Natália Ribeiro
Feche os olhos e ouça o quão ensurdecedor é o silêncio de uma palavra.
O que falta ao ser humano é a própria humanidade
Palavras são imagens
Escondidas nas margens
Mortas de um rio.
Palavras são construções
Meras soluções
Que equilibram-se num fio.
Palavras são erros,
Palavras são acertos,
Para o sim e para o não
Tão fáceis, tão simples
Sempre ao alcance da mão
Graves e robustos
Que misturam-se confusos
Nas linhas tortas e imaginárias
Das figuras sedentárias
Que transitam alegres
Nas margens mortas do rio
Palavras são imagens.
Palavras são miragens
Que transitam no papel.
Não é dor,mas tabém não pode ser medo.É o sentimento que temos quando estamos sufocando...Não é medo,mas também não pode ser dor...é uma fúria incontrolável,é o ultimo impulso que damos para tentar inutilmente respirar quando já estamos afundando.
O Ser Humano deixou a humanidade de lado
Eu choro com os anjos que caem,
à noite sem que ninguém os veja,
Eu choro com os anjos
à noite sem que ninguém nos ouça.
Talvez por dor,talvez por solidão...
Anjos choram na escuridão do abismo
que eu mesma criei com o tempo.
Nossas lágrimas viraram cinzas
e eu posso sentir você tentar controlar o medo,
posso sentir você tentar se aproximar
passo á passo,mesmo sem poder vê-lo...
Você sabe que eu posso sentir
parecendo ser tão real.
Os anjos choram à noite;
na chuva...
O vento frio do inverno leva tudo embora outra vez.
sem arrependimentos,sem compaixão.
Os anjos choram
tentando ser um só
e as lágrimas nos unem
porque queremos ser um só
Mas nada dura para sempre,
nem mesmo o abismo que nos distanciou
por estarmos sozinhos,
por chorarmos juntos
como se fossemos um só.
Mais vale um minuto de sabedoria do que uma vida inteira de tolices.
Se eu pudesse dizer,mesmo em poucas palavras,
que tudo o que eu sou agora é tudo o que me restou,ainda assim ficaria em silêncio.
Lamentações da Africa
Quem sabe não é quem responde,
Quem sabe não é aquele que tememos,
Quem sabe não é quem sempre acerta.
No passado não perguntávamos,
Mas sempre quisemos saber.
Hoje o dia está mais claro,
E agora podemos ver
O que antes estava encoberto.
Quem sabe não é quem anda na frente,
Quem sabe não é aquele que tem poder,
Quem sabe nem sempre entende.
Antes caminhávamos livres
Pelos vales verdes,na primavera
E costumávamos conversar tranqüilamente
À noite no quintal.
Esquecemos de acreditar,
Esquecemos de procurar
E agora tudo parece estar tão vazio,nesta cidade sem luz
O sol não brilha como antes,
Parece não poder mais afastar as trevas da noite.
Sim,agora os dias são sempre noites,noites infinitas.
Olhando para o chão entristecido,
Fito um futuro de ilusões,
Olho para o passado e as lembranças machucam.
Olho entristecido o agora.
A minha liberdade já não me pertence,
A minha fé já não é mais minha,
Não conheço minha história,
Me lembro apenas dos tempos
Em que corria através dos campos
Com o sol acima de mim.
E caminhava sempre livre
E pensava tranqüilamente
Sem temer ser machucado.
Agora,percebo
Que nossa vida já não é nossa,
Que nossa história foi contada errada
E que quem sabe não é aquele q responde,
Mas sim aquele que pergunta.
Depois da profunda dor
sempre há um lugar tranquilo
para descansar um corpo machucado.
As sombras caem no abismo de nossas almas,
mas sei que seguindo em frente
encontrarei a luz,
Pois a escuridão não será para sempre
e essa não é a última alternativa.
Tudo está tão longe,
as estrelas escondem suas vergonhas
abandonando um céu em chamas.
Você pode ver a verdade
pois hoje você ouvirá uma canção
que o fará lembrar
que já é findo o tempo.
Um dia encontraremos a razão,
um dia encontraremos as respostas.
Aqui é uma terra de gelo
tão fria quanto sua alma
Um lugar escondido nas brumas
além dos sonhos.
Tão notável a sua presença
com o engano dos sentidos
que constrói aquele que faz renascer a ilusão
não é matéria,não é fato
então distingui-se e quer esclarecer
a ilustre imagem inseparável daquilo que é absurdo
diante da combinação de idéias.
Tudo o que está entre a forma e força
da origem do poder
que faz alguém renunciar voluntariamente seus sonhos por outro alguém.
Existem coisas que eu não entendo,
que não faz sentido...
Quero apenas saber o que eu sinto realmente,pois tudo pode ser um sonho,uma ilusão.
Fechando os olhos eu consigo ver você voltar para mim,
mas o sonho é sempre passageiro...
Acaba logo.
Seus olhos retratam
todo o seu lado obscuro
Do qual se vê as chamas
De uma alma solitária e sem amor.
Em sua face existe traços de perfeita mágoa
que se apaga quando está sozinha.
É difícil não a ver,
não queria perde-la.
Você foi embora e agora estou sozinha
e assim sempre ficarei.
Sinto sua falta
assim como sinto falta de mim mesma.
Lágrima
A dor completa e intocável
É tão complexo quanto o seu nome
Diferenciado por palavra envelhecida
Pela sombra do passado que julga-se presente diante sua face.
Indulgente com o que carrega seu sangue
Indizível entre todos os que estão conscientes
a nunca poder imaginar-se inaterável.
Transigir sobre sua liberdade e submeter-se a seu comando e súplica.
Encharcado por lágrimas de verdadeiro afeto e confiança;
Tão sagrado a superficial indiferença.
É inútil encobrir a clausura que domina
O pleno surgimento de desejos e sonhos até então adormecidos.
Desprezando o plano que o serve de fundo
E a confusão que lhe dá benefício.
Que seja audível seu presságio,
Sugerindo e determinando seu pobre valor.
Com conselho exato mas não ouvido,
Sem angustiar a alma que caminha sozinha
Procurando um motivo para descansar em paz.
Hoje receba o mensageiro
Que virá diante de sua porta para levá-lo embora.
Então o juramento será cumprido e seu perdão será como bênção
O gato Da Janela
Ao longe percebi um gato na janela
Com o olhar distraído, imaginei que para mim sorria.
Meu coração feliz, pois dele toda sombra sumia.
Pois era amada aquela figura tão bela!
Ao longe me esperava
Tanta coisa poderia aquele gato conhecer!
Seus olhos faziam a noite se esconder
Toda dor, toda angústia terminava!
Eu me aproximava e era perfeita a felicidade que sentia
Aquele olhar tão puro e doce
Que pelo anjo que sonhei que fosse
Era um gato que na janela dormia!
Todo o amor que me roubava
O remorso e a tristeza que esquecia
Cada vez que a flor amada dormia
Era com o gato na janela que sonhava!
Era sublime aquele verdadeiro encanto,
Mas quando na janela o gato eu não via
Meu coração vazio então morria
Sem vida e sozinho com meu pranto.
A verdade que procuramos nos outros é aquela que não enxergamos em nós mesmos.
