friorento...
as cinzas deixadas pelas chamas passadas... arderão de novo".
Sei que sou sólido e são,
para mim num permanente fluir
convergem os objetos do universo;
todos estão escritos para mim
e eu tenho de saber o que significa
o que está escrito.
CANTO A MIM MESMO
Estão todas as verdades
À espera em todas as coisas:
Não apressam o próprio nascimento
Nem a ele se opõem;
Não carecem do fórceps do obstetra,
E para mim a menos significante
É grande como todas.
Que pode haver de maior ou menor do que um toque?
Sermões e lógicas jamais convencem;
O peso da noite cala bem mais
Fundo em minha alma.
Só o que se prova a qualquer homem ou mulher,
É o que é;
Só o que ninguém pode negar,
É o que é.
Um minuto e uma gota de mim
Tranqüilizam o meu cérebro:
Eu acredito que torrões de barro
Podem vir a ser lâmpadas e amantes;
Que um manual de manuais é a carne
De um homem ou de uma mulher;
E que num ápice ou numa flor
Está o sentimento de um pelo outro,
E hão de ramificar-se ao infinito,
A começar daí,
Até que essa lição venha a ser de todos,
E um e todos possam nos deleitar
E nós a eles.
Escuta, não dou lições nem esmolas, quando eu me dou, é por inteiro
"Quem anda duzentos metros sem vontade
anda seguindo o próprio funeral
vestindo a própria mortalha..."
A afeição ainda resolverá os
Problemas da Liberdade;
Aqueles que se amam
Tornar-se-ão invencíveis.
Eu sou contraditório, eu sou imenso. Há multidões dentro de mim.
Estávamos juntos. Esqueci o resto do mundo.
Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões.
When I give, I give myself
Do I contradict myself? Very well then I contradict myself, (I am large, I contain multitudes.)
Existo como sou, Isso é o que me basta: Se ninguém mais no mundo toma conhecimento, eu me sento contente; e se cada um e todos tomam conhecimento, eu contente me sento. Existe um mundo que toma conhecimento, e este é o maior para mim: o mundo de mim mesmo. Se a mim mesmo eu chegar hoje, Daqui a dez mil ou dez milhões de anos, posso alcançá-lo bem disposto ou posso bem disposto esperar mais.
Antes disso eu nunca fora arrebatado
por amor tão súbito e doce
Seu rosto vicejava como se uma flor fosse
E assim meu coração foi roubado
Creio que eu poderia transformar-me e viver como os animais. Eles são tão calmos e donos de si! Detenho-me para contemplá-los sem parar. Não se atarantam nem se queixam da própria sorte; não passam a noite em claro, remoendo suas culpas, nem me aborrecem falando de suas obrigações para com Deus. Nenhum deles se mostra insatisfeito; nenhum deles se acha dominado pela mania de possuir coisas; nenhum deles fica de joelhos diante de outro, nem diante da recordação de outros da mesma espécie que viveram há milhares de anos. Nenhum deles é respeitável ou desgraçado em todo o amplo mundo.
"Eu celebro eu mesmo,
por que cada átomo pertencente a mim pertence a voce"
"A pé e de coração leve enveredo pela estrada aberta/ Saudável, livre, o mundo à minha frente / À minha frente o longo atalho pardo levando-me aonde eu queira / Daqui em diante, não peço boa-sorte./ Boa-sorte sou eu...”
