Rimbaud
Sensação
Pelas tardes azuis do Verão, irei pelas
sendas,
Guarnecidas pelo trigal,
pisando a erva miúda:
Sonhador, sentirei a
frescura em meus pés.
Deixarei o vento banhar
minha cabeça nua.
Não falarei mais, não
pensarei mais:
Mas um amor infinito me
invadirá a alma.
E irei longe, bem longe,
como um boêmio,
Pela natureza, - feliz
como com uma mulher.
Por delicadeza, perdi a minha vida.
Eu é um outro
Sua bondade e sua caridade, sozinhas, lhe darão o direito de ser, no mundo, real?
Que venha a hora da paixão!
Expliquei então meus sofismas mágicos pela alucinação das palavras!...
Acabei por considerar sagrada a desordem da minha inteligência.
Sentei a beleza ao meu colo
Achei-a amarga
E injuriei-a
Contra a justiça
Armei-me
A mão que segura a pena vale tanto quanto, a que empurra o arado.
Estendi cordas de campanário a campanário; guirlandas de janela a janela; correntes de ouro de estrela a estrela, e danço.
