John MacArthur

Encontrados 18 pensamentos de John MacArthur

Veja a sua vida. Existe algo que você ama mais que Cristo? Existe algo que você queira mais que Cristo? Existe alguém que você queira servir mais do que a Cristo? Alguém que você queira honrar mais do que a Cristo? Alguém que você queira proclamar mais do que a Cristo? Se existe, você perdeu seu primeiro amor…

John MacArthur

Não procrastine as providências para limpar sua consciência violada. Algumas pessoas descartam os passos necessários para lidar com suas culpas, pensando que sua consciência ficará limpa com o passar do tempo. Não é isso o que acontece. A procrastinação permite apenas que os sentimentos de culpa apodreçam. Isso, por sua vez, gera abatimento, ansiedade e outros problemas mais.

John MacArthur

É evidente que muitos que se dizem evangélicos atualmente agem norteados por outros objetivos, e não por uma visão bíblica de mundo.

John MacArthur

Ser sábio é dominar a arte do viver diário por intermédio do conhecimento da Palavra de Deus e sabendo aplicá-la em toda situação.

John MacArthur

A Bíblia nos ordena mortificar o pecado. "Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena; prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é a idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência]" (Cl 3.5,6). Não podemos obedecer parcialmente ou ser indiferentes quando procuramos eliminar o pecado da nossa vida.
Não é possível parar enquanto a tarefa estiver incompleta. Os pecados, do mesmo modo que os amalequitas, encontram sempre um jeito de escapar da matança, gerando, revivendo, reagrupando-se e lançando novos e inesperados ataques em nossas áreas mais vulneráveis.

John MacArthur

Nada ganharemos, senão o desprazer de Deus, se procurarmos remover o escândalo da cruz (Gl 5.ll).

John MacArthur

Na igreja contemporânea tudo parece estar na moda, exceto a pregação bíblica.

John MacArthur

"Diz o insensato no seu coração: Não há Deus." (Sl 14:1) É interessante notar que a palavra insensato também pode ser traduzida como "ímpio". Ateus são ímpios. É assim que se tornam ateus. Impiamente, reduzem Deus à não-existência a fim de poderem viver no pecado sem qualquer senso de obrigação moral. Entretanto, para que o insensato possa proferir a palavra Deus, ele precisa ter um conceito de Deus. Se ele tem um conceito de Deus, isso implica que Deus existe. É impossível pensar em algo que não exista; portanto, na verdade, ele está tentando eliminar algo que o seu próprio poder de raciocínio lhe diz que existe. O fato de o insensato fazer tanto esforço para negar a existência de Deus é um testemunho de que Deus deve existir, ou o insensato não teria com que se preocupar.

John MacArthur

O Declínio da Pregação Contemporânea

Por John F. MacArthur, Jr.

Você já percebeu como diversos comerciais de televisão não falam especificamente sobre os produtos que anunciam? Um anúncio de jeans apresenta um comovente drama a respeito da infelicidade dos adolescentes, mas não se refere ao jeans.
Um comercial de perfumes mostra uma coletânea de imagens sensuais sem qualquer referência ao produto
anunciado. As propagandas de cerveja são algumas das mais criativas da televisão, mas falam muito pouco
sobre a própria cerveja.
Esses comerciais são produzidos com o objetivo de entreter, criar disposição e apelar às nossas emoções,
mas não para transmitir informações.
Com frequência, eles são os mais eficientes, visto serem os que fazem melhor proveito da televisão. São produtos naturais de um veículo de comunicação que promove uma visão surrealista do mundo.
A televisão mescla sutilmente a vida real com a ilusão. A verdade é irrelevante. O que realmente importa é se estamos sendo entretidos. A essência não significa nada; o estilo de vida é o que mais interessa. Nas palavras de Marshall McLuhan, o instrumento é a mensagem.
Amusing Ouselves to Death (Divertindo-nos até à morte) é um livro perceptivo mas inquietante escrito por Neil Postman, professor da Universidade de Nova Iorque. Ele
argumenta que a televisão nos tem mutilado a capacidade de pensar e reduzido nossa aptidão para a verdadeira comunicação.
Postman assegura que, ao invés de nos tornar a mais informada e erudita de todas as gerações da História, a televisão tem inundado nossas mentes com informações
irrelevantes, sem significado. Ela nos tem condicionado apenas ao entretenimento, tornando obsoletas outras formas de interação humana.
Postman ressalta que até os noticiários são uma apresentação teatral. Jornalistas simpáticos relatam
calmamente breves notícias sobre guerras, assassinatos, crimes e desastres naturais. Essas histórias catastróficas são intercaladas por comerciais que banalizam suas
informações, isolando-as de seu contexto. Em seu livro, Postman registra um noticiário em que um almirante
declarou que uma guerra nuclear mundial seria inevitável.
No próximo segmento da programação, houve um comercial do Rei dos Hamburgers. Não se espera que nossa reação seja racional.
Nas palavras de Postman, os espectadores não reagirão com um senso da realidade, assim como a audiência no teatro não sairá correndo para casa, porque alguém no palco disse que um assassino estava solto na vizinhança..
A televisão não pode exigir uma resposta sensata. As pessoas ligam-na para se divertir, não para serem desafiadas a pensar. Se um programa exige que pensemos ou demanda muito de nossas faculdades intelectuais, ninguém o assiste.
A televisão tem diminuído o alcance de nossa atenção. Por exemplo, alguma pessoa de nossa sociedade ficaria de pé, entre uma sufocante multidão, durante sete horas
para ouvir os debates dos candidatos a presidente da República? Sinceramente, é muito difícil imaginar que nossos antepassados possuíam esse tipo de paciência. Temos permitido a televisão nos fazer pensar que sabemos mais agora, enquanto na verdade estamos perdendo nossa tolerância na área de pensar e aprender.
Sem dúvida, a mensagem mais vigorosa do livro de Postman está em um capítulo sobre religião. Esse homem não-crente escreve com profundo discernimento a respeito do declínio da pregação. Ele contrasta a pregação contemporânea com o ministério de homens
como Jonathan Edwards, George Whitefield e outros.
Estes homens contavam com um profundo conteúdo, lógica e conhecimento das Escrituras. Em contraste, a pregação de nossos dias é superficial, com ênfase no estilo e nas emoções. Na definição moderna, a boa. pregação tem de ser, antes de tudo, breve e estimulante. Consiste em entretenimento, não em ensino, repreensão, correção ou educação na justiça (2 Tm 3.16).
O modelo da pregação moderna é o evangelista esperto que exagera as emoções, traz consigo um microfone,
enquanto anda pomposamente ao redor do púlpito, levando os ouvintes a baterem palmas, movimentarem-
se e fazerem aclamações em voz bem alta, ao tempo em que ele os incita a um frenesi. Não existe alimento espiritual na mensagem, mas quem se importa, visto que a resposta é entusiástica?
É lógico que a pregação em muitas das igrejas conservadoras não se realiza de maneira tão exagerada
assim. Mas, infelizmente, até A pregação de nossos dias é superficial, com ênfase no estilo e nas emoções.
Algumas das melhores pregações de nossos dias contêm mais entretenimento do que ensino. Muitas igrejas têm um sermão característico de meia hora, repleto de histórias engraçadas e pouco ensino.
Na verdade, muitos pregadores consideram o ensino de doutrinas como algo indesejável e sem utilidade prática. Uma grande revista evangélica recentemente publicou um artigo escrito por um famoso pregador carismático. Ele utilizou uma página inteira para falar sobre a futilidade tanto de pregar quanto de ouvir sermões que vão além de mero entretenimento.
Qual foi a sua conclusão?
As pessoas não recordam aquilo que você pregou; por isso, a maior parte da pregação é perda de tempo.
Procurarei fazer melhor no próximo ano, ele escreveu, isto significa desperdiçar menos tempo ouvindo sermões demorados e gastando mais tempo preparando sermões curtos. As pessoas, eu descobri, perdoarão uma teologia pobre, se o culto matinal terminar antes do meio-dia.
Isto resume com perfeição a atitude que predomina na igreja moderna.
Existe uma semelhança entre esse tipo de pregação e os comerciais de jeans, perfume e cerveja na televisão. Assim como os comerciais, a pregação moderna tem o objetivo de criar uma disposição íntima, evocar uma resposta emocional e entreter, mas não o de comunicar necessariamente algo da essência das Escrituras. Esse tipo de pregação é uma completa acomodação a uma
sociedade educada pela televisão.
Segue o que é agradável, porém revela pouca preocupação com a verdade. Não é o tipo de pregação
ordenada nas Escrituras. Temos de pregar a Palavra (2 Tm 4.2); falar o que convém à sã doutrina. (Tt 2.1); ensinar e recomendar o ensino segundo a piedade. (1 Tm 6.3).
É impossível fazer estas coisas se nosso alvo é entreter as pessoas.
O futuro da pregação expositiva é incerto. O que um pastor sincero tem de fazer para alcançar pessoas que se mostram indispostas e incapazes de ouvir com atenção e
raciocínio exposições da verdade divina? Este é o grande desafio para os líderes da igreja contemporânea.
Não devemos nos render à pressão para sermos superficiais. Temos de encontrar maneiras de fazer conhecida a Palavra de Deus a uma geração que não apenas recusa-se a ouvir, mas também não sabe como
ouvir.

John MacArthur

Muito Mais que Um Pregador



Por John MacArthur

Quais são as responsabilidades do pastor, além de pregar e estudar?

A resposta para a sua pergunta está no título que você usou: pastor. Este título é cheio de significado e estabelece as principais responsabilidades de um ministro.
Uma das metáforas favoritas de Jesus para a liderança espiritual, uma que Ele utilizava frequentemente para descrever a si mesmo, era a de pastor – uma pessoa que supervisiona o rebanho de Deus. Um pastor guia, alimenta, cria, conforta, corrige, e protege – responsabilidades que caem sobre todo líder de igreja. Na verdade, a palavra pastor quer dizer pastor de ovelhas.
"Como ovelhas perdidas, pessoas perdidas precisam de um resgatador – um pastor - para conduzi-las à segurança do aprisco."
Pedro escreveu estas palavras a presbíteros que deveriam estar familiarizados com ovelhas e pastoreio:
"Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, (...) pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.” (1 Pedro 5:1-4)
Para oferecer-lhe um quadro mais completo do seu papel como pastor, aqui vai um panorama sobre a natureza das ovelhas, a tarefa dos pastores, e como eles se comparam ao papel do pastor na igreja. Note os princípios de liderança eclesiástica que eles contêm. Eles determinam o que deveria preencher a sua agenda como pastor.


Pastores São Resgatadores


Uma ovelha pode estar completamente perdida a apenas alguns quilômetros de sua casa. Sem senso de direção e sem instinto para achar o aprisco, uma ovelha perdida normalmente ficará vagando de um lado para outro em um estado de confusão, desassossego, e até mesmo de pânico. Ela precisa de um pastor para trazê-la para casa.
E assim quando Jesus viu as multidões, perdidas, espiritualmente desorientadas e confusas, Ele as comparou a ovelhas sem pastor (Mateus 9:36). O profeta Isaías descreveu as pessoas perdidas como aquelas que, tal qual a ovelha, andam desgarradas - cada uma se desviando pelo caminho (Isaías 53:6).
Como ovelhas perdidas, pessoas perdidas precisam de um resgatador – um pastor - para conduzi-las à segurança do aprisco. Um pastor faz isso conduzindo os perdidos para Jesus, o Bom Pastor que dá Sua vida pelas ovelhas (João 10:11).


Pastores São Alimentadores


Ovelhas passam a maior parte das suas vidas comendo e bebendo, mas elas não atentam para a sua dieta. Eles não sabem a diferença entre plantas venenosas e não-venenosas. Por isso o pastor tem que vigiar a dieta delas cuidadosamente e tem que proporcionar-lhes pasto rico em nutrientes.
Em Seu encontro com Pedro, descrito em João 21, Jesus apontou-lhe a importância de alimentar as ovelhas. Duas vezes em Sua ordem para Pedro, Jesus usou o termo grego bosko que significa "eu alimento" (vv. 15, 17).
"O recurso mais importante de liderança espiritual é o poder de uma vida exemplar."
O objetivo do pastor não é agradar a ovelha, mas alimentá-la. Não é coçar-lhe os ouvidos, mas nutrir-lhe a alma. Ele não deve oferecer meros lanches rápidos de leite espiritual, mas a carne substanciosa da verdade bíblica. Aqueles que não alimentam o rebanho são inadequados para serem pastores (cf. Jeremias 23:1-4; Ezequiel 34:2-10).


Pastores São Líderes


Pedro desafiou seus companheiros presbíteros a "apascentar o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele"2 (1 Pedro 5:2 - ARC). Deus confiou-lhes a autoridade e a responsabilidade de conduzir o rebanho. Os pastores são responsáveis pela forma como lideram, e o rebanho pela forma como segue (Hebreus 13:17).
Além do ensino, o pastor exerce liderança do rebanho pelo seu exemplo de vida. Ser um pastor exige viver entre as ovelhas. Não é tanto uma liderança vinda de cima, mas uma liderança vinda de dentro. Um pastor eficiente não reúne suas ovelhas vindo por trás delas, mas conduz o rebanho indo à frente. Elas o vêem e imitam suas ações.
O recurso mais importante de liderança espiritual é o poder de uma vida exemplar. 1 Timóteo 4:16 instrui um líder de igreja: "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes."


Pastores São Protetores


Ovelhas são quase completamente indefesas - elas não conseguem chutar, arranhar, morder, saltar, ou correr. Quando atacadas por um predador, elas amontoam-se em vez de sair correndo. Isso as transforma em presas fáceis. Ovelhas precisam de um pastor que as proteja para que possam sobreviver.
Cristãos precisam de proteção semelhante contra o erro e contra aqueles que o disseminam. Os pastores impedem suas ovelhas espirituais de se desviarem, defendem-nas contra os lobos selvagens que de outra forma as destruiriam. Paulo preveniu os pastores de Éfeso a ficarem alertas e protegerem as igrejas sob o cuidado deles:
"Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles." (Atos 20:28-30)


Pastores São Confortadores


Ovelhas não possuem um instinto de auto-preservação. Elas são tão humildes e mansas que se você as maltratar, elas são facilmente esmagadas em espírito e podem simplesmente render-se e morrer. O pastor tem que saber os temperamentos individuais das suas ovelhas e tomar cuidado para não infligir tensão excessiva. Consequentemente, um pastor fiel ajusta seu conselho à necessidade da pessoa a quem ele está auxiliando. Ele deve “admoestar os insubmissos, consolar os desanimados, amparar os fracos e ser longânimo para com todos.” (1 Tessalonicenses 5:14).


O Bom Pastor e os seus "Subpastores"


Jesus é o exemplo perfeito de um pastor amoroso. Ele engloba tudo o que um líder espiritual deveria ser. Pedro O chamou de "Supremo Pastor" (1 Pedro 5:4). Ele é nosso grande Resgatador, Líder, Guardião, Protetor, e Confortador.
Líderes de igreja são "subpastores" que guardam o rebanho sob os olhos atentos do Supremo Pastor (Atos 20:28). Eles têm uma responsabilidade de tempo integral porque eles ministram para pessoas que, como ovelhas, frequentemente são vulneráveis, indefesas, sem discernimento, e propensas a desviar-se.
Pastorear o rebanho de Deus é uma tarefa gigantesca, mas para pastores fiéis traz a rica recompensa da coroa imarcescível de glória que será concedida pelo Supremo Pastor quando Ele se manifestar (1 Pedro 5:4).
Se o seu pastor estiver levando a cabo os deveres requeridos no título do cargo que ocupa fielmente, lembre-se de seguir esta advertência da Bíblia:
"Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros." (Hebreus 13:17)

John MacArthur

Pragmatismo: Modernismo Reciclado?

Por John MacArthur

O pragmatismo é realmente uma séria ameaça?
Estou convencido de que o pragmatismo apresenta precisamente a mesma sutil ameaça para a igreja em nosso tempo que o modernismo representou há quase um século.
O Modernismo foi um movimento que abraçou a chamada alta crítica e a teologia liberal enquanto negava quase todos os aspectos sobrenaturais do Cristianismo. Mas o modernismo não se apresentou primeiramente como um ataque evidente à doutrina ortodoxa. Os modernistas mais antigos pareciam preocupados principalmente com a unidade interdenominacional. Eles estavam dispostos a subestimar a doutrina em prol daquela meta, porque eles acreditavam que a doutrina era inerentemente divisionista e que uma igreja fragmentada seria irrelevante nos tempos modernos. Para aumentar a relevância do Cristianismo, os modernistas procuraram sintetizar ensinos cristãos com os mais recentes insights da ciência, filosofia, e crítica literária.
"É freqüentemente esquecido que o alvo dos primeiros modernistas simplesmente era tornar a igreja mais "moderna", mais unificada, mais relevante, e mais aceitável para uma cética era moderna."
Modernistas viam a doutrina como um assunto secundário. Eles enfatizavam a fraternidade e a experiência e minimizavam as ênfases nas diferenças doutrinárias. Doutrina, eles acreditavam, deveria ser fluida e adaptável - certamente não alguma coisa pela qual valha e pena lutar. Em 1935 John Murray fez esta avaliação do modernista típico:
"O modernista muito freqüentemente orgulha-se na suposição de que ele se preocupa com a vida, com os princípios de conduta e com a colocação em prática dos princípios de Jesus em todas as áreas da vida: individual, social, eclesiástica, trabalhista e política. Seu slogan tem sido que o Cristianismo é vida, não doutrina, e ele pensa que a ortodoxia Cristão ou fundamentalista, como ele gosta de chamar, simplesmente está preocupada com a conservação e perpetuação de dogmas desgastados de convicção doutrinária, uma preocupação que faz da ortodoxia, na opinião dele, uma petrificação fria e inanimada do cristianismo. ["A Santidade da Lei Moral", Escritos Selecionados de John Murray 4 vols. (Edimburgo: Banner of Truth, 1976), 1:193.]
Quando os precursores do modernismo começaram a surgir no fim do século XIX, poucos cristãos ficaram preocupados. As controvérsias mais quentes naqueles dias eram reações relativamente pequenas contra homens como Charles Spurgeon - homens que estavam tentando advertir a igreja sobre a ameaça que pairava sobre ela. A maioria dos cristãos - particularmente líderes das igrejas - não estavam nem um pouco abertos para tais advertências. Afinal de contas, não era como se estranhos estivessem impondo ensinos novos na igreja; estas eram pessoas de dentro das denominações - e grandes estudiosos do assunto. Certamente eles não tinham nenhum plano para arruinar o núcleo da teologia ortodoxa ou atacar o próprio coração do cristianismo. Divisionismo e cisma pareciam perigos muito maiores que a apostasia.
Mas quaisquer que tenham sido os motivos dos modernistas no princípio, as idéias deles representaram uma ameaça séria à ortodoxia, como a história provou. O movimento gerou ensinos que dizimaram praticamente todas as principais denominações na primeira metade do século XX. Subestimando a importância da doutrina, o modernismo abriu a porta para o liberalismo teológico, o relativismo moral, e a acentuada incredulidade . A maioria dos evangélicos hoje tende a comparar a palavra "modernismo" com a negação completa da fé. É freqüentemente esquecido que o alvo dos primeiros modernistas simplesmente era tornar a igreja mais "moderna", mais unificada, mais relevante, e mais aceitável para uma cética era moderna.
"No entanto, se a história de igreja nos ensina alguma coisa, ela ensina que as agressões mais devastadoras contra a fé sempre começaram com erros sutis que surgem de dentro."
O alvo é o mesmo dos pragmatistas de hoje.
Como a igreja de cem anos atrás, nós moramos em um mundo de mudanças rápidas - grandes avanços na ciência, na tecnologia, na política mundial, e na educação. Como os irmãos daquela geração, os cristãos hoje estão abertos, até mesmo ansiosos, por mudanças na igreja. Como eles, nós ansiamos por unidade entre os crentes. E como eles, somos sensíveis à hostilidade de um mundo incrédulo.
Infelizmente, há pelo menos um outro paralelo entre a igreja de hoje e a igreja do fim do século dezenove: muitos cristãos parecem completamente inconscientes - se não pouco dispostos a enxergar - que sérios perigos ameaçam a igreja, vindo de dentro. No entanto, se a história de igreja nos ensina alguma coisa, ela ensina que as agressões mais devastadoras contra a fé sempre começaram com erros sutis que surgem de dentro.
Vivendo em uma era instável, a igreja não pode se dar ao luxo de ficar vacilando. Ministramos a pessoas desesperadas por respostas, e não podemos minimizar a importância da verdade ou atenuar o Evangelho. Se nos tornamos amigos do mundo, posicionamo-nos como inimigos de Deus. Se confiamos em dispositivos mundanos, automaticamente renunciamos ao poder do Espírito Santo.
Essas verdades são repetidamente afirmadas na Bíblia: "Não sabeis que a amizade do mundo é inimizade com Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." (Tg 4:4). "Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele." (1 Jo. 2:15).
"Não há rei que se salve com a grandeza de um exército; não há valente que se livre pela muita força. O cavalo é vão para a segurança; não livra a ninguém com a sua grande força." (Ps. 33:16, 17). "Ai dos que descem ao Egito a buscar socorro, que se estribam em cavalos, e têm confiança em carros, porque são muitos, e nos cavaleiros, porque são poderosíssimos, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao Senhor." (Is 31:1). "Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos." (Zc. 4:6).
O mundanismo ainda é um pecado?
Mundanismo é até mesmo raramente mencionado hoje, muito menos identificado pelo que realmente é. A própria palavra está começando a soar esquisita. Mundanismo é o pecado da pessoa permitir que seus apetites, ambições, ou conduta sejam moldados de acordo com valores terrestres. "Pois tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre." (1 Jo. 2:16, 17).
Entretanto hoje nós vemos o extraordinário espetáculo dos programas de igreja projetados explicitamente para suprir o desejo carnal, apetites sensuais, e o orgulho humano; " a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida." Para alcançar esse apelo mundano, as atividades da igreja vão freqüentemente além do meramente frívolo. Durante vários anos um colega meu tem colecionado um "arquivo de horrores" com recortes que informam como igrejas estão empregando inovações para impedir que os cultos de adoração tornem-se tediosos. Na última meia década, algumas das maiores igrejas evangélicas dos Estados Unidos empregaram esquemas mundanos como comédias "pastelão", shows de variedades, exibições de luta livre, e até mesmo strip-tease simulado, para apimentar as suas reuniões de domingo. Nenhum tipo de grosseria, ao que parece, é ultrajante demais para ser trazido ao santuário. O entretenimento está rapidamente se tornando a liturgia da igreja pragmática.
"Pregar a Palavra e corajosamente confrontar o pecado são vistos como meios arcaicos, ineficazes de ganhar o mundo. Afinal de contas, essas coisas na verdade afugentam a maioria das pessoas."
Além disso, muitos na igreja acreditam que este é o único meio de alcançarmos o mundo. Se as multidões de sem-igreja não querem hinos tradicionais e pregação bíblica, dizem-nos, temos que lhes dar o que eles querem. Centenas de igrejas seguiram precisamente essa teoria, chegando ao ponto de promover pesquisas entre os incrédulos para aprender o que os levaria a comparecerem.
Sutilmente o alvo maior vem se tornando a freqüência à igreja e a aceitação por parte do mundo em vez de uma vida transformada. Pregar a Palavra e corajosamente confrontar o pecado são vistos como meios arcaicos, ineficazes de ganhar o mundo. Afinal de contas, essas coisas na verdade afugentam a maioria das pessoas. Por que não atraí-las ao aprisco oferecendo o que elas querem, criando um ambiente amigável, confortável, e suprindo exatamente aqueles desejos que são os mais prementes? Como se pudéssemos fazer com que eles aceitem Jesus tornando-O de alguma forma mais agradável ou fazendo a mensagem dEle menos ofensiva.
Esse tipo de pensamento provoca um grave desvio na missão da igreja. A Grande Comissão não é um manifesto de marketing. Evangelismo não requer vendedores, mas profetas. É a Palavra de Deus, não alguma sedução terrena, que planta a semente para o novo nascimento (1 Pe 1:23). Nós ganhamos nada mais que o desprazer de Deus se buscamos remover a ofensa da cruz (Gl 5:11).
Toda inovação é errada?
Por favor não entendam mal minha preocupação. Não é à inovação em si que eu me oponho. Eu reconheço que estilos de adoração estão
sempre em transformação. Também percebo que se o Puritano típico do décimo sétimo século entrasse na Grace Community Church (onde eu sou o pastor) ele poderia ficar chocado com nossa música, provavelmente espantado por ver homens e mulheres sentados juntos, e muito possivelmente perturbado por nós usarmos um sistema de alto-falantes para falar à igreja. O próprio Spurgeon não apreciaria nosso órgão. Mas eu não sou a favor de uma igreja estagnada. Não estou preso a nenhum estilo musical ou litúrgico em particular. Essas coisas por si só são assuntos que as Escrituras sequer abordam. Também não penso que minhas preferências pessoais em tais assuntos são necessariamente superiores às preferências de outros. Não tenho nenhum desejo de fabricar algumas regras arbitrárias que governam o que é aceitável ou não em cultos da igreja. Fazer assim seria a essência do legalismo.
"Eu creio que é anti-bíblico elevar o entretenimento acima da pregação e da adoração no culto da igreja. E eu me oponho àqueles que acreditam que técnicas de vendas podem trazer as pessoas ao reino mais efetivamente do que um Deus soberano."
Minha queixa é quanto a uma filosofia que relega a Palavra de Deus a um papel secundário na igreja. Eu creio que é anti-bíblico elevar o entretenimento acima da pregação e da adoração no culto da igreja. E eu me oponho àqueles que acreditam que técnicas de vendas podem trazer as pessoas ao reino mais efetivamente do que um Deus soberano. Essa filosofia abriu a porta para o mundanismo na igreja.
"Não me envergonho do evangelho", escreveu o apóstolo Paulo (Rom. 1:16). Infelizmente, "envergonhado do evangelho" parece cada vez mais uma hábil descrição de algumas das igrejas mais visíveis e influentes do nosso tempo.
Eu vejo impressionantes paralelos entre o que está acontecendo na igreja hoje e o que aconteceu cem anos atrás. Quanto mais eu leio sobre aquela época, mais a minha convicção é reforçada de que estamos vendo a história se repetir.
John Macarthur

John MacArthur

Adoração Significativa

Por John MacArthur

Se você visitar Londres, não terá qualquer problema em reconhecer a Catedral de São Paulo. Ela é considerada uma das dez mais belas construções do mundo e domina os céus de Londres. Aquela venerável construção permanece como um monumento ao seu criador — o astrônomo e arquiteto Christopher Wren. A Cadetral de São Paulo é a mais famosa realização de Christopher Wren, mas existe uma interessante história a respeito de uma construção menos famosa que ele projetou.
Wren recebeu a incumbência de projetar o interior da Câmara Municipal, em Windsor, ao oeste do centro de Londres. Seu projeto exigia colunas largas para suportar o teto elevado. Quando a construção foi terminada, os vereadores vistoriaram o edifício e expressaram preocupação a respeito de um problema: as colunas. O problema não era que eles estavam preocupados com a utilidade das colunas; eles apenas queriam um número maior de colunas.
A solução de Wren foi tão maldosa quanto a sua inspiração. Ele fez exatamente como lhe haviam pedido, instalando quatro novas colunas e satisfazendo as exigências de seus críticos. Aquelas colunas permanecem na Câmara Municipal, em Windsor, até hoje; e não são difíceis de identificar. Elas são as únicas que não suportam qualquer peso e, na realidade, nem alcançam o teto. Aquelas colunas são imitações. Wren as instalou para satisfazerem um único propósito — proporcionar melhor aparência. Elas são um embelezamento construído para agradar os olhos. No que diz respeito a suportar o edifício e a fortalecer a estrutura, elas se mostram tão úteis quanto os quadros pendurados nas paredes.
Embora me entristeça ao dizer isto, creio que muitas igrejas têm construído as suas próprias colunas decorativas, especialmente no culto. Vocês já observaram que na adoração congregacional —aquilo que os crentes fazem quando se reúnem — não é difícil achar crentes que a adoração tenha deixado vazios?Alguma coisa está faltando – alguma coisa importante.
Será que estamos colhendo as conseqüências de abandonarmos o modelo bíblico de adoração e construindo um modelo simplesmente decorativo? É possível que tenhamos construído uma fachada que não oferece qualquer suporte, não sustenta qualquer peso e está muito aquém de alcançar as alturas que Deus projetou e desejou que caracterizassem a adoração?
A verdadeira e genuína adoração não é uma opção para o povo de Deus. Não é uma sugestão; não é uma proposição do tipo “pegar ou largar”. A adoração no Dia do Senhor deveria ser a maior alegria de nossa semana. É a nossa oportunidade de engajarmos nossa mente nas coisas de Deus; de nos regozijarmos com o povo de Deus; de nos aquecermos na presença dEle; de bebermos corporativamente da sua Palavra; de dedicarmos nossos talentos e recursos; de encorajarmos e sermos encorajados e de Lhe oferecermos os nossos louvores.
A ênfase na adoração bíblica e nos elementos que constituem um culto rico e transformador tem sido substituída, em anos recentes, por aquilo que é superficial. A substância tem sido trocada por aquilo que é a sombra. O conteúdo foi lançado fora, para dar lugar ao estilo. O significado foi banido, o método tomou- lhe o lugar. O culto talvez pareça correto, mas traz consigo pouco valor espiritual.
Essa tendência talvez seja mais evidente em uma área muito íntima ao meu coração — o ensino da Palavra de Deus. Os exemplos mais óbvios são igrejas que menosprezam francamente a Bíblia e o ensino do seu verdadeiro significado, ao mesmo tempo que enfatizam o ritual e a tradição.
No entanto, esse é um exemplo muito fácil de citarmos. O que podemos dizer sobre as igrejas evangélicas, conservadoras que tomaram um caminho um pouco diferente, mas igualmente perigoso?
Os cultos, que antes centralizavam-se no ensino da Bíblia, têm sido substituídos por entretenimento ostentoso e mini-sermões. A luz das Escrituras tem sido perdida e em seu lugar há luzes de shows e efeitos especiais. A presença do pastor no palco é mais examinada do que o seu sermão. O tempo que antes era reservado ao ensino do pastor tem sido reduzido a alguns desprezíveis minutos de humor e bate-papo. Isto parece uma coluna decorativa que não suporta muito peso e nunca alcança o teto.
As ordenanças constituem outra área que foi deixada de lado nos cultos. Por ordenanças, eu me refiro ao batismo em água e à Ceia do Senhor — a comunhão. A Bíblia é clara. O batismo e a comunhão são integrais à vida da igreja e devem ter um papel elevado na adoração.
Mas algumas igrejas abandona ram completamente o batismo e a Ceia do Senhor, relegando-as aos cultos do meio da semana, quando provavelmente ofendem menos os incrédulos. Além disso, o significado do batismo e da Ceia do Senhor raramente é ensinado; e isto os condena à morte lenta nas mãos da obscuridade e da negligência.
Talvez você fique surpreso com a outra área que perdeu muito do seu significado na adoração. É um assunto sobre o qual não falo com freqüência, mas tem sido vital à minha igreja e ao seu ministério.
Creio que a música tem perdido o seu devido lugar na adoração e tornou-se uma coluna ornamental.
Em vez de nos conduzir a uma resposta ativa e pessoal à verdade de Deus, a música se tornou um barulho de segundo plano cujo objetivo é manter-nos ocupados, enquanto os pratos de coleta são passados. Em vez de elevar nossos pensamentos a respeito de Deus, além do nível que podemos fazê-lo sozinhos, a música se tornou uma rotina sem significado observamos. Em vez de desprender-nos das pompas da vida diária e de atrair nossos pensamentos para o alto, a música se tornou um intervalo colocado antes da pregação. Em vez de glorificar a Deus, a música se tornou um estimulante para o ego de alguns cantores. Em vez de envolver nossas mentes na verdade a respeito de quem Deus é e do que Ele tem feito, a música é um carrossel emocional onde subimos e descemos quando queremos.
Mas o segredo de tornarmos mais significativa a música da adoração é uma questão de escolhermos músicas antigas e/ou músicas de estilo diferente? Não necessariamente. Martinho Lutero disse que a música é um servo criado e outorgado por Deus. Lutero estava correto. A música em si mesma — as notas, os sons, o ritmo — é apenas um instrumento para ajudar-nos a transmitir a verdade. Enquanto o estilo não contradiz nem obscurece a verdade, e a mensagem está correta, a música é uma questão de preferência.
O verdadeiro âmago da música é o seu significado — é a verdade contida em sua melodia. A verdade é a fonte da qual jorra toda a verdadeira adoração. A verdade é aquilo que torna a música uma coluna de sustentação e não apenas um ornamento na igreja. Quando a nossa música está fundamentada na verdade, ela eleva nossos pensamentos a Deus; impulsiona nosso coração em direção ao céu, de um modo que nenhuma outra coisa pode fazê-lo. A música nos emociona e, ao mesmo tempo, escava profundamente o solo empedernido de nosso coração. Acima de tudo, a música nos faz deixar de olhar para nós mesmos e atribui a glória a Deus. A música eleva nossa consciência da santidade de Deus e intensifica tanto o nosso senso de completa indignidade como o nosso senso de desventura.
Certamente, a música pode e deve produzir emoções. No entanto, as emoções devem surgir em resposta à verdade, e não ao custo da verdade. Por si mesmas, as emoções nunca se qualificam como adoração.
Tenho receio de que, enquanto não reconhecermos o devido lugar da música e nos treinarmos para escolhê-la e utilizá-la com cuidado, a música permanecerá como nada mais do que um simples ornamento, contribuindo muito pouco para a edificação da igreja. E o que é pior: teremos perdido o verdadeiro poder que a adoração tem a oferecer — o poder que transforma nossas vidas e nos atrai a maior intimidade com Deus.
John MacArthur

John MacArthur

Muito Mais que Um Pregador




Por John MacArthur

Quais são as responsabilidades do pastor, além de pregar e estudar?

A resposta para a sua pergunta está no título que você usou: pastor. Este título é cheio de significado e estabelece as principais responsabilidades de um ministro.
Uma das metáforas favoritas de Jesus para a liderança espiritual, uma que Ele utilizava frequentemente para descrever a si mesmo, era a de pastor – uma pessoa que supervisiona o rebanho de Deus. Um pastor guia, alimenta, cria, conforta, corrige, e protege – responsabilidades que caem sobre todo líder de igreja. Na verdade, a palavra pastor quer dizer pastor de ovelhas.
"Como ovelhas perdidas, pessoas perdidas precisam de um resgatador – um pastor - para conduzi-las à segurança do aprisco."
Pedro escreveu estas palavras a presbíteros que deveriam estar familiarizados com ovelhas e pastoreio:
"Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, (...) pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.” (1 Pedro 5:1-4)
Para oferecer-lhe um quadro mais completo do seu papel como pastor, aqui vai um panorama sobre a natureza das ovelhas, a tarefa dos pastores, e como eles se comparam ao papel do pastor na igreja. Note os princípios de liderança eclesiástica que eles contêm. Eles determinam o que deveria preencher a sua agenda como pastor.


Pastores São Resgatadores


Uma ovelha pode estar completamente perdida a apenas alguns quilômetros de sua casa. Sem senso de direção e sem instinto para achar o aprisco, uma ovelha perdida normalmente ficará vagando de um lado para outro em um estado de confusão, desassossego, e até mesmo de pânico. Ela precisa de um pastor para trazê-la para casa.
E assim quando Jesus viu as multidões, perdidas, espiritualmente desorientadas e confusas, Ele as comparou a ovelhas sem pastor (Mateus 9:36). O profeta Isaías descreveu as pessoas perdidas como aquelas que, tal qual a ovelha, andam desgarradas - cada uma se desviando pelo caminho (Isaías 53:6).
Como ovelhas perdidas, pessoas perdidas precisam de um resgatador – um pastor - para conduzi-las à segurança do aprisco. Um pastor faz isso conduzindo os perdidos para Jesus, o Bom Pastor que dá Sua vida pelas ovelhas (João 10:11).


Pastores São Alimentadores


Ovelhas passam a maior parte das suas vidas comendo e bebendo, mas elas não atentam para a sua dieta. Eles não sabem a diferença entre plantas venenosas e não-venenosas. Por isso o pastor tem que vigiar a dieta delas cuidadosamente e tem que proporcionar-lhes pasto rico em nutrientes.
Em Seu encontro com Pedro, descrito em João 21, Jesus apontou-lhe a importância de alimentar as ovelhas. Duas vezes em Sua ordem para Pedro, Jesus usou o termo grego bosko que significa "eu alimento" (vv. 15, 17).
"O recurso mais importante de liderança espiritual é o poder de uma vida exemplar."
O objetivo do pastor não é agradar a ovelha, mas alimentá-la. Não é coçar-lhe os ouvidos, mas nutrir-lhe a alma. Ele não deve oferecer meros lanches rápidos de leite espiritual, mas a carne substanciosa da verdade bíblica. Aqueles que não alimentam o rebanho são inadequados para serem pastores (cf. Jeremias 23:1-4; Ezequiel 34:2-10).


Pastores São Líderes


Pedro desafiou seus companheiros presbíteros a "apascentar o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele"2 (1 Pedro 5:2 - ARC). Deus confiou-lhes a autoridade e a responsabilidade de conduzir o rebanho. Os pastores são responsáveis pela forma como lideram, e o rebanho pela forma como segue (Hebreus 13:17).
Além do ensino, o pastor exerce liderança do rebanho pelo seu exemplo de vida. Ser um pastor exige viver entre as ovelhas. Não é tanto uma liderança vinda de cima, mas uma liderança vinda de dentro. Um pastor eficiente não reúne suas ovelhas vindo por trás delas, mas conduz o rebanho indo à frente. Elas o vêem e imitam suas ações.
O recurso mais importante de liderança espiritual é o poder de uma vida exemplar. 1 Timóteo 4:16 instrui um líder de igreja: "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes."


Pastores São Protetores


Ovelhas são quase completamente indefesas - elas não conseguem chutar, arranhar, morder, saltar, ou correr. Quando atacadas por um predador, elas amontoam-se em vez de sair correndo. Isso as transforma em presas fáceis. Ovelhas precisam de um pastor que as proteja para que possam sobreviver.
Cristãos precisam de proteção semelhante contra o erro e contra aqueles que o disseminam. Os pastores impedem suas ovelhas espirituais de se desviarem, defendem-nas contra os lobos selvagens que de outra forma as destruiriam. Paulo preveniu os pastores de Éfeso a ficarem alertas e protegerem as igrejas sob o cuidado deles:
"Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles." (Atos 20:28-30)


Pastores São Confortadores


Ovelhas não possuem um instinto de auto-preservação. Elas são tão humildes e mansas que se você as maltratar, elas são facilmente esmagadas em espírito e podem simplesmente render-se e morrer. O pastor tem que saber os temperamentos individuais das suas ovelhas e tomar cuidado para não infligir tensão excessiva. Consequentemente, um pastor fiel ajusta seu conselho à necessidade da pessoa a quem ele está auxiliando. Ele deve “admoestar os insubmissos, consolar os desanimados, amparar os fracos e ser longânimo para com todos.” (1 Tessalonicenses 5:14).


O Bom Pastor e os seus "Subpastores"


Jesus é o exemplo perfeito de um pastor amoroso. Ele engloba tudo o que um líder espiritual deveria ser. Pedro O chamou de "Supremo Pastor" (1 Pedro 5:4). Ele é nosso grande Resgatador, Líder, Guardião, Protetor, e Confortador.
Líderes de igreja são "subpastores" que guardam o rebanho sob os olhos atentos do Supremo Pastor (Atos 20:28). Eles têm uma responsabilidade de tempo integral porque eles ministram para pessoas que, como ovelhas, frequentemente são vulneráveis, indefesas, sem discernimento, e propensas a desviar-se.
Pastorear o rebanho de Deus é uma tarefa gigantesca, mas para pastores fiéis traz a rica recompensa da coroa imarcescível de glória que será concedida pelo Supremo Pastor quando Ele se manifestar (1 Pedro 5:4).
Se o seu pastor estiver levando a cabo os deveres requeridos no título do cargo que ocupa fielmente, lembre-se de seguir esta advertência da Bíblia:
"Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros." (Hebreus 13:17)


John MacArthur

John MacArthur

Pregação ou Entretenimento?

John MacArthur

John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley, Califórnia, desde 1969; é presidente do Master’s College and Seminary e do ministério “Grace to You”; John e sua esposa Patrícia têm quatro filhos e quatorze netos.

A igreja pode enfrentar a apatia e o materialismo satisfazendo o apetite das pessoas por entretenimento? Evidentemente, muitas pessoas das igrejas pensam assim, enquanto uma igreja após outra salta para o vagão dos cultos de entretenimento.
Uma tendência inquietante está levando muitas igrejas ortodoxas a se afastarem das prioridades bíblicas.
O que eles querem
Os templos das igrejas estão sendo construídos no estilo de teatros. Ao invés de no púlpito, a ênfase se concentra no palco. Alguns templos possuem grandes plataformas, que giram ou sobem e descem, com luzes coloridas e poderosas mesas de som.
Os pastores espirituais estão dando lugar aos especialistas em comunicação, aos consultores de programação, aos diretores de palco, aos peritos em efeitos especiais e aos coreógrafos.
O objetivo é dar ao auditório aquilo que eles desejam. Moldar o culto da igreja aos desejos dos freqüentadores atrai muitas pessoas.
Como resultado disso, os pastores se tornam mais parecidos com políticos do que com verdadeiros pastores, mais preocupados em atrair as pessoas do que em guiar e edificar o rebanho que Deus lhes confiou.
A congregação recebe um entretenimento profissional, em que a dramatização, os ritmos populares e, talvez, um sermão de sugestões sutis e de aceitação imediata constituem o culto de adoração. Mas a ênfase concentra-se no entretenimento e não na adoração.
A idéia fundamental
O que fundamenta esta tendência é a idéia de que a igreja tem de “vender” o evangelho aos incrédulos — a igreja compete por consumidores, no mesmo nível dos grandes produtos.
Mais e mais igrejas estão dependendo de técnicas de vendas para se oferecerem ao mundo.
Essa filosofia resulta de péssima teologia. Presume que, se você colocar o evangelho na embalagem cor-reta, as pessoas serão salvas. Essa maneira de lidar com o evangelho se fundamenta na teologia arminiana. Vê a conversão como nada mais do que um ato da vontade humana. Seu objetivo é uma decisão instantânea, ao invés de uma mudança radical do coração.
Além disso, toda esta corrupção do evangelho, nos moldes da Avenida Madison, presume que os cultos da igreja têm o objetivo primário de recrutar os incrédulos. Algumas igrejas abandonaram a adoração no sentido bíblico.
Outras relegaram a pregação convencional aos cultos de grupos pequenos em uma noite da semana. Mas isso se afasta do principal ensino de Hebreus 10.24-25: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos”.
O verdadeiro padrão
Atos 2.42 nos mostra o padrão que a igreja primitiva seguia, quando os crentes se reuniam: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações”.
Devemos observar que as prioridades da igreja eram adorar a Deus e edificar os irmãos. A igreja se reunia para adoração e edificação — e se espalhava para evangelizar o mundo.
Nosso Senhor comissionou seus discípulos a evangelizar, utilizando as seguintes palavras: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19). Ele deixou claro que sua igreja não tem de ficar esperando (ou convidando) o mundo para vir às suas reuniões, e sim que ela tem de ir ao mundo.
Essa é uma responsabilidade de todo crente. Receio que uma abordagem cuja ênfase se concentra em uma apresentação agradável do evangelho, no templo da igreja, absolve muitos crentes de sua obrigação pessoal de ser luz no mundo (Mateus 5.16).
Estilo de vida
A sociedade está repleta de pessoas que querem o que querem quando o querem. Elas vivem em seu próprio estilo de vida, recreação e entretenimento. Quando as igrejas apelam a esses desejos egoístas, elas simplesmente põem lenha nesse fogo e ocultam a verdadeira piedade.
Algumas dessas igrejas estão crescendo em expoentes elevados, enquanto outras que não utilizam o entretenimento estão lutando. Muitos líderes de igrejas desejam crescimento numérico em suas igrejas, por isso, estão abraçando a filosofia de “entretenimento em primeiro lugar”.
Considere o que esta filosofia causa à própria mensagem do evangelho. Alguns afirmam que, se os princípios bíblicos são apresentados, não devemos nos preocupar com os meios pelos quais eles são apresentados. Isto é ilógico.
Por que não realizarmos um verdadeiro show de entretenimento? Um atirador de facas tatuado fazendo malabarismo com serras de aço se apresentaria, enquanto alguém gritaria versículos bíblicos. Isso atrairia uma multidão, você não acha?
É um cenário bizarro, mas é um cenário que ilustra como os meios podem baratear e corromper a mensagem.
Tornando vulgar
Infelizmente, este cenário não é muito diferente do que algumas igrejas estão fazendo. Roqueiros punk, ventríloquos, palhaços e artistas famosos têm ocupado o lugar do pregador — e estão degradando o evangelho.
Creio que podemos ser inovadores e criativos na maneira como apresentamos o evangelho, mas temos de ser cuidadosos em harmonizar nossos métodos com a profunda verdade espiritual que procuramos transmitir. É muito fácil vulgarizarmos a mensagem sagrada.
Não se apresse em abraçar as tendências das super-igrejas de alta tecnologia. E não zombe da adoração e da pregação convencionais. Não precisamos de abordagens astuciosas para que tenhamos pessoas salvas (1 Coríntios 1.21).
Precisamos tão-somente retornar à pregação da verdade e plantar a semente. Se formos fiéis nisso, o solo que Deus preparou frutificará.

John MacArthur

Intolerância Tolerante

A era de veneração da tolerância do Pós-Modernismo é a sua característica mais óbvia. Mas a versão de "tolerância" difundida por pós-modernistas é na verdade uma corrupção torcida e perigosa da verdadeira virtude.

Aliás, a tolerância nunca é mencionada na Bíblia como uma virtude, exceto no sentido de paciência, longanimidade e perseverança (cf. Efésios 4:2). Na verdade, a noção contemporânea de tolerância é um conceito pateticamente fraco comparado ao amor que a Escritura ordena aos cristãos a mostrarem até mesmo para seus inimigos. Jesus disse: "Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam" (Lucas 6:27-28; cf vv 29-36).

Quando nossos avós falaram de tolerância como uma virtude, eles tinham algo como isso em mente. A palavra usada para significar respeito às pessoas e tratá-las gentilmente, mesmo quando acreditamos que estão erradas. Mas a noção pós-moderna de tolerância significa que nunca devemos considerar opiniões de outra pessoa como "erradas". A tolerância bíblica é por pessoas, e tolerância pós-moderna é por ideias.

Aceitar toda crença como igualmente válidas é quase uma virtude real, mas isto é ó único tipo de "virtude" que o pós-modernismo conhece. As virtudes tradicionais (incluindo humildade, domínio próprio, e castidade) são abertamente desprezadas - e até mesmo consideradas como transgressões - no mundo do pós-modernismo.

Previsivelmente, a beatificação da tolerância pós-moderna tem tido um efeito desastroso sobre a virtude real em nossa sociedade. Nesta época de tolerância, o que antes era proibido agora é incentivado. O que antes era universalmente considerado imoral é hoje comemorado. A infidelidade conjugal e divórcio foram normalizados. A profanação é comum. O aborto, homossexualidade e perversões morais de todos os tipos são defendidos por grandes grupos de defesa e entusiasticamente promovidos pela mídia popular. A noção pós-moderna de "tolerância" está se transformando sistematicamente a virtude genuína em sua cabeça.

Praticamente o único tabu remanescente é a noção ingênua e politicamente incorreta que "estilo de vida alternativo," religião, ou perspectiva diferente é errado.

Uma importante exceção a essa regra se destaca nitidamente: é o OK para os pós-modernistas serem intolerantes com aqueles que afirmam que conhecem a verdade - especialmente os cristãos bíblicos. Na verdade, aqueles que se imaginam os principais defensores da tolerância hoje são muitas vezes os adversários mais declarados do cristianismo evangélico.

Procure na Web, por exemplo, e veja o que está sendo dito pelos campeões da "tolerância religiosa". O que você vai encontrar é uma grande quantidade de intolerância em relação à Bíblia. Na verdade, alguns dos materiais mais amargamente anti-cristãos na World Wide Web podem ser encontrados em sites que supostamente promovem a tolerância religiosa.

Por que isso? Por que o cristianismo bíblico autêntico encontra tal oposição tão feroz de pessoas que pensam que são modelos de tolerância? É porque a verdade reivindica a Escritura - e, particularmente, a reivindicação de Jesus ser o único caminho para Deus - são diametralmente opostos aos pressupostos fundamentais da mente pós-moderna. A mensagem cristã representa um golpe mortal para a visão de mundo pós-modernista.

Mas, enquanto os cristãos estão sendo enganados ou intimidados a suavizarem as afirmações ousadas de Cristo e alargarem o caminho estreito, a igreja não fará qualquer progresso contra o pós-modernismo. Precisamos recuperar o caráter distintivo do evangelho. Precisamos recuperar a nossa confiança no poder da verdade de Deus. E precisamos proclamar com ousadia que Cristo é a única verdadeira esperança para as pessoas deste mundo.

Isso pode não ser o que as pessoas querem ouvir nesta era pseudo-tolerante do pós-modernismo. Mas é verdade, no entanto. E precisamente porque é verdade e o evangelho de Cristo é a única esperança para um mundo perdido, nos levantar urgentemente acima de todas as vozes de confusão no mundo e proclamar o evangelho.

Texto de John MacArthur, traduzido pelo Pr Silvio Dutra.

John MacArthur

A lógica do Pós-Modernismo

Os pós-modernistas são geralmente desconfiados de formas racionais e lógicas. Eles não gostam especialmente de discutir a verdade em termos claros.

Os pós-modernistas se sentem desconfortáveis com proposições por uma razão óbvia: eles não gostam da clareza e inflexibilidade, que são necessárias para lidar com a verdade. A proposição é a forma mais simples de qualquer reivindicação da verdade, e o ponto de partida fundamental do pós-modernismo é o seu desprezo por todas as reivindicações da verdade. A "lógica confusa" de ideias contadas em forma de "estória" soa muito mais elástica - embora realmente não seja. Proposições são blocos de construção necessários para todos os meios de transmissão da verdade - incluindo estórias.

Mas o ataque a expressões proposicionais da verdade é a consequência natural e necessária da desconfiança geral da lógica do pós-modernismo, desgosto pela certeza, e desprezo pela clareza. Para manter a ambiguidade e flexibilidade da "verdade" necessárias para a perspectiva pós-moderna, proposições claras e definitivas devem ser descartadas como um meio de expressar a verdade. Proposições nos forçam a encarar os fatos e os afirmam ou os negam, e esse tipo de clareza simplesmente não se ajusta a uma cultura pós-moderna.

A verdade simplesmente não pode sobreviver se for despojada de conteúdo proposicional. Embora seja verdadeiro que crer na verdade envolve mais do que o parecer favorável do intelecto humano para certas proposições, é igualmente verdade que a fé autêntica nunca envolve nada menos do que isso. Rejeitar o conteúdo proposicional do evangelho significa perder a fé salvadora.

Texto de John MacArthur, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

(Disto se conclui que não se pode aprender a verdade evangélica sem uma aplicação disciplinada e investigativa do texto bíblico, notadamente no que se refere à sua interpretação, bem como da compreensão da vida prática à luz do referido entendimento. Dá para crescer no conhecimento da graça, da verdade, e de Cristo, conforme nos é ordenado (I Pedro 3.18), sem isto? Dá para alcançar o referido propósito seguindo a forma de ser e de se pensar livre, rápido e rasteiro, que é segundo a corrente pós-moderna? Se não se nadar contra a correnteza, no que se refere a isto, jamais seremos reais seguidores de Jesus Cristo, porque para amá-lo é necessário conhecer e praticar os seus mandamentos, e como se pode conseguir isto quando fazemos apenas uma apreciação superficial da verdade bíblica, conforme é o costume geral da presente época? – nota do tradutor).

John MacArthur

Evolução e Ética

De fato, a ascensão do naturalismo significa catástrofe moral para a sociedade moderna. As ideologias mais prejudiciais dos séculos XIX e XX foram todas enraizadas no darwinismo.

Um dos primeiros campeões de Darwin, Thomas Huxley, deu uma palestra em 1893 na qual ele argumentava que a evolução e a ética são incompatíveis. Ele escreveu que "a prática do que é eticamente melhor - o que chamamos de bondade ou virtude - envolve uma linha de conduta que, em todos os aspectos, opõe-se ao que leva ao sucesso na luta cósmica para a existência" [Evolution and Ethics, The Romanes Lecture, 1893].

Huxley, no entanto, passou a tentar justificar a ética como um resultado positivo de funções mais racionais da humanidade, e ele convidou o seu público a nem imitar "o processo cósmico", nem fugir dele, mas mais do que isso, combater por ele - ostensivamente pela manutenção de alguma aparência de moralidade e ética. Mas o que ele não poderia fazer - o que ele e outros filósofos da sua época nem se incomodaram em tentar fazer - foi oferecer alguma justificativa para assumir a validade da moralidade e da ética, por si só, em princípios puramente naturalistas. Huxley e seus colegas naturalistas não poderiam oferecer qualquer bússola moral diferente de suas próprias preferências pessoais e, previsivelmente, todas as suas filosofias abriram as portas para a completa subjetividade moral e, finalmente, para a amoralidade.

Os filósofos que incorporaram as ideias de Darwin foram rápidos para ver o ponto de Huxley, concebendo novas filosofias que estabelecem o cenário para a amoralidade e genocídio que caracterizou grande parte do século XX.

Karl Marx, por exemplo, autoconscientemente seguiu Darwin na elaboração de suas teorias econômicas e sociais. Ele inscreveu numa cópia do seu livro “O Capital” para Darwin, "como um admirador devotado." Ele se referiu à “A origem das espécies”, de Darwin, como "o livro que contém a base em história natural para a nossa visão." [Stephen Jay Gould, Ever Since Darwin . (New York: Norton, 1977), 26]

A filosofia de "darwinismo social" de Herbert Spencer aplicou as doutrinas da evolução e da sobrevivência dos mais aptos para as sociedades humanas. Spencer argumentou que, se a própria natureza determinou que os fortes sobrevivem e os fracos perecem, esta regra deveria governar a sociedade também. Segundo ele, as distinções raciais e de classe simplesmente refletem a maneira da natureza. Assim, não há razão moral transcendente para ser solidário com a luta das classes desfavorecidas. Trata-se, afinal de contas, parte do processo evolutivo natural - e a sociedade seria realmente melhorada, reconhecendo a superioridade das classes dominantes e incentivando a sua ascendência. O racismo de escritores como Ernst Haeckel (que acreditava que as raças africanas eram incapazes de cultura ou desenvolvimento mental superior), também estava enraizado no darwinismo. O simples fato da questão é que todos os frutos filosóficos do darwinismo foram negativos, ignóbeis, e destrutivos para o próprio tecido da sociedade.

A filosofia inteira de Friedrich Nietzsche foi baseada na doutrina da evolução. Nietzsche foi amargamente hostil à religião, e particularmente ao cristianismo. A moral cristã encarnava a essência de tudo o que Nietzsche odiava, ele acreditava que o ensinamento de Cristo glorificou a fraqueza humana e foi prejudicial para o desenvolvimento da raça humana. Ele zombou de valores morais cristãos tais como a humildade, a misericórdia, a modéstia, a humildade, a compaixão para com os fracos, e o serviço a outros. Ele acreditava que tais ideais tinham criado fraqueza na sociedade. Nietzsche viu dois tipos de pessoas - o mestre de classe, uma minoria dominante iluminada, e o "rebanho", seguidores semelhantes a ovelhas que eram facilmente levados. E concluiu que a única esperança para a humanidade seria quando os mestres de classe evoluíssem (super-homens), livres de costumes sociais ou religiosos, os quais tomariam o poder e trariam a humanidade para o próximo estágio de sua evolução.

Não é surpreendente que a filosofia de Nietzsche lançou as bases para o movimento nazista na Alemanha. O que é surpreendente é que, no alvorecer do século XXI, a reputação de Nietzsche tenha sido restaurada por correntes filosóficas, e assim seus escritos estão uma vez mais na moda, no mundo acadêmico. De fato, sua filosofia - ou algo muito perto disto - é ao que o naturalismo deve inevitavelmente regressar.

Todas estas filosofias são baseadas em noções que são diametralmente opostas a uma visão bíblica da natureza do homem, porque todas elas começam por abraçar uma visão darwiniana da origem da humanidade. Elas são enraizadas em teorias anti-cristãs sobre as origens do homem e da origem do cosmos e, portanto, não é de admirar que eles estejam em oposição aos princípios bíblicos em todos os níveis.

O simples fato da questão é que todos os frutos filosóficos do darwinismo têm sido negativos, ignóbeis, e destrutivos para o próprio tecido da sociedade. Nenhuma das grandes revoluções do século XX lideradas por filosofias pós-darwinianas jamais melhoraram ou enobreceram qualquer sociedade. Em vez disso, o legado social e político principal do pensamento darwiniano é um espectro completo da tirania que inspirou Marx para o comunismo por um lado, e por outro, um fascismo extremo inspirado em Nietzsche. E a catástrofe moral que desfigurou a sociedade ocidental moderna é também diretamente atribuível ao darwinismo e à rejeição dos primeiros capítulos de Gênesis.

(Dá para crer que a atual luta por justiça e igualdade social se fundamenta em princípios corretos e válidos, enquanto o que permeia a forma de pensar da sociedade ocidental se fundamenta no darwinismo e honra e celebra todas as vertentes do pensamento filosófico que é dele decorrente? Muito do que se faz sob esta bandeira no mundo, não passa na verdade de uma cortina de fumaça para encobrir as intenções dos modernos seguidores de Nietzsche, que conduzirão por fim, o Anticristo ao poder, para que o “rebanho” seja dirigido pela minoria que se autoclassifica por “iluminada”. E isto num mundo que vai se tornando cada vez mais amoral – sem ética ou um verdadeiro respeito à moralidade. Faça um corte na sociedade de todo o mundo ocidental e você encontrará sempre esta mesma substância relativa a um cada vez mais crescente incremento da iniquidade em todos os níveis sociais, e através da qual, os que se consideram mais fortes, em vez de ampararem os mais fracos, conforme postula o Cristianismo, procurarão suprimi-los, e esta será a grande motivação que levará o Anticristo e seus seguidores a tentarem varrer o Cristianismo da face da Terra, e juntamente com ele, os cristãos, uma vez que vivem o contrário de tudo aquilo que eles creem como sendo útil e verdadeiro, e que na verdade já está condenado por Deus,e por fim será finalmente expurgado da face da Terra, quando nosso Senhor retornar para instaurar o seu reino eterno de amor e de justiça – nota do tradutor).

Texto de John MacArthur, colocado em domínio público pelo autor, traduzido pelo Pr Silvio Dutra.

John MacArthur

Definindo Discernimento

1 Tessalonicenses 5:21-22; 1 João 4:1; 2 Pedro 1:3; 2 Pedro 1:4

O discernimento bíblico em sua definição mais simples, nada mais é do que a capacidade de decidir entre a verdade e o erro, o certo e o errado. O discernimento é o processo de fazer distinções cuidadosas em nosso pensamento sobre a verdade. Em outras palavras, a capacidade de pensar com discernimento, é sinônimo de uma capacidade de pensar biblicamente.

Primeiro Tessalonicenses 5:21-22 ensina que é responsabilidade de cada cristão ter maior discernimento: "Mas examine tudo cuidadosamente, retende o que é bom, abstendo-se de toda forma de mal." O apóstolo João emite um aviso semelhante quando diz: "Não creiais a todo espírito, mas provai os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo" (1 João 4:1). De acordo com o Novo Testamento, o discernimento não é opcional para o crente, ele é necessário.

A chave para viver uma vida não comprometida encontra-se em sua capacidade de exercitar o discernimento em todas as áreas de sua vida. Por exemplo, a incapacidade de distinguir entre a verdade e o erro deixa o cristão sujeito a todos os tipos de falsos ensinamentos. O ensino falso, em seguida, leva a uma mentalidade anti-bíblica, da qual resulta em um viver infrutífero e desobediente – uma receita certa para concessões.

Infelizmente, o discernimento é uma área onde a maioria dos cristãos tropeça. Eles apresentam pouca capacidade de medir as coisas que são ensinadas em relação ao padrão infalível da Palavra de Deus, e eles se envolvem sem querer em todos os tipos de ações e comportamentos antibíblicos. Em resumo, eles não estão equipados para tomar uma posição decididamente bíblica contra o ataque de pensamentos e atitudes antibíblicos que eles enfrentam diariamente.

O discernimento permeia a vida cristã em cada ponto. E a Palavra de Deus nos dá o discernimento necessário sobre todas as questões da vida. De acordo com Pedro, Deus "nos tem dado todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo verdadeiro conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude" (2 Pedro 1:3). Você vê que isto é através do "verdadeiro conhecimento de Deus," que nos foi dado tudo o que precisamos para viver uma vida cristã neste mundo caído. E como mais teremos o verdadeiro conhecimento de Deus, senão através das páginas de Sua Palavra, a Bíblia? De fato, Pedro continua a dizer que tal conhecimento vem através da concessão de Deus "das Suas preciosas e magníficas promessas para nós" (2 Pedro 1:4).

O Discernimento - a capacidade de pensar biblicamente sobre todas as áreas da vida - é indispensável para uma vida sem comprometimento. Cabe o cristão se apoderar do discernimento que Deus tem provido na sua precioso verdade! Sem ele, os cristãos correm o risco de serem "agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina," (Efésios 4:14).

Texto de John MacArthur, traduzido pelo Pr Silvio Dutra.

John MacArthur