Jorge Ferreira dos Santos
Só se apaixona quem é sensível, quem não é! usa os outros!
Chamaram-me covarde, por amar quem não podía!
Covardía é: Porem-te uma arma na mão, mandarem-te para uma guerra que não é tua, mandarem-te matar quem não conheces, quem nunca te fez qualquer mal, teres de matar para não morrer. É: Teres de cortar o pescoço de alguém, veres os olhos arregalados desse alguém, olhar para ti, porque não conseguirá jamais falar, tentando segurar a vida que se lhe escapa por entre os dedos e perceberes o que lhe vai na alma: "que mal te fiz para merecer que me matasses?"
Hoje sim! amanhã não;
Tudo o que te dá te tira;
Faz de ti gato e sapato;
Este "mundo" é mesmo cão;
Juventude! coisa gira;
Vais de jovem a farrapo;
Dás por ti és Ancião.
Quem como tu já viveu;
Pela vida procurando;
E o amor não encontrou;
Envelhece como eu;
A ideia cozinhando;
Que algo ainda não chegou.
Todo mundo sabe alguma coisa e todo mundo ignora muita coisa!
Da amizade nasce o amor;
Do amor nasce a amizade;
Se acaso houver bem querer;
Desse bem nasce uma flor;
Que murchará de saudade;
Se por amor não sofrer.
Aquela Alma!
Daquela quinta formosa;
Que mais parecia um jardim;
Vem algo que nos invade.
Rude! pura! generosa;
Qual sonho que teve um fim;
E que nos rói de saudade.
Carvalha! triste! sombria;
Que poder lhe tira o riso;
Deixou de ser o que fôra.
A Alma que teve um dia;
Lá se foi pró paraíso;
Já cá não existe agora.
Aqueles bons ventos idos;
A que o amor dava vida;
E que a todos nos unía.
Não nos serão devolvidos;
A corrente foi partida;
E o elo já era um dia.
Mas que carvalha? comento!
Aquela que nos juntava!...
Que amor mais puro e que calma.
Já lá falta aquele cimento;
Que àquele chão nos colava;
Já lá falta aquela Alma
Amor
Ao amor de Pai não se iguala;
O amor de mais ninguém;
Só outro se lhe compara;
O amor da nossa Mãe.
Rejeição!
Com mais de mil ferros me mataste;
O coração que tanto te quería;
Choro agora a dor que não sentía;
Por todo este amor puro renegaste.
Foge de mim a vida em prantos longos;
Se carinhos mil te dei que não pediste;
Dos fogos e calores que não sentiste;
No meu peito me róiem vermes gongos.
Se me ceifar a vida é com prazer;
A mais ninguém desdita esta devo;
Sem teu querer a viver me não atrevo;
Milagre algum me poderá jamais valer.
Por esse mundo afora me vou perder;
Desta vida nada mais peço ou desejo;
No teu peito só vontade há de despejo;
Só no meu vontade existe de não viver.
Longe vai esta minha ideia torta;
Sonhar mudar o mundo desumano;
Por mais que sonhe amor à minha volta;
Nada mais serei eu que um vil mundano.
Amor!
Quem nesta vida não amou!
Se não viu por si chorar,
E por amor não chorou!
Não tem de se preocupar!
Se não soube o que é sonhar!
Se o cupido o não flechou!
Desta vida, nada tem pra lamentar!
Amor é:
Abrir a mão, deixar voar livre o passarinho a entoar sua canção, mesmo que logo a seguir, seja devorado por um falcão. É deixar-se levar pela ilusão, vale mais um ano de paixão, que cem de solidão. É querer só o que se pode dar. É nunca exigir e saber oferecer. É morrer e deixar viver. É amar e não comprometer-se, para não faltar. É não querer o mundo todo a seus pés. Enfim amar é tão complicado que, quando alguém se enamora, vai sempre de pé atrás: será que é pra valer? e até quando? neste nosso "mundo" de incógnitas há ir e não voltar, há amar e odiar que, vivem de mão dada e onde tudo não passa de conversa fiada, "cada cabeça sua sentença". A ilusão é linda, mas só dura enquanto é, e termina se deixa de ser. É aconselhável apaixonar-se sempre que puder, viver intensamente de cada vez e sobretudo não se apegar demasiado, para não sofrer.
ps: Não serve de base, só para quem quiser seguir. Eu nunca consegui...
Mulher...
Sábios, poderosos e poetas;
A ciência nunca pára de avançar;
Cada qual, a mostrar o seu saber;
Duro viver é, com suas gretas;
Sempre e só, pela vida a labutar;
Livrar-se dela, porém, ninguém quer;
Numa guerra de titãs patetas;
Gasto sonho de tanto meditar;
Não houve, nem está para nascer;
Zote de ideias obsoletas;
Se acha ser possível deslindar;
Ou entender, o pensar da mulher.
Amor
O amor é um ladrão que cobiça com o olhar, rouba só de pensar e se perde no coração!
Amor é:
O amor é um bichinho, que te rói o pensamento,
te destrói o sentimento, te transforma em desilusão, apenas com um simples não!!!
Buscando amor
Do amor intensamente a dor busquei;
Chaga viva com que a vida nos condena;
Nunca ardente o fogo vi que me queimasse;
Aos tropeções da vida me soneguei;
Quantas vezes me morri de sorte amena;
Sem que tal amor me visse ou encontrasse.
Desilusões com tantas me já deitei;
Em leito que de si só teve o nome;
Vagueando mundo afora o sentimento;
Quantos com que me juntei e separei;
De carinho e atenção me rói a fome;
Dos amores que só tivera em pensamento.
Morrer de Amor!!!
Já muito me morri de amores e rejeição;
Se morrer de amor se diz e é verdade;
Quem não morreu de amor e de saudade;
É um mineral rolando sem direção.
Deste gasto coração me já detesto;
É errar humano e saber e eu errei;
Quantos sonhos me sonharam que rejeitei;
E a solidão agora me sonha o resto.
Minha Dona inda me não encontrei;
E amores me deu que tanto me bastaram;
De renegar uns e outros que me amaram;
Com cem mil espadas este coração sangrei.
Há! se eu pudesse!
Pudera eu calar o grito sossegado;
Que no meu peito me destroça o sossego;
Por este amor que sendo meu me não pertence;
Sucumbindo vivo um sonho degradado;
Amolecendo os sentimentos sem chamego;
Qual cataclismo que apesar de meu me vence.
Se eu pudesse destronar tanta amargura;
Soçobrando no mar revolto da vontade;
Gotejando este sentir profano e triste;
Do pesar que me envolveu e que perdura;
Se pudesse calar em mim esta saudade;
Qual poeta a definhar pois não existe.
Se eu pudesse sucumbía se não me viste;
Se a desdita me matasse o ser mundano;
Mal me fôra por me ter tanta dormência;
Me vendo a alma se por bem me não assiste;
Levitando o pensamento leviano;
De suster destro algo e da vil existência.
Amor atleta
O meu amor, é um ótimo atleta;
Se dispara, no meu peito acelerado;
Como louco, absorve toda a recta.
Logo encalha, no correr desenfreado;
E se espalha, antes de atingir a meta;
Ou se queda, no seu ser, despedaçado.
Amar
Amar é no peito sentir uma expansão;
Que te contorce e te vira do avesso;
É desejar ser feliz a qualquer preço;
É querer caminhar e não vislumbrar o chão.
É andar aos tropeções, da estranha vida;
Que lhe escapou toda, é sentir, a robustez;
É sentimento que embriaga a sensatez;
Sol que alegra, qualquer alma entristecida.
O amor! que coisa!
Motivo agreste, de grande dor e inspiração;
Desdenhando, seu prestígio e importância;
Me domina o ser mau, vence a ganância;
E me liberta, misérias do coração.
É tormento, dor, que corta a respiração;
Dessa dor, que predomina, eterna e breve;
É carinho, que nos mata ao de leve;
É um caminho, sem retorno e sem perdão.
Amanhã!
Amanhã nao é um dia;
É algo que não se viu;
É o mundo a girar;
É pura cronología;
Só se sabe que existiu;
Depois do tempo passar.
Vida!!!
De alegria eu dependo pra viver;
Ser alegre é minha natureza;
Me vou abaixo com esta tristeza;
Sem mudança gente deixarei de ser.
Alegre sou porque já nasci assim;
Como a minha vida num marasmo está;
De novo exijo seja alegre já;
Esta tristeza está a dar cabo de mim;
Tenho muita "inveja" e admiração por quem sabe bem escrever.
Quem bem escreve a Alma limpa!
Sábio!
O verdadeiro sábio é aquele que sabe tudo, sem lhe terem ensinado nada.
O resto são cópias, mais ou menos perfeitas!
Sabios!
Não existem pessoas sábias. Existem sim, pessoas mais ou menos cultas!
