Stéfani Agostini

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O que eu preciso não esta em Paris, Nova Iorque ou Londres. Não esta nas vitrines das lojas, nem no comercial da televisão. Não se compra com papel, não vem embalado, não mata a fome. Não é de vidro, nem de plástico, nem de ouro. O que eu preciso já esteve muito junto de mim. Tem nome, endereço e telefone e, diga-se de passagem, um sorriso lindo. Te adoro.

E lhe perguntavam se ela estava bem. Como se alguém realmente se importasse. Se esse alguém olhasse dentro de seus olhos tristes, camuflados por um sorriso, não faria essa pergunta...

Ela não olhava o que se passava fora da janela, ela olhava o seu reflexo nela. Não por egoísmo. Ela só tentava,insanamente, olhando dentro de seus próprios olhos, se entender...

O lápis e o papel sabiam melhor do que ninguém o que ela sentia e pensava. Afinal, são em poucos que se pode confiar...

Por favor, se não for para amar, me deixe sonhar...

Palavras sempre me intrigaram, elas são sempre as mesmas, mas colocadas no papel harmoniosamente, formam um novo contexto, poético e surpreendente.

Aqueles seus dois olhos, não miravam apenas o que se passava fora da janela. Eles viajavam muito mais longe. O que se passava por sua cabeça? Esse sempre foi um grande enigma.
Provavelmente ela procurava a explicação do amor, e em sua doce loucura, receio que ela sabia.
Sorte mesmo, será de quem souber enxergá-la por dentro daqueles olhos inquietos e serenos. E se esse alguém souber amá-la de verdade, sem perceber irá descobrir a fórmula do amor...

O que ainda me mantêm viva no meio de todo esse caos, é saber que eu tenho você ao meu lado, é saber que ainda vou te encontrar. Se Deus quiser...

Ela colecionava segredos, mas não guardava rancores, ela simplesmente os jogava fora, os esquecia. Guardava as tristezas e mágoas bem escondidas, na frente delas usava um sorriso, e também os distribuía. Dava conselhos e ouvia lamentações. Ah, sobretudo ela também guardava amor, mas sempre saia por aí e o dava a quem precisasse.
Ela sempre foi assim, tinha no coração uma caixinha de sentimentos, e no olhar a serenidade inquieta de um enigma a ser desvendado.

Quem me dera ser um gato
Quem me dera ser um gato,
Para ser da noite companheira,
E amiga da preguiça.
Ter medo de banheira,
Correr atrás dos ratos,
E caçar as borboletas.
A solidão contemplar,
E com um olhar decifrar
Todo mistério da vida.
Quando me cansasse
Voltaria aos braços de meu dono,
Pra ganhar um afago, um carinho.
Teria no meu focinho gelado,
Todas as inquietações da humanidade.
Quem me dera ser um gato,
Pra viver na boêmia,
Respirar melancolia,
E por fim virar poesia.

Gosto

Gosto do que me inquieta, do que me desperta, do que liberta, das controvérsias.
Gosto do que me tira do sério, do que me tira do tédio, do deletério, do mistério.
Gosto do sim e do não, do que me tira do chão, de precipitação, da solidão.
Gosto do desatino, do matutino, do figurino, do destino.
Gosto da insanidade, precariedade, ociosidade, fatalidade, eternidade.
Gosto do que é complexo, do que não tem nexo, circunflexo, desconexo, um simples amplexo.
Gosto da desilusão, da inquietação, escuridão, dispersão, prontidão, expressão.
Gosto da ousadia, da melodia, claustrofobia, pareidolia, alegria.
Gosto de vigor, gosto de sabor, de rubor, de vapor, de amor.
Gosto da morte, gosto da sorte, do sul e do norte, e do que mais importe.
Gosto das partidas, do que é sem medida, de ser descabida.
Gosto da Vida.

Quero

Tem dias nos quais eu estou insuportável, cheia de não-me-toques. A típica pessoa que eu odiaria.
É justamente nesses dias que eu mais preciso de carinho, de afeto, de proteção. É quando me perguntam se eu estou bem, e respondo que sim, só pra não ter que me explicar. Mas quem realmente se importa?
É quando tudo que há em ti me faz falta.
Quero colo, quero beijo, quero cafuné, quero flores, quero doces, quero música, vento. Quero você...
Tua ausência me faz falta, é excruciante e incômoda.
Quero minha cura. Quero, quero, quero. Como uma criança. Quero agora. Amanhã encontro outra coisa para me angustiar...

Ela até suportava a rotina. Mas com ele, não...

As vezes tenho medo, sabe. Tenho medo de desistirem de mim, dele desistir de mim, de eu mesma desistir de mim...

Ela simplesmente desistiu de todos aqueles estereótipos sociais ridículos. Quis apenas ser feliz.

Quero que fale na cara mesmo. Deixe tudo bem explicado, e bem terminado se for necessário. Ponha os pingos nos "ís".
Cansei do inacabado.Ponto.

Se palavras ferem, o silêncio na hora errada, corrói...

Apesar de ser tão forte e bem resolvida, ela ainda tinha medo de ser feliz. Porque ela simplesmente não seguia seus próprios conselhos? Lembre-se ser feliz não doí, não doí...

Me cansei de "achismos". Só estou parando com o meu vício de ter medo de ser feliz...

Andei pensando na vida, e ela me assusta. Ando mais sensível que nunca, precisando de algo que me surpreenda positivamente, que me tire do ar por alguns instantes, só pra esquecer o mundo sombrio lá de fora.

Pode ser você...

Por mais que quisesse aquela sua pureza inconsciente a acompanhava como uma doença silenciosa, que te degenera aos poucos, e te consome. Até parecia ser masoquista, gostava de apanhar da vida, mas precisava urgentemente acordar pra ela, e ver que o ser humano também sabe ser filho da puta...

E depois de tudo aquilo que passou, parou de querer planejar o amanhã e adivinhar o futuro. Vivia um dia de cada vez. Pois o amanhã a Deus pertence...

E assim, inconscientemente ela afastava as pessoas de si. Era sincera demais. Mas o que a impressionava de fato, é que todos querem a verdade, mas não aceitam o fato dela machucar...

De cara e alma lavada seguia em frente, sem esperar por nada, pois tinha se cansado de decpções, mas sabia, que ali em frente, na próxima esquina, tudo podia mudar...

Ora, mas que pergunta é essa? Se pareces um pateta? É claro que sim. É o preço a ser pago pelo amor. Patetice aguda. E não há remédio que cure...

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