Leila Míccolis
A abelha tristonha,
fauna e flora devastadas,
produz mel amargo.
Árvore sem folha
em invernos rigorosos
parece que hiberna.
Nem tudo são flores
nos meses de primavera.
Voam marimbondos...
Infância no campo
brincava nas plantações.
Bonecas de milho.
foi ao toalete
e cortou os sonhos,
a gilete
Meninada ao sol.
Sorvetes se derretendo.
Mar - pingos mais doce.
Sem rodeios:
nos chats,
os fins justificam os mails...
Ventos exibidos,
que cantam fortes, uivantes,
também desafinam...
No branco polar
urso pra não ser caçado
esconde o focinho.
O peixe no aquário
na varanda em frente ao mar
desdenha: está verde...
Coruja, famosa
por excelente visão,
parece usar óculos.
Gripe forte? Não!
Apenas adormeci
entre espirradeiras.
Camadas
Ser livre não é manter-se
intocável, sem entregas,
nem se dar também, às cegas,
a tudo o que nos agrade.
Ser livre é viver a idade
que sente o nosso querer,
é viver conforme a vida
é sobretudo viver.
E viver é mergulhar
pra emergir com o submerso,
ampliando,a cada dia,
os limites do universo.
Eu não tenho vergonha
de dizer palavrões,
de sentir secreções
(vaginais ou anais).
As mentiras usuais
que nos fodem sutilmente
essas sim são imorais,
essas sim são indecentes
