J. G. de Araújo Jorge

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Falta de Ar


Há dias que posso passar sem sol, sem luz,
sem pão,
sem tudo enfim...

( Tenho até a impressão de que não preciso de nada...
... nem mesmo de mim...)

Mas há dias, amor... ( e parece mentira)
- nem eu sei explicar o porquê
de tão grande aflição -

em que não posso passar sem Você
um segundo que seja!
- de repente preciso encontrá-la, é preciso que a veja -

- Você é o ar com que respira
meu coração !

J. G. de Araújo Jorge

Ser mãe...

Quando todos te condenem
quando ninguém te escutar,
ela te escuta e perdoa,
pois ser mãe – é perdoar!

Quando todos te abandonem
e ninguém te queira ver,
ela te segue e procura
pois ser mãe – é compreender!

Quando todos te negarem
um pão, um beijo, um olhar,
ela te ampara e acarinha
pois ser mãe – sempre é se dar!

J. G. de Araújo Jorge

Trovas De Ciúme

"Dosado", o ciúme é tempero
que à afeição da mais sabor...
Mas, levado ao exagero,
é o pior veneno do amor...

Cão de guarda, ameaçador,
a rosnar, furioso e cego
eis afinal, meu amor,
este ciúme que carrego...

Do amor e da desconfiança
infeliz casal sem lar,
nasceu o ciúme, - essa criança
tão difícil de educar...

Perigoso, onipotente,
verdadeiro ditador...
o ciúme é um cego, doente,
ou um doente, cego de amor?

Eis como o ciúme defino:
mal que faz mal sem alarde
corte de alma, muito fino,
que não se vê... mas como arde!

O ciúme, desajustado,
por louco amor concebido,
era uma amante, (coitado)
a padecer... de marido!"

J. G. de Araújo Jorge

A verdade é que me acomodei de tal modo em minha infelicidade, que quase sou feliz.

J. G. de Araújo Jorge

Parece coisa de louco
Como explicar na verdade
Que o amor, que durou tão pouco
Me doa uma eternidade

J. G. de Araújo Jorge

Sim, tive amantes e amadas,
fui escravo, fui senhor.

Mas só agora que te encontro
tenho amante e amada
num mesmo amor.

J. G. de Araújo Jorge

ROSA...ESPINHO

Pago a impaciência
desta paixão ansiosa
por te querer
em meu caminho..

quis colher a rosa
feriu-me o espinho.

J. G. de Araújo Jorge

Terias razão ,afinal pra não acreditar na grandeza do meu amor,
se eu fosse capaz de traduzi-lo em palavras.

J. G. de Araújo Jorge

Chove em minha solidão ,
este vapor que sobe do chão
é ainda teu calor.

J. G. de Araújo Jorge

Talvez seja o tempo...a vida...a idade...
mas a gente vai aprendendo a renunciar
a tanto que se quis...

A verdade
é que me acomodei de tal modo na minha infelicidade,
que quase que sou feliz...

J. G. de Araújo Jorge

E afinal há uma sutil diferença
em nosso amor,
(ninguém o diz)
tu...queres ser feliz,
eu, quero te fazer feliz!!!!!

J. G. de Araújo Jorge

Ateu do amor
tu me converteste...
agora temo te ver,
porque não creio em milagres.

J. G. de Araújo Jorge

Antes eu conseguia juntar os pedaços
e voltar a ser eu.

Impossivel agora.
Como conseguir reconstruir-me
se me falta você??

J. G. de Araújo Jorge

Eu sei bem por que sofro e o que eu almejo,
minto afirmando que não sei porquê,
- falta uma boca para o meu desejo,
falta um corpo que eu quero e que não vejo,
Falta, por que não confessar?... Você!

J. G. de Araújo Jorge

" Último Pedido "


Vida, que tanto me deste
e que eu, desajeitado ou louco,
por tédio, por orgulho ou por cansaço
quebrei, gastei, perdi...

Bem sei que não tenho direito
a nada esperar de ti,

- entretanto, ouve-me ainda, como se ouvisses
o último pedido de um condenado,
sem te importares se te maldigo:

- arranja-me um outro amor, maior que aquele,
e pior que aquele até, bem pior que aquele!

Seja este o meu castigo!

J. G. de Araújo Jorge

Tanta coisa me deste, e eu nada te pedi.
(Qual de nós foi mais criança?)
Poderias, pois, levar tudo, como fizeste...
Que direito teria eu para esperar que deixasses
alguma coisa, além da lembrança?

J. G. de Araújo Jorge

30- SEM CORAÇÃO
Que eu não tenho coração
não és tu, sou eu que digo...
como hei de ter coração
se tu o levas contigo?

J. G. de Araújo Jorge

A verdade é que eu nada enxergava

até que encontrei teus olhos...

Ah! meu amor se me deixares agora :

ficarei cego...

J. G. de Araújo Jorge

Por que depois

se lastimar?



É preferível amar

e arrepender-se,



que se arrepender

te não amar.

J. G. de Araújo Jorge

Bem sei que estou pagando caro,em sofrimento,

a alegria que colhi.



Mas valeu.



Felizes os que ainda tem a lembrança do sol

quando chega a invernia.



E porque o conheceram,

e o sabem além das nuvens,

ainda sonham e esperam por um novo dia.

J. G. de Araújo Jorge

Ás vezes ,quando me encontro no espelho,

é que vejo em meus olhos tua ausência,

e percebo o quanto a tua falta

me faz mal...


Lembras-te? não nos contentávamos em nos saber juntos.


Queríamos que alguém comprovasse

e como que nos convencesse

de que era tudo real.

E o espelho era a nossa única testemunha

afinal.

J. G. de Araújo Jorge

"
Quantos anos!...Meu Deus!...È esquisita esta vida...Depois que a nossa estrada em duas foi partida em uma novamente, o mundo as quis juntar...Mas de nada serviu...De que serviu nos vermos, se o presente tornou nossos sonhos ermos, se não podes me amar!...se não posso te amar..."

J. G. de Araújo Jorge

Noturno nº2

Estás no pensamento,
fixa, presa,
como a estrela no céu,
como a nudez da beleza
sob um véu...
...
...
...
...
...
Estás no meu pensamento
como o som
na corda distendida
como, na bússola, o norte,
como a esperança, na vida,
como na vida,
a Morte...

J. G. de Araújo Jorge

Angústia


Há uma estranha beleza na noite ! Há uma estranha beleza !
Oh, a transcendente poesia
que verso algum traduz...

A via-láctea, inteiramente acesa
parece a fotografia
de um tufão de luz !

- Quem seria,
quem seria
que pregou lá no céu aquela imensa cruz?

Que infinita serenidade...
Que infinita serenidade misteriosa
nesse infinito azul dos céus e em tudo mais:
nos telhados, nas ruas, na cidade...

( Só os gatos gritam na noite silenciosa
sensualíssimos ais !)

Meu Deus, que noite calma... E aquela trepadeira
feminina e ligeira
veio abrir bem na minha janela
uma flor - como uma boca rubra e bela
que não terei...

- E ainda sinto nos lábios um travo nauseante
do amor que faz bem pouco, há apenas um instante,
paguei...

E o céu azul assim... E essa serenidade!
Silêncio- A noite, o luar ... Tão claro o luar lá fora...
Juraria que há alguém, não sei onde que chora...

Oh, a angústia invencível que me prostra
invade
e me devorar ...

J. G. de Araújo Jorge

Sou réu de amor
Confesso o meu pecado
Porem não me arrependo desse crime
Que amar alguem e talvez não ser amado
Seja o crime mais gostoso e mais sublime
A confissão por certo não redime
A quem quer continuar culpado
E se eu for,por acaso condenado
Não há razão para que desanime
Pelo contrário,altivo embora fique
Meu coração partido em mil pedaços
Eu quero que a justiça se pratique
Sou réu de amor e julgo-me indefeso !
Pela justiça,entrego-me a teus braços
Pois eternamente quero ficar preso...

J. G. de Araújo Jorge