Ramon Ferreira Santana
Meu coração está quebrantado pela saudade, está quebrantado pelo desejo, pelo silêncio.
A canção é meio parecida com essa coisa absurda que é a Lua - percorre séculos e séculos indiferente. Há três mil anos era possível se ouvir uma canção entornada no alto da montanha. Hoje, a mesma montanha permanence lá e a canção também. Mas não nos pertencemos mais.
Aonde mais será possível encontrar numa só criatura tamanha sensualidade? Aonde existirão olhos tão negros e um mistério tão profundo senão no pêlo quente e macio de um gato preto? Ele me olha, assim, tão de repente. Suas orelhas balançando ao menor sinal de ruído. Estou entregue.
