Jonathan Edwards

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“Tudo o que dizemos será inútil, se não for confirmado pelo que fazemos.”

Jonathan Edwards

E um homem verdadeiramente humilde é consciente da diminuta extensão de seu próprio conhecimento, da grande extensão de sua ignorância e da insignificante extensão de seu entendimento comparado com o entendimento de Deus.

Jonathan Edwards

Deus preza a santidade na criatura e a santidade é, em essência, prezar a Deus.

Jonathan Edwards

Nosso problema em reconhecer se há em nós algum caminho mau não é por falta da luz externa. Certamente Deus não falhou em nos dizer clara e abundantemente quais são os maus caminhos. Ele nos deu mandamentos mais do que suficientes que mostram o que deveríamos e o que não deveríamos fazer; e eles estão claramente colocados diante de nós na sua Palavra. Então, nossa dificuldade em conhecer nosso próprio coração não é pelo fato de nos faltarem normas adequadas.

Jonathan Edwards

Quando o pecado influencia nossas preferências, ele parece agradável e bom. A mente é naturalmente predisposta a pensar que tudo o que é agradável é correto. Portanto, quando um desejo pecaminoso vence a vontade, também lesa o entendimento.

Jonathan Edwards

De todos os tipos de conhecimento que podemos obter, o conhecimento de Deus e o de nós mesmos são os mais importantes.

Jonathan Edwards

A oração é uma expressão de fé tão natural como a respiração é expressão de vida.

Jonathan Edwards

Deus é a fonte do amor como o sol é a fonte de luz.

Jonathan Edwards

O que os Outros Dizem de Você?



Por Jonathan Edwards

Considere o que outros podem dizer sobre você. Embora as pessoas estejam cegas quando às suas próprias faltas, facilmente descobrem os erros dos outros — e consideram-se aptas o suficientes para falar deles. Algumas vezes, as pessoas vivem de maneiras que absolutamente não são adequadas, porém estão cegas para si mesmas. Não veem seus próprios fracassos, embora os erros dos outros lhes sejam perfeitamente claros e evidentes. Elas mesmos não veem suas falhas; quanto às dos outros, não podem fechar os olhos ou evitar ver em que falharam.

Alguns, por exemplo, são inconscientemente muito orgulhosos. Mas o problema aparece notório aos outros. Alguns são muito mundanos ainda que não sejam conscientes disso. Alguns são maliciosos e invejosos. Os outros veem isso, e para eles lhes parecem verdadeiramente dignos de ódio. Porém, aqueles que têm esses problemas não refletem sobre eles. Não há verdade no seu coração e nem nos seus olhos em tais casos. Assim devemos ouvir o que os outros dizem de nós, observar sobre o que eles nos acusam, atentar para que erro encontram em nós, e com diligência verificar se há algum fundamento nisso.

Se outros nos acusam de orgulhosos, mundanos, maus ou maliciosos — ou nos acusam de qualquer outra condição ou prática maldosa — deveríamos honestamente nos questionar se isso é verdade. A acusação pode nos parecer completamente infundada, e podemos pensar que os motivos ou o espírito do acusador está errado. Porém, a pessoa perspicaz verá isso como uma ocasião para um auto-exame.

Deveríamos especialmente ouvir o que os nossos amigos dizem para nós e sobre nós. É imprudente, bem como não-cristão, tomar isso como ofensa e se ressentir quando os outros apontam nossas falhas. "Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos" (Pv 27.6). Deveríamos nos alegrar que nossas máculas foram identificadas.

Mas, também deveríamos atentar para as coisas sobre as quais os nossos inimigos nos acusam. Se eles nos difamam e nos insultam descaradamente — até mesmo com uma atitude incorreta — deveríamos considerar isso como um motivo para uma reflexão no íntimo, e nos perguntar se há alguma verdade no que está sendo dito. Mesmo se o que for dito é revelado de modo reprovável e injurioso, ainda pode ser que haja alguma verdade nisso. Quando as pessoas criticam outras, mesmo se seus motivos forem errados, provavelmente têm como alvo verdadeiros erros. Na verdade, nossos inimigos provavelmente nos atacam onde somos mais fracos e mais defeituosos; e onde demos mais abertura para a crítica. Tendem a nos atacar onde menos podemos nos defender. Aqueles que nos insultam — embora o façam com um espírito e modos não-cristãos — geralmente identificarão as genuínas áreas onde mais podemos ser achados culpados.

Assim, quando ouvirmos outros falando de nós nas nossas costas, não importa o espírito de crítica, a resposta certa é a auto-reflexão e uma avaliação quanto à verdade da culpa em relação aos erros de que nos acusam. Com certeza essa resposta é mais piedosa do que ficar furioso, revidar ou desprezá-los por terem falado maldosamente. Desse modo talvez tiremos o bem do mal, e esta é a maneira mais certa de derrotar o plano dos nossos inimigos, que nos injuriam e caluniam. Eles fazem isso com motivação errada, querendo nos injuriar. Mas, dessa maneira converteremos isso em nosso próprio favor.


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Jonathan Edwards

São os Seus Afetos Espirituais?


Por Jonathan Edwards

A quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória" (I Pe 1.8)

O cristão confirmado na fé tem uma convicção sólida e efetiva da verdade do evangelho. Não hesita mais entre duas opiniões. O evangelho deixa de ser duvidoso ou provavelmente verdadeiro, tornando-se estabelecido e indiscutível em sua mente. As coisas grandes, espirituais, misteriosas e invisíveis do evangelho influenciam seu coração como realidades poderosas.

Ele não tem simplesmente uma opinião que Jesus seja o Filho de Deus; Deus abre seus olhos para ver que este é o caso. Quanto às coisas que Jesus ensina sobre Deus, a vontade de Deus, a salvação e o céu, o cristão também sabe que são realidades indubitáveis. Têm, assim, uma influência prática em seu coração e em seu comportamento.

Está claro nas Escrituras que todos os verdadeiros cristãos têm essa convicção sobre as coisas divinas. Mencionarei somente alguns textos dos muitos existentes:

"Mas vós... quem dizeis que eu sou?" "Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo. Então Jesus lhe afirmou: bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus" (Mat. 16:15-17).

"Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. Agora eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado, provêm de ti; porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste e eles as receberam e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste" (João 17:6-8).

"Porque sei em quem lenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia" (II Tim. 1:12).

"E nós conhecemos e cremos o amor que Deus nos tem" (I João 4:16).

Existem muitas experiências religiosas que falham em trazer essa convicção. Muitas das chamadas revelações são emocionantes, mas não convincentes. Não produzem mudança duradoura na atitude e conduta da pessoa. Existem pessoas que têm tais experiências, todavia não agem sob influência prática de uma convicção das realidades infinitas, eternas em suas vidas diárias. Suas emoções urdem por algum tempo e depois morrem de novo, não deixando atrás de si nenhuma convicção duradoura.
(Quem disse isto – Jonathan Edwards – foi o instrumento de Deus no poderoso avivamento havido nos EUA no século XVIII, no qual abundavam os dons e manifestações sobrenaturais do Espírito Santo – nota do Pr Silvio Dutra).
Entretanto, suponhamos que as afeições religiosas de uma pessoa surjam realmente de uma forte convicção que o cristianismo é verdadeiro. Seriam suas afeições espirituais? Não, não necessariamente. De fato, suas emoções ainda não são espirituais, a não ser que sua convicção seja razoável. Por "uma convicção razoável", quero dizer uma convicção fundada em evidência e de bom entendimento.
Pessoas de outras crenças têm uma forte convicção da verdade de suas religiões. Muitas vezes aceitam suas religiões meramente porque seus pais, vizinhos e nações as ensinam. Se um cristão professo não tem outra base para sua fé, a não ser essa, sua religião não é melhor do que a de qualquer outro que creia meramente como resultado de sua formação. Sem dúvida a verdade em que o cristão acredita é melhor, porém se sua crença nessa verdade vem somente de sua formação, então a crença em si mesma está no mesmo nível que aquela das pessoas de outras religiões. As emoções que fluem de tal crença não são melhores que as emoções religiosas fundadas em outras crenças.

Além disso, suponhamos que a crença de uma pessoa no cristianismo não seja baseada em sua educação, mas em argumentos e na razão. Seriam suas emoções agora espirituais? Mais uma vez, não necessariamente. Emoções não espirituais podem surgir até de uma crença razoável. A crença propriamente dita há de ser espiritual bem como razoável. De fato, argumentos racionais às vezes convencerão uma pessoa intelectualmente que o cristianismo é verdadeiro, no entanto aquela pessoa continua não salva. Simão, o mágico, cria intelectualmente (At. 8:13), porém, continuou "em fel de amargura e laço de iniquidade" (At. 8:23). Crença intelectual certamente pode produzir emoções, como nos demônios que "creem e tremem" (Tg. 2:19), todavia tais emoções não são espirituais divinas.

Convicção espiritual da verdade surge somente numa pessoa espiritual. Somente quando o Espírito de Deus ilumina nossas mentes para entender realidades espirituais podemos ter uma convicção espiritual da verdade delas. Lembrem-se, compreensão espiritual significa uma percepção interior da beleza espiritual das coisas divinas.

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Jonathan Edwards

Um Oceano de Amor!



Por Jonathan Edwards

Deus é a fonte do amor como o sol é a fonte de luz. E, portanto, a gloriosa presença de Deus no céu enche o céu com amor, como o sol no meio do céu visível em um dia claro, enche o mundo de luz. O apóstolo nos diz que "Deus é amor"; e, portanto, vendo que ele é um ser infinito, segue-se que ele é uma fonte completa e transbordante, e inexaurível de amor. E vendo como Ele é um ser imutável e eterno, ele é uma fonte imutável e eterna de amor.

No céu (onde breve estaremos) habita o Deus do qual toda corrente de amor santo, sim, cada gota que existe e sempre existirá, flui sem interrupção. Onde habita o Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, unidos em um único, infinitamente desejável, e incompreensível amor mútuo e eterno.

E esta gloriosa fonte sempre flui em córregos, sim, em rios de amor e prazer, e esses rios enchem, por assim dizer, um oceano de amor, em que as almas dos resgatados podem banhar-se com o gozo mais doce, e seus corações, por assim dizer, são inundados com o amor que a Trindade desfruta desde toda a eternidade!


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Perdoe Minha Iniquidade Pois Ela é Grande – Parte 4



Citações do Livro Perdão para os Maiores Pecadores

Por Jonathan Edwards

“Se vocês tivessem tanta culpa sobre cada uma de suas almas como todos os homens perversos do mundo e todas as almas condenadas no inferno; ainda assim se vocês vierem a Deus por misericórdia, sensível a sua própria vileza, e buscando perdão apenas pela misericórdia gratuita de Deus através de Cristo, vocês não precisariam ter medo; a grandeza dos seus pecados não seria impedimento para perdão. Portanto, se suas almas estão pesadas e vocês estão angustiados por medo do inferno, vocês não precisam mais suportar esse peso e angustia. Se vocês estão apenas dispostos, vocês poderão gratuitamente vir e aliviarem a si mesmos, e lançar todo o seu peso em Cristo, e descansar nEle.”

“[...] é apenas por causa de Jesus Cristo que Deus está disposto a aceitar qualquer um.”

“[...] aqueles que negaram a Deus em sua juventude, a melhor parte de suas vidas, e gastaram-na no serviço de Satanás, terrivelmente pecaram e provocaram a Deus; e Ele frequentemente os deixa na dureza de coração quando se tornam idosos, ainda assim se eles estão dispostos a vir a Cristo quando idosos, Ele está tão pronto a recebê-los quanto a qualquer outro, pois nessa questão Deus tem respeito apenas a Cristo e Seu mérito.”

“Que outra regra nós temos para julgar tais questões a não ser a Palavra Divina? Se nos aventurarmos a ir além dela, nós estaremos miseravelmente no escuro.”

“Vocês nunca poderão vir a Cristo a não ser que vocês vejam primeiro que ele não os aceitará mais prontamente por nada que você possa fazer. Vocês devem primeiro ver que é totalmente em vão que vocês tentem fazerem a si mesmos melhores por tal razão. Vocês devem vem que vocês nunca poderão fazer a si mesmos mais dignos, ou menos dignos, por qualquer coisa que possam fazer.”

“Se alguma vez vocês realmente virem a Cristo, vocês devem ver que há o suficiente nEle para seu perdão, embora vocês não sejam melhores do que são. Se vocês não veem a suficiência de Cristo para o seu perdão, sem nenhuma justiça suas para lhes recomendar, vocês nunca virão de forma a serem aceitos por Ele. A maneira de serem aceitos é vir não com tal encorajamento, que agora vocês fizeram a si mesmos melhores e mais dignos, ou não tão indignos, mas no mero encorajamento do valor e merecimento de Cristo e da misericórdia de Deus.”

“Se vocês alguma vez vierem a Cristo, vocês devem vir para Ele fazer vocês tornarem-se melhores. Vocês devem vir como um paciente vai a seu médico, com suas doenças e feridas para serem curadas. Derrame toda sua perversidade diante dEle, e não argumente sua bondade; mas sua maldade e sua necessidade nesse aspecto: e diga, como o salmista no texto, não perdoe minha iniquidade, pois não é tão grande como era, mas: “Perdoe minha iniquidade, pois ela é Grande”.


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Perdoe Minha Iniquidade Pois Ela é Grande – Parte 3


Citações do Livro Perdão para os Maiores Pecadores

Por Jonathan Edwards

“A Lei não é impedimento no caminho do perdão dos grandes pecados, se os homens vierem verdadeiramente a Deus por misericórdia, pois Cristo cumpriu a Lei, Ele suportou a maldição dela em Seus sofrimentos, Gálatas 3:13: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro”.”

“Cristo não se recusará a salvar grandes pecadores, que de maneira correta vierem a Deus por misericórdia; pois esta é Sua obra. É o Seu ofício ser um Salvador de pecadores; é o trabalho para qual ele veio ao mundo; e portanto, ele não se negará a fazê-lo. Ele não veio para chamar os justos, mas pecadores ao arrependimento (Mateus 9:13). Pecado é o próprio mal que ele veio ao mundo para remediar, portanto Ele não se oporá a nenhum homem por ele ser muito pecaminoso. Quanto mais pecaminoso ele for, mais há a necessidade de Cristo. A pecaminosidade do homem foi a razão da vinda de Cristo ao mundo; está é a mesma miséria da qual Ele veio libertar os homens. Quanto mais eles os têm, mais eles precisam ser libertos; “Os sãos não precisam de médico, apenas os que estão doentes” (Mateus 9:12). O médico não se oporá a curar o homem que o solicita, que está em grande necessidade de ajuda dele. Se um médico de compaixão vai entre doentes e feridos, certamente ele não irá se recusar a curar aqueles que estão em maior necessidade de cura, se ele é capaz de curá-los.”

“[..] a glória da graça pela redenção de Cristo deve consistir em Sua suficiência para o perdão dos maiores pecadores. A totalidade da ideia do caminho da salvação é para este fim, para glorificar a graça gratuita de Deus. Deus tinha em Seu coração por toda a eternidade, glorificar este atributo; e, portanto, o dispositivo de salvar pecadores por Cristo foi concebido. A grandeza da Divina graça muito aparece nisso que Deus por Cristo salva grandes infratores. Quanto maior culpa de qualquer pecador, mais gloriosa e maravilhosa é a graça manifestada em seu perdão, Romanos 5:20: “onde o pecado abundou, superabundou a graça”.”

“Portanto, sem dúvida, Cristo estará disposto a salvar grandes pecadores, se eles vierem a Ele; pois Ele não se negará a glorificar a Si mesmo, e para recomendar o valor e a virtude de Seu próprio sangue. Vendo que Ele se dispôs a redimir pecadores, Ele não estará indisposto a redimir os pecadores, Ele não vai estar indisposto a mostrar que Ele é capaz de redimir até ao fim.”
“O uso apropriado desse assunto é para encorajar pecadores cuja consciência está pesada com um senso de culpa, para imediatamente irem a Deus através de Cristo por misericórdia. Se vocês forem na maneira que descrevemos, os braços estão abertos para abraçá-los.”

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Perdoe Minha Iniquidade Pois Ela é Grande – Parte 2


Citações do Livro Perdão para os Maiores Pecadores

Por Jonathan Edwards

“A misericórdia de Deus é tão suficiente para o perdão de grandes pecados quanto para os menores; e isso porque Sua misericórdia é infinita. O que é infinito está muito acima do que é grande, Ele está tão acima dos reis como ele está acima dos mendigos; Ele está tão acima do maior anjo, como está do pior verme. Uma medida finita não chega nem perto da extensão do que é infinito. Então a misericórdia de Deus sendo infinita, deve ser tão suficiente para o perdão de todo pecado quanto de um só. Se um dos menores pecados não está além da misericórdia de Deus, então também não está o maior, ou dez mil deles.”

“Sendo o sacrifício de Cristo completamente satisfeito por todo pecado, ou tendo operado a satisfação que é suficiente por todos, não é, agora, nem um pouco inconsistente com a glória do atributo divino perdoar os maiores pecados daqueles que vêm de uma maneira correta até Ele por perdão. Deus pode agora perdoar os maiores pecadores sem nenhum prejuízo a honra de Sua santidade. A santidade de Deus não O deixa mostrar uma menor severidade ao pecado, mas O inclina a dar testemunhos apropriados ao seu ódio ao pecado. Mas Cristo tendo satisfeito por todo pecado, Deus pode agora amar o pecador, e não mostrar nenhuma severidade ao pecado, por mais terrível que o pecador tenha sido.”

“Foi um suficiente testemunho da aversão de Deus ao pecado, que Ele derramou sua ira em se próprio amado Filho, quando ele assumiu a culpa sobre si. Nada pode demonstrar melhor o ódio de Deus ao pecado do que isso. Se toda a humanidade tivesse sido eternamente condenada não teria sido tão grande testemunho quanto este.”

“Deus pode, através de Cristo, perdoar os grandes pecadores sem nenhum prejuízo à honra de Sua majestade. A honra da Divina Majestade de fato requer satisfação; mas os sofrimentos de Cristo reparam completamente o dano. Que o desprezo seja sempre tão grande, ainda sim se tão honrável Pessoa como Cristo se compromete a ser um Mediador para o infrator, e sofre muito por ele, isso repara completamente o dano causado à Majestade do céu e da terra. Os sofrimentos de Cristo satisfazem completamente a justiça.”

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Perdoe Minha Iniquidade Pois Ela é Grande – Parte 1


Citações do Livro Perdão para os Maiores Pecadores

Por Jonathan Edwards

“O salmista usa a grandeza de seus pecados como argumento para misericórdia. Ele não apenas não usa sua justiça própria como argumento, ou a insignificância de seu pecado; ele não apenas não diz: “Perdoa minha iniquidade, pois eu tenho feito tanto para compensá-las”; ou “Perdoe minha iniquidade, pois é pequena, e Tu não tens tanta razão para estar zangado comigo; minha iniquidade não é tão grande que tu tenhas qualquer justa causa para usá-la contra mim; minha ofensa não é tal que não possas negligenciá-la”, mas ao contrário, ele diz: “Perdoe minha iniquidade, pois ela é grande”; ele argumenta a grandeza de seu pecado, não a pequinês dele; ele reforça sua oração com essa consideração, que seus pecados são muito hediondos.”

“Mas como ele podia fazer disso um pleito para perdão? Eu respondo: Porque quanto maior sua iniquidade, maior a necessidade tinha de perdão. É como se ele tivesse dito “Perdoe minha iniquidade, pois ela é tão grande que eu não posso suportar a punição; meu caso será excessivamente miserável, a não ser que te agrades em me perdoar”. Ele faz uso da grandeza do seu pecado, para reforçar seu apelo por perdão, como um homem usaria uma grande calamidade para implorar por alívio. Quando um mendigo implora por pão, ele argumentará sua grande pobreza e necessidade.”

“Se nós realmente formos a Deus por misericórdia, a grandeza do nosso pecado não será impedimento para perdão. Se fosse um impedimento, Davi jamais teria usado isso como argumento, como vemos que ele faz neste texto.”

“Sem miséria no objeto, não pode haver exercício da misericórdia. Supor misericórdia sem supor miséria, ou compaixão sem calamidade é uma contradição. Portanto os homens não podem olhar para si mesmos como apropriados objetos de misericórdia, a menos que eles primeiro conheçam a si mesmos como miseráveis; e então, a não ser que este seja o caso, é impossível que eles vão a Deus por misericórdia.”

“Eles devem perceber que são filhos da ira; que a lei está contra eles, e que estão expostos à maldição dela: que a ira de Deus permanece sobre eles; e que Ele está irado com eles todos os dias enquanto estão debaixo da culpa do pecado. Eles precisam se sensibilizarem de que a culpa do pecado faz deles criaturas miseráveis, não importando qual alegria temporal eles tenham; que eles não podem ser nada além de miseráveis, criaturas desfeitas, enquanto Deus está zangado com eles; que eles estão sem força, e devem perecer, e isto eternamente, a não ser que Deus os ajude. Eles precisam ver que o caso deles é de completo desespero, por qualquer coisa ou qualquer um possa fazer por eles; que eles pairam sobre o abismo da miséria eterna; e que eles necessariamente devem cair nele, se Deus não tiver misericórdia deles.”

“Eles devem ser sensíveis que não são dignos da misericórdia de Deus. Aqueles que realmente vêm a Deus por misericórdia, vêm como mendigos, e não como credores. Eles vêm por mera misericórdia. Por graça soberana, e não por qualquer coisa que lhes é devido.”

“Eles devem ser sensíveis que seria justo da parte de Deus fazer como Ele ameaçou em sua santa Lei, isto é, fazer deles objetos da sua ira e maldição no inferno por toda a eternidade. – Aqueles que vêm a Deus por misericórdia de uma maneira correta não estão dispostos a achar falta em Sua severidade, mas eles vêm num senso de sua completa indignidade, como com cordas em seus pescoços, e deixados na poeira aos pés da misericórdia.”

“Eles devem vir a Deus por misericórdia em e através de Jesus Cristo somente. Toda sua esperança de misericórdia deve vir da consideração de quem Ele é, do que Ele fez e o que Ele sofreu; e que não há outro nome dado debaixo do céu, entre os homens, pelo qual possamos ser salvos, além do nome de Cristo; que Ele é o Filho de Deus, e o Salvador do mundo; que o Seu sangue limpa todo pecado, e que Ele é tão digno, que todos os pecadores que estão nEle podem ser perdoados e aceitos. É impossível que qualquer um venha a Deus por misericórdia, e ao mesmo tempo não tenha nenhuma esperança de misericórdia. A vinda deles a Deus por ela, implica que eles têm alguma esperança de obtê-la, de outro modo eles não pensariam valer a pena o tempo de vir. Mas aqueles que vêm de maneira correta tem toda sua esperança através de Cristo, ou da consideração de sua redenção e suficiência dela. Se pessoas assim vêm a Deus por misericórdia, a grandeza de seus pecados não será impedimento de perdão. Deixe que seus sejam tantos, e grandes, e graves isso não fará Deus nem um grau menos disposto a perdoá-los.”


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Jonathan Edwards

A Emanação de Deus



Por Jonathan Edwards

É apropriado que uma fonte abundante dê origem a rios caudalosos

Uma vez que existe em Deus uma plenitude infinita de todo o bem possível - uma abundância de toda perfeição, excelência, beleza e felicidade infinitas - e que essa plenitude é capaz de comunicação ou emanação ad extra, também parece algo amável [isto é, agradável, admirável] e precioso em si mesmo que essa fonte infinita de bem dê origem a rios caudalosos. E, assim como essa comunicação é de per si excelente, a disposição para ela no Ser Divino também deve ser considerada excelente. Essa emanação do bem é, em certo sentido, uma multiplicação de tal bem. Assim como o rio pode ser considerado algo além da fonte, também a emanação pode ser tida como uma ampliação do bem. E se a plenitude do bem na qual consiste a fonte é em si mesma excelente, a emanação que pode ser tida como uma ampliação, repetição ou multiplicação dessa fonte é excelente.

Portanto, uma vez que há uma fonte infinita de luz e conhecimento, é apropriado que essa luz resplandeça em raios de conhecimento e entendimento comunicados e, uma vez que há uma fonte infinita de santidade, excelência moral e beleza, estas também devem fluir na santidade comunicada. E, uma vez que há uma plenitude infinita de gozo e felicidade, esta deve igualmente ter uma emanação e se tornar uma fonte a jorrar em rios caudalosos e a resplandecer como os raios do Sol. Logo, parece razoável supor que Deus teve como fim último a existência de uma emanação gloriosa e copiosa de sua plenitude infinita de bem ad extra, ou sem ele próprio, e que foi a disposição de comunicar a si mesmo ou propagar a sua PLENITUDE que o levou a criar o mundo.

Convém observar, contudo, certa impropriedade na afirmação de que uma disposição divina de comunicar-se à criatura o motivou a criar o mundo, pois a inclinação de Deus para comunicar-se a um objeto parece pressupor a existência de tal objeto, pelo menos no nível conceituai. Porém, a disposição difusiva que impeliu Deus a fazer as criaturas existirem foi, na verdade, uma disposição comunicativa em geral, ou uma disposição na plenitude da divindade para fluir e se difundir. Assim, a disposição existente na raiz e no cerne de uma árvore de espalhar a seiva e a vida é, sem dúvida, a razão pela qual essas duas partes se comunicam com seus brotos, folhas e frutos depois que estes vêm a existir. Porém, a disposição de transmitir sua vida e seiva aos frutos não é tanto o motivo essencial pelo qual a árvore produz esses frutos, quanto o é sua disposição de transmitir sua vida e seiva de modo geral. Logo, falando estritamente de acordo com a verdade, podemos supor que uma disposição existente em Deus, uma propriedade original e inerente de emanar a própria plenitude infinita foi o que o estimulou a criar o mundo e, portanto, o seu fim último na criação era a própria emanação.


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Jonathan Edwards

A Beleza das Coisas Espirituais

Por Jonathan Edwards

O objetivo fundamental das emoções espirituais é a excelência e beleza das coisas espirituais como são em si mesmas, não a relação que têm com o nosso interesse pessoal.

Alguns dizem que todo amor resulta do amor de si mesmo. É impossível, dizem, para qualquer pessoa amar a Deus sem que o amor por si mesmo esteja à raiz de tudo. De acordo com essas pessoas, quem quer que ame a Deus e deseje comunhão com Ele e deseje a Sua glória, deseja estas coisas somente a propósito de sua felicidade. Assim, um desejo pela própria felicidade (amor a si próprio) está na base do amor por Deus. Entretanto, aqueles que dizem isso deveriam perguntar-se porque uma pessoa colocaria sua felicidade em dependência da comunhão com Deus e Sua glória. Certamente isso é o efeito do amor a Deus. Uma pessoa tem de amar a Deus antes de perceber a comunhão com Ele e Sua glória como a sua própria felicidade.

E claro que existe um tipo de amor por outra pessoa que surge do amor por si mesmo. Isso ocorre quando a primeira coisa que atrai o nosso amor por alguém é algum favor que nos tenha demonstrado ou algum presente que nos deu. Nesse caso, o amor a si mesmo certamente está à raiz do amor ao outro. É completamente diferente quando a primeira coisa que atrai o nosso amor ao outro é nosso apreço por suas qualidades, que são lindas em si mesmas.

O amor a Deus que emana essencialmente do amor a si mesmo não pode ser de natureza espiritual. O amor próprio é um princípio puramente natural. Existe nos corações de demônios como nos de anjos. Assim, nada pode ser espiritual se for meramente resultado do amor a si mesmo. Cristo fala sobre isso em Lucas 6.32: "Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam."

A causa mais profunda do verdadeiro amor a Deus é a suprema beleza da natureza divina. É a única coisa razoável a se acreditar. O que faz, principalmente, um homem ou qualquer criatura belo é sua excelência. Certamente a mesma coisa é verdadeira no que diz respeito a Deus. A natureza de Deus é infinitamente excelente; é beleza, fulgência e glória infinitas em si mesmas. Como podemos amar corretamente a excelência e beleza de Deus se não o fazemos por causa delas mesmas. Aqueles cujo amor a Deus é baseado na utilidade que Deus tem para eles mesmos, estão partindo do ponto errado. Estão vendo a Deus somente do ponto de vista do interesse próprio. Falham em apreciar a glória infinita da natureza de Deus, que é a fonte de toda a bondade e toda a beleza.

O amor natural a si mesmo pode produzir muitas emoções dirigidas a Deus e a Cristo, onde não há apreciação da beleza e glória da natureza divina. Por exemplo, amor por si mesmo pode produzir uma gratidão meramente natural a Deus. Isso pode ocorrer por idéias erradas sobre Deus, como se Ele fosse somente amor e misericórdia, sem justiça vingadora, ou como se Deus estivesse obrigado a amar uma pessoa pelos seus merecimentos. Desse ponto de vista, os homens podem amar a um deus criado por sua própria imaginação, quando não têm nenhum amor pelo Deus verdadeiro.

Mais uma vez, o amor próprio pode produzir um amor a Deus mediante a falta de convicção de pecado. Algumas pessoas não têm qualquer percepção da perversão do pecado, nem da infinita e santa aversão de Deus ao pecado. Pensam que Deus não tem padrões mais altos que os deles! Assim, dão-se bem com Ele, mas amam a um deus imaginário, não ao Deus verdadeiro. Existem também outros cujo amor a si mesmos produz um tipo de amor a Deus, simplesmente pelas bênçãos materiais que recebem de Sua providência. Nisso também não há qualquer coisa espiritual!

Além disso, outros sentem um amor vigoroso por Deus, por crerem fortemente que Ele os ama. Depois de passarem por grande desespero e medo do inferno, podem subitamente começar a crer que Deus os ama, perdoou seus pecados e os adotou como Seus filhos. Isso pode ocorrer por uma impressão em suas imaginações, ou uma voz falando de dentro deles, ou de alguma outra forma não bíblica. Se você perguntar a essas pessoas se Deus é amável e excelente em Si mesmo, podem perfeitamente dizer que sim. Entretanto, a verdade é que sua boa opinião sobre Deus foi obtida pela grande benção que imaginam ter recebido dEle. Permitem que Deus seja amável nEle mesmo, somente porque Ele os perdoou e os aceitou, ama-os tanto e prometeu levá-Los ao céu. É fácil amar a Deus e dizer que Ele é amável quando acreditam nisso. Qualquer coisa é amável para uma pessoa interesseira quando promove o seu próprio interesse.

O verdadeiro amor espiritual por Deus surge nos cristãos de uni modo completamente diferente. Cristãos verdadeiros não vêem primeiro que Deus os ama e depois descobrem que Ele é amável. Vêem primeiro que Deus é amável, que Cristo é excelente e glorioso. Seus corações são primeiramente cativados por essa visão de Deus e seu amor por Ele surge principalmente dessa percepção. O verdadeiro amor se inicia com Deus, amando-0 por aquilo que Ele é. Amor por si mesmo começa com a pessoa e ama a Deus por interesse em si mesmo.

Entretanto, não gostaria que pensassem que toda a gratidão a Deus por Suas bênçãos seja meramente natural e egoísta. Existe gratidão espiritual. A verdadeira gratidão espiritual se diferencia da gratidão meramente interesseira dos seguintes modos:

(1) A verdadeira gratidão a Deus por Suas bênçãos flui de um amor a Deus como Ele é em Si mesmo. O cristão já viu a glória de Deus, e ela cativou o seu coração. Assim, o seu coração se torna sensível e é facilmente tocado quando este Deus glorioso lhe dirige favores e bênçãos. Posso ilustrar isso a partir da vida humana. Se um homem não tem amor por outra pessoa, pode ainda assim sentir gratidão por algum ato de bondade feito a ele por aquela pessoa; ainda assim, isto é diferente da gratidão de um homem a um amigo amado, por quem seu coração já tem uma grande afeição. Quando nossos amigos nos ajudam, o amor que já sentimos por eles aumenta. Do mesmo modo, um amor a Deus por Sua beleza e glória rios inclina a ainda maior amor quando este grande Deus derrama bênçãos sobre nós. Assim, não podemos excluir todo amor a si mesmo da gratidão espiritual. "Amo o Senhor, porque ele ouve a minha voz e as minhas súplicas" (Sal. 116:1). No entanto, nosso amor pelo que Deus 6, prepara o caminho para nossa gratidão pelo que Ele faz.

(2) Em gratidão espiritual, a bondade de Deus toca o coração das pessoas não só porque os abençoa, mas porque a bondade 6 parte da glória e beleza de Sua própria natureza. A incomparável graça de Deus revelada na obra da redenção e resplandecendo na face de Cristo, é infinitamente gloriosa em si mesma. O cristão vê essa glória e se delicia nela. Seu interesse na obra de Cristo, como um pecador necessitando de salvação, ajuda a focalizar sua mente nela. A visão da bondade de Deus agindo por sua redenção faz com que preste ainda mais atenção à natureza gloriosa da bondade de Deus. Por isso, o amor próprio se torna o servo da contemplação espiritual.

Alguns podem fazer objeções a tudo o que eu disse, citando do I Jo. 4:19: "Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro." Eles pensam que isto significa que nosso conhecimento do amor de Deus por nós é o que primeiramente faz com que amemos a Ele. Discordo. Penso que João quer dizer algo bem diferente. Quer dizer que o nosso amor a Deus é algo que Ele coloca em nossos corações, como sinal de Seu amor por nós. Nós O amamos, porque Ele graciosamente inclina os nossos corações a amá-10; Ele faz isso devido a Seu amor gratuito e soberano por nós; pelo que, Ele nos escolheu eternamente para nos tornar os que O amam. Nesse sentido, nós O amamos porque Ele primeiro nos amou. E o que equivale a dizer: "Somos salvos porque Ele nos amou quando não tínhamos amor por Ele."

Admito que existem outros modos em que amamos a Deus porque Ele primeiro nos amou, todavia isso tem que se referir a um amor espiritual por Deus, não a um amor meramente egoísta. Por exemplo, o amor de Deus em Jesus Cristo pelos pecadores é uma das revelações mais importantes das Suas gloriosas perfeições morais. Assim, o amor de Deus por nós produz um amor pela perfeição moral de Deus. De novo, o amor de Deus por uma pessoa eleita em particular, revelado na conversão daquela pessoa, é uma grande demonstração da glória de Deus para ela; por isso produz santa gratidão espiritual, como foi explicado acima. Desses vários modos amamos a Deus com amor santo e espiritual, pois Ele primeiro nos amou. Por que não deveríamos presumir que esse é o tipo de amor a Deus sobre o qual trata I Jo. 4:19, em vez de um simples amor egoísta?

Até aqui discuti o amor de um cristão por Deus. O que eu disse se aplica igualmente à alegria e prazer em Deus. Prazer espiritual em Deus surge principalmente de Sua beleza e perfeição, não das bênçãos que nos são dadas por Ele. Mesmo o caminho da salvação por Cristo é prazeroso principalmente por Sua exibição gloriosa das perfeições de Deus. E claro, o cristão se regozija por Cristo ser seu Salvador pessoal. Contudo, esta não é a causa mais profunda de sua alegria.

Quão diferente é com os falsos cristãos! Quando ouvem do amor de Deus ao enviar Seu Filho, o amor de Cristo em morrer pelos pecadores e as grandes bênçãos que Cristo comprou para Seu povo, e prometeu a ele, podem escutar com grande prazer e se sentir grandemente jubilosos. Todavia, se examinarmos essa alegria, descobrimos que eles estão se regozijando porque essas bênçãos são suas, tudo isso os alegra. Podem até se deliciar na doutrina da eleição, pois lisonjeia seu amor próprio pensar que são os favoritos do céu! Sua alegria é realmente em si mesmos, não em Deus.

Por conseguinte, em todas as alegrias dos falsos cristãos, seus olhos estão em si mesmos. Suas mentes estão ocupadas com suas próprias experiências, não com a glória de Deus ou a beleza de Cristo. Ficam pensando, "Como isso é uma boa experiência! Que enormes revelações estou recebendo! Que boa história posso contar para os outros agora!" Desse modo, põem suas experiências no lugar de Cristo. Em vez de se regozijarem na beleza e plenitude de Cristo, regozijam-se em suas maravilhosas experiências; e isso se mostra em sua conversa. São grandes conversadores sobre si mesmos. O verdadeiro cristão, quando se sente espiritualmente aquecido e fervoroso, gosta de falar de Deus, de Cristo e das verdades gloriosas do evangelho. Falsos cristãos são repletos de conversa sobre si mesmos, as maravilhosas experiências que eles tiveram, como estão seguros que Deus os ama, como suas almas estão seguras, como sabem que eles irão para o céu, etc.

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A Igreja tem testemunhado a redenção de Cristo juntamente com o Espírito Santo nestes 2.000 anos de Cristianismo.
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A Bíblia também revela as condições do tempo do fim quando Cristo inaugurará o Seu reino eterno de justiça ao retornar à Terra. Com isto se dará cumprimento ao propósito final relativo à nossa redenção.
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Jonathan Edwards

Deus e Nossas Emoções



Por Jonathan Edwards

As Escrituras, em toda parte, colocam a verdadeira religião principalmente em nossas emoções - no medo, esperança, amor, ódio, desejo, alegria, tristeza, gratidão, compaixão e zelo. Consideremo-las por um momento.

Medo - As Escrituras fazem do temor a Deus a parte mais importante da verdadeira religião. Uma designação muitas vezes dada aos crentes pelas Escrituras é "tementes a Deus", ou aqueles "que temem ao Senhor." É por isso que a verdadeira piedade é comumente chamada "o temor a Deus".

Esperança - Esperança em Deus e em Suas promessas é, de acordo com as Escrituras, uma parte importante da verdadeira religião. O apóstolo Paulo menciona esperança como uma das três grandes coisas que formam a verdadeira religião (I Cor 13:13). Esperança é o capacete do soldado cristão. "E tomando como capacete, a esperança da salvação" (I Tes 5:8). É âncora da alma: "da esperança proposta; a qual temos por âncora da alma, segura e firme" (Heb 6:19). Às vezes o temor a Deus e a esperança são unidos como indicadores do caráter do verdadeiro crente: "Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia" (Sal. 33:18).

Amor -As Escrituras colocam a verdadeira religião exatamente na emoção do amor: amor por Deus, por Jesus Cristo, pelo povo de Deus, e pela humanidade. Os versículos que nos ensinam isto são inúmeros, e vou tratar do assunto no próximo capítulo. Deveríamos observar, entretanto, que as Escrituras falam da emoção contrária, o ódio - o ódio pelo pecado - como uma parte importante da verdadeira religião. "O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal" (Prov 8:13). Conseqüentemente, as Escrituras chamam os crentes a provarem sua sinceridade do seguinte modo: "Vós, que amais ao Senhor, detestai o mal!" (Sl 97:10).

Desejo - As Escrituras mencionam muitas vezes o desejo santo, expresso em anseio, fome e sede de Deus e de santidade, como uma parte importante da verdadeira religião. "No teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma" (Is 26:8). "A minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, numa terra árida, exausta, sem água" (Sl 63:1). "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos" (Mt 5:6).

Alegria - As Escrituras falam da alegria como uma grande parte da verdadeira religião. "Alegrai-vos no Senhor, ó justos" (Sl 97:12). "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos" (Fil 4:4). "Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria," etc. (Gal 5:22).

Pesar - Pesar espiritual, contrição e coração quebrantado são uma grande parte da verdadeira religião, de acordo com as Escrituras. "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados" (Mt 5:4). "Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus" (Sl 51:17). "Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos". (Is 57:15).

Gratidão - Outra emoção espiritual sempre mencionada nas Escrituras é gratidão, especialmente como expressa no louvor a Deus. Aparece tantas vezes, principalmente nos Salmos, que não preciso mencionar textos particulares.

Misericórdia - As Escrituras freqüentemente falam da compaixão ou misericórdia como essencial na verdadeira religião. Jesus ensinou que a misericórdia é uma das exigências mais importantes da lei de Deus: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt. 5:7). "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei, a justiça, a misericórdia e a fé" (Mt 23:23). Paulo enfatiza esta virtude tanto quanto Jesus o fez: "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia" (Col 3:12).

Zelo - As Escrituras dizem que o zelo espiritual é uma parte essencial da verdadeira religião. Cristo tinha a realização dessa qualidade em mente quando morreu por nós: "O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras" (Tito 2:14).

Mencionei somente alguns textos, de um número enorme, que colocam a verdadeira religião exatamente em nossas emoções. Se alguém quiser contestar isto, deve jogar fora a Bíblia e encontrar outro padrão pelo qual julgue a natureza da verdadeira religião.


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Jonathan Edwards

A Queda Como uma Redução do Interesse pela Alma



Por J. Edwards

Em 1738, Edwards pregou uma série de mensagens sobre 1 Coríntios 13, publicada posteriormente com o título Charity and Its Fruits. Seu sermão sobre o versículo 5 - "[o amor] não procura os seus interesses" - é chamado "O espírito da caridade, o oposto de um espírito egoísta". Nele, Edwards apresenta o seu diagnóstico do coração humano. Tudo começou na queda do homem em pecado no jardim do Éden:
A ruína que a Queda provocou na alma do homem consiste, em grande parte, no fato de que ele perdeu os princípios mais nobres e amplos, sendo subjugado inteiramente pelo governo do amor-próprio ... Logo depois da Queda, a mente do homem se reduziu em relação à sua grandeza e extensão primitivas, tornando-se extremamente pequena e limitada ... enquanto, em outros tempos, sua alma se encontrava sob o governo do princípio nobre do amor divino pelo qual era, por assim dizer, expandida para ter um tipo de compreensão de todas as outras criaturas; e não apenas isso, mas também ... estendida até o Criador, e dispersada amplamente naquele oceano infinito.
Porém, assim que foi cometida a transgressão, esses princípios nobres se perderam imediatamente e toda a amplitude excelente da alma humana desapareceu e, daí por diante, se reduziu até um ponto minúsculo, limitado e preso em si mesmo, excluindo todo o resto. Deus foi abandonado, as outras criaturas foram abandonadas e o homem se retraiu e passou a ser inteiramente governado por princípios restritos e egoístas. O amor-próprio se tornou o senhor absoluto de sua alma, depois que os princípios mais nobres e espirituais pressentiram o perigo e fugiram.

O mais importante para os nossos propósitos é que, na Queda, ou seja, no pecado original, o coração humano sofreu uma redução; ele se contraiu e se tornou "extremamente pequeno e limitado"; abandonou a Deus e passou a ser escravo de um amor-próprio individualista, restrito e confinado. Esse é 0 grande problema do cristão - seja ele moderno ou antigo - e sua vida pública. Amamos a nós mesmos de modo estreito e limitado e somos indiferentes aos outros, à sociedade, às nações e a Deus.
. O hedonismo cristão pode sobreviver à acusação de Edwards de amor-próprio?

Isso dá origem a uma questão - um problema para alguém como eu -, que gosta de usar a expressão "hedonismo cristão" para descrever a obediência bíblica e a teologia de Jonathan Edwards. O hedonismo cristão sugere que toda verdadeira adoração e virtude envolve a busca pelo prazer supremo - o que parece muito uma forma de amor-próprio.

Até mesmo o título deste capítulo levanta essa questão com as palavras "O prazer em Deus e a transformação cultural". A expressão "prazer em Deus" parece confundir as coisas, deixando implícito que devo buscar algum prazer para mim mesmo, quando Edwards diz que a essência da depravação humana é escravidão ao "amor-próprio". Se encararmos esse problema, chegaremos bem perto do cerne da ética de Edwards e veremos como é uma pessoa de espírito público autêntico.

O uso negativo da expressão "amor-próprio" - Egoísmo estreito

A primeira coisa a dizer é que Edwards usa o termo "amor-próprio" de duas maneiras bastante diferentes, uma negativa e outra neutra. O uso negativo é o mais freqüente. Em suas palavras: "O amor-próprio, conforme essa expressão é usada coloquialmente, significa, em geral, a deferência do homem pelo seu eu privado, ou o amor por si mesmo visando ao seu interesse privado". E isso o que Edwards quer dizer com "amor-próprio" ao diagnosticar a nossa depravação.
Trata-se de um termo praticamente sinônimo de egoísmo. De acordo com Edwards, as pessoas governadas pelo amor-próprio "colocam a felicidade em boas coisas que são restritas ou limitadas a elas, e que excluem outros. E isso é egoísmo. E a isso que se relaciona mais diretamente o amor-próprio condenado pelas Escrituras". É o que Paulo tem em mente ao dizer em 1 Coríntios 13.5: "[o amor] não procura os seus interesses". "Quando se diz que o amor não procura os seus interesses, deve-se entender que se trata do seu bem privado, o bem limitado a si mesmo". Em outras palavras, o verdadeiro amor espiritual não é governado por uma busca estreita, limitada e confinada do próprio prazer.

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A Plenitude da Bondade e da Graça de Deus



Por Jonathan Edwards

O termo glória, aplicado a Deus ou a Cristo, tem, por vezes, o significado claro de comunicação da plenitude de Deus e apresenta um sentido praticamente equivalente ao da bondade e da graça abundantes de Deus. É o caso em Efésios 3.16: "para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior". A oração "segundo a riqueza da sua glória" é, sem dúvida alguma, equivalente àquela que aparece nessa mesma epístola, no capítulo 1.7: ("segundo a riqueza da sua graça") e no capítulo 2.7: ("a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus"). O termo glória é usado do mesmo modo em Filipenses 4.19: "E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades". Romanos 9.23: "A fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão". Nesse versículo e nos anteriores, o apóstolo fala de como Deus revelou duas coisas: sua grande ira e sua abundante graça. A primeira, nos vasos de ira (versículo 22) e a segunda, que ele chama de riquezas da sua glória, nos vasos de misericórdia (versículo 23). Assim, quando Moisés diz: "Rogo-te que me mostres a tua glória", ao conceder o que ele pede, Deus responde, "Farei passar toda a minha bondade diante de ti" (Êx33.18,19).

Convém observar, em particular, o que encontramos em João 12.23-32. As palavras e o comportamento de Cristo, dos quais temos um relato nessa passagem, argumentam a favor de duas coisas.

Que a felicidade e a salvação dos homens foi o fim visado de modo supremo por Cristo nas suas obras e nos seus sofrimentos. As mesmas coisas que observamos anteriormente (Capítulo Dois, Seção Três), com referência à glória de Deus, também podem ser observadas a respeito da salvação dos homens. Ao se aproximar das dificuldades mais extremas da sua incumbência, Cristo se consola com a perspectiva de obter a glória de Deus como o seu fim maior. E, ao mesmo tempo, e exatamente da mesma maneira, a salvação dos homens também é mencionada como o fim dessas obras e desses sofrimentos intensos, que satisfez a sua alma diante da perspectiva de suportar tais coisas (Comparar os vs. 23 e 24; e também 28 e 29;vs.31e32.).

Tendo em vista que a glória de Deus e as emanações e os frutos da sua graça na salvação do homem são referidas por Cristo nessa ocasião exatamente do mesmo modo, seria bastante estranho entender que ele estava falando de duas coisas distintas. A ligação é de tal natureza que as suas palavras subsequentes devem, naturalmente, ser entendidas como exegéticas [isto é, explicativas] em relação ao que ele disse anteriormente. Ele começa falando de sua própria glória e da glória do Pai como o fim maior a ser alcançado por aquilo que ele está prestes a sofrer; então, explica e expande essa idéia naquilo que expressa acerca da salvação dos homens, que será obtida por meio da sua obra. Assim, no versículo 23, ele diz: "É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem". E, no que segue, ele mostra claramente de que maneira seria glorificado, ou em que consistia a sua glória: "Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto".

Assim como muito fruto é a glória da semente, a multidão de remidos, decorrente sua morte, é a sua glória. E, com referência à glória do Pai, vemos no versículo 27: "Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei'.

Cristo foi grandemente consolado pela certeza daquilo que a voz lhe declarou e sua alma até mesmo exultou diante dos seus sofrimentos iminentes. A natureza dessa glória, na qual a alma de Cristo foi de tal modo consolada nessa ocasião, é mostrada claramente nas palavras do próprio Cristo. Quando o povo disse que parecia um trovão e outros disseram que um anjo lhe falara, Cristo lhes explicou o significado da voz, nos versículos 30-32: "Então, explicou Jesus: Não foi por mim que veio esta voz, e sim por vossa causa. Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo". Por meio do comportamento e das palavras do nosso Redentor, nos parece que as expressões de graça divina na santificação e na felicidade dos remidos são, em especial, a glória dele próprio e do seu Pai, a alegria que lhe estava proposta, pela qual ele suportou a cruz e não fez caso da ignomínia [Hb 12.1,2], e que essa glória em especial era o fim do trabalho de sua alma, um fim que, ao ser alcançado, lhe deu satisfação (Is 53.10,11).

Trata-se de uma ideia coerente com o que acabamos de observar acerca de a glória de Deus ser representada com frequência como um resplendor, emanação ou comunicação de luz, a partir de um luminar ou fonte de luz. O que mais pode representar de modo tão natural e apropriado a emanação da glória interna de Deus, ou o fluxo e comunicação abundante da plenitude infinita do bem que há em Deus? A luz é usada com muita frequência nas Escrituras para representar consolo, alegria, felicidade e o bem em geral.

Jonathan Edwards

Um Guia Imperfeito



Por Jonathan Edwards

A razão, por si mesma, é um guia imperfeito

A verdade é que este assunto parece, em regra, uma questão de revelação divina. A fim de determinar o propósito da criação da estrutura magnífica do universo que contemplamos, devemos observar e nos fiar no que Ele, o Arquiteto, nos disse. É ele quem conhece melhor o próprio coração e sabe dos fins e propósitos das obras maravilhosas que realizou. Também não devemos supor que a humanidade - a qual, desprovida de revelação, mas pelo aperfeiçoamento máximo de sua razão e dos avanços na ciência e na filosofia, não foi capaz de chegar a uma conclusão irrefutável acerca do autor do mundo - poderia formar qualquer conclusão definida e razoável acerca do fim que o autor se propôs nessa obra tão vasta, complexa e maravilhosa das suas mãos.

A revelação refinou o uso da razão, mas não o suficiente

E verdade que a revelação dada por Deus aos homens - como uma luz brilhando em meio às trevas - promoveu um aperfeiçoamento considerável de suas faculdades e ensinou aos homens como usar a razão. Também é verdade que, com a ajuda incessante dessa luz divina ao longo das eras, a humanidade tem realizado grandes feitos no exercício habitual da razão. No entanto, considerando que Deus concedeu uma revelação que contém instruções acerca desse assunto específico, não seria apropriado nos fiarmos excessivamente na razão a fim de tratar da questão do fim último de Deus na criação do mundo, deixando de ser conduzidos, acima de tudo, pela revelação divina.

Porém, a razão pode ajudar a responder a objeções à revelação

Ainda assim, uma vez que as objeções contra o que acredito ser a revelação verdadeira das Escrituras são levantadas principalmente com base nos supostos preceitos da razão, convém considerar seriamente, em primeiro lugar, algumas coisas que parecem suposições racionais a respeito desse assunto e, só então, considerar o que a revelação divina esclarece sobre isso.

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Um Coração Profundamente Afetado

Por Jonathan Edwards

O ser humano tem a tendência de permanecer inativo até ser influenciado por alguma emoção: amor ou ódio, desejo, esperança, temor etc. Essas afeições representam o "princípio da ação", aquilo que nos impulsiona, que nos faz agir.

Quando olhamos para o mundo, vemos pessoas extremamente ocupadas. As emoções mantêm-nas ocupadas. Se pudéssemos retirar a emoção das pessoas, o mundo ficaria imóvel e inativo; não haveria mais atividade. É o sentimento chamado "cobiça" que impele alguém a buscar vantagens mundanas; é o sentimento chamado "ambição" que induz alguém a buscar glória humana; é o sentimento chamado "lascívia" que leva a pessoa a buscar prazer sensual. Assim como os sentimentos mundanos são o princípio de ações mundanas, os sentimentos religiosos (afeições santas) constituem o princípio de ações espirituais verdadeiras.

Quem possui apenas conhecimento de doutrina e teologia — sem afeição santa — nunca entendeu a verdadeira religião. Não há nada tão claro quanto isto: nossa prática religiosa tem sua raiz unicamente dentro de nós, até onde as emoções nos levam. Milhares de pessoas ouvem a Palavra de Deus, tomam conhecimento de importantes verdades acerca de si mesmas e de sua vida, mas nada do que ouvem exerce efeito sobre elas, sua maneira de viver não muda.

A razão é esta: eles não são afetados por aquilo que ouvem. Há muitos ouvem a respeito do poder, da santidade e da sabedoria de Deus, de Cristo, das coisas maravilhosas que ele faz e de seu convite gracioso. Entretanto, permanecem exatamente como estão, na vida e na prática.

Sou ousado em dizer isso, mas acredito que ninguém jamais mudou por causa da doutrina, de ouvir a Palavra de Deus ou pelo ensino ou pregação de outra pessoa, a não ser quando esses meios atingiram os sentimentos. Ninguém busca a salvação, clama por sabedoria, luta com Deus, põe-se de joelhos em oração ou foge do pecado se tem o coração insensível. Em resumo, não haverá nenhuma grande conquista pelos instrumentos da evangelho se o coração não estiver profundamente afetado por eles.


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Santidade


Por Jonathan Edwards

A principal razão para que as Escrituras chamem os cristãos e suas virtudes de "espirituais" é a seguinte: o Espírito Santo produz nos cristãos resultados que se harmonizam com a verdadeira natureza do próprio Espírito.

Santidade é a natureza do Espírito de Deus, portanto, as Escrituras chamam-nO de Espírito Santo. Santidade é a beleza e doçura da natureza divina e a essência do Espírito Santo, assim como o calor é a natureza do fogo. Este Espírito Santo vive nos corações dos cristãos como uma fonte de vida, agindo neles e dando de Si mesmo a eles em Sua doce e divina natureza de santidade. Ele leva a alma a partilhar da beleza espiritual de Deus e da alegria de Cristo, de modo que os crentes associem-se com o Pai e com o Filho, pela participação no Espírito Santo. Assim, a vida espiritual nos corações dos crentes é igual em natureza à própria santidade de Deus, embora em grau infinitamente menor. E como o sol brilhando num diamante. O brilho do diamante é igual em natureza ao brilho do sol, mas em grau menor. É isso que Cristo quer dizer, em Jo. 3:6: "o que é nascido do Espírito, é espírito." A nova natureza criada pelo Espírito Santo é da mesma natureza do Espírito que a criou; assim, as Escrituras chamam-na de natureza espiritual.

O Espírito opera dessa forma somente nos verdadeiros cristãos. Judas descreve os homens de mente mundana como os "que não têm o Espírito" (Judas 19). Paulo diz que somente os verdadeiros cristãos têm o Espírito Santo neles; e "se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle" (Rom. 8:9). Ter o Espírito Santo é sinal certo de estar em Cristo, de acordo com João: "Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito" (I Jo. 4:13). Em contraste, um homem natural não tem experiência de coisas espirituais; falar delas é tolice para ele, pois não sabe o que significa. "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente" (I Cor. 2:14). Jesus mesmo ensinou que o mundo incrédulo não conhece o Espírito Santo: "o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece" (Jo. 14:17).

Está claro, portanto, que os efeitos produzidos pelo Espírito Santo nos verdadeiros cristãos são diferentes de qualquer coisa que o homem possa produzir pelo poderes humanos naturais. É isso que eu quis dizer ao afirmar que as emoções espirituais verdadeiras surgem de influências sobrenaturais.

Disso se segue que os cristãos têm uma nova percepção ou concepção interna em suas mentes, totalmente diferente em natureza de qualquer outra coisa que tenham experimentado antes de serem convertidos. É, por assim dizer, um novo sentido espiritual para coisas espirituais. Esse sentido é diferente de qualquer sentido natural, assim como o sentido do paladar é diferente dos sentidos de visão, audição, olfato, e tato. Por esse novo sentido espiritual, o cristão compreende as coisas de modo diferente da percepção possível ao homem natural; é como a diferença entre simplesmente olhar para o mel e de fato experimentar sua doçura. É por isso que as Escrituras muitas vezes comparam a obra da regeneração pelo Espírito à aquisição de um novo sentido - visão para o cego, audição paia o surdo. Sendo esse sentido espiritual mais nobre e excelente do que qualquer outro, as Escrituras comparam sua concessão ao ressuscitar dos mortos e a uma nova criação.


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Jonathan Edwards

A Influência do Espírito Santo


Por Jonathan Edwards

“E Jesus, respondendo, disse; Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.” (Mateus 16.17)

Cristo dirige estas palavras a Pedro na ocasião em que o apóstolo professa sua fé nEle como o Filho de Deus. Nosso Senhor estava perguntado aos discípulos quem os homens diziam quem Ele era. Não que Ele precisasse ser informado, mas apenas para introduzir e dar ocasião aos que o seguiam. Eles respondem que uns diziam que era João Batista, outros, Elias e alguns, Jeremias ou um dos profetas. Depois de terem relatado quem o povo dizia que Ele era, Cristo lhes pergunta quem eles diziam que Ele era. Simão Pedro, que sempre era zeloso e petulante, foi o primeiro a responder. Prontamente ele respondeu à pergunta, dizendo: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16.16).

Nesta ocasião, Cristo diz como Pedro fala para com Ele e dEle no texto, sobre o que podemos observar:

1. Pedro é pronunciado bem-aventurado neste relato: "Bem-aventurado és tu" (Mt 16.17). "Tu és homem feliz, pois não és ignorante de que Eu sou o Cristo, o Filho do Deus vivo. Tu és distintamente feliz. Os outros são cegos e têm compreensões obscuras e ilusórias, pois como vós relatastes, uns pensam que sou Elias, outros, que sou Jeremias, alguns uma coisa e outros outra; mas ninguém pensa corretamente, todos estão enganados. Feliz és tu, por seres tão ilustre quanto a conhecer a verdade sobre este assunto."

2. A evidência declarada desta sua bem-aventurança — ou seja, que Deus, e Ele somente, tinha-lhe revelado isto. Esta é a evidência de Pedro ser bem-aventurado.

Em primeiro lugar, mostra-se quão peculiarmente Pedro foi favorecido por Deus acima dos outros. "Quão altamente favorecido és tu, do que os outros, sábios e grandes, escribas, fariseus e príncipes, e a nação em geral, permanecem na ignorância para seguir as próprias compreensões mal orientadas; e que tu foste escolhido, como que por nome, para que meu Pai celestial colocasse seu amor em ti, Simão Barjonas. Este fato mostra que tu és bem-aventura do por ser o objeto do notável amor de Deus."

Em segundo lugar, também comprova a bem-aventurança de Pedro conforme insinua que este conhecimento está acima do que carne e sangue podem revelar. "Este conhecimento é tão notável que só meu Pai que está nos céus pode dar. E muito sublime e excelente para ser comunicado desta forma como outro mero conhecimento. Tu és bem-aventurado pois tu sabes o que só Deus pode te ensinar."

A origem deste conhecimento é declarada aqui de forma negativa e positiva. Positivamente, quando Deus é declarado o Autor do conhecimento. Negativamente, quando é declarado que carne e sangue não o tinham revelado. Deus é o Autor de todo o conheci mento e entendimento. Ele é o Autor de toda a prudência moral e da habilidade que os homens têm nos assuntos seculares. E o que é dito acerca de todos em Israel que eram sábios de coração, qualificados em bordadura, que "Deus os tinha enchido do espírito de sabedoria" (Êxodo 28.3).

Deus é o Autor de tal conhecimento, ainda que carne e sangue o revelem. Os homens mortais são capazes de repartir o conhecimento das artes e ciências humanas e habilidade em assuntos temporais. Deus é o Autor de tal conhecimento por esses meios. Carne e sangue são empregados como sua causa mediata ou secundária. Ele o transmite pelo poder e influência de meios naturais. Mas do conhecimento espiritual falado no texto, é Deus o Autor e nenhum outro. Ele que o revela e não a carne ou sangue. Ele dá este conhecimento imediatamente, não fazendo uso de causas naturais intermediárias como faz com outro conhecimento.

O que tinha acontecido naturalmente no discurso precedente levou Cristo fazer esta observação, pois os discípulos estavam contando como o povo não o conhecia, mas estavam enganados sobre Ele, dividido e confuso em suas opiniões acerca dEle. Mas Pedro declarara sua fé firme de que Ele era o Filho de Deus. Era natural observar como não foram carne e sangue que tinham lhe dado essa revelação, mas Deus, pois se este conhecimento fosse dependente de causas ou formas naturais, como veio a suceder que eles, um grupo de pescadores pobres, homens analfabetos e pessoas de baixa educação, chegassem ao conhecimento da verdade, ao passo que escribas e fariseus, homens de vantagens imensamente superiores e de maior conhecimento e sagacidade em outros assuntos, permanecessem na ignorância? Esse fato só pode resultar da influência e revelação distintiva e graciosa do Espírito de Deus.


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Orgulho Espiritual Oculto



Por Jonathan Edwards

A primeira e a pior causa de erro que prevalece nos nossos dias é o orgulho espiritual. Essa é a principal porta que o diabo usa para entrar nos corações daqueles que têm zelo pelo avanço da causa de Cristo. É a principal via de entrada de fumaça venenosa que vem do abismo para escurecer a mente e desviar o juízo. É o meio que Satanás usa para controlar cristãos e obstruir uma obra de Deus. Até que essa doença seja curada, em vão se aplicarão remédios para resolver quaisquer outras enfermidades.

O orgulho é muito mais difícil de ser discernido do que qualquer outra fonte de corrupção porque, por sua própria natureza, leva a pessoa a ter um conceito alto demais de si própria. É alguma surpresa, então, verificar que a pessoa que pensa de si acima do que deve está totalmente inconsciente desse fato? Ela pensa, pelo contrário, que a opinião que tem de si está bem fundamentada e que, portanto, não é um conceito elevado demais. Como resultado, não existe outro assunto no qual o coração esteja mais enganado e mais difícil de ser sondado. A própria natureza do orgulho é criar autoconfiança e expulsar qualquer suspeita de mal em relação a si próprio.

O orgulho toma muitas formas e manifestações e envolve o coração como as camadas de uma cebola – ao se arrancar uma camada, existe outra por baixo dela. Por isto, precisamos ter a maior vigilância imaginável sobre nossos corações com respeito a essa questão e clamar àquele que sonda as profundezas do coração para que nos auxilie. Quem confia em seu próprio coração é insensato.

Como o orgulho espiritual é mascarado por natureza, geralmente não pode ser detectado por intuição imediata como aquilo que é mesmo. É mais fácil ser identificado por seus frutos e efeitos, alguns dos quais quero mencionar junto com os frutos opostos da humildade cristã.

A pessoa espiritualmente orgulhosa sente que já está cheia de luz, não necessitando assim de instrução. Assim, terá a tendência de prontamente rejeitar a oferta de ajuda nesse sentido. Por outro lado, a pessoa humilde é como uma pequena criança que facilmente recebe instrução. É cautelosa no seu conceito de si mesma, sensível à sua grande facilidade em se desviar. Se alguém lhe sugere que está, de fato, saindo do caminho reto, mostra pronta disposição em examinar a questão e ouvir as advertências.

As pessoas orgulhosas tendem a falar dos pecados dos outros: o terrível engano dos hipócritas, a falta de vida daqueles irmãos que têm amargura, a resistência de alguns crentes à santidade. A pura humildade cristã, porém, se cala sobre os pecados dos outros ou, no máximo, fala a respeito deles com tristeza e compaixão. A pessoa espiritualmente orgulhosa critica os outros cristãos por sua falta de crescimento na graça, enquanto o crente humilde vê tanta maldade em seu próprio coração, e se preocupa tanto com isso, que não tem muita atenção para dar aos corações dos outros. Queixa-se mais de si próprio e da sua própria frieza espiritual; sua esperança genuína é que todos os outros tenham mais amor e gratidão a Deus do que ele.

As pessoas espiritualmente orgulhosas falam frequentemente de quase tudo que percebem nos outros em termos extremamente severos e ásperos. É comum dizerem que a opinião, conduta ou atitude de outra pessoa é do diabo ou do inferno. Muitas vezes, sua crítica é direcionada não só a pessoas ímpias, mas a verdadeiros filhos de Deus e a pessoas que são seus superiores. Os humildes, entretanto, mesmo quando recebem extraordinárias descobertas da glória de Deus, sentem-se esmagados pela sua própria indignidade e impureza. Suas exortações a outros cristãos são transmitidas de forma amorosa e humilde e, ao lidar com seus irmãos e companheiros, eles procuram tratá-los com a mesma humildade e mansidão com que Cristo, que está infinitamente superior a eles, os trata.

O orgulho espiritual comumente leva as pessoas a se comportarem de modo diferente na sua aparência exterior, a assumirem um jeito diferente de falar, de se expressar ou de agir. Por outro lado, o cristão humilde – mesmo sendo firme no seu dever, permanecendo sozinho no caminho do céu ainda que o mundo inteiro o abandone – não sente prazer em ser diferente só para ser diferente. Não procura se colocar numa posição onde possa ser visto e observado como uma pessoa distinta ou especial; muito pelo contrário, dispõe-se a ser todas as coisas a todas as pessoas, a ceder aos outros, a se adaptar aos outros e a agradá-los em tudo menos no pecado.

Pessoas orgulhosas dão muita atenção a oposição e a injúrias; tendem a falar dessas coisas frequentemente com um ar de amargura ou desprezo. A humildade cristã, em contraste, leva a pessoa a ser mais semelhante ao seu bendito Senhor, o qual, quando foi maltratado não abriu sua boca, mas se entregou em silêncio àquele que julga retamente. Para o cristão humilde, quanto mais clamoroso e furioso o mundo se manifestar contra ele, mais silencioso e quieto ficará, com exceção de quando estiver no seu quarto de oração: lá ele não ficará calado.

Um outro padrão de pessoas espiritualmente orgulhosas é comportar-se de forma a torná-las o foco de atenção. É natural que a pessoa sob a influência do orgulho tome todo o respeito que lhe é oferecido. Se outros demonstram disposição de se submeterem a ela e a cederem em deferência a ela, esta pessoa receberá tais atitudes sem constrangimento. Na verdade, ela se habituou a esperar tal tratamento e a formar uma má opinião de quem não lhe oferece aquilo que pensa merecer.

Uma pessoa sob a influência de orgulho espiritual tende mais a instruir aos outros do que a fazer perguntas. Tal pessoa naturalmente assume ar de mestre. O cristão eminentemente humilde pensa que precisa de ajuda e todo o mundo, enquanto a pessoa espiritualmente orgulhosa acha que todos precisam do que ela tem para oferecer. A humildade cristã, sentindo o peso da miséria dos outros, suplica e implora; o orgulho espiritual, em contraste, ordena e adverte com autoridade.

Assim como o orgulho espiritual leva as pessoas a assumirem muita coisa para si mesmas, de forma semelhante as induz a tratar os outros com negligência. Por outro lado, a pura humildade cristã traz a disposição de honrar a todas as pessoas. Entrar em contendas a respeito do cristianismo por vezes é desaconselhável; no entanto, devemos tomar muito cuidado para não nos recusarmos a discutir com pessoas carnais por as acharmos indignas de nossa consideração. Pelo contrário, devemos condescender a pessoas carnais da mesma forma como Cristo condescendeu a nós – a fim de estar presente conosco na nossa indocilidade e estupidez.

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