Mayara Freire

1 - 25 do total de 57 pensamentos de Mayara Freire

CARTA PRA VOCÊ, MEU AMOR.

Eu sei. Tenho me tornado uma pessoa introspectiva para meus melhores amigos. Eu sempre fui tão prestativa, sempre sensata, procurando sempre dar conselhos baseada na razão, naquilo que é certo, justo e etcétera. E deve ser por isso, por essa minha prestação de conselhos a qualquer hora, a qualquer custo, sem demora, que eu mal posso me calar que já começam a criticar. Mas... É por você que eu tenho me fechado, que não tenho mais pensado alto – como antes – quando vivia pelos cantos falando com meus botões.
Todo mundo precisa de um tempo pra si. E eu preciso do meu agora. Eu sei que tem pessoas me olhando torto, me achando louca, ou inventora de histórias – de amor, principalmente – e que eu não passo de uma menina carente que precisa viver. Eu sei que tem gente que desacredita, que não confia mais em mim, que eu não posso mais contar segredos. E é por isso que eu vivo pra dentro, sempre. Gosto dos amigos mais seletos, ou melhor, de um ou dois a quem posso confiar um pouco dos meus segredos, já que – por essência – não deixo ninguém me conhecer inteira, esse todo eu que me faz complexa demais pra qualquer um que não goste de ler, não goste de ouvir, não goste de entender e aceitar outras filosofias, que não goste de ver por outro ângulo.
Mas, vem aqui. Senta aqui do meu lado e me dá a sua mão. Sente? Agora chega mais perto um pouquinho. Encosta sua cabeça aqui no meu peito. Ouve? É, ele ta batendo forte, acelerado. Não, ele não foi sempre assim.
Foi depois que você chegou. Lutar pelo amor faz ele ficar assim. É, dói de vez em quando, principalmente quando você me olha assim, com esse olhar profundo como o oceano, querendo me dizer o que se passa aí dentro de você.
Não, fique. Por favor. Eu preciso de você. Não faça nenhuma besteira, não se culpe. Sem você aqui ele bate fraco, quase para. Meus olhos ficam um castanho opaco, sem graça. Volta aqui. Eu preciso te dizer. Ele ta assim por causa de você. E, eu não sei mais viver sem essa falta de ar, sem essa dor que parece destruir tudo aqui a cada despedida. Mas, a minha vida seria sem graça sem isso.
Eu quero continuar sentindo isso, quero lutar junto com você. Me dá a sua mão. Não quero soltá-la nunca mais. Não me importo se daqui 50 anos sua mão esteja cansada, com rugas. Continuarei segurando-a assim, e beijando-a assim.
Eu quero te dar todo esse amor que eu guardo aqui dentro, que foi plantado aqui desde as primeiras poesias que meu avô recitava pra mim e desde a primeira vez que ele cantou a música de ninar que até hoje me dá sono – ai meu Deus! Como eu sou terrivelmente romântica - , olha, não liga para os meus olhos marejados. É que eu já passei por tanta coisa que só em pensar em dividir minha vida com alguém de novo uma espécie de melodia começa a tocar dentro de mim.
Ei, olha pra mim. Só me diz que você também quer isso. Eu, definitivamente, não quero me dedicar sozinha de novo. Não quero não me surpreender, não ser amada.
Eu sei. Olhares mentem. E eu aprendi isso sozinha, jogando
bolinhas de gude com as dores que levo no bolso. Mas, assim como aquele dia que eu te contei que por trás do livre-arbítrio existe aquela força que nos impulsiona a fazer o que deve ser feito. Eu sei que existe algo a mais no meu olhar que te mostra a minha alma e o quanto eu estou sendo sincera.
Deixa eu te fazer feliz? Eu posso tirar toda essa dor que colocaram em você sem que você percebesse. Eu sei que posso. Feche os olhos. Consegue ver? Meu avô dizia que quando se ama fica mais fácil enxergar a vida de olhos fechados.
Peça de volta à tristeza os discos de dance music que ela tirou da sua prateleira. Também peça as suas roupas estampadas que estavam no seu armário antes de ela chegar. Olhe pra esses olhos castanhos aqui – que perto dos seus ficam tão sem graça. Dá pra enxergar a vida por eles? Por esses olhos de quem te ama?
Eu amo seu sorriso. E eu acho que eu encaixo perfeitamente no seu abraço. Quer ver?
Eu amo você.

E eu decidi. Prometemos segredo, não é? Até a gente ser feliz e ninguém ter mais nada a fazer, senão, engolir a crítica e aceitar que pessoas de origens diferentes podem ser do mesmo mundo, sim!
Eu queria explicar tudo o que passa aqui dentro, todos esses dias e anos de espera, todo esse Universo que sempre nos rodeou. Porque, a nossa sabedoria é loucura pro mundo.
Bom... Nada de texto dramático dizendo tudo, né? Eu sempre me entrego em textos assim.
Mas você veio pra se arrumar na minha confusão, pra acender a luz que apaga a solidão, pra refletir os seus olhos nos meus e o seu sorriso no meu.
Antes de você chegar eu não sabia mais sofrer, eu não sabia mais o que pensar e foi exatamente por isso que tomei a decisão de não pensar em nada. E foi quando eu estava assim, com a mente vazia de sentimento, que você encheu ela com seu bom humor, seu jeitinho de olhar a vida e sua mania de me fazer sorrir até chorando.
Sabe como é entregue uma carta de suspiros? Pelo vento...
E as minhas são entregue a você todas as manhãs, enquanto toma seu café que mais parece um almoço.
O meu caminho continua doce porque você veio caminhando naquela via paralela, o tempo todo, sem eu saber que você estava ali. Pensando encontrar em qualquer outro a emoção que eu tenho com você.
Só com você. Meu bem querer.

Mas eu quero. Eu quero um amor todinho meu, não uma metade, nem alguns caquinhos, mas todinho. Que eu possa chamar de meu, apertar, morder, beijar, bater. É meu, caramba! Ah... E eu quero surpresa, quero loucuras, quero bagunça, crise de ciúme, briguinhas que acabam em agarros, provas de amor. Eu quero me surpreender.
Até hoje, todos esses meus amores foram pré-definidos por uma lista de objetivos na vida, por um sonho bobo, por uma aposta. Agora eu quero me surpreender.

Eu quero, na verdade, eu quero que ele leia meus textos, tente me descobrir. Até porque, hoje eu sou isso, amanhã aquilo e a mutação é constante. E, pra ser meu, ele vai precisar me descobrir todos os dias, me convencer e me encantar.
Eu quero me apaixonar todos os dias por aquele cara alto, nem magro, nem gordo, de olhos escuros, de abraço apertado, de encaixe perfeito, de barba cerrada, de amor sincero que me traz flores com um bichinho de pelúcia em plena quinta-feira, depois que eu chego do trabalho descabelada e me jogo no sofá. Que me entrega as flores com um sorriso enlouquecedor e ri quando eu quero morrer por estar horrível e que me cala com um beijo quando eu vou brigar com ele por ele não ter me avisado que viria.
Eu quero viver o que ninguém me permitiu que eu vivesse. Que ninguém me fez conhecer e que eu só conheço por que sonho, porque tenho uma mente incrivelmente fértil. Eu quero sentir falta na segunda mesmo depois de passar o sábado e domingo com ele e saber que o verei na terça. Eu quero enlouquecer de saudade, e quero que essa saudade me faça correr atrás dele onde quer que esteja só pra eu abraçá-lo e voltar correndo para o escritório.
Eu quero ser a irresponsável da relação, eu quero ser a maluca, a que não tem limites e não a que precisa se manter centrada sempre pra que nada saia dos conformes, pra que tudo fique bem e não acabe em discussão. Eu não quero ser a que presta atenção nos detalhes, que vive se preocupando exageradamente, perguntando se tudo está bem, se sentindo incapaz de fazer alguém feliz.
Eu quero ser feliz e quero ter a certeza de que ele é feliz porque me ama e porque ele me faz feliz. Que por causa dele eu deixei de me trancar num casulo pra voar ao lado dele. Que eu não preciso dele pra andar nem ser feliz, mas que é muito melhor andar e ser feliz ao lado dele.
Eu quero alguém assim... Que não tem forma, nem nome, nem cheiro... Mas que está vivo em meus sonhos e que um dia vai renascer pra mim e vai me encontrar em algum lugar, um lugar onde jamais eu espero encontrar o amor da minha vida. A vida me reserva surpresas, e a melhor delas será o dia em que ele se tornar real pra mim e eu puder sentir o cheiro, ver a forma, e pronunciar o nome.

Eu acho que tudo o que eu vivi me ensinou muito, mas não aprendi o suficiente para me tornar um adulto. Eu perdi amores, ganhei outros, e ainda sinto falta. Pra mim, o abraço sincero é mais importante que o beijo apaixonado e, o andar de mão dada expressa mais o sentimento que a serenata. Qualquer um é capaz de pegar uma viola e fazer um papelão na janela da menina, eu quero ver é suportar as crises, as brigas, as neuras dela durante toda uma vida e ainda assim caminhar de mão dada. É nisso que eu acredito, nesse sentimento raro e eterno. Porque a gente tem que viver se controlando para não matar EXATAMENTE aquilo que ama.

Digamos que eu tenha aprendido e, hoje, pode ser que ele fique por mais tempo ao meu lado, sendo meu apoio e abrigo, mas se eu o perder cedo demais, como perdi tantas outras pessoas, eu fiz a minha parte. Dei o melhor de mim e não posso dizer que não valeu à pena. O melhor é saber que depois de cada momento, a gente sabe que sempre estaremos nos buscando, mesmo que um dia a gente se perca. Eu tentei várias vezes encontrar resposta pros motivos que não deixam a gente se afastar como me afastei de tantas pessoas, mas desisti. Você mesmo me disse que não sabe explicar. Tudo bem. Eu também não sei. A gente não sabe o que sente, e se sente, o porquê do sentir. Também não temos noção do tamanho do sentimento, seja ele qual for. E se um dia nos perdermos, se vai doer muito, ou não. E se algum dia os caminhos se cruzam de novo e o mundo dê voltas, ou não.
É seguro demais a maneira como afirmamos que temos as rédeas de tudo. Que tudo está sob controle e que nada vai sair do planejado. Eu sinceramente espero que nada saia do planejado, do afirmado, do conformado. E... O importante é que teremos coisas bonitas pra contar. Você está bem e eu me orgulho de te ver assim. E eu torço muito para que você fique bem para sempre, como você merece e sempre mereceu.
Um dia me perguntaram se eu confiava em quem amava. E eu disse que sim. E a pessoa me perguntou: A que ponto?
E eu respondi: Ao ponto de me jogar de um prédio de vinte andares na certeza de que ele me pegaria em seus braços lá embaixo.
No seu caso, o prédio podia ser de quarenta andares que eu continuaria confiando. ;)

Eu queria destruir tudo com requinte, com esses textos que estão perdidos nas gavetas. Queria usar tudo isso para quebrar imediatamente qualquer tipo de relação bonita que mal comece a acontecer. Eu sei que posso, a qualquer hora, destruir tudo. Fui treinada ouvindo palavras duras, que matam mais que arma de fogo. Mas, alguma coisa aqui dentro me impede. Princípios que me fazem ver tudo com mais clareza, exatidão e bondade. Princípios que dizem a verdade: um dia eu vou ter que viver uma história clichê, isso é inegável.
Os impulsos, os meus pensamentos rápidos e toda essa compulsão me fazem querer tomar decisões precipitadas, desistir de insistir sem fé nenhuma seja lá pra permitir ou impedir. Eu sempre fui empurrada por palavras, livros, impulsos... Sorte que os princípios e a minha personalidade (que não é nada fraca) sempre me barram e me perguntam:
“Está certo isso?”
Eu queria destruir tudo pra me proteger, voltar aos meus livros, aos meus textos, aos calos nas pontas dos dedos de tanto escrever. Queria destruir tudo para que eu não saísse ferida, machucada, como antes. Eu não queria te magoar, não queria apagar o que há de mais lindo no seu olhar.
Não queria fazer mal a você, não queria que você chorasse, que soltasse a minha mão. Sempre que eu tento me proteger e tentar não me ferir eu acabo ferindo a outra pessoa sem perceber; nessa minha atitude impulsiva e nervosa, que sempre me faz voltar atrás depois, nem que seja pra pedir perdão.
Sinceramente, continuar sem te ter ao meu lado não vai ser nada fácil.
Não queria cobrar nada de você, pedir nada. Não queria te ver assim. Mas a minha mania de ser sincera, de ser realista com tudo, mesmo que me cause dores piores que cólicas me fez te ver assim, hoje a noite.
Mas eu sei que você me conhece o suficiente pra saber exatamente o que eu queria dizer, o que eu estava pensando.
Eu não queria mas deixei você ir. Foi necessário pra você e pra mim.
Não acabou aqui. Ainda não.
Nada do que se constrói em tanto tempo pode acabar assim, ficam os resíduos e é isso que me dá esperança de que tudo volte a ser parecidamente como antes. Não precisa ser igual pois, só de te ter ao meu lado me entendendo, como sempre, já seria a melhor coisa pra mim.
Eu sei que eu podia escolher, que eu podia ter a coragem que você sempre teve. Olhando o mar, você disse em LIVRE ARBÍTRIO. Ok. Eu sei que eu tenho o livre arbítrio de andar pelo caminho que eu quero mas, agora, é como se, por trás do livre arbítrio, já existisse um destino fixo, algo que eu não consigo mudar. Sobrenatural. Uma coisa pré-determinada, que eu não posso violar.
Agora, por exemplo, se você me ligasse eu juro que diria TANTA coisa... Talvez eu conseguisse dizer tudo o que sinto, tudo o que acho e das coisas que eu queria me arrepender de ter dito e feito.
Não pensei que você me doesse tanto...
Você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente.

EU ESTOU AQUI

Depois que a gente vive um bocadinho de vida, a gente percebe o quanto a gente gosta de complicar as coisas, do quanto tudo é muito mais amor do que parecia ser.
Agora, vendo o sol indo embora mais uma vez, aqui dentro de mim nasce aquela certeza de que todo fim de tarde vai voltar amanhã, que tudo pode ser muito melhor e muito mais bonito. Que todo aquele sonho que eu sonhei por tanto tempo e que desapareceu em minutos, transformou-se numa realidade muito mais encantadora e plena.
É estranho demais as voltas que o mundo dá.
Aqui da janela do apartamento, eu posso ver aquela montanha que tem forma de “gente”. Os olhos, o nariz, o resto do corpo. O sol batendo no prédio do fórum, a vida passando bem na frente dos meus olhos.
Eu estive pensando em tudo o que vivi, em tão pouco tempo tanta coisa aconteceu, tanta coisa mudou. Toda aquela responsabilidade de fazer as pessoas que eu amava sentirem-se bem desapareceu, foi como se um peso saísse dos meus ombros. Eu confesso que eu quis carregar tudo isso, que eu quis ser útil demais, quis demonstrar demais... Mas, como sempre, eu também preciso cuidar de mim e de quem sempre esteve tão perto e eu nunca dava atenção. Com a vida, a gente também aprende que não dá pra agradar todo mundo, pra ser porto seguro de todo mundo, pra ser melhor amigo de todo mundo. Existe um mundo inteiro precisando de um melhor amigo, seria injusto demais da minha parte...
Também, a gente aprende que, uma hora ou outra, alguém tem que sair do trem, alguém vai desembarcar, parar em alguma estação esperando outro trem pra poder seguir viagem... Isso é inevitável.
Eu preciso cuidar, preciso amar um pouco, me permitir viver além do que os livros permitem. Me permitir pensar um pouco mais em tudo, viver um pouco mais intenso, brincar um pouco mais pra risada ser mais longa. Sair de toda aquela prisão que me fazia ter a falsa impressão que eu tinha asas, que eu podia voar, sem saber que meus pés estavam presos a correntes.
Somente. Algum mal nisso?
Eu não tenho escrito com tanta freqüência (eu sei que não tem mais trema, mas o maldito Word teima em colocar), confesso que andei desanimada, sem vontade, pensativa demais e confusa o suficiente para não saber nem por onde começar a escrever.
Mas, desde que me decidi a pensar em mim e no que me faz bem, eu me inspirei novamente (pro desespero de todos).
Viva a vida, ao amor, a paz, e tudo que sempre me fez sorrir!
...
Prestei atenção no detalhe daquele ser humano. Nunca trocamos mais que três palavras, mas é incrível como eu posso ler em ser olhar a vontade imensa que ele tem de sair, de fugir de si mesmo.
Não adianta. Os olhos me dizem o que a alma sente. Não, não estou me achando uma MUTANTE, mas tenho coração para ver a alma pelos olhos de quem olha. E, aqueles olhos me diziam que aquela alma precisava chorar, precisava fugir, ir embora... Eu ajudei como eu pude. Confesso que não fiz o que qualquer pessoa faria, posso até ser sido dura demais, chata demais, mas fui sincera, falei exatamente como eu estava vendo. Foi bom te acolher nos meus braços, te emprestar o ombro pra você chorar um pouco e, mesmo depois de você tentar negar tudo o que eu dizia, acabou afirmando, em silêncio, que eu estava certa. Que aquele coração que pulsava perto de mim estava cansado de amar errado, estava cansado de procurar algo que preenchesse alguma coisa que nunca te pertenceu mas que sempre te fez falta. Eu sabia, desde que te encontrei atravessando a rua cabisbaixo, que você estava cansado demais de andar, viajar, e sempre sentir-se um estrangeiro. Estava cansado de procurar um porto pra atracar e passar um bom tempo ali, em segurança, sem as tempestades que a vida te coloca, apenas com o balanço do mar que traz um profundo sono pra esquecer todas as maldades que as ironias te causaram. Eu pude sentir o seu desespero em ter que demolir mais uma fantasia que construíram na sua cabeça, mais uma vez te enganaram.
Depois de tanta conversa, aquela coisa podre, úmida, aberta, que te machucava demais, ficou seca, jogada em algum canto aí dentro de você, à espera do vento forte pra levá-la pra bem longe, bem longe das suas lembranças.
Eu me senti bem ao saber que ainda resta dentro de você um pouco de esperança, e que depois de tanto te ouvir, sentir em cada palavra sua aquela paz que te faltava e que você a teve nessa tarde.
Eu já me senti assim, como te disse. Me senti impossibilitada de expressar o que eu queria, o que eu sentia, o que eu amava. Mas essa esperança estranha que te invadiu hoje à tarde, era a minha força e a única certeza que eu tinha de viver momento bem melhores.
Também andei assim, perdida. Já andei como você, olhando para os lados, para os prédios, e tentando encontrar entre toda essa civilização, algum espaço no céu para eu me sentir um pouco mais eu.
Mas, eu tenho certeza que você vai descobrir que pode me ligar às seis da manhã só pra gente correr ali na Beira-mar e ver o sol chegando, mais uma vez, praquela esperança nos visitar de novo e nos fazer sorrir.
Eu li esses dias que a ferida não se mede pelo tamanho da cicatriz, mas pela dor que causou. Aquele foi a minha maior ferida, a pior dor. Mas, passou. Isso é bom, não é?
Depois de toda essa sua filosofia clichê e errante, a gente descobriu juntos que o que você mais queria era ser feliz, somente! E, você vai ser.
A vida sempre nos reserva uma caixinha de felicidade em algum canto da estrada... Acredite!
Um dia desses, uma pessoa me disse que eu sempre falo besteiras, que vivi pouco demais pra falar tudo isso que digo saber. Fiquei em silêncio. Mexeu comigo, me fez pensar. Mas, eu pensei...
Sou a pessoa mais feliz desse mundo por saber tanto com tão pouca vivência. Pode ser que daqui a alguns anos tudo isso mude, eu passe a acreditar em outras coisas, passe a viver um pouco mais além... Mas, o que importa, é que mesmo você dizendo que falo besteiras, você se importou e se comoveu com todas as verdades que eu disse. E mesmo negando, isso te fez pensar, te fez querer mudar e, mais cedo ou mais tarde, vai te fazer viver mais dignamente. Acredite! Você não sabe dar nomes as tuas emoções, cresceu perto de quem te queria como todo mundo, mas esqueceu de crescer pra você mesmo, pro seu bem.
Você fica aí procurando alguma coisa que nunca esteve, não está nem nunca estará aí.
Eu estou aqui

DESISTA

Ahhh... Se o céu não existisse, minha felicidade não seria completa! O mundo não teria a mínima graça. A praia não seria tão legal, nem aquele jantarzinho à luz de velas seria tão romântico. O amor não seria tão intenso, nem a amizade seria tão essencial.
Como as coisas mudam...! Como o tempo passa...!
Há 12 anos atrás eu deitei na grama, o meu cachorro Poddle deitou ao meu lado e encostou a cabeça no meu ombro, e nós dois, ali, olhamos para o mesmo céu. A minha vontade de ver uma estrela-cadente era muita, não a vi. E o sonho ainda continua.
Nada mudou, mas o tempo passou.
Não tenho mais 5 anos, o cachorro morreu e a grama foi substituída por cimento e pedras. A terra não tem mais cheiro de alegria e as flores não vem mais na Primavera.
Eu não me equilibro mais nos joelhos do meu pai e a mãe não faz mais “aviãozinho” daquelas comidas nojentas que ela fazia.
A ordem das coisas está confusa e o mundo está atrapalhado.
Mas eu continuo sonhando... E olhando para o mesmo céu!
Na vida é assim... Uma hora tudo parece estar tão certo, tudo tão harmônico. A melodia parece estar perfeita. Você pensa que o sol não causa câncer e o mar não mata afogado. Você pensa que a lua te protege e, enquanto ela existir, você não vai sofrer por aquela coisa popularmente chamada de AMOR, e que as pessoas que você ama nunca vão te decepcionar.
Você acredita que todos tem um “lado” bom e que o bem sempre vence. Você acredita que sempre vai vencer porque você pode! Você luta até conseguir e pensa que nunca vai desistir...
Mas, os maus dias chegam.
Você percebe que as coisas não são certas e, muito menos, harmônicas.
Você descobre que enquanto a melodia era criada, um músico bêbado fez tudo errado, e então, a melodia ficou horrível e impossível de ser ouvida.
Você descobre que o sol mata e o mar também. Que a lua não te protege e que o amor machuca. Você descobre que amar é bom, e ruim.
Você descobre pessoas que querem o seu mau, mesmo sem ter feito nada à elas. E que o bem nem sempre vence.
Você aprende a ganhar. Aprende a perder. Aprende a desistir.
Sim! DESISTIR. Por que não?
É ruim demais pra você? Quem sabe a melhor coisa a se fazer é DESISTIR!?
Desistir de lutar por quem não se importa, desistir daquela faculdade, daquela amizade.
Desistir daquele sonho que, agora, você sabe que não vai te fazer feliz, desistir de manter os pés no chão e aprender a voar, ou quem sabe, o contrário.
Ah... Se as pessoas soubessem desistir; sofreriam menos.
Eu, por exemplo. Se eu tivesse desistido, não teria sofrido.
Se Hitler desistisse, se Bush desistisse, se Bin Laden desistisse... Se aqueles terroristas desistissem não haveria tanto choro, não haveria corações partidos, vidas destruídas.
Se você desistir, quem sabe, não seja mais feliz?
Desista e sonhe com aquilo que te faz bem...
Desista das coisas inúteis que só te afligem, desista dos amores certos – vai pros incertos!
Desista dos amigos que te fazem mal, existem tantos cachorrinhos que querem ser adotados!
Desista de manter seu cabelo sempre arrumadinho, desista de não sujar o pé na areia, desista da dieta! Você é lindo (a) assim como você é!!!
Desista do sorriso forçado, seja o que você é!
Desista do beijo mal dado, do abraço não-apertado, do falso elogio!
Desista da mentira, da fofoca!
Desista do medo, da dúvida... Se lance na vida!
Desista de ficar deitado em casa, sem fazer nada!
Desista da televisão e opte pelo livro, pela música...
Desista desse ser MENTIROSO que você mostra ser e viva o que está escondido dentro de você:
A FELICIDADE.

Eu queria te olhar só por alguns instantes. Sei que ainda consigo ler teu olhar, e desde a última vez que te vi não consegui ler neles que você não me queria mais. É tão difícil eu entender o porquê de alguma coisa aqui dentro de mim ainda insistir em nós. Eu me despi do meu orgulho para escrever tudo isso, claro, ninguém está me olhando. Mas eu sei que quando eu terminar esse texto, vestirei o orgulho e não quererei te ver nem de longe. Terei ojeriza de você, de tudo o que vivemos. Me adaptei a sua ausência dessa maneira. Foi assim que consegui viver todo esse tempo sem você, não me culpe.
Deixar que o orgulho seja um pouco maior que eu foi a única maneira que eu encontrei de me levantar, de sorrir enquanto eu desmorono por dentro, de alegrar os outros enquanto eu choro por dentro. Foi a única maneira de esconder totalmente o que eu ainda sinto. E, eu sei que se você ainda for o mesmo por quem eu me apaixonei, assim que você me ver, irá enxergar nos meus olhos o mesmo amor que eu zelava por você.
Eu sonhei em cuidar de você. Sonhava todas as noites em velar teu sono, em andar de mãos dadas com você por todos os lugares, em assistir o show dos nossos cantores preferidos, em fazer fogueira. Eu sonhei que te teria pra sempre.
Eu não costumo sonhar assim. Mas eu sonhei.
O fato é que desde que tudo me aconteceu nunca mais fui a mesma. Você levou uma parte minha, me deixou desfalcada. Não consegui mais amar ninguém, tentei, confesso. Mas foi em vão. Também não consegui ter uma amizade como era a nossa, cometi tantos erros, desperdicei tantas alegrias.

Porque não foi um pouco antes? Porque não apareceu quando tudo era mais simples, quando a minha vida era menos complexa, quando eu estava descobrindo tudo o que me fazia bem e não tinha um pingo de medo de viver tudo o que eu tinha para viver? Porque não veio mais cedo, não cruzou meu caminho numa daquelas longas viagens, porque não nos esbarramos numa dessas calçadas, num desses bares? Porque tudo agora, tão recente, sem termos a mínima chance de descobrirmos se a gente pode ser feliz, se a gente se completa como nosso abraço diz nos completar? Porque todo esse fingimento, essa farsa de um amor embutido numa amizade linda demais, companheira demais? No entanto, só nós sabemos o quanto nos precisamos, nos fazemos bem, somos felizes juntos.
Porque tudo agora? Tão tarde?
Tudo bem. Conformei-me, já.
É só um momento. Na verdade, é que agora estou aqui sozinha lembrando e com saudades. Todas as vezes que tenho esses momentos eu me revolto com o tempo, me revolto com as ironias do destino, e escrevo. Como se fosse um surto. É rápido. Logo passa. O que não passa mesmo é essa vontade de estar ao seu lado e todas as noites ouvir a sua respiração aqui no meu ouvido, sentir o seu cheiro; mesmo você estando longe, aí, também com saudades porque acabou de me confessar por uma mensagem.
Vai ser assim, pra sempre. Só não se esquece de me levar no pensamento, porque eu te levarei.

Sempre é assim. A saudade nunca chega quando estamos perto da família, do namorado, dos amigos. A saudade nunca chega na infância, naquela música antiga ou naquela época do primeiro amor.
A saudade é um sentimento inimigo dos enamorados, dos amigos, dos apaixonados, dos vividos... Ela chega quando aquele namoro terminou, quando a infância passou, quando aquela música não toca mais na rádio.
Saudade é aquele sentimento do momento não vivido, do beijo não dado, do abraço negado... Daquele perfume, daquelas briguinhas, daquelas gargalhadas.
Saudade é a palavra vazia, o silêncio calado, a dor consentida.
Saudade é um sentimento sentido sem querer, sem perceber já somos tomados por ele. Saudade mata as pessoas, fere a alma, machuca o coração;
Mas a saudade, além de nos causar e mostrar a dor da perda, ela nos mostra o quanto aquilo nos faz falta.
A saudade é confusa, complicada, dolorida. Certa e incerta. Cheia de caminhos contrários aos do amor. Ás vezes dói tanto que parece querer matar, mas ás vezes nos causa sensações tão boas que nos fazem chorar.
A saudade leva e traz esperanças, amores, intrigas e rancores. Nos mostra que devemos dar valor enquanto temos. Mostra-nos a vida de um ângulo diferente, oculto.
A saudade faz parte de um romance, de uma amizade...
Mas faz parte da vida.
Sem ela, a vida não teria a mínima graça.

Meu mundo se resume a ressaca. Ressaca de uma mistura contínua de gênios e personalidades que eu nem imaginei que pudesse conhecer. Eu também não sabia que, além de misturar bebidas, misturar pessoas e situações também dá ressaca; e meu mundo se resume a isso. A uma ressaca constante de tudo isso que aparenta ser a ilusão do que foi vivido, quando na verdade, nada se viveu e se tem toda uma vida a descobrir, ainda. Essa ressaca de palavras repetidas, de canções mal interpretadas, de paixões que eu já nem lembro, de perguntas sem respostas e de respostas soltas ao vento, de noites mal dormidas, ressaca de acordar arrependida. Ressaca do medo, da incerteza e do espinho que se aloja na garganta todas as vezes que evito o riso tentando ser politicamente correta. Ressaca dessa faixa amarela que sempre está entre eu e alguém que eu não conheço e não poderei conhecer por ela estar exatamente ali, no meio do caminho, dando alerta para a passagem proibida, me negando a minha própria descoberta, o meu passado que eu nem sei se lembro mais. Ressaca dessa minha impulsão absurda que me faz cometer as maiores loucuras e depois tomar um banho quente rindo de mim mesma por ser tão boba e tão serena. Ressaca dessa saudade que teima em se alojar aqui e permanecer o tempo que puder por saber que é mais forte por trazer lembranças de momentos que me fazem tanta faltam. Ressaca de me olhar no espelho e ver essa menina fujona, medrosa e cheia de alguma coisa que eu não sei o nome direito, mas que a faz anular dores profundas e viver momentos imbecis os quais a faz feliz como nenhum outro. Ressaca dessa menina estranha que aparece todo dia no espelho tentando dar um jeito no cabelo, escovando os dentes três vezes e reclamando de não ter roupa. Ressaca desse silêncio que fala alto, dessa mensagem que chega mesmo que o celular não toque, a caixa do correio esteja vazia. Ressaca dessa ponta de iceberg que só deixa amostra parte do que sou.

Você se encontra nos detalhes mais bobos da vida, nas situações mais bizarras e nos dias mais estressantes. Você fica feliz quando consegue uma vaga para estacionar na avenida mais movimentada da cidade, você salta de alegria depois de comprar ingressos para o seu show preferido. Você sabe como se fazer feliz, você entende que, para ter um relacionamento de sucesso, primeiro, é preciso a gente aprender a se amar.
Sozinho, você tem tempo para escrever, para ouvir as suas músicas preferidas, para comer o que quiser sem se preocupar em agradar alguém... Sozinho, você se descobre, é bom tomar uma garrafa d’água e sentir o seu corpo sendo lavado pode dentro. Ficar sozinho, ouvir a chuva no telhado, ver a janela molhada... É bom dançar sozinho, se aproveitar. Se cuidar.
Só depois de aprender a conviver consigo mesmo que o Universo trata de conspirar a favor e te trazer um amor, um amor SÓ seu! ;)

E olha eu aqui de novo escrevendo sobre o amor da princesinha e do monstro-espinho. É incrível a maneira como o entendimento vai ampliando conforme o passar do tempo, não é? Há meses atrás cá estava eu, com meus botões, pensando em toda a crueldade desse monstro-espinho sem noção e da inocência da princesinha indefesa que caiu na lábia do bicho malvado.
Eu não sabia como escrever sobre eles, afinal, é tudo tão intenso, tão grande, tão estupendo que eu mal consigo enxergar dessa minha vida pra dentro. Mas eu prometi, assim como quando prometi destruir a reputação do monstro-espinho, eis-me aqui reconstruindo tudo de novo – pra destruir novamente?
Eu disse que monstros são indiferentes pra mim, e que eles não são gratos. Contei toda a teoria da rosa que ele usa como encanto pra cravar seu espinho na boa menina até que ela esteja tão presa a ele a ponto de não mais se importar com o espinho e só ver os seus olhos que cintilam por amor.
O fato é que eu estou aqui perdendo horas meditando em como escrever o que estou vendo, já que o monstro-espinho e a princesinha voltaram. O monstro sempre foi boa pinta – frágil demais pro meu gosto – mas tinha lá suas qualidades, como qualquer coisa que se mexe. Mas, em especial, uma qualidade que eu admiro em qualquer pessoa: personalidade. E isso ele tem, não se pode negar.
A princesinha sempre foi criada cheia de mimos e cuidados, sempre tendo em quem se esconder, embora tivesse seus momentos de solidão em meio à multidão, o que é normal já que ela é de carne e osso. E todos os caras que esquentaram um banco de ônibus ao seu lado se adaptaram a ela, ao seu jeito mandão, impulsivo, cheio de encanto, nunca foi o suficiente pra ela. Mas ela nunca tinha encontrado ninguém que a fizesse engolir o seu jeito, a sua personalidade forte. Ela nunca encontrou alguém que surtasse como ela sempre surtou, que tivesse crises de solidão, de ciúme. Eles nunca encontravam um jeitinho de mostrar à ela a sua personalidade e fazê-la engolir o jeito deles, porque aí ela surtava e as coisas caminhavam mal. E ela, insegura, já pensava em desistir.
Mas o monstro é dono de si, não precisa que ninguém dite regras de moralidade pra ele. Ele se comporta como quer, e quer ser amado assim... Como ele é. E por isso o espinho que ele cravou na princesinha doeu tanto.
Aí a gente entende o porquê de todo esse “poder” que ele tem sobre ela. Não é atração cósmica. É personalidade. Todos nós sempre o odiamos por fazê-la sofrer com toda a sua arrogância e falta de amor. E sempre a criticamos por fazê-lo sofrer com toda a sua insegurança, indecisão e excesso de amor. Não é atração cósmica, nem destino. São personalidades opostas que foram obrigadas a conviver por culpa de dois corações irrevogavelmente apaixonados.
E, por outro lado, personalidades tão opostas que se completam. Ele pode machucá-la novamente, fazer pior, mas ela ainda vai continuar sentindo aquele aperto no peito cada vez que algo ruim acontecer com ele. E ela pode deixá-lo outra vez, ele vai continuar sonhando com ela cada vez que pisar numa areia gelada de uma praia qualquer.
Quando você encontra alguém parecido demais com você essa pessoa passa despercebido. Você já se nota todos os dias, pra quê notar outro eu? Se já é cansativo viver sendo a gente de vez em quando? Mas quando você encontra alguém que te intriga, que te irrita, que sai do teu controle... Ah! Aí as pernas tremem, o corpo gela, você não nota sua mãe na rua porque está ao lado dele, fica tonta.
A princesinha é minha personagem favorita. Ela é tão intensa, tão complexa, tão cheia de filosofias que ainda não entendeu o que aconteceu nesses dois anos de tormento sentimental.
Alguma coisa dentro dela reconheceu alguma coisa dentro dele, e isso jamais será violado. Por mais que queiram. Porque ele foi a primeira pessoa que a fez ver alguém exatamente do jeito que é, e não do jeito que ela queria que ele fosse. Por isso, o amor que ela dedica à ele não depende mais do que ele faz por ela, por que ele já fez a maior das obras. Ela agora enxerga o ser humano como ela se enxerga no espelho, nos seus textos, nas fotos que tira. Ela se enxerga inteira e pensando que ninguém pode tirar sua essência de princesa. E ela aprendeu a enxergá-lo e ver que ninguém pode tirar a sua essência de monstro.
Por isso já se acostumou aos espinhos, às vezes que ele a machuca sem perceber e nem pede perdão. E ela reclama sozinha, e esquece de tudo quando suas pernas voltam a tremer.
Esse amor incondicional é surreal pra alguém que não quer misturar realidades, personalidades. Mas a princesinha se arriscou, pagou o preço e continua pagando, e é feliz nas horas vagas.
E eu a admiro por isso. É preciso dedicação, paciência e um amor incondicional. Eu li uma frase que diz que não podemos fazer todas as coisas bobas que se quer na vida, a gente tem que fazer escolhas e tentar ser feliz com elas. E é exatamente isso o que a princesinha fez. Ela escolheu o monstro, e tenta ser feliz com essa escolha. Ela fez essa escolha no dia em que desenhou o coração no peito pedregoso do monstro, onde nem som das batidas podia se ouvir. Não havia nada ali dentro. Mas ela acreditou. Acreditou que um dia ele fosse se importar em não machucá-la, que ele fosse ser o que ele realmente é só para ela enxergá-lo melhor assim e continuar amando.
Eu não acreditei. Já vi muitos milagres, mas não vi um coração brotar no peito de um monstro. E não foi que brotou? Ele a ama, apesar dos espinhos que o cerca e de toda aquela arrogância que carrega.
Só ela sabe o quanto ele é humano quando está com ela, o quanto ele pode ser especial, amável e dedicado. Só ela sabe das loucuras que ele faria mesmo jogando tudo pro ar e mandando ela ir a merda. Eu poderia passar dias e dias aqui falando dela, que eu conheço tão bem... Mas jamais poderia escrever mais do que algumas linhas sobre ele, já que continuo enxergando-o como aquele monstro que descobri e não como o amor da vida da princesinha, da minha princesinha.

Eu não costumo escrever sobre monstros, até porque, esses seres são indiferentes pra mim. Digamos que estou aqui perdendo tempo e buscando as palavras certas por amor a uma pessoazinha muito especial pra mim, que por não ter conhecido nenhum monstro até então, caiu na lábia de um e até hoje sangra. E, por que eu havia prometido que escreveria sobre isso.
Eu lembro que escrevi sobre SER GRATO. Coisa que, definitivamente, monstros não conseguem ser. Portanto, não adianta mais pedir que seja grato, que seja bom, que seja GENTE. Sabe aquelas cartas de heróis que vem nos salgadinhos do Elma Chips, com o herói, o seu poder, e alguns números que só esses garotos viciados em joguinhos e desenhos da Tv Globinho entendem? Então... Esse monstro a quem me refiro é o Montro-espinho.
Gozado, né?
Ele vem com a flor. Como todo espinho. Traz encanto, ternura, e lindas noites a luz do luar. Bom, qualquer boa menina se encanta por um monstro desses. Decidi pegar a flor e, a merda ta feita!
Imagine que, a flor é um dos métodos que ele usa para cravar seu espinho e só retirar quando achar que deve, quando cansar de machucar. No início é bom, a boa moça se distrai com a beleza da rosa e não percebe o espinho indo fundo demais, fazendo com que todo o sangue que circule no teu corpo passe por ele, primeiro. Depois de uns dias, a rosa morre, a beleza acaba e resta a você conviver com aquela dor, que nunca passa.
Eu pensei por várias noites em como escrever sobre isso, afinal, eu convivi com o monstro e, até eu me enganei. Ele deve ter passado anos cultivando aquela flor, vendo em qual época ela ficaria mais bela, até conseguir exatamente o que queria. A menina desistiu de tudo que era certo, de todos os sonhos que tiraram o seu sono, desistiu de toda a espera, de toda a esperança de que o seu amor voltaria só pra ela. A menina desistiu de tudo pelo encanto da flor. Cada vez que eu me lembro do abraço, e dos beijos, das poucas vezes que o vi em ação, não consegui ver sua outra face rindo de tudo aquilo. Eu acreditei em sua capacidade de fazer alguém feliz e, consequentemente, ser feliz.
O problema é que... Monstros possuem algo parecido com o coração. Infelizmente, o plano não foi exatamente como ele queria que fosse. A menina possuía mais encanto que a flor, guardara tudo o que aprendera durante toda a sua infância, por todos os livros que leu, as boas músicas que ouviu. E monstros também se encantam; mas não deixam de serem monstros.
O espinho ainda está nela, mesmo depois de toda a desilusão, de toda o sofrimento, de toda a raiva. O espinho está nela por que ela ainda quer, e porque ele não quer. Ela ainda quer alguma coisa dele pra se lembrar pra sempre que um dia possuiu-o, que um dia o encantou-o, que teve em suas mãos um monstro caído de paixão. E ele não quer sair dela, porque a conhece o suficiente pra saber que se sair, ela o esquecerá, porque ela sabe se valorizar, ela sabe entender quem a ama, ela sabe deixar que a amem, e ela é humana, ela cansa. Ao contrário do monstro que não tem calendário e também nunca sabe a hora certa de ir ou de voltar, porque, se soubesse, já estaria deitado no colo da menina há muito tempo.
Depois de conhecer esse monstro eu entendi perfeitamente porque todos nós choramos quando nascemos... Choramos ao nascer porque chegarmos a esse imenso cenário de dementes. Existe um monstro em cada esquina, em alguns olhares. A gente nunca sabe ao certo como eles querem se alojar, mas eles querem. Sempre querem.

MEU JARDIM É VOCÊ

E com cuidado, pra não te acordar, eu levanto devagar, não calço os chinelos para não fazer barulho, vou descalça até a cozinha e, sem fazer o mínimo ruído, coloco a água no fogo. Vou até o armário e pego as melhores ervas pra fazer o chá que você gosta (mesmo eu sabendo que você ama café). Enquanto escolho as ervas, olho a janela, o barulho da chuva e o cheiro molhado me lembram você. Devagar, volto ao quarto e te observo dormindo, estirado na cama, abraçando o travesseiro, num sono tão profundo que sinto vontade de te deixar dormindo sempre, só pra eu te sentir bem perto, na certeza de que você nunca vai se perder de mim.
O vapor da água embaça a vidraça, preparo o chá, adoço do seu gosto (com bastante açúcar). O cheiro das ervas tomam conta do ambiente e meu coração dispara querendo logo ouvir você tomar o chá e me elogiar por sempre te tratar tão bem.
Acelero um poucos os passos pra te encontrar, olho direto na cama, mas, você já não está mais. Penso que deve estar brincando comigo, se escondendo pra me dar um susto, mas, logo ali, perto da porta, você se olha no espelho como quem está terminando de se arrumar para sair. Paro e fico te olhando, em meus olhos você sabe que pergunto o porquê de você não estar com o teu pijama, aquele que eu disse pra você vestir porque estava frio. Você passou a mão no rosto, me olhou e nem notou a caneca de chá em minhas mãos. No fundo eu sabia que você iria, mesmo assim tentei encontrar alguma ponta de esperança que dizia que você estava só me fazendo algum tipo de surpresa e que logo abriria um sorriso, pegaria a caneca de chá das minhas mãos e me agradeceria com um beijo.
Mas, não.
Você pegou as chaves, sua carteira, olhou em volta pra ver se não se esquecia de nada e, partiu. Sem olhar pra trás, fechou a porta e a chave girou, e a porta trancou. Fiquei ali, olhando pra porta, esperando você voltar no minuto seguinte, como eu fiz tantas vezes. Mas não, o portão também fechou e eu pude ouvir seus passos se afastando de mim, podia até mesmo ver as suas mãos no bolso, como quem nada quer.
Sentei na beira da cama, encostei-me ao travesseiro que ainda estava com teu cheiro, tomei o chá (mesmo detestando chá muito doce, mas aquilo me fazia te ter ainda perto). E fiquei ali, acho que o dia se passou e eu nem vi.
Mas, não sofri. Porque eu sabia que você voltaria, como vai voltar daqui uns quinze minutos. Pedindo um abraço com o olhar ou perguntando quando é que eu posso te emprestar meu colo pra você dormir, ou o meu abraço pra você não se sentir sozinho.
Eu reguei o jardim, e você sempre volta porque as flores que eu cultivo são as que mais te atraem. Plantei novas ervas, amanhã vou colhê-las. Quando fizer sol, vou colocá-las ao sol, deixar que sequem para que o chá fique mais saboroso pra você. E, quando voltar, não hesitarei em cuidar de você, em zelar pelo teu sono, em me dedicar novamente. Até que você venha com as malas feitas e fique.
Só assim poderei me dedicar pra sempre ao jardim, cultivar as mais lindas flores, porque o meu jardim é você.

A casa era verde musgo. Nunca vou esquecer. E tinha cheiro de dama-da-noite, com uma mistura de erva-doce – que era o sabonete que ele usava para lavar o rosto depois de fazer a barba. Tinha algumas flores no portão que atraía borboletas que me faziam sorrir todas as vezes que eu chegava do colégio. A varanda do segundo andar era gigante, e lá eu sonhava todas as noites. E foi lá que eu decidi que seria injusto demais fazê-lo me esperar tanto tempo. Eu fiquei olhando as estrelas ali, sentada, por noites. Ficando nos mesmos lugares que a gente ficava, quando era noite, olhando pro nada; com você fungando meu cabelo e me fazendo sentir protegida. Fiquei sentada na rede por dias e dias, até decidir te privar de toda a espera. Sabe quando uma pessoa cruza o teu caminho e se torna TÃO especial que você tem medo de fazê-la sofrer um dia ou que ela se arrependa de ter feito tanto por você?
Sabe quando você sente tanto a falta de alguém que prefere esquecê-la só pra não voltar correndo e dizer que sente saudade? Depois do curto reencontro, lembrei de tanta coisa. É como se eu abrisse uma caixinha aqui dentro e começasse tirar as melhores lembranças de um dos melhores anos da minha vida. Das guerras de almofadas, da água gelada, da vez que trouxe o mar até mim, de quando cantou a música do Roupa Nova porque tinha perdido uma rodada do jogo, da vez que ficou me olhando enquanto eu dormia, do beijo na testa, das brigas, crises de ciúme, do medo que eu tinha de andar de carro com você, da vez que freou o carro com força só pra que eu quase batesse o rosto no painel do carro e desfizesse o bico, da noite na praia, das vezes que levou a igreja, das noites ao telefone, das crises de ciúme. Do sabonete de erva-doce que fazia questão de ficar no meu travesseiro quando você ia embora. Saudade da barba que arranhava, do abraço que apertava, do beijo que estalava, dos dentes que só mostrava pra mim (raramente, mas mostrava). Saudade das crises de riso que me fazia ter. Saudade da primeira noite que foi me levar até o portão de casa. Saudade do churrasco que eu não comi, de cantar a noite com você na varanda, de desligar o telefone na sua cara, de contar os meus sonhos, de me surpreender com você. Saudade de te ter como amigo. Como abrigo.
Eu nunca pensei que todas essas lembranças pudessem voltar um dia e você pudesse ficar perto, de novo. Mesmo que amanhã se afaste. Mas hoje, te senti perto. E isso me fez bem depois de uma segunda-feira tão agitada. Me fez bem me lembrar de tudo, lembrar de você, do cheiro, da voz, e até do sotaque que eu odeio e seu jeito de me irritar que sempre fazia eu fugir de você e correr no minuto seguinte.
Pode ser que amanhã tudo volte ao normal, e a gente finja que esqueça de tudo, de novo, como estávamos fingindo. Mas nós saberemos, sempre, que um pertence ao outro, de certa forma. Mesmo que mais tarde não exista mais o amor que une, o respeito que serve como elo, o sorriso que encanta, o sotaque que odeio. Mas sempre vai existir alguma coisa que vai te trazer de volta, pra bem perto de mim. Pode ser uma música, um cheiro de erva-doce, um gosto amargo de chimarrão, uma barba que arranhe. Pode ser qualquer coisa, desde que leve o cheiro, o aperto, as borboletas que sempre estavam por perto enquanto a gente caminhava de mãos dadas, ria um do outro, brigava, se xingava.
O tempo passou feito louco quebrando as vidraças e a gente ficou, aqui, sem ter nem pra onde ir... (8)
Enfim, obrigada por voltar, por me respeitar, respeitar meus motivos e, ainda insistir; e por existir! Não é nem um terço de tudo que eu tinha pra falar e explicar e tentar te fazer entender... Foi só o que eu senti depois, quando cheguei em casa, e tentei dormir; não consegui =S

Noite sem lua. Um cheiro distante de jasmim, as rosas que comprei hoje num vaso aqui ao meu lado. Sabe quando tudo te lembra os tempos em que você era feliz e não sabia?
Agora, eu queria estar muito longe. Numa casinha isolada, no meio da mata, perto da praia. Eu estaria na varanda, deitada na rede, ouvindo o barulho das ondas e o chiado da cigarra. O vento frio bagunçando meus cabelos, e o cheiro de terra perfumando toda a casa.
Sabe quando todas as coisas te encaminham pra uma época aparentemente distante, mas que ainda sobrevive dentro de você? É como se nada daquilo tivesse passado e, hoje, daqui a pouco, eu estaria naquele mesmo lugar, com as mesmas pessoas, sorrindo e dizendo estar feliz por tudo aquilo ser suficiente pra minha felicidade.
Aí, bate aquela saudade e aquela tristeza.
Saudade da ilusão que me causou uma das maiores tristezas.
Ninguém pode dizer que viver uma ilusão é ruim... Se não, ninguém iria se iludir. É muito bom achar que aquilo é pra sempre, é muito bom saber que todas aquelas dezenas de amigos dizem te amar e estar sempre ao seu lado, é muito bom ouvir daquela pessoa que você dedica todo o seu amor que ela nunca vai te deixar. É muito bom.
Triste mesmo é saber que tudo aquilo era uma grande mentira. Que, na verdade, tudo era uma ilusão e você sempre esteve sozinho.
Isso é o mais difícil.

Quem sabe assim eu crie vergonha na cara e vou ler um livro ao invés de me encantar com o primeiro idiota que me oferecer um suco de melancia.

Não sei as horas.
Fico perdida nas minhas lembranças do meu inconsciente, sem saber quando e onde posso acordar para a realidade do meu mundo.
Das rotinas, das pessoas, dos amigos... Da família.
Minha vida, desde que tenho evoluído e, o presente me apresenta algo que o futuro traz, me sinto como se tivesse parado no tempo onde o passado me cerca de lembranças e oportunidades inesquecíveis.
Os meses não dão conta de segurar os dias que, na velocidade da luz, passam levando toda a sua existência no envelhecimento dos corpos.
Algo diferente a se desenvolver. Cada parte, cada canto do seu corpo se modifica, e a alma se mantém como uma luz acesa, com nenhuma pretensão de se apagar.
Nessa velocidade desesperada que o tempo atingiu, nem as estações podem suportar tanto sofrimento.
Saio de casa com o raiar do dia, com o tocar da brisa que o vento traz. E, no decorrer, à tarde retorno aos sons de relâmpagos e trovões, como se houvesse fúria em seus refúgios.
Sinto-me só.
Sinto-me sem proteção e, por mais que eu saiba que Deus ao meu lado se encontra, me sinto sozinha.
A carência de uma companhia, não se sabe ao certo se divina. Sei que não.
Quem sabe amiga. Pode ser. Hoje em dia são tão poucos em minha volta.
De amor.
A distância destrói o que ainda resta da vontade de sua presença, mas o tempo e o coração me mantêm forte para suportar essa dor que corrói.
Busco a felicidade a importância de minha vida. Na simples beleza de uma flor colorida onde toca os lábios de uma linda borboleta ou, quem sabe, um beija-flor.
Fico muito preenchida e contente quando percebo que tenho uma vida magnífica e me encontro lentamente ao saber que essa simples cidade pode ser vista pelos meus olhos onde, neste momento, transbordam de lágrimas de alegria contida no encanto do barulho contínuo das gotas d’água caindo no chão e rolando pelo vidro da janela, ou no encanto do bater de asas da borboleta.
Olho para o meu interior e sinto os meus pés, concentro em minhas mãos onde se purifica o fruto do meu trabalho, cada magnitude posso transmitir através delas.
Dessa forma me sinto viva. Pronto para encarar mais desafios. Encontro a importância de ser feliz e, mais que isso, a importância de viver, além disso, a importância de minha existência.
Assim, encontro a principal resposta:
Hoje é meu dia!

“[...], jamais houve na humanidade um tempo em que predominou tanta vaidade.”
Além da minha certeza de que o mal do ser humano seja não pensar, também percebi que o ser humano anda vaidoso demais. O orgulho virou moda. Mania que as pessoas tem de achar que o perdão é inútil, que não vale à pena, e que se formos algum dia magoados não devemos, em hipótese alguma, perdoar. Eu também aprendi a exalar o mesmo perfume que a violeta deixa no sapato que a pisa.
E toda essa vaidade e orgulho por que de uns tempos pra cá passamos a viver a mercê de pessoas que se dizem soberanas e que querem nos manipular por seus belos discursos e filosofias totalmente fora dos princípios básicos mas, por status, acaba ganhando a confiança de um bocado de gente. É só prestar atenção em circunstâncias diárias na nossa vida. Vê-se pelas meninas nos colégios: se a menina da Malhação começa a usar um lenço amarrado no calcanhar, na semana seguinte, todas as meninas do colégio também estarão usando.
Nada contra a essas modinhas, eu mesma já cai em muitas delas. Mas, já presenciei meninas que sempre acharam o tênis All Star feio e depois que viu na Malhação passou a usar.
Nada contra a Malhação, também.
INFLUÊNCIAS.
Assim acontece na escola, na rua, no clube, na academia, na roda de amigos. Ninguém se valoriza como é, segue seus princípios, é teimoso em assumir a verdade que traz consigo, que aprendeu com quem sempre esteve ao seu lado ensinando tudo sobre a vida.
Não... Ficou mais fácil aprender com os amigos, ficou mais fácil aprender na rua, ou, sozinho. Ficou mais fácil viver sem opinião, é mais divertido se matar aos poucos, se acabar aos poucos. É muito mais fácil ser manipulado, não perder tempo pensando, receber ordens e nunca quebrar as regras.
“Não ouça, não pense, não fale, não cante, não sinta... Apenas finja, obedeça, siga o que eu digo.”
Todo mundo aprendeu a mentir o que realmente é, ou melhor, a OMITIR. Fica mais fácil esconder os traumas e negar a cura, esconder o amor e negar um bom momento, fingir amar e pensar estar seguro.
Lutar pelo amor verdadeiro exige inteligência, esforço e muito amor, muita dedicação. É mais fácil comer chocolate em frente à TV que perder horas se dedicando aquilo que você realmente se importa.
Mentir o que sente, o que ouve, o que vê, o que quer falar.
Mentir é mais fácil, mais cômodo. Quando se fala a verdade, aquilo passa a ser eterno e, mais tarde, pode ser cobrado da gente. Temos prazer em mentir, prazer em enganar, prazer em inventar uma história. Nos sentimos criativos, maiores que qualquer outra pessoa. Mas, também mentimos por medo de dizer a verdade. Quando aqueles olhos encontram os nossos, não conseguimos encarar, a única escapatória é baixar os olhos e mentir. Mentir parece afugentar o nosso eu verdadeiro, a felicidade que teima em vir depois de um sofrimento, de uma luta travada entre a razão, coração, e mais uma centena de sentimentos.
“Finja que acredita que os sentimentos são lâminas cegas esterilizadas que cortam sua pele superficialmente sem jamais atingir sua alma.”
Finja que o amor não é essencial pra você, que você está bem assim.
Contente-se em mentir todos os dias para o espelho que você é feliz, que o “ontem” da sua vida já está resolvido, que os seus traumas estão curados, ou melhor, nunca existiram. Minta todos os dias pra você mesmo que você não dormiu com vontade, que não acordou arrependido, que não quis sair correndo e pular nos braços dele. Minta, dói menos.
Dói menos até você descobrir que dói.
Vendo uma reportagem sobre anorexia, a moça disse:
“A pior parte da doença é quando a gente descobre que a tem, parece doer mais... Mas, só assim podemos nos curar de verdade.”
Você só vai ser feliz quando descobrir que você é um mentiroso, um fraco, que sempre se negou a se mostrar como você é, esse alguém guardado numa gaveta aí em algum canto, escondido debaixo de alguns papéis e fotografias.
Quando descobrir, vai doer demais olhar pra dentro de si e ver o quanto toda essa mentira te destruiu, quanto afastou as pessoas que sempre te amaram e que você sempre amou, mesmo mentindo as odiar. Vai doer olhar pra trás e ver como o tempo passou rápido enquanto você se enclausurava dentro de si mesmo, à espera de alguma coisa que nunca apareceu, porque essa coisa também era uma mentira.
Você vai exigir da sua alma um pouco mais de sinceridade, vai tentar correr atrás pra descobrir se é tarde demais e, se for, vai esperar que a esperança de novas chances nasça dentro de você. E, na pior das hipóteses, ir pra um ranchinho, perto de uma cachoeira, passar o resto dos dias vivendo a verdade da vida, conhecendo-se.
Até você ter coragem de se olhar no espelho novamente e dizer:
“Agora eu sou feliz.”

É nessas horas que você precisa de alguém que te ouça calado, que tente te entender e que não use nada do que você disser contra você mais tarde. É agora que eu queria sair, caminhar sem rumo como eu fazia quando me sentia livre, torcer para que chova e sentar num banco qualquer só pra sentir a chuva mais perto, mais em mim. Agora eu quero sorrir um pouco, relaxar os ombros, e chorar, se for preciso. Eu quero ouvir o mar, ver a lua e acreditar que agora eu finalmente estou bem.
Sabe quando você já estava acostumada com a solidão? Quando ter alguém por você é incrivelmente estranho? Quando você custa a acreditar que a felicidade te escolheu e custa mais ainda quando ela diz que dessa vez é pra sempre?
E aí você sente essa vontade louca de sair, de respirar um ar um pouco mais puro, de parar e ouvir o mar – ele parece dizer as coisas mais sensatas - , de ver a minha vida como está agora.
Eu amo ouvir aquela música do Lulu que diz:
“Não existiria som senão houvesse o silêncio, não haveria luz senão fosse a escuridão, a vida é mesmo assim... Dia e noite, não e sim. Cada voz que canta o amor não diz tudo o que quer dizer, tudo o que cala fala mais alto ao coração, silenciosamente, eu te falo com paixão: eu te amo calado, como quem ouve uma sinfonia de silêncios e de luz; nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som. Tem certas coisas que eu não sei dizer.”
Já percebeu como somos inspirados pela dor? Mas... A felicidade nos ocupa e nem sempre se tem tempo para colocar no papel tudo o que se passa aqui dentro. Quando a felicidade do amor chega, ela traz o silêncio, e a luz, e as cores... E isso não pode ser escrito.
Por isso tantos textos sem coerência, só quem escreve entende e sabe. Só quem ama entende e sabe. Mesmo que não seja o amor que todo mundo pinta.
Ele chegou pra mim tão calado, tão imperceptível.

Depois de tantas alegrias, tristezas, decepções e surpresas, comecei a prestar mais atenção nos meus pedaços, partes marcadas por cada um que passou na minha vida. Sou viciada em olhar aquela caixinha rosa cheia de fotos, recentes e muito antigas, umas quando eu ainda nem era nascida. Gosto de lembrar daqueles momentos, o porquê daquela risada, a idade que eu completava aquele dia, o motivo daquele passeio, a formatura, a passagem de ano. Aquelas que eram tão especiais pra mim, que se perderam entre minhas memórias. Aquelas que eu roubei do quadro da sala de estar dele, da carteira dele.
Comecei a lembrar dos choros sem razão, das pessoas que ainda estão em meu coração por alguma razão, por algum detalhe. Lembrei dos muitos atos por impulsão, das tantas vezes que fugi e voltei no minuto seguinte. Senti saudades dos muitos lugares que conheci e não pude, não tive tempo; saudades também dos momentos que vivi e das coisas que esqueci. Lembrei das noites mal dormidas, das horas sagradas de sono que perdi sonhando acordada, escrevendo, tocando teclado... Ri de mim mesmo quando me lembrei das vezes que desisti sem ao menos ter tentado, e das vezes que eu tentei e quebrei a cara. Chorei das vezes que tentei, insisti e consegui o que eu queria. Vendo as fotos, aquelas pessoas perdidas lá atrás, senti pelas amizades que não cultivei, por aqueles que eu julguei, pelas coisas que eu falei. Lembrei das pessoas que conheci, dos amigos que deixei, das lembranças que esqueci. Lembrei dos momentos engraçados de distração, da minha mania de derrubar tudo, de só conseguir me equilibrar no salto depois de tropeçar, das vezes que comia chocolate até passar mal.

Tinha as mãos trêmulas, não sabia por que havia permanecido naquele lugar – tão vazio -, mas havia permanecido de alguma maneira, e tinha medo, as mãos trêmulas, o coração trêmulo, desequilibrado no peito, querendo saltar pra um lado qualquer apenas para não precisar sentir a tremedeira que arrepiava os pêlos do corpo e fazia o frio percorrer a espinha como uma corrente elétrica.
E agora não estava mais sozinha.
Não via sua face, apenas sua silhueta contornada por uma espessa camada de luz intensa, vinda dos postes da rua em sintonia ofuscante com a independente claridade da Lua, que quase o queimava... “Ah”, ela se perguntava, por que não queimava?!
Podia queimá-lo, por um segundo que fosse, pra vez se todo aquele amor queimava também, evaporava, tornava-se cinzas, acabava levando um fim qualquer, não importava mais qual.

1 2 3   Próxima