Mariana Botelho

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ABSTRATO

eu nunca beijei um poema.

no entanto ele está aqui
roçando leve minha
boca

nas horas dos
mais
doídos
silêncios

ATO

um poema me deixou um sismo na carne
me arqueou o corpo
e traçou em minhas costas itinerários de espuma.

com um gosto de cor
na boca
deixei cair pulsante
um
longo beijo
morno

Legado

navegar o centímetro do gesto
no mar infinito do verbo

é teu o que te for dado:
o olhar cansado preso à teia,
o medo já domado da fera,
o beijo.

tudo o mais
entrega.