Jodhi Segall
Balada
Não, não me digas não nesta noite.
Aceita com teus risos a alegria desta hora;
envolve nos teus braços os meus carinhos
e não te afastes deles até o amanhecer...
Escuta minha balada de amor,
meus versos profanos de paixão;
toma em tuas mãos o calor latente de meu corpo
e em beijos ardentes te entrega aos meus fascínios...
Não, não me digas não nesta noite.
Aceita com teus olhos o esplendor deste luar,
que envolvido nestes versos trago:
são parte deste amor que sinto e a ti traduzo.
Escuta minha cantiga enamorada como um canto mágico
a bulir em teus cabelos,
como ternura de meus lábios a percorrer tua pele.
Cepúsculo
que dizer do amor que parte
senão que em nós ainda arde
é fogo é chama
incandescente
amor que transcende
além-mar tempo via inteira
que do espaço plenitude
nua soa a preencher-se
através de cada atitude
palavra
grito verso
pranto e adverso
Quando parte assim tão
velozmente e prematuro
diz-nos quão pequenos somos
e revela-nos quão grandiosa
a benevolência
e justiça divinal
Homem, são seus valores e princípios
sua riqueza e herança
seu legado sublime
de amor e esperança
Difícil não sofrer
não doer
não chorar
não ter a voz embargada
não sermos verdadeiros
Não é de lembrança nem ausência
não é de falta ou perda
mas beleza humildade alegria
é de coragem e crença no porvir
que vibra coração
alma se agiganta
E tudo é simples naqueles
a quem devotamos tais sentidos
e momentos
temos então certezas
de que fizemos tudo certo
que a união familiar não é célula
mas oceano
berço e colo de toda humanidade
que comunidade é patria e historiografia
de nossas importancias
que ambas família e comunidade
são o porto seguro das partilhas
e o porto alegre da espiritualidade
Unidos no amor que tanto ama
na fé na prece na família na caridade
levamos o amigo o irmão o companheiro
distribuimos o pai o filho o esposo
agradecemos a Deus por existirmos
nos revigoramos em tua amorosidade
ilumina-nos em tua eternidade!
O Corpo
Ribeirão Preto - SP.
Grande Circo Popular do Brasil. 1995.
Masculino este meu corpo se heterogeniza, sexualiza,
revela e muta, descarna: deságua em feminino absoluto.
Fundidos, atados, corpo e alma solidificam:
unificam, purificam, autenticam.
Masculino, este meu corpo se rebela à mera função de macho
reprodutor,
consumidor de fêmeas,
de primata.
Minha alma feminina o guia e protege e ilumina;
ousa em asas, afirma: ascende rasgada, dissecada;
exposta, nada priva.
Livre, meu masculino corpo se dilui...
Ama, entrega: integra, desintegra, marca.
Semeia e segue.
Pérola
Para Henrique Leonardo Lima do Nascimento.
Uberaba, MG, dezembro de 1999.
Folhas de Outono,2001.
Assim
como as folhas caem no outono
e as flores brindam a primavera
tua amizade
é verão em pleno inverno
luz e vida a aquecer a alma
Em pequenos e vãos momentos
em tudo me acrescentas
saudade é já antes do partes
e me transformas para a guerra
e me conduzes na partilha
Melhor me dou
na independência do senso e do sentido
que sentindo sou
Verbo
Para Monsenhor Juvenal Arduini.
Uberaba, MG, primavera de 1998.
Folhas de Outono, 2001.
O verbo é a essência.
O homem é o pote.
A oração é a mensagem.
O verbo, a prece.
Todas as coisas giram ao seu redor.
Sozinho, ele não é nada.
Como eu, tu e ele,
Todos dependemos do nós.
E dos nós que desatamos...
Clave de Sol
Para Maria Solange de Souza.
Praia do Jardim Guanabara. 1983.
Ilha do Governador. Rio de Janeiro-RJ.
Epopéia.
Coxas entrelaçadas nas labaredas
do céu.
Espera na busca do delírio:
suor
melodia
e ego.
Curas.
Revela pensante o animal: amante.
Usa-me.
Poeminha de amor
Para Irene. Maestro Arturo Toscanni: 1976.
EM 19XX19 Cap de Frag Didier Barbosa Vianna
Ilha do Governador. Rio de Janeiro – RJ.
Um barco veleja
Sobre as ondas do mar
E o tempo me leva
Nele a navegar
Vento forte vento bravo
Este vem a me atrasar
Mas mais forte é o meu barco
Que navega sem parar
Navega com rumo e sentido
Sentindo as vagas do mar
Me leva tonto e perdido
Louco (louco) para te amar
Gratidão
Para as minhas mães, irmãs e filhas Dominicanas
e meus fraternos frades Maristas, Franciscanos e Beneditinos.
1979. Colégio Nossa Senhora das Dores. Uberaba-MG.
Deus me amou tanto que me fez poeta.
Quisera eu ser seu filho predileto:
poder multiplicar os pães de que o meu povo
tanto necessita, ter a sabedoria de Salomão
e as virtudes de Maria.
Quisera ser um Cristo e dar de graça a
salvação do mundo.
Mas não.
Pequenino como Marcelino,
guardo comigo a gratidão:
Deus me fez poeta:
Um homem comum
(pobre e feio),
como qualquer
um.
Quando
Para Edison Simon e Eduardo Galeano
E então como as nuvens passam
E os homens morrem
Assim tão simples entes e mentes
Nada mais significam
São engodos
Nódoas
Mágoas
Coisas esquecíveis.
Simples entes e mentes
Ignoráveis.
Acordamos um dia como noturnos.
Entre fuzís e coturnos nos definimos libertários.
Perdidos entre o bucólico e o alcóolico nos dizemos apaixonados.
Mas nada é tão burguês quanto ser socialista.
É o mesmo que dizer temos queijo, mas não para ratos.
Temos vinho, mas vista o terno. Saiba termos. Regras.
Silêncios. Discrições descritas nos index
do bem comum.
Nada tão hipócrita.
A mortalha me serve.
É rede feita de linho.
Simples.
O sol é lindo.
O sal não arde.
De amor fui feito,
por amor lutei.
E as nuvens passam...
Um dia há de contrários, mas não eternidades.
É preciso o impreciso de verdades.
Então morremos. E sabemos
com tranquilidade
que não há mais dor.
Nem precisamos de esperanças.
Em breves, como em vidas, não havemos mais
lembranças ou
esquecimentos.
Nada mais além
do firmamento.
Os Titãs (Das questões)
Dois titãs se completam
Se refletem e se maravilham
Dois amantes
opostos se iluminam na mesma escuridão
Dois pesos
um só êxtase e fadiga
Dois náufragos e tudo é
Angústia e medo
Distância
Viscosidade
De corpos putrefatos
E almas mortas
Sem portos ou portas
Só incertezas
E um gosto acre de maledicências e inveja
Total desprezo à dor
Abandonos...
Amor que ama
"Eu não estou na medida das suas expectativas, nem você está na medida das minhas. [Não sou o seu tipo, nem você é a minha fôrma.]Eu arrancarei meus olhos para que você me veja como eu me vejo; você arrancará seus olhos para que eu lhe veja como você se vê." (Moreno)
Eu sei que você é você, e que eu sou eu. Eu não quero ser você, nem desejo que você me seja. É essa nossa diferença que nos incompleta e infinita.
É descobrir em nossas individualidades as afinidades e completudes. É no alimentar nossas virtudes que extinguimos nossos defeitos...
Eu sei que casamento não é uma instituição confiável e que a eternidade é uma hipocrisia literária... Mas também sei que conviver é partilha de cotidianos. Eu sei de nossos defeitos e imperfeições, de nossas distinções e peculiaridades, de nossas privacidades.
Apenas afirmo de minhas verdades, de minha lealdade, de minha autonomia, de minha escolha.
Confirmo minha fraternidade, meu companheirismo, minha confidência, minha fidelidade.
Ao dizer te amo , nunca caia no vazio dos egocentrismos tolos ou das vilezas que o ciúme e a posse e o poder que a certeza nos traz.
Eu sei dos afazeres, dos trabalhos, dos talentos e das riquezas. Eu sei das disciplinas e responsabilidades das quais o amor se alimenta e a paixão se renova.
Então, não há medo. Não há insegurança alguma. Ambos sabemos que não há desculpas, que não há dúvidas. Eu a escolhi e você me escolheu. Eu a vejo, você me vê.
Eu a toco, você me toca. Eu a ilumino, você me ilumina. E, assim, morrem nossas incertezas. Não há lugar para a dor ou desespero. Apenas a plenitude dos espaços a serem preenchidos por nossas liberdades.
Assim sendo, eu repudio toda e qualquer subserviência entre nós: tudo em nós é reciprocidade, equidade,verdade, justiça, cumplicidade, harmonia, partilha, respeito e encantamento.
Magia: renovar a cada dia a certeza de que somos diferentes e livres. Eu me realizo. Você se realiza. Eu vivo por livre escolha ao seu lado, você, por livre escolha, ao meu.
Em nossos ares, em nossos lares, em nossos mundos e lugares, o ar tesão circula por nossos corpos e mentes, alimentando nossas vidas na independência de ser e de criar, de viver e de amar.
Espelho
Aos poucos nos tornamos mais fortes.
Aquela fraqueza não se sustenta.
Vemos a grandeza como algum comum.
Tomamos posse de nossas riquezas, fortunas, venturas.
Nada tememos em nós próprios e tudo preservamos ao derredor: o modo, as coisas, as pessoas...
Aos poucos a imagem se dissipa e no espelho encontramos nossas verdades.
Nenhuma dor permanece.
Sentimos uma áurea de humanidade, cantamos uma música enternecida sem melancolias, melodramas, restituições ou resgates.
Todas as contas estão pagas.
Leve como uma pluma, ergue-se sobre o sol, a alma.
Sob estradas, estrados...
Além de nós, estrelas!
Embriagado
De Amor e de outros escritos
Uberaba-MG, jan. 2006
1
Dos brados de homens faz-se verbo.
De suas preces justificam-nos atrozes.
Ergue-nos lança, adaga, espada.
Homem-aço, laço faz-nos gume de navalha.
Enternecer.
Girar cirandas por congás, folias, catiras e rodas.
Doridas, embriagar-se nos confins do universo.
Rei, senhor, sacerdote, profeta;
Mago, grão-mestre, semideus...
Imortal.
Liberdade, justiça, verdade!
Honra, coragem, dever e sacrifício.
Fênix de carnes e ossos:
dignidade,
equidade,
lealdade.
Sob o triplo sol de Leão, sob as hostes do Dragão:
Glória a Marte, Morte a Eros!
2
Embriagado.
Defenderás os pobres, os órfãos, as viúvas.
Erguerás tua voz contra as injustiças;
Com tua tez vestirás os nus.
Com tua insensatez darás bons conselhos.
Em tua loucura promoverás a justiça.
Tua nudez será sagrada nos óleos do prazer;
Tuas mãos modelarão o barro indócil do saber.
De teu olhar verterá a humildade, o entendimento,
a fortaleza.
Sob teus pés depositarás as asas do firmamento:
temperança, perseverança e fé.
Erguerás teu clamor e todos os deuses te ouvirão.
Liberdade, justiça, verdade!
Coragem, determinação!
Ergue tua voz.
3
Embriagado.
Ruas, praças, avenidas.
Esquinas e vidas.
Um coração selvagem caminha pela noite escura.
Arca, ponte, portal e chave.
Cavalos-marinhos alados te protegem.
A lua te envia melodias de ternuras
e encantamentos.
O sol aquece o coração selvagem.
4
Embriaguez.
Embriaguez completa.
Alea jacta est.
Epifania divina de não ser.
Loucuras visionárias
(con)textualizadas em planos outros.
Infernos delirantes
de demônios interessantes
e magníficos.
Criações sem criaturas.
A verbe e o estro, o mastro sem maestro.
A nau flutua sobre as nuvens e epidermes.
Não passamos de uma hibridez
de inseto e verme.
Predadores, parasitas, detratores.
Consolo humilde: o homem morre em seus mitos...
Revolução: destrua tuas caravelas.
Apague tuas velas, sangra tuas veias.
Rasga tua terra. Vê tua cova rasa, silenciosa e tudo.
Nada cala o mundo: ao sair,
pague a conta.
5
Famigerada espera de compreensões
ao longe das manhãs.
Ao largo se posicionam as frotas sem rotas,
rôtas de tantas eternas parcas palavras.
Parvas.
Podres.
Vazias...
Naufragante, embriagado...
Terra a vista no prazo das auroras.
Sic transit gloria mundi.
Oh! Com certeza!!
6
Embriagado.
Insular.
Arquipélago telúrico, interestelar.
Plêiades se curvam ao digníssimo.
Ilhotas medíocres se intitulam titulares do credo.
Deus ri-se das infâmias, chora dos risos.
Um Cristo entronizado entre os pobres rebelou-se
ao descaratísmo.
Melhor ser apóstata.
Somos aleluias.
Embriagamo-nos todos no amor e na paixão da luz.
Desnorte, dessorte.
Nesta cruz
cada qual é sua própria morte.
Despidos banimos os mercadores.
Minha nudez tão tua.
Meu coração tão teu.
7
Embriagante embriaguez
que me embriaga a alma
e me dilacera a carne.
Esquatejamentos...
Vestidos. Vestes são máscaras.
Oh! Como somos tão ridículos sem elas...
Púrpura, magenta e laranja.
A noite vem.
Um gosto de imensidão.
Profundo é o mergulho na abóbada dos mitos.
Cada estrela, um reflexo do refluxo dos idos.
Sob os pés, o mármore.
Homens não são rochas. São tochas.
Frouxas. Frágeis. Tremulantes...
Como somos imbecis.
Estúpidos. Tiranos. Vis.
Como somos miseráveis...
Tato e paladar.
Divino é ser humano.
8
Homeopatia astral.
A noite brilha muito além dos néons.
Um grilo falante brinca de super-homem na boca do sapo.
A princesa beijou-lhe a boca desdentada, mas ele não
virou príncipe. Um jacaré azul valsa
com uma baleia Jubarte.
A dama, ao rei devota sua passagem fugidia...
O lobo mau é bonzinho.
Nunca se esqueça, minha filha:
o lobo mau é bonzinho...
Fazemos mapas astrais nos céus plurais de multibocas.
Tem um coelhinho na cartola do mágico;
Uma poção de amor no chapéu da feiticeira.
Oráculos...
Jogam-se runas entre as esquinas,
numerólogos arquitetam o porvir nas mesas de sinuca.
Diante ao oratório,
um pedido a estrela cadente:
seja-me fiel por dez minutos.
Um trago sem estragos.
Um divisar sem divisor.
9
Embriaguez apaixonante.
O cafetão reclama o bem de seu não pecuniário;
Ela recusa-se a dizê-lo não amante.
Ó, espanca-me!
Toma minha alma!
Meu gozo, meu amor...
Dádivas são dívidas.
Nunca se esqueça, minha filha: dádivas são dívidas...
Mais um trago...
Mais um beijo na boca do diabo...
Mais um gozo sem estragos.
Não, não morde,
não marca,
meu marido é ciumento.
O beija-sarjeta, o cantar do clandestino,
o devotado ao sem destino.
Prazer e dor.
Prazer em dor.
Prazer é dor.
Êxtase e gigantismo.
Pequenez e gratificantes: gestos de cumplicidades soberanas.
De grátis: nua e crua, a lua.
A dor não pode ser maior que o prazer;
Nem o medo, maior que o amor!
Embriagado Ato II
Fragmentos de Um Grande Amor Dilacerado
Amor que não ama.
(De ócios, vícios e desesperas)
agosto 2009
Dos ócios
O silêncio.
Sábio e divinizado silêncio.
Incomparável plenitude...
Silêncio: soturno inebriante.
Voz dos anjos, auspício dos demônios.
Suplício dos homens. Hospício dos deuses.
Diz-se prece. Revela-se praga.
Eu e eu. Horrores do Eu sou eu.
Quão magistral e magnífica companhia o Eu.
Quão pequeno o eu.
Eu e eu. Eu e deus.
Quão tolo deus.
Quão dolo aos teus.
Sublime sabedoria: um diploma e todos
os demais são fátuos fatos de enfados.
Uma fada.
Um gnomo.
Um ente.
Um ingente.
O manto,
a toga,
o juízo.
O todo e pleno indigente!
O prejuízo tão lucrativo:
orgulho e vaidade são fundamentais à humildade.
Acordamos mais pobres diante da releitura.
Esta percepção de que tudo em nós é pouco e impuro.
A apuração de nossas estatísticas:
A real realeza que dista da plebe rude.
Pó comensal na mesa dos moedores.
Pilão sem bateia.
Pano de prato sem lavoura.
Depuramos sangue, leite e aços.
Lubrificamos engrenagens.
Ossos e couros esculpimos com mui zelosa bondade.
Glória a deus nas alturas das chamas do inferno,
e restituímos impostos aos homens
de tão grandiosa boa vontade.
Morremos todos de nossos próprios nomes.
Fomes inomináveis de excessos múltiplos da escassez.
Nas lápides vêem-se jovens descuidados,
adultos desgostosos, idosos cansados...
Nos demais, mortos de mortos por morte morrida
e aqueles que ultrapassaram a própria vida.
Comum o pranto dos órfãos e viúvas da minha terra.
Triste o abandono de nossos velhos
em pocilgas pré-tumulares.
Mortos, mortos: preces para os mortos!
Um brinde a vida!
Embriaguemo-nos! Bebamos o morto!
Sorvamos sua ebridez delirante, sua eterna via retirante.
Venham, amigos, à taverna, nos aguarda a aurora.
Torto. Tonto. Caído dos dez centímetros de altivez.
Porco. Mal cheiroso, imundo.
Grande o mundo, pequeno o homem.
Grande o homem, pequeno o mundo.
Lux
terras de ninguém
o corpo
meu teu outro teu meu
nele em mim em ti
noutro alguém o
vortex
no velório amém
e diz-se amar
aquilo que não tendo
não contém
Amores perfeitos
ali
na lateral
o litoral e a
nuvem
uma sereia cantou aqui
e tudo se recriou na imperfeição
do amar
restou-se
o mar
Relicário
nos demais
envelhecer ou morrer de acidente
causa natural
da busca
do medo
do espanto encontro
ou simplesmete
da simplicidade das coisa que
com tanta eficácia e eficiência
além ou aquém das dificuldades
naturais das coisas
edificamos
ou não
Confissões
nasci em algum tempo
em algum lugar
nada sei de mim ou do mundo
e isto me faz viver
declaro inexistente a esperança
sem ela
todos somos crianças
um dia cresci e foi horrível
ser homem é não existir
Incompletude
Incompletude
completa a mente
formão sêmem
sentido sentindo amanhecer poente
todo poesia
nome figura quadro
imagem
Ídolos se constróem a muitas
mãos
negar negar negar
Inconcretude
pobreza miséria fome
amor sem lua
rua sem destino
rio sem meandro
E o fim.
Sempre incompletude
vida e finalidade...
Patético.
poético cético: o crítico não suporta a beleza alheia
contentamentos testemunhos julgamentos
somos completos na inveja
no orgulho
na vaidade
na luxúria
na gula
na avareza
e na ira
vícios vazios preenchem lacunas
somos iguais no horror e na vingança
Não se vive de esperança, o real se abasta
em nua incompletude.
