Ligia Diniz

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Leila cria uma linguagem própria, um comportamento singular.

Mulher bonita, sensual, suave. A encarnação de Afrodite, mas moleca, transgressora, diz palavrão, tem uma liberdade de ir e vir que só os homens tinham.

Ela une comportamento masculino com comportamento totalmente feminino.

É rebelde, mas não é agressiva, é doce.

Leila é amante e é mãe. Ela une sexualidade-prazer e maternidade.

É paradoxal. Livre, seu compromisso era com a liberdade.

Leila teve muitos amores mas não se prendeu a nenhum; “Eu gosto mesmo é de viver de amores”

Leila amava o mar, o mar era seu confidente, era no mar que ela ganhava energia. Leila mergulhava no mar a qualquer hora, à noite, de madrugada, de dia. E saia energizada, nutrida, abastecida. Ficava horas conversando com o mar. E depois nele mergulhava. Como se estivesse se banhando na Grande Mãe. Se o mar estava bravio, ela mergulhava e enfrentava sua fúria, como quem enfrenta seus próprios maremotos, seus próprios medos.






(LEILA DINIZ - Um Feminismo Que Se Realizou)
Fonte: REVISTA IMAGENS DA TRANSFORMAÇÃO - Vol.6 – 1999.