Marina Silva
Do arco que empurra a flecha, quero a força que a dispara; da flecha que penetra o alvo, quero a mira que o acerta.
Seus passos... meus passos.
Acho que ninguém nunca ouviu aquela frase que diz: bonito é ser você mesmo. Todos querem copiar os outros e querem ser rotulados pelo o que vestem. Não são tão felizes quanto antigamente, sabe. Porque ninguém quer descobrir o novo... Todos querem ser copiados ou copiar! Só querem saber de modinha, e não ligam mais para qualidade, só pensam na quantidade. Ou seja, quanto mais caro melhor... Mais sucesso irá fazer. Não é assim, temos que investir na nossa felicidade, e não nos tornarmos tão dependentes dos outros... E sem ser hipócrita, isso é muito difícil pra mim!
Alguém me explica, porque é tão difícil ser feliz pra sempre e encontrar um amor verdadeiro? Isso só existe em contos de fada, e eu estou enjoada de ver isso só em filmes que duram 2 horas.
Canso menos, me divirto mais. Essa é a frase que todo adulto quer dizer algum dia.
Ela sabe que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo!
Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto!
Eu cansei de ser perdoada, compreendida e aceita. Eu cansei do mundo evoluído, porque eu sou bicho e esse mundo evoluído me humilha demais. Alguém aí pode admitir que essa merda de vida dá um medo filho da puta, e que ficar longe de tudo dói, e que ficar dentro de tudo dói, e que estar aqui, agora, dói pra cacete? Alguém aí pode admitir por um segundo a inveja, o cansaço, o ciúme, a dor, a porra toda que essa química causa no nosso cérebro quando se espalha sem pedir permissão e joga essa doença toda pra cima da gente, a gente que estava calmamente vivendo nossa vidinha idiota?
Alguém aí pode deixar de segurar na muleta social do divertimento, jogar copos longe, cigarros longe, bocas alheias, fugazes e desconhecidas longe, roupas longe, colares e pulseiras longe, poses e armações de sutiãs longe? Alguém pode me dar um murro na boca e me prender ao pé da cama, por favor?
Tem dia que quero jogar tudo pro ar, quero nadar, quero gritar, quero cantar, quero amar, quero falar, quero escutar, quero ser ouvida, quero dar socos, quero bater, quero perdoar, quero julgar, quero ser julgada, quero magoar, quero brigar, quero elogiar, quero tudo, quero nada, quero às vezes, quero muito, quero pouco, às vezes quero demais, ás vezes quero o fácil, ás vezes quero o difícil, às vezes quero e ninguém pode me dar, às vezes quero e é impossível, às vezes quero e é possível.
O impossível não existe, o que existe são pessoas insignificantes com preguiça de tentar.
Às vezes quando vejo partes suas, sinto vontade de voltar a ser aquela velha idiota de antes. Aconteceu agora, o seu sorriso de longe. Eu me lembro de quando você o fazia por me ver. Eu acreditava no que você dizia, mesmo fazendo sempre o oposto. O que eu sentia era puro, meu coração explodia toda vez que imagina que tudo aquilo era realidade. Você me provou o contrário, derrubou o castelo que eu construi sozinha. Nós iriamos morar nele, você fugiu de casa. E o pior, por mais que você tenha pisado em todos os sentimentos que te dei, você não consegiu acabar com tudo. Talvez tenha ficado com medo de sujar aquele seu tênis de marca idiota, ou nem isso saiba fazer. E o que você deixou inteiro, ou quase ainda existe dentro de mim. Não é o suficiente para tentar o impossivel (mudar você), mas é o suficiente para enlouquecer (estou escrevendo novamente sobre você, isso já é um sinal de loucura). Se você dissesse que não e sumisse, seria mais fácil. Mas não, você faz questão de mostrar que ainda existe. Que ainda sabe sorrir, e não precisa de mim para isso. Tenho certeza que hoje, não duraríamos nem um dia. Mas, meu coração não precisa de tudo isso. Talvez algumas horas, alguns minutos ou até mesmo alguns momentos. Só você, eu e o seu cheiro.
Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.
Que ele seja melhor e supere todas as angústias, medos, inseguranças e azar de um idiota fodido.
Sei que as coisas não acontecem por si só, mas vou arriscar desta vez, afinal, é bom dar tréguas a certas coisas e pessoas.
E quer saber? As contra-indicações consistem em ilusão indesejada e conseqüência inesperada e devastadora de ego, mas tudo vale a pena quando os olhos brilham! No final, é melhor conviver com uma liçãozinha da vida ao invés de carregar o peso por ter hesitado agora. Não poupe as páginas do seu diário, afinal, a semana só começou!
Se procurar, vai encontrar uma heroína dentro de si mesmo.
Você já amou alguém tanto que mal consegue respirar perto dela ? Vocês se encontram e nenhum dos dois sabe o que os atingiu, fica com aquele sentimento quente e confuso. E , aqueles arrepios que costumava ter. Agora você está ficando com um puta cansaço de olhar para ele...
E recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência. É por isso que me esquivo e deslizo por entre as chamas do pequeno fogo, porque elas queimam - e queimar também destrói.
Você ouviu que eu era problema, mas você não conseguiu resistir!
Não morro de amores por pessoas sem mistério, quando se é muito transparente, muito risonho e educado é raro ser levado a sério.
Prefiro os mais silenciosos, os que abrem a boca de menos, os mais serenos e mais perigosos. Aqueles que ninguém define e que sempre analisam os fatos por um novo enfoque. Prefiro os que têm estoque aos que deixam tudo à mostra na vitrine...
Não se deixe abater pela tristeza. Todas as dores terminam.
Aguarde que o Tempo, com suas mãos cheias de bálsamo, traga o alívio.
A ação do Tempo é infalível, e nos guia suavemente pelo caminho certo,
aliviando nossas dores, assim como a brisa leve abranda o calor do verão.
Mais depressa do que supõe, você terá a resposta, na consolação que necessita.
Dizem que um amor de verão acaba, mas às vezes o que começa com algo pequeno,
pode levar a algo real. Uma simples viagem à praia pode ser o preciso para limpar
nossa cabeça e abrir nosso coração. E escrever um novo final para uma antiga história.
Tem aqueles que são queimados pelo calor. Eles só querem esquecer e começar de novo. Enquanto têm outros que querem que cada momento dure para sempre. Mas todos concordam em uma coisa. Bronzeamentos desaparecem, clareamentos escurecem, e todos ficam de saco cheio de areia em nossos sapatos. Mas o fim do verão é o começo de uma nova estação, então, nos encontramos olhando para o futuro. Você ainda não viu nada.
O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.
O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.
Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.
Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.
