Vergílio Ferreira

Importante escritor português, Vergílio Ferreira continua influenciando autores no mundo todo. Foi eleito, inclusive, como sócio da Academia Brasileira de Letras. [Biografia de Vergílio Ferreira]
101 - 125 do total de 116 pensamentos de Vergílio Ferreira

Ri sempre de maneira que alguém fique, sem saberes, a chorar dentro de ti. Porque se o riso permanece, o que encontra dentro de ti é o idiota que lá estava à sua espera.

O amor destrói. A amizade constrói.

Toda a obra de arte é datada. A diferença entre a grande e a pequena é a que sobra dessa data.

Há o que tem limite e o que é sem-limite. A arte é a forma perfeita da consciência destes opostos.

O mais odioso da guerra é a paixão que por ela se tem.

A melhor forma de te não dizerem pequeno é dizeres dos outros que são grandes. Sobretudo se for mentira.

Tentar provar o futuro é muito mais interessante do que poder conhecê-lo. Como no jogo, não o ganhar, mas o poder ganhar. Porque nenhuma vitória se ganha se se não puder perder.

A pátria, como tudo, és tu. Se for também a do teu adversário político, é já problemático haver pátria que chegue para os dois.

Toda a verdade e todo o erro, se repetidos mil vezes, tendem a converter-se no seu contrário. Apenas pela razão de nos fatigarem.

Uma história vivida não tem tempo de calendário - tem-no só no que se viveu.

De que te serve a inteligência, se não tens inteligência para a usar com inteligência?

Falhaste a vida, é evidente. Mas não o digas. Porque haverá logo quem venha proclamar em alvoroço que tu mesmo afinal confessas que falhaste para o cretino trombeteiro se julgar menos falhado e os cretinos como ele.

Não te queixes tanto das falhas de memória. Porque se soubesses tudo o que soubeste, não te poderias mexer. E então é que não terias nenhuma.

Nenhum vício se pode combater pelos malefícios que traz, mas sim, por não ser aceitável para a opinião que dele têm os outros. Se queres combater o tabaco, não digas que faz mal. Diz apenas que parece mal.

(...) Da minha língua vê-se o mar.

Não se pode imaginar uma cor, fora das cores do espectro solar. Não se pode ouvir um som, fora da nossa escala auditiva. Não se pode pensar, fora das possibilidades da língua em que se pensa.

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